A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, janeiro 15, 2013

Depardieu, fugindo do imposto sobre grandes fortunas

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15 DE JANEIRO DE 2013 - 13H28 
Depardieu
Depardieu, fugindo do imposto sobre grandes fortunas

Gerard Depardieu e os inimigos da sociedade justa


Uma noticia que ganhou destaque na mídia internacional na última semana foi a decisão do famoso ator francês Gerárd Depardieu de solicitar cidadania russa, o motivo: a medida do presidente socialista francês, François Hollande, de taxar em 75% quem ganha mais de um milhão de euros por ano (R$ 2,7 milhões). 

Por Paulo L. Marques (*)



Se optasse pela cidadania brasileira, Depardieu se sentiria a vontade também, dado que aqui a carga tributária para os milionários é uma das mais leves do mundo, sem falar na inexistência de taxação para grandes fortunas. O caso do ator francês é emblemático pois diz muito sobre uma das características do sistema capitalista que é à concentração de riqueza como elemento fundamental da desigualdade social.

Aproveito o mote desta noticia da “fuga” do ator francês para não pagar imposto na França, para tecer alguns breves comentários sobre uma obra de grande importância para o debate sobre a reprodução da desigualdade social no Brasil, que foi lançada no mês passado em Porto Alegre. Me refiro ao livro organizado pelo professor Antonio David Cattani (titular na graduação e pós-gradução de Sociologia da UFRGS) e Marcelo Ramos Oliveira (auditor fiscal da Receita Federal e especialista em Política e Técnica Tributária), que tem expresso no provocativo título A Sociedade Justa e seus inimigos, os objetivos da obra, que consiste em analisar os processos estruturais que permitem a reprodução da desigualdade social e identificar quem são aqueles que os autores chamam de “inimigos” da sociedade justa. Partindo da perspectiva desta obra poderíamos dizer que Gerard Depardieu é um tipico representante dos inimigos da sociedade justa e que ele não é exceção entre os abastados do topo da pirâmide social.

Malgrado a ideia de construção de uma sociedade justa, equitativa, democrática esteja no discurso dos políticos e empresários e, mais importante ainda, esteja inscrita no artigo terceiro da Constituição Federal, a realidade que vivemos no Brasil está muito distante dos discursos e do próprio conteúdo de nossa Carta Magna. Senão vejamos, ao mesmo tempo que nosso país é hoje a sexta economia do mundo, ostenta vergonhosos índices de desigualdade social, que o colocam nas primeiras posições entre as sociedades mais desiguais do planeta(a ONU classifica o Brasil em 84 lugar no ranking de atendimento a direitos humanos, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano). É a partir dessa realidade que os artigos do livro A sociedade justa… analisam os processos e mecanismos que permitem a reprodução dessa realidade social que caracteriza a sociedade brasileira.

Segundo o professor Antonio Cattani, existe no sistema capitalista uma “relação bidimencional entre riqueza e pobreza, entretanto, se a população pobre é bem conhecida, por sua vez as classes abastadas permanecem incógnitas e amplamente subestimadas. “A riqueza não é produto de um processo de autogênese, não é auto-explicativa ou autorreferenciada, mas depende de mecanismos de extração e transferência de renda. Por isso é necessário considerá-la como o elemento decisivo na estruturação social e econômica” afirma o autor. 

Nesse sentido, algumas questões são prementes nesse debate: Uma sociedade é justa porque os ricos pagam impostos proporcionais a sua riqueza, ou os ricos pagam impostos proporcionais a sua riqueza porque a sociedade é justa? Pensando no caso brasileiro poderíamos mudar a pergunta: A sociedade é profundamente desigual porque os ricos não pagam impostos proporcionais a sua riqueza, ou é porque os ricos não pagam impostos proporcional a sua riqueza que o pais é desigual? Como decifrar esse problema? Se o país é rico, quem se apropria da sua riqueza produzida coletivamente? E como faz isso? Não é muito comum pesquisas acadêmicas voltadas para o estudo da chamada “elite econômica”, que representa menos de 10% da população e concentra 50% da renda nacional, por isso o grande mérito do livro consiste em desvendar, através de artigos oriundo de pesquisas, o funcionamento, estruturas e os processos que reproduzem as desigualdades sociais, principalmente no que tange aos mecanismos de apropriação privada de riqueza.

Voltado para um público amplo e não de especialistas, escritos de forma clara e objetiva, sem perder o rigor analítico, com dados e informações de diversas fontes oficiais, os estudos apresentados em forma de artigo suprem uma lacuna fundamental no atual debate sobre o desenvolvimento social do país ao jogar luz sobre um tema que permanece oculto, mascarado e interditado pela grande mídia, encobrindo, conforme aponta Cattani, um princípio essencial para a discussão sobre a desigualdade que é a premissa de que a riqueza concentrada é um dos fundamentos da injustiça e contribui para naturalizar a dominação e a subserviência.

No artigo que abre o livro, Sofismas da Riqueza, Antonio Cattani destaca que é possível desvendar que nem toda riqueza é fruto de “empreendedorismo”. Segundo dados do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (COAF, 2012) os múltiplos casos de sonegação, lavagem de dinheiro, evasão do divisas, subfaturamento ou superfaturamento de importações e exportações, apontam para formas criminosas de apropriação de recursos que vão muito além da corrupção envolvendo o poder público e que somando os montantes envolvidos, é possível dizer que eles são superiores ao orçamento anual de políticas públicas destinadas ao atendimento de milhões de indivíduos das camadas mais pobres.

A questão problemática, alerta Cattani, em relação a concentração da riqueza é que “a partir de certo volume, ela adquire respeitabilidade e, sobretudo, domínio no campo político e em redes de sociabilidade exclusiva, gozando de privilégios e de impunidade, além da condescendência obsequiosa da grande mídia”. Dessa forma, a análise crítica da riqueza demostra que a legitimidade das grandes fortunas é constituída por processos mistificadores e mitificadores em torno da eficiência e superioridade das autoproclamadas elites. Segundo o autor, “os milionários apoiadores das campanhas do tipo “Chega de tanto imposto” são os mesmos que se valem da elisão fiscal pagando, proporcionalmente, menos impostos que a população pobre e de classe média”.

É no sentido de “desglamourizar” e “desmistificar” essa concentração absurda de riqueza que o livro propõe-se a identificar os “inimigos da justiça social”. O foco, portanto, são os privilégios indevidos, as formas escusas de apropriação privada da riqueza social, que permitirá identificar os inimigos da justiça social, desvelando os perpetradores que se beneficiam pessoalmente das situações de desigualdade em detrimento da construção de uma justa repartição da riqueza.

Não se trata, afirma Cattani, de genéricas corporações, megaempresas, instituições e agencias, por trás de cada uma dessas entidades encontram-se os agentes do capital. “Por isso, é necessário que a economia política da riqueza seja associada a uma sociologia da personificação da riqueza. Em termos bem claros, o autor aponta a necessidade de considerar que as empresas são administradas por indivíduos concretos, com nome e endereço. São estas pessoas que permanecem ocultas, que são as beneficiadas finais dos processos de apropriação da riqueza social e, como tais, devem ser julgados pelos critérios definidos pela ética da responsabilidade”.

O Bolsa Rico é o título do artigo da pesquisadora Maria Lucia Fattorelli que discorre sobre uma das formas mais diretas de apropriação privada da riqueza produzida coletivamente. Um processo que se dá através do pagamento feito pelo Tesouro Nacional à divida Pública. Segundo a autora em 2012, o pagamento dessa dívida atingiu a impressionante cifra de R$ 2, 52 bilhões por dia que saíram dos cofres públicos para um número reduzido de grandes milionários, principalmente do sistema financeiro e das grandes corporações. O artigo de Fattorelli é farto em dados oficiais que permitem desvendar mais esse “enigma oculto” da dívida pública que drena milhões de recursos públicos para os rentistas, beneficiários de um verdadeiro “bolsa rico”.

Outro estudo de destaque no livro é As bases tributárias brasileiras, de Fátima Gondim Farias e Marcelo Lettiere Siqueira que abordam de forma didática, o funcionamento do sistema tributário brasileiro, que os autores caracterizam como um dos mais injustos do mundo pois penalizam os pobres e beneficiam os rentistas, definição esta que compõe o subtítulo do artigo.

Faria e Siqueira desmascaram a eterna choradeira das elites sobre “carga tributária pesada” ou o que chamam de “Custo Brasil”, uma expressão que, segundo os autores, foi construída pela grande mídia conservadora e por lideranças empresariais para referir-se aos problemas estruturais, burocráticos e tributários, que dificultam o crescimento econômico. “Nesse discurso, o governo federal é, invariavelmente responsável pelos problemas, mas em nenhum momento são considerados a ineficiência empresarial, a sonegação, o subfaturamento das exportações e o superfaturamento das importações, os altos juros praticados pelos bancos e os indevidos privilégios tributários e fiscais das grandes corporações”.

Os autores sustentam que o sistema tributário brasileiro é injusto porque extrai arrecadação dos mais pobres para destinar aos mais ricos, por meio de elevados encargos financeiros incidentes sobre a dívida pública mobiliária interna que são pagos aos rentistas. Informam também que partir de 1995 a politica tributária foi redesenhada para beneficiar o processo de mundialização do capital financeiro, de forma a atraí-lo e mimá-lo do ponto de vista fiscal.

Na pesquisa realizada os autores salientam que “as reformas neoliberais foram introduzidas na legislação infraconstitucional de forma a diminuir o ônus sobre a renda dos investidores, em especial sobre o investimento estrangeiro, bem como para reduzir os custos das administrações tributárias e de cumprimento das obrigações acessórias pelas empresas. Os autores concluem que “os condutores do reformismo conservador no Brasil fizeram a opção preferencial pela tributação sorrateira, de “face visível”, pela via dos tributos incidentes sobre o consumo, atingindo, sobretudo, os mais pobres”. 

Também em relação a tributação dos ricos, Alberto Amadei Neto no artigo o Imposto sobre Grandes Fortunas, aborda a questão deste imposto que mesmo inscrito na Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 153, Inciso VII, nunca foi regulamentado. Segundo o autor, no Brasil as grandes fortunas e altas rendas sempre foram blindadas no topo, contra sequer um único e “leve” toque de progressividade tributária. O princípio de igualdade do sacrifício deixou de ser aplicado no Brasil e a não instituição do Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF) é seu máximo exemplo”.

Alberto Neto elabora um estudo comparativo demonstrando os casos da Alemanha e França, países que tem Impostos sobre Grandes fortunas. No caso francês, que levou o milionário ator Depardieu a mudar de cidadania, o imposto foi instituído em 1981 pelo governo Miterrand, foi extinto pelo governo liberal de Jacques Chirac em 1986, e retornando em 1988 novamente com Miterrand. Em 2012 , o candidato socialista François Hollande anunciou em campanha que pretendia tributar as fortunas usando seis alíquotas progressivas de 0,55 a 1,8%, em relação ao Imposto de renda. A implementação dessa promessa de campanha, que parece ter sido a “gota d’água ” para Depardieu, instituiu também uma nova faixa de imposto de 45% para as receitas superiores a 150 mil euros anuais e de uma incidência de 75% para receitas anuais superiores 1 milhão de euros.

Já no Brasil, Depardieu e outros abastados não teriam porque se preocupar. Conforme informa Neto em seu artigo, o secretário executivo do Ministério da Fazenda do Brasil, responsável pela questão tributária, afirmou na audiência pública do Parlamento, em maio de 2011, que um “imposto sobre grandes fortunas não é intenção do governo”. O autor lembra que “se na maioria dos países os ricos pagam bem mais impostos que a classe média, essa taxação é igual no Brasil”, ou seja, a alíquota máxima do Imposto de Renda é 27,5% e a renda a partir da qual essa alíquota foi aplicada em 2012 (R$ 4.087,65, é uma das mais baixas em relação aos países europeus). O autor destaca o esforço feito para impedir o Imposto sobre grandes fortunas, “as elites econômicas e a mídia a seu serviço transformaram o Imposto em um fator de “alto risco”, ameaçador do “enriquecimento global”, de tal modo que as grandes Fortunas tornaram-se “garantias” do ambiente econômico”. O artigo mostra com dados e números oficiais a falácia destes argumentos.

O livro traz ainda outros artigos de grande importância sobre temas como a injustiça fiscal no financiamento de políticas públicas; os paraísos fiscais; os crimes tributários, a desigualdade do sistema previdenciário. Todos oriundos de rigorosas pesquisas. Na conclusão os autores apontam como perspectiva de rompimento com essa lógica a necessidade de transformações estruturais nas políticas fiscais e tributárias que em contraponto às ações dos “inimigos da justiça social”, podem e devem ser construídas pelas forças coletivas da sociedade tais como imposto sobre grandes fortunas, previdência justa, progressividade tributária, criminalização e punição de crimes do colarinho branco contra a ordem tributária, fim da guerra fiscal entre os Estados, combate aos paraísos fiscais, controle de capitais, tratamento tributário isonômico das rendas.

Temos portanto nesta obra não só a análise rigorosa de questões que muitas vezes são tratadas como temas de especialistas (uma forma de impedir o debate amplo com a sociedade) mas também a sistematização de uma significativa “agenda da igualdade” que poderia compor a pauta do que o filósofo Wladimir Saflate chamou de “esquerda que não tem teme dizer seu nome”, no qual a questão da desigualdade social fosse tratada para além das políticas sociais de ampliação da renda dos pobres, mas que avançasse no debate da distribuição equitativa da riqueza nacional.

Todavia, é um processo que exige uma ampla mobilização social mas que requer fundamentalmente o conhecimento e apropriação destes mecanismo de reprodução da desigualdade até então ocultos e mistificados pela mídia. Isto porque, como bem apontam os autores, a correlação de forças entre indivíduos e instituições que se beneficiam da injustiça social e aqueles que lutam pela construção da sociedade democrática e igualitária é amplamente favorável aos primeiros. “De um lado estão as mega corporações controladas por multimilionários com poder concentrado, muito dinheiro e a mídia ao seu lado. De outro as forças progressistas dispersas em uma miríade de organizações dispondo de poucos recursos para potencializar a ação coletiva”.

Nesse sentido o livro A sociedade Justa e seus inimigos é uma contribuição fundamental para armar os amigos da sociedade justa- movimentos sociais e setores que lutam para efetivar uma sociedade menos desigual- com o arsenal de conhecimentos necessário para o combate aos inimigos da sociedade justa, ou seja, os “Depardieus” de hoje e de amanhã.

Referências

Cattani. A., Oliveira, M. (Orgs.). A Sociedade justa e seus inimigos. Porto Alegre, Tomo Editorial, 2012.

Safatle, W. A esquerda que não teme dizer seu nome. São Paulo, Três Estrelas, 2012.

(*) Paulo L. Marques é doutor em sociologia e professor universitário

Fonte: Sul 21

quinta-feira, dezembro 30, 2010

O Estado Súcial em que os eleitores têm votado



* Victor Nogueira

Vergonha é sentimento que não têm. O Ministro dos "blindados" responde "estou aqui apenas para falar deste acontecimento", qual disco rachado. Quanto a um subcapataz do governo, sobre estas medidas "moderadoras", teve o desplante de afirmar que era uma questão de Justiça Social. Estamos num Estado Súcial; a mim não me incomoda que os ricos beneficiem do SNS mas sim que eles e as empresas escapem aos impostos e que o Estado gaste milhões com as unidades "privadas" de saúde e de meios complementares de diagnóstico e com a indústria farmacêutica quando poderia aplicar esses milhões nas unidades de saúde públicas. Ao Hospital Privado de Setúbal, do Grupo Melo, chegam diariamente ambulâncias transportando doentes do Torrão, Sines, Torres Novas ...
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O mesmo Grupo Melo inaugurou em Évora uma unidade de radioterapia idêntica à de Setúbal, pois não existiam naquele Distrito, e paga a pensão completa aos doentes em tratamento ambulatório nos dias de tratamento.
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sábado, novembro 20, 2010

Os ricos dos costume fogem aos impostos !


Estado fica a arder com cerca de 250 milhões de euros
Distribuição de dividendos por SGPS
Impedir fuga ao imposto
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O PCP quer dar força de lei já em 2010 às alterações ao quadro fiscal previstas para o próximo ano destinadas a eliminar alguns abusos e injustiças, como é a inexistência de tributação sobre os dividendos distribuídos pelas sociedades gestoras de participações sociais (SGPS).
Um projecto de lei nesse sentido deu entrada no Parlamento, antecipando para este ano a entrada em vigor de tais alterações por forma a que sejam já tributados os rendimentos resultantes dos dividendos distribuídos aos accionistas dos grupos económicos que integram as SGPS.
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Trata-se, no fundo, de impedir que grandes empresas fujam ao agravamento fiscal estabelecido para 2011 e recorram a essa manobra de antecipação que é proceder desde já à distribuição de dividendos, furtando-se dessa forma a qualquer tributação.
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«O PCP limita-se a propor que aquilo que o Governo propõe para 2011 tenha também aplicação já em 2010», esclareceu, em síntese, o deputado comunista Honório Novo.
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Num breve encontro sexta-feira passada com os jornalistas no Parlamento, onde deu a conhecer o conteúdo do diploma que a bancada do PCP quer ver apreciado logo a seguir à aprovação do Orçamento do Estado, de modo a que a sua tramitação esteja concluída antes do final do ano, o parlamentar comunista justificou a necessidade do projecto de lei lembrando a propósito o caso da PT.
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Um caso que em sua opinião é «especial» e «notório», porquanto, sublinhou, está em causa a decisão da PT de distribuir cerca de 900 milhões de euros já em 2010 de dividendos da venda da VIVO, sem pagar um cêntimo de imposto.
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Valor de 900 milhões de euros (de um total de dividendos extraordinários de 1500 milhões de euros a distribuir pelos quinze maiores accionistas da PT), livre de imposto, por causa da omissão legislativa do Governo, quando é certo que se este tivesse legislado com efeitos em 2010 (e não apenas em 2011) o valor do imposto a pagar ao Estado situar-se-ia entre 200 a 250 milhões de euros.

Inércia do Governo

Reagindo às piedosas declarações do ministro das Finanças sobre o assunto, Honório Novo considerou-as «lágrimas de crocodilo», salientando que não basta dizer que não é ético proceder de tal forma.
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«Se não é ético, então, faça-se lei para impedir essa falta de ética, legisle-se, tribute-se a distribuição de dividendos já com efeitos em 2010», sustentou, acrescentando que se o «Governo não o quer fazer» que o faça o Parlamento aprovando o projecto de lei do PCP. 
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Recorde-se que a venda da brasileira VIVO à espanhola Telefónica rendeu à PT mais-valias que rondaram os 7 500 milhões de euros, sendo um dos maiores negócios de alienação de participações sociais realizadas este ano em todo o mundo.
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Entre os accionistas que beneficiarão dos 1,5 mil milhões de euros em dividendos extraordinários, dos quais os referidos cerca de 900 milhões a receber já em 2010 – uma verdadeira «taluda de Natal», como lhe chama o PCP -, avultam Ricardo Salgado e o Grupo BES (cerca de 56 milhões de euros), Faria de Oliveira e a CGD (cerca de 81 milhões de euros) Nuno Vasconcelos e a Ongoing (cerca de 48 milhões), Paulo Varela e o Grupo Visabeira (cerca de 18 milhões).
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Avante 2010 11 18
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terça-feira, novembro 16, 2010

O que eles lucram sem pagar impostos ou o fim do que nunca existiu: o capitalismo popular.

* Victor Nogueira
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Para dar a ilusão de que beneficiavam dos lucros das empresas que os exploravam, estas "concediam" aos seus trabalhadores acções da  empresa e atraíam as pequenas poupanças para a compra de acções, o que permitia que accionist5as com muito menos de metade das acções dominassem as assembleias gerais ou concertassem entre si contra os pequenos accionistas pulverizados. Apesar da aparente "discordância" com a antecipação de dividendos pretendida pela PT, o Governo tentou esconder que os impostos serão apenas para quem tenha até 10 % das acções.
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Significa isto que uma grossa fatia das grandes fortunas em Portugal ficam isentas de impostos. O Correio da Manhã diz quem são eles e quais as quantias em jogo, livres de impostos.
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- Ricardo Salgado -  80,5 milhões de Euros
- P. Queiroz Pereira  66,8 milhões de Euros
- Vasco de Mello - 57,0 milhões de Euros
- V. Sarkis Hallack - 50,9 milhões de Euros
- Américo Amorim  - 38,7 milhões de Euros (o homem mais rico de Portugal)
- Belmiro de Azevedo - 35,5 milhões de Euros (o 2º homem mais rico de Portugal)
- António Hermínio de Morais - 32,7 milhões de Euros
- Juan Maria Nin Génova - 21,6 milhões de Euros
- Manuel Fino - 16,4 milhões de Euros
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Na lista também figuram Faria de Oliveira, Presidente da CGD, com 5,8 milhões de Euros, António Mota, envolvido no processo da Mota Engil, com 13,6 milhões de Euros e Fernando Ulricht com uns "modestos" 3 milhões de Euros. Este último foi um dos que defendeu que face à crise os trabalhadores portugueses deveriam voluntariamente aceitar a diminuição dos seus rendimentos. Como accionista de algumas das empresas beneficiadas, o Estado Português vê isentos de impostos 181,5 milhões de euros.
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Lembremos uma notícia de 2010 sobre os mais ricos de Portugal:
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'Ranking'

Saiba quem são os mais ricos de Portugal

> Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Joe Berardo estão entre os portugueses mais ricos de Portugal em 2010. 
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A Exame divulgou hoje o 'ranking' dos 25 mais ricos do país, num ano particularmente marcado pelos efeitos da crise financeira nas fortunas pessoais dos milionários.
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No topo da lista, e pelo terceiro ano consecutivo, continua Américo Amorim. O milionário de 76 anos conseguiu aumentar em 9,1% a sua fortuna durante o ano, e tem agora património no valor estimado de 2,2 mil milhões de euros.
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Belmiro de Azevedo é o ‘senhor que se segue', com uma fortuna avaliada em 1,3 mil milhões de euros, o que representa uma queda de 10,8% face ao ano anterior. "As cotações dos seus negócios têm sido penalizadas pelo contexto de crise económica, que tem afectado sobretudo as performances da Sonae Indústria e da Sonae Imobiliária", escreve a Exame.
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Já o patrão da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, foi o empresário que mais viu o seu património aumentar, com um crescimento de 52% relativamente ao ano anterior.
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Soares dos Santos ocupa assim o quarto lugar da lista dos portugueses mais ricos, com uma fortuna de 1.015 milhões de euros.
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Dos 25 nomes que constam no 'ranking', 18 viram as suas fortunas diminuir em 2010. E a mulher mais rica de Portugal não foi excepção.
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Maria do Carmo Espírito Santo Silva tem 670 milhões de euros e mantém a primeira posição na lista feminina, mas com uma fortuna 8,4% inferior à do ano passado. O Grupo Espírito Santo e o Grupo Santogal são os seus principais activos.

  • Os dez mais ricos de Portugal
1. Américo Amorim: 2.188,4 milhões de euros
2. Belmiro de Azevedo: 1.283 milhões
3. Família Guimarães de Mello: 1.017 milhões
4. Alexandre Soares dos Santos: 1.015 milhões
5. Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva: 670 milhões
6. Luís Silva e Perpétua Bordallo Silva: 646,4 milhões de euros
7. Manuel Soares Violas e Rita Celeste Soares Violas e Sá: 611,5 milhões
8. Família Cunha José de Mello: 605 milhões
9. Joe Berardo: 589 milhões
10. Teresa Roque Dal Fabbro e Paula Roque: 532,7 milhões de euros
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http://economico.sapo.pt/noticias/saiba-quem-sao-os-mais-ricos-de-portugal_95717.html
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Conheça os 10 portugueses mais ricos

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 28 de Julho de 2010  

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 As 25 maiores fortunas em Portugal somam 14,7 mil milhões de euros em 2010, uma queda de 6 por cento face ao ano anterior, devendo este ano ser recordado como aquele em que os ricos ficaram menos ricos.
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De acordo com a revista Exame, que revela quinta feira o ‘ranking’ dos 25 portugueses mais ricos, o total das fortunas equivale agora a 9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes, uma descida face a 2009, ano em que valiam 10,7 por cento do PIB.
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Este é, segundo a Exame, o terceiro ano consecutivo em que o valor das 25 maiores fortunas de Portugal diminuiu.
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De 2004 a 2007, o valor das fortunas esteve sempre em sentido ascendente, atingindo há três anos o valor mais elevado: 20,6 mil milhões de euros.
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Agora, as 25 maiores fortunas valem 14,7 mil milhões de euros, uma descida de 6 por cento face a 2009 e de 28,5 por cento face a 2007.
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Américo Amorim, que tem como ativos as participações na Corticeira Amorim e Galp Energia, tornou-se há dois anos no homem mais rico de Portugal, lugar que mantém este ano com uma fortuna avaliada em 2,2 mil milhões de euros, uma subida de 9,1 por cento face a 2009.
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O segundo lugar é ocupado pelo patrão da Sonae, Belmiro de Azevedo, com uma fortuna avaliada em 1,3 mil milhões de euros, apesar de ter sofrido uma queda de 10,8 por cento.
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Em 2007, Belmiro de Azevedo tinha uma fortuna avaliada em três mil milhões de euros, segundo a revista.
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A família Guimarães de Mello, que detém a José de Mello SGPS, além das participações na EDP e Brisa, surge em terceiro lugar, com uma fortuna avaliada em 1017 milhões de euros, menos 18,3 por cento face ao ano anterior. 
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O quarto lugar da lista é ocupado por Alexandre Soares dos Santos. O patrão da Jerónimo Martins foi o português que mais viu o seu património aumentar em 2010.
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A fortuna de Alexandre Soares dos Santos cresceu mais de 52 por cento, para 1015 milhões em 2010. 
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Este ano apenas seis milionários conseguiram aumentar as fortunas: Soares dos Santos (mais 52 por cento), Américo Amorim (9,1 por cento) e o homem forte da Delta Cafés, Rui Nabeiro (5,7 por cento). 
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Já 18 das 25 maiores fortunas estiveram em queda, segundo a Exame. 
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As maiores quedas pertencem à família Rocha dos Santos (menos 28,6 por cento), à família Mota (menos 25,8 por cento), e a João Pereira Coutinho (menos 19,7 por cento).
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A lista conta ainda com uma nova entrada, de Ilídio Pinho. De referir também alguns bilionários por herança, como são os casos de Maria Angelina Caetano, José Ramos e Salvador Acácio Caetano (440 milhões), as irmãs Roque e os irmãos Costa Leite. 
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Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva mantém-se como a mulher mais rica de Portugal, tendo como principais ativos participações no Grupo Espírito Santo e no Grupo Santogal, mas cai de quarto para quinto lugar no ranking com uma fortuna avaliada em 670 milhões de euros, menos 8,4 por cento face ao ano anterior.
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Américo Amorim é o mais rico de Portugal


A edição de Agosto da Revista Exame, que chega amanhã às bancas, traz a lista das 25 maiores fortunas do país. Os 25 maiores patrimónios de Portugal somaram 14,7 mil milhões de euros em 2010. Veja a lista dos 10 mais ricos do país.


Soares dos Santos cresce


20:54 Quarta feira, 28 de Julho de 2010
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No último ano, só seis milionários conseguiram aumentar capital. Alexandre Soares dos Santos, Américo Amorim (mais 9,1%) e Rui Nabeiro (mais 5,7%) são alguns dos exemplos.
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Alexandre Soares dos Santos registou o maior crescimento. O patrão da Jerónimo Martins viu o seu património aumentar 52%, de 665 milhões de euros em 2009 para 1015 milhões em 2010, ocupando o quarto lugar da lista da Exame.
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As maiores quedas vão para a família Rocha dos Santos (menos 28,6%), para a família Mota (menos 25,8%) e para João Pereira Coutinho (menos 19,7%).
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Na lista dos mais ricos apenas uma nova entrada e uma saída. Manuel Fino deixa o rankingdos 25 mais ricos de Portugal e Ilídio Pinho é a nova entrada.
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Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva é a mulher mais rica, com uma fortuna de 670 milhões de euros, menos 8,4% do que no ano passado.
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http://aeiou.expresso.pt/americo-amorim-e-o-mais-rico-de-portugal=f596561
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Ilídio Pinho entrou no ranking que a revista divulga hoje

Lista da Exame mostra que os ricos ficaram

"mais pobres" em 2010

29.07.2010 - 07:34 Por Luísa Pinto
Pelo terceiro ano consecutivo, o ranking elaborado pela revista Exame continua a demonstrar que os 25 mais ricos de Portugal vão ficando cada vez menos ricos, e que a soma das suas fortunas já vale menos de dez por cento do PIB. O património das 25 maiores fortunas de Portugal atinge agora a soma de 14.700 milhões de euros, uma descida de seis por cento face ao ano passado e de 28,5 por cento face a 2007 - ano em que a soma das fortunas atingiu o valor mais alto de sempre, 20.600 milhões de euros.
Se a fortuna dos mais ricos (ou melhor, se as fortunas de 18 dos 25 mais ricos) continua sujeita a dieta, deve dizer-se, também, que ela foi este ano menos rigorosa do que aquela a que foram forçados no ano passado e há dois. Na edição da revista Exame que chega hoje às bancas, podem encontrar-se algumas novidades neste ranking de 2010. Por exemplo, a entrada de Ilídio Pinho na lista dos 25 mais ricos de Portugal; a saída foi protagonizada por Manuel Fino.



A lista continua a ser liderada por Américo Amorim, que tem agora uma fortuna avaliada em 2188,4 milhões de euros (subiu 9,1 por cento face ao ano anterior), tendo o empresário (que tem na Corticeira Amorim e na Galp Energia os seus principais activos) sido um dos seis nomes da lista que viram o seu património aumentar.



A maior subida foi protagonizada por Alexandre Soares dos Santos, patrão da Jerónimo Martins, e quarto colocado nesta lista da Exame: passou dos 665 milhões de euros contabilizados em 2009 para 1015 milhões atingidos em 2010. A prestação em bolsa do título, que conseguiu uma "performance exuberante", como nota a Exame, justifica este aumento.



Foi também a bolsa quem penalizou Belmiro de Azevedo, que continua a perder fortuna, mas mantém o segundo lugar do ranking. Em 2010, o chairman da Sonae, proprietária do PÚBLICO, tem uma fortuna avaliada em 1300 milhões, o que representa uma queda de 10,8 por cento face ao ano anterior. Em 2007, Belmiro de Azevedo tinha uma fortuna avaliada em três mil milhões de euros, segundo a mesma revista.



Entre os seis que ficaram mais ricos, e para além do patrão da Jerónimo Martins e de Américo Amorim, merece também destaque a subida de 5,7 por cento conseguida pelo empresário da Delta Cafés, Rui Nabeiro.



Uma referência, ainda, aos milionários por herança, como são os casos de Maria Angelina Caetano, José Ramos e Salvador Acácio Caetano (com fortunas avaliadas nos 440 milhões de euros), as filhas de Horácio Roque e os irmãos Costa Leite. 
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segunda-feira, novembro 15, 2010

Ricos ganham milhões livres de impostos


Miguel A. Lopes/Lusa
O ministro das Finanças e José Sócrates criticaram o pagamento de dividendos extraordinários durante 2010

Dividendos: Accionistas de empresas com menos de 10% são penalizados

Ricos ganham milhões livres de impostos

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Mudanças na tributação propostas no Orçamento para 2011 deixam de fora os principais milionários da Bolsa portuguesa. 
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  • 0h30 - Correio da Manhã - 2010.11.15
Por:Miguel Alexandre Ganhão/Pedro H. Gonçalves/J.S.
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O Estado vais mudar as regras da tributação dos dividendos distribuídos pelas empresas em Bolsa. Ao exigir o pagamento de impostos aos accionistas que tenham menos de 10% do capital, o Governo vai deixar fugir 818 milhões de euros sem receber um único cêntimo. Se somarmos os dividendos pagos em 2010 aos projectados para 2011, são mais de 1,6 mil milhões de euros gerados no mercado português de capitais que não pagam impostos.
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A polémica sobre esta questão foi aberta pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que acusou a Portugal Telecom (PT) de estar a fugir aos impostos por querer pagar o dividendo extraordinário de um euro por acção em 2010 e não em 2011, altura em que, com a aprovação do Orçamento do Estado, entra em vigor o novo regime fiscal sobre os dividendos, que obriga a uma retenção de 21,5% e ao pagamento de uma taxa final de IRC de 29% sobre os montantes recebidos.
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O CM fez as contas a algumas empresas do PSI 20, tendo por base as informações divulgadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e as previsões realizadas pela agência Bloomberg, e chegou à conclusão de que as novas regras deixam de fora os principais milionários da Bolsa portuguesa.
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É o caso de Américo Amorim. O homem mais rico de Portugal, com um património da ordem dos 2,2 mil milhões de euros, vai receber em 2011, por 33,3% da Galp, 38,7 milhões de euros em dividendos isentos de impostos. Se somarmos a este valor os dividendos a pagar este ano, temos um total de 93,9 milhões de euros sem tributação.
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Outro dos beneficiados é Belmiro de Azevedo. O patrão da Sonae é o maior accionista da empresa (53,1%), através da sua holding pessoal, a Efanor Investimentos, e vai receber em 2011, de acordo com as previsões da Bloomberg, 35,5 milhões de euros sem o pagamento de impostos.

.Mas não são só os investidores nacionais que estão fora do pagamento ao Fisco no que se refere à distribuição de dividendos. O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, deverá receber 5,1 milhões de euros correspondentes à participação que a Sonangol tem no Millennium BCP. Na mesma situação encontra-se a sua filha, Isabel dos Santos, que através da Kento Holding tem uma participação de 10% na Zon. Basta Isabel dos Santos comprar mais uma acção para que os 4,9 milhões de euros de dividendos que deverá receber estejam isentos do pagamento de impostos. 
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"REDUZ TAXA DE NATALIDADE"
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Gregório e Teresa Cardoso, residentes em Lisboa, perderam este mês os 11 euros mensais referentes ao abono de família do filho Tiago, que integrava o 5º escalão. 
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Com um rendimento anual de quarenta mil euros, a família entende que a medida "só vai criar mais dificuldades às famílias". "Sou funcionária da Segurança Social, e perante a experiência do meu trabalho sei do que estou a falar", referiu Teresa Cardoso.
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Por sua vez, o marido, Gregório, não tem "dúvidas de que o corte do abono irá reduzir a taxa de natalidade. Numa solução que é má para o futuro", refere. 
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segunda-feira, setembro 27, 2010

Manifestações de fortuna "fogem" ao fisco por falta de informação rigorosa



Carros, barcos e aeronaves ficaram de fora do planeamento da inspecção

30.08.2010 - 07:15 Por João Ramos de Almeida
Ao fim de dez anos de vigência da lei que tributa as manifestações de fortuna no âmbito do combate à evasão fiscal, a administração tributária tem obtido fracos resultados.
<p>Fiscalização de barcos de recreio esteve parada durante dois anos</p>
Fiscalização de barcos de recreio esteve parada durante dois anos
 (Foto: Enric Vives-Rubio)


O fisco continua sem acesso directo e em tempo real à informação que permite aplicá-la. Em 2005, a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) alertou para esse facto, mas, como foi confirmado ao PÚBLICO pelo Ministério das Finanças, esse constrangimento mantém-se, sem que o Governo veja necessidade de o ultrapassar.

A conclusão extrai-se do relatório de uma nova auditoria da IGF, realizada em 2009 ao regime de tributação e ao sistema de controlo das manifestações de fortuna, actualizando o diagnóstico de há quatro anos.

Este último relatório tem o mérito de assinalar os diversos constrangimentos à aplicação da lei.

Por diversas vezes, refere-se a necessidade de se estabelecer a interconexão de dados entre o fisco e as conservatórias predial e automóvel, como forma de aceder a essa informação em tempo real. O relatório lembra que, a partir de 1 de Janeiro de 2007, os contribuintes deixaram de ser obrigados a comunicar à administração fiscal os bens tidos como manifestações de fortuna. O Estado continua dependente de informação pouco rigorosa, sem os elementos necessários, nalgumas vezes fornecida caso a caso, e isso quando há resposta por parte das entidades que detêm a informação (ver caixa). Mas, ao PÚBLICO, o Ministério das Finanças nega haver "uma solução milagrosa de "interconexão" ou de "rotinas" que a permita obter".

Em segundo lugar, a IGF lembra que foi o legislador e a administração quem criou mais problemas.

Os "enxertos" e "as sucessivas alterações ao regime não foram acompanhadas pela necessária actualização das instruções administrativas", o que criou "diversas dúvidas", principalmente na forma de corrigir o rendimento dos contribuintes inspeccionados. Há já distintas jurisprudências, contraditórias, e tudo isso tem levado ao "decaimento de boa parte das propostas de correcção" ao rendimento dos contribuintes.

Face à "aparente confusão do regime legal aplicável e à necessidade de simplificação (...) parecem aconselhar, de resto, a sua alteração, no sentido de passar" a abranger "todos e quaisquer acréscimos patrimoniais ou despesas não justificadas". O Ministério das Finanças, mais uma vez, não vê necessidade disso.

Finalmente, a IGF deixa no ar dúvidas à qualidade da selecção de contribuintes a inspeccionar, que redunda numa escassa minoria de casos com correcções em IRS. Ao mesmo tempo, elogia as "boas práticas" de algumas direcções distritais, como do Porto.

Os primeiros passos

Em 2000, a lei 30-G - aprovada pelo Parlamento com os votos da esquerda - passou a definir quais os sinais exteriores de riqueza a ter em conta pela administração fiscal.

Quando o contribuinte não conseguisse explicar a origem do rendimento e se verificasse um desvio de 50 por cento para menos face ao rendimento-padrão, passava a haver uma correcção do rendimento e do imposto a pagar.

O rendimento-padrão era fixado em 20 por cento do valor de aquisição dos imóveis superiores a 50 mil contos (250 mil euros); em 50 por cento do valor dos veículos de preço superior a 10 mil contos (50 mil euros) e motos de preço superior a 2 mil contos (10 mil euros); pelo valor dos barcos de recreio de preço superior a 5 mil contos (25 mil euros) e das aeronaves de turismo.

Na altura, era Joaquim Pina Moura ministro das Finanças e Ricardo Sá Fernandes secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Havia a consciência de que os valores eram modestos, mas que era um pequeno passo para "apanhar", através do consumo, os beneficiários da evasão fiscal.

A tabela integrou a Lei Geral Tributária e, em 2003, ainda se acrescentou à lista os suprimentos dos sócios às empresas, em muitos casos usados em esquemas de planeamento fiscal para fugir à tributação.

Apesar de se ter criado a obrigação de os contribuintes declararem esse tipo de bens, o certo é que - como assinala a IGF - "a actuação da inspecção tributária (...) foi bastante limitada até 2005". Só nesse ano é que "foi implementada uma acção especial a nível nacional".

Desde aí, o controlo das manifestações de fortuna tem constado dos planos de actividade da DGCI. Em 2005, a IGF chamou a atenção para a necessidade de interconexão entre o fisco e as bases de dados de outros organismos públicos e privados, nas quais estaria a informação necessária à DGCI para controlo as manifestações de fortuna. Mas não só essa interconexão não foi feita como os obstáculos parecem ter sido agravados. A partir de 2007, acabou a obrigação declarativa por parte dos contribuintes. Em 2009, a interconexão ainda não tinha sido feita. Passados quatro anos, a IGF volta a chamar a atenção para essa necessidade. Um alerta ainda actual.

"Os principais constrangimentos que afectam o planeamento do controlo e o consequente desenvolvimento da actividade inspectiva (...) concentram-se, fundamentalmente, ao nível da informação e dos sistemas informáticos disponíveis", refere.

Quais as razões para não haver um controlo automatizado através de um acesso imediato à informação? A meia resposta do Ministério das Finanças ao PÚBLICO: esse controlo não é possível porque a informação existe numa "diversidade de entidades envolvidas", situação essa "que não permite equacionar um envio sistemático e fiável da informação". E continua: esse conhecimento "tem de ser obtido com a recolha da correspondente informação, não havendo uma solução milagrosa de "interconexão" ou de "rotinas" que a permita obter".

Que medidas foram tomadas para seguir as recomendações da IGF de haver uma interconexão de base de dados? Resposta: "A DGCI continua a pedir às entidades respectivas, no âmbito do dever de colaboração, a informação de que necessita para o controlo das manifestações de fortuna. A desejável "veiculação sistemática de adequada informação" exigiria, relativamente às entidades privadas, a criação de uma obrigação legal através da entrega de uma declaração, com os custos de contexto que tal implica e que, no caso, não se justifica".

Porque não chegou a ser usada a autorização legislativa concedida pelo Parlamento para 2004 e 2005 para criar a interconexão com as conservatórias prediais e automóvel? Não se obteve resposta. O PÚBLICO insistiu. Em vão.
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quinta-feira, junho 10, 2010

PCP apresenta propostas para uma alternativa fiscal mais justa e equitativa


Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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Na Alemanha proíbem-se os fundos de alto risco, (os short selling e outros que tais), não se permite que eles operem nas bolsas do País.
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Pelo contrário, em Portugal, os fundos de investimento mobiliário podem operar à vontade, as mais-valias que obtêm continuam quase totalmente livres de impostos em Portugal.
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O nosso País é um dos principais destinos mundiais de passagem e operação dos fundos de investimento mobiliários. Portugal parece mesmo ser, segundo vozes do próprio Governo, um dos principais destinos para estes fundos de alto risco. Por isso, diz o Governo, há que preservá-los, há que não afugentar estes instrumentos da desgraça económica e social em que estamos mergulhados, há que, insiste o Governo, não molestar os rostos invisíveis da crise que o Governo não quer que se descubram.
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O nosso País está assim transformado numa espécie de paraíso fiscal onde SGPS, Fundos Mobiliários de Alto Risco e entidades residentes no exterior, quase nada pagam de impostos ao Estado. Não pagam nada pelas mais-valias que realizam, estão isentos ou quase isentos do pagamento de IRC e de IRS, pelos rendimentos que auferem.
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Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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Esta é uma das muitas faces da cruel injustiça fiscal em Portugal.
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Esta é mais uma razão que leva o PCP a apresentar hoje um pacote fiscal alternativo ao que o PS e o PSD combinaram e que, infelizmente, também hoje votaremos.
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Ao contrário do que dizem o PS e o PSD há um outro caminho, há uma outra via alternativa para aumentar as receitas do Estado em época de crise e de contracção económica. 
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Não pode ser sempre o Povo que trabalha a pagar pelos erros dos outros, a pagar pelas consequências da especulação desenfreada de um sistema financeiro irracional, não podem ser sempre os mesmos a perder o emprego e a perder os apoios sociais a que deviam ter direito. Não podem ser sempre os trabalhadores, os reformados e os pensionistas a sofrerem na carne com o peso do aumento dos impostos enquanto há muitos que continuam sem pagar ou a pagar muito menos do que podem e devem.
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É por aqui que o PCP quer ir, fazendo pagar impostos os rendimentos que nunca os pagaram, fazendo com que os mais ricos e poderosos, a banca e os grandes grupos económicos, tenham menos benefícios e paguem mais do muito pouco que hoje pagam, que passem a pagar a mesma taxa de IRC que qualquer pequena empresa paga hoje em Portugal. 
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Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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O PCP propõe a criação de um novo Imposto sobre Transacções e Transferências Financeiras (o ITTF).
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Inspirado na taxa Tobin, este imposto que o PCP propõe criar vai taxar com um valor quase simbólico, 0,1%, as transacções realizadas em bolsa. 
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Só nos anos de 2007, 2008 e 2009, não obstante a crise financeira que se vive e a baixa de cotações verificada, as transacções na Bolsa de Lisboa ascenderam a mais de 370 mil milhões de euros. E nos primeiros quatro meses de 2010 o valor das operações bolsistas ascendeu a cerca de 44 mil milhões de euros, praticamente o dobro do que foi realizado no mesmo período de 2009.
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Isto significa que as receitas do Estado com este novo imposto que incide sobre operações nunca antes tributadas, pode fazer entrar anualmente entre 130 e 140 milhões de euros de receita fiscal adicional, mesmo num ano mau, como dizem estar a suceder nos mercados financeiros.
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Mas o novo imposto que o PCP propõe criar – o ITTF – aplica-se também às transferências financeiras efectuadas para os paraísos fiscais, isto é, para países, territórios ou regiões com regimes de tributação privilegiadas. São meios financeiros que no fundamental escapam ao fisco, que constituem a parte de leão da evasão fiscal em larga escala e que alimentam instrumentos financeiros que estiveram na base da crise financeira e estão na base dos ataques especulativos que fazem disparar as taxas de juros das dívidas públicas soberanas.
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Entre 2005 e 2009, durante os dois Governos de José Sócrates foram mais de 78 mil milhões de euros que foram transferidos de Portugal para os offshore. Em 2009, não obstante a crise, foram mais de 11 mil milhões de euros a sair do País em direcção à evasão fiscal nos offshore e, em 2010, só nos primeiros três meses já saíram mais de 2200 milhões de euros par os paraísos fiscais. Tudo capitais e rendimentos que não pagam um cêntimo sequer de imposto.
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Com a taxa que o PCP propõe que seja aplicada a estas transferências – 20% - seria possível arrecadar mais de 2200 milhões de euros de receita fiscal adicional, só no ano de 2009.
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Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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Em 2009, os cinco maiores bancos a operar em Portugal tiveram mais de 1720 milhões de euros de lucros, quase cinco milhões de euros por dia.
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Como o PCP tem repetidamente dito, a crise não é igual para todos. Enquanto o desemprego atinge números nunca vistos e os trabalhadores e os reformados vêm os salários e as pensões congeladas, há quem continue a fazer disparar lucros a níveis impensáveis em tempos de crise. 
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Não é só na banca que isto ocorre. Se olharmos para os cinco principais grupos na energia e telecomunicações, os lucros somaram quase 2100 milhões de euros, sobressaindo a EDP com lucros de 1024 milhões de euros e a PT com mais de 680 milhões de euros.
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A taxa efectiva de IRC com que a banca é tributada foi, segundo informação da Associação Portuguesa de Bancos de 14,5 % em 2007, de 12,8% em 2008, e 9,9% no primeiro semestre de 2009.
Bem claras são também as informações estatísticas da Direcção Geral das Contribuições e Impostos. Para empresas e grupos económicos com lucros superiores a 250 milhões de euros, a taxa efectiva de IRC foi de 14% em 2005, e de 12%, em 2006 e 2007. 
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Se a banca não tivesse um enorme conjunto de benefícios fiscais e pagasse de IRC – como o PCP agora propõe - uma taxa efectiva de 25%, (tal como sucede com todas as pequenas empresas deste País), o Estado teria arrecadado, entre 2005 e o final do primeiro semestre de 2009, (i.e., durante quatro anos e meio) mais 1240 milhões de euros de receita fiscal, ou seja, mais 276 milhões de euros por ano.
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Se todos grupos económicos com lucros superiores a 50 milhões de euros, não abrangidos por contratos de investimento estabelecidos com o Estado, tivessem igualmente pago de IRC – como o PCP agora propõe - uma taxa efectiva de IRC de 25%, não tbeneficiando de um conjunto completamente opaco de benefícios fiscais, as receitas fiscais de IRC poderiam aumentar significativamente, num valor global nunca inferior a 500 milhões de euros anuais. 
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Mas, Senhor Presidente
Senhores Deputados
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O PCP propõe ainda mais algumas medidas na construção da sua alternativa ao pacote de injustiça fiscal do Governo e do PSD.
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Propomos anular os benefícios fiscais que a Zona Franca da Madeira atribui ao sector bancário e à generalidade dos seus produtos, passando os escritórios de interesses financeiros aí sediados, sem qualquer relevância para o emprego, a reger-se pelo regime fiscal geral do País. 
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Não propõe o PCP – como alguns poderão pensar de forma precipitada – que se encerre o offshore do Funchal. 
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Aceitamos transitoriamente que as empresas não financeiras que aí funcionem – e que estão na base do emprego aí existente – continuem a beneficiar do regime altamente favorável de tributação aí praticado. (Regime fiscal – é bom recordá-lo – que entre 2005 e 2009 se traduziu numa despesa fiscal total de mais de 9026 milhões de euros). 
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O que de momento propomos é terminar com o autêntico casino de escritórios-tabuleta que apenas servem de placa giratória de fluxos financeiros em processo de fuga aos impostos. 
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Com esta medida – ainda que limitada ao sector financeiro - o Estado poderia poupar bem mais de metade da despesa fiscal que aí faz todos os anos e que, só em 2010 está estimada em mais de mil milhões de euros.
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O PCP propõe ainda tributar de forma extraordinária e durante os anos de aplicação do PEC, a detenção e uso de bens e património de luxo.
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Não há nenhuma razão para que quem possui aviões particulares ou iates de luxo não pague uma taxa adicional de imposto, como o PCP agora propõe. 
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Não é aceitável que Portugal, em tempos de crise, constate que o mercado da venda de Ferraris, Bentleys, Maseratti ou Porches de última geração, tal com a venda de casas de luxo com valores muito superiores a um milhão de euros, continue em alta, totalmente insensível à crise. 
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Isto mostra que há patrimónios muitíssimo elevados que podem e devem ser tributados de forma adicional e extraordinária, constituindo assim um exemplo – este sim verdadeiro exemplo - de distribuição equitativa do esforço que se exige ao País.
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Por isso o PCP propõe a criação de taxas especiais e temporárias de IMT, de IMI, de ISV e de IUC que, até 31 de Dezembro de 2013 se apliquem na compra e no uso de bens e património de luxo.
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Finalmente Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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O PC propõe a revogação dos benefícios fiscais concedidos aos PPR. A revogação destes benefícios fiscais – criados em 1986 por Miguel Cadilhe – foi pela primeira vez proposta no OEstado de 2005 pelo Governo de Santana Lopes, era Ministro das Finanças Bagão Félix. 
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Contou com a voto favorável do PCP que sempre defendeu que não é justo nem ético – muito menos em tempos de crise e de dificuldades extremas – que uns 6% a 7% de portugueses, de maior capacidade económica e com maior possibilidade de efectuar planos complementares de reforma (públicos ou privados), sejam ainda por cima beneficiados com a diminuição do IRS a pagar anualmente.
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São em média cem milhões de euros por ano que o Estado deixa de receber de IRS e que bem podiam ser usados com quem mais necessita verdadeiramente.
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Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
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Só com o aumento de receita proveniente da aplicação à banca e aos grandes grupos económicos da taxa efectiva de IRC de 25%, (500 milhões de euros, mínimo), da aplicação do novo imposto às transacções em Bolsa (mínimo de 135 milhões de euros), e da eliminação dos benefícios fiscais em PPR (100 milhões), o Estado pode obter uma receita, (no mínimo, de 735 milhões de euros), bem próxima da que espera obter com o aumento do IRS e com o aumento geral das taxas do IVA propostos pelo Governo e pelo PSD (cerca de 830 milhões de euros).
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Se contarmos com a aplicação do novo imposto às transferências financeiras para os offshore, (cerca de 2200 milhões de euros, base 2009), e mesmo não contando com as receitas resultantes da aplicação de taxas temporárias incidindo sobre bens e património de luxo, nem com as receitas resultantes da revogação dos benefícios fiscais ao sistema financeiro na zona Franca da Madeira, podemos ter uma receita fiscal anual global adicional rondando os três mil milhões de euros.
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Isto é: com estas propostas do PCP, o Estado estará em condições de arrecadar pelo menos três vezes mais receita que aquela que o Governo e o PSD esperam obter com o pacote fiscal do PEC 2. 
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Mas existem enormes diferenças na alternativa que o PCP propõe como busca de um caminho de maior justiça e equidade fiscal: enquanto o pacote do PS e do PSD aumentam a carga fiscal sobre os trabalhadores e o Povo que trabalha, aumentando de forma acentuada os escalões mais baixos do IRS e subindo as taxas do IVA que agravam o custo dos bens de primeira necessidade e as condições de concorrência e competitividade da economia nacional, em especial das micro e pequenas empresas, as propostas do PCP tributam de forma exclusiva rendimentos que nunca foram tributados e exigem um esforço maior e equitativo aos mais ricos e poderosos, em especial à banca e aos grandes grupos económicos que não podem continuar a pagar valores baixíssimos de IRC.
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Como disse, o que o PCP aqui propõe hoje é um caminho diferente e alternativo.
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Não basta invocar o interesse nacional em vão. O interesse nacional mede-se também pela justiça das medidas fiscais que se propõem.
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Quem propõe, como o PS e o PSD, que se volte a pedir mais sacrifícios aos mesmos do costume, aumentando os impostos a quem já pouco ou nada tem para dar, que se coloque em risco a sobrevivência de milhares de micro, pequenas e médias empresas, que se comprometa o futuro do País, quem assim procede não defende o interesse nacional, defende os interesses dos grandes grupos e dos principais causadores da crise.
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Quem propõe, como o PCP, que se tributem rendimentos que nunca pagaram impostos, que se tribute quem mais pode ou quem continua a ter lucros enormes em tempos de crise, está do lado da justiça, está a defender os interesses do País, o interesse nacional.
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Disse.
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