A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quinta-feira, maio 20, 2010

Comentário - PQP ! - Plano de austeridade ameaça arrastar-se para além do próximo ano




Em menos de uma semana, o discurso mudou. Em vez de um ano e meio de aumento do IVA, de sobretaxa no IRS e taxa extraordinária sobre as empresas com lucros acima dos dois milhões de euros, as medidas de austeridade poderão agora prolongar-se "enquanto forem necessárias para assegurar que a redução do défice é sustentável e duradoura", diz o ministro das Finanças.

A afirmação de Teixeira dos Santos, feita ontem em Bruxelas, contrasta com a garantia dada pelo primeiro-ministro de que o novo pacote de consolidação orçamental duraria apenas até final de 2011. A aparente contradição não escapou ao PSD e o secretário-geral do partido, Miguel Relvas, exigiu já que o Governo esclareça qual o prazo em que as medidas estarão em vigor.

Contudo, quer haja ou não um prazo mais alargado para o pacote de austeridade, a dúvida permanece: será ele suficiente para que Portugal cumpra as metas do défice para os próximos anos? De acordo com alguns economistas contactados pelo PÚBLICO, as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo podem não só fazer o país regressar a um crescimento económico negativo, como são insuficientes para que o país saia de 2011 com um défice de 4,6 por cento e de 2013 com um valor abaixo dos três por cento, o limite definido por Bruxelas. Poderá, pois, ser necessário apertar ainda mais o cinto, uma hipótese que o próprio Banco de Portugal já deixou em cima da mesa.

Num relatório divulgado anteontem, a instituição liderada por Vítor Constâncio defendia que as medidas de consolidação, "bem como outras que venham a revelar-se necessárias, deverão manter-se em vigor até a situação de défice excessivo ser corrigida de forma sustentável". Se isso implicar um défice abaixo dos três por cento (o limite de Bruxelas), o pacote de austeridade teria de manter-se até 2013, ano em que o Governo prevê um défice de 2,8 por cento.

Para o economista João Cravinho, dificilmente o Governo irá retirar as medidas de austeridade no final do próximo ano e poderá mesmo ter de lançar medidas adicionais de consolidação. Também o economista Miguel St Aubyn considera que "a mesma razão que leva a que agora sejam tomadas estas medidas justifica a sua manutenção em anos posteriores".

Segundo João Cravinho, é neste momento incerto se Portugal conseguirá atingir ou não as suas metas do défice, mas as perspectivas, pelo menos a curto prazo, não se afiguram boas". O antigo ministro do Planeamento no Governo de António Guterres prevê que, com o pacote de austeridade, o país entre em recessão nos últimos trimestres do ano.

Corte a fundo na despesa


Do mesmo modo, o economista José Reis considera que, se os impactos recessivos das medidas de austeridade forem muitos fortes,"pode não bastar um ano e meio" para que tenham o efeito pretendido de consolidação das finanças, "porque podemos estar no meio de um ciclo infernal de estagnação".

Também para o economista César das Neves "ano e meio não chega e até é possível que três anos também não" para atingir as metas do défice delineadas pelo Governo. Campos e Cunha, que foi ministro das Finanças no primeiro Governo de José Sócrates, vai mais longe e acredita mesmo que, em 2014, Portugal sofrerá "um novo pacote ainda mais severo".

"Mesmo que atinjamos a meta do défice em 2013, não vamos consegui-lo em 2014, porque as facturas das despesas com as concessões e as parcerias público-privadas (PPP) vão começar a chegar", avisa Campos e Cunha, um alerta que é também deixado por Eduardo Catroga.

Para o ministro das Finanças no Executivo de Cavaco Silva, as medidas de austeridade anunciadas não resolvem o problema. "Portugal precisava de ter seguido uma política como a da Irlanda ou da Grécia, com uma redução drástica da despesa pública", defende, adiantando que isso implicaria atacar em várias frentes: despesas com pessoal, prestações sociais, consumos intermédios, racionalização das estruturas da administração central, regional e local e eliminação de institutos públicos e empresas municipais.

Quem também apela à realização das "famigeradas reformas estruturais" é César das Neves. "Essas reformas (a única que foi parcialmente feita foi a da Segurança Social) são conhecidas, anunciadas, mas não realizadas por razões políticas", defende. "Não é difícil dizer o que é preciso mexer, o que é difícil é mexer e Sócrates não o fez com maioria absoluta e a economia a crescer", conclui.

"Medidas corajosas"
Há uma semana, o primeiro-ministro anunciou um plano de austeridade a aplicar a partir de 1 de Junho e com duração de um "ano e meio" para permitir a redução do défice orçamental de 9,4 por cento do PIB em 2009 para 7,3 por cento este ano (em vez dos 8,3 por cento previstos) e de novo para 4,6 por cento em 2011 (ver gráfico ao lado).

Esta aceleração da consolidação foi imposta pelos governos europeus a Portugal e Espanha, os dois países que, depois da Grécia, são considerados os mais vulneráveis da zona euro e que maiores preocupações suscitam aos investidores financeiros, o que por sua vez tem gerado vagas de ataques especulativos contra a solidez da moeda única.

Jean-Claude Juncker, ministro das Finanças do Luxemburgo que preside ao Eurogrupo, considerou na segunda-feira à noite que as medidas portuguesas e espanholas são "corajosas" e "indicam uma trajectória de ajustamento que nos dá satisfação". As medidas anunciadas pelos Governos português e espanhol serão agora examinadas em detalhe pela Comissão Europeia, antes de os ministros das Finanças da zona euro darem a sua posição final sobre as mesmas, na reunião de 7 e 8 de Junho. com Sofia Rodrigues
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  1. Anónimo . 19.05.2010 09:00
    Via PÚBLICO

    E as pessoas?

    A única coisa que não percebo é: e o que é que fazem com as pessoas? Sim com todas essas pessoas que trabalham e vão ganhar menos e que já tinham dificuldades sérias para financiar a sua vida e a das suas familias. O que acontece com os milhares de pessoas que trabalham para os institutos publicos, para o Estado (incluindo a para a hospitais, escolas, segurança pública) e todas as companhias e firmas privadas que a eles estão ligados ou que prestam serviços para essas pessoas que são empregadas pelo Estado (neste artigo aparecem basicamente como a raíz do mal)? Aniquilar toda essa gente? Ninguém parece falar dos resultados reais desta austeridade: queda do poder de compra e com ele a queda das vendas e do lucro. Ninguém fala de um plano B para o que fazer com toda essa parte da população que tem, a propósito, descontado para o Estado! Só se falam em medidas de corte e não de construção e reedificação da economia! Sim, talvez os gastos sejam demasiados, mas começar a cortar sem planos alternativos vai levar à miséria...ninguém pensa nisso?
  2. abc , Portugal. 19.05.2010 22:57

    Bolos para tolos

    Tal como no anterior, depois de anos a aumentar os impostos baixaram um ponto no IVA e deram o aumento de 2.9% aos funcionários públicos. Agora fazem-nos pagar a conta das prendas distribuidas para ganhar as eleições. Seguem-se mais uns anos de aumentos de impostos, para antes das próximas eleições darem mais umas tretas e uns bolos aos tolos. Sendo este o objectivo único da governação PS é fácil compreender o estado de bancarrota do país. Mas enfim, os portugueses gostam de serem enganados.
  3. Anónimo , VERDADE. 19.05.2010 16:42

    VERDADE

    Não se queixem Portugueses, os Poucos Portugueses intelegentes que este pais tem sabiam que isto ia acontecer...Os portugueses escolheram o P.S para governar agora vão ter de acarretar com as consequencias!!! lololol até da-me vontade de rir... O Zé Povinho deixou-se levar por estes 15 anos agora vai ter de acarretar com as consequencias!!! bem feito
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Zara R . 20.05.2010
Via PÚBLICO

RE: VERDADE

Até parece que foi em 15 anos que este País foi ao fundo??Há muito tempo que todos nós sabemos que o País estava nas lonas e ninguém se preocupou..Agora é que esta toda a gente a atribuir culpa a quem não a tem, em vez de propor soluções!Que pena!!
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quarta-feira, maio 19, 2010

Crise: professores, saúde e pensões serão os mais afectados




Entrada de docentes no quadro em risco. Saúde pode entrar em colapso
 
15.05.2010 - 08:45 Por Alexandra Campos, Clara Viana, Ana Rita Faria, João d´Espiney

Ainda não deverá ser no próximo ano que milhares de professores que se encontram a contrato verão assegurado o seu ingresso na função pública.
<p>Corrida às reformas está a esvaziar hospitais e centros 
de saúde</p> Corrida às reformas está a esvaziar hospitais e centros de saúde
 (Enric Vives Rubio)
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O Ministério da Educação assumiu este compromisso, mas o congelamento de novas admissões na função pública aprovado esta semana pelo Governo põe em risco a realização do concurso extraordinário previsto para 2011, precisamente com vista à entrada nos quadros de uma parte dos cerca de 23 mil docentes actualmente a contrato.

O Ministério da Educação - que juntamente com os da Saúde e da Administração Interna eram a excepção à regra de 1 (entrada) por 2 (saídas) - indicou ontem que "a questão está a ser avaliada com todo o cuidado" e que "oportunamente se decidirá sobre o assunto". Já o Ministério das Finanças, numa primeira resposta ao PÚBLICO, indicou que, face ao congelamento de novas entradas na função pública, só irão por diante os concursos que "já tenham sido autorizados" pelo ministro Teixeira dos Santos.

Tendo em conta que ainda não estão definidos nem os termos nem o universo exacto a abranger pelo concurso de 2011, o PÚBLICO voltou a questionar os dois ministérios sobre o fim do concurso. O ministério de Isabel Alçada remeteu para as Finanças. O de Teixeira dos Santos respondeu: "Os procedimentos já autorizados, autorizados estão. Os restantes casos serão apreciados individualmente, atendendo a que eventuais admissões serão sempre casos muito excepcionais, devidamente fundamentados, a autorizar pelo respectivo ministro e pelo ministro das Finanças."

A realização de um concurso extraordinário em 2011 faz parte do acordo que, em Janeiro, o ministério celebrou com os sindicatos dos professores. Segundo a Federação Nacional dos Professores, dos cerca de 23 mil professores que este ano lectivo estavam a contrato, 15 mil estariam a assegurar necessidades permanentes. O ministério não apresentou números, mas a ministra comprometeu-se a fazer um levantamento da situação. No mês passado, por iniciativa do PS e do CDS-PP, o Parlamento aprovou uma resolução, já publicada em Diário da República, que recomenda ao Governo a abertura do concurso "no máximo" até Janeiro de 2011. Objectivo: a integração de professores profissionalizados contratados que estejam em funções há mais de 10 anos. Estarão nesta situação entre quatro mil e oito mil docentes. "Nem nos passa pela cabeça que este compromisso não seja cumprido", disse ontem o secretário-geral da Fenprof. Mário Nogueira insistiu que este não foi um compromisso "assumido apenas com os professores, mas sim com o país", lembrando que, desde 2007, passaram à reforma 14.159 professores e apenas ingressaram nos quadros 396.

Vão "estoirar" com o SNS

Aplicada a um sector onde trabalham mais de 123 mil funcionários e onde várias instituições já estão a trabalhar "no limite", o fim da regra um por dois representará a destruição do Serviço Nacional de Saúde, concluem, em uníssono, vários sindicalistas ouvidos pelo PÚBLICO. Carlos Santos, do Sindicato Independente dos Médicos, lembra ainda que, face à corrida às aposentações antecipadas verificada nos primeiros três meses do ano (entre 500 a 600 clínicos pediram a reforma), o Conselho de Ministros aprovou um regime excepcional para recontratar médicos reformados, de forma a evitar o colapso dos serviços. "Temos a procura a aumentar devido ao envelhecimento da população e uma boa parte da classe médica com uma média etária muito elevada. Se isso avançar, estoiram com o SNS."

Isto vai implicar "dificuldades acrescidas de funcionamento, a diminuição de consultas e cirurgias e mesmo alguns encerramentos de serviços", avisa Sérgio Esperança, da Federação Nacional dos Médicos. "Em vez de irem às cinco da manhã para os centros de saúde, os cidadãos passam a ir às quatro; em vez de esperarem um ano para serem operados nos hospitais, esperam dois", descreve, sarcástico, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes.

Mas os problemas não se cingem à classe médica. Há falta de enfermeiros, de auxiliares, de técnicos de diagnóstico e terapêutica, de administrativos. Paulo Taborda, da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, está preocupado com um problema que se vai colocar já no final de Junho e Julho, devido à anulação do concurso que ia permitir a passagem de cerca de seis mil funcionários com vínculos precários para contratos com termo indeterminado.

"De acordo com as orientações da OMS, faltam cinco mil enfermeiros nos cuidados de saúde primários e 20 mil nos hospitais", afirma Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que acredita que uma redução desta ordem porá em causa "a segurança e a qualidade do SNS".

O último (Estudo das Necessidades Previsionais de Recursos Humanos em Saúde) previa que, para manter os rácios actuais, seriam necessários 8231 novos especialistas até 2020. E, para os enfermeiros, estimava um mínimo de 14 mil novas entradas. Questionado sobre a matéria, o Ministério da Saúde remeteu para o Ministério das Finanças. "O Ministério da Saúde, nesta fase, não acrescenta mais informação."

O Centro Nacional de Pensões é outra das vozes que se juntaram ao coro e, no dia 26 de Maio, vai fazer uma greve durante meio-dia em protesto contra a situação de "ruptura" provocada pela falta de pessoal. Segundo Luís Neves, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores, o organismo responsável pela atribuição das pensões passou de 2000 funcionários para pouco mais de 600 em apenas cinco anos. "Há secções sem chefias, atrasos de meses e pessoas a fazer trabalho extraordinário ao sábado, que agora também é cortado", disse ao PÚBLICO o dirigente sindical.

Nos serviços que se queixam já da falta de pessoal, a situação só tenderá a piorar com a decisão do Governo. Mas, em muitos outros organismos públicos, poderá começar também a verificar-se a mesma situação, à medida que forem despachados os pedidos de reforma que a Caixa Geral de Aposentações (CGA) recebeu desde o início do ano. Entre Fevereiro e finais de Abril, 18.132 funcionários públicos pediram a reforma, um número já próximo dos 22 mil pedidos que a CGA esperava para todo ano.
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