A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sábado, janeiro 28, 2012

XII CONGRESSO DA CGTP-IN


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Enviado por  em 27/01/2012
XII CONGRESSO DA CGTP-IN
«Acordo não é lei. Não é mesmo. Nós vamos agir»
Carvalho da Silva alerta para «novo impulso suicidário» com acordo que vai mudar o mercado de trabalho

sábado, maio 07, 2011

CGTP - Medidas da troika “têm uma marca de injustiça”


Lusa
Carvalho da Silva confidencia ainda que desejou que o socialista António Costa vencesse as eleições autárquicas de 2009

Entrevista ‘CM’ a Carvalho da Silva

Medidas da troika “têm uma marca de injustiça”

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Carvalho da Silva defende em entrevista ao ‘Correio da Manhã’ que as medidas da ‘troika’ “têm uma marca forte de injustiça e desigualdade”.
  • 06 Maio 2011
Por:J.F.


Na sua opinião, o plano de resgate apenas salvaguarda os interesses "dos accionistas da banca nacional e internacional".
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O secretário-geral da CGTP afirma que o primeiro-ministro demissionário tem sido protagonista de uma política de "promete hoje o que amanhã se confirma que não é possível ser cumprido" e, na sua opinião, a teoria defendida por Eduardo Catroga, de que os portugueses têm razões para colocar este Governo em tribunal, devia ser estendida a muitos outros protagonistas, nomeadamente ao Presidente da República, Cavaco Silva. 
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Nesta entrevista, Carvalho da Silva confidencia ainda que desejou que o socialista António Costa vencesse as eleições autárquicas de 2009, mesmo havendo um candidato comunista na corrida, e admite que "a vida" levou a que a sua ligação com o PCP caminhasse "no sentido de se tornar muito ténue".
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Por fim, o histórico sindicalista, que está em vias de terminar o seu mandato à frente da CGTP, não descarta uma candidatura no futuro à Presidência da República. 
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Leia a entrevista completa na edição deste sábado do Correio da Manhã.

segunda-feira, maio 02, 2011

CGTP anuncia manifestações contra "ingerência da UE e FMI"


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Lusa
Carvalho da Silva discursou no final da manifestação do 1º de Maio  organizada pela CGTP-IN em Lisboa
Publicação: 01-05-2011 19:29   |  Última actualização: 01-05-2011 23:44

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A CGTP anunciou este domingo a realização de duas manifestações em 19 de Maio, uma em Lisboa e outra no Porto, contra "a ingerência da UE e do FMI".
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O secretário geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, anunciou as "duas grandes manifestações" contra as medidas que venham a ser impostas na sequência da negociação entre o governo português e a 'troika' que está a preparar o plano de ajuda externa, perante milhares de pessoas que celebravam o Dia do Trabalhador na Alameda.

"É por estas exigências, e contra as medidas que nos querem impor, que convocamos os trabalhadores e as trabalhadoras, os jovens, os pensionistas e reformados para uma ampla participação nas duas grandes manifestações que vão ter lugar no dia 19 de maio", disse o sindicalista.

Carvalho da Silva deixou um apelo a todos para que participassem nas manifestações com o objetivo de mostrarem que "o país tem alternativas".

"O futuro é de esperança e a esperança constrói-se" afirmou, acrescentando que os próximos tempos vão ser de grande trabalho sindical.


Programas eleitorais

Noutra passagem da sua intervenção, o secretário geral da CGTP considerou que os partidos que se comprometerem com as medidas da 'troika' têm de as apresentar nos seus programas eleitorais, sob pena de estarem a burlar os portugueses e a atentar contra a democracia.

"Os programas dos partidos que se comprometem com as medidas da UE/FMI não podem deixar de, de forma clara, apresentarem aos portugueses esse compromisso. Escondê-lo significará uma burla aos portugueses e um atentado à democracia", afirmou Manuel Carvalho da Silva.

Aos jornalistas, Carvalho da Silva disse que o PS, que já apresentou o seu programa eleitoral, não refere nada relacionado com medidas em negociação com a 'troika' e defendeu a apresentação de um segundo programa pelos socialistas, caso contrário "estarão a burlar os portugueses".

No seu discurso, o sindicalista apelou à mobilização dos trabalhadores, e dos jovens em particular, para que façam da pré-campanha e da campanha eleitoral "um tempo e um espaço de apresentação séria de problemas e propostas" para dar conteúdo à agenda política.

"Devemos usar o voto lutando pelo futuro do nosso país e dos seus trabalhadores, numa escolha coerente e livre de quem nos vai representar na Assembleia da República, órgão de cuja representação sairá o novo governo", afirmou.

Carvalho da Silva defendeu ainda que as eleições legislativas de 5 de junho "não podem transformar-se num mero plebiscito para escolher quem vai executar políticas previamente definidas".

Com Lusa


segunda-feira, setembro 27, 2010

Carvalho da Silva contesta "tempo de campanha" que partidos estão a dar a Cavaco Silva

24.09.2010 - 17:24 Por João Ramos de Almeida
“Quanto mais se prolongar este cenário” do actual “jogo de faz-de-conta”, de “encenação entre o PS e PSD”, “mais tempo de campanha se está a dar a Cavaco Silva”, afirmou o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva.

A declaração foi feita num encontro com jornalistas para dar a conhecer os preparativos e as iniciativas previstas nas comemorações do 40º aniversário da central sindical.



Manuel Carvalho da Silva defende que existe uma consonância de posições entre os dois partidos sobre o essencial das medidas a adoptar para combater a crise orçamental e que se está a traduzir numa “ignóbil campanha de exigências de sacrifícios aos que menos têm”.



A população mais pobre – envolvendo mais de 3 milhões de pessoas, entre trabalhadores que recebem o salário mínimo, 700 mil desempregados, 1,2 milhões de precários, 1,5 milhões a receber a pensões mínimas ou sociais e muitos que vivem na economia clandestina - sente-se incapaz, na sua opinião, de reagir a uma opinião pública construída pela tipo de notícias, dos “opinadores pagos” e “economistas de serviço”. Ou seja, metade das famílias portuguesas vive mesmo com muito muito pouco e está numa situação de enorme fragilidade sujeita a esta campanha”.



“Independentemente do desfecho, a consonância significativa naquilo que é essencial”, promovida por um Presidente da República que fomenta “a convergência para um centrão”, levará à adopção medidas penalizadoras da maioria da população, sem que se ataquem as causas e de proponham medidas alternativas mais eficazes. E entretanto continua Carvalho da Silva, Cavaco Silva – que convocou a Belém os principais partidos para discutir a “situação política, económica e social do país” – vai beneficiando indirectamente dessa campanha.



É nesse âmbito que a CGTP critica a ausência de propostas concretas sobre um Pacto para o Emprego. A promessa foi feita na campanha eleitoral, mas até agora, em plena crise, o Governo ainda “não produziu um documento que seja que se identifique como sendo um Pacto para o Emprego”. A discussão anda “enrolada” e não avança. 

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segunda-feira, maio 31, 2010

CGTP - Manifestação Nacional Manifestação Nacional de 2010.05.29 - Resoluçao


Início
Manifestação Nacional PDF 
 RESOLUÇÃO
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A CGTP-IN manifesta a sua oposição ao PEC e às chamadas medidas complementares que vêm sendo acordadas entre o Governo PS e o PSD, com o apoio do grande patronato. São medidas contrárias às necessidades e aos interesses dos trabalhadores e da generalidade da população, e que aumentam os bloqueios ao desenvolvimento do País. Tais medidas são falsas soluções para a crise.
 
RESOLUÇÃO
A CGTP-IN manifesta a sua oposição ao PEC e às chamadas medidas complementares que vêm sendo acordadas entre o Governo PS e o PSD, com o apoio do grande patronato. São medidas contrárias às necessidades e aos interesses dos trabalhadores e da generalidade da população, e que aumentam os bloqueios ao desenvolvimento do País. Tais medidas são falsas soluções para a crise. 
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A crise tem causas e responsáveis: são os especuladores financeiros; a injusta distribuição da riqueza; o saque aos Orçamentos do Estado e a manipulação do papel dos Estados; a destruição do tecido produtivo e a privatização progressiva de tudo o que possa interessar ao “mercado”; a corrupção, o compadrio e a promiscuidade entre o poder económico e o poder político; as políticas de baixos salários e de precariedade; o desrespeito pelas leis laborais; o bloqueio crescente da negociação colectiva e o ataque aos sindicatos. São pois, políticas de direita desenvolvidas há décadas pelos partidos do arco do poder e a falta de estratégias de desenvolvimento do país. 
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Privilegiando a via mais fácil, que aliás o capitalismo sempre utilizou em momentos de crise, é o assalto ao bolso dos trabalhadores, das suas famílias e da maioria da população. Os sacrifícios que são impostos não são justos e proporcionalmente partilhados, pois os ricos e poderosos ficam isentos ou apenas contribuem simbolicamente. 
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São pacotes atrás de pacotes sem estabelecimento de prazos, sem qualquer garantia de no futuro serem solicitados outros ainda mais duros, sempre para defender os interesses do grande  capital financeiro e económico. 
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O Governo vai impondo medidas que não asseguram qualquer recuperação económica e muito menos perspectivas de desenvolvimento para o futuro. Elas acentuam a diminuição do investimento público e privado; encarecem o dinheiro para as pessoas e para as empresas; diminuem os salários e as pensões, provocando quebras no consumo e prejudicando a dinamização do mercado interno; agravam os índices do desemprego e da precariedade. 
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Só haverá saídas da crise com políticas económicas que criem emprego com direitos (nos sectores público e privado) e com a mobilização e responsabilização das pessoas e da Sociedade. É com elas e por elas que se encontrarão as soluções para a saída da crise.
 
 
Empobrecer a maioria da população e enriquecer ainda mais uns tantos só agravará a situação do país. Mais cortes nas políticas sociais, nos salários e nos subsídios de desemprego, não é solução! Isso é aumentar as injustiças, as desigualdades sociais, a pobreza. 
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As medidas anunciadas não são nenhuma inevitabilidade. São opções políticas, neste caso profundamente erradas. É justa a indignação e o protesto dos trabalhadores e do povo português. Temos de lutar contra a indiferença, evitar o desespero e acreditar na luta dos trabalhadores e do povo como alimento da esperança e como contributo positivo e inseparável do desenvolvimento da sociedade. Temos de agir com todas as nossas forças contra as medidas anunciadas. 
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A luta laboral e social influenciará decisivamente as opções e decisões que vão ser tomadas.
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Somos pelo diálogo e pela negociação, desde logo, pela efectivação da negociação colectiva. Somos por um diálogo social que não seja para discutir o que já está decidido e não podemos aceitar compromissos que tenham como objectivo a mera redução de direitos e o retrocesso social ou que se assumam acordos para depois não serem cumpridos. O Governo não pode ser juiz e “carrasco” ao mesmo tempo. 
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Seriedade, clareza, rigor e transparência devem constituir a matriz da negociação necessária e a essência para a governação política. Dizemos não a uma governação que se submete às pressões economicistas que resultam do PEC da U.E., ou às imposições dos especuladores financeiros. Denunciamos e rechaçamos políticas que estigmatizam os trabalhadores, os desempregados e os pobres. 
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É hipócrita e maldosa a insinuação de que cada desempregado se for mais pressionado pode, por si encontrar emprego, ainda por cima quando as políticas adoptadas destroem emprego, quer no sector público, quer no privado. 
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O Governo com o apoio do PSD, adopta medidas que para além de destruir emprego e induzir a retribuição do trabalho em particular os salários, eliminam apoios à promoção do emprego e à protecção dos desempregados e, depois, com toda a desfaçatez, apela aos parceiros sociais que partilhem o seu diagnóstico sobre a situação e criem um pacto para o emprego. Trata-se de um autêntico exercício da quadratura do círculo que rapidamente vai ser posto a nu no seu vazio de conteúdos e na falácia da sua forma.
 
Exigimos a revogação das medidas violentas e injustas contra os trabalhadores, os desempregados e os reformados que vem sendo anunciadas pelo governo e claramente apoiadas pelo PSD e pelo grande patronato.
 
 
A CGTP-IN assume as suas responsabilidades na procura de um outro rumo para o país, na definição de uma estratégia de desenvolvimento e na mobilização dos trabalhadores para os desafios imprescindíveis. É preciso, nomeadamente:
  • Dizer não aos prazos, às metas e aos critérios de redução do défice impostos pela União Europeia;
  • Denunciar e exigir a correcção da actual forma de financiamento dos Estados junto da banca;
  • Dinamizar a reindustrialização e todo o sector produtivo desde a agricultura, ao sector do mar, aos diversos sectores de produção material de bens e serviços úteis ao desenvolvimento da sociedade;
  • Combater, com determinação e firmeza, a economia paralela, a corrupção, o compadrio e a ilegalidade;
  • Combater o flagelo do desemprego e da precariedade;
  • Estimular a economia interna e fazer crescer de forma sustentada os salários e as pensões;
  • Criar mais e melhor emprego, com direitos, que tenha as indispensáveis condições de estabilidade e segurança;
  • Assegurar o direito e a efectivação da contratação colectiva, instrumento primordial de distribuição da riqueza e de progresso social;
  • Reforçar a protecção social e promover uma mais justa redistribuição da riqueza;
  • Assegurar a qualidade e a universalidade dos serviços públicos e das funções sociais do Estado;
  • Cortar nos desperdícios e gastos desnecessários;
  • Tributar as mais-valias das SPGS e os Fundos de Investimento;
  • Combater a evasão e a fraude fiscais;
  • Acabar com as off-shores e tributar as grandes fortunas;
  • Regular seriamente o sistema financeiro e acelerar radicais mudanças no seu funcionamento.
 
A CGTP-IN compromete-se com o reforço da acção para a exigência de políticas mais justas e solidárias com a luta de quem trabalha, de quem está desempregado, de quem sofre com as violentas precariedades, de quem tem baixas pensões de reforma. 
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A CGTP-IN compromete-se em transformar o enorme descontentamento existente num protesto sem tréguas, pela defesa dos direitos e da dignidade de quem trabalha, pelo direito da juventude a um futuro digno. 
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Esclarecer, mobilizar e unir homens e mulheres, jovens e reformados, para aumentar a capacidade reivindicativa contra a violência das medidas que estão a ser adoptadas, é o nosso compromisso.
 
 
O futuro, o futuro próximo, exige a intensificação, a diversificação e a ampliação da luta laboral e social, por um novo rumo para Portugal.
Por isso decidimos:
  • Ampliar e intensificar o esclarecimento, o debate e as lutas nos locais de trabalho em todos os sectores de actividade e em todas as regiões do País, pela resolução dos problemas concretos e na resistência a medidas contra os trabalhadores;
  • Propor um compromisso de unidade na acção a todos os trabalhadores independentemente da sua filiação sindical ou simpatia partidária, em torno do combate essencial em defesa dos direitos, duma mais justa repartição da riqueza e da dignidade de cada um dos portugueses e, nessa medida, duma mudança de rumo nas políticas do País;
  • Apelar e promover a mobilização de todos, num empenhamento activo dinâmico e transformador da sociedade;
  • Assumir total disponibilidade e empenho não só para o prosseguimento de lutas em curso, mas também para adoptar todas as formas de luta que a Constituição consagra, decidindo do seu tempo e da sua forma em função dos actos que o Governo vá assumindo e das práticas patronais das posições e propostas que a direita avance contra os trabalhadores e o povo, do evoluir da situação política económica e social do país.
 
Com esperança, determinação e confiança vamos derrotar estas políticas!
É possível mudar de rumo com a luta de quem trabalha!
 
Lisboa, 29.05.2010
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cgtpin 26 de Maio de 2010Manifestação de 29 de Maio de 2010 - Tempo de Antena da CGTP-IN emitido pela RTP1 em 27 de Maio de 2010 Contra o Desemprego - Emprego com direitos - Melhores salários
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domingo, maio 02, 2010

“Desemprego tornou-se um negócio em Portugal” (COM VÍDEO)

Correio da Manhã
Natália Ferraz  "Os trabalhadores querem ter emprego e trabalhar""Os trabalhadores querem ter emprego e trabalhar"
02 Maio 2010 - 00h30

Entrevista


Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, diz que o desemprego se tornou um negócio para certos patrões.

Correio da Manhã/Rádio Clube – Esta semana recolheu sinais positivos ou negativos em relação à disponibilidade dos trabalhadores de lutarem contra as actuais políticas do Governo?
Carvalho da Silva – Sinais positivos. Há um aumento da participação dos trabalhadores nas lutas que desenvolvem em função de coisas concretas a partir das empresas e sectores de actividade. Há uma manifestação de indignação que aumenta.
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ND – Há mais sinais nuns casos do que em outros, não é?
- Nós vivemos num tempo em que há camadas da população que percebem a situação em que estamos e que começam a agir de forma mais colectiva e há sectores onde as coisas estão mais atrasadas nesse aspecto.
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ARF – Há muitas vozes a apelar aos sindicatos para terem sentido de responsabilidade e não andarem a marcar greves sobre greves. Como é que responde a esses apelos?
- Se há coisa que os sindicatos têm é um grande sentido de responsabilidade. Por isso é que não nos limitamos a fazer denúncia, a fazer manifestações de indignação. Avançamos com propostas. A CGTP é a organização que estruturou seguramente melhor e mais profundamente contributos no âmbito da discussão do PEC. Enviámos ao Governo uma proposta concreta antes da elaboração do PEC.
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ARF – Uma proposta seguramente alternativa?
- Claro, naturalmente por caminhos alternativos, não para continuação das políticas que nos conduziram a isto. Mas permitam-me dar até um exemplo sobre o subsídio de desemprego.
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ARF – Que agora está na agenda do dia porque o Governo quer reduzir as suas prestações.
- É o resultado das políticas e das práticas patronais que têm sido seguidas que leva ao desemprego, que empurra as pessoas para o desemprego. As pessoas não se desempregam por vontade própria. Os desempregados são vítimas desta situação. E depois vemos esta hipocrisia de colocar nos desempregados a responsabilidade de se encontrarem no desemprego. 
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ARF – Tudo em nome da redução do défice.
- Eles foram vítimas, o descalabro e o desequilíbrio que levou ao défice público não é da responsabilidade dos salários, não é da responsabilidade do subsídio de desemprego. Foram os milhões que foram deslocados do Orçamento do Estado para servir o sector financeiro e os grupos económicos. E agora lança-se sobre os desempregados, os pobres e sobre o conjunto dos trabalhadores o velho estigma, conservador e reaccionário, de que são potencialmente malandros. Isto quando a malandrice está lá em cima.
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ARF – O Governo e o PSD estão de acordo sobre essa matéria.
- Pois é. No dia em que o primeiro-ministro, de manhã, recebe o líder do PSD, ao fim da manhã o primeiro-ministro vem dizer que vão tomar uma série de medidas em relação ao subsídio de desemprego. E que vão fazer cortes. Como um facto consumado. E à tarde, em sede de concertação social, o Governo, os patrões e os sindicatos estão a fazer de conta que vão discutir as condições em que vão mudar o subsídio de desemprego. Isto não dá.
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ARF – O que é que não dá?
- Há uma coisa fundamental na sociedade quando se está numa situação de grande bloqueio. É haver clareza, transparência, rigor e responsabilização das instituições e pessoas na discussão dos problemas. Este autismo, esta inevitabilidade imposta por uma entidade superior que nos impõe isto e aquilo é demolidor.
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ARF – O primeiro-ministro diz que há muitos desempregados que recusam trabalho porque ganham mais com o subsídio. Isto é verdade?
- Essas afirmações chocam-me profundamente, essencialmente do ponto de vista ético. Para além de terem do ponto de vista económico, do ponto de vista material, dimensões que nos devem revoltar.
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ARF – Revoltar porquê?
- Nas últimas décadas o País assistiu a uma camada da grande burguesia que se instalou no poder. Grandes accionistas de grupos económicos, gestores ao seu serviço, um grupo de poucos milhares que se move em troca de favores e que entre si vão repartindo o poder e a riqueza. Com muita corrupção e compadrio. É por isso também que remuneram principescamente os gestores. Este grupo apoderou-se do fundamental da riqueza. E o povo vê que não há valorização do trabalho, do esforço, vê este exemplo que corrói a sociedade. E nós estamos numa sociedade humana. Se em cima há maus exemplos, por aí abaixo com certeza que também os há. 
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ARF – Mas esses comportamentos são maioritários?
- Não. A grande massa dos portugueses, a juventude que está sem perspectivas, os trabalhadores em geral o que querem é ter emprego e trabalhar. Não querem viver sem trabalho. Isso é usar o estigma de que os pobres e os desempregados são potencialmente malandros. Isso já foi usado no século XIX, em que os indigentes eram condenados à morte.
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ARF – Qual é a saída para essa situação?
- O País não vai sair dos bloqueios em que está se não confrontar uma certa burguesia que se instalou no poder, que troca favores entre si. Eu não estou  a dizer para se acabar com eles.
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ARF – Não é pô-los no Campo Pequeno.
- Não, não é isso. Nós estamos numa sociedade capitalista, o lucro tem o seu lugar. Agora, tudo tem de ter regras. Nós temos obrigação de fazer esse afrontamento. E no plano da governação temos de deixar de ter esta espécie de ciclo vicioso, em que a crise e as chamadas reformas são duas faces da mesma moeda. A crise em Portugal transformou-se numa instituição. Há falta de argumentos, invoca-se a crise, por culpa externa para não se olhar para os problemas internos. E porque há crise fazem reformas. Mas são falsas reformas.
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ARF – Andamos a falar de reformas há décadas.
- Andamos a falar de reformas desvirtuando em absoluto o conceito de reformas. Porque a sociedade precisa de reformas a sério. Veja o que se passou com os professores. Não é admissível que um País esteja três anos com um Governo em guerra com os professores. Esta guerra, perdoem-me a expressão, é dura, é uma coisa, do ponto de vista político e do ponto de vista da governação, estúpida. Não tem sentido.
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ARF – Foi o mesmo com a administração pública?
- Claro. A função pública e outros. 
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ND – Acha que o subsídio de desemprego, com estas alterações, vai acabar por ser inferior ao salário mínimo em certos casos? Vamos chegar aí?
- Há duas coisas ligadas ao subsídio de desemprego que são claras. O desemprego para uma parte significativa dos empresários, não é a generalidade, nós temos também gente séria, e os esquemas em torno do subsídio de desemprego, leva-me a dizer que o desemprego tornou-se, é um negócio para uma certa camada parasitária de empresários.
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ND – E não vai diminuir?
- Não vai diminuir. Andam à procura de coisinhas para a política activa de emprego e cada vez tornam o emprego mais precário. A instabilidade aumenta, mas vão aqui e ali à procura de vantagens, de não pagarem à segurança social e por aí adiante. E andam nisto. É uma mesquinhez que destrói emprego. E repare. A precariedade é o maior destruidor do emprego.
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ARF – Fazem isso para pagarem menos?
- É uma estratégia que está em marcha. Não sei se o primeiro-ministro já se apercebeu. É todo um processo que conduz à diminuição da retribuição do trabalho. Isto é inadmissível.
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ND – E esses esquemas não criam emprego?
- Não criam emprego. Repare. O secretário-geral da OIT já o disse. Não se chame saída da crise a políticas que não criam emprego. E outro dos factores que pesa negativamente na economia e no emprego é o facto de estar a haver uma diminuição da retribuição do trabalho.
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ARF – Em Portugal está a haver.
- Em Portugal e nos outros países. Em Portugal é vergonhosa. 
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ARF – Quantas pessoas em Portugal perderam emprego e já não têm subsídio?
- Não há números certos. Mas são muitas. Pode estar entre as 150 e as 200 mil. Há também os que já desistiram de procurar emprego e não entram nas estatísticas, há os que vão fazer uns meses a França ou a Espanha. E há a juventude. A precariedade é tal ordem que muitas vezes não conseguem preencher o tempo de trabalho para receberem o subsídio.
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ARF – São números assustadores?
- Se somarmos os que estão oficialmente no desemprego, mais os que estão no desemprego a fazer formação, esse número já ultrapassa os 660 mil.
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ND – Portugal está com uma taxa de desemprego de 10,5 em Março, mais duas décimas do que em Fevereiro. Vamos ficar nos dois dígitos por muito tempo?
- Não devemos ficar por muito tempo. Mas são precisas grandes mudanças no País. São precisas políticas de criação de emprego.
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ND – Como não existem os dois dígitos vieram para ficar?
- Sem políticas sim.
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ARF – Olha-se para o PEC e vê-se que com o crescimento de 1,7 em 2013 o desemprego não irá baixar, pois não?
- Quando o Governo apresenta o PEC vangloria-se de ter reduzido 73 mil postos de trabalho na administração pública entre 2005 e 2009. Isto é um desastre. É um sinal que se está a dar à sociedade que é preciso destruir emprego. Isto não tem sentido.
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ND – Estes números aparecem quando a Espanha está com mais de 20 por cento de desempregados. O que é mais grave? Os 10,5 em Portugal ou os 20,5 em Espanha?
- Uma nota prévia e um comentário. Quando nós falamos em crise o que tem que estar no centro são as pessoas. Temos de ver as condições concretas. A Espanha tem um desemprego muito elevado, mas o nível médio de vida dos espanhóis está muitos furos acima do nosso.
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ND – Mesmo para esses 20,5 % ?
- Mesmo para esses 20,5 % de desempregados. O nível de vida dos desempregados em Espanha é superior ao nível de vida médio dos portugueses. É esta a relação que temos. E impressiona-me que alguns políticos se refiram à Grécia com superioridade.
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ARF – Com superioridade?
- Sim. A Grécia está mal, nós estamos melhor. E esquecem duas coisas fundamentais. Primeiro, a pequenez de tratar mal um País, um povo que tem uma história muito longa. Segundo, é que o povo grego tem um nível de vida médio superior ao português e a distribuição de riqueza, apesar de todos os erros, é muito mais equilibrada em Portugal. Há que sermos modestos e voltarmo-nos para os nossos problemas.
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ARF – A verdade é que não há perspectiva de nenhuma mudança de políticas.
- Mas também há uma outra certeza. Que nunca há saídas pré-anunciadas. É preciso construí-las.
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ARF – Mas perante esta situação não acha que se justificava uma greve geral? Não era uma resposta importante?
- Pode ser. Para já é preciso maior participação dos trabalhadores, desde logo, na resolução dos seus problemas. Os trabalhadores têm o direito e a obrigação de manifestarem a sua indignação, mas ao mesmo tempo gerar confiança e avançar com propostas, com reivindicações. E, portanto, impõe-se aumentar a luta. Se amanhã estiverem reunidas as condições para uma greve geral, com certeza que os sindicatos avançam com ela. Mas lembrar uma coisa: é que a luta é dos trabalhadores, mas é também da sociedade. Impõe-se a mobilização da sociedade.
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ND – O PCP vai apresentar um candidato presidencial. Aceitaria ser esse candidato?
- Essa hipótese não existe e sobre esse assunto não quero falar.
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ND – Como é que vê neste momento as estratégias para as presidenciais com os candidatos que estão em cima da mesa?
- Primeiro ainda falta um, que é o do PCP. Segundo, o meu desejo é que as presidenciais constituam uma oportunidade de um debate e mobilização da sociedade portuguesa que ajude a dar uma resposta aos problemas do País.
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ND – E acredita que isso vai acontecer?
- O leque de partida e a forma como as coisas estão, enfim, tem muitas armadilhas. É preciso um grande esforço para que deste processo decorra um resultado positivo. Designadamente porque o País está numa situação difícil e geraram-se duas situações que não sei como é que se vão desarmar.
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ARF – Quais?
- É que há uma convergência total entre o Governo, a direita e o Presidente da República sobre as inevitalidades destas receitas duras para o povo português. E eu digo que isto é um desastre.
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ARF – Está tudo unido.
- Está tudo unido nessa lógica. O que o PSD veio acrescentar de novo são três coisas que apenas aprofundam o problema. É o acelerar uma revisão subversão da Constituição, a ver se encontram as condições para depois darem a porrada na legalidade, é a afirmação de que os direitos sociais devem ser entregues ao mercado. E eu digo que Portugal corre o gravíssimo risco de fragilização do Estado social e em particular da segurança social. Várias das propostas apresentadas no PEC e não só são perigosíssimos engulhos para o futuro da protecção social e da segurança social. Ai de nós se desarmamos a segurança social. 
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ARF – Porquê?
- Lembro que temos neste País 18 a 20 % de pobreza oficial porque nos últimos anos se aguentou alguma protecção e evitou-se  que se alastrasse. Porque se as medidas não fossem adoptadas o que se afirma é que o número duplicava. 
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ND – Para 40 % ?
- Para 40 a 42 % de portugueses considerados pobres. Portanto, muito cuidado com isto. E aqui é o drama. Há uma convergência total entre o Governo, o Presidente da República e os partidos de direita. O PSD vem com esta história agravar e com a outra invenção extraordinária, que é privatize-se tudo para não haver corrupção. Como se não houvesse corrupção no privado. O cenário é este para as presidenciais e há outro problema.
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ARF – Qual é?
- O Presidente da República, que vai ser candidato, está quieto. Se puder encanar a perna à rã durante estes oito meses para não criar chatices, melhor é. Ora quando o Pais está com problemas profundíssimos isto desarma o que deveria ser o conteúdo fundamental do debate das presidenciais. Definir uma estratégia para o futuro.
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ARF – Acha que Portugal tem uma estratégia?
- Não, não tem há muito tempo. E tem de ter. E há uma palavra-chave na sociedade portuguesa que é a responsabilização. Criar a responsabilização, acabar com essa ideia do facilitismo. Isso é fundamental.  



António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã, Nuno Domingues, Rádio Clube
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CGTP-IN marca manifestação nacional para 29 de maio

O secretário geral da CGTP-IN anunciou hoje a realização de uma grande manifestação nacional no dia 29 de maio em Lisboa, na sua intervenção no final das comemorações do 1º de Maio.(Ver vídeo no fim do texto)

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Lusa
19:54 Sábado, 1 de Maio de 2010 - Expresso
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Carvalho da Silva afirmou na sua intervenção hoje em Lisboa que a manifestação nacional visa "exigir novas políticas para o desemprego, a defesa do direito ao emprego e melhores condições salariais".  
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"Vamos fazer do dia 29 de maio um momento alto da luta dos trabalhadores. Da luta a favor dos trabalhadores, do progresso social e do desenvolvimento do país", disse o sindicalista perante os milhares de pessoas que participaram na manifestação do Dia do Trabalhador.  
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A manifestação anunciada por Manuel Carvalho da Silva foi ratificada pelos manifestantes, que aprovaram uma resolução em que consideram o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) "uma declaração de guerra aos direitos e ao nível de vida dos trabalhadores, dos reformados e dos pensionistas, à proteção social e às funções sociais do Estado".  
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No longo discurso que fez, Carvalho da Silva também fez duras criticas ao PEC, dizendo que ele representa apenas "uma politica cega de consolidação orçamental" que impõe mais sacrifícios aos trabalhadores mas "não garante que daqui a 4 ou 5 anos a divida seja ainda maior".  
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"O défice é resultado dos milhares de milhões de euros que foram rapinados do Orçamento do Estado para tapar buracos do setor financeiro, que aconteceram por má gestão", acusou.  
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O sindicalista considerou, no entanto, que "o país tem futuro" mas para isso "é preciso cortar nas despesas desnecessárias". Carvalho da Silva salientou a importância da contratação coletiva na distribuição da riqueza e na melhoria das condições de vida e de trabalho. 
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"Na segunda metade do século XX não houve nenhum instrumento de governação que tivesse tanto efeito na distribuição da riqueza como a contratação coletiva", disse. "Por isso vamos continuar a mobilizar os portugueses e vamos intensificar a luta", acrescentou.  
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Aos jornalistas, Carvalho da Silva disse, no final do comício, a elevada participação dos trabalhadores neste primeiro de maio mostra que "a luta dos trabalhadores está em linha ascendente". "A mobilização vai crescer e teremos uma enorme manifestação a 29 de maio", afirmou.  
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Segundo Carvalho da Silva, que disse que a CGTP cruzou os seus dados com a polícia, participaram na manifestação de Lisboa cerca de 90 mil pessoas. 
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Mas no resto do país participaram também muitos milhares de pessoas, lembrou, citando os 4.000 participantes das manifestações de Évora ou Coimbra e os 5.000 de Aveiro.



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Preservativos e panfletos para convencer trabalhadores sexuais a aderirem ao 1º de Maio

Três activistas e dois trolleys carregados de preservativos e gel lubrificante percorrem a noite no Conde Redondo, Lisboa. Saíram à rua para fazer prevenção junto de trabalhadoras/es sexuais e apelar à adesão à manifestação contra o estigma no Dia do Trabalhador.

Muitas/os já sabem do que lhes falam. Na semana passada, outros rostos informaram-lhes sobre o MayDay e a inclusão das/os trabalhadoras/es sexuais na marcha do 1º de Maio.

"Prostituição é trabalho sexual. Trabalho sexual é trabalho!" são as palavras de ordem da convocatória, que desta vez partiu de quem faz do aluguer do corpo uma ocupação.

Não há organizadores formais, nem associações promotoras. Todos serão, hoje, entre o Largo de Camões e a Alameda, trabalhadoras/es sexuais.

"Apareçam no Martim Moniz às duas e meia", pedem-lhes, enquanto distribuem caixas com uma centena de preservativos. "Vamos estar todos de guarda-chuvas vermelhos", sinalizam.

Entre os três activistas - que pediram anonimato - há duas estreantes. O terceiro é uma cara já conhecida de muitas das pessoas que aguardam nas esquinas de uma das zonas de prostituição de Lisboa.

O movimento não é muito, mas lá se vão lançando olhares de carros, frequentemente de alta cilindrada. "É a crise, dantes gastava dez a quinze preservativos, agora até cinco é difícil. Eles passam, mas só olham, são sempre os mesmos", partilha um transgénero.

A idade começa a pesar, a paciência a faltar, confessa. Hoje com 44 anos, recorda como aos 20 "tudo era uma fantasia", enquanto abre os braços em pose de diva.

Já ouviu falar da manifestação de hoje - talvez lá passe - mas entretanto teve "algum juízo" e foi tratando "da reforma". Porque "tudo tem um princípio e um fim". 

 
Uma e meia da manhã e à porta de uma "casa de hóspedes" várias mulheres esperam clientes que nem sempre vêm. "Apanho três autocarros para vir para aqui e pago 25 euros para voltar para casa de táxi. Por isso, nem sempre venho", conta uma.

Manifestação? Nem pensar. "Tenho roupa para lavar e para passar. E só de pensar que a família poderia descobrir..."


Os preservativos e os panfletos entregam-se no primeiro andar. Uma senhora de bata cor-de-rosa abre a porta, com ar de dona de casa.

"Isto está muito vazio para final do mês", diz o activista repetente. O trolley palmilha mais umas quantas ruas, em direcção à zona das imigrantes brasileiras. Dois travestis confirmam os boatos - a polícia tem avisado: não saiam à rua quando o papa estiver de visita.

"Eles pensam que se vive da paz do senhor, que se come com a paz do senhor, que se veste com a paz do senhor, que se paga a renda com a paz do senhor", ironiza um.

Provavelmente não virá trabalhar nos dias em que Bento XVI estiver em Portugal. Até porque problemas com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras já tem de sobra: faltam poucos dias até que a ordem de expulsão seja uma realidade.

Partilha dúvidas com o grupo: "E se me casasse com um português? Agora posso, não é?"

Ainda não, se calhar é melhor apostar num contrato de trabalho, aconselham.


Lusa 

Prostitutas exigem a legalização da actividade e acesso à Segurança Social


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Notícias Dinheiro  |  01/05/2010

 

Contra o trabalho precário: parada MayDay juntou-se às manifestações pelo 3º ano consecutivo


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terça-feira, julho 15, 2008

O Governo definiu a CGTP como um inimigo a abater

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Carvalho da Silva, líder de uma das centrais sindicais mais representativas do País, garante que a CGTP não se pôs à margem das negociações para a revisão do Código do Trabalho e acusa o Governo de ter decidido, ainda em 2006, excluir a central de todo o processo.

Raquel Martins

- No final da reunião da Concertação Social, a 24 de Junho, disse que o despedimento por inadaptação sempre esteve na proposta do Governo para cair. Se assim era, por que é que esta foi uma das palavras de ordem da manifestação desde Junho?

- Logo no dia em que o Governo apresentou o documento dissemos que havia três matérias sensíveis: a negociação colectiva, o tempo de trabalho e a precariedade. Havia ainda uma quarta, a inaptidão, mas que era apenas para fazer cenário de negociação.

- Então que sentido faz convocar uma manifestação onde essa era uma das palavras de ordem?

- A proposta estava no texto e havia que tomar algumas precauções. Também não disse que era definitivamente para cair. Também não sou eu que faço a propaganda e além disso há outras interpretações. Mas para mim estava claro que a figura do despedimento por inaptidão tinha sido colocado ali para cair. Por duas razões; uma era a barreira da Constituição da República e outra é que alguns sectores patronais defendiam que se podiam atingir os mesmo objectivos sem ferir a Constituição.

- A estratégia negocial da CGTP foi a adequada? Fica a ideia de que os protestos não valeram de nada e que a CGTP não conseguiu defender alguns dos interesses que considerava fundamentais. O que é que os trabalhadores ganharam?

- As questões que têm que se colocar são, por um lado, se esses interesses eram defensáveis face ao contexto em que vivemos e, por outro, quais os desafios que se colocam agora à sociedade. Há dimensões nas relações do trabalho que têm um forte conteúdo laboral e sóciolaboral, mas cujas soluções já não dependem só da intervenção nestes quadros. São questões de ordem política e da própria democracia. Por outro lado, o espaço que ficou para a CGTP foi muito pequeno.

- Por culpa de quem?

- Os estrategas do Governo assim o determinaram. Na Primavera de 2006, cruzei-me com dois amigos que me apresentaram o seguinte cenário: os estrategas do Governo acham que não é possível negociar com a CGTP, devido ao aprisionamento do PCP, e vão partir para um processo de afrontamento. Foi-me ainda transmitido que a revisão do Código do Trabalho era para atacar a estrutura do sindicalismo, que se reflecte no edifício da contratação colectiva construído há cerca de 40 anos. A ideia era atacar a CGTP...

- Estava "escrito" que o Governo iria ignorar a CGTP no processo de revisão do Código?

- Ignorar é palavra que não se usa. O Governo definiu a CGTP e os sindicatos referenciados na CGTP como inimigo a abater. Em 2006 esta estratégia já estava delineada, depois tratou-se de construir a comissão do Livro Branco com uma constituição que se adequasse ao objectivo.

- Em todo este processo o que é que trabalhadores ligados à CGTP ganharam com as lutas e manifestações?

- Praticamente tratou-se de uma imposição violenta. Não se podem contabilizar resultados nesta prática. Toda a gente fala que esta é uma revisão pontual, mas o Governo fez a maior revisão da legislação laboral porque toca em pontos-chave.

Os contratos colectivos em vigor começaram a construirse em 1968/69, através da contratação colectiva e, curiosamente, com mudanças significativas ao nível do horário de trabalho. E é precisamente isto que esta legislação pretende destruir. Os "artistas" que trabalharam a contratação colectiva — e que na minha perspectiva não são os actores políticos - não deixaram nenhuma das situações de fora.

As formulações que usam atingem a contratação colectiva, o papel dos sindicatos, a organização do tempo de

- Não terá gasto os cartuchos num processo em que sabia à partida que não iria conseguir o que pretendia...

- Nesta fase pode parecer que há poucos ganhos, mas se assumirmos que há problemas laborais cuja resolução passa pela sociedade de uma forma mais ampla, talvez não tenham sido poucos os ganhos para processos de futuro. Esta ideia de valorizar as lutas no imediato é muito pouco.

- Este Código vai agravar ainda mais as crises no mundo laboral de que fala?

- Não tenho dúvida de que vai agravar as desigualdades.

- Nem o reforço dos direitos de paternidade e o combate à precariedade merecem a sua concordância?

- As medidas pontuais e vistas isoladamente são positivas. Mas as questões estratégicas são a contratação colectiva, o tempo de trabalho e colocar os trabalhadores a trabalharem mais tempo por menos dinheiro. Os bancos de horas generalizados, sem que haja contratação colectiva, servem para não pagar trabalho extraordinário. Esta lei vai ser aplicada de acordo com esta relação de forças que já é desequilibrada.

- Não lhe faz confusão ver Bagão Félix (o pai da legislação em vigor) ao lado da CGTP em algumas críticas à revisão do Código do Trabalho?

- Ele não está ao lado da CGTP!

- Mas há críticas comuns, nomeadamente ao despedimento por inadaptação.

- Isso não é verdade! Estrategicamente o Código do Trabalho de 2003 pretendia isto tudo, nomeadamente atingir a célebre expressão de colocar o conta quilómetros a zero na negociação colectiva. Só não foram mais longe porque o PS estava na oposição e não o permitiu, assim como as outras forças de esquerda e as movimentações dos sindicatos. Agora, o PS tomou a dianteira. Perante isso não estranhem que aos olhos dos trabalhadores e do povo aconteçam duas coisas: uma é o descrédito da política e outra é considerar que estar lá o Sócrates ou a Ferreira Leite é a mesma coisa. Não tenho dúvidas que todo este processo [de revisão do Código] significa um retrocesso social e democrático do país, porque está associado a uma governação corporativa - veja-se o caso dos camionistas ou dos pescadores quepode preparar o país para o surgimento de um populismo qualquer e que pode contribuir para a convergência de espúrias. Mas há uma certeza, quem vai dar a volta a isto são os portugueses.

Vieira da Silva e elemento do Governo mais elogiado pela direita e pelo patronato

- Não perdoa ao PS ter-se desviado do que defendeu na oposição?

- É uma das maiores marcas da história do PS em Portugal e vai confirmar um desvio profundo, do qual não sei como irá recuperar.

- Um desvio da sua matriz ideológica?

- A governação incorporou práticas e dinâmicas do neoliberalismo dominante sem as assumir. Há um livro do Pierre Bordieu, o "Corta- Fogos", onde ele explica o que é este tipo de governação neoliberal: a prática de pôr a sociedade a discutir uma ideias gerais e quando se compara o que se discutiu com os conteúdos plasmados em decretolei não têm nada a ver. Isto vê-se na educação, na saúde, no trabalho.

- Temos um partido de esquerda no poder, que segue políticas neoliberais...

- Esta proposta do Código não está isolada, nem governo português criou aqui o comando do neoliberalismo. Estamos a entrar no processo, que também se sente ao nível da União Europeia (UE). Gostava que em Portugal tivéssemos um governo de esquerda. E não digo da esquerda de que eu... de que sou militante de base... falo num conceito amplo. Temos um conjunto de governantes que estão absolutamente vendidos ao modelo neoliberal.

- O ministro Vieira da Silva está vendido ao neoliberalismo? Ele é considerado o braço esquerdo do Governo...

- Mas também nunca ouviu tantos elogios de gente de direita! Neste momento ele é o elemento do Governo mais elogiado pela direita e pelo patronato. Ele e o primeiro-ministro ainda vão ter de explicar muitas coisas, nomeadamente o engajamento ao conceito de flexigurança durante a presidência portuguesa [da UE], uma coisa disparatada.

- Mas o conceito foi abandonado...

- A revisão do Código é o desenvolvimento do conceito que o ministro disse que já estava no programa do governo. E isso não se pode perdoar: o PS ganhou votos com base no que defendeu na oposição e depois vendeu a alma ao diabo.

"Trabalhadores: organizem-se, de qualquer forma, senão estão lixados"

- A possibilidade de os trabalhadores aderirem individualmente aos contratos colectivos, sem serem sindicalizados, é um ataque directo à CGTP?

- Primeiro é a adesão individual, que historicamente é considerada, até pela Organização Internacional do Trabalho, como uma das medidas mais anti-sindicais que se conhecem na história do movimento sindical. Para completar, o trabalhador faz a inscrição num contrato que tem uma cláusula que diz que ele ao inscrever-se tem que pagar quota. Está tudo dito sobre o que se quer para o sindicalismo: os patrões podem decidir o sindicato que querem na empresa ao viabilizarem essa cláusula.

- Mas as alterações ao nível da contratação colectiva não são o desmoronar de um edifício que já estava a cair?

- A contratação colectiva está em crise, não nego.

- Também por culpa dos sindicatos...

- Toda a negociação até 2003 foi feita com base no princípio do tratamento mais favorável. Daí em diante, esse princípio ficou fragilizado e hoje, como a relação de forças entre o capital e o trabalho é muito desequilibrada a favor do capital, há um tendência natural para um grande "defensismo". É isso que explica o posicionamento dos sindicatos

- Então a CGTP não podia ter feito mais?

- A acção da CGTP têm estado a contribuir para pôr a claro o que é isto da manipulação do tempo de trabalho. Há já muita gente desperta para esse cinismo de se dizer que os trabalhadores querem fazer 36 horas em três dias. Querem porque têm necessidade, para depois terem um segundo emprego.

- É apenas por necessidade? Há empresas que já têm horários flexíveis com o acordo dos trabalhadores? A Autoeuropa por exemplo.

- Mas é uma flexibilidade controlada, com os trabalhadores organizados.

- A ideia do banco de horas é que seja negociado...

- Teoricamente é para ser negociado. Agora, faço-lhe um desafio, qual é a percentagem de empresas portuguesas onde existe organização colectiva dos trabalhadores afirmada? Por isso, fazemos um apelo aos trabalhadores: organizem-se, de qualquer forma, porque senão estão lixados! Quando se fala da Autoeuropa esquece-se a outra parte: a maioria dos empresários portugueses e o Governo não permitem a organização colectiva e a sindicalização livre dos trabalhadores.

- Mas há estruturas sindicais, nomeadamente a UGT, que aceitaram o reforço dos mecanismos de flexibiIização. Eles é que estão errados?

- É de uma falsidade incrível que dirigentes sindicais, nomeadamente a UGT, venham dizer que a flexibilidade será aplicada por negociação. Mas que negociação, se não existe organização colectiva dos trabalhadores e quando o documento nos encaminha para um aprofundamento da relação individual de trabalho?

- Está a dizer que a UGT não é independente do Governo?

- Não faço comentários em relação a isso. A UGT desde a sua fundação o que é?

- Mas a CGTP também tem fortes ligações ao Partido Comunista.

- Agora diz-se que é ao PCP e ao Bloco (risos). O poder não é indiferente à CGTP. Agora se fossemos discutir se as lutas dos trabalhadores estão muito ou pouco prisioneiras da luta política geral, isso dava para outra conversa.

Patrões e sindicatos analisam o novo Código do Trabalho

Ao longo dos próximos dias, o Jornal de Negócios vai ouvir quatro dos principais actores da revisão do Código do Trabalho, que se sentaram à mesa das negociações com o Governo. Os bastidores das reuniões, as vitórias e as derrotas de cada uma das confederações vão estar em análise na primeira pessoa. A CGTP foi a única confederação que não viabilizou o documento que serviu de base à proposta de lei que já está nas mãos dos deputados. Já Francisco Van Zeller, da Confederação da Indústria Portuguesa, João Proença, da UGT, e José António Silva, da Confederação do Comércio e Serviços, deram o seu acordo à proposta inicial do ministro Vieira da Silva. Também o Turismo e a Agricultura viram as suas reivindicações aceites e ficaram ao lado do Governo.

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terça-feira, janeiro 15, 2008

CGTP - BALANÇO DA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA E A SITUAÇÃO DO PAÍS

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Ouvir o vídeo da intervenção clicando na hiperligação
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http://www.cgtp.pt/images/stories/imagens/20071228/27dez2007x.wmv

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Para a CGTP-IN, o balanço da Presidência Portuguesa da U.E. deve ser feito considerando três vertentes: (i) A definição de iniciativas, a sua concepção, direcção e formato; (ii) A leitura feita pelos meios políticos e económicos dominantes, assim como a produzida pela comunicação social; (iii) Os impactos na realidade em que os trabalhadores e a população portuguesas vivem.

1. A definição de iniciativas, sua concepção, direcção e formato surgiram como positivas, na medida em que transmitiram para o exterior a imagem de um Portugal com capacidade de iniciativa na condução de discussões importantes. Somos um pequeno e periférico país, com fracos desempenhos económicos e sociais e a Presidência Portuguesa conseguiu fazer passar, meramente no plano simbólico, uma imagem muito diferente.

2. A leitura que os meios políticos e económicos dominantes, mas sobretudo a comunicação social, fizeram das mais emblemáticas iniciativas da Presidência é, na maioria das vezes, enganosa, no sentido em que, pela sua superficialidade ou pela ausência de rigor nos conteúdos, acabou por mascarar os conteúdos objectivos dessas iniciativas.

- Foi o caso da Cimeira U.E. / África, em que os nossos parceiros africanos recusaram os termos dos Acordos que a U.E. lhes propôs, visto consubstanciarem, em relação aos mercados dos Serviços Agrícolas, a mesma receita que estes já haviam recusado no âmbito das negociações da OMC. Contudo, não foi esta a essência da leitura que passou.

- Foi assim na Cimeira do Diálogo Social, com Governos e patronato Europeus a serem “mais papistas que o Papa” na interpretação do Acordo dos Parceiros Sociais Europeus sobre Flexigurança, que em nada autoriza as conclusões tornadas públicas com pompa e circunstância no final dos trabalhos. Entretanto, a interpretação transmitida serviu para atacar os trabalhadores e o movimento sindical.

- E que dizer das iniciativas (CIG e assinatura do Tratado nos Jerónimos) em redor do Tratado de Lisboa, tentando fazer passar a ideia de que estarão resolvidos os problemas políticos internos, e de relações com terceiros, “ultrapassado que estaria o impasse que durante anos paralisou a U.E.”, quando, na realidade, a questão de fundo se situa, por um lado, na condenação crescente dos povos quanto ao caminho e políticas que vêm sendo seguidas no processo de construção europeia e, por outro, no imediato, a forma como cada Estado Membro vais proceder à ratificação do mesmo.

Esta questão é tanto mais importante quanto se sabe haver uma clara tendência para afastar os povos do debate e da decisão, num quadro em que estão em jogo questões tão importantes como a transferência de fatias significativas de soberania de cada Estado e uma nova forma de realizar a gestão política futura da U.E.

O Tratado é particularmente importante para os trabalhadores visto que configura uma fragilização da vertente social ao retirar a Carta dos Direitos Sociais do texto do Tratado, remetendo-a para um Anexo, o que representa uma inquestionável desvalorização política, ou ainda, quando despromove o diálogo social, deslocando o seu articulado do Artigo 5.º para o Artigo 136.º, gesto que na hierarquia dos temas não é irrelevante. Tal facto é sumamente preocupante na medida em que, particularmente em Portugal, se assiste a um forte ataque à contratação colectiva e, como se sabe, não há diálogo social com conteúdo sem a efectivação da negociação e contratação colectivas.

Por tudo isto, a CGTP-IN reafirma que, em Portugal, deve ser promovido um amplo e profundo debate público sobre o impacto das políticas resultantes da dinâmica da implantação do Tratado, a culminar com a realização de um Referendo.

A CGTP-IN quer uma Europa social e solidária com Estados sociais fortes que garantam uma efectiva protecção social, serviços públicos de qualidade, mercados de trabalho regulados por normas de trabalho, de negociação colectiva como fonte de direito com sentido de progresso e respeitadora dos direitos adquiridos e com diálogo social assente numa base séria e no respeito pelo papel e intervenção dos sindicatos, em contraposição a políticas desenvolvidas e reafirmadas no Tratado.

Para a CGTP-IN é necessária uma nova estratégia para a U.E., assente em políticas económicas e sociais que promovam o desenvolvimento sustentável e as várias componentes do modelo social europeu. É necessário dar resposta séria e consistente aos graves problemas que afectam os trabalhadores e a população portuguesa, no sentido de garantir o desenvolvimento do país, assente no crescimento económico, na valorização do trabalho com direitos e empregos de qualidade e no combate efectivo à precariedade laboral.



A SITUAÇÃO DO PAÍS E AS CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO DOS PORTUGUESES PIORARAM EM 2007



3. A presidência portuguesa da U.E. não pode assim ser dissociada do conteúdo das políticas económicas e sociais do Governo ao longo do ano, que não alteraram para melhorar a realidade que os trabalhadores e a população vivem.

Para sermos rigorosos, devemos mesmo acrescentar que a situação está pior no final dos seis meses da Presidência. É o que se passa com o reconhecido fraco crescimento económico e com o desemprego que se mantém num nível inaceitavelmente elevado. É assim no que ao poder aquisitivo diz respeito, com o Eurostat a vir a público, mais uma vez, dizer que estamos a perder poder de compra. É assim com os salários – excepção à valorização do SMN – onde continuamos na cauda da União, situação que se irá agravar, designadamente, se for imposta a proposta do Governo de um aumento de 2,1% na Administração Pública, quando já é claro que a inflação para 2008 vai ser superior. É assim com os índices de pobreza, que se vêm agravando. É assim com a saúde, com a educação / formação, podendo continuar-se a enumerar, quase até à exaustão, nas diversas políticas sociais, aspectos negativos de uma realidade económica, social e política dura para a maioria dos portugueses.

O Governo, durante 2007, teimou erradamente na ideia de que os sérios problemas do país têm a sua raiz num défice orçamental considerado elevado, quando as grandes questões, que continuam por resolver são, fundamentalmente:

a) a vulnerabilidade do Estado, e a submissão do Governo aos interesses do poder económicos e do sector financeiro e especulativo;

b) o baixo crescimento económico e a tendência para o agravamento do desemprego;

c) o baixo nível de vida de uma parte substancial da população e o grau elevado das desigualdades sociais;

d) a baixa produtividade da maioria das empresas e dos sectores de actividade, apesar do aumento do esforço dos trabalhadores;

e) a desregulamentação do mercado de trabalho, em resultado da precariedade e do não cumprimento das leis;

f) a falta de respostas adequadas no domínio da educação, incluindo o abandono escolar precoce;

g) o enfraquecimento das políticas sociais, do papel do Estado e da Administração Pública;

h) o sentimento de insegurança que progressivamente se instala e a falta de confiança na Justiça.

Face a estes problemas, as respostas ou não existiram ou foram incipientes.

Na sua mensagem de Natal, o Primeiro-Ministro manifestou preocupações com o desemprego (reconhecendo que ele não tem baixado) e com as escassas qualificações dos trabalhadores, preocupações essas que partilhamos. Mas, apresentar um balanço de 2007 em pano de fundo cor-de-rosa é, no mínimo, surpreendente. A situação económica internacional com a crise do mercado imobiliário (que se traduziu já na revisão em baixa do crescimento económico da UE) e a patente vulnerabilidade das famílias e das empresas (com um nível de endividamento que é dos mais elevados na zona do euro), são preocupantes. Uma parte considerável das famílias sofre na pele as consequências da elevação das taxas de juros e as condições de acesso ao crédito tornaram-se mais restritivas.

Projectando o futuro, o Primeiro-Ministro prioriza, uma vez mais, a redução do défice orçamental, o que espelha uma visão economicista da sociedade e uma ruptura com objectivos estratégicos dos próprios governos do PS, que ainda há poucos anos consideravam que as pessoas estavam primeiro. O Primeiro Ministro deveria dizer que essa redução do défice foi obtida à custa da redução do investimento (com consequências nos recursos atribuídos ao chamado “capital humano” – educação, formação, emprego e sociedade da informação e do conhecimento – bem como do capital físico), da diminuição dos salários reais na Administração Pública e do corte de despesas sociais.

O Primeiro Ministro dá ênfase às realizações relativas às políticas sociais, quando estas, no seu conteúdo concreto, têm sido secundarizadas pelos objectivos orçamentais. Afirmar que existe uma segurança social pública mais forte quando a reforma da segurança social irá reduzir o nível das pensões por via da introdução do factor da sustentabilidade (que diminui o valor das pensões em função do aumento da esperança de vida), é colocar os portugueses num logro de análise que se pagará caro no futuro.

Na legislação de trabalho, as políticas seguidas vão no sentido da liberalização, camuflando-se esses objectivos com encenações de leituras de trabalhos armadilhados, como é o caso do Livro Branco das Relações Laborais, ou com a discussão de conceitos manipulados, como é o caso da invocação da flexigurança. As posições sobre o Código de Trabalho, em que há o risco de o Governo enterrar as propostas do PS quando estava na oposição ao PSD-CDS/PP, não são tranquilizadoras.

O ano de 2007 irá encerrar-se, como vimos, com um panorama sombrio no quadro de ameaças de agravamento dos problemas decorrentes da crise bancária que, a concretizar-se, poderão atingir duramente o país, dado o grau de endividamento das famílias e das empresas. Por outro lado, há reais perigos de agudização dos problemas económicos e as práticas de governação vão dando crescentes sinais de prepotência e de manipulação na apresentação dos resultados das suas políticas.

Para a CGTP-IN é necessário um novo rumo e a implementação de mudanças reais de políticas, na premissa que a negociação colectiva, a participação e o diálogo social, constituem instrumentos essenciais para responder aos problemas-chave do mundo do trabalho e da sociedade portuguesa.
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Lisboa, 27 de Dezembro de 2007
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segunda-feira, maio 28, 2007


30 de Maio - Greve Geral


* António Ribeiro Ferreira


Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP Intersindical, confia no êxito da greve geral de quarta-feira e espera que sirva para sacudir a sociedade e contrariar a fortíssima ofensiva neoliberal em curso. Polémico, diz que não há liberdade sindical em Portugal e que, em muitos casos, ser sindicalizado é hoje em dia um acto heróico.


Correio da Manhã – Votou contra a greve geral de quarta-feira?


Carvalho da Silva – Não houve votos contra a greve geral.


- Foi uma decisão unânime da Comissão Executiva?


- Não houve votos contra. Todos estavam de acordo que era necessário elevar o patamar de luta, todos estavam de acordo que essa nova forma de luta implicava greve nos sectores privado e público e todos estavam de acordo que tinha de ser feita até final de Maio. O que aconteceu é que um grupo de dirigentes contrapôs à formulação greve geral uma outra, a de luta convergente. Mas não houve votos contra.

- Só divergiram no nome?
- Sim, só na designação da jornada de luta.


- Em qual delas votou?
- Não me pronunciei sobre isso. E como acontece sempre em situações mais delicadas, optámos por fazer uma consulta a toda a estrutura, durante duas semanas e meia, e a opção generalizada foi a da greve geral.


- Porque é que não tentou a adesão da UGT à greve geral?
- É uma questão que não se coloca a partir do momento em que sabemos perfeitamente que a análise geral e estratégica da sociedade e também do ponto de vista das opções de acção imediata não são coincidentes. Não adiantava desencadear um processo que apenas ia provocar controvérsias e divisões no movimento sindical.


- João Proença disse ao CM que a CGTP usou a greve geral para dividir e enfraquecer a UGT.
- Não, isso é imaginação. Se a análise que a UGT faz da situação é profundamente diferente da nossa e se a sua disponibilidade de acção está longe de ser a nossa não havia necessidade de estar a criar atritos no seio do movimento sindical.


- Há sindicatos da UGT que vão fazer greve geral?
- Há alguns e também muitos sindicatos independentes.


- No sector de transportes?
- A questão de fundo é esta: o pré-aviso de greve feito pela CGTP e pelos sindicatos que aderiram ou manifestaram convergência com esta luta cobre todos os trabalhadores portugueses. Isto é, qualquer trabalhador português, de qualquer profissão, de qualquer actividade, está abrangido pelo pré-aviso de greve. E isso é o que nos interessava.


- A única greve geral que teve impacto em Portugal foi a de 1988, que juntou as duas centrais. Não acha arriscado avançar sozinho?
- Devo dizer-lhe que a greve de 1982 não teve menos adesão do que a de 1988 e a de Dezembro de 2002 teve um enormíssimo impacto. A nossa opinião sobre isso é muita clara: nós não somos todo o movimento sindical, temos noção disso. Seria uma tonteria se nos afirmássemos como tal. Mas somos a essência, o motor do movimento sindical.


- E porquê esta greve geral, agora?
- O que pretendemos com esta greve é dizer basta a um conjunto de políticas que nos parecem erradas, dar sinais fortes à sociedade e sacudir a actual situação. O País está mal, não é só de agora, embora a responsabilidade não seja só deste Governo.


- Mas há reformas importantes em curso, como a do Estado. Não concorda que são necessárias?
- Há políticas em curso, umas a que se chamam reformas quando não são reformas nenhumas. O Governo só tem feito disparates na administração pública. Sob pressão dos grupos económicos e financeiros e dos que querem ir para o poder a seguir. O Governo cedeu. E neste momento não sei se haverá possibilidade de recuo. Está uma espiral de tal ordem que se corre o risco de dar cabo da administração pública.


- Na sua opinião este é um dos piores períodos para os trabalhadores?
- Não se podem fazer comparações simplistas com outros períodos. O que se passa hoje é que está em curso uma ofensiva neoliberal fortíssima, uma ofensiva que desequilibra as relações entre o económico e o social em desfavor dos trabalhadores. Não nasceu com este Governo e precisa de ser contrariada.


- Esta greve é, afinal, contra quem? Empresários, Governo?
- De uma forma resumida e sobre os objectivos da greve geral dir-lhe-ei o seguinte: temos um patronato, um poder económico e financeiro, que tem grandes responsabilidades na situação do País. Que vive à sombra do Estado, sempre a criticar o Estado e sempre a sacar ao Estado, com uma baixa formação média e com uma lógica mercantilista, de investir agora para ganhar ontem. Claro que há excepções. Também temos bons empresários.


- É esse patronato, com essa cultura, que é preciso combater?
- Exactamente. Há um núcleo duro do poder económico e financeiro que domina de forma violenta toda a estrutura da economia e que faz uma concentração de capital, mais visível nos últimos anos, absolutamente atrofiadora da economia.


- Esse núcleo duro põe em causa a concorrência e o mercado?
- Nós queremos que as empresas dêem lucro. É um disparate dizer-se que os sindicatos são contra os lucros das empresas. Agora há desequilíbrios que não aceitamos e que reflectem essa situação dramática que vive a estrutura económica portuguesa. Nós queremos, por exemplo, que a banca dê lucros. O que não podemos aceitar é que os trabalhadores tenham em 2006, em média, uma quebra de um por cento do seu salário e o sector financeiro tenha um aumento de 37 por cento nos lucros.


- Esses lucros não resultam apenas de cortes salariais.
- São retirados dos salários e de muitas pequenas e médias empresas. De mil atrofiamentos.


- Não acha que há falta de concorrência em Portugal? Por isso que disse e muitas coisas mais?
- É tudo atrofiador da estrutura económica. Mas está associado a políticas concretas. Vemos uma destruição absolutamente leviana, criminosa do aparelho produtivo nacional ao longo dos anos na base de teorias vendidas pelos próprios governantes sobre o futuro e a modernidade. Veja que Portugal, por exemplo, é o País da Europa com mais metros quadrados de grandes superfícies por habitante, numa dimensão disparatada. Veja o caso da especulação imobiliária nestes trinta anos, que provocou o fecho de tantas empresas, e que teve a mão dos elementos dominantes da estrutura económica...


- ...e política, já agora.
- ...e política porque o círculo é o mesmo...


- ...e não é apenas deste Governo do PS, como referiu.
- Claro. Há um ex-ministro, do chamado centro, que diz que neste País não há dois partidos de poder. Há um grupo de poder. E ele sabe, porque andou por lá. Se pusermos uns três mil nomes em cima da mesa encontramos aí o tal grupo de poder. Chegámos a esta situação fruto disto. Há também um conhecido banqueiro que costuma dizer que nos últimos vinte anos se fizeram algumas centenas de fortunas só com a construção, obras públicas e rotundas. E depois acrescenta: quando eu digo fortunas quero dizer acumulações por indivíduo de mais de cem milhões de contos. Repare que são contos.


- Aí está o cerne da questão?
- É por isso que nós estamos como estamos. Há uma enorme leviandade na forma como se olha o sector produtivo. Veja o caso da Delphi ...


- O despedimento de 500 trabalhadores...
- É mais grave do que isso.


- É fechar a fábrica?
- Infelizmente. Nós sabemos qual é a estratégia da Delphi para a Europa. Agora temos 500 despedimentos. Em Espanha são 1600. Houve uma greve, com grande apoio da população, e uma grande mobilização dos poderes políticos regionais e nacionais. Foram alertar Bruxelas, fizeram pressão. E vão pôr a empresa em tribunal. O próprio Zapatero recebeu os trabalhadores.


- E em Portugal nada.
- Os trabalhadores protestam mas vem o presidente da Câmara encanar a perna à rã e dar uma no cravo e outra na ferradura, o governador civil nem liga a isso – nem calçam os sapatos para passar a fronteira quanto mais irem a Bruxelas -, o ministro da Economia diz disparates absolutos sobre a matéria e o primeiro-ministro é inatingível para os trabalhadores da Delphi e para os outros. Quando é que o primeiro-ministro em Portugal recebe uma comissão de trabalhadores e os sindicatos e assume uma acção judicial contra uma multinacional que tenha feito vigarices e levá-la até às últimas consequências? Nunca. Não há uma reacção do Governo nem da sociedade.


- Como é que explica essa atitude de indiferença? Dos políticos e dos cidadãos?
- Há muitas razões.


- Resignam-se? Acham inevitável?
- É um problema com várias vertentes. É um problema político profundo. É o resultado de uma sucessão de compromissos que não se cumprem, de uma permissividade face às leis, prometer umas coisas e fazer outras e de um grande distanciamento em relação ao trabalho. A sociedade portuguesa valoriza pouco o trabalho. Falar de trabalho para muita gente é uma coisa suja...


- ...suja as mãos?
- Exactamente. Suja as mãos. Então se são sindicalistas, aqueles malandros! Foram cargas sucessivas que vão destruindo a sociedade. E com esta greve geral também queremos dizer que é preciso sacudir esta situação. É o que nós ouvimos de pessoas de diversos quadrantes políticos: não desistam, sacudam isto.


- O País está anestesiado? Está a viver uma situação pantanosa?
- Estamos numa situação pantanosa. Mas só há uma forma de sair dela. É as pessoas sacudirem isto. Não há soluções se estivermos à espera de um D. Sebastião, de um Governo muito capaz, seja este ou seja aquele. É mentira. Só há soluções se as pessoas se mobilizarem, quando os portugueses se mobilizarem mais. Essa é a questão de fundo.


- Mas estão desmotivadas e pessimistas.
- Pois estão. Não foi impunemente que vivemos 48 anos de fascismo. As pessoas também estavam desmotivadas e pessimistas.


- Agora há liberdade e as pessoas estão na mesma.
- Mas a liberdade tem de ser vivida. A democracia tem de ser vivida.


- Neste estado de coisas acha que a greve geral vai ser um êxito? Atingir o sector público e privado?
- Já fizemos 6 643 plenários e reuniões. Este esforço de passar a mensagem está a ser feito. E produz os seus efeitos. Temos 25 mil activistas sindicais a trabalhar.


- Porque é que, em sua opinião, o Governo criou uma base dados para contabilizar os grevistas?
- Este Governo é obcecado pela governação dos números.


- Só pelos números?
- São duas coisas. Primeiro é esta obsessão pelos números. Repare que há um ministro que costuma dizer que os factos, isto é, os números estão certos, a compreensão das pessoas é que está errada. Isto diz tudo. O que é mais grave, neste caso da greve, é que atrás de um número há uma pessoa. O Governo vai tentar identificar as pessoas que fazem greve, o que é manifestamente ilegal.


- Este Governo não liga às pessoas?
- As pessoas não contam. O Governo vem dando sinais crescentes de estar de saída. De saída da governação dos problemas do País, da governação dos problemas dos portugueses. Da realidade. E a realidade é feita por pessoas. E é um drama se tivermos uma governação prolongada de saída dos problemas das pessoas.


- É isso que se está a passar na Saúde?
- O que está em marcha, e que já vinha em desenvolvimento, é a destruição do Serviço Nacional de Saúde gratuito. E passar a Saúde para o sector privado, uma coisa que já está definida há muito tempo. A Saúde é, a seguir ao armamento, o mais importante para o sector financeiro. O que se passa na Saúde, só por si, devia mobilizar os portugueses.


- E o desemprego? Os números são os mais altos dos últimos vinte anos.
- Nós não somos e não queremos ser definitivamente os arautos da desgraça. Agora o facto é que o agravamento das precaridades no trabalho provoca mais desemprego.


- A precaridade é grande?
- Está a crescer aceleradamente. Neste momento 21,5 por cento dos trabalhadores são precários. Exactamente o contrário do que se passa na Europa, em que se trava um grande combate contra a precaridade.


- O que é que vai mudar no dia seguinte à greve geral?
- Penso que os portugueses vão tomar consciência de que é preciso mudar de rumo. De forma crescente. Repare que não temos nenhuma palavra de ordem a exigir a demissão do Governo. A questão é a mudança de rumo nas questões fundamentais.


- A AutoEuropa é um caso exemplar nas relações de trabalho. Não podia servir de modelo às empresas portuguesas?
- Grande parte dos empresários combate a organização dos trabalhadores nas empresas. A maior parte considera os sindicatos inimigos. É uma questão que tem tradição em Portugal, em que os grupos económicos eram contra os sindicatos no tempo do fascismo. É uma questão de cultura. O contrário do que se passou em Espanha no tempo do franquismo.


- Actualmente também são?
- Repare que quando se fala no exemplo da AutoEuropa é preciso falar na liberdade de organização dos trabalhadores. E a realidade é que em Portugal não há liberdade sindical. Ser sindicalizado, em muitos casos, é um acto heróico.


- É uma acusação grave numa democracia com 34 anos.
- Pois é. Mas é a realidade. Não vemos agora o Governo a pressionar os trabalhadores nesta greve geral?


- Na Opel da Azambuja havia organização e acabou mal.
- A Opel tinha uma cultura de negociação mais sólida do que a própria AutoEuropa.


- O secretário-geral da UGT disse que o comportamento da Comissão de Trabalhadores foi inaceitável.
- Ele não percebe nada disso. É uma asneira absoluta. Há poucos anos um administrador da Opel veio despedir-se de mim e disse-me que havia sinais preocupantes sobre o futuro da fábrica. E percebi que o último vinha com uma missão precisa. Os trabalhadores acabaram por aceitar todas as imposições da Opel. E não foi por causa de salários, porque em Espanha gastam mais em ordenados. Dizer isso é não perceber nada de sindicalismo.


- O País está em crise. Os sindicatos, e a CGTP em particular, também a sentem?
- Os sindicatos são movimentos sociais. E por isso são das estruturas que mais sofrem e que mais sentem os problemas, as limitações, as mudanças de toda a ordem. Se as sociedades estão em crise, os sindicatos sentem-na bem.


- A CGTP recebe subsídios do Estado?
- A CGTP não recebe subsídios de coisa nenhuma. Nem muito, nem pouco. Zero.


- Nem da formação?
- Nada. É um disparate. A CGTP tem um centro protocolar de formação profissional, que é considerado um dos melhores em Portugal, e uma escola técnico-profissional. Aliás, deve-se a entidades privadas, como a CGTP, o facto de não ter desaparecido esse ensino de Portugal. É uma vergonha dizer-se que a CGTP recebe subsídios.


- A CGTP está muito dependente da estratégia política do PCP?
- Toda a gente sabe da influência dos comunistas no movimento sindical. E têm-na por uma opção programática e estratégica. E isso é uma mais-valia para o movimento sindical. Que um partido se empenhe nas causas dos trabalhadores. É pena é que outros partidos e forças sociais não dêem a mesma atenção aos problemas do trabalho e dos trabalhadores.


- Vai sair em 2008 de secretário-geral da CGTP?
- Não sei qual vai ser o futuro. O que tenho dito é que estou aqui há muitos anos e que não sou um sindicalista de carreira.


- E agora tem outra formação.
- Não é por isso. Não diminui a minha actividade por isso. Sai-me do pêlo. E muitos dos que criticam os sindicalistas nem fazem ideia do que custa, do trabalho que dá. Agora, os dados são concretos, a vida vai andando e o resto vai definir-se em função da equipa e da minha avaliação pessoal.


- Não quer ir para a política?
- Não. Neste momento o que vou ou não vou fazer quando sair daqui – e não sei quando saio, depende de mim e dos outros – é uma interrogação. Posso ser útil em várias áreas e tenho formação para trabalhar em diversos sectores.


SENHOR DOUTOR COM MUITAS INTERROGAÇÕES


A sede da CGTP, na Rua Victor Cordon, propriedade da central, tem uma vista privilegiada para a Praça do Município e, claro, para o rio Tejo. Carvalho da Silva é um caso no sindicalismo e na vida. Não só dirige a intersindical há mais de vinte anos como conseguiu licenciar-se em Sociologia no ISCTE. Há sete anos. Agora prepara-se para defender a tese de doutoramente, provavelmente em Julho. É por isso que olha para o futuro com segurança, mas também com muitas interrogações.

Não sabe se fica ou não mais um mandato como secretário-geral. Depende dele e, claro, do colectivo. Quando o jornalista insiste na pergunta, Carvalho da Silva responde, lentamente, enquanto desenha numa folha um enorme ponto de interrogação. É esta a resposta. Mas tem uma certeza: com 58 anos pode fazer o que quiser da sua vida.


PERFIL


Manuel Carvalho da Silva nasceu em Viatodos, freguesia do concelho de Barcelos, no dia 2 de Novembro de 1948. Casado, com três filhos, frequentou a Escola Industrial Carlos Amarante, em Braga, e fez o curso de montador electricista. Operário, foi para a guerra colonial para Cabinda, Angola, entre 1970 e 1972 e um ano depois entrou na Electromecânica Portuguesa Preh, na Trofa.


Militante comunista, foi eleito coordenador da CGTP em 1986, primeiro, e secretário-geral a partir do congresso realizado em Dezembro de 1999. Em Julho de 2000 licenciou-se em Sociologia no ISCTE, com a nota de 16 valores, e prepara -se para acabar o doutoramento no mesmo instituto neste Verão.


in Correio da Manhã 2007.05.27