- Albano Nunes
Há profundas divergências quanto ao modo de enfrentar a crise
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N.º 1910
8.Julho.2010 -Avante
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"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
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Ontem, no primeiro dia da cimeira de Áquila, no centro de Itália, os líderes dos 8 países mais ricos do mundo chegaram a acordo para reduzir em 80% as suas emissões de gases nocivos até 2050, como forma de combater o aquecimento global. Os líderes vão ainda propor aos países em vias de desenvolvimento, como a Índia e a China, a adopção de uma meta mundial de redução de 50% das emissões até 2050, embora esta seja vista pela generalidade dos observadores como uma proposta muito difícil de gerar consensos.
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Ontem, Ban Ki-moon saudou o acordo alcançado pelos líderes do G8 mas afirmou que eles podiam ter ido muito mais além e adoptado um compromisso mais firme e ambicioso, nomedamente, no que diz respeito às metas a alcançar num período intermédio, até 2020. 'Trata-se de um imperativo moral e de uma responsabilidade histórica, para bem da humanidade e do planeta Terra', afirmou o secretário-geral da ONU.
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Entretanto, no segundo dia de trabalhos da Cimeira, os líderes mundiais discutiram um plano de ajuda ao desenvolvimento agrícola nos países pobres, nomeadamente em África, que deverá chegar aos 15 mil milhões de dólares em três anos, e que será formalmente anunciado hoje, no último dia da Cimeira de Áquila.
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ITÁLIA 'FURA' PROTOCOLO
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Diz o protocolo que as reuniões bilaterais entre os líderes do G8 são privadas e aquilo que ali é discutido deve ficar no ‘segredo dos deuses’. No entanto, o jornal ‘Financial Times’ noticiou ontem que vários assessores do primeiro-ministro Silvio Berlusconi têm seguido as conversas através de microfones escondidos na sala de reuniões.
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De acordo com o rígido protocolo das cimeiras do G8, cada líder apenas se pode fazer acompanhar de um assessor, o chamado ‘sherpa’. É rigorosamente proibido filmar, gravar ou tirar anotações, e a única forma de comunicação com o exterior é através de uma caneta digital na posse do ‘sherpa’. Desta vez, no entanto, parece que não foi assim.
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Segundo o ‘Financial Times’, Berlusconi terá mandado instalar microfones na sala, de modo a que os assessores possam ouvir a conversa no exterior e enviar instruções através do ‘sherpa’. O jornal diz ter tido acesso a um memorando interno da delegação italiana, no qual é recomendado a todos os membros para 'não comentarem o assunto com outras delegações'. Um porta-voz de Berlusconi já desmentiu, afirmando que 'tudo o que é dito na sala fica na sala'.
A cúpula em L'Aquila, Itália, deve ter sido a última do G8. A crise capitalista global decretou o fim do prazo de validade desse coletivo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia. Ficou patente que as grandes nações em desenvolvimento não podem mais ficar de fora – nesta sexta-feira (10), Barack Obama citou a China, a Índia e o Brasil como exemplos. Mas se a morte do G8 parece certa, não há acordo sobre qual ''G'' o substituirá, para não falar das críticas da maioria excluída de países.
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Por Bernardo Joffily
O G8 na verdade nasceu G6: em 1975. No ano seguinte virou G7, com a inclusão do Canadá. E em 1998 acoplou a Rússia, que não era tão rica mas retornara ao capitalismo e é uma grande potência nuclear. O grupo de elite, que se reúne anualmente para coordenar ações em política mundial, sempre foi visto de esguelha pelo resto do planeta.
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Com a crise, o G8 fez água
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Quando a crise econômica tingiu sua fase aguda, em setembro passado, o fechado clube dos ricos, que já se reunira 34 vezes, sentiu que precisava de ajuda. O desenvolvimento desigual do capitalismo gerara economias emergentes nos países em desenvolvimento (a começar pela China, que já é a segunda do mundo, pelo sistema de paridade de poder de compra, e a quarta na contabilidade tradicional) sem as quais discutir a crise seria perda de tempo.
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Assim surgiu, em novembro passado, nos Estados Unidos, a primeira reunião do G20: o G8, mais 11 grandes países em desenvolvimento, mais a União Europeia (veja a tabela). Em abril, houve nova reunião, em Londres. A lógica do debate no G20 mostrou-se polarizada: de um lado ficam os ricos do velho G8, de outro os recém-chegados em desenvolvimento.
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Levando isso em conta, o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, anfitrião e presidente de turno da cúpula do G8, resolveu testar um outro formato, mais restritivo. E surgiu o G14, que teve sua estreia em L'Aquila.
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Opiniões diversas sobre o número do ''G''
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Os líderes que se reuniram na pequena cidade italiana sairam dali com opiniões distintas sobre qual ''G'' deve se afirmar. O único consenso, embora temperado por fórgumas diplomáticas, é que o velho e ultrafechado G8 já deu o que tinha que dar. Mesmo assim, é um consenso nuanceado; a chanceler alemã, Angeka Merkel, acha que o grupo ainda seria "a organização apropriada" para "alguns problemas".
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Obama deixou sua posição em aberto. ''Estamos em um período de transição, estamos tentando encontrar o formato certo', disse, Segundo o presidente americano, economias emergentes influentes precisam fazer parte de qualquer esforço colaborativo para lidar com os desafios globais. Ele mencionou a China, a Índia e o Brasil, sem arriscar a defesa de uma composição específica.
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Nesta manhã, Berlusconi, disse que um G14 que reunisse além ricos e emergentes seria o organismo mais adequado para as grandes decisões globais.
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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deichou L'Aquila expressando uma posição nítida. “É preciso que haja manutenção do G20 até concluirmos toda essa discussão de economia. Se tivesse que escolher entre o G14 e o G20 eu escolheria o G20”, afirmou Lula nesta sexta, em coletiva à imprensa.
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Lula também registrou a permanência da polarização Norte-Sul na reunião do G14: “Temos um pouco de divergências por que achamos que é preciso combinar aqueles que fazem pagamento pelo sequestro de carbono com a diminuição das emissões. Se ficar apenas no pagamento pelo sequestro os países ricos, como tem dinheiro, vão continuar emitindo gás de efeito estufa e pagar para os outros sequestrarem”, avaliou.
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Por que não o G192?
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Por fim, convém assinalar que mesmo o G20, embora mais amplo que o fechado G8 ou o entreaberto G14, deixa de fora a grande maioria dos países. Alguns deles são economias consideráveis, como a Espanha, 12º lugar no ranking mundial do PIB (Produto Interno Bruto), ou o Irã, 17º PIB e com uma grande população.
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A maioria de nações pequenas e médias interroga por que não se discute os problemas do planeta na Organização das Nações Unidas, que foi criada em 1945 exatamente para isso.
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Argumenta-se que a ONU é grande demais e operacional de menos, não teria a agilidade requerida pelos problemas na ordem do dia, a começar pela crise. Os barrados no G8, no G14 e no G20 evidentemente não concordam. Principalmente os países mais pobres, que, sendo maioria numérica e populacional, teriam mais condições de fazer ouvir seus reclamos na ONU, o G192 (as Nações Unidas contam hoje 192 Estados-membros).
O G8, grupo formado pelos sete mais importantes países industrializados e a Rússia, se despede de sua pretensão de liderança solitária. As graves consequências da crise econômica mundial, a ameaça da catástrofe climática e as pretensas potências nucleares Irã e Coreia do Norte – essas e outras circunstâncias obrigam o G8 a acolher novos parceiros em seu meio elitista. Entre eles, o Brasil, a China e a Índia.
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Encabeçado pela chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o debate sobre o futuro do Grupo dos Oito inflamou-se no fechamento da cúpula em Áquila, nesta sexta-feira (10/07). São sobretudo os europeus a exigir mudanças, e eles encontram ressonância no chefe de Estado norte-americano, Barackk Obama.
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20 bilhões para a agricultura no Terceiro Mundo
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Em sua primeira participação na rodada das potências mundiais, Obama apresentou-se como força propulsora e "jogador de equipe" compreensivo. Ele colocou um acento próprio no terceiro e último dia da conferência, propondo uma iniciativa do G8 em favor dos agricultores do Terceiro Mundo.
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Cerca de 20 bilhões de dólares seriam dedicados ao aumento da produção agrícola, com o fim de tornar aqueles países independentes do ponto de vista da produção de alimentos.
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Trata-se de uma forma de incentivo à autoajuda. Entretanto, organizações humanitárias criticam os limites financeiros do projeto, especialmente por não estar claro quanto dos sugeridos 20 bilhões de dólares seria "dinheiro fresco".
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A verba seria concedida ao longo de três anos. Porém, "em face das proporções dramáticas da crise de fome, são necessários, no mínimo, 25 bilhões de dólares adicionais por ano", rebateu a Oxfam.
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Segundo a Organização Mundial de Alimentação e Agricultura, devido à crise financeira, o número dos que sofrem fome ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão. Mas, apesar da crise, as nações industriais não pretendem reduzir suas contribuições humanitárias, pois o G8 cumpre suas promessas, assegurou Merkel.
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Clima no topo da lista
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Também no espírito de Obama veio a exigência veemente do G8 à Coreia do Norte e ao Irã para que encerrem seus programas atômicos. Caso contrário, em especial o Irã deverá contar com a imposição de sanções mais rigorosas.
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No tocante à política climática, a premiê Merkel elogiou a contribuição dos Estados Unidos, que sob o antecessor de Obama, George W, Bush, viera praticamente boicotando qualquer avanço no setor.
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Agora, não apenas os EUA, como também os países emergentes de maior porte estão convencidos da necessidade de adotar medidas efetivas contra o aquecimento global, durante a cúpula mundial do clima, em dezembro, em Copenhague.
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G8, G20 ou G14?
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Os países europeus foram os primeiros a expressar abertamente o desejo de ampliar o G8 durante a cúpula. Obama também declarou que consegue imaginar mudanças. A Rússia e a União Europeia, contudo, mostraram-se mais reticentes com a perspectiva, lembrando as vantagens de uma rodada de debates menor.
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O G8 inclui a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Já a partir de 2011, quando a França estará ocupando a presidência do clube de elite, o presidente Sarkozy deseja estabelecer um Grupo dos 14. Este possivelmente incluiria os países do G5 (Brasil, África do Sul, China, Índia e México) e o Egito.
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Desde que a crise da economia mundial aniquilou valores bilionários, o G20, formado pelas nações de maior desempenho econômico, assumiu o gerenciamento de crise. Segundo Sarkozy, "o G8 não é mais suficientemente representativo para fazer frente à crise econômica".
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Merkel propôs que se estabeleça uma nova estrutura para a cúpula de 2010. Também em sua opinião há, no momento, demasiados encontros no nível dos chefes de governo e de Estado.
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AV/dpa
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José Eduardo dos Santos, citado pela agência angolana de notícias, Angop, disse ainda que este é o momento, no que toca à definição dos mecanismos de regulação do mercado financeiro, de «passar das palavras aos actos».
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O chefe de Estado angolano apontou ainda como essencial para o continente africano que tome também parte activa neste processo que conduzirá a uma «nova ordem e maior democratização do Fundo Monetário Internacional (FMI)», onde José Eduardo dos Santos defende que África veja o seu poder ampliado.
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"Com o presidente (brasileiro) Lula, manifestámos a nossa vontade de fazer evoluir o G8, não que o G8 tenha deixado de ser útil mas claramente a representatividade do G8 não é suficiente" para responder aos grandes desafios, declarou durante uma conferência de imprensa.
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"Existe um G8, um G5, um G6. Com Lula, propomos que o mais rápido possível juntemos os dois grupos num G14", acrescentou.
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Diário Digital /Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 07:32
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O presidente da China, Hu Jintao, deixou nesta quarta-feira (8) a reunião do G8 na Itália, retornando às pressas para Pequim por causa da cada vez maior tensão étnica separatista na região de Xinjiang, que provocou até o momento 156 mortes.
A agência Xinhua disse que Hu, que estava em uma visita de estado na Itália para participar da reunião do grupo dos oito países mais ricos, que teve início nesta quarta-feira, teve de cortar a viagem, devido ''à situação'' em Xinjiang.
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O conselheiro do Estado, Dai Bingguo, estará presente à reunião do G8, representando Hu.
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Seu retorno apressado coincide com a elevação da tensão étnica na cidade de Urumqi, a capital da região. Victor Gao, diretor da Associação Nacional de Estudos Internacionais da China, disse que o returno de Hu é ''bastante extraordinário''.
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''Sem precedentes''
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''Por causa da escala sem precedentes e a severidade da situação em Xinjiang'', disse Gao à agência catariana de notícias al-Jazira, Hu teve de tomar ''a medida inédita de deixar a reunião do G8 antes de seu início, retornando à China para exercer sua liderança no papel de acalmar a situação em Xinjiang''.
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A rede al-Jazira relata que a situação em Urumqi é de nova elevação da tensão, após uma manhã de quarta-feira com calma, depois do toque de recolher dado na terça-feira à noite.
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Chineses da etnia Han tomaram as ruas, armados de porretes e tentando ocupar os bairros da etnia Uigur, que se espalham ao redor da capital regional, a despeito da polícia de Choque ter bloqueado as ruas principais com veículos blindados e patrulhar as ruas com centenas de policiais.
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Na terça-feira, milhares de Han foram às ruas da cidade procurando vingar-se do ataque realizado pelos uigures, que provocaram centenas de mortes em ataques no fim da segunda-feira (6) a membros da etnia Han.
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Grupos de uigures também tomaram as ruas e as forças do governo dispararam contra eles gás lacrimogêneo, além de impor um toque de recolher na tentativa de manter o controle da cidade.
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''Justo e efetivo''
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De acordo com autoridades da China, pelo menos 156 pessoas de ambas as etinias foram mortas nos conflitos de domingo, que se iniciaram durante um violento protesto de rua conduzido por uigures.
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O conflito foi um dos mais mortais do país em várias décadas. Os uigures foram às ruas alegando protestar contra a suposta morte de dois trabalhadores da etinia em uma fábrica de brinquedos.
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A polícia chinesa revelou que prendeu mais de 1.400 pessoas durante a ação, que Wang Lequan, chefe do Partido Comunista da região de Xinjiang, alertou como uma ''luta contra o separatismo, que está longe de terminar''.
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Opinando sobre a forma como o governo age nesta crise, Victor Gao, que trabalhou como tradutor para o falecido líder chinês Deng Xiaoping, disse que o governo precisa ser ''muito justo e efetivo'' no tratamento da situação.
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''É muito fácil traçar uma linha entre os grupos étnicos, entretanto, isso é uma tentação à qual precisamos resistir'', afirmou isso.
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''Acredito que é melhor focar nas atividades criminais, sem considerar a qual grupo étnico pertencem, não importa se são chineses da etnia uigur ou han'', considera.
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Grande vergonha
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Perguntado se Pequim deveria reconsiderar sua política de migração para o Oeste em relação à etnia han, Gao diz que a China ''não deve desviar da situação geral, apesar do que está acontecendo em Urumqi neste momento''.
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''É um incidente grave, uma grande vergonha para nós, chineses, mas eu acho que precisamos continuar porque sem a estabilidade, está fora de questão a melhoria nas condições de vida da população de Xinjiang, inclusive uigures''.
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Segundo o governo da região, a briga na fábrica foi utilizada como ''desculpa'' para justificar os enfrentamentos em Urumqi.
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Pequim responsabiliza os exilados separatistas uigures pela sublevação, apontando contra Rebiya Kadeer, uma empresária uigur nos Estados Unidos, que antes de exilar-se nos EUA esteve presa por vários anos, acusada de sedição. Ela é chefe, hoje, do Congresso Mundial Uigur, uma organização separatista que promove o terror na região, de acordo com o governo local.
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Naturalmente, Kadeer, de 62 anos, rejeita as acusações, a partir de sua base em Washington. Presa em 1999, foi colocada em liberdade após pagar uma fiança, em 17 de março de 2005, para realizar tratamento médico nos Estados Unidos.
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Ela alega que o conflito “foi iniciado” pela polícia chinesa, que teria “investido” contra o ''pacífico'' protesto, convocado após a suposta morte de dois trabalhadores uiugures de uma fábrica de brinquedos, supostamente mortos por membros da etnia han.
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No entanto, os conflitos iniciados no domingo passado em Urumqi, ''não foram um protesto pacífico, mas sim assassinatos, incêndios e saques'', afirmou na terça-feira o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang.
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''Qualquer pessoa que se refira a esses atos violentos como um protesto pacífico está alterando a verdade, com o propósito de enganar o público'', assinalou Qin em uma entrevista coletiva em Pequim.
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''Esses atos violentos foram um crime premeditado e organizado, instigado e dirigido a partir do estrangeiro e realizado por foragidos da justiça no país'', explicou Qin, que assegurou que as provas são irrefutáveis e decisivas.
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Com informações da Xinhua, Diário do Povo Online e al-Jazira
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in Vermelho - 8 DE JULHO DE 2009 - 17h12
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A estimativa, apresentada num relatório sombrio sobre um programa desenvolvido há dez anos pela ONU para conduzir países pobres ao desenvolvimento até 2015, indica que 17% dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009.
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"Em 2009, entre 55 milhões a 90 milhões de pessoas a mais do que o previsto antes da crise estarão vivendo em extrema pobreza", diz o relatório, apresentado em Genebra pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Intitulado "Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio", o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa - apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos - provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.
Meta
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Em um discurso no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc, na sigla em inglês), Ban fez um apelo às nações industrializadas do Grupo dos Oito para que aumentem a ajuda, especialmente para a África, no próximo ano, dizendo que as promessas feitas por eles anteriormente ficaram aquém do anunciado.
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"Faço um chamado ao G8 para explicitar, país por país, como os doadores ampliarão a ajuda à África no próximo ano", disse Ban em um discurso voltado para o encontro do G8 entre 8 e 10 de julho, em Aquila, cidade no centro da Itália, do qual ele participará.
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"A credibilidade do sistema internacional depende de quanto os doadores aportarão", acrescentou. "A decência humana e a solidariedade mundial exige que nos unamos pelos pobres e os mais vulneráveis entre nós", afirmou Ban, em outra reunião, mais tarde.
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Em uma cúpula na Escócia, em 2005, líderes do G-8 prometeram elevar a assistência aos países “em desenvolvimento” a cerca de 50 bilhões de dólares até 2010, da qual metade iria para a África. Mas a ajuda continuou sendo de pelo menos 20 bilhões de dólares a menos do que a meta fixada em Gleneagles, na Escócia, disse ele.
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Reversão
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Os recursos poderiam ajudar a mudar muitas vidas, mas o atraso na entrega combinado às mudanças climáticas e à crise financeira estão reduzindo o progresso nos países pobres, afirmou Ban no início de três semanas de reuniões do Ecosoc, em Genebra.
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As pessoas que vivem na pobreza — definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de US$ 1,25 por dia — já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos. De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20% da população mundial, mas em 2005 caíra para 16% - número que refletiu o aumento da prosperidade, especialmente na Ásia, estimulada pela expansão do comércio mundial.
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A reversão começou em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.
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Com agências