"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
sábado, fevereiro 11, 2012
“Unidade, unidade, unidade do trabalho contra o capital”
sábado, fevereiro 04, 2012
João Aguiar ~ O darwinismo social é uma coincidência?
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Lançamento do livro "Classes, Valor e Acção Social" de João Aguiar
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quinta-feira, maio 31, 2007
Importa transmitir estes e outros importantes dados a todos os amigos, conhecidos e colegas de trabalho para demonstrar o REAL impacto da Greve Geral. Para mostrar o enorme potencial que emana da luta organizada e solidária dos trabalhadores.
quinta-feira, maio 17, 2007
* João Valente Aguiar
Um texto interessantíssimo de Dario Fo - poeta e dramaturgo italiano - sobre a personalidade militante e engajada de Charles Chaplin. A ler.
«Ninguém melhor que Chaplin soube desenvolver a crítica agressiva, cheia de raiva, à ideologia da máquina e, em particular, aos métodos de Taylor, ou seja, os que exploram o homem, inclusive na sua gestualidade»
Sai, nos próximos dias [em Itália], o livro «Charlie Chaplin, Opiniões de um Vagabundo». Esqueçamos que Charles Chaplin foi, no século XX, com toda a certeza, um dos homens mais importantes do espectáculo, em particular do cinema. Exaspera-me, entretanto, o interminável número de crónicas patéticas, lírico ou literário que sobre ele se escreveram, a partir da sua morte
Repescando nesse monte de comentários, adianto alguns: «O fundo judaico da sua arte e da sua indubitável tristeza, a natureza do seu humor de duplo e triplo sentido, é pouco acessível ao público» (Montale). «Tinha no sorrido o pranto do mundo, e nas lágrimas das coisas fazia bailar a alegria da vida» (Giovani Grazzini, no Corriere della Sera). E rótulos, bem… até à saturação: «anarquista-lírico», «individualista-colectivo», «patético», «fantástico», «rebelde», «melancólico», «palhaço da esperança», «grotesco», «existencialista». Ninguém, digo, ninguém, falou alguma vez da sua «raiva».
Chaplin era sobretudo um homem com um sentido do amor e do ódio profundamente arreigado. Odiava quase com fúria o mundo que o rodeava, o poder, a máquina do capital. Odiava a ordem do Estado, com os seus polícias, os seus juízes e as suas prisões. Odiava a ordem moral daquela sociedade, a ordem do lucro comercial, bancário, industrial. A ordem religiosa com as suas hipocrisias, os seus dogmas e as suas falsas esperanças. E, finalmente, odiava a ordem cultural da burguesia e do capital, e a ordem dos seus falsos e muitas vezes infames mitos.
A convencional América do Norte, instalada à volta dos negócios, não o amava, não lhe perdoava as suas simpatias comunistas, os seus pretensos laços com a Rússia, a sua pretensa falta de patriotismo, devida ao facto de nunca ter querido adoptar a cidadania norte-americana.
Julgo que em muito poucas obras do cinema e do teatro dos últimos setenta anos se sentiu de forma tão clara tanto ódio à lógica da máquina que mortifica, humilha, aliena e assassina o homem e a sua humanidade como o que «Tempos Modernos» expressou.
Ninguém melhor que Chaplin soube desenvolver a crítica agressiva, cheia de raiva, à ideologia da máquina e, em particular, aos métodos de Taylor, ou seja, aos que exploram o homem, inclusive na sua gestualidade.
Do mesmo modo atacou toda a ideologia do moralismo norte-americano, o da «boa sociedade», que é infame em certos aspectos mas que é sempre resolvido com o bom coração e a boa vontade dos humildes: opôs-se, em suma, a todo o cinema de Frank Capra. Quando usa o patético, Chaplin usa-o sempre com grande crueldade. Basta recordar o desenlace realmente cruel das cenas de Chaplin na «Rua do Medo», quando distribui comida às crianças famintas e atira o grão de milho à sua volta como se houvesse muitas galinhas a quem dar de comer. Inclusive, quando entra no jogo da felicidade, fá-lo sempre numa fuga a esta sociedade.
No «Quimera do Ouro» há ainda mais raiva. E insulto ao grande logro do capital: «Tenham paciência, sejam bons, todos poderão um dia ter sorte. A sorte é a grande mãe desta sociedade que nos faz a todos iguais». Essa interminável caravana que se dirige para a «esperança», para a riqueza, para o sonho. A história individual é, porém e ao invés, a história de centenas e centenas de angústias, de dificuldades, de violências sofridas, pelo que a história norte-americana sai deste filme muito mais desapiedadamente machucada do que de dezenas de filmes considerados «históricos».
Também neste caso, como sempre, Chaplin não partiu de factos imaginários ou literários mas de uma realidade bem clara e, por isso, nascida e criada sobre as costas e a pele de todos. Como lembra Andreina Lombardi Bom, a tradutora deste livro, ninguém se preocupa em sublinhar a raiva de Chaplin contra a sociedade (curiosamente, entre as entrevistas recolhidas, nenhuma se refere a Tempos Modernos), nem sequer, e sobretudo, a raiva da sociedade contra Chaplin, uma sociedade já exacerbada e exageradamente desconfiada de qualquer coisa que cheirasse a «diferente». O olhar de Chaplin sobre a vida, sobre as relações entre os homens, também sobre a economia e a política, era demasiado heterodoxo, como que para não ofender a autocomplacente América do Norte do pós-guerra: e o atacado respondeu.
Pelo meu lado, permito-me acrescentar que todo o cinema de Chaplin recupera temas e modos que estão na origem do mundo dos palhaços. Os grandes palhaços nunca desenvolveram a sua arte como se ela tivesse um fim em si mesmo, ou seja, como puro divertimento. Por exemplo, o palhaço tradicional do teatro nasce, no século XIX, da personagem do operário destinado ao trabalho de manutenção de jaulas e trapézios. Ou seja, o moço de recados, o «eterno menor de idade»: sobre ele ergue-se sempre a figura ameaçadora do director do circo, que o trata como a um escravo, que não lhe permite beber, que não o deixa aproximar-se das bailarinas, que não lhe consente amar. É um desgraçado, um inferior, homem de carga sem direito sequer a gozar da fantasia própria do circo. É um diferente. E o papel que desempenha é sempre o mesmo, obrigam-no a substituir o homem bala ou a meter-se na jaula dos leões, convencido de que não são verdadeiros, e pronto a fazer as coisas mais inauditas com estes leões que julga fictícios. Esta é a essência da violência, do terror, do engano, do ver-se obrigado a ganhar a vida a qualquer custo. O que importa não é viver, é sobreviver. Quando o palhaço se apercebe de que os leões são de verdade e estão famélicos, não tem outra alternativa que não seja prosseguir o seu papel, porque fora da jaula, como forma de chantagem, está a sua mulher, estão os seus filhos (palhacinhos, talvez anões), que pedem de comer enquanto o director grita: «Se não acabas o número e o público não se ri, despeço-te sem dar-te um cêntimo».
Muitos, contudo, fizeram tentativas desesperadas de apresentar Chaplin como um poeta isolado. E descreveram-no como «um pequeno judeu individualista», como «um anarquista-lírico» que expressa uma arte tão subtil, de «duplo e triplo sentido», «que se torna numa arte para poucos». Descrevem-no como um diferente, mas também como um excelso, um génio isolado, acima das «limitações» de uma massa de iguais.
Não sabem nem querem saber que os «diferentes» que Charlot personifica eram, e continuam a ser, na América do Norte, 70 ou 80 por cento dessa sociedade. O pequeno vagabundo representa o judeu, o turco, o italiano, o irlandês, o espanhol, para não falar dos mestiços, dos negros e dos hispanos, de todos os que se vêem obrigados a vencer as enormes dificuldades e obstáculos da língua, dos costumes e do estilo de uma sociedade que os oprime, os acolhe, os repele, os explora, os manipula como objectos, os esmaga e os deita fora.
Não esqueçamos que com a multidão dos imigrantes, dos diferentes, a sociedade norte-americana duplicou o seu número (fenómeno ímpar em qualquer parte do mundo: basta lembrar que, só de Itália, partiram qualquer coisa como 8 milhões de desesperados em pouquíssimos anos, o mesmo acontecendo na Turquia, em França, em Espanha). A chegada de estes diferentes, e de tanta gente obrigada a dar o salto mortal para manter-se com vida, foi precisamente o sinal característico de uma nova sociedade cruel e monstruosa que, entretanto, no meio do drama dava espaço à esperança.
Chaplin sempre se sentiu o campeão deste povo de excluídos, sempre quis sentir o seu pulso: a prova está em que, acabada a primeira montagem de cada filme, projectava-o em público – público periférico e popular – para sentir os ritmos, verificar os tempos, a aceitação ou rejeição das pausas. Estou convencido que Chaplin trabalhava com o público dentro da câmara. Chaplin sempre actuou como no teatro, como se houvesse uma plateia que lhe marcasse o ritmo.
Mas falemos agora da decadência: o problema de fundo é o discurso ideológico, a tomada de posição do especialista. O exemplo: Chaplin, que vinte anos antes se preocupara com a guerra mundial, com o nazismo, os massacres, a violência do poder em todas as suas formas, não fez o mesmo relativamente ao Vietnam. Apesar de ter a possibilidade, os meios e a autoridade para intervir. Como ignorou também o problema da Palestina e o cortejo de desgraças que há em todo o mundo, por trás da guerra. Deixou de lado o que tinha sido a essência fundamental do seu discurso, a crónica escorreita da realidade, e acomodou-se noutra, certamente mais grata ao poder.
Recordarei, para terminar, uma mulher calabresa, uma camponesa que, entrevistada pela televisão, afirmou: «Charlot era uma pessoa capaz de nos fazer chorar por coisas de que normalmente nos rimos, e de fazer-nos rir com coisas que nos fazem chorar. Era alguém que falava de nós, porque era um de nós».
in Blog As Vinhas da Ira
segunda-feira, abril 30, 2007
Terça-feira Abril 17th 2007
* João Aguiar
Lições de Abril
Para terminar, gostava de enumerar alguns dos que me parecem ser os ensinamentos mais relevantes da Revolução de Abril. Portanto, do seu imenso legado histórico e que mantém um inegável valor na actualidade torna-se pertinente destacar as seguintes lições:
1) O povo é o sujeito da História. Por outras palavras, é a classe trabalhadora e seus aliados que estão na origem de todas as transformações sociais e políticas progressistas e revolucionárias da época contemporânea. Ao contrário das teses burguesas que propagam a ideia que a História move-se apenas por intermédio da acção de grandes figuras históricas, a Revolução do 25 de Abril evidencia a capacidade própria que as massas trabalhadoras possuem para desenvolver lutas e intervenções no sentido de satisfazerem os seus interesses e necessidades. Em suma, os trabalhadores e o povo são o elemento decisivo por excelência na inscrição de dinâmicas de progresso social e humano nas sociedades. Os comunistas têm (e devem ter) sempre presente esta noção de que o povo quando liberto da opressão e/ou do enquadramento ideológico das classes dominantes consegue sempre alcançar grandes feitos. Gostaria ainda de frisar a autêntica epopeia da gente anónima, simples e digna que vive todos os dias fazendo das tripas coração. Esta epopeia é ainda mais elucidativa se atendermos ao facto de que se realizou num pequeno país, num país com pouca relevância política e económica na cena internacional. Se algumas das grandes revoluções contemporâneas ocorreram em países importantíssimos no xadrez mundial (França em 1789, Rússia em 1917, China em 1949), não podemos ignorar o papel autónomo que os povos dos ditos pequenos países tiveram nos últimos 100 anos. Apesar das suas diferenças, Cuba, Vietname e Portugal, só para citar alguns casos, são a prova de que não há povos maiores e povos menores e que a luta pela sua libertação é uma possibilidade histórica real. Termino este ponto, dizendo apenas que tendo sempre consciência que o povo é o sujeito da História é inevitável que depositemos confiança nas massas.
2) A importância de uma organização política de vanguarda. Se o povo assume-se nas situações revolucionárias como o sujeito colectivo da transformação social, tal não acontece sem a existência de uma organização política de vanguarda. No caso da Revolução de Abril, o PCP foi o partido que mais contribuiu para o aprofundamento do processo revolucionário e democrático, como também na correcta orientação das massas, lendo adequadamente o balanço de forças objectivas e de forças subjectivas em cada momento da conjuntura revolucionária. Sem nunca ter caído na conciliação de classes e sem ter embarcado em aventuras esquerdistas que em nada tomavam em atenção o contexto real e concreto existente, o PCP permitiu que a dialéctica entre espontaneidade e organização fosse conseguida. Pelo menos nos campos do Sul (zona da Reforma Agrária) e na cintura industrial de Lisboa. De facto, o PCP, em conjunto com os governos provisórios de Vasco Gonçalves e os sectores mais consequentes do MFA, foi a força política dirigente dos trabalhadores mais esclarecidos e avançados. Desse modo, conseguiu-se evitar que o turbilhão popular espontâneo surgido nos primeiros dias após a revolução se desarticulasse e fosse mais facilmente manietado pelas forças políticas conciliadoras. Não foi possível o triunfo completo do projecto emancipador de Abril. Contudo, isso não nos deve levar a deitar fora um princípio fundamental em cada período histórico, mais ainda numa situação revolucionária: a existência de um Partido marxista-leninista, de uma força revolucionária empenhada na transformação da sociedade e portadora dos interesses mais autênticos e avançados das massas populares. Parafraseando – e modificando – a célebre máxima de Lenine (“sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”), podemos afirmar que sem Partido revolucionário não há movimento revolucionário. Pela sua ideologia, pelo recrutamento dos melhores filhos do povo, pelo espírito de militância e de dedicação à causa do socialismo, pelos ideais de fraternidade e solidariedade que enformam a relação entre os seus membros, pela sua actividade junto e com as massas, pela defesa da soberania nacional, pela solidariedade com qualquer povo ou trabalhador oprimido ou explorado em qualquer parte do mundo, a existência de uma organização política de vanguarda é um pré-requisito imprescindível em qualquer processo de transformação social. O 25 de Abril e o PCP são os exemplos vivos deste ensinamento.
3) O poder de Estado, a revolução e o seu aprofundamento. Anteriormente falei que não foi possível uma vitória completa do projecto de Abril. Boa parte das razões encontra-se na acção concertada de PS, PSD e CDS, militares reaccionários, sectores obscurantistas da igreja, etc. contra Abril. Porém, um condicionalismo da maior relevância tem que ver com o poder de Estado. Isto é, sem o controlo do poder de Estado pelas forças políticas mais consequentes na defesa dos interesses do povo, o processo revolucionário corre sempre um risco elevado de reversão e de ser derrotado. Houve a participação de comunistas e de outros democratas nos governos provisórios a seguir à Revolução. Contudo, o controlo garantido, estável e duradouro da máquina de Estado nunca foi uma realidade concretizada.
Um dos factos mais curiosos da Revolução prende-se com a profundidade das conquistas atingidas. Vistas pelo prisma de que o poder político nunca esteve nas mãos das organizações políticas da classe trabalhadora portuguesa, o grau de aquisições e direitos efectivos foi colossal. Mas sem o poder de Estado nas suas mãos, o povo não tinha a alavanca fundamental que lhe permitiria avançar o processo revolucionário e em simultâneo protegesse a sua acção política das investidas da reacção. O camarada Álvaro Cunhal foi muito explícito neste âmbito quando afirma em “A Revolução Portuguesa: o passado e o futuro” que «As forças revolucionárias tiveram capacidade para realizar profundas transformações democráticas no Estado. Mas não tiveram capacidade para construir um Estado democrático, garantia de capital importância para salvaguarda da Revolução».
Desta linha marxista de pensamento conclui que tal facto «é uma falha da Revolução portuguesa de extrema gravidade» (Cunhal, 1976, p.59). Daqui deriva a questão da natureza de classe do Estado, ou seja, quem o controla e a quem ele serve, que forças políticas estão à sua frente e que políticas impulsionam. Já dizia Lenine que «a questão mais importante de qualquer revolução é sem dúvida a questão do poder de Estado. Nas mãos de que classe está o poder, isto é que decide tudo» (Lenine, 1978, p.201), e este foi um princípio que o Partido seguiu sempre. Não é por acaso que o escrito mais marcante do camarada Álvaro Cunhal sobre o Estado se intitule precisamente “A questão do Estado, questão central de cada revolução”. Assim, este é mais um ensinamento que não podemos descartar nos dias de hoje.
4) O papel de vanguarda da luta operária no processo revolucionário. A Revolução de Abril demonstrou vivamente o lugar destacado da classe operária no avanço da dinâmica revolucionária. As nacionalizações, as experiências de controlo operário em algumas empresas ou, o que é provavelmente o maior feito da Revolução, as ocupações de terras no Alentejo e sul do Ribatejo que se expressaram na Reforma Agrária constituem exemplos vivos da força e combatividade do operariado industrial e agrícola – com o seu Partido de classe – na condução da luta popular.A gestão colectiva dos trabalhadores é um elemento que esteve sempre presente na mente e nos corações dos trabalhadores mais conscientes e combativos e foi uma realidade viva em várias UCP’s e cooperativas durante o período da Reforma Agrária. O maior feito que um povo pode alcançar é exactamente tomar colectivamente a sua vida pelas suas próprias mãos, fazer com que o controlo da produção económica, da vida política e da criação cultural sejam um dado adquirido pelos trabalhadores. Como já dizia a canção: “façamos nós por nossas mãos tudo a que nós diz respeito”. Isto foi real em certas zonas do país, sobretudo por parte do proletariado alentejano que como nenhum outro expressa toda a história da luta operária em Portugal. Como nenhum outro sofreu a repressão do fascismo, como nenhum outro combateu com o seu sangue a ditadura, como nenhum outro construiu a revolução com os seus braços e o seu engenho e mais tarde, como nenhum outro, viu todo o seu riquíssimo novo modo de viver social e económico ter-lhe sido arrancado, com o recurso às balas, pelos governos PS e PSD e pelos ex-latifundiários. Tudo isto para, no fundo, demonstrar com um caso concreto o papel de vanguarda da classe trabalhadora na luta popular pela democracia e pela liberdade, mas também para relembrar um aspecto que me parece essencial. A burguesia nunca dá nada de borla aos trabalhadores. Os direitos não são dádivas de caridade ou prendas por bom comportamento das classes populares, mas são conquistas provenientes da luta de massas, da organização colectiva dos trabalhadores e do povo em estreita ligação e interacção com as suas organizações de classe e políticas de vanguarda. Em Portugal a CGTP e o PCP com especial importância.
5) Necessidade de uma perspectiva histórica de longo alcance. O que vivemos em cada momento do desenvolvimento de uma sociedade não é um ponto isolado no tempo e no espaço. Em termos muito óbvios, existe sempre um passado, um presente e um futuro. O presente é muito do que o passado fez dele, e o presente contém em si um novelo de contradições e tendências emaranhadas, à primeira vista caóticas e desordenadas, mas que apelam sempre para o futuro. Uma perspectiva histórica de longo alcance implica obrigatoriamente que sejamos capazes de observar os espaços de tempo mais curtos, onde nas esquinas da História se decidem as conjunturas e os acontecimentos políticos.
Consequentemente, uma perspectiva histórica de longo alcance é essencial não só para enquadrar a nossa acção política diária, mas também nos dá uma visão mais global dos processos de evolução da sociedade em que vivemos. Permite-nos aprender com as vitórias e os dissabores do passado, com os erros e as conquistas, com as experiências passadas. Isto por um lado. Por outro lado, ou seja, do lado da visão do futuro (que não é sinónimo de futurismo) permite-nos perceber que como dizia o poema de Brecht “as coisas não continuarão a ser como são. Depois de falarem os dominantes falarão os dominados (…) os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã”. Por muito sombrio que um cenário histórico possa parecer, ele só o é à primeira vista. Armados com uma postura racional e não desesperada, munidos com a ciência da compreensão e transformação das sociedades – o materialismo histórico – e abraçando uma perspectiva histórica, percebemos que a História não acaba (nem nunca acabará) e que mais tarde ou mais cedo, se persistirmos com a nossa luta diária, o povo e os trabalhadores tomarão o seu destino em suas mãos.
Portanto, os comunistas não são guiados na sua luta por uma esperança vã mas por uma esperança e por uma confiança na luta firmemente alicerçada no real movimento da História.
Vamos à luta para cumprir Abril!
25 de Abril sempre!
Fascismo nunca mais!


8 Responses to “Unidade, unidade, unidade do trabalho contra o capital” ou de como o sindicalismo de classe e a luta de massas são a única possibilidade de derrotar as troikas FMI/BCE/CE e PSD/CDS/PS