A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Egito: Uma revolução popular por uma junta militar?

Mundo

Vermelho - 22 de Fevereiro de 2011 - 10h47
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Além da expulsão do tirano Hosny Mubarak do poder, absolutamente nada mais foi decidido no Egito. A única certeza é que a primeira rodada da revolução popular terminou. Mas não existe nenhuma certeza de que não existirão outras rodadas também de queda-de-braço do regime militar com os manifestantes da Praça Tahrir (Liberdade).


Por Anwar Kalil, na Africa News Agency

Se, contudo, a situação evoluir conforme demonstra neste momento, então, o lucro da revolução - a derrubada de Mubarak - deverá se comprovar, totalmente, não correspondente para com a magnitude do caráter popular da revolução.

Vista de forma rigorosamente fria, a situação é a seguinte: até o presente momento o resultado da insurreição foi livrar o povo egípcio do regime de Mubarak e empurrar-lhe - goela abaixo - uma junta militar, composta de pretorianos do regime de Mubarak, felizmente, sem ele.

O exército egípcio era detentor do poder antes, e o exército egípcio continua sendo detentor, também, agora, aliás, com sua feição mais crua, sem parlamento e sem Constituição.

Supõe-se que o mesmo regime que estrangulou a democracia no Egito durante, pelo menos, 40 anos, o mesmo regime conduzirá o país à redemocratização! O esquema é visivelmente estúpido, mas, curiosamente, é também diabólico. É também absolutamente seguro que a percepção sobre democracia dos generais do regime ditatorial e atuais componentes da junta é totalmente diferente daquela do povo rebelde.

Se, então, a junta militar for deixada totalmente livre e desimpedida para definir esta feição e conteúdo da nova democracia egípcia, aquilo que surgirá não terá nenhuma relação com aquilo com que sonharam os heróicos insurgentes da Praça Tahrir e o sacrifício de centenas de mortos terá sido em vão.

Ligado a EUA e Israel

Sequer para salvar as aparências, a junta militar não julgou necessário compor uma governo de unidade nacional constituído de civis, representantes primeiramente dos insurgentes, algumas personalidades e forças da existentes oposição. É absurdo, mas, neste momento, o Egito está sendo governado pelo governo que deixou Mubarak antes de ser derrubado, e agora com poderes ditatoriais.

O ditador do país hoje, marechal-de-campo Mohammed Houssein Tandawi, que desempenhou por 20 longos anos o cargo de ministro da Defesa do regime de Mubarak e antes havia sido chefe dos pretorianos da guarda presidencial, de 1988 até 1991. Trata-se de um elemento de absoluta confiança dos EUA e do Estado de Israel.

A vida se encarregará de mostrar se o exército egípcio buscará eternizar seu poder por intermédio de legalização de partido ou de partidos que manterá sob seu controle. A vida, igualmente, mostrará se o povo do Egito aceitará uma tal evolução rumo às eleições sob o controle absoluto do exército ou se exigirá um governo civil de unidade nacional, a fim de garantir uma mais essencial e mais profunda redemocratização.

O rigorosamente seguro é que as até o presente momento evoluções não criam nenhum risco para a continuação da política externa de submissão do Egito aos EUA e ao Estado de Israel, porque desde que o poder continuar completamente nas mãos do regime militar, nada muda e, nada mudará no Egito.

Medidas superficiais

Obviamente, ninguém poderá saber hoje como evoluirá a marcha da redemocratização do Egito, a qual definirá também a possibilidade de existir, teoricamente, uma coalizão governamental que se harmonizará com a vontade do povo egípcio e que desdenhará o ignominioso acordo de paz do Egito com o Estado de Israel. A ver.

Há também um enigma: como se manifestarão os insurgentes? Fator desconhecido e desestabilizador para cada planejamento relativo às evoluções políticas egípcias é finalmente o como se manifestarão política e eleitoralmente os milhões de egípcios que se rebelaram.

O caráter social da insurgência e a total impossibilidade de revelação de algum vetor de liderança política deixaram sem resposta a seguinte pergunta: poderá alguém ou alguns expressarem politicamente as disposições e as expectativas dos irados egípcios?

Se sim, então no Egito e em todo o Mundo Árabe haverá um terremoto político. Se não, então, essencialmente, nada mudará, além de algumas medidas superficiais de redemocratização, indiferentes para o resto do mundo.

Fonte: Monitor Mercantil

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terça-feira, outubro 19, 2010

Alemanha de chicote em punho

Mundo

Vermelho - 18 de Outubro de 2010 - 21h14

Fortes preocupações quanto ao futuro da Europa provocam as propostas-pesadelos para os novos cânones da disciplina fiscal alavancadas pelo governo de Berlim e destinadas aos demais países-membros da União Européia (UE) usando como "laranja" a Comissão Européia (CE), órgão executivo da UE.

Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil

"As mudanças darão garras ao mecanismo de imposição e restringirão a facilidade de discriminação na aplicação de sanções" diz, literalmente, a horripilante mentalidade com que foi redigido o comunicado da CE, quando o comissário de Questões Econômicas e Monetárias da UE, Olli Rehn, apresentou o programa.

"As sanções serão a consequência fisiológica para os países-membros que não cumprem suas obrigações", sentencia, concluindo ameaçadoramente, o comunicado da CE. "Automatização" das sanções contra os países-membros da UE, sem a necessidade de se tomar qualquer decisão política, é a nova linha alavancada pela Alemanha.

Decidirão os "especialistas", não mais os políticos, decreta o governo de Berlim e adota a subserviente CE, pela boca de Olli Rehn. Aliás, a UE prepara-se agora para punir não os países-membros devedores e ou que têm déficits, mas, também, os países-membros que não são competitivos!

A tomada de decisão política - e até com crescente maioria - era premissa necessária até agora para serem aplicadas sanções contra um país que havia superado o nível permitido de déficit: Os ministros das Finanças da Zona do Euro deveriam decidir com "fortalecida" maioria a aplicação das sanções.

"Não", diz a Alemanha e Olli Rehn. De agora em diante as sanções serão aplicadas pelos "especialistas" da CE - sozinhos - sem perguntar a ninguém. E se alguém discordar das sanções aplicadas pelos "especialistas", deverá então levar a questão ao plenário dos ministros das Finanças e tentar conseguir maioria contra a aplicação das sanções.

"Corpo de sábios"

Frau Merkel ameaça todos os governos dos países-membros da UE que se não aceitarem as condições de Berlim, então a Alemanha deixará de pagar a importância que, teoricamente, representa a parcela alemã de participação no "fundo da salvação" de países da Zona do Euro que estejam enfrentando dificuldades fiscais.

"Simples prorrogação de prazo de vigência do fundo (refere-se aos 750 bilhões de euros para todos os países integrantes da Zona do Euro) como vigora agora não existirá mais com a Alemanha no meio", vociferou, seca e categoricamente, semana passada em Berlim, a primeira-ministra Angela Merkel.

A França resiste. Recusa qualquer processo visando deixar os políticos fora de uma tão crítica decisão como é a aplicação, ou não, de sanções contra uma país por "especialistas" indiferentes para os motivos que o levaram a registrar crescentes déficits ou dívidas e indiferentes também para as consequências que as sanções aplicadas terão sobre a população do país punido.

Italianos e espanhóis "cerram fileiras" com os franceses. "A França rejeita as propostas da Comissão Européia" foi a manchete do mais importante jornal alemão, o Frankfurter Algemeine Zeitung.

Aliou-se à Alemanha, também, Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Postou-se ele também a favor de um "corpo de sábios, homens e mulheres, em nível europeu" que "garantirá um controle fiscal independente", caracterizando como "moderadas" as avaliações formuladas até agora pela CE.

"A expressão de maior confiança em alguns, supostamente, especialistas independentes, de que aos funcionários da UE chega a ser minimamente convincente" escreveu, irado, o jornal espanhol El País.

Violação da democracia no que diz respeito a forma de funcionamento da UE constituem todos estas propostas-pesadelos de mudanças que a Alemanha alavanca usando como "laranja" a CE. Até hoje para temas muito mais sérios eram realizadas amplas discussões e os temas eram regulamentados através de prolongados processos de constituição das condições.

Longo e doloroso o caminho, mas, através dos acordos garantia o mínimo equilíbrio de interesses dos países-membros da UE. Agora tudo isso acabou. Para tudo quem decide é o... Quarto Reich!

A "germanização" da Europa é o objetivo desta política do governo de Berlim. Agora que a Alemanha predomina através da UE econômica e politicamente em todo o Velho Continente, não quer perder mais tempo com discussões.


Fonte: Monitor Mercantil

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"Milagre da Irlanda": déficit de 32%

Mundo

Vermelho - 18 de Outubro de 2010 - 21h11

Não acreditavam naquilo que estavam ouvindo. Não acreditavam naquilo que estavam lendo. O ministro das Finanças da Irlanda, Brian Lenihan, anunciou algo incompreensível: O déficit do orçamento do país para este ano atingirá 32% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por Laura Britt, no Monitor Mercantil

Atenção, ele estava se referindo ao déficit, não à dívida pública. É aquilo que está definido no Acordo de Estabilidade e Desenvolvimento da União Européia (UE) em até 3% do PIB.

O governo irlandês de direita de Brian Kowen, vendo que os irlandeses têm baixado a cabeça e não reagem contra as medidas do verdadeiro pesadelo de frugalidade, com objetivo de "tirar o pé da lama" dos bancos que jogaram famigerados jogos especulativos, decidiu destinar ainda algumas dezenas de bilhões de euros para favorecer o setor bancário.

Assim, o déficit do orçamento da Irlanda, que já se encontrava em 14,1% do PIB, o pior da UE durante ano passado, ao invés de 11% que calculava-se para este ano, explodirá à inacreditável e inédita alta de 32%. Mais de dez vezes superior ao limite definido em Maastricht.

Obviamente, o fato refere-se à Irlanda, um país que, apenas em 2007, registrava superávit e não déficit em seu orçamento. Um país, cuja dívida pública em 2007 atingia apenas 25% do PIB. Contudo, a decisão do governo de obrigar os contribuintes a pagarem os prejuízos dos bancos privados levou a Irlanda à derrocada econômica total.

A dívida pública, a qual, em antítese com o déficit, é um volume que dificilmente aumenta e diminui e, particularmente, sua redução exige frequentemente décadas inteiras, galopa na Irlanda com ritmos loucos: de 25%, em 2007, aumentou para 43,9%, em 2008, e ano passado - sempre por causa dos bancos - explodiu em 64%.

Neste ano, a decisão do governo irlandês, destinando algumas dezenas de bilhões de euros a mais aos banqueiros, fez decolar a dívida pública a 99% do PIB, segundo afirmação do próprio ministro da Finanças.

Tigre sem dentes

Não é necessária filosofia para alguém perceber que 99% é um golpe de propaganda - isto é, a dívida da Irlanda na realidade superará o nível de 100% do PIB neste ano e, simplesmente, os burocratas do governo anunciam inicialmente número que não é de três dígitos, por motivos psicológicos e de política de comunicação. Aliás, o mesmo golpe baixo está desferindo o governo belga à população do país.

Entretanto, a derrocada da Irlanda tem excepcional importância sob o ponto de vista político, econômico e ideológico. Há mais de uma década a conversa sobre o tal Tigre Celta havia deixado a Europa inteira com dor de cabeça, projetando sobre a UE a extrema política neoliberal do governo de Dublin como exemplo a ser imitado. Mas a católica submersão da economia irlandesa estourou a bolha neoliberal, provando o perigoso absurdo que constitui esse modelo e levando à tragédia uma população inteira.

Até o jornal londrino Financial Times escreve - com sarcasmo: "O Tigre Celta, há muito tempo, pegou seu chapéu e desapareceu na escuridão da noite. E qual é a conta que deixou para trás? O anúncio de que a conta para a salvação dos bancos privados da Irlanda deverá atingir 50 bilhões de euros, provando a paráloga escala da crise bancária".

O governo de direita da Irlanda mostra que não hesita em atender a bancos e banqueiros. E com o déficit explodindo em 32% do PIB e a dívida pública atingindo 100% do PIB, desistiu - em pânico - da decisão de emitir bônus até junho do ano que vem.

Assim, ao invés de contrair empréstimo, com taxas de juros seguramente extorsivas, decidiu botar a mão nos 24 bilhões de euros do Fundo de Aposentadorias e Pensões do país e entregá-los aos banqueiros. E ano que vem deverá contrair empréstimo de pelo menos 10 bilhões de euros para pagar as aposentadorias e os salários do funcionalismo público do país.

Fonte: Monitor Mercantil
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"Os miseráveis": Povos europeus e a "eurofrugalidade"

Mundo

Vermelho - 18 de Outubro de 2010 - 21h09

Povos obedientes que baixem a cabeça suportando mergulhados em sua desgraça as medidas de frugalidade que lhes impõem os empoados governos europeus. Povos desobedientes que reagem com violência às estas medidas, saem às ruas e, com sucessivas ondas de manifestações, derrubando o cenário político, expulsando os governos que tentam uma gigantesca redistribuição da riqueza social em detrimento das camadas sociais mais frágeis.

Por Alex Corsini, no Monitor Mercantil

E nestes dias, a empoada Europa tem para mostrar populações pertencentes à primeira e à segunda categoria, assim como, durante esta crise, os cidadãos europeus, com sua posição, estão conformando seu destino.

Os franceses, nas ruas. Três vezes no espaço de um mês, mais de 2,5 milhões de manifestantes cada vez inundaram as cidades. Há 15 anos a França não é palco destas movimentações.

Sarkozy mostra-se irredutível e decreta extensão da faixa etária para concessão de aposentadoria, concordando em recuar apenas em algumas questões de menor importância. Mas, conforme insiste em outros temas, provavelmente, sua derrota nas eleições presidenciais da primavera de 2012 está decretada desde já.

Heroísmo dos islandeses. Rebelaram-se no outono de 2008 e não pararam ainda. Se as esperanças dos trabalhadores europeus são depositadas aos pés do gigante francês, sua admiração pertence à "pulga" islandesa, nesta minúscula nação dos 320 mil insubordinados vikings que estão mostrando a que vieram.

Derrubaram o governo de direita. Ridicularizaram o novo governo de centro-esquerda, quando este sucumbiu à pressão da Grã-Bretanha e da União Européia (UE) e formalizou acordo obrigando o povo islandês a pagar as dívidas dos bancos e banqueiros islandeses no exterior.

Obrigaram, ainda, o presidente a convocar plebiscito aprovando o famigerado acordo. Porém, somente 1,8% da população votou a favor aprovando o acordo formalizado pelo governo, enquanto 93% votaram contra. E não parou aí.

Semana passada, cerca de 8 mil manifestantes cercaram o Parlamento - isto é, mais do que aqueles que derrubaram o governo de direita - exigindo não perder suas casas. O governo entrou em pânico. E a vitória dos manifestantes já foi divulgada. O ministério das Finanças anunciou que "os já estatizados bancos deverão eliminar de seus balanços os empréstimos habitacionais concedidos". Alívio gigantesco.

Fora daqui o FMI

Os húngaros arrasaram os "socialistas" que submeteram o país às ordens do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, nas eleições, os derrubaram com 44% contra 19%. Trouxeram ao seu lugar a direita, a qual interrompeu as negociações com o FMI para novos empréstimos.

E os eleitores hungaros a compensaram por sua postura. E triunfou nas eleições municipais da semana passada. Venceu em 22 das 23 capitais das regiões do país, enquanto, pela primeira vez, venceu também, na capital do país, ganhando a prefeitura de Budapeste, conquistando a vitória em 19 das 23 seções eleitorais da capital.

Os romenos realizam manifestações nas ruas incessantemente. Milhares de manifestantes todos os dias paralisam a vida na capital Bucareste. E aumentam a possibilidades de o governo de direita de Emil Bock, ser derrubado ainda neste mês, por causa da debandada dos deputados da coalizão governamental que rumam à oposição social-democrata. Após a redução salarial dos funcionários públicos em 25%, a situação nas ruas escapou de qualquer controle.

Mês que vem, será realizada greve geral em Portugal. E mês passado foi realizada uma greve geral na Espanha. Certamente, o governo "socialista" de José Luis Rodríguez Zapatero perderá as eleições na próxima primavera. Segundo as pesquisas, a direita já supera os socialistas em 15 unidades percentuais. Já o governo socialista, minoritário, de José Sócrates em Portugal, eleito ano passado, é improvável concluir o quadriênio de governança.

Aqui, na Polônia, as manifestações contra as medidas econômicas do governo estão na ordem do dia. O mesmo acontece na vizinha República Tcheca e na Eslovênia. São os "miseráveis" da União Européia.

Fonte: Monitor Mercantil
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terça-feira, fevereiro 09, 2010

Sindicatos param Grécia contra confisco de salários


Mundo

Vermelho - 9 de Fevereiro de 2010 - 18h01

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Os servidores públicos da Grécia anunciaram que a greve nacional de um dia convocada para esta terça-feira é um ato contra sacrifícios "injustificados e ineficientes" pedidos pelo governo.

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Semana passada, atendendo a determinação do FMI, o governo local avisou que vai congelar salários da categoria, sob alegação de pretender reduzir o déficit fiscal de dois dígitos do país, provocado pela bilionária ajuda aos bancos, justamente os responsáveis por empurrarem o país para a recessão e elevando a dívida da Grécia acima de 294 bilhões de euros.
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"Estamos cientes da difícil situação econômica, mas mirar nos rendimentos dos empregados e dos pensionistas é uma saída fácil", criticou o presidente do sindicato dos servidores públicos Adedy, Spyros Papaspyros.
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O governo neoliberal grego pretende confiscar cerca de 1 bilhão de euros este ano em benefícios e redução dos custos operacionais do setor público.
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Papaspyros afirmou que o plano prevê cortes entre 5% a 20% no salário dos servidores. O sindicato ligado ao governo defende que comerciantes e as indústrias também participem do sacrifício.
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O sindicato governista convocou cerca de 300 mil membros para participar de manifestação, nesta terça-feira, em Atenas. Os trabalhadores sindicalizados comunistas farão manifestação separada.
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As viagens aéreas pela Grécia devem ser interrompidas, com a adesão dos controladores de vôos à greve geral.
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Fonte: Monitor Mercantil
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quinta-feira, janeiro 21, 2010

Instinto selvagem: bancos ignoram profundidade do abismo



 

Economia

Vermelho - 14 de Janeiro de 2010 - 16h29

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Quando os maiores bancos norte-americanos resgataram os empréstimos de socorro que havia lhes concedido o governo, devolvendo as dezenas de bilhões dólares que fluíram do Tarp, o presidente, Barack Obama, convidou os CEOs ao Salão Roosevelt da Casa Branca, ocasião em que os pressionou para concederem mais empréstimos às empresas e às famílias.

Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil 

Entretanto, apesar do ineditismo da decisão do governo de apoiar os bancos com capitais estatais, o fluxo de crédito na economia real continua sendo restrito. De acordo com o Federal Reserve (Fed), Bank of America, JP Morgan Chase, Citigroup e Wells Fargo restringiram as concessões de empréstimos a empresas e indústrias em 15%, ou US$ 100 bilhões, no período entre abril e outubro, e em novembro em 1,2%, totalizando US$ 1,35 trilhão, nível mais baixo desde setembro de 2007.
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Durante o período de 16 a 23 de dezembro do ano passado, o volume de empréstimos foi reduzido a US$ 1,33 trilhão. Contudo, economistas destacam desaceleração do ritmo de redução das concessões, de 2% no período abril-outubro, em base mensal, para 1,2% em novembro, um indício que poderá ser interpretado como positivo.
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Em todo caso, o apoio aos bancos com capitais estatais não foi repassado à economia real com a concessão de mais empréstimos. Membros do Congresso dos EUA exercem severa crítica contra a "recusa" dos bancos de se mostrarem, igualmente, generosos a exemplo do que foi o governo para com eles.
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Pequenos sem acesso
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Os bancos encontram-se em "confortável" beco sem saída. Por um lado deveriam apoiar os capitais (Tier 1), os quais dependem das "resistências" de sua capitalização que haviam sido corroídas pelos gigantescos prejuízos no mercado do crédito habitacional.
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Por outro lado, têm toda razão de não se exporem a riscos adicionais de crédito e se manterem bem mais severos em seus critérios para concessão de empréstimos, quando os fundamentos da economia confirmam que os EUA atravessam a pior crise após a Grande Depressão de 1930.
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O Bank of America, uma das maiores "vítimas" da crise, devolveu finalmente os US$ 45 bilhões ao Tarp e reduziu a concessão de empréstimos a empresas e indústrias em 21%, ou US$ 58 bilhões, no semestre abril-outubro. Comprometeu-se, contudo, a aumentar os créditos às micro e médias empresas em US$ 5 bilhões, no âmbito de um amplo programa para fortalecimento da economia.
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Moly Bogan, alta executiva da União das Micro e Médias Empresas dos EUA, declarou categoricamente: "Há meses agora estamos ouvindo o governo pedindo transfusão de capitais do Tarp às micro e médias empresas. Mas o fluxo de crédito não tem sido flexibilizado. O acesso a empréstimos é tão difícil agora quanto era há seis meses".
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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Zona do Euro se afunda em crise de dívidas e déficits

 

Economia

Vermelho - 6 de Janeiro de 2010 - 15h36

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Após dois anos de derrocada financeira e queda econômica, a Zona do Euro deu as boas-vindas a 2010 em meio a uma — sem precedentes — crise fiscal. Mais exatamente, aliás, uma crise de dívidas e déficits.


Por Maria Segre, no Monitor Mercantil 

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A Comissão Européia (CE), órgão executivo da União Européia (UE), adverte que a situação fiscal de metade dos 16 países integrantes que utilizam o euro como moeda única e comum é ameaçada de tomar caminhos sem volta. Obviamente, os governos dos 16 países integrantes da Zona do Euro passarão os próximos quatro anos tentando equilibrar a derrubada balança fiscal.
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Isto é, restringido as dívidas e seus déficits que têm acumulado em suas tentativas de apoiar suas débeis economias. E o esforço de arrumação será envidado tendo sempre em mente não minar a pálida e anêmica recuperação que tornou-se possível com tão elevado custo fiscal.
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Na classificação dos países integrantes da Zona do Euro, de acordo com o déficit fiscal como percentual de seu Produto Interno Bruto, a Grécia ocupa o primeiro lugar, enquanto os demais receberam sugestões, recomendações, admoestações e até ameaças da CE e do Banco Central Europeu (BCE) para que evitem as reclassificações - para baixo - de suas capacidades de endividamento impostas pelas agências internacionais, tendo em vista a evolução ascendente, neste ano, de seus índices de déficits.
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Todos descumprem acordo

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Não é só Irlanda que deverá superar a Grécia neste ano, assumindo o primeiro lugar. Também a Holanda, cujo déficit atingirá 6,1% (de 4,7% anteriormente); a Áustria, que de 4,3%, atingirá 5,5%; a Alemanha, que escorregará do índice limite de 3% imposto pelo Acordo de Estabilidade e Desenvolvimento para 5%.
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Finlândia e Luxemburgo saltarão do índice limite de 3% para percentuais superiores a 5%. Sabe-se que também Itália e Bélgica já superaram o limite de 3%, mas a CE e o BCE não lhes enviaram, ainda, as ameaças de praxe.
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Pelas avaliações da CE e do BCE, torna-se claro que, neste ano de 2010, nenhum país integrante da Zona do Euro manterá seu déficit fiscal abaixo do índice limite de 3%. E dos 16 países integrantes, talvez, apenas seis conseguirão reduzir seu percentual.

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Mundo bipolar: China crescerá três vezes mais que EUA


Economia

Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h38

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Chineses devem puxar a recuperação mundial este ano. Gigante asiático deve cresecr tr~es vezes mais do que EUA e confirmar sua posição no novo mundo bipolar.

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Com a previsão de analistas e economistas de que o país deve, no mínimo, crescer 9% ao ano, a China firma-se como principal candidato a ser o antagonista dos Estados Unidos num novo mundo bipolar que se desenha para os próximos anos. Essa condição ganha relevo quando os mesmos analistas e economistas projetam crescimento de pouco mais de 1% para o Japão e para a Zona do Euro, e cerca de 3% para os Estados Unidos, para este ano.
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As previsões são reforçadas pelos dados do último mês de 2009. Mês passado, o índice HSBC China de gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) - um indicador da atividade da produção industrial nacional - subiu para 56,1, contra 55,7, em novembro. A informação foi divulgada pelo HSBC Holdings.  Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI ficou acima de 50, patamar que indica expansão da atividade industrial.
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"O efeito da segunda rodada de medidas de estímulo está se infiltrando para beneficiar substancialmente o setor manufatureiro, como esperávamos", disse economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin. "Embora os preços dos insumos e dos produtos industrializados têm aumentado, a inflação deverá ser administrável nos próximos meses", acrescentou. O PMI, compilado pela empresa britânica Markit Group, é divulgado no primeiro dia de trabalho de cada mês e refere-se ao mês anterior.
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Os dados reforçam as previsões de que a Ásia, em particular a China, deve puxar a recuperação global em 2010. A produção industrial chinesa, em novembro, já dera sinais de expansão sustentada, sem expressivo apoio do pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 585 bilhões) do final de 2008. As importações cresceram pela primeira vez em 13 meses e as exportações sugeriram recuperação.
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Com agências e Monitor Mercantil 

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terça-feira, janeiro 19, 2010

Inicia-se a pilhagem do petróleo iraquiano



 

Economia

Vermelho - 9 de Dezembro de 2009 - 14h45

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Exxon Mobil e Shell tomaram um dos maiores campos de petróleo do mundo. Quando os primeiros soldados norte-americanos e britânicos chegaram aos subúrbios de Bagdá em 2003, denominaram seus primeiros acampamentos provisórios de "Camp Exxon" e "Camp Shell".

Por Falah El Shakir, no Monitor Mercantil

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Há alguns dias, a história os justificou, quando o governo-fantoche do Iraque cedeu oficialmente os direitos de exploração do gigantesco campo petrolífero de Kurna Ocidental - uma das maiores reservas de petróleo do mundo - exatamente àqueles dois gigantes petrolíferos.

A região de Kurna Ocidental esconde em seu subsolo um tesouro inestimável. Suas reservas, comprovadas por pesquisas sismológicas, superam todas as demais reservas petrolíferas iraquianas, que totalizam hoje 115 bilhões de barris.

Mas o valor da reserva específica de Kurna Ocidental aumenta por causa do fato de que trata-se de dois campos facilmente exploráveis sob o ponto de vista de extração e mais lucrativos por causa do baixo custo de refino no mundo.

Nos claramente colonizadores novos contratos de exploração, cuja duração é de 20 anos, as parcelas para cada um dos novos "donos" do petróleo iraquiano foram calculadas de acordo com a participação e contribuição à guerra dos EUA e da Grã-Bretanha.

Assim, a Exxon Mobil abocanhou a "fatia do leão" (80%) do total das reservas, enquanto, o desdentado Império Britânico deverá ficar satisfeito com a parcela-saldo das reservas destinada à Shell (20%).

Direito a subvenção

As duas felizardas petrolíferas serão, ainda, subvencionadas pelo governo-fantoche de Bagdá com US$ 1,90 por barril extraído, enquanto, de novo, o governo-fantoche de Bagdá agradecido assumirá todos os custos de modernização das instalações de extração e demais equipamentos dos dois campos, custos estes que, no decorrer dos 20 anos de vigência dos contratos, totalizarão US$ 50 bilhões! "Business is business" (na Mesopotâmia, principalmente).

Trata-se dos dois primeiros contratos formalizados entre o governo-fantoche iraquiano e multinacionais petrolíferas após a ocupação do país, porque as petrolíferas multinacionais esperaram, pacientemente, primeiro a "estabilização da situação de segurança", antes de ligarem outra vez suas bombas de sucção na sangrenta Mesopotâmia.
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O anterior "big deal" havia sido definido poucos dias antes e referia-se aos exclusivos direitos de exploração de um outro gigantesco campo iraquiano em Ramala, cujas reservas são avaliadas em mais de 17 bilhões de barris comprovados, os quais serão cedidos de mão beijada à empresa petrolífera britânica British Petroleum (BP) e à chinesa National Petroleum Corp. (CNPC), que dividirão o butim em 38% e 37%, respectivamente.
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De acordo com o "contrato leonino", a produção do imenso campo deverá ser triplicada nos próximos anos, sempre às custas do governo-fantoche iraquiano, enquanto as duas empresas petrolíferas que o explorarão, calcula-se, registrarão lucros superiores a US$ 2 bilhões anuais cada. 

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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Falta alimento para uma em cada quatro crianças nos EUA

Economia

Vermelho - 7 de Dezembro de 2009 - 14h03

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A crise econômica nos EUA é particularmente sentida e dolorosa para 50 milhões de norte-americanos, os quais — por mais que isso pareça estranho — encontraram-se, ano passado, em situação de insegurança para garantir os indispensáveis alimentos básicos. Entre eles, uma em cada quatro crianças, declara em seu primeiro relatório-analíse a secretaria de Agricultura dos EUA.

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A dimensão da insegurança, assim como a fome que se observa recentemente nos EUA têm assustado até aquele norte-americanos que cresceram esperando em longas filas, diante dos bancos de alimentos ou dos pontos de distribuição de alimentos grátis. Os dados estatísticos do relatório intensificam as pressões sobre a Casa Branca e, diretamente, sobre a pessoa do presidente Barack Obama, o qual havia prometido extinguir a "fome infantil".
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Aliás, o próprio Obama caracterizou o relatório da Secretaria de Agricultura, assinado pelo próprio secretário Tom Vilsack, como "aterrorizante". 
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De acordo com o relatório, ano passado, 17 milhões de crianças nos EUA, ou 22,5% do total viviam em famílias nas quais o alimento não era fundamental. O número aumentou em 4 milhões de crianças em relação ao ano anterior.

O número de crianças que realmente estão passando fome aumentou em 700 mil, totalizando agora 1,1 milhão, e entre os norte-americanos de todas as faixas etárias, 16%, ou 49 milhões de indivíduos enfrentam insegurança alimentar. Ano passado este percentual atingia 12%.
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Comentando o relatório, Obama disse que seu governo "comprometeu-se em derrubar o número dos famintos nos EUA. E a solução será encontrada com a criação de novos postos de trabalho". Por fim, o secretário de Agricultura, Tom Vilsack, declarou que "a falta de alimentos é consequência do desemprego que já superou o índice de 10% da população ativa".
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A informação é do Monitor Mercantil

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domingo, janeiro 17, 2010

Como a Europa e o mundo lavam o dinheiro sujo


 

Economia

Vermelho - 25 de Novembro de 2009 - 13h45

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Quando alguém navega na Internet em países europeus (e em inglês) em busca do termo "lavagem de dinheiro", rapidamente encontra uma página com escritórios de advocacia, os quais intitulam-se especialistas no assunto. 

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Por Maria Segre, no Monitor Mercantil

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Aliás, em gravação telefônica, um deles se intitula "empresa especializada de consultores legais na área do Mediterrâneo", enquanto outros se dizem especialistas em importação e exportação no Caribe. Semelhantes curiosas coincidências encontram-se em todos os 27 países-membros da União Européia (UE), e não só.

Não é por acaso então que nas últimas semanas realiza-se um incessante diálogo em torno de quão labirínticos e flexíveis são os tentáculos do crime organizado e suas possibilidades para exportar dinheiro sujo, resultado de atividades ilegais, e importá-lo totalmente legalizado.

Tudo começou com a Polícia da UE (Europol), quando divulgou, recentemente, um relatório mostrando o grau de penetração do crime organizado internacional na UE. Em seguida, a Europol intensificou sua cooperação com a Justiça da UE (Eurojust), a fim de elaborarem - em conjunto - estratégias para enfrentar o crime organizado, o qual, a exemplo de uma multinacional, não conhece fronteiras, cânones e estratégias dos países com objetivo de combaterem os tradicionais métodos de "lavagem" que já superaram os limites do sistema financeiro mundial.

Em um esforço para identificar estes novos métodos, o Grupo de Ação Monetário-Econômica Internacional (FATF, sigla em inglês) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elaborou um estudo intitulado "Money Laudering and Terrorist Financing Sector" em colaboração com 40 países e organizações internacionais.

Neste estudo (que traz o carimbo de "secreto") da OCDE, são analisados, amplamente, os novos métodos que o crime organizado utiliza para legalizar o dinheiro sujo, assim como os métodos com os quais encontram recursos as organizações terroristas, examinando os pontos fracos, os "buracos negros" e os vazios dos mercados de ativos móveis.

Debêntures, papéis cambiais, programas de aposentadorias e pensões, ações que são adquiridas por preços muito baixos (penny stocks) e opções constituem as novas "armas" de legalização de recursos ilegais em um incontrolável mercado globalizado.

Debêntures anônimas

Os especialistas do FATF monitoram - quase exclusivamente - o mercado de ativos móveis porque este mercado constitui, talvez, o único setor que pode ser utilizado tanto para a lavagem de recursos ilegais, quanto para transformá-los em recursos totalmente legais.

A primeira "vantagem" do setor é que, apesar de no primeiro estágio de lavagem (aplicação), a operação não é tão simples, nos demais dois ("alinhamento" e "incorporação") observa-se excepcional flexibilidade. A "incorporação" é o estágio básico e preferido porque em muitos países inúmeras atividades de investimentos realizam-se longe dos âmbitos bancários, relativamente seguros, tornando assim a provável detecção muito mais difícil.

Em alguns países a transferência de posse de debêntures anônimas pode ser facilmente realizada por intermédio de meios eletrônicos, evitando a localização da transferência de posse.

Assim que emitida uma debênture, os presuntivos "lavadores" poderão mantê-la em seu poder ou transferi-la sem que para isso seja necessário utilizarem meios que poderiam alertar as autoridades de repressão do crime organizado.

Assim, os destinatários poderão depositá-la em contas destinadas à aquisição de outros ativos de investimentos ou liquidá-la ou, ainda, enviar o resultado de liquidação a outro país. O mesmo processo, mais ou menos, é utilizado para as cambiais.

Aposentadorias e pensões

Costuma-se permitir ao investidor que canalize seus recursos sobre uma série de soluções de investimentos como, por exemplo, os capitais mútuos. Estes contratos têm, habitualmente, período "flexível" de mais dias, durante os quais o investidor pode "quebrar" o contrato sem pagar multa e ter de volta seu capital inicial. Este "período livre" significa que o cheque que receber da empresa de seguros, eventualmente, não provocará suspeitas quando for depositado em banco.

Já penny stocks são ações cuja negociação é realizada a preços muito baixos e, como estas, na realidade, pertencem a empresas "de fachada", podem ser utilizadas em fusão. Os perigos são dois: tais tipos de ativos móveis são, frequentemente, utilizados para produção de desempenhos ilegais por intermédio de manipulação do mercado e comércio de papéis de dívida com uso de informação privilegiada e fraude. Outros detentores poderão utilizá-las para criar uma empresa de "fachada" com objetivo de utilizá-la para atividades ilegais.

Mas as penny stocks têm, também, outras utilidades. "Poderão ser adquiridas para investimento de desempenhos ilegais em uma empresa que prepara sua entrada na bolsa de valores. E, quando isso acontecer, os portadores poderão vender sua parte, apresentando seus capitais como provenientes de uma transação legal. Além disso, o crime organizado pode, inicialmente, investir em uma empresa, a qual pode utilizá-la como "de fachada", a fim de misturar recursos ilegais com desempenhos legais".

Opções são os conhecidos contratos de direito de preferência e constituem um acordo entre o vendedor e o comprador para manipulação do preço de transação de cada ação em que ambos ganham, porque os envolvidos chegam a um "deal-paródia", por força do qual o dinheiro sujo é legalizado.

"Buracos negros" sem fim

O estudo do FATF cita diversos "buracos negros" dos mercados mundiais de ativos móveis, como os mercados "over the counter" (de balcão, mercado quase ilegal, o qual não segue todas as regulações), as plataformas alternativas (ATP) e os processos de certas transações nas quais o crime organizado oferece dinheiro vivo para os portfólios de pessoas cooptadas, as quais, por sua vez, lhe transferirão seus ativos móveis, algo que proporciona ao crime organizado acesso ao sistema financeiro, desviando-se de todas as medidas de proteção.

Com relação à Internet, o FATF identifica uma "caixa preta" e, isto porque a utilização de empresa da Internet, registrada em país com mínimos regulamentos financeiros, permite ao crime organizado funcionar como dealer, utilizando a Internet tanto para lavagem de dinheiro, quanto para fraude.

Outro "buraco negro" é a aquisição de ordens de pagamento ou cheques de viagem para um determinado período ou por intermédio de sucessivas transações, evitando assim o cumprimento de premissas para detecção de operação suspeita. Assim, são aplicadas em algum portfólio até que se complete o total desejado e sua utilização para aquisição de outros ativos móveis, os quais, serão vendidos ou transferidos.

"Adicionalmente, um "lavador" pode enviar junto com documento de remessa os desempenhos ilegais a um destinatário não controlado. A vantagem desta operação é que, eventualmente, o segundo banco não realizará algum controle de dados, supondo que isso já foi feito pelo primeiro."
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Finalmente, o FATF, referindo-se às inúmeras opções para lavagem de dinheiro, aponta a criação de bancos, empresas de investimentos e empresas de seguros pelo crime organizado e dedica várias páginas do estudo aos complicados tipos de contas (nominee, omnibus, trust), os quais oferecem seus territórios para ocultação da identidade do verdadeiro titular. "Cereja sobre o bolo" é a criação de organizações sem fins lucrativos e ONGs filantrópicas, as quais permanecerão por longo tempo ainda longe do interesse da lei.

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sábado, janeiro 16, 2010

Mundo terá mais 20 milhões de desempregados neste ano



 

Economia

Vermelho - 17 de Novembro de 2009 - 12h52

O FMI e o Banco Mundial (Bird) prevêem que a crise vai deixar mais 20 milhões de pessoas desempregadas até 2009. O desemprego urbano na América Latina e Caribe já chegou a 8,5%, no segundo trimestre de 2009, e pode fechar o ano nesse nível, segundo projeção da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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No país desenvolvidos, o desemprego médio deve passar de 8,2%, em 2009, para 9,3%, em 2010, segundo o FMI. Em 2007 era de 5,4% chegando a 5,8%, ano passado. Nos EUA, em outubro o desemprego chegou a dois dígitos (10,2%), o maior nível desde abril de 1983, enquanto as projeções para a Zona do Euro indicam que o desemprego fechará 2009 na casa dos 11,7%.
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O economista Jardel Leal, do Dieese, observa que os efeitos da crise no mercado de trabalho se mostram mais persistentes nos países mais financeirizados, como Espanha e Reino Unido. E a crise é agravada pelo rompimento dos pactos distributivos: "Na Inglaterra, a financeirização levou, inclusive, a um processo de desindustrialização. O mercado financeiro ganhou uma dimensão muito grande e o país é afetado por tudo o que acontece no mundo."
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Para Leal, a dúvida é sobre até que ponto as populações dos países desenvolvidos aceitarão taxas elevadas de desemprego. Ele avalia que, sem alternativas, aqueles países devem culpar os imigrantes.
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"O governo entra para defender os bancos, mas a população não vai ficar esperando que a economia melhore. Vai exigir uma política de recuperação do mercado de trabalho e da renda", alertou, acrescentando que, se as crises que sucederam à de 1929 geraram o pacto social democrata, hoje não se cogita isso naqueles países, "pois as bases políticas para o pleno emprego foram desmontadas com a crise do Estado de bem- estar social", resume.
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Com informações do Monitor Mercantil

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Da Grande Depressão de 1929 à crise de 2009 - Mary Stassinákis


 

Economia

Vermelho - 10 de Novembro de 2009 - 12h34

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Após 80 anos, a economia internacional enfrenta desafios idênticos. "Nunca senti satisfação tão grande. Se não falha minha memória, esta foi a única vez em que escrevi um livro sem pressa", disse o historiador e economista John Kenneth Galbraith, em 1954, sobre seu livro The Great Crash, 1929 (A Grande Depressão, 1929).

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Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil 

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Em setembro deste ano, quando a derrocada do Lehman Brothers abalou o sistema financeiro mundial e a economia internacional, a Editora Penguin anunciou que as vendas do livro de Galbraith haviam se multiplicado por 20, para 12.642 exemplares.
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Obviamente, as comparações são inevitáveis. Oitenta anos após o crash de 1929, o mundo encontra-se, novamente, engaiolado em nova e idêntica crise econômica. Naquela época, assim como antes da crise atual, o mundo ocidental acreditava que não reviveria circunstâncias econômicas semelhantes.
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Na década de 1920, contudo, todos buscavam se desentoxicar da amarga experiência da Primeira Guerra Mundial. As inovações do rádio e do automóvel enviavam a mensagem ao cidadão norte-americano de que se iniciava uma nova época de permanente bem-estar.
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A nova geração de financistas antecipava brilho resplandecente em Wall Street nunca dantes visto e muitos norte-americanos queriam um pedaço do bolo dos superdesempenhos. As famílias do país compravam - com dinheiro emprestado - equipamentos domésticos, casas, automóveis e ações.
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Da "festa" participava, também, o então presidente dos EUA, Calvin Koulitz. Seu nome foi encontrado na relação dos clientes vip da House of Morgan, junto com outros membros do Congresso e da Suprema Corte dos EUA Todos jogavam. Mas alguns encontravam-se em posição mais privilegiada dos demais.
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Precursores de Madoff
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De 1921 até 1929, o indicador Dow Jones em Nova York escalou de 60 unidades para 400, com o valor das ações aumentando 218,7%, percentual equivalente com ritmo anual de crescimento de 18%. Durante esta evolução provou-se que os bancos e suas financeiras, as quais emprestavam generosamente capitais, funcionavam em anarquia plena.
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Em uma população de 125 milhões de habitantes, menos de 2 milhões deles experimentaram com ações, mas as consequências multiplicaram-se no crash, por causa de meio milhão de contas com margin calls, quando com um dólar compravam ações no valor de nove dólares. "Os bancos liberavam generosos créditos aos seus financistas e muitas empresas canalizaram recursos líquidos".
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Aliás, muitos destes recursos provinham desde o início da Bolsa de Valores, criando uma auto-alimentada máquina de dinheiro. "Os empréstimos com margin calls equivaliam a 1/5 do valor das ações de empresas inscritas na Bolsa, construindo uma "fortaleza" de supervalores em terreno movediço", escreveu Ren Tsernou, do The New York Times.
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Uma outra característica desta bomba-relógio eram os investment trusts, antepassados dos atuais golpes financeiros, como o Plano Ponzi, de Bernard Madoff. Com a única diferença que, naquela época, ninguém foi preso por ter criado "correntes especulativas", em antítese a Madoff, que cumpre pena de 150 anos.
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Os investment trusts foram um complexo de capitais de investimentos, em que um era composto por ações de outro que, por sua vez, era uma composição de ações de um outro, e assim por diante.
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Entretanto, as razões do crash não se limitam aos margin calls ou aos investment trust, que parecem, simplesmente, frente a complicados produtos para investimentos, como as debêntures de empréstimos, que provocaram na última década uma hemorragia de dois anos no sistema financeiro, ou os marginais hedge funds.
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E embora os investidores se sentissem protegidos pela criação do Federal Reserve dos EUA, em 1913 não existia sequer a proposta de existência de uma Comissão do Mercado de Capitais e, muito menos, uma autoridade que garantisse os depósitos dos cidadãos.
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Em março de 1929, quando começaram a ser sentidos os primeiros rangidos na Bolsa de Valores de Nova York, os banqueiros ignoraram a advertência do Federal Reserve (Fed) para contenção dos empréstimos generosamente liberados.
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Um dos mais poderosos banqueiros, Charles Mitchel, CEO do National City Bank, posteriormente rebatizado como Citibank, "correspondeu" à instância do Fed, liberando créditos no total de US$ 25 milhões, para apoio do mercado.
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Milhões de desempregados
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A partir da "quinta-feira feira negra" de 24 de outubro de 1929, o indicador Dow Jones iniciou uma descida estável, apesar de que Mitchel e Albert Beguin, do Chase National Bank, e Thomas Lamad, do House of Morgan, terem "imobilizado" mais de US$ 240 milhões para salvarem as ações da queda livre.
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Contudo, foi em vão. Naquele dia, o indicador Dow Jones despencou 9%, com o volume de transações três vezes maior desde os primeiros nove meses do mesmo ano, enquanto os investidores fugiam do mercado em desabalada carreira.
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Na semana seguinte, calcula-se que US$ 30 bilhões viraram fumaça. No final, muitos não haviam perdido somente todas as suas economias, mas ficaram devendo aos seus financistas e, por extensão, aos bancos.
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De 1929 até 1932, as ações na Bolsa de Valores de Nova York haviam perdido 73% de seu valor. Em 1930, 9 milhões de contas de poupança foram, literalmente, "zeradas" e 85 mil empresas foram à falência. Até 1932, o número de desempregados totalizava 14 milhões. A época sem preocupação havia terminado e seria preciso mais uma guerra mundial para reerguer os EUA e o resto do mundo do limbo.
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Estado, a salvação
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Uma das diferenças entre o crash de 1929 e a crise financeira que eclodia há dois anos e persiste até hoje é o numero das vítimas que provocou no setor. Calcula-se que, após o crash de 1929, cerca de 11 mil das 25 mil instituições financeiras dos EUA fecharam as portas, mas aquelas que foram à derrocada não foram grupos que desempenhavam papel protagonista no sistema.
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Mas, de 2008, até hoje, colossos como o Citigroup e o Bank of America permanecem sob o "gerenciamento" do Estado. O Merrill Lynch não sobreviveria se não fosse absorvido pelo Bank of America, que desembolsou US$ 50 bilhões para anexá-lo em setembro passado, no âmbito de um acordo que está sendo investigado pelas autoridades judiciais de Nova York e pela Comissão do Mercado de Capitais.
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O Bear Stearns, após uma história de 85 anos, foi "adquirido" pelo J.P. Morgan Chase por apenas US$ 2 para cada ação. Também, não se pode esquecer o caso mal cheiroso da seguradora American Internationl Group, que foi estatizada pelo governo de Barack Obama por US$ 85 bilhões dos contribuintes norte-americanos. Destino análogo tiveram as duas maiores empresas de financiamento habitacional dos EUA, as famigeradas Freddie Mac e Fannie Mae.
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Volta à década de 1930
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Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA de 1933 até 1945, havia dito em 1934 que o setor bancário lutou até sua derrocada final contra a Lei Glass-Steagall, a qual definiu severas linhas divisórias entre os bancos de investimentos e os bancos comerciais. Os bancos não poderiam oferecer unidades financeiras e os bancos de investimentos não poderiam apoiar-se sobre capitais formados por depósitos de clientes.
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Esta divisão foi oficialmente abolida há uma década, com a promulgação da lei sobre a atualização dos serviços financeiros, a qual é considerada um dos culpados pela crise atual, que custou perdas totalizando US$ 1,6 trilhão.
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A União Européia (UE) parece estar seguindo os passos de Roosevelt. Na semana passada, o ING concordou abandonar o setor securitário e se dedicar, exclusivamente, ao bancário por razões de antagonismo.
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Ao contrário, ninguém queria ouvir recomendações análogas da boca do octogenário Paul Volcker, conselheiro legal do presidente Barack Obama, assim como do presidente do Banco da Inglaterra (Banco Central), Sir Mervin King. Ambos, em situações diferentes, sustentaram que nova intervenção sobre o sistema financeiro não pode e não deve ser repetida, para que não se repita a crise atual.
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terça-feira, junho 30, 2009

Estado Social norte-americano afunda


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Criados com as idéias do individualismo, os norte-americanos se aborrecem com os princípios do Estado Social e não utilizam essas palavras. Indiscutivelmente, contudo, existe nos EUA um Estado Social, e neste momento seu futuro está sendo posto em dúvida.

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Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil


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O significado da falência da General Motors está atrelado a isso, apesar dos insolúveis problemas do capitalismo norte-americano. Em linhas gerais, o Estado Social nos EUA tem dois aspectos: o privado, no qual contribuem as empresas; e o estatal, no qual a ação é assumida pelo governo.

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E ambos estão em estado de cerco. As empresas, porque estão sendo pressionadas pela concorrência, e o governo porque agora é obrigado a aumentar o endividamento público e os impostos.

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A GM é exemplo característico de uma grande empresa que desempenha papel de "Estado Social". Formalizando acordos coletivos com os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística, a empresa assumiu a obrigação de pagar salários elevados, prometeu ocupação após a aposentadoria, aposentadorias elevadas e programas de seguro saúde quitados.

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Tudo isso faz parte do passado, e vários destes benefícios já começaram a ser reduzidos ou eliminados para todos aqueles que foram contratados pela empresa nos últimos anos.

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A falência também é um sinal, tornando este modelo de ocupação e cobertura ultrapassado. As empresas seguramente continuam oferecendo atraentes pacotes de "previdência", a fim de conseguir contratar e manter os funcionários de talento.

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Em relação ao aspecto público, a maioria dos norte-americanos sintoniza a idéia do Estado Social com as ajudas às mães solteiras, o cupom para alimentos e talvez o fundo federal Medicaid, que proporciona assistência médica aos pobres.

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Mas, em relação a 1960, o Estado mudou radicalmente. Naquela época, 52% dos gastos do governo federal era destinado à defesa e 26% para "ajuda a indivíduos". Em 2008, os percentuais conformaram-se respectivamente em 21% e 61%.

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As pressões sobre os sistemas não cessarão. Em 1955, quando foram alicerçados os fundamentos da "assistência" para os trabalhadores da GM, o colosso, ao lado de seus semelhantes Ford e Chrysler, dominava 95% do mercado dos EUA.

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As três indústrias automobilísticas facilmente poderiam repassar o custo do "Estado Social" aos consumidores. Aliás, desde meados da década do 1950 estas três empresas, assim como muitas outras, desejavam ver seus trabalhadores satisfeitos, esperando assim evitar que se filiassem em sindicatos.

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Avaliando que dominariam tudo e todos no mercado, e que sua concorrência sempre seria controlada, poderiam continuar oferecendo aos seus trabalhadores os muito acalentados presentes da previdência social.

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Teoricamente, o recuo dos sistemas privados de previdência social poderia ser coberto pela expansão do público. As propostas do presidente Barack Obama para a assistência refletem exatamente esta idéia. Mas qualquer análise realista dos fundamentos e dos dados comprova que não se trata de propostas realistas.

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"Vamos tomar empréstimo hoje não para financiar o futuro, mas para cobrir as atuais necessidades dos fundos de previdência social. A lógica diz que não devemos estudar quais destes cobrem realmente os necessitados e livrarmo-nos do resto. Não devemos repetir - em nível nacional - os erros da GM, porque pagaremos muito mais caro por eles".

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Garantias mínimas

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O modelo de ocupação e cobertura previdenciária está mudando. Embora alguém possa fazer carreira em uma única empresa, as garantias de emprego até a aposentadoria não existem mais. Em 2008, apenas 50% dos trabalhadores homens com idade de 50 até 54 anos revelou trabalhar na mesma empresa há pelo menos uma década. Em 1982, eram 62% nesta situação.

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Os dados para seguros saúde e aposentadorias são análogos. Em 2007, apenas 177 milhões de norte-americanos possuíam seguros saúde por intermédio de suas empresas. Trata-se de 59,3% da população do país. Em 1999, eram 63,0%. E desde 1980 a tendência diz respeito à readequação do sistema, através principalmente dos programas de poupança.
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in Vermelho - 30 DE JUNHO DE 2009 - 12h07
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