A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, julho 23, 2013

A realidade da realidade


Serena o ser

crónicas de ser e não ser num sereno ser


TERÇA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 2013

A realidade da realidade

Os factos, como nos foram apresentados e noticiados:

- António José Seguro e Paulo Portas estiveram presentes numa reunião do Grupo Bilderberg;
- Vítor Gaspar demitiu-se porque achou que a sua política tinha falhado;
- os mercados assustaram-se, fizeram xixi nas calças e os juros subiram e a bolsa desceu;
- a última assinatura de Vítor Gaspar serviu para  permitir que 90% do dinheiro do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social sirva para pagar o serviço da dívida soberana;
- o ministro quasi-demissionário Pedro Mota Soares, também assinou;
- Paulo Portas demitiu-se porque não queria Maria Luís Albuquerque como Ministra de Estado e das Finanças, seria um acto dissimulado a sua continuação no governo, disse;
- os mercados tiveram medo, fizeram cocó nas calças e os juros subiram e a bolsa desceu;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinham sempre razão;
- Passos Coelho não aceitou a demissão de Portas e disse que não se demitia;
- os mercados esboçaram um sorriso e os juros desceram e a bolsa subiu;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinha razão;
- Portas disse que queria ser vice Primeiro-Ministro e que queria mais meninos e meninas do CDS a governar;
- Passos aceitou e deu um grande abraço ao Portas que estava carrancudo;
- os mercados limparam as lágrimas;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinham sempre razão;
- o Cavaco propôs que PSD, CDS e PS dessem as mãos num grande acordo para salvar o país;
- os patrões acharam bem, e disseram que assim, se calhar, o governo ia ser um nadinha mais fofo;
- o Cavaco disse que se chegassem a acordo até dava um rebuçado e convocava eleições para Junho de 2014, depois de cumprido o memorando;
- PSD, CDS e PS começaram a conversar;
- os mercados esfregaram a barriga de contentes e os juros desceram e a bolsa subiu;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinham sempre razão;
- pelo meio o PCP quis conversar com a Esquerda e o BE quis conversar com o PS;
- a Esquerda começou a conversar e o PS disse que gostava mais de conversar com o PSD e o CDS;
- durante este tempo os mercados estavam meio baralhados do sistema e os juros e a bolsa andaram na montanha russa;
- "Os Verdes" apresentaram uma moção de censura no parlamento, o PSD e o CDS estavam muito nervosos e o PS estava parvo;
- a moção foi chumbada e o PSD e o CDS estavam mesmo tão nervosos e o PS tão parvo, que chegaram a tirar a máscara por alguns momentos e explanaram toda a sua dificuldade de vivência democrática;
- o PS disse que afinal não havia a mínima hipótese de chegar a acordo com o PSD e o CDS;
- os mercados ficaram com as pernas a tremelicar e os juros só não subiram e a bolsa não desceu porque estavam de fim de semana;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinham sempre razão;
- os patrões disseram que o PSD, o CDS e o PS eram tontinhos e irresponsáveis porque não se entendiam;
- o Cavaco disse que então nada feito e que o PSD e o CDS afinal não eram assim tão maus e que podiam continuar a fazer as coisas que fazem lá nos gabinetes;
- o Cavaco disse que aquilo das eleições em Junho de 2014 era só para o PS ficar contente e disse para esquecermos lá isso;
- o Cavaco disse que de qualquer das formas ia estar muito atento se o PSD e o CDS voltassem a deixar comida no prato ou a fazer xixi fora do penico;
- os mercados estavam de fim de semana, mas apanharam uma grande bebedeira para comemorar, no dia seguinte os juros desceram e a bolsa subiu;
- José Gomes Ferreira disse que os mercados é que eram os maiores e tinham sempre razão;
- os patrões disseram que pronto, do mal o menos, ia haver estabilidade;
- o PS estava semi-triste, eles queriam eleições mas não queriam assinar o acordo; 
- no meio destas subidas e descidas todas dos juros e da bolsa, quem ficou muito contente foram os senhores do BES, da EDP, da PT, do Banif, da SONAE, da Jerónimo Martins e aquele senhor Américo, o das cortiças, parece que ganharam uns quantos milhões de euros enquanto a coisa ia e vinha; 
- no Grupo Bilderbeg abriram uma garrafa de champanhe e regaram os mercados com ela.

E agora, quem é que ganhou no meio disto tudo? Tirem as vossas conclusões e tratem de agir em conformidade.

P.S. - no fim disto tudo - um bocadinho contente porque os mercados são os maiores e têm sempre razão e tinham ganho outra vez, mas um bocadinho triste porque ainda ninguém tinha despedido 50 mil funcionários públicos - o José Gomes Ferreira ligou ao Camilo Lourenço e disse-lhe que ligasse aos mercados, aos tanques, à bolsa, aos canhões e ao António Borges, ainda não era desta que podíamos esquecer aquela coisa da Democracia. O Camilo disse-lhe que compreendia, mas que estavam confiante que mais cedo ou mais tarde os mercados papavam a Democracia, de vez.

 publicado por swashbuckler às 15:47

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publicado por swashbuckler às 15:47

sábado, novembro 03, 2012

João Semedo. “Bloco pode apoiar governo PS se socialistas cortarem com Memorando da troika”


03 Nov 2012

João Semedo

João Semedo. “Bloco pode apoiar governo PS se socialistas cortarem com Memorando da troika”

Por Ana Sá Lopes, publicado em 3 Nov 2012 - 17:32 | Actualizado há 1 hora 46 minutos

 A velha sede do Partido Socialista Revolucionário (PSR) na Rua da Palma foi restaurada e é hoje a única de que o Bloco de Esquerda é proprietário. O médico João Semedo vai seguir o exemplo de Francisco Louçã: o líder do partido continuará a não dispor de um gabinete próprio. A uma semana da convenção do Bloco que o transformará em coordenador do partido em conjunto com Catarina Martins, João Semedo recebe o i na sala da Rua da Palma onde costuma reunir a comissão política do partido que juntou PSR e UDP a ex-comunistas e conseguiu na altura um sucesso eleitoral inesperado. Treze anos depois, os fundadores passam o testemunho a uma nova geração de dirigentes.
Onde estava quando foi formado o Bloco de Esquerda?
Demiti-me do comité central do PCP e deixei de ser funcionário do partido em 1991. Retomei por inteiro a minha profissão. Nessa década esforcei-me muito – muito mesmo – para voltar a ser médico. Em 1999 era médico no Porto e o aparecimento do Bloco coincidiu com uma movimentação interna importante no PCP em torno daquilo que ficou conhecido como Novo Impulso, que era um movimento que tinha como objectivo mudar algumas coisas dentro do PCP, que teve uma maioria na direcção do partido, e que depois Álvaro Cunhal e outros dirigentes conseguiram reverter. Acompanhei isso bem de perto, porque estava em preparação o congresso do ano 2000, que é o congresso que culmina com o afastamento de muitos dirigentes do PCP. Foi o congresso que me confrontou com a impossibilidade de me continuar a relacionar com o partido. Tudo isto coincidia com as movimentações, discussões, reuniões de algumas pessoas – recordo- -me em particular ou quase exclusivamente de Miguel Portas. Fui assistindo ao nascimento do Bloco com um pé num sítio e outro em sítio nenhum.
E o Miguel Portas não tentou logo cativá-lo para o Bloco?
Eu sempre fui muito amigo do Miguel. Ainda hoje digo que era o meu amigo de todos os dias. E era. E é, embora agora seja uma amizade que infelizmente não praticamos. Mas eu e ele sempre fomos muito independentes, o que só diz bem da nossa amizade. Quando o Miguel saiu do partido para constituir com Pina Moura e outros a Plataforma de Esquerda, eu achei isso um erro. E veio a perceber-se que de facto foi um erro, grande parte dessas pessoas foram para o PS e outras, se não houvesse uma coisa para constituir chamada Bloco de Esquerda, ficavam órfãs. Eu e o Miguel discutimos muito quer a situação dentro do PCP quer a criação do Bloco de Esquerda. Acho que o Miguel teria gostado que eu tivesse estado associado à fundação do Bloco de Esquerda, mas não estive. Nessa altura eu julgava que ainda era possível e era útil fazer alguma coisa dentro do PCP. Hoje olho e penso que o facto de o PCP não ter mudado o seu rumo também ajudou indirectamente à formação do Bloco, como é evidente. O Miguel, como se costuma dizer, nunca me pôs a faca ao peito, mas fomos conversando. As nossas divergências eram tão naturais como as convergências. Quatro ou cinco anos depois, em 2004, o Miguel disse-me que ia ser candidato ao Parlamento Europeu e perguntou-se se eu estaria na disposição de ser o número dois da lista. Eu nessa altura era director do Hospital Joaquim Urbano, achei que era compatível com fazer a campanha. A partir daí, a minha relação com o Bloco foi sendo cada vez maior, fui candidato a deputado em 2005, vim para a Assembleia em 2006 por um curto período, mas o Bloco achou útil eu continuar. Também me apeteceu continuar e ainda não saí de lá [risos]. Foram oito meses que se prolongaram por quase oito anos.
O João Semedo demora tempo a chegar ao Bloco. Demorou muito a desligar-se do PCP?
Sabe que eu acho que as decisões políticas são em geral lentas, sobretudo quando se fala de uma estrutura tão complexa, sólida e organizada como o PCP. No meu caso, achei sempre que aquilo não iria por surtos, nem por pequenos golpes de asa, ia por mudanças de fundo, sólidas, consolidadas. E esse trabalho exigia tempo. Eu sempre olhei com alguma desconfiança as pessoas que acham que têm razão antes de tempo. Talvez seja demasiado paciente, mas gasto a minha impaciência noutras coisas. Repare, eu tinha uma cultura comunista, uma cultura comunista que à época olhava com desconfiança o seu lado esquerdo. Apesar de reconhecer no Miguel [Portas], no Fernando [Rosas], no Francisco [Louçã] e no Luís [Fazenda] pessoas que tinham inteligência política e capacidade para criar, a partir de pequenas formações muito diferentes, uma esquerda popular, socialista… Achei que era um projecto que valia a pena, mas também fui vendo como as coisas evoluíam no PCP. Depois houve o congresso do PCP do ano 2000, que é uma porta que se fecha. Há um grande número de dirigentes – que eram aqueles que eu julgava capazes de introduzir algumas mudanças – que saem. Qualquer perspectiva de mudança estava fechada. Julgo que demorei tempo. Foram decisões muito amadurecidas, uma e outra. Acho que isso também me dá maior convicção nas minhas escolhas.
Acha que percebe melhor que outros essa desconfiança que o PCP tem em relação à sua ala esquerda? O PCP mudou ou essa desconfiança permanece?
Acho que mudaram algumas coisas. O Bloco hoje tem 13 anos e os comunistas percebem que não há razões para manter essa desconfiança. São dois partidos com identidades muito diferentes, mas que partilham opiniões e pontos de vista comuns em relação a muitas matérias da vida política. São partidos que estão na mesma margem do rio e isso verifica-se na Assembleia da República com grande naturalidade. Nenhum deputado do Bloco tem qualquer limitação na sua relação com os deputados comunistas, e acho que isso é mútuo. Conversamos muito, falamos muito, discutimos muito… E acho que temos posições muito comuns. A título de exemplo, a mais evidente e importante foi a apresentação em conjunto da moção de censura. Foi uma forma de diálogo comum bem sucedida.
Nunca tinha acontecido.
Nunca tinha acontecido. Reconheço que o Bloco esteve bem, mas também reconheço que o PCP esteve bem. As coisas foram combinadas e a combinação implica diálogo. E julgo que isso é demonstrativo do bom estado das relações entre o PCP e o Bloco. Acho que hoje é com mais naturalidade e aceitação que os comunistas portugueses percebem que há na esquerda um outro partido com simpatia pelo socialismo, contra a troika, contra este governo, com a mesma determinação, empenho e convicção. É verdade que há comunistas que exprimem uma concepção diferente desta. O tempo acabará com esses preconceitos. Isso não significa que se apague a identidade. Quem lê as teses do PCP e quem lê as do Bloco não tem falta de diferenças para registar. Aquilo que para mim é mais difícil de aceitar no PCP é o vanguardismo. Acho que não há vanguardas históricas. O vanguardismo enquanto doutrina, depois transformado em acção que está sempre legitimada por essa vanguarda histórica, do meu ponto de vista conduz inevitavelmente a comportamentos no plano político de sectarismo e no plano ideológico dogmáticos.
Mas a direcção do Bloco em funções também foi várias vezes acusada de
dogmatismo. Agora o João Semedo, em conjunto com Catarina Martins, está a protagonizar a primeira transferência de poder no Bloco, dos fundadores para outra geração de dirigentes. O que vai mudar agora?
Acho que o Bloco, como qualquer outro partido, está sujeito a críticas, e eu próprio acho que não tomámos sempre as melhores decisões. Sinto-me responsável por isso, tanto como qualquer outro, nem mais nem menos. Sobre todos os pontos da nossa acção política sujeitos a maior controvérsia – relações com o PCP, ir ou não ir à troika, moção de censura, apoio a Manuel Alegre –, eu sou tão responsável como qualquer outro. Independentemente das opiniões que tive na altura. Agora acho que o Bloco é tudo menos um partido dogmático. Tem a ver com sua génese e sobretudo com a nossa cultura. Somos um partido que valoriza a diferença. E acho que até há muitos exemplos disso, houve pessoas que em momentos cruciais da vida portuguesa optaram por posições diferentes das da direcção…
Está a falar da Joana Amaral Dias, que apoiou Mário Soares nas presidenciais…
É um exemplo. E eu acho a Joana Amaral Dias tão bloquista como eu. Eu tenho funções no partido, ela não tem. Ela tem um determinado tipo de militância, eu tenho outro. Até acho que, de todos os que participamos frequentemente em debates políticos, às vezes dou por mim a pensar que a Joana Amaral Dias é mais bloquista que o mais encarniçado bloquista.
Estava a vê-la na sua direcção?
Ela tem uma militância diferente. A nossa Mesa Nacional tem 80 membros e esses 80 são os que têm mais actividade no Bloco. A Joana não tem actividade no Bloco, é uma outra militância. Nós não temos só militantes de um determinado tipo. A Joana Amaral Dias não gosta de reuniões, acho eu. Eu se não gostasse de reuniões estava tramado!
Mas então o que será diferente na sua direcção?
É um pouco difícil olhar para o futuro… Mas eu não acho que haja muito a mudar no Bloco. Do ponto de vista interno, acho que há duas coisas que é essencial mudar: precisamos de dar mais atenção à participação organizada dos nossos militantes dentro do Bloco. E precisamos de ser mais activos no debate das ideias. Nós somos um partido… como os medicamentos inovadores, e temos de trabalhar muito nisso. Na inovação do pensamento político à esquerda, na forma como se constroem e afirmam as ideias do socialismo e da esquerda. Temos de afinar muito a nossa identidade nessa matéria, sem prejuízo daquilo que é um grande desafio para o Bloco, que é a sua capacidade de dialogar com a sociedade.
Uma das críticas feitas ao Bloco é ter eleito o PS inimigo número 1. Aceita esta crítica e está disponível para olhar para o PS a ponto de encarar a ideia de um dia chegarem ao poder em conjunto?
O adversário do Bloco é a direita. Mas o problema do PS é um problema complexo. O Partido Socialista é o que é. E nós verificamos há muitos anos na sociedade portuguesa uma diferença nítida entre as escolhas da direcção do PS e o que são – pensamos nós – as aspirações, as preocupações da sua base social de apoio. Esta contradição existe há muitos anos e há muitas formas à esquerda de tentar resolvê-la. Houve gente que tentou resolver esse problema entrando para o PS. Foram deputados, secretários de Estado, ministros, até Presidentes da República. Estou a referir-me ao M.E.S [Movimento da Esquerda Socialista, no qual em 1974 militaram Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e João Cravinho, entre muitos outros], que entrou em bloco, estou a referir-me à Plataforma de Esquerda, ou a parte dela. Não noto que o Partido Socialista tenha vacilado muito ou tenha mudado muito o seu rumo. Nós temos um problema, que é termos um Partido Socialista que sempre esteve mais perto da direita que da esquerda. O desafio é desencalhar o Partido Socialista da direita. Isto não vai apenas do nosso desejo ou da nossa vontade. Eu gostaria muito que o Partido Socialista de António José Seguro, tal como diz que está contra o Orçamento do Estado, estivesse contra o Memorando. Eu posso desejar isso, mas não basta desejar.
Mas há a teoria do mal menor. O PSD tem sempre um aliado natural, o
CDS. O PCP é um inimigo histórico e o PS nunca pode contar com o Bloco. Não é melhor para o Bloco conseguir um acordo de “serviços mínimos” com o PS do que deixar a direita no poder?
Acho que vale a pena lutar pelos “serviços mínimos”, por uma plataforma mínima, se essa plataforma for de esquerda. Primeiro, o PS não é para o Bloco o mesmo que é para o PCP. Há muitas diferenças e se alguém as quiser estudar basta ler os textos das duas moções de censura. Nós não procuramos encostar o Partido Socialista à direita, até porque, além do mais, não é necessário. O que nós pretendemos é desencostá-los. O nosso objectivo na moção de censura foi escrever um texto que permitisse que o PS votasse essa moção. A opção do PS foi outra, ponto final parágrafo. Esse capítulo está encerrado sem o voto do PS. Nós estamos na disposição de uma plataforma mínima. A nossa moção – ao contrário da moção B, que fala de uma forma vaga de uma ampla convergência de esquerda – diz o que são para nós os mínimos de esquerda. São quatro pontos apenas: primeiro, rasgar o Memorando. Segundo, devolver aquilo que os portugueses perderam em direitos, em salários, em pensões, em serviços públicos. Terceiro, uma reforma fiscal que tribute mais os rendimentos de capital e de propriedade que os rendimentos do trabalho. Quarto e último ponto: o controlo público do crédito bancário, que significa a nacionalização dos bancos que entretanto foram intervencionados.
O BCP e o BPI?
Os que foram. Por uma razão simples: sem controlo público do investimento não há economia. E esse é um dos nossos dramas. Esta é a nossa proposta e a partir daí estamos disponíveis para todas as conversas e todas as discussões. Agora, qual é o obstáculo? É que António José Seguro não diz isto. Diz que quem quer convergir com o PS tem de ter convergência sobre a União Europeia. Muito bem, nós também não queremos sair da União Europeia. Segundo, manutenção no euro. Nós também não pomos a questão de sair do euro. Terceiro, respeito pelo Memorando. E eu pergunto: é possível a esquerda entender-se, construir um governo, uma alternativa, com base no respeito pelo Memorando? Se os mínimos da esquerda são os máximos do Memorando…
Mas o PS diz que já não se identifica com o Memorando nesta versão…
Mas eu verifico o seguinte: uma das votações mais importantes desta legislatura foi a votação do pacto orçamental. O PS votou a favor do pacto orçamental.
Como toda a esquerda europeia social- -democrata…
Mas nós estamos numa situação dramática de pobreza e desemprego. Só se combate um e outro produzindo emprego e desenvolvendo a economia. Não há investimento privado, não há exportações suficientes para assegurar o desenvolvimento da economia. Só há uma solução: investimento público. Se um governo de esquerda aceita um défice público de 0,5%, está a dizer aos portugueses que vai continuar a aumentar os impostos, diminuir a despesa pública, que vai continuar a cortar na protecção social, nas empresas públicas, nos serviços públicos. Então o que é que é esquerda?
Mas como é que se rasga o Memorando da troika se precisamos daquele dinheiro para pagar salários?
Renegociando a dívida.
Renegociando com a troika?
Renegociando com os credores.
Quando dizem “vamos rasgar o Memorando da troika” parece que estão a dizer “não falamos mais com aqueles senhores”...
Nós somos membros da União Europeia, inevitavelmente temos de falar com a Comissão Europeia, com as instituições europeias, com o FMI, tudo isso. O problema é o que se discute. O problema da dívida hoje são os juros que nós pagamos. Quando dizemos “rasgue-se o Memorando” estamos a dizer que é preciso reestruturar a dívida, é preciso renegociar a dívida e os juros. O Banco Central Europeu empresta a 0,75% aos bancos comerciais. Nós pagamos uma média de 3,55%. Se nós conseguíssemos renegociar a taxa de juro poupávamos 4,8 mil milhões de euros. Quando falamos em rasgar o Memorando queremos dizer duas coisas: reestruturar a dívida e recuperar soberania económica, financeira e orçamental. Não estamos na disposição de aceitar que seja a Comissão Europeia a definir a rede das escolas públicas, os direitos de protecção social, o Serviço Nacional de Saúde, as empresas públicas que funcionam ou deixam de funcionar. Isto é soberania! O governo não é dono do Estado, não tem mandato para isso, nenhum partido nas eleições levantou essa questão. Depois há a Constituição. Os programas de governo dos partidos crescem a partir da Constituição.
É perfeitamente aceitável que um partido diga que antes de governar quer rever a Constituição…
O problema é que não tem força política para isso. Uma das principais críticas que fazemos a este governo é a completa apatia, a completa incapacidade de dizer “isto não dá, temos de encontrar outro caminho”. Por mais que aumentem os impostos, por mais que cortem nos direitos sociais, vamos continuar sufocados por uma dívida que não conseguimos pagar. Renegociar significa para nós duas coisas: discutir o valor da taxa de juros e repor a dívida ao nível de uns 60% do PIB. Não temos condições para pagar mais. Aliás, é esse o valor de referência da Comissão Europeia para um país ter alguma estabilidade.
Uma parte do PS está próxima dessa ideia…
Sim, basta olhar para o grupo parlamentar do PS. Nós percebemos que há ali várias áreas de diferenciação política. Como é que isto vai evoluir não sei, não sou bruxo, não faço prognósticos sobre isso.
Reconheço que há hoje muitos socialistas, dentro da direcção do PS, dentro do grupo parlamentar do PS, que estão à espera de ouvir o António José Seguro dizer “rasgue-se o Memorando”.
Ou pelo menos renegoceie-se o Memorando…
Quando há um ano e meio nós dizíamos “renegoceie-se a dívida” toda a gente dizia “estes tipos são doidos, uns radicais, uns marginais, uns irresponsáveis”. Ao fim de um ano e meio percebeu-se que este caminho é o suicídio nacional. Vai a soberania, vai tudo, qualquer dia também vai o ouro. Já está a ir o ouro dos portugueses, qualquer dia vão as barras de ouro do Banco de Portugal. Por esta lógica é inevitável. O PS vai ter muita dificuldade de manter o pé em dois carris, estar com o Memorando e estar na oposição. Como é possível estar com o Memorando e na oposição quando o Memorando é aquilo que divide os campos da vida política portuguesa? Estou a dizer isto cheio de vontade de que isso possa acontecer.
Há quem diga que o Bloco desaparece se não se entender com o PS…
Se nos entendermos seja como for com o PS, descaracterizamo-nos completamente. O que nos torna úteis é que somos de esquerda, socialistas, e temos uma política diferente sobre o Memorando daquela que tem o PS. Agora, como as coisas vão evoluir, vamos ver. O que nós temos de fazer é aquilo que temos feito: desafiar, convidar, propor ao PS que nos acompanhe naquilo que para nós é mais importante, que é a diferenciação face ao Memorando. Se o PS não faz isso, como podemos aceitar? Nós não achamos que governar seja um pecado original. O que interessa num governo é o seu programa. E um programa que respeite aqueles pontos de que lhe falei é um programa de governo que merecerá o apoio e até a participação do Bloco de Esquerda. Mas primeiro é preciso acabar com este governo que está já num estado um bocado lamentável.
Acha que dura quanto tempo?
Esta tentativa de salto em frente é um suicídio. Se o governo já não tem força política para o que está a fazer, menos força política terá para, mantendo o aumento de impostos, acabar com o Estado social. Se o Presidente da República fosse consequente com o que tem dito ou escrito…
Demitia o governo?
Sim. Quando o Presidente da República diz que foram ultrapassados os limites máximos de austeridade, quando repetidamente chama a atenção para a desigualdade na distribuição de sacrifícios... Eu nunca vi um Orçamento do Estado tão austero e com tanto desequilíbrio na distribuição de sacrifícios. Se o Presidente da República fosse consequente – não é, já sabemos que não é – demitia este governo. Nem aprovava este Orçamento. O Presidente devia vetar este Orçamento.
Mas para demitir o governo o Presidente tem de provar que está em causa o regular funcionamento das instituições.
Mas penso que as instituições estão a funcionar bastante anormalmente quando a Assembleia da República aprova um Orçamento que o país rejeita.
E a seguir devia haver eleições?
Não vejo outra solução possível. A maioria que caracteriza esta Assembleia da República já não exprime a vontade do país.

segunda-feira, outubro 29, 2012

O GOVERNO ps(d)cds ESTÁ FORA DA LEI.



O GOVERNO ps(d)cds ESTÁ FORA DA LEI. OS GOVERNANTES DO PSD/CDS Passos Coelho Paulo Portas, tal como os anteriores do  ps(d)cds desde Mário Soares e Cavaco  mentiram na(s) campanha(s) eleitoral/is para caçarem votos,  e não cumprem a constituição que juraram defender. São Perjuros e estão FORA da LEI  (Victor Nogueira)

A nova Constituição da República portuguesa é aprovada na Assembleia Constituinte, realizando-se seguidamente as primeiras eleições legislativas, vencidas pelo PS, com maioria relativa. Mário Soares é indigitado Primeiro-Ministro


VII REVISÃO CONSTITUCIONAL [2005]


PREÂMBULO

 A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

Preâmbulo

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa:


Princípios fundamentais


Artigo 1.º
República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.



Artigo 2.º
Estado de direito democrático

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.



Artigo 3.º
Soberania e legalidade

1. A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.

2. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática.

3. A validade das leis e dos demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.


(..)

Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado

São tarefas fundamentais do Estado:

a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam;
b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático;
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território;
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa;
g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.

(...)


Artigo 21.º
Direito de resistência

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

(...)

Artigo 52.º
Direito de petição e direito de acção popular

1. Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas ou a quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da respectiva apreciação.

2. A lei fixa as condições em que as petições apresentadas colectivamente à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas são apreciadas em reunião plenária.

(...)

TÍTULO III
Direitos e deveres económicos, sociais e culturais


CAPÍTULO I
Direitos e deveres económicos


Artigo 58.º
Direito ao trabalho


1. Todos têm direito ao trabalho.

2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:

a) A execução de políticas de pleno emprego;
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.


Artigo 59.º
Direitos dos trabalhadores

1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:

a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
b) A organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar;
c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde;
d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas;
e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem em situação de desemprego;
f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional.

2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente:

a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;
b) A fixação, a nível nacional, dos limites da duração do trabalho;
c) A especial protecção do trabalho das mulheres durante a gravidez e após o parto, bem como do trabalho dos menores, dos diminuídos e dos que desempenhem actividades particularmente violentas ou em condições insalubres, tóxicas ou perigosas;
d) O desenvolvimento sistemático de uma rede de centros de repouso e de férias, em cooperação com organizações sociais;
e) A protecção das condições de trabalho e a garantia dos benefícios sociais dos trabalhadores emigrantes;
f) A protecção das condições de trabalho dos trabalhadores estudantes.

3. Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei.


(...)


 PARTE II
Organização económica

TÍTULO I
Princípios gerais


Artigo 80.º
Princípios fundamentais

A organização económico-social assenta nos seguintes princípios:

a) Subordinação do poder económico ao poder político democrático;
b) Coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
c) Liberdade de iniciativa e de organização empresarial no âmbito de uma economia mista;
d) Propriedade pública dos recursos naturais e de meios de produção, de acordo com o interesse colectivo;
e) Planeamento democrático do desenvolvimento económico e social;
f) Protecção do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
g) Participação das organizações representativas dos trabalhadores e das organizações representativas das actividades económicas na definição das principais medidas económicas e sociais.


 Artigo 81.º
Incumbências prioritárias do Estado

Incumbe prioritariamente ao Estado no âmbito económico e social:

a) Promover o aumento do bem-estar social e económico e da qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas, no quadro de uma estratégia de desenvolvimento sustentável;
b) Promover a justiça social, assegurar a igualdade de oportunidades e operar as necessárias correcções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento, nomeadamente através da política fiscal;
c) Assegurar a plena utilização das forças produtivas, designadamente zelando pela eficiência do sector público;
d) Promover a coesão económica e social de todo o território nacional, orientando o desenvolvimento no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminando progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo e entre o litoral e o interior;
e) Promover a correcção das desigualdades derivadas da insularidade das regiões autónomas e incentivar a sua progressiva integração em espaços económicos mais vastos, no âmbito nacional ou internacional;
f) Assegurar o funcionamento eficiente dos mercados, de modo a garantir a equilibrada concorrência entre as empresas, a contrariar as formas de organização monopolistas e a reprimir os abusos de posição dominante e outras práticas lesivas do interesse geral;
g) Desenvolver as relações económicas com todos os povos, salvaguardando sempre a independência nacional e os interesses dos portugueses e da economia do país;
h) Eliminar os latifúndios e reordenar o minifúndio;
i) Garantir a defesa dos interesses e os direitos dos consumidores;
j) Criar os instrumentos jurídicos e técnicos necessários ao planeamento democrático do desenvolvimento económico e social;
l) Assegurar uma política científica e tecnológica favorável ao desenvolvimento do país;
m) Adoptar uma política nacional de energia, com preservação dos recursos naturais e do equilíbrio ecológico, promovendo, neste domínio, a cooperação internacional;
n) Adoptar uma política nacional da água, com aproveitamento, planeamento e gestão racional dos recursos hídricos.

(...)

http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx


terça-feira, agosto 21, 2012

Contra uma existência sem dignidade ou futuro


OPINIÃO

Contra uma existência sem dignidade ou futuro

I
Sendo a história feita por homens e mulheres, com o concurso de interesses e de opiniões, de estadios de consciência muito diversos, de interesses de classe organizados, quando nós hoje estudamos o esclavagismo, o feudalismo,as sociedades pré-capitalistas, a revolução industrial, etc., somos tentados a considerar que tudo isso aconteceu por geração espontânea.
Mas, não! Foi fruto de lentos e quantitativos processos de mudança que, após séculos de maturação, resultaram em transformações qualitativas. Transformações que são processos colectivos e, mais tarde ou mais cedo, ocorrerão porque servem para regular contradições antagónicas que se produzem na sociedade e que terão de ser resolvidas para que o mundo e a humanidade avancem.
Como Marx referia no capítulo de “O Capital” sobre a acumulação primitiva, “nos fins do século XIV, a servidão tinha desaparecido praticamente de Inglaterra”, facto que ocorreu – com uma breve interrupção entre 1640 e 1660 – sem a substituição formal do regime monárquico. E tal transformação ocorreu, em Inglaterra, e mais tarde no resto da Europa, porque era inconcebível que o servo da gleba se continuasse preso aos grilhões do senhor feudal. As revoluções burguesas, que germinaram durante séculos impuseram, pela violência, a sociedade da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, limitando, no entanto, a aplicação desse lema às classes dominantes.
O processo de acumulação capitalista gerou uma contradição antagónica. A que opõe a natureza social do trabalho à apropriação privada da riqueza gerada por ele, contradição que o desenvolvimento da mesma para o seu estadio superior que é o imperialismo (a que muitos teóricos gostam de chamar globalização para escamotear a rapina e a guerra que aquele traz consigo) exponenciou. Tal como as contradições do passado, a contradição entre o Trabalho e o Capital será resolvida, não com "beijinhos e abraços", ou por um acordo de tias durante o seu chá das 5, mas por revoluções violentas.
Porque, tal como no passado a burguesia teve de depor a monarquia pela violência para libertar os servos da gleba para o emergente "mercado de trabalho", e de forma "livre" pudessem vender a única mercadoria que tinham para vender - a sua força de trabalho -, a classe operária, os camponeses e todos aqueles que só sobrevivem do rendimento do seu trabalho ou, pior do que isso, foram remetidos para o desemprego, a precariedade, a fome e a miséria que o capitalismo lhe tem para lhes "oferecer", só poderá contar com a violência revolucionária para arredar da cena da história uma classe que, tal como as outras classes exploradoras que antes da burguesia detiveram o poder, nunca abandonarão o mesmo de livre vontade.
Senhores de escravos morreram às mãos de monarcas liberais, monarquias foram decapitadas pelas burguesias vencedoras e, povos e nações foram destruídos. Milhares de vidas se perderam em nome da conquista de fronteiras, do domínio de territórios, do saque de matérias-primas de outrem e da necessidade de o imperialismo regular a economia de acordo com os seus interesses.

Para os eternos "românticos" das soluções "pacíficas" a eterna questão. Quantos milhões serão necessários morrerem, no altar do sacrossanto lucro capitalista, na defesa dos interesses imperialistas de rapina – pois o imperialismo significa guerra -, para que cheguem à conclusão que à exploração e à guerra burguesa, capitalista, colonial e imperialista só se pode responder com a guerra revolucionária que liberte os povos, os trabalhadores da exploração e de uma existência sem dignidade ou futuro?

II
Não sendo ainda o socialismo, pela sua vertente democrática patriótica, capaz de unir um largo consenso entre classes e extractos de classe, sobretudo porque contém medidas que se, por um lado, protegem a nossa unidade e independência nacionais, por outro, podem gerar riqueza de forma sustentada e plausível de criar emprego e riqueza, o programa que os comunistas, marxistas-leninistas, hoje defendem, baseados na premissa de Lenine da "análise concreta de uma situação concreta", de derrube deste governo de vende pátrias, ao serviço da tróica germano-imperialista, e da constituição de um governo democrático patriótico é o programa que melhor satisfaz os interesses da classe operária e dos trabalhadores nas presentes condições políticas e de mobilização.
Torna-se, assim, cada vez mais claro que é necessário dizer, sem hesitações, que só isolando do movimento sindical a corrente oportunista e capitulacionista que o tem dominado, só isolando as concepções oportunistas das propostas apresentadas por PCP e BE que consideram que os trabalhadores devem pagar, nem que seja uma parte, de uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício, só trabalhando para que uma frente comum - que nada tem a ver com acordos de bastidores de cúpulas - de várias camadas populares, com ou sem partido, na base de um programa mínimo que passe pelo:
- REPÚDIO DA DÍVIDA;
- Restauro do tecido produtivo destruído;
- Nacionalização da banca e de todos os sectores e empresas estratégicas para um desenvolvimento planeado da economia, de acordo com os interesses de quem trabalha e controlado pelos trabalhadores;
- Confisco das grandes fortunas para impedir fuga de capitais;
- Plano de investimentos criteriosos, considerando desde logo o aproveitamento da posição geoestratégica única de Portugal, que possui o maior porto de águas profundas da Europa Ocidental e a maior ZEE do continente europeu;

É que será possível derrubar o governo de traição PSD/CDS e, em alternativa, constituir um governo democrático patriótico que implemente aquele programa mínimo, ao serviço do povo e de quem trabalha.
Quando se diz que é absolutamente vital o isolamento das correntes oportunistas que dominam o movimento sindical, estamos a defender, não o isolamento ou destruição das estruturas sindicais, mas sim das direções oportunistas que as tomaram de assalto. Dois exemplos de como isso se consegue:
1. Reconhecendo que a luta dos trabalhadores do sector dos transportes é hoje a vanguarda da luta sindical e política, verificamos que existem sindicatos que advogam o recuo e outros que, não só mobilizam os trabalhadores para a luta contra o roubo dos salários, como articulam essa luta com o combate contra a privatização do sector - pelo que apelam à unidade com os outros trabalhadores e utentes dos diferentes tipos de transporte, assim como têm consciência de que só o derrube deste governo permitirá o REPÚDIO DA DÍVIDA, dívida que, para além de não ter sido contraída pelo povo, nem contraída para seu benefício, é ilegítima, ilegal e odiosa porque está a exaurir de recursos o nosso país e a desviar verbas que deveriam ser empregues na saúde, no ensino e nos transportes para quem trabalha e para o povo com o propósito de facilitar e aumentar o processo de acumulação capitalista da riqueza. É este, portanto, o exemplo a seguir. Um exemplo que está, inclusive, a levar algumas direcções sindicais no sector dos transportes a adoptar este programa de luta se não quiserem ficar definitivamente isoladas e desmascaradas junto dos trabalhadores que é suposto representarem;
2. Após as duas greves gerais nacionais – a de 24 de Novembro de 2011 e a de 22 de Março de 2012 - a "legitimidade eleitoral" do governo PSD/CDS ficou totalmente esfrangalhada. Para já não perder muito tempo sobre a miserável traição do Eng.º Proença, dirigente da UGT, que redundou no acordo que deu lugar à recente legislação laboral fascista, o que dizer da proposta do novel secretário-geral da CGTP à saída da última greve geral, "reclamando" um aumento de 30 €/mensais? Existe a possibilidade de, ao abrigo da lei sindical quanto à legitimidade do exercício do direito de tendência, de fazer trabalho dentro desses sindicatos e centrais completamente esclerosados por décadas de oportunismo e transformá-los naquilo que deviam de ser: instrumentos ao serviço da defesa dos interesses dos trabalhadores, do elevar da sua consciência política da necessidade de derrubar este governo e repudiar uma dívida que não contraíram. E, onde tal não seja possível, partir para a criação de novos sindicatos que cumpram o papel que a revolução e os interesses dos trabalhadores deles esperam.
Claro está que muito mais e de forma mais detalhada e complexa haveria a dizer. Mas estes são já 2 pontos práticos do que poderemos, sem nos estarmos sempre a lamentar, FAZER!
Nas actuais condições políticas, o REPÚDIO DA DÍVIDA não representa nenhum recuo táctico ao programa e à estratégia da classe operária e do seu partido comunista, marxista-leninista. Ao contrário das propostas de “reestruturação” ou “renegociação” da dívida, e da “exigência” de “mudanças de política”, defendidas por PCP e BE, que admitem, assim, que parte da dívida terá de ser assumida pelos trabalhadores e pelo povo, que não a contraíram, nem dela beneficiaram, proposta ainda mais recuada do que alguns sectores da burguesia a nível internacional defendem.
Haverá que dizer que alguns sectores da própria burguesia se revelam mais “avançados” do que os revisionistas do PCP e social-democratas do BE quanto às propostas que aquela “esquerda parlamentar” defende. Tome-se como exemplo o conceito de dívida Ilegal, Ilegítima e Odiosa surgido durante a Guerra pela Independência dos estados norte-americanos contra a potência colonial, e que visava anular as dívidas contraídas, quer à antiga potência dominante - a Grã-Bretanha -, quer aos aliados franceses que tinham prestado massivo “auxílio” financeiro e militar aos revoltosos independentistas.
Em que se baseia, então, este princípio, entretanto incorporado na lei internacional e invocado recentemente pelos EUA no Iraque? No princípio de que se um estado, para fazer face ao pagamento da dívida e do "serviço da dívida" (onde se incluem os juros faraónicos) tem de se exaurir de recursos e frustrar as expectativas dos seus povos ao direito à educação, à saúde, ao emprego, etc., a dívida, nestas circunstâncias, passa a ser ODIOSA!
Antes disso, porém, ela é considerada ILEGAL porque foi contraída na base de contratos não transparentes ou caucionados por entidades independentes, como o Tribunal de Contas ou o Banco de Portugal, entre outras, desconhecendo-se o benefício que adviria para o povo e o país, da contração de tal dívida ou, como no exemplo vertente, porque a potência “credora” pretendia obter vantagens ilícitas sobre um dos contendores.
E ILEGÍTIMA porque, quem "emprestou" sabia, de antemão, que o "devedor" não a poderia pagar ou, para assegurar esse pagamento, tivesse dado como garantia a venda, a preços de saldo, dos activos e empresas públicas, o que amputaria todo e qualquer programa de política económica independente, baseado no princípio da vantagem recíproca que deve haver nas relações entre as diferentes nações. Ou, ainda, em separado ou cumulativamente, dando como garantia os rendimentos do trabalho que, medida após medida terrorista e fascista, criaram as condições para um generalizado roubo dos salários e do trabalho.
Como se pode inferir do que acima ficou dito, a própria burguesia, quando está em causa a sua estratégia de rapina ou de acumulação capitalista de riqueza, defende pressupostos mais “avançados” e “esquerdistas” do que PCP e BE. É por isso que é cada vez mais claro que o BE prossegue uma política social-democrata e o PCP uma política revisionista, também quanto à questão da dívida e a forma de se lhe opôr.
A posição que os EUA adoptaram quando atacaram e invadiram o Iraque – ao abrigo, lembrar-se-ão todos certamente, da suspeita de que o regime de Sadam era detentor de um enorme arsenal de armas de destruição maciça (como se esse não fosse um atributo, até nuclear, da potência invasora) -, onde o imperialismo norte-americano invocou esse direito para não ter de dividir a presa e o saque com alemães e franceses que se preparavam para reclamar a dívida que o regime de Sadam com esses países havia contraído, é a todos os títulos paradigmática da hipocrisia da burguesia quanto às “dívidas soberanas”.
Repudiar a dívida não é, pois, uma palavra de ordem, é um programa político avançado. Quando em Março de 1850, Karl Marx endereçava em carta do Comité Central à Liga dos Comunistas a tese de que "Se os democratas reclamam a regularização da dívida pública, os operários reclamam a falência do estado", ele sabia perfeitamente que a dívida foi, e sempre será, um instrumento de domínio e chantagem das classes detentoras da riqueza e dos meios de produção sobre as classes trabalhadoras ou sobre os povos e nações colonizados, como foi, entre outros, o caso do Iraque aqui relatado. E essa afirmação, que tem o mesmo conteúdo das afirmações NÃO PAGAMOS ou REPÚDIO DA DÍVIDA, não era uma palavra de ordem, mas uma declaração de princípios e um objectivo estratégico de luta para os trabalhadores e para os povos, reclamado pelos comunistas.
Para escamotear a sua traição ao movimento operário e popular, estes oportunistas avançam, então, com dúvidas baseadas em premissas tão basistas como, e depois? Se sairmos do euro por repudiar a dívida, como compramos as batatas ou os equipamentos de que necessitamos? Dúvidas para as quais a classe operária e os trabalhadores de vanguarda, baseados no princípio de "contar com as próprias forças", sempre tiveram resposta.
O exemplo da China de Mao é paradigmático. Como foi o da Rússia de Lenine. Ambos os países, após as revoluções vitoriosas, foram votados ao mais profundo dos isolamentos e chantagem pelas potências imperialistas e capitalistas e tiveram de fazer face a toda a sorte de agressões militares e económicas por parte da contrarrevolução armada pelas potências capitalistas. E sobreviveram. Confiaram nas massas, confiaram na linha comunista de ter a agricultura como base da economia e a indústria como factor determinante de desenvolvimento da economia socialista.
Ora, a questão é que, quer o PCP, quer o BE, para além de prestarem um excelente serviço à burguesia e ao grande capital, tentam paralisar, assim, um sector importante da pequena-burguesia “bem pensante”, e, através dela, os trabalhadores e o povo, uma pequena burguesia que só confia nela própria, ou seja, nos seus medos e limitações. Nunca confiará na capacidade da classe operária, na capacidade colectiva dos trabalhadores para encontrarem soluções à medida dos seus interesses e do seu objectivo estratégico último: o de acabar com a sociedade que assenta na exploração do homem pelo homem.

Voltamos à questão inicial. É preferível morrerem milhões de trabalhadores e de elementos do povo no altar do sacrossanto lucro capitalista, é preferível continuarmos a servir de carne para canhão das guerras imperialistas, continuamente, ao longo dos séculos, ou morrermos para atingir a sociedade baseada no socialismo e no comunismo?

quarta-feira, junho 01, 2011

CDU - Tempos de Antena - O voto da Mudança


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Tempo de Antena 1
Segunda 23 de Maio de 2011
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Tempo de Antena 2

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Tempo de Antena 3

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Tempo de Antena 4
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Tempo de Antena 5

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segunda-feira, maio 30, 2011

CIP/CAP/CCP//Banca e PS(D)CDS A felicidade deles, é a nossa desgraça




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A felicidade deles, é a nossa desgraça



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PS, PSD e CDS fizeram-lhes a vontade. Basta de Roubo! Agora CDU


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PS, PSD, CDS - 35 anos a afundar o país



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A Banca é um escândalo nacional

O país não aguenta mais. Agora CDU!

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Paulo Portas - É apenas mais do mesmo. Agora CDU



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Passos Coelho - Mais do mesmo. Agora CDU

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Sócrates - O país não aguenta mais. Agora CDU


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