A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, junho 29, 2009

Conflito Israelo-Árabe - história

Conflito Israelo-palestino

Agosto 7, 2008 by joanamargarida
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A partir de 1897, depois de fundado o movimento sionista (movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado Judaico), alguns judeus começaram a migrar para a região da Palestina. De 1918 até 1939 o protetorado ficou para os britânicos, após o fim do Império Otomano na região, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial mais judeus voltam a Palestina.

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Em 1947, a ONU propõe a divisão das terras Palestinas entre judeus e árabes baseando-se nas populações até então estabelecidas na região. Assim, os judeus receberam 55% da região, sendo que destes percentual 60% era constituída pelo deserto do Neguev. A população nativa árabe, por não aceitar a criação de um Estado não árabe na região rejeitaram a partilha.

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Em 1948, os britânicos saem da região e os judeus proclamam o Estado de Israel. É a partir daqui que o conflito se amplia. Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque atacam a região do Estado de Israel para conquistar algum espaço. O Egipto consegue a região da Faixa de Gaza e a Jordânia consegue as regiões da Cisjordânia e Jerusalém oriental e os árabes palestinos acabam sem território.

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Em 1964, os Palestinos criam a OLP.

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Em 1967, o Egipto bloqueia o canal de Suez aos navios israelenses e inicia manobras militares na península do Sinai próximo à fronteira israelense ao mesmo tempo que a Jordânia e Síria mobilizavam seu exércitos na fronteira com Israel. Prevendo um ataque eminente destas nações, Israel inicia a Guerra dos Seis Dias na qual Israel conquista as regiões da Faixa de Gaza, Monte Sinai, Colinas de Golã, Cisjordânia e Jerusalém oriental.

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Em 1973, começa a Guerra do Yom Kippur e, entre 1977 a 1979, Israel e Egipto fazem um acordo de paz e a região de Sinai é devolvida para o Egipto.

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Em 1982, Israel invade o Líbano numa tentativa de neutralizar os ataques realizados pela OLP a partir deste país. Em 1987, explode a Intifada. Em 1988, o Conselho Palestino renuncia a Intifada e aceita o Plano de Partilha da ONU.

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Em 1993, com o Acordo de Paz de Oslo foi criada a Autoridade Palestina com o comando de Yasser Arafat, mas os termos do acordo jamais foram cumpridos pelos palestinos.

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A partir de 2000, iniciou-se o segundo levante da Intifada. Em 2001, Ariel Sharon é eleito primeiro-ministro do Estado de Israel, onde ocupa territórios Palestinos e dá o início da construção da cerca da Cisjordânia, para dificultar os atentados dos terroristas homens-bombas palestinos. Em 2004, Yasser Arafat morre e deixa o cargo da Autoridade Palestina para o eleito Mahmud Abbas e Israel destrói assentamentos judaicos na Faixa de Gaza e Cisjordânia, mas o terrorismo palestino continua.

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Em 2006, o Hamas, partido político e movimento terrorista palestino e que não reconhece a possibilidade da existência de Israel, obtém maioria dos votos nas eleições para o parlamento palestino, inviabilizando as possibilidades de paz.

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ECLOSAO DO CONFLITO

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, por meio de sua Assembleia-Geral no ano de 1947, a criação de um estado judeu e outro árabe ao final do mandato do protectorado britânico (1948) na Palestina. De acordo com este plano, a cidade de Jerusalém seria um território administrado internacionalmente pela própria ONU.

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No entanto, os países árabes não aceitavam a existência de Israel, pretendendo invadir logo após a saída das tropas britânicas.

Além disso, no início do conflito em 1948, aproximadamente 711.000 palestinos deslocaram-se da região, ou fugindo do eminente conflito (68% destes estimulados pelos próprios governos dos países árabes para que os seus exércitos pudessem arrasar mais facilmente ao novo Estado que surgia) ou expulsos por lutarem contra o novo Estado, criando uma grande onda de refugiados que se abrigaram nos países vizinhos, Faixa de Gaza e Cisjordânia. Com o passar do tempo seu número cresceu, e a dúvida é se estes refugiados palestinos algum dia poderão retornar a seus antigos lares, complicando as conversações entre as partes envolvidas.

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Com a não absorção dos árabes palestinos pelos países árabes e a não criação do Estado Palestino, os árabes palestinos se auto-constituíram povo e passaram a exigir o seu retorno a suas antigas casas, apesar de a grande maioria já não ter nascido nas regiões reivindicadas.

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Outro grande entrave para as negociações de paz é a reivindicação de soberania com relação à cidade de Jerusalém. Devido ao seu valor histórico e religioso, Israel reivindica toda a cidade para si, o que não é reconhecido pela comunidade internacional. A parte Oriental de Jerusalém, território palestino ocupado por Israel desde 1967, é reivindicada pelos palestinos para ali estabelecer sua capital.

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Houve inúmeros períodos de acirramento do conflito, com hostilidades militares de ambos os lados, e vários acordos de paz que acabaram fracassando.

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Havia grandes chances do estado Palestino surgir de fato, pois as bases políticas e institucionais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) são reconhecidas pela comunidade internacional, inclusive estando presente nas Nações Unidas como membro observador. Entretanto, com a eleição de Ariel Sharon, o Estado israelense passou a negar qualquer negociação com os palestinos sem antes a cessação dos frequentes ataques terroristas aos civis israelenses. Mais tarde, a eleição do Hamas para o governo da palestina em 2006, um grupo terrorista que não aceita que Israel exista, inviabiliza qualquer possibilidade de paz entre os dois povos.

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RETIRADA DE OSRAEL DA FAIXA DE GAZA

De acordo com o governo do Primeiro-Ministro Ariel Sharon, a consolidação do cessar-fogo entre as partes beligerantes possibilita a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, concretizando a transferência de soberania e conseqüente materialização da territorialidade, dois fatores fundamentais para a existência de um Estado soberano palestino.

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A transferência, com a saída dos exército e colonos judaicos da Faixa de Gaza em agosto de 2005. Por conta disto, a ANP treinou um efectivo de 5.000 policiais para a manutenção da ordem da região após a retirada israelense. Entretanto, apesar de ter conquistado soberania sobre Gaza, os palestinos entraram num conflito interno que ocasionou a tomada de poder pelo Hamas da faixa de Gaza e o recrudescimento dos ataques com mísseis caseiros contra Israel a partir desta região, paralisando novamente as conversações de paz.

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Palestina

Agosto 7, 2008 by joanamargarida

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Palestina é a denominação dada pelo Império Britânico a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. O seu estatuto político é disputado acesamente.

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A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabo-palestina, deveriam integrar um estado palestiniano-árabe a ser criado – de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas e da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido. Todavia, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.

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Há alguns anos, porções dispersas dessas duas áreas passaram a ser administradas pela Autoridade Palestiniana, mas, devido aos inúmeros ataques terroristas que sofre, Israel mantém o controlo das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação que, na prática, anexa porções significativas da Cisjordânia ocidental ao seu território.

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A população palestina dispersa pelos países árabes ou em campos de refugiados, situados nos territórios ocupados por Israel, é estimada em 4.000.000 de pessoas.

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Israel

Agosto 7, 2008 by joanamargarida

O Estado de Israel é um país no Oriente Médio, na extremidade sudeste do Mar Mediterrâneo. É uma república democrática parlamentar fundada em 14 de Maio de 1948. É o único estado judeu em todo o mundo. Faz fronteira com o Líbano no norte, Síria e Jordânia ao leste e Egipto no sudoeste.

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A capital do país e sede do governo é Jerusalém, que é também a residência do Presidente da nação. A Lei Básica estabelece que “Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel” apesar de a Autoridade Palestina ver Jerusalém Oriental como futura capital da Palestina e as Nações Unidas e a maioria dos países não aceitarem a Lei Básica, argumentando que o status final deve esperar futuras negociações entre Israel e a Autoridade Palestina. A maioria dos países mantêm a sua embaixada em Tel Aviv.

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Israel é o único país no Oriente Médio cujo regime político é considerado uma verdadeira democracia, e seus cidadãos desfrutam de uma extensa gama de direitos políticos e direitos civis. Israel, ainda, é considerado o mais avançado na região em termos de liberdade de imprensa, regulamentações empresariais, competição econômica, liberdade econômica e desenvolvimento humano médio.

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O conflito entre Israel e a Palestina continua a ser uma fonte de tensão dentro e fora de Israel. Em particular, isto causou tensões com os vizinhos árabes de Israel, com alguns dos quais Israel também entrou em conflito. Grupos como a Anistia Internacional e Human Rights Watch têm sido críticos das políticas de Israel, enquanto outras organizações como a Freedom House, o governo dos Estados Unidos e alguns países da Europa geralmente apoiando Israel.

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Segundo as escrituras bíblicas, Israel é a terra prometida por Deus aos hebreus e é o berço da religião e da cultura judaica desde o século XVII a.C..

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segunda-feira, junho 08, 2009

Israel - Racistas pela Democeacia

“Racistas pela Democracia"
08-Jun-2009

Uri AvneryQue sorte termos a extrema-direita velando constantemente sobre a nossa democracia.

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Esta semana, o Knesset [Parlamento israelita] votou por uma larga maioria (47 a 34) uma lei que ameaça de prisão quem se atrever a negar que Israel é um Estado Judeu e Democrático.

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O projecto de lei, proposto a nível individual pelo membro do Knesset, Zevulun Orlev, do partido "Lar Judaico", navegou através da sua audiência preliminar e promete um ano de prisão para quem publicar "um apelo que negue a existência do Estado de Israel como um Estado Judeu e Democrático", se o conteúdo do apelo puder causar" acções de ódio, desprezo ou deslealdade contra o Estado ou as instituições do governo ou dos tribunais ".

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Qualquer um pode prever os próximos passos. Não é espectável que um milhão e meio de cidadãos árabes reconheçam Israel como um Estado Judeu e Democrático. Querem que ele seja "um estado de todos os seus cidadãos" - judeus, árabes e outros. Afirmam também com razão que Israel discrimina-os, e que, portanto, não é verdadeiramente democrático. Além disso, também há judeus que não querem que Israel seja definido como um Estado judeu no qual os não-judeus tenham um estatuto, na melhor das hipóteses, de intrusos tolerados.

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As consequências são inevitáveis. As prisões não serão capazes de conter todos os condenados por esse crime. Haverá necessidade de campos de concentração por todo o país para albergar todos os que desmintam a democracia israelita.

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A polícia não será capaz de lidar com tantos criminosos. Será necessário criar uma nova unidade. Que poderá ser designada por chamado de "Special Security" ["Segurança Especial"], ou, abreviadamente, SS.

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Esperemos que estas medidas sejam suficientes para preservar nossa democracia. Se não, medidas mais rigorosas terão de ser tomadas, como a revogação da cidadania dos negacionistas da democracia, deportando-os do país, juntamente com os judeus esquerdistas e todos os outros inimigos da democracia judaica.

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Após a leitura preliminar do projecto de lei, agora segue para o Comité Jurídico do Knesset, que irá prepará-lo para o primeiro, e logo depois para a segunda e terceira leituras. Dentro de algumas semanas ou meses, será a lei do país.

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Já agora, o projecto de lei não indica explicitamente os árabes - mesmo sendo esta a sua clara intenção, e todos os que nela votaram favoravelmente assim o entendam.

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Também proíbe judeus de defenderem uma mudança na definição do estado, ou a criação de um Estado bi-nacional em toda a Palestina histórica ou de espalhar quaisquer outras ideias não-conformistas como estas. Qualquer um pode imaginar o que aconteceria se nos E.U.A. um senador propusesse uma lei para prender alguém que sugerisse uma emenda à Constituição dos Estados Unidos da América.

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O projecto de lei não destoa de todo o nosso novo cenário político.

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Este governo já aprovou uma lei que encarcera por três anos quem chore a Nakba palestina - o desenraizamento, em 1948, de mais de metade do povo palestiniano, das suas casas e terras.

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Os responsáveis esperam que os cidadãos árabes estejam felizes com esse acontecimento. É verdade que aos palestinos foram causados uns certos dissabores, mas foi apenas um subproduto da fundação do nosso Estado. O Dia da Independência do Estado Judeu e Democrático deve encher-nos a todos de alegria. Quem não expressar esta alegria deve ser metido na prisão, e três anos podem não ser suficientes.

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Este projecto de lei foi confirmado pela Comissão Ministerial para os Assuntos Jurídicos, antes de ser submetidos ao Knesset. Como o governo de direita lidera uma maioria no Knesset, será aprovado quase que automaticamente. (Entretanto, um ligeiro atraso foi causado por um ministro, que recorreu da decisão, pelo que a Comissão Ministerial terá de confirmá-lo novamente.)

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Os responsáveis por esta lei tem esperança, talvez, que os árabes no dia da Nakba dançarão nas ruas, e içarão bandeiras israelitas sobre as ruínas de cerca de 600 aldeias árabes que foram varridas do mapa, oferecendo os seus agradecimentos a Allah nas mesquitas pela miraculosa boa sorte que lhes foi concedida.

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Isto leva-me de volta aos anos 60, quando a revista semanal que eu editei, Haolam Hazeh, publicou uma edição em árabe. Um dos seus colaboradores foi um rapaz chamado Rashed Hussein da vila de Musmus. Já na sua juventude ele era um talentoso poeta com um futuro promissor.

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Contou-me que, alguns anos antes, o governador militar de sua área o havia convocado para comparecer no seu escritório. Ao tempo, todos os árabes de Israel estavam sujeitos a um governo militar que controlava as suas vidas em todos os assuntos grandes ou pequenos. Sem uma autorização, um cidadão árabe não podia deixar a sua aldeia ou cidade, mesmo por algumas horas, nem arranjar um emprego como professor, nem adquirir um tractor ou escavar um poço.

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O governador recebeu Rashed cordialmente, ofereceu-lhe café e pródiga paga em elogios à sua poesia. Então, chegou ao assunto: dentro de um mês, celebrar-se-ia o Dia da Independência, e o governador iria dar uma grande recepção para os "notáveis" árabes; e pedia que Rashed escrevesse um poema especial para a ocasião.

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Rashed era um jovem orgulhoso, nacionalista até ao âmago, e não falho de coragem. Então explicou ao governador que o Dia da Independência não era um dia feliz para ele, uma vez que seus parentes tinham sido expulsos das suas casas e a maioria das terras da aldeia de Musmus também tinham sido expropriadas.

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Quando Rashed chegou de volta à sua aldeia, algumas horas mais tarde, não percebeu que os seus vizinhos o estavam a olhar de uma maneira peculiar. Quando entrou em sua casa, ficou chocado. Todos os membros da sua família estavam sentadas no chão, as mulheres lamentando-se em alta grita, as crianças amontoadas medrosamente num canto. O seu primeiro pensamento foi de que alguém tinha morrido.

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"O que nos fizestes!" Uma das mulheres chorava, "O que nós te fizemos?".

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"Destruístes a família", gritou outro, "Acabaste connosco!".

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Verificou-se que o governador tinha chamado a família e lhes tinha dito que Rashed tinha recusado a cumprir o seu dever para com o Estado. A ameaça era clara: a partir de agora, a família alargada, uma das maiores na aldeia, estaria na lista negra do governo militar. As consequências eram claras para todos.

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Rashed não pode lutar contra as lamentações da sua família. Desistiu e escreveu o poema, tal como solicitado. Mas alguma coisa dentro dele ficou quebrada. Alguns anos depois, emigrou para os E.U.A., arranjou um emprego no escritório da OLP e morreu tragicamente: queimado vivo na sua cama depois de adormecer, aparentemente, enquanto fumava um cigarro.

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Esses dias já se foram para sempre. Participámos em muitas manifestações tormentosas contra o governo militar até que foi finalmente abolido em 1966. Como um recém-eleito membro do Parlamento, tive o privilégio de votar para a sua abolição.

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A temerosa e subserviente minoria árabe então de cerca de 200 mil almas, recuperou a sua auto-estima. Uma segunda e terceira gerações cresceram, e o seu oprimido orgulho nacional fez levantar as suas cabeças novamente, e hoje são uma grande e auto-confiante comunidade de 1,5 milhão. Mas a atitude da Direita judaica não mudou para melhor. Pelo contrário.

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Na padaria do Knesset (a palavra hebraica para padaria é Mafia) alguns novos pastéis estão a ser cozinhados. Um deles é um projecto que prevê que qualquer pessoa que requerer a cidadania israelita deve declarar sua lealdade ao "Estado judeu, sionista e democrático", e também comprometer-se a servir no exército ou na sua alternativa civil. O proponente é um membro do partido "Israel é o nosso lar", e acontece que também é o presidente do Comité Legislativo do Knesset.

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Uma declaração de lealdade para com o Estado e as suas leis - num quadro destinado a salvaguardar o bem-estar e os direitos dos seus cidadãos - é razoável. Mas fidelidade ao estado "sionista"? Sionismo é uma ideologia, e num estado democrático a ideologia pode mudar ao longo do tempo. Seria o mesmo que declarar lealdade a um E.U.A. "capitalista", a uma "Itália direitista", a uma "Espanha esquerdista", uma "Polónia católica" ou a uma Rússia "nacionalista".

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Este não será um problema para as dezenas de milhares de judeus ortodoxos em Israel, que rejeitam o sionismo, uma vez que os judeus não serão abrangidos por esta lei. Eles obtêm cidadania automaticamente no momento em que chegam a Israel.

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Outro projecto de lei, esperando a sua vez perante a proposta do Comité Ministerial, pretende alterar a declaração que todos os novos membros do Knesset tem de fazer antes de assumir funções. Em vez de lealdade "para com o Estado de Israel e as suas leis", como agora, ele ou ela será obrigado a declarar a sua fidelidade "ao Estado judeu, sionista e democrático de Israel, aos seus símbolos e aos seus valores". Isto exclui automaticamente quase todos os eleitos árabes, uma vez que declarar fidelidade ao estado "sionista" significaria que nenhum árabe jamais votaria neles novamente.

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Será também um problema para os membros do Knesset ortodoxos, que não podem declarar fidelidade ao sionismo. Segundo a doutrina ortodoxa, os sionistas são pecadores depravados e a bandeira sionista é impura. Deus exilou os judeus deste país por causa da sua iniquidade, e só Deus pode permitir o seu regresso. O sionismo, por antecipar o trabalho do Messias, cometeu um pecado imperdoável, e muitos rabinos ortodoxos optaram por permanecer na Europa e serem assassinados pelos nazistas, em vez de cometerem o pecado sionista de ir para a Palestina.

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A fábrica de leis racistas com um nítido odor fascista está actualmente a trabalhar em pleno vapor. Que são construídas pela nova coligação.

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No seu centro está o partido Likud, uma boa parte dele racista puro (as minhas desculpas pelo oximoro 1). Para a sua direita, está o ultra-racista partido Shas, à direita do qual está o ultra-ultra-racista partido de Lieberman "Israel é o nosso Lar", o ultra-ultra-ultra-racista partido "Lar Judaico", e à sua direita o ainda racista partido da "União Nacional", que inclui Kahanistas 2 e fica com um pé na coligação e o outro sobre a lua.

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Todos estes partidos estão a tentar superar-se uns aos outros. Quando um propõe um projecto de lei louco, o próximo é obrigado a propor um ainda mais louco, e assim por diante.

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Tudo isto é possível porque Israel não tem Constituição. A competência do Supremo Tribunal de Justiça para anular as leis que contradigam as "leis básicas" não está ancorado a nada, e os partidos direitistas estão tentando aboli-la. Não foi por acaso que Avigdor Lieberman exigiu - e obteve - os ministérios da Justiça e Polícia.

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Agora mesmo, quando os governos de Israel e dos E.U.A. estão claramente em rota de colisão sobre os colonatos, esta febre racista pode infectar todas as partes da coligação.

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Se alguém dormir com um cão, não deve ficar surpreso ao acordar com pulgas (possam os cães entre os meus leitores me perdoar). Aqueles que elegeram um tal governo e, mais ainda, aqueles que a ele aderiram, não deveriam ficar surpreendidos com as suas leis, que ostensivamente salvaguardam a democracia judaica.

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O nome mais apropriado para estes santos guerreiros santos seria "Racistas pela Democracia".

Uri Avnery

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Tradução do Fórum Palestina

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1 Oximoro: Figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão.

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2 Kahanistas: Seguidores das doutrinas do Rabi Meir David Kahane, (1de Agosto de 1932-5 de Novembro de 1990), um rabi ortodoxo israelo- americano, conhecido pelas suas ideias nacionalistas, baseadas no conceito do "Grande Israel". Foi fundador do partido nacionalista Kach, e por ele eleito para o Knesset. Em 1986 o Kach foi declarado como um partido racista pelo Governo de Israel e assim Kahane banido do Knesset. Acrescente-se que depois do massacre da Caverna dos Patriarcas, em 1994, - um massacre de árabes, incluindo crianças, enquanto rezavam, por Baruch Goldstein, um activista do Kach - o movimento foi declarado fora da lei.

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in Esquerda.net

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terça-feira, março 24, 2009

colonialismo sionista


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Ícone do canal

brandaogoncalves


Vídeo que mostra um pouco como os sionistas são. Um género de reportagem que raramente é visto nas televisões ocidentais. E compreende-se porquê. Se o fosse os governos e a comunicação social ocidental
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sexta-feira, março 20, 2009

Boicotes podem esvaziar conferência da ONU contra o racismo

20.03.2009

Mundo | 20.03.2009

Boicotes podem esvaziar conferência da ONU contra o racismo

A conferência contra o racismo da ONU, a ser realizada em meados de abril em Genebra, pode fracassar. Países ocidentais estão ameaçando um boicote por verem um tom antissemita no encontro.

Agora também a União Europeia (UE) ameaça boicotar a planejada Conferência Mundial Contra o Racismo da ONU, programada para 20 a 24 de abril em Genebra, na Suíça. O Canadá, a Austrália e os EUA já haviam rejeitado anteriormente participar do evento.


Diversos países do Ocidente temem que a declaração final da conferência mundial possa ser instrumentalizada para veicular opiniões unilaterais sobre o conflito no Oriente Médio.


Diante das ameaças, trechos polêmicos do projeto de declaração final – como as referências a Israel – foram cortadas, e um novo texto foi apresentado esta semana. Segundo o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, foram dados "passos na direção correta", mas mudanças adicionais são necessárias.


Polêmica em 2001


Nos últimos 20 anos, nenhum evento de cúpula das Nações Unidas foi tão controverso como a Conferência Mundial contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância de 2001, realizada na cidade sul-africana de Durban. Muitos dos países que se comportaram como porta-vozes da agenda antirracista durante a conferência, como Irã, Líbia, Cuba e Zimbábue, eram ditaduras e notórios infratores dos direitos humanos.


Protestos contra a escravidão na França, em 2006

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Protestos contra a escravidão na França, em 2006


Na época, temia-se que posições e argumentos racistas e antissemitas pudessem ser incluídos na declaração final. Mesmo que isso não tenha acontecido, as discussões haviam se acirrado tanto anteriormente que os Estados Unidos e Israel se afastaram da conferência.


Mas, no geral, o evento possibilitou avanços decisivos no debate sobre os direitos humanos, afirma Heiner Bielefeldt, diretor do Instituto Alemão de Direitos Humanos, de Berlim.


Do colonialismo à escravidão moderna


Bielefeldt lembra que, quando a política internacional de direitos humanos começou de fato, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, muitos povos – sobretudo na África, mas também na Ásia – ainda vivam sob domínio colonial.


"Nos anos 1940, proclamou-se a igualdade entre todos os seres humanos em seus direitos, mas ao mesmo tempo havia o domínio e a repressão coloniais. Essa contradição tornou necessária uma intensa abordagem do tema colonialismo, a fim de que os países do Sul pudessem incorporar a ideia dos direitos humanos", explica Bielefeldt.


Nesse sentido, a conferência de 2001 representou uma ruptura. Ideologias racistas foram censuradas em todas as suas variantes, independentemente de se referirem a diferenças biológicas, culturais ou religiosas. Outros alvos de repúdio foram o apartheid, a escravidão, o tráfico de escravos e o colonialismo.


Também os direitos dos povos indígenas foram incluídos na agenda do sistema de direitos humanos da ONU, assim como a situação dos refugiados e migrantes e os direitos de pessoas de origem africana e das etnias sinto e rom.


O documento final continha uma longa lista de propostas a serem implementadas em nível nacional. A meta da próxima conferência, denominada Durban Review (revisão de Durban), é discutir o estágio de avanço de todos esses assuntos.


Pouca ação desde Durban


Segundo comentou Bieledfeldt, a exigência de implementar iniciativas nacionais contra o racismo não chegou a ser cumprida em muitos países. "Seria ótimo se, digamos, cem países tivessem feito isso, o que permitiria uma revisão, uma retrospectiva, uma avaliação. Mas só foram poucos a implementar os planos nacionais de ação."


As primeiras recusas de participar da conferência deste ano partiram do Canadá e de Israel. A crítica se dirigiu sobretudo contra ataques unilaterais a Israel presentes num esboço de documento final.


Manifestações pró-Israel em Berlim, janeiro de 2009

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Manifestações pró-Israel em Berlim, janeiro de 2009


Para Bielefeldt, os ataques a Israel despertam a suspeita de um antissemitismo camuflado e não podem ser incluídos na declaração final. O pesquisador considera inaceitável essa fixação unilateral em Israel; para ele, o país acabou se tornando uma superfície de projeção para muitas coisas.


Boicote seria fatal


No entanto, o esboço de documento final contém inúmeros outros aspectos sobre o tema racismo. Afinal, segundo aponta Bielefeldt, o insulto a Israel não é de interesse primário dos países do Sul. O pesquisador lembra de outros problemas relevantes, como a discriminação por causa da cor da pele ou as antigas e as novas formas da escravidão.


A ausência de várias nações ameaça transformar a conferência numa farsa. Foi por isso que, após o anúncio de que os Estados Unidos não compareceriam ao evento, a comissária de direitos humanos da ONU, Navanethem Pillay, conclamou todos os países à participação.


Das nações europeias, Itália, Alemanha e Holanda são as que apresentam as maiores restrições à participação. Bielefeldt considera fatal para o evento um eventual boicote prévio dos países europeus.


"Acho que é preciso intervir na conversa, fazer resistência contra tendências de uma política unilateral anti-israelense, contra todas as formas de antissemitismo dissimulado. A agenda antirracista é importante demais para deixá-la a critério dos países que representam uma linha dura ideológica, como o Zimbábue, o Irã, Cuba, entre outros. Isso seria fatal."


SM/AS/dw/afp/kna

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Deutsche Welle 2009.03.20

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ONU denunciará Israel por crimes de guerra em Gaza


20 DE MARÇO DE 2009 - 16h48


O relator da ONU para os territórios palestinos, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza e pede que um grupo de analistas averigue sua denúncia.



Em seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que apresentará na segunda-feira, Falk conclui que a ação militar israelense em Gaza não estava legalmente justificada e foi potencialmente um crime de guerra.


Segundo Falk, se não é possível distinguir entre os alvos militares e os civis, como define as condições de Gaza, "então lançar os ataques é inerentemente ilegal e poderia constituir um crime de guerra da maior magnitude sob a lei internacional".


Seu relatório afirma que "os ataques se dirigiram a áreas densamente povoadas, (...) sendo previsível que hospitais, escolas e igrejas e sedes da ONU fossem atingidos pelos bombardeios israelenses, causando numerosas vítimas civis".


Um segundo agravante para Falk é o fato de que todas as fronteiras da faixa de Gaza ficaram fechadas, de forma que "os civis não podiam escapar dos locais atacados".


"Em uma política beligerante sem precedentes, Israel rejeitou a permissão a toda a população civil de Gaza -com a exceção de 200 mulheres estrangeiras- de abandonar a área de guerra durante os 22 dias de ataques que começaram em 27 de dezembro", acrescenta em seu relatório.


"Ao fazer isto, crianças, mulheres, doentes e incapacitados foram incapazes de fugir das operações militares de Israel, e esta condição se agravou pela ausência de locais para se esconder em Gaza, dado seu pequeno tamanho, sua densa população e a ausência de refúgios naturais ou construídos pelo homem".


Na ofensiva, morreram 1.434 palestinos, dos quais 235 eram combatentes, 239 policiais e 960 civis, entre eles 288 crianças e 121 mulheres, segundo as autoridades de Saúde do governo do Hamas.


Além deles, 5.303 palestinos foram feridos, entre eles 1.606 crianças e 828 mulheres, enquanto 21 mil imóveis foram gravemente danificados, segundo a mesma fonte.


O relator rejeita a defesa israelense de que a ofensiva ocorreu em resposta aos lançamentos de foguetes do Hamas contra seu território.


Segundo Falk, "durante o período de cessar-fogo dos meses anteriores, foi predominantemente Israel quem o violava, e o Hamas quem respondia (...) em 79% dos casos".


Em um desses casos, em novembro, um ataque israelense matou seis integrantes do Hamas, que, segundo Israel, faziam um túnel para sequestrar soldados como Gilad Shalit, refém do grupo que controla a faixa de Gaza desde 2006.

A agressão israelense em Gaza, que durou de 27 de dezembro de 2008 a 18 de janeiro deste ano, ocorreu, no entanto, após ataques do Hamas, que rejeitou a prorrogação do cessar-fogo que iria até 19 de dezembro e passou a lançar foguetes contra o território israelense três dias antes.


Na conclusão de seu relatório, Falk propõe uma investigação por "três ou mais respeitados especialistas em leis internacionais de direitos humanos e lei criminal internacional", acrescentando que devem ser examinados igualmente os lançamentos de foguetes pelo Hamas.


Falk acredita que podem se aplicar as jurisprudências dos principais tribunais internacionais (ex-Iugoslávia, Ruanda e Tribunal Penal Internacional).


Relatos vivos dos crimes de guerra


Ao mesmo tempo, dezenas de organizações israelenses de defesa dos direitos humanos exigiram um inquérito independente sobre os supostos crimes de guerra do exército israelita em Gaza, um dia depois de terem sido revelados novos testemunhos de soldados sobre disparos contra civis na última agressão, entre dezembro e janeiro.


Uma dezena de grupos, incluindo a B’Tselem e a Associação de Direitos Civicos, divulgaram comunicados defendendo que a decisão do procurador geral do exército, de abrir dois inquéritos sobre a morte de civis palestinos, não oferece as garantias de independencia necessárias.


O diario Haaretz acusou nesta sexta-feira o exército de "acordar demasiado tarde" para estes casos. O Haaretz foi o jornal que começou a publicar os depoimentos dos soldados que admitem ter assassinado civis palestinos e destruído intencionalmente as suas casas, recorrendo a regras de combate "muito permissivas".


Os depoimentos foram de oficiais e soldados rasos que frequentam o curso preparatório pré-militar Yitzhak Rabin na Oranim Academic College, na cidade de Tivon.


Foram entrevistados em 13 de fevereiro, durante uma discussão sobre a guerra. A transcrição da sessão foi publicada esta semana na newsletter dos estudantes do curso e vai também ser reproduzida na íntegra nas próximas edições do Haaretz.


Entre os trechos já publicados está o relato de um líder de um pelotão de infantaria, que descreve um incidente em que um atirador teria disparado "por engano" contra uma mãe palestina e seus dois filhos.


"Havia uma casa com uma família lá dentro... ordenámos que fossem para um quarto. Mais tarde, saímos da casa e um outro pelotão entrou, poucos dias depois, houve uma ordem para libertar a família. Os soldados estavam posicionados no andar de cima, e um atirador estava posicionado no telhado", descreve.


"O comandante do batalhão libertou a família e disse-lhe que se dirigisse para o lado direito. A mãe e as duas crianças não compreenderam e foram para o lado esquerdo, mas eles esqueceram-se de dizer ao atirador que estava no telhado que tinham libertado a família e que não devia atirar e... ele fez o que era adequado, ele seguiu as ordens."


De acordo com o líder do pelotão, "o atirador viu uma mulher e as crianças aproximarem-se para além das linhas que ele tinha sido informado que ninguém podia passar. Ele disparou imediatamente sobre eles. De qualquer modo, o que aconteceu é que no fim ele matou-os."


Vidas palestinas são "menos importantes"


"Penso que ele não se sentiu mal com o assunto, porque no fim de tudo, ele fez o seu trabalho de acordo com as ordens que lhe foram dadas. E a atmosfera no geral, pelo que eu percebi pela maioria dos homens com que falei... Não sei como descrever isto... As vidas dos palestinos, digamos que, é algo muito, mas muito menos importante do que as vidas dos nossos soldados. Por isso, no que lhes diz respeito, eles podem justificá-lo dessa maneira."


Os testemunhos inéditos das situações que cercam as agressões vividas por pilotos de combate e soldados de infantaria estão em aberta contradição em relação à posição oficial dos militares, que defendem que a "operação" e o "comportamento" das tropas israelenses foram "irrepreensíveis".


Um líder de outro pelotão da mesma brigada relatou outro crime, no qual o comandante da companhia ordenou que ele atirasse e matasse uma mulher palestina mais velha.


"O líder do pelotão discutiu com o seu comando sobre as regras de combate, que permitiam a destruição de casas sem ter que avisar com antecedência os residentes. Depois de as ordens terem sido alteradas, os soldados que lideravam os pelotões queixaram-se que ‘deviam matar toda a gente que lá estava [no centro de Gaza]’. Todos os que lá estão são terroristas."


Este soldado afirmou ainda que "não se tem a impressão, pelos oficiais, de que exista algum tipo de lógica. Escrever ‘morte aos árabes’ nas paredes, tirar fotografias de famílias e cuspir sobre elas, só porque se pode fazê-lo, isto é o mais importante. Para perceber o quanto as forças de segurança desceram no domínio da ética, a sério. É disto que eu me vou lembrar", finalizou.

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in Vermelho 2009.03-20
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sexta-feira, março 06, 2009

Os mitos sobre Israel e sobre como demoli-los


por Lejeune Mirhan*


Entre tantos erros e equívocos cometidos por Israel ao longo de sua existência de 61 anos, talvez o maior deles tenha sido esse massacre cometido, mais uma vez, contra o povo palestino da Faixa de Gaza. Se entre as camadas mais esclarecidas da população já era difícil sustentar a existência desse Estado, depois de tudo, hoje vai ficando cada vez mais insustentável a sua continuidade. Vejamos por que.



Ilan Pappé intelectual perseguido Os mitos, segundo Pappé





Dependendo do ponto de vista teórico, do autor a que nos baseamos, podem ser mais ou menos o número de mitos relacionados com a existência de Israel. Aqui vamos fazer um pequeno resumo histórico do significado desses mitos. O Prof. Dr. Ilan Pappé, judeu e historiador israelense, que acabou tendo que deixar Israel pelas imensas pressões que vinha sofrendo, é um dos que fala em mitos. Hoje Pappé, que tem 55 anos, mora na Inglaterra e leciona na Universidade de Exeter (para saber mais de Pappé, visite sua página pessoal em http://ilanpappe.com/).





Para ele, os mitos se resumem a quatro: a) Que a Palestina era uma terra vazia e sem povo e que isso justifica que fosse dada a um “povo sem terra”; b) Que em 1948, quando da proclamação do Estado de Israel, os palestinos abandonaram voluntariamente as suas terras se retiraram, a pedido inclusive dos países árabes vizinhos, que iriam atacar Israel; c) Que desde a sua criação em 1948, Israel é que sempre buscou a paz e os árabes é que não a querem; d) Que a luta armada praticada pelos palestinos na sua resistência à ocupação, é na verdade terrorismo.





Quem conhece a realidade árabe e palestina e acompanha minimamente a luta desse povo pela recuperação de suas terras, sabe muito bem que esses quatro mitos não têm nenhuma base real. Mas, a propaganda sionista, extremamente eficiente, conseguiu convencer milhões em todo mundo sobre esses mitos. Praticamente todos os jornais centrais dos países imperiais reproduzem essas mentiras. Pode ser incrível, mas até intelectuais de renome, foram “recrutados” para essas opiniões e conceitos.





Os mitos, segundo Schoenman





Ralph Schoenman tem uma trajetória interessante. Nascido nos Estados Unidos em 1935 e desde que formou em 1958, se engajou em diversas campanhas internacionais, um humanista. Foi secretário pessoal de Bertrand Russel, filósofo e matemático inglês e depois acabou sendo o secretário-geral da Fundação Bertrand Russel, que instala tribunais para julgar crimes contra a humanidade (para saber mais de Schoenman leia no endereço http://en.wikipedia.org/wiki/Ralph_Schoenman).





Ralph também menciona quatro mitos, mas apenas um coincide com as opiniões de Pappé. Vamos a eles, comentando inclusive as suas contradições e oferecendo o contraponto.





1º Mito: “Uma terra sem povo para um povo sem terra” – esse é maior de todos os mitos e a maior mentira que um agrupamento político-religioso inventou para iludir não só o seu próprio povo, mas como iludir e mentir para milhões de pessoas. Tal mito vem desde o final do século XIX, quando o sionismo vai ganhar força. Ora, a Palestina é provavelmente a região mais antiga habitada de forma continuada que se tem notícia na história. Só para exemplificarmos isso, a cidade de Jericó, na Cisjordânia, figura na bíblia com as suas famosas muralhas que desabaram. Pois essa cidade é palestina e tem mais de seis mil anos. Alguns números podem ilustrar isso. Quando o término do império Otomano em 1918, com o final da I Guerra Mundial, os britânicos tomaram conta e receberiam da Liga das Nações um mandato para administrar a região. Fizeram um dos primeiros censos populacionais. Registraram 590 mil árabes presentes na Palestina e apenas 65 mil judeus (11% dos árabes). Mas no final do século XIX, praticamente eram residuais a presença de judeus na Palestina (o que, aliás, que seja dito, os judeus que nunca deixaram a palestina depois da chamada Grande Dispersão ou Diáspora no ano 70 da nossa era, sempre viveram em paz e harmonia com os árabes de todas as religiões). Apenas 30 anos depois, em 1947, um novo censo indicou a presença de 65 mil judeus, quando os árabes eram 1,8 milhão! Os árabes cresceram 300% naturalmente, por nascimentos e os judeus cresceram823% por imigração! Mesmo sabendo que árabes possuíam à época uma média de sete a nove filhos por mulher e os judeus no máximo dois filhos;





2º Mito: “Israel é uma democracia” – também aqui uma das maiores mentiras contadas pelos sionistas e propagadas amplamente pela imprensa norte-americana. Mas, a mídia imperialista é assim mesmo. Pegue-se um caso simples: Cuba. Os donos dos jornais não precisam pedir para seus empregados jornalistas chamarem Fidel Castro de “ditador”. Eles já saem das faculdades com essa visão e pensam dessa forma (claro, com honrosas exceções), mesmo sabendo (ou nem sequer sabem), que Fidel é sistematicamente eleito membro do parlamento e do conselho de estado cubano, estando sempre como o mais votado de seu povo. Em eleições que os observadores internacionais atestam como as mais limpas que ocorrem no mundo. Mas, Israel não é democracia alguma. É um país em cuja carteira de identidade tem um campo que somente lá é pedido para o cidadão informar: a qual religião ele pertence. Se estiver escrito “judeu”, ele é cidadão com plenos poderes. Se for muçulmano, por exemplo, é de segunda classe. Os trabalhadores árabes, segundo a OIT, ganham metade do que ganha um trabalhador judeu para fazer a mesma função. O país nem sequer constituição possui, além de fronteiras indefinidas (o único estado membro da ONU que não possui fronteiras reconhecidas). Em janeiro de 2006, quando ocorreram eleições na Palestina ocupada (Cisjordânia e Gaza), as primeiras na história e o Partido Hamas venceu as eleições, fazendo 59 deputados (em 105), ou seja, 56% do parlamento, o que fez Israel? Prendeu todos os deputados desse Partido! Ainda hoje, o presidente do parlamento palestino encontra-se preso. Existem hoje nos cárceres israelenses, na sua maioria sem julgamento e sequer direito de defesa por advogados, 12 mil prisioneiros políticos palestinos. Ora, os palestinos dentro do que se chama Israel hoje são em torno de 1,2 milhão. Isso quer dizer que 1% da população esta enjaulada. Seria como se no Brasil tivéssemos 1,79 milhões de brasileiros presos! Os partidos árabes e comunistas, ainda que legalizados, possuem imensas restrições em seu funcionamento e no acesso às liberdades. Assim, não há democracia em Israel, ou pelo menos se houver, existe apenas para os judeus;





3º Mito: “Israel precisa de segurança” – também bastante difundido, os dirigentes de Israel sempre bateram na tecla de que a sua política externa e sua estrutura social deve ser altamente militarizada, pelo constante medo e ameaças que os seus vizinhos árabes sempre fizeram com relação à sua existência. Para isso, eles montaram o quarto mais poderoso exército do mundo, perdendo apenas para os EUA (seus financiadores), a China e a Rússia! Os tais exércitos árabes nunca enfrentaram Israel, apenas se defenderam dos seus ataques. A propalada ofensiva dos tais “exércitos árabes” feitas em 1948, foi apenas uma reação à brutal expansão que Israel fez ao proclamar seu Estado em 14 de maio, saltando de 56% das terras que a ONU lhe concedeu, para 78% de toda a Palestina histórica. Os exércitos da Jordânia, Síria e Egito reagiram e tentaram garantir pelo menos algumas terras para os palestinos, com 22% apenas, cujo estado nunca acabou sendo proclamado;





4º Mito: “Israel é herdeiro moral da vítimas do Holocausto” – um grande mito. Não estou entre os que se dizem “negacionistas”, que negam a existência do Holocausto judeu. Ele é real e vitimou seis milhões de pessoas judeus, ciganos, gays, deficientes (físicos e mentais), comunistas, cristãos e tantas outras pessoas e grupos sociais. No entanto, os atuais dirigentes de Israel acabam por ter práticas semelhantes na forma do que os nazistas tiveram na II Guerra. Há também a polêmica questão de relações equivocadas e promíscuas entre sionistas e comandantes do Reich. Há muita documentação sobre isso. Fechar os olhos às perseguições nazistas contra judeus interessaria, objetivamente, naquele momento, para forçar uma migração para a “Terra Prometida”, projeto original do sionismo, que incentivava em todo o mundo, pela Agência Judaica, com milhões de dólares, que famílias judaicas mudassem para a Palestina (e, claro, no período do mandato britânico, eles eram recebidos na Palestina).





Poderíamos acrescentar outros, de menor importância e sob outros aspectos. Mas ficamos com esses, que, unindo a visão dos dois intelectuais, seriam sete grandes mitos que Israel difundiu ao mundo. Desmontá-los, desmascará-los, é tarefa nossa cotidiana, uma pregação diuturna, incansável, até que vença a verdade histórica, pois nunca tivemos dúvida, a história dará razão e fará justiça ao povo palestino um dia.





Bibi será primeiro Ministro





Conforme apontamos como provável, mesmo antes das eleições de 10 de fevereiro, Benjamin Netanyahu será mesmo primeiro Ministro. Os partidos de direita e extrema direita fascista fizeram 65 cadeiras, mas do que suficiente para formar um governo. Ainda que Bibi esteja tentado envolver o Partido Trabalhista e o Kadima, organizações mais ao centro na política, ele acabará por formar seu governo por partidos que negam qualquer direito aos palestinos e discordam da solução, quase que unânime entre palestinos e na diplomacia internacional, de dois estados convivendo lado-a-lado e que a paz só vai ser conseguida com a devolução das terras palestinas.






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*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological



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* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 5 DE MARÇO DE 2009 - 20h04
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domingo, fevereiro 22, 2009

Israel declarado culpado por crimes de genocídio

Adital - O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 de fevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de...
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Leia mais sobre este e outros assuntos interessantes no www.bodegacultural.com



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in Momentos & Documentos - dom 22-02-2009 14:30
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terça-feira, janeiro 27, 2009

Massacres de Gaza


Massacre de Gaza
Pontos de referência essenciais

O martírio da população da Faixa de Gaza tem sido enquadrado por uma orquestração mediática que manipula e desinforma, submerge informação verídica e opinião construtiva, esconde as questões de fundo, banaliza e absolve os piores crimes. Importa por isso não perder de vista pontos de referência fundamentais.

A raiz do conflito. É necessário não esquecer, como pretende a propaganda sionista, que ela reside na expulsão violenta de milhões de palestinianos das suas terras e das suas casas e na transformação da vida das populações dos territórios ocupados num autentico inferno. Enquanto os direitos nacionais do povo palestiniano não forem reconhecidos e respeitados, enquanto não for criado e garantido um Estado palestiniano independente e soberano com capital em Jerusalém, enquanto não forem implementadas as resoluções da ONU sobre a questão palestiniana, não haverá uma paz justa e duradoura na região.
As incontáveis «tréguas», «acordos» e «processos de paz» que se têm sucedido, ignorando ou subalternizando sempre esta questão central, só têm servido para consolidar no terreno as posições do ocupante.
Um Estado fora da lei. A coberto de uma fachada interna «democrática» e da manipulação das terríveis perseguições de que os judeus foram vítimas pela Alemanha de Hitler, Israel tornou-se num Estado que viola sistematicamente a legalidade internacional e que, à semelhança do nazismo, recorre a práticas caracterizadas pelo desprezo pela vida humana, a crueldade, a retaliação e perseguição em massa. É necessário chamar as coisas pelos nomes e não fechar os olhos a uma realidade que os massacres de Gaza tão dramaticamente denunciam.
A responsabilidade dos EUA. Fortemente militarizado, com um Exército e serviços secretos sofisticados, dispondo de armas nucleares e químicas nunca declaradas, Israel é entretanto um Estado cujo poder depende dos EUA e a sua criminosa política de terrorismo de Estado é afinal expressão da política terrorista do imperialismo norte-americano. Israel não é mais que uma fortaleza avançada dos EUA para a sua estratégia de domínio do Médio Oriente. A comprová-lo está o acordo entre Israel e os EUA, assinado em plena ofensiva assassina, visando a extensão das operações navais norte-americanas na região, numa escalada agressiva já denunciada pela FDLP e por outras forças progressistas palestinianas.
A cumplicidade da União Europeia. Em ano de eleições para o Parlamento Europeu ganha ainda maior relevância a cumplicidade da UE com os crimes das tropas israelitas. Em plena ofensiva contra Gaza, em lugar da condenação e sanções ao agressor, a UE oferece a Israel o reforço do seu estatuto de associação. E o PE adopta por esmagadora maioria uma resolução que os deputados do PCP não puderam acompanhar por colocar no mesmo plano agressor e agredido, iludir as questões de fundo e pôr a UE uma vez mais a reboque dos EUA.

Realidades de sinal contrário

A ONU. Salta à vista a impotência da ONU e a instrumentalização do seu Conselho de Segurança e do seu Secretário-Geral, Ban Ki-moon, um ridículo homem de palha do imperialismo. Situação perigosa recordando o lamentável desempenho da Sociedade das Nações que precedeu a II Guerra Mundial.
Simultaneamente, verifica-se também uma realidade de sinal contrário, positiva, que a generalidade da comunicação social silenciou: coragem e dignidade do Presidente da Assembleia-Geral da ONU, Miguel D’Escoto, que, coerente com os valores da revolução sandinista de que foi protagonista destacado, não hesitou em denunciar os crimes dos agressores e em afirmar que «Israel não é mais do que um tentáculo dos EUA nessa parte do mundo».
Coragem e dignidade também na Comissão de Direitos Humanos da ONU com uma excelente Resolução exigindo a imediata retirada de Israel da Faixa de Gaza aprovada por 33 votos contra 1 (do Canadá) e 13 abstenções, significativamente de países da UE e outros aliados dos EUA.
Portugal. O seguidismo do Governo do PS em relação aos EUA, à UE e à NATO é uma vergonha. Noticia-se que o Governo não autorizaria a passagem por Portugal de armas para Israel. Mas as Lages lá estão para o que os EUA entenderem necessário às suas «operações encobertas» de subversão e agressão, nomeadamente no Médio Oriente e é cada vez mais frequente, como agora no Afeganistão, a participação das Forças Armadas portuguesas em operações de guerra imperialista.
A luta. Só a luta anti-imperialista, a solidariedade internacionalista, a acção comum ou convergente dos comunistas e de todas as forças do progresso social, pode atar as mãos criminosas dos agressores sionistas e dos seus patrões norte-americanos e europeus. Daí a importância de uma ampla acção de esclarecimento do Partido com a larga difusão dos documentos de denúncia do massacre de Gaza. Daí a necessidade de dar ainda mais força às acções de solidariedade para com a luta do heróico povo palestiniano, nomeadamente à manifestação convocada para sábado em Lisboa.
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in Avante
Nº 1834
22.Janeiro.2009
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