A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, março 03, 2010

Os mitos da educação por Pedro Lomba






Os mitos da educação

Por Pedro Lomba

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Segundo um estudo da OCDE ontem comentado nos jornais, a mobilidade social em Portugal está num nível de lástima. Na Europa os portugueses estão no fim da tabela no que respeita à ascensão de classe. Isso significa que a condição de pobre ou remediado é por cá persistente, senão imutável. Só à custa de um acaso é que uma pessoa acaba por se libertar do meio onde nasceu. 
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.O contexto económico e cultural das famílias é decisivo e tende a perpetuar-se. Quem herda um estatuto dificilmente o perde. Portugueses filhos de pais com baixos índices de escolaridade não chegam à universidade. Pior: o mercado de trabalho reflecte o mesmo padrão. Certamente por causa do seu menor "poder" social ou do seu espírito menos reivindicativo, os filhos de pais menos instruídos também auferem salários substancialmente mais baixos do que os outros.
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A educação continua a ser o recurso mais eficaz para os pobres e a classe média-baixa atingirem uma relativa mobilidade social. Aqui, convém dizer que o peso da educação supera inclusive a rigidez do mercado laboral (embora também ajude perceber que Portugal tem das leis do trabalho mais protectoras dos países da OCDE). Porque o nosso problema começa antes, logo na frequência da escola. Mesmo na hipótese de o mercado de trabalho ser liberalizado, se os filhos da classe pobre e média-baixa nem sequer chegam à universidade e se abandonam prematuramente a escola, nem com mercados liberalizados podemos ter ascensão social.
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A inflexibilidade das nossas leis laborais afecta em especial aqueles que estão fora do mercado de trabalho mas passaram pela escola pública e chegaram à universidade. Esses sim formam os outsiders de um mercado laboral fechado. A par deles, existem outros outsiders cuja situação é ainda mais drástica: o mercado penaliza-os simplesmente porque não estudaram, nem têm forma de se encaixar nos mercados de trabalho disponíveis.
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Tudo isto sugere que a cultura da imobilidade existente na sociedade portuguesa tem de ser combatida primeiramente através de uma ruptura na educação. Nada que não soubéssemos já, nem que não nos tivesse sido dito centenas de vezes. O que não nos disseram ainda é que temos ser capazes de quebrar alguns mitos que têm alimentado o nosso sistema de ensino. O projecto da mobilidade social requer uma educação mais diferenciadora, responsabilizadora e aberta.
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São três esses mitos perniciosos. Ao primeiro podemos chamar-lhe o mito da uniformização. Na ausência de regras que permitam às famílias escolher as escolas dos filhos e de programas que assegurem uma maior diversidade classista dentro das escolas, o resultado acaba por ser uma escola que agrava as desigualdades familiares preexistentes.
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O segundo mito está no igualitarismo. Faço notar que igualitarismo não é o mesmo que igualdade. A escola, por natureza, é uma instituição igualitária. Acontece que a nossa educação está empenhada num programa igualitarista, uma vez que rejeita fazer quaisquer distinções entre escolas. Na Holanda, por exemplo, as escolas são todas cooperativas de direito privado que têm que concorrer todos os cinco anos a financiamento pelo Estado. Se quiserem manter o emprego e o financiamento, têm que mostrar resultados. Devíamos caminhar para um sistema semelhante.
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O terceiro mito é o da irresponsabilidade. Sem autonomia, sem descentralização, sem poder para adaptar os seus projectos educativos às suas necessidades, toda a responsabilidade fica concentrada nas mãos do ministério e não nas escolas. Nada disso favorece um ensino orientado para a mobilidade social. Jurista
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terça-feira, março 02, 2010

Escola - Fábrica de Cretinos - João Vaz

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Correio da Manhã - 02 Março 2010 - 00h30

Opinião

Fábrica de cretinos

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Após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades.
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A ideia de a escola, o ensino e a aprendizagem constituírem um elevador social para os desfavorecidos está a ser aniquilada pela actual crise. Em menos de vinte anos, Bill Gates, Steve Jobs e Paul Alen não deixaram de estar entre os mais ricos do Mundo, mas já se destaca mais o seu sentido de negócio do que a sua paixão pelo conhecimento e a inovação, capazes de mudar o Mundo. As legiões de jovens com diplomas, mas sem emprego, reduzem os bilionários das novas tecnologias a uma espécie de clube de premiados do Euromilhões. Já nem se vê claramente que aprendizagem contribui para o seu êxito. Talvez passar o tempo a dedilhar nos jogos de consola até ajude mais do que uma sólida preparação académica. E entre um curso superior e a passagem por um qualquer reality show o segundo é de certeza melhor porta para fazer carreira. De resto, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não é o único líder que adora recrutar caras bonitas para a política entre as assistentes mais despidas dos programas de TV.
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O problema é grave. Na semana passada, um jornal britânico registava que o desemprego não cessa de aumentar entre os recém-licenciados. Há sempre os sobredotados e superapoiados que vão directo ao topo depois de saírem de Harvard, Yale, Oxford ou Cambridge, mas a desilusão reina nas grandes massas de diplomados aviados pelas universidades públicas e privadas sem prestígio. Dois números chocavam no ‘Sunday Times’: uma em cada cinco pessoas em idade de trabalhar não tem emprego; dos 1,7 milhões de empregos criados desde 1997 no Reino Unido 81% pertencem a estrangeiros.
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Poder-se-ia pensar num declínio de civilização. Instalados na sua subsídiodependência, os britânicos já não teriam ambição e capacidade para singrar. A observação dos factos leva porém a outras pistas: após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades. Pior, nem sequer revelam interesse pelo trabalho. Num recrutamento, 52 candidatos foram chamados a uma entrevista. Mais de metade chegaram atrasados, 12 não traziam nada com que pudessem tomar notas para resolver um problema e os três seleccionados ficaram sem emprego em menos de seis meses por incompetência e falta de empenho.
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Fica evidente que as escolas estão a falhar na sua função. Fabricam cretinos em vez de homens livres, capazes de fazer progredir as sociedades em que se inserem. Com esta Educação, não há hipóteses de um mundo melhor. Nem de uma vida melhor.



João Vaz, Redactor Principal
» COMENTÁRIOS no CMJ on line
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02 Março 2010 - 18h58  | JocaO problema está muito na escola mas também em querer MO qualificada a custo de não qualificada. Só querem para si...
02 Março 2010 - 15h27  | aristótelescomo diz Medina Carreira, a escola actual forma analfabetos
02 Março 2010 - 14h35  | Inês NunesNunca cheguei atrasada.fui elogiada qdo trabalhei.sou recemlicenciada e agr desempregada por n ter 2 anos de experiencia
02 Março 2010 - 14h26  | Inês NunesQq 1 s sente desmotivado qdo tira licenciatura em enfermagem e so recebe propostas para funçoes d auxiliar d enfermagem.
02 Março 2010 - 13h23  | luiso que eu penso ha muito tempo,vale mais uma profissao que um canudo!!!
02 Março 2010 - 12h14  | António CarvalhoEu, sem ser professor, acrescentaria que "não obstante o imenso esforço de alguns professores"...
02 Março 2010 - 12h09  | Luís Câmara LemeLimitar o problema à Escola é simples demais.O problema é de toda a sociedade no seu conjunto,sem exclusão de ninguém.
02 Março 2010 - 11h47  | Ricardoconcordo, mas quem será mais cretino os miudos que andam na escola ou os graudos que deixaram que isto chegasse a tal?
02 Março 2010 - 11h43  | Luis Câmara LemeA notícia levanta um problema conhecido.Contudo,é muito mais importante apontar soluções do que lastimar a situação...
02 Março 2010 - 11h37  | R. AraújoE o chamado "processo de Bolonha" promete piorar o panorama! PESSOAS DIPLOMADAS SEM CONHECIMENTOS PROFISSIONAIS EFICAZES
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02 Março 2010 - 11h33  | RodriguesQUANDO OS SINDICATOS LUTAM COM TODOS OS MEIOS PARA TEREM UMA VIDA BELA, AINDA QUEREM MAIS BELA, QUE ESPERAM?
02 Março 2010 - 11h31  | Ex-PIDERazão tinha o Dr Salazar que achava perigoso dar estudos a todo e qualquer bicho careta. Aí estão as consequências! Beja
02 Março 2010 - 11h18  | luisA família é a base de toda a educação e formação. Junte-lhe falta de valores e "novas oportunidades" e sirva a preceito.
02 Março 2010 - 11h05  | xingadoCrónica para ser lida principalmente pelos pais e MNE Os professores fazem o que lhes mandam
02 Março 2010 - 10h46  | silva martinspois se a "avaliação" é para professores da "cor subirem"!!!
02 Março 2010 - 09h59  | Leopoldo Silva - Marinha GrandeExcelente artigo este, do Dr. João Vaz. Venham mais .
02 Março 2010 - 09h36  | Carlos BaptistaCom esta educação,muitos poucos têm hipótese.Mas eles só vão ver isso,se algum dia forem trabalhar e não subsidiodepente
02 Março 2010 - 09h18  | MalfadadoUma crónica para os professores lerem com atenção. Excelente!
02 Março 2010 - 08h54  | Alberto Manuel Henriques BarataMeu Caro, na então 4ªclasse, antes das aulas, roçava um molho de mato! Incluindo a Universidade, sempre a trabalhar!
02 Março 2010 - 08h24  | Nelson MaltezSimplesmente brolhante.
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02 Março 2010 - 08h20  | sila Perguntas: não servindo para nada, deve ponderar-se a sua substituição? Ou, nem isso?
02 Março 2010 - 07h09  | Manny Lifumba usatentamos copiar os exemplos dos consiferados espertos e sai a mesma porcaria dos espertos
02 Março 2010 - 06h50  | rpgE no nosso caso com os exemplos dos nossos maiores, então ainda melhor. A fome é que vai por isto nos eixos.
02 Março 2010 - 03h56  | MALI CANADAMEU CARO SR. JOAO VAZ,ESTA TRISTE REALIDADE,VAI TRAZER MUITO SANGUE E LAGRIMAS,O DSESPERO A ISSO VAI OBRIGAR!!!!!!
02 Março 2010 - 02h12  | daniel - SetúbalAs escolas deixaram de ensinar a 'raciocinar'. Ensinar a utilizar a massa cinzenta dá demasiado trabalho.
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terça-feira, janeiro 12, 2010

A recessão agravou as condições de vida dos jovens




A recessão agravou as condições de vida dos jovens
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A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?

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Público - 10.01.2010 - 08:03 Por Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos

Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores.
Nelson Garrido
Os empregos de hoje não se escolhem: aceitam-se os que aparecem


Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).
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O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa".
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Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.
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Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam seguir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Perversamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".

A difícil transição
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Nem só os universitários vivem a calamidade. Os menos qualificados também - todos os dias, empresas a falir, fábricas a fechar portas. A transição do mundo juvenil para o mundo adulto alterou-se. Os jovens deixam-se estar em casa dos pais. Adiam compromissos - como comprar casa ou constituir família, precisa Virgínia Ferreira. Por toda a parte se vê desejar um trabalho precário. Não aquele em vez de outro: aquele porque não há outro. "À minha volta está tudo deprimido por não ter expectativas e por ter de conviver com um emprego insatisfatório", desabafa Sara Gamito, do movimento Precários Inflexíveis. "Ficam com os pés e as mãos atados e vão perdendo o alento."
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"Apesar de não nos definirmos só pelo que fazemos, o trabalho desempenha um papel fundamental na construção do eu", explica Sofia Marques da Silva, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. "E o salário é um elemento essencial para aceder a bens e organizar a transição. Sem salário, há um recuo ligado até à dignidade."
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Recusa o epíteto "perdida", mas está convencida de que "esta geração tem muita dificuldade em ter uma cultura de projecto - em imaginar o que vai fazer num tempo que ainda não existe". Fixa no presente o sentido dos dias e isso parece-lhe "perigoso": "Alguém que não imagina etapas na sua vida, às vezes, só quer usufruir rapidamente momentos, sensações". Não fala em revolta, como se viu noutros países europeus. Fala de ingresso na criminalidade, por exemplo. Elísio Estanque observa alheamento e inquieta-se com a saúde da democracia. Não só por o sistema não funcionar sem uma base de participação eleitoral. Também por ser importante haver associações para o olear. E existir "pouca disponibilidade dos jovens para participar: condiciona-os o medo".
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Não se pode homogeneizar. Há focos de protesto, inclusive através de blogues e movimentos, como lembra Cristina Andrade, da Fartos d"Estes Recibos Verdes. Mas impera "uma docilidade que é assustadora", torna Sofia Marques da Silva. "As empresas olham para estes jovens como dóceis. Aceitam tudo." Ao fazer uma etnografia numa casa de juventude de Matosinhos, ouviu um dizer: "Comem a carne e deixam-nos os ossos". O rapaz que pronunciou aquela frase não aceitava tudo. Tinha 20 anos e já fora cortador de carne, já fora estivador no Porto de Leixões e não aceitou um trabalho na construção - era mal pago, era nocturno e em tempo de chuva.
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Há estratégias de valorização - de sobrevivência mental. Às vezes, basta-lhes uma centelha. Sofia Marques da Silva viu aquele rapaz explicar, por exemplo, como carregar contentores é exigente em termos físicos. Ou uma rapariga que trabalhava numa fábrica gabar-se de saber fazer de tudo: cortar, coser, limpar.
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Factos e números sobre o problema maior de uma geração
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- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.
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- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.
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- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.
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- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.
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- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.
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- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.
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- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).
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domingo, julho 26, 2009

38 mil diplomados estão sem trabalho

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Luís Duarte

Ensino Superior: Mulheres com menos de 35 anos são a maioria


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* André Pereira
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Portugal tinha, em Junho, 38 571 desempregados com habilitação superior inscritos nos centros de emprego, mais 4424 do que no mesmo mês de 2008 (34 147), segundo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Em comparação com os valores de Dezembro do ano passado, do relatório ‘Emprego dos Diplomados’ do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, representa um aumento de 1395 diplomados no desemprego.
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A maioria dos desempregados com habilitação superior pertence às áreas das Ciências Empresariais, das Ciências Sociais e do Comportamento e da Formação de Professores e Ciências da Educação. No conjunto, as três áreas representam 41,4 por cento dos indivíduos registados em centros de emprego com bacharelato, licenciatura, mestrado ou doutoramento. Dos mais de 37 mil desempregados licenciados no final de 2008, 69 por centro são mulheres, 40 por cento moram no Norte e 72 por cento têm menos de 35 anos.

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'Há que diferenciar os grupos de desempregados registados nos centros de emprego. Os diplomados até estão numa situação mais favorável do que os restantes, com uma média de oito meses de espera até encontrarem uma posição no mercado de trabalho', explica ao CM Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

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No que respeita às Ciências Empresariais, os cursos com mais registos nos centros de emprego são Gestão, Contabilidade e Marketing. Já nas Ciências Sociais e do Comportamento, os diplomados em Economia, Psicologia e Sociologia são os mais afectados. Na Formação de Professores/Formadores e Ciências da Educação, os piores cursos são os de Educadores de Infância e Ensino Básico – 1º Ciclo.

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No sentido contrário, explica Francisco Madelino, as áreas de formação com maior empregabilidade são 'as engenharias tradicionais'. 'Além da Medicina, por razões óbvias, as engenharias, como Construção Civil, Electrotécnica e Informática também são de grande empregabilidade', indica, acrescentando que 'quem tem formação em Línguas, Informática ou Físicas rapidamente obtém uma saída profissional'.

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CURSOS DE DIREITO ASSUSTAM

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A maioria dos diplomados na área do Direito exerce funções em profissões que nada têm a ver com a advocacia. Com o número de vagas para os cursos de Direito a aumentar para 1230 este ano, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não escondeu a sua preocupação, aconselhando mesmo os candidatos ao Ensino Superior a 'fugir da advocacia'. 'O País já está encharcado de licenciados em Direito, que estão desempregados ou trabalham noutras áreas', disse António Marinho Pinto ao CM após a divulgação do número de vagas ao concurso nacional de acesso ao Ensino Superior.

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As Faculdades de Direito de Coimbra e Lisboa são responsáveis por 30,7 por cento dos 1115 diplomados na área de Direito inscritos nos centros de emprego. O ensino privado, porém, coloca no desemprego 588 diplomados, contra os 526 do público.

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PERGUNTAS & RESPOSTAS

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- Como mudo de curso?

- Cada instituição tem o seu procedimento, mas estará sempre sujeito ao número de vagas. Se pedir a transferência do curso para outra instituição serão contabilizados cerca de 90 por cento das cadeiras já completas. Se mudar de curso, o processo das equivalência terá de ser analisado.

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- Posso reingressar num curso?

- Sim. Basta pedir o reingresso nos serviços académicos da instituição onde iniciou o curso.

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- Posso tirar outra licenciatura?

- Os titulares de um curso superior têm um concurso especial. Cada estabelecimento define as suas regras.

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- Quem pode candidatar-se ao Ensino Superior?

- Todos os que tiverem concluído o Ensino Secundário e realizado as provas de ingresso.

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REACÇÕES

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'Para quem tira um curso na área do Ensino as alternativas não são muitas para não dizer que não existem. Nunca houve tantas actividades a precisar de professores como agora, mas por razões económicas estão a cortar na profissão.' (Mário Nogueira, S.G.Fenprof)

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'Existem cerca de 26 500 advogados. Há demasiada oferta. Podem sempre optar por profissões como escrivão ou funcionário judicial, mas quem tira o curso de Direito não quer ir para essas profissões.' (Marinho Pinto, O. Advogados)

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'Durante muitos anos, a profissão esteve desregulada e agora corremos atrás do prejuízo. Muitos estão desempregados, mas não faltam áreas a precisar de psicólogos, como o desporto, a saúde, a reabilitação ou até a empresarial.' (Telmo Baptista, O.Psicólogos)

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PERFIL DO DESEMPREGADO COM HABILITAÇÃO SUPERIOR

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TOTAL DE INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO EM JANEIRO 2008: 416 005

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- Inscritos com habilitação superior – 37 176


SEXO

– Feminino – 68,5 % (25 475)

- Masculino – 31,5 % (11 701)

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IDADE

<25>

25 – 34 anos - (50,3%) 18 710

35 – 54 – (23,6%) 8 764

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REGIÃO

– Norte – 39,7% (14752)

- Centro – 25,4% (9436)

- Lisboa – 26,3 % (9781)

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TEMPO DE INSCRIÇÃO NO CENTRO DE EMPREGO

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3-6 meses – 25,7% (9560)

6-12 meses – 17,3% (6448)

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SITUAÇÃO DE PROCURA

33,3% - 1º Emprego

66,7% Novo Emprego

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GRAU ACADÉMICO

87,7% Licenciatura – 32615

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SUBSISTEMA DE ENSINO

Público – 64,6% (20830)

Universitário – 11 900 (36,9%)

Politécnico – 8930 (27,7%)

Privado – 35,4% (11426)

Universitário – 8108 (25,1%)

Politécnico – 3318 (10,3%)

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NOTAS

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OPORTUNIDADES: MAIORES DE 23

O ‘Maiores de 23’ destina-se a pessoas com elevada experiência profissional sem curso superior. O candidato apresenta uma tese sobre a sua área profissional que será avaliada por um júri.

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ACESSO: 1.ª FASE EM ABERTO

Os alunos que fizeram os exames nacionais na 2.ª fase ainda podem candidatar-se à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior de 31 de Julho a 7 de Agosto.

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COLOCAÇÕES: SETEMBRO

As listas de colocação serão divulgadas a 14 de Setembro. A segunda fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior decorre entre os dias 14 e 18 de Setembro.

in Correio da Manhã - 26 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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26 Julho 2009 - 18h11 | fernando
Senhora ministra eu nao compriendo tantos medicos sem trabalho e porque vem medicos de fora serao a borla? acho estranho
26 Julho 2009 - 16h02 | andrade morais
Não faz mal, que o Sócrates já prometeu subsídio de desmprego para toda a gente, inclusive para quem não acabou o curso
26 Julho 2009 - 15h03 | Luisa Baião
A maioria deles quando iniciaram o curso já deviam de contar com isso.Mas,todo o mundo quer ser doutor...
26 Julho 2009 - 11h46 | contribuinte
De facto estão mais bem preparados para fazer outros serviços!ou só querem gabinetes? e quem faz o trabalho para a econo
26 Julho 2009 - 10h59 | Sempre atenta
São poucos os que têm um lugar à sua espera quando acabarem os cursos, e nem seria justo...têm fazer o que aparecer!
26 Julho 2009 - 10h57 | Sempre atenta
Ter um canudo não significa que tenha emprego, portanto noutras áreas poderão ser mais úteis com a formação que têm!...
26 Julho 2009 - 10h30 | nathan
Estar desempregado,nao e nada agradavel. Mas, isto prova que Pt. e o pais dos doutores.
26 Julho 2009 - 07h40 | sponte
Peçam ao ministro do Ensino Superior para lhes dar trabalho. O Gago sempre disse que não há desemprego no sector
26 Julho 2009 - 06h18 | ana
Que tristeza tantos anos a estudar e no fim nao ter trabalho e muitos a passar mal
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domingo, abril 20, 2008

domingo, outubro 28, 2007

O Negócio das «privadas» (18)


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Os alunos da Universidade Independente (UnI) já foram todos transferidos para outros estabelecimentos de Ensino Superior, estando aquela instituição a ultimar as avaliações e diplomas dos finalistas, de forma a encerrar na próxima quarta-feira, cumprindo o despacho do Ministério do Ensino Superior.
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in Correio da Manhã 2007.10.26
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NOTA - nem um comentário dos leitores (VN)
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17-10-2007 - 00:00:00 Arresto de bens
13-09-2007 - 00:00:00 UnI fecha apesar de providência cautelar
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02-09-2007 - 00:00:00 Alunos da UnI concluíram exames
31-08-2007 - 09:48:00 Despedimento colectivo na UnI
15-08-2007 - 13:07:00 UnI entrega providência contra encerramento compulsivo
05-08-2007 - 00:00:00 Independente vai recorrer aos tribunais

quarta-feira, setembro 05, 2007

O negócio das «privadas» (17)


Dia a dia - Cursos de engenhoca
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* João Vaz,
Redactor Principal
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De todos os motivos de protesto na Educação – milhares de professores remetidos ao desemprego, pais aflitos com a demora da abertura das creches e alunos obrigados a ir à escola mais longe de casa –, nenhum alerta é tão importante como o feito pelo bastonário da Ordem dos Engenheiros sobre a degradação do Ensino.
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O Ensino Superior universitário e politécnico deixou de ser um assunto de Educação para se tornar, em muitos casos, num negócio pouco digno. Gerou-se um sistema que necessita de estudantes como clientes e não quer nem saber se o diploma que fornece serve para alguma coisa. O bastonário da Ordem dos Engenheiros que se tornou na instância de acreditação dos diplomados, não tem dúvidas que das centenas de cursos de Engenharia não faz sentido existirem mais de 60/70 e que muitos são “marketing puro”.
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A situação é intolerável. Não era necessário haver provas de Inglês Técnico feitas por fax para se perceber como o sistema está podre. Basta observar o Ensino Superior público, onde o prioritário é ter alunos para receber financiamento e só depois avaliar o que se ensina e se aprende. Tem de se modificar este sistema viciado. O País precisa de muitos jovens engenheiros e outros licenciados para se desenvolver. E para que os sonhos não se desfaçam por causa do desemprego é decisivo que os conhecimentos e competências abram as maiores perspectivas no mundo do trabalho. Sem escola não se vai longe.
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in Correio da Manhã 2007.09.04
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» Comentários CM on line
Terça-feira, 4 Setembro
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- maria Porque é que será que cada vez mais o Estado financia as escolas privadas, que florescem a olhos vistos em locais onde existem as escolas públicas, promovendo a "fuga" dos alunos para esse ensino?
- nãomeapetecedizeronome E então? Parece que descobriu a pólvora! Desde quando alguém desconhece que o ensino em Portugal é uma fonte de negócio e rendimento como qualquer outra? A diferença(?)é que o exemplo de honestidade devia vir de cima, e, é de onde precisamente veem os maus exemplos e incentivos a práticas inaceitáveis, como sejam educadores ilegais ou abandono escolar com as consequências que ninguém quer admitir!não

domingo, setembro 02, 2007

O negócio das «privadas» (16)


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Direcção alega falta de dinheiro
Despedimento colectivo na UnI
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A direcção da Universidade Independente (UnI) anunciou o despedimento de todos os seus trabalhadores, com efeitos a partir de sexta-feira, alegando falta de verbas para pagar os respectivos vencimentos.
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Entretanto, foram requisitados oito funcionários, dois professores e seis não docentes, para cumprirem os serviços mínimos, de forma a que os alunos do ano lectivo 2006/07 possam concluir os exames finais.
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De acordo com uma fonte do departamento jurídico da UnI, o despedimento colectivo decidido pela SIDES, entidade que detém a universidade, deve-se á necessidade imposta pelo despacho de 3 de Agosto do Ministro do Ensino Superior, que determina o encerramento compulsivo da instituição.
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Apesar de avançar para o despedimento dos seus 30 trabalhadores, a direcção da SIDES recorda que entregou, no passado dia 15, uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa com vista a tentar suspender o encerramento compulsivo da universidade.
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15-08-2007 - 13:07:00 UnI entrega providência contra encerramento compulsivo
05-08-2007 - 00:00:00 Independente vai recorrer aos tribunais
04-08-2007 - 00:00:00 Gago ordena fim da Independente
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» Comentários no CM on line
Sexta-feira, 31 Agosto

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- lmmm A culpa é só do Reitor. E os outros é que pagam as favas? E o Tribunal o que decide?
- Paula Simas Não são Universidades, são fábricas de fazer dinheiro. Sei do que falo, pois fiz o meu curso na Moderna. Apenas lhes interessa o nosso dinheiro, a qualidade de Ensino é uma lástima, os Professores não êm qualquer preparação. Deviam de encerrar não só a UNI mas todas as outras "fábricas de fazer dinheiro" do País, pois estas não preparam os nossos jovens para o Futuro, atrasando Portugal.Lisboa.

quinta-feira, agosto 16, 2007

O negócio das «privadas» (15)

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Dinensino admite extinguir três pólos
Moderna pode ficar numa só cidade
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* Lusa
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Universidade Moderna (UM) admite extinguir os pólos de Lisboa, Beja e Setúbal e formar um único estabelecimento de ensino, medida que está a ser ponderada no âmbito do plano de recuperação financeira da instituição.
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Segundo o secretário-geral da universidade, Vítor Silveira, as universidades privadas foram “espartilhadas e partidas” pelo Governo, nomeadamente devido a uma legislação que obriga cada pólo de uma mesma instituição a ter um corpo docente e uma estrutura científica e pedagógica autónomas, o que diz ser “difícil” e representar um acréscimo de custos. Nesse sentido, a Dinensino, empresa instituidora da Moderna, pondera uma medida de “integração interna”, admitindo “extinguir todos os pólos e formar um novo”.
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Além desta medida, a viabilidade da instituição deverá passar pela criação de parcerias ou até fusão com outras universidades privadas.
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A Moderna enfrenta uma grave crise financeira, tendo apresentado em 2006 um resultado operacional de 2,3 milhões de euros negativos, com dívidas ao Estado, a credores e a professores e ex-professores.
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O Ministério do Ensino Superior abriu uma investigação para determinar se a instituição mantém os pressupostos de reconhecimento de interesse público, requisito indispensável para poder continuar a funcionar.
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Universidade Moderna tem 1400 estudantes
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in Correio da Manhã 2007.08.15
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Nota - Primeiro foram-se dividindo e subdividindo ao sabor das quesílias, originado várias universidades privadas. Depois espalharam-se pelo País criando Polos Universitários como cogumelos depois da chuva, para oferecer diversificados cursos da treta, de lápis e papel, sem saída profissional, com investimento mínimo, incluindo professores de qualidade, e saque máximo dos alunos que não podiam entrar nas Universidades Públicas, sem conhecimento de que nelas se fizesse investigação ou saíssem estudos. Secada a mama, face à diminuição de lucros, ou são fechadas compulsivamente, ou «concentram-se, atendendo ao princípio das economias de escala. O capitalismo na sua melhor forma ! Como salvo erro dizia D. Sebastião, «É fartar, vilanagem!»
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Victor Nogueira
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Ensino privado
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A notícia já tem uns dias, mas escândalo nem vê-lo. Parece então ser normal que num país onde se fecham dezenas de escolas primárias e se planeia fundir secundárias, também se tenham que pagar milhões ao ensino privado para receber alunos, que afinal tinham lugares de sobra no público. Tudo normal pois então.
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in http://renaseveados.blogspot.com/2007/07/fartar-vilanagem.html
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Terça-feira, Julho 24, 2007
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Notícia do Jornal de Notícias 2007.07.21 (Nelson Morais)
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Ahhhhhhhhhhh!!!
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Aquela notícia não mereceu quaisquer comentários que tivessem sido publicados no CM on line (VN)

sábado, agosto 04, 2007


O negócio das «privadas» (13/14)
Despacho final do MCTES
UnI obrigada a fechar até 31 de Outubro
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Universidade Independente (UnI) tem de fechar as portas até ao dia 31 de Outubro, segundo o despacho final emitido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), que notificou esta sexta-feira a SIDES, empresa proprietária, do encerramento compulsivo do estabelecimento de ensino.
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Segundo nota da tutela, a UnI só poderá desenvolver até ao final do mês de Outubro “as actividades estritamente necessárias” à conclusão do ano lectivo presente, estando impedida de realizar quaisquer actividades lectivas ou de preparação do próximo ano escolar.
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“É da inteira responsabilidade da SIDES a prática de qualquer acto ou actividade que possa criar expectativas ou iludir alunos, professores e pessoal não docente, relativamente ao funcionamento da universidade no ano lectivo de 2007/2008”, refere o documento.
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Caso a instituição não cumpra a ordem ministral, o MCTES informará a infracção às autoridades administrativas e policiais “para procederem, de imediato, ao encerramento coercivo do estabelecimento”.
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A partir do dia 31 de Janeiro de 2008, toda a documentação da UnI será entregue à Direcção-geral do Ensino Superior, que ficará responsabilizada da sua guarda e da emissão de certidões que sejam solicitadas.
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Até lá, os dirigentes da Universidade têm a “responsabilidade legal” para “integral conservação e fidedignidade dos registos” e da emissão dos documentos comprovativos da situação académica dos estudantes.
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Os alunos desta instituição serão transferidos para outros estabelecimentos de ensino.
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Contactada pela rádio TSF, a SIDES escusou-se a comentar a ordem do MCTES, afirmando apenas que a sua preocupação é a conclusão deste ano lectivo.
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Por sua vez, Hermínio Brioso, presidente da Associação Académica da UnI, disse que este fim já era esperado, embora a notícia tenha sido recebida com "muita tristeza", mas que "não há qualquer luz ao fundo do túnel para a recuperação da Universidade".
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Em reacção à decisão de Mariano Gago, a UnI já revelou que vai pedir a suspensão do despacho de encerramento compulsivo, estando o departamento jurídico da instituição à espera das decisões sobre duas providências cautelares no âmbito de despachos que a universidade considera feridos de ilegalidade, segundo a rádio TSF.
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Em comunicado, o departamento jurídico da UnI defende que aguarda as decisões definitivas sobre as duas providências cautelares interpostas pelo estabelecimento, na sequência de três despachos ministeriais assinados por Mariano Gago: sobre a fundamentação para o reconhecimento de interesse público da instituição e para declarar provisoriamente o encerramento compulsivo da universidade.
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in Correio da Manhã 2007.08.03
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Dia a dia - Fecho inevitável
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* Armando Esteves Pereira,
Director-Adjunto
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Quando o presidente da Associação Académica da Universidade Independente diz que a decisão de encerrar a Universidade era a única possível para “acabar com a farsa” em que se transformou o estabelecimento, não restam dúvidas sobre a justeza de Mariano Gago neste processo.
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Finalmente o Estado começa a exercer o seu papel regulador num sector que no final da década de 80 e princípios da década de 90 cresceu e se multiplicou como cogumelos, melhorando as estatísticas oficiais de formação no País, lançando no mercado milhares de licenciados e pós-graduados.
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Há outras duas universidades que se arriscam a ter o mesmo destino da Independente: a Moderna, que também ficou famosa por más razões, e a Internacional.
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O que se pede aos serviços de Inspecção do Ministério do Ensino Superior é exigência e rigor, que falhou anteriormente, até no caso da Universidade Independente. E não é só nas privadas que há problemas, há instituições públicas que também deixam muito a desejar na qualidade do ensino. Quando o Estado deixa funcionar escolas sem qualidade, sejam privadas, sejam financiadas exclusivamente com dinheiro dos contribuintes, está a contribuir para o atraso económico, social e cultural deste País. Portugal precisa de instituições de qualidade, que formem cidadãos mais competentes e mais exigentes.
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in Correio da Manhã 2007.06.4

quinta-feira, agosto 02, 2007


O negócio das «privadas» (12)
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Em mais de metade dos casos
Cursos de Arquitectura não reconhecidos.
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A Ordem dos Arquitectos (OA) alertou para o facto de mais de metade dos cursos desta especialidade existentes em Portugal não serem reconhecidos pela União Europeia.
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De acordo com João Afonso, da OA, isso acontece com 15 dos 25 cursos oferecidos no nosso país, que não estão inscritos na directiva 2005/36, da Comissão Europeia.
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Assim sendo, as licenciaturas não inscritas na directiva europeia não são reconhecidas nos restantes países da União Europeia, o que impede os jovens arquitectos de poderem trabalhar no estrangeiro. As dez licenciaturas que permitem exercer na UE são ministradas nas Faculdades de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e do Porto, Escola Superior Artística do Porto, Faculdades de Arquitectura da Universidade Lusíada do Porto, Lisboa e Vila Nova de Famalicão, Escola Superior Gallaecia, Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Lusófona e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
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in Correio da Manhã 2007.08.02
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Arquitectos - Novo sistema de admissão em Outubro
Ordem avalia aptidão
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A Ordem dos Arquitectos (OA) quer implementar o novo sistema de admissão à Ordem em Outubro. A bastonária, Helena Roseta, apresentou ontem o modelo, que vai ser submetido a discussão.
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* Edgar Nascimento
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A OA vai deixar de avaliar os cursos de Arquitectura – será o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) a fazê-lo – e os candidatos a arquitecto terão de realizar um estágio de doze meses, que contará com duas vertentes: a prática profissional (trabalho realizado no ateliê ou organismo onde estagia) e a formação complementar.
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“Só exigimos um diploma de um seminário ou curso de especialização, que aborde áreas como os mecanismos legais, contratos, gestão de obras e ateliês, leis de ordenamento do território, conhecimentos que são obrigatórios para exercer a profissão”, explicou Helena Roseta.
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A avaliação final constará de duas provas: uma sobre deontologia e outra sobre o projecto. A OA, referiu Helena Roseta, defende a obrigatoriedade de todos os cursos homologados obedecerem à directiva comunitária aplicável e a obrigatoriedade da formação complementar durante o estágio. “Queremos maior responsabilização dos arquitectos”. Este ano ainda só foram realizadas 16 provas de admissão à OA: seis candidatos reprovaram.
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Em 2005 foram abertas 2131 vagas nos 22 cursos de Arquitectura. Com o Processo de Bolonha, os cursos terão ciclo integrado, sendo que para exercer a profissão os candidatos terão de ter o mestrado (cinco anos). Actualmente há 13371 arquitectos inscritos na OA.
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CONHECER 100 ANOS DE ARQUITECTURA
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São cerca de 6200 imóveis de 304 concelhos, todos construídos no século XX. A Ordem dos Arquitectos (OA) percorreu durante dois anos e meio o país de lés a lés para fazer um levantamento da arquitectura portuguesa do último século. Os resultados do projecto Inquérito à Arquitectura Portuguesa do Século XX (IAPXX) já podem ser consultados em www.arquitectos.pt .
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“É uma base de dados pública e histórica, que vai poder receber opiniões e correcções das pessoas, que muitas vezes conhecem bem os edifícios”, explica Helena Roseta, bastonária da OA. .
Cerca de 2000 imóveis são utilizados para habitação e outros dois mil são equipamentos – escolas, tribunais, estações de correios. Também estão disponíveis as coordenadas GPS de cada imóvel. “É muito bom para estudantes e os municípios, mas também é pedagógico”, refere a bastonária. O projecto referenciou obras de mais de um milhar de autores. O livro estará disponível no dia 8.
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in Correio da Manhã 2006.05.04
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» Comentários no CM on line
Quinta-feira, 4 Maio
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- jose domingos chama-se a isto "cooperativas"
- J.R.Gonçalves Se, actualmente, os arquitectos já sofrem uma concorrência desleal no mercado da arquitectura (só fazem 20% dos projectos), com o Governo a avaliar a admissão a esse mercado, o melhor é arranjarem outra profissão.
- José Gonzalo Mais de 80% dos projectos de arquitectura, sujeitos a licenciamento, não são feitos por arquitectos. Então, se neste País das bananas qualquer pessoa faz arquitectura, por que motivo se pretende dificultar o acesso dos verdadeiros arquitectos à sua profissão????
- Marcos Qual a credibilidade e o poder desta Ordem dos Arquitectos? Ordem para quê? Para pagar 300 euros de estágio? Para pagar 300 euros de cotas anuais? O k dão em troca aos arquitectos?Estágios = mão de obra barata por este país fora. Trabalho precário. Ser arquitecto em Portugal, significa ser precário.Acabem com as (des)Ordens. Acabem com este pseudo-poder
- Mari Silva Eram 16 e chumbaram 6 o que quer dizer que também a Ordem dos Arq. começou a utilizar o costume da O. dos Advogados. Chumbar é a finalidade para não haver muita concorrência para os cavalões já instalados na praça.

sexta-feira, julho 27, 2007


O negócio das «privadas» soma e segue (11)
Assembleia Geral vai decidir
Moderna pode fechar por falência
Segundo uma fonte da instituição, o cenário da declaração de falência e do encerramento do estabelecimento de ensino será o mais provável, já que as alternativas - uma injecção de capitais por parte dos cooperadores dentro de 60 dias ou a diminuição do capital para metade – dificilmente serão executáveis.
Caso nenhuma das medidas previstas seja cumprida pela administração da Dimensino, “pode qualquer sócio ou credor requerer ao tribunal, enquanto aquela situação se mantiver, a dissolução da sociedade”, acrescentou a fonte.
in Correio da Manhã 2007.07.26
Ordenados em atraso
Universidade Moderna nega crise
Em conferência de imprensa, o vice-reitor Fernando Cardoso afirmou que “as notícias veiculadas sobre a UM por parte de alguns órgãos de comunicação social são falsas”. No comunicado não foi feita qualquer referência aos ordenados em atraso.
Segundo o responsável, apenas um docente “decidiu desvincular a sua actividade da universidade”, estando já a decorrer o processo de substituição. No entanto, não foi revelado qual o docente em causa nem os motivos pelos quais se desvinculou.
MINISTRO PREOCUPADO COM INSTITUIÇÃO
O ministro da Ciência e Ensino Superior solicitou à Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) uma “acção urgente de acompanhamento para avaliar as medias que estão a ser tomadas (pela Dinensino) para remediar a situação, nomeadamente a nível dos ordenados em atraso” da situação da UM.A assessora garante que o ministro Mariano Gago “está a acompanhar com preocupação” a situação da instituição, cuja cooperativa proprietária é arguida em 38 processos só no Tribunal de Trabalho de Lisboa, todos por questões contratuais como despedimentos ou ordenados.
in Correio da Manhã Última Hora 2007-05-25 - 19:06:00
Universidade:
Queixa contra a Moderna
A Universidade Moderna está a ser investigada pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DIAP) por irregularidades no seu funcionamento e dívidas a professores e ao Fisco. Já foram penhorados 14 automóveis.
in Correio da Manhã 2007-04-28
Nova gestão
Universidade Moderna agora é S.A.
A Universidade Moderna alterou o sistema de gestão e passou a ser controlada por uma sociedade anónima, porque considera que o modelo cooperativo está esgotado.
De acordo com Hamady Diall, presidente da Dinensino, com esta transformação a cooperativa que fundou a Universidade pretende captar investimento para relançar a actividade da Moderna. “Criámos uma sociedade anónima capaz de implementar um novo modelo de gestão”, em que a cooperativa Dinensino “entrega a gestão” da universidade de Lisboa e Setúbal à UEP, sociedade que agora controla a Moderna. Hamady Diall afirma que já estão garantidos 6,2 milhões de euros e prevê que o objectivo de dez milhões de euros seja atingido este ano.
in Correio da Manhã 2007-02-08
NOTA - Nenhuma destas notícias motivou comentários on line dos leitores do CM, que tenham sido publicados - VN

segunda-feira, maio 28, 2007


O negócio das «privadas» (10)

Superior: Polémica no ensino particular
30 mil alunos perdidos em dez anos

* André Pereira / Edgar Nascimento


Só a Universidade Internacional ficou sem 2600 alunos desde 1997 e é uma das instituições do Superior privado envoltas em polémica. Os responsáveis da UI vão agir criminalmente contra o Estado português.
Entre 1997 e 2006 o Ensino Superior privado perdeu cerca de 30 mil alunos: de 110 mil inscritos há dez anos passaram a ser 80 mil no início do presente ano lectivo.
Só a Universidade Internacional (UI) perdeu mais de 2600 alunos numa década. Na última semana, o ministro Mariano Gago emitiu dois despachos onde determina o fim de interesse público da UI de Lisboa e da Figueira da Foz. Em resposta, o presidente do conselho de administração da entidade instituidora da Universidade, Javier Mendez de Vigo, garantiu ontem que a SIPEC – Sociedade Internacional de Promoção de Ensino e Cultura – accionará “criminalmente quem, abusando dos seus poderes, tenha como objectivo lesar os interesses dos alunos, professores e funcionários das duas universidades”. Isto depois de afirmar que o Ministério do Superior “não pode abusar das suas competências legais para prosseguir objectivos ilícitos”.
Em conferência de imprensa, na qual esteve mais de uma centena de alunos, Javier Mendez de Vigo garantiu que apresentará os planos de cada curso, com a identificação dos docentes e respectivas provas das qualificações académicas. Desta forma a sociedade responde aos pressupostos enumerados pela Inspecção-Geral da Ciência e do Ensino Superior que serviram de justificação para o ministro retirar o reconhecimento de interesse público à instituição.
O administrador da SIPEC revelou ainda o conteúdo da notificação enviada pela DGES, na qual é referido, por engano, o nome da Universidade Independente. Perante este erro Javier Mendez de Vigo afirmou: “Por que nos querem confundir? Não temos lutas de sócios, não há distribuição de dividendos, não existe duplicação de reitores nem de conselhos de administração.”
As últimas decisões de Mariano Gago relançaram dúvidas sobre o funcionamento das instituições de Ensino Superior privado. “Não é negativo que instituições sejam punidas pelas infracções que cometem. Até é bom para esclarecer a comunidade, de uma vez por todas, de quais é que cumprem”, diz João Redondo, director executivo da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP). O dirigente recorda que o Superior privado envolve perto de 90 instituições e que apenas algumas têm tido situações mais complicadas. “As privadas têm sido sistematicamente inspeccionadas. Não vejo que as últimas decisões sejam uma investida.”
ESPERA
A Universidade Independente entrega amanhã a contestação ao despacho do ministro que lhe retirou o estatuto de interesse público, após meses conturbados. O processo de encerramento compulsivo ainda decorre.
SALÁRIOS
Após o caso Moderna, relativo a 1999, a universidade volta agora a ser motivo de polémica. Os professores reclamam salários em atraso. O DIAP investiga irregularidades no funciona-mento e dívidas ao Fisco.
POLÍTICOS PARA ATRAIR ALUNOS
As universidades privadas têm apostado na contratação de políticos para dar nome e atrair alunos. Pedro Santana Lopes tem dedicado parte da sua vida académica a dar aulas em privadas. Esteve na Livre, passou pela Lusíada e pela Moderna e depois de ter dado aulas na Universidade de Lisboa voltou às privadas, à Internacional, para ensinar Direito Constitucional e Direito Internacional Público. “As aulas fazem bem ao espírito, puxam por nós”, diz.
O ex-primeiro-ministro assume que as privadas “estão num momento difícil, mas fazem muita falta”. Ao contrário da maior parte das privadas, a Fernando Pessoa não contrata docentes com actividade política.
DIFERENÇAS ENTRE PÚBLICO E PRIVADO
TRÊS QUARTOS
No presente ano lectivo 75 por cento dos alunos do Ensino Superior estão inscritos em instituições públicas.
DIPLOMADOS
Segundo o Observatório do Ensino Superior, 70 por cento dos diplomas em 2006 foram concedidos no público.
CALOIROS
Mais alunos inscritos pela 1.ª vez no 1.º ano no ensino Superior público (74 por cento) do que no privado.
SAIBA MAIS
80 637 alunos inscritos no Ensino Superior privado no início do ano lectivo 2006/07, de acordo com o Observatório do Ensino Superior.
1986 é o ano-chave do Ensino Superior privado em Portugal: com o fim da Universidade Livre (criada em 1979) nascem as universidades Lusíada, Autónoma e Portucalense.
ENCERRAMENTO
A tutela pode decidir o encerramento compulsivo ou a retirada de estatuto de interesse público de uma instituição.
MOTIVOS
Para o encerramento compulsivo tem de haver insta-bilidade académica. A acontecer, a instituição fecha, mas os proprietários mantêm os alvarás dos cursos e podem reabrir outra instituição; a retirada de estatuto de interesse público resulta quando a instituição não cumpre os objectivos (falta de cursos e de corpo docente com formação). O fim do interesse público termina com os cursos.
NOTAS
PROBLEMA É A GESTÃO
Ângelo Correia foi consultor da Moderna entre 1999 e 2001. “Faltam corpos autónomos e a gestão é o principal problema das privadas”, diz o ex-ministro.
ECONOMIA UNE POLÍTICOS
Manuela Ferreira Leite e Pina Moura são de campos políticos opostos, mas leccionam juntos no Instituto Superior de Gestão desde 2005.
CASAL ILUSTRE NA LIVRE
O presidente do Millennium bcp, Paulo Teixeira Pinto, e a mulher, Paula Teixeira da Cruz, tiraram o curso de Direito na Universidade Livre.
EVOLUÇÃO DO ENSINO SUPERIOR
1997: 224.091 (Público) / 110.450 (Privado)
1998: 236.487 (Público) / 107.335 (Privado)
1999: 252.252 (Público) / 108.271 (Privado)
2000: 270.312 (Público) / 103.450 (Privado)
2001: 286.380 (Público) / 101.517 (Privado)
2002: 285.362 (Público) / 99.704 (Privado)
2003: 282.215 (Público) / 95.868 (Privado)
2004: 278.756 (Público) / 84.922 (Privado)
2005: 280.419 (Público) / 83.389 (Privado)
2006: 286.092 (Público) / 80.637 (Privado)
in Correio da Manhã 2007.05.29
Dia a Dia
Separar o trigo do joio
Armando Esteves Pereira,
Director-Adjunto
O Ministério do Ensino Superior retirou o estatuto de interesse público aos pólos da Universidade Internacional de Lisboa e da Figueira da Foz, o que significa que esta escola fica impedida de funcionar.
Os alunos da Internacional vivem agora um drama semelhante aos da Independente e na Moderna as notícias são de queixas de salários em atraso e de alunos a tentarem mudar para outras escolas.
Nos anos 80 a pressão demográfica e a insuficiente oferta quantitativa das universidades públicas e da Católica obrigaram o Governo a permitir a abertura de várias universidades privadas. No entanto, o Executivo limitou-se a passar uma autorização administrativa sem controlar a qualidade dos cursos. Muitas escolas criaram cursos que só depois foram legalizados pelo Ministério.
Os anos 80 e 90 foram de enriquecimento fácil para quem investiu neste negócio. Criaram cursos de papel e caneta, esqueceram os tecnológicos, que exigiam investimento. Os professores eram de fácil recrutamento e acumulavam funções em diversas escolas.
O aumento da oferta do ensino público, também sem controlo eficaz de qualidade, e a diminuição do número de alunos obrigam a uma selecção entre boas e más escolas. As más acabarão por fechar e é pena que só agora o Estado esteja atento à falta de qualidade das universidades que foram criadas como supermercados.
in Correio da Manhã, 2007.05.28.

segunda-feira, abril 16, 2007


O negócio das «privadas» (4)

Crime de lesa-pátria

Dia a Dia

* Eduardo Dâmaso

O doutoramento do reitor da Universidade Independente não é reconhecido. Entre presos e arguidos com outras medidas de coacção já são mais de dez os dirigentes desta universidade a contas com a Justiça.

O retrato da desorganização dos serviços académicos é devastador. O não reconhecimento de cursos, a pesca à linha de famosos, políticos, jornalistas, advogados e magistrados, entre outros profissionais unidos apenas por dois traços característicos, notoriedade e influência, não importando qualidades em matéria de docência, ajudam a compor um cenário degradante.

Mas verdadeiramente lamentável é o silêncio conivente de todos os Governos e estruturas do Estado que depois do caos da Moderna não triplicaram a exigência e a fiscalização no Ensino Superior privado. Vivemos hoje o resultado de políticas verdadeiramente desastrosas no Ensino que têm vinte anos e só serviram para degradar as universidades públicas e não criaram níveis mínimos de excelência no privado, exceptuando obviamente a Universidade Católica.

Os autores deste desastre não devem aparecer agora a verter lágrimas de crocodilo, mas sim, se houvesse vergonha neste país, a pedir desculpas aos milhares de famílias que pouparam uma vida inteira para poder dar um canudo aos filhos. Este sim, é um crime de lesa-pátria!

in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.15

Independente: As razões que levam o ministro a encerrar
Tutela não reconhece doutoramento de reitor

* Edgar Nascimento

Esta é uma das conclusões apontadas pela Inspecção-Geral do Ensino Superior (IGES) no relatório do processo de encerramento compulsivo da UnI. Segundo a edição de ontem do jornal ‘Sol’, os inspectores detectaram falhas na concessão de equivalências, nomeadamente na atribuição de equivalências a cinco alunos da Administração Regional e Autárquica, curso que só existe naquela universidade.

A equipa reitoral “não assegura a necessária credibilidade académica”. O facto do vice-reitor Carvalho Rodrigues trabalhar fora do País, também mereceu reparos, designadamente por “não poder assegurar o efectivo exercício das funções”.

O corpo docente, refere o relatório da inspecção, não assegura “na maioria dos cursos, as qualificações académicas legalmente exigidas”, existindo mesmo sete professores “apresentados como doutores” mas que “não têm registo ou equivalência em universidade portuguesa”. O Conselho Científico não é composto exclusivamente por doutores, o que viola o estabelecido na lei.

Os próprios serviços da Universidade, indica o relatório, “não dispõem de processos individuais de oito docentes propostos para leccionar unidades de crédito aos vários cursos, o que impossibilitou a verificação das suas habilitações ou mesmo da sua efectiva vinculação à universidade”.

A “degradação pedagógica” que esteve na origem da decisão de encerramento decretada pelo ministro Mariano Gago, ficou a dever-se à situação “calamitosa” em que se encontra a Sides, instituidora da UnI. Os inspectores acrescentam que as actividades lectivas “continuam a funcionar irregularmente, sendo afectadas pelas mudanças de docentes, clima de instabilidade vivido nas instalações, realização de reuniões gerais de estudantes e notícias contraditórias relativamente ao calendário escolar”. A UnI tem até sexta-feira para contestar as conclusões do relatório da IGES.

PERFIL

Jorge Roberto, 56 anos, apresenta como habilitações um doutoramento em Comunicação e Documentação pela Universidade de Badajoz (onde também se doutorou um dos vice-reitores, Raul Cunha), um MBA em Gestão Global e Política Internacional pela UnI e licenciatura em Ciências da Informação pelo ISTEC. O reitor é funcionário da Caixa Geral de Depósitos.

in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.15

quarta-feira, abril 11, 2007


O negócio das «Privadas» (3)


Grupo de Trabalho do PCP para o Ensino Superior


A propósito do despacho provisório do Ministro da Ciência e do Ensino Superior sobre o encerramento compulsivo da Universidade Independente

A situação a que se chegou na Universidade Independente (U.I.) é corolário de políticas para o Ensino Superior que, na prática, privilegiam o Ensino privado em detrimento do público. As ditas «reformas» que desde o final dos anos 80 proporcionaram o rápido crescimento desta «oferta», abriram caminho à desregulamentação, privatização e mercantilização deste nível de ensino, ao mesmo tempo que o Estado não tem assegurado cabalmente os seus deveres de fiscalização e de regulação a que está obrigado pela Constituição, antes tem garantido um apoio generoso à abertura e ao funcionamento destas instituições e empresas privadas. Muitos estabelecimentos de Ensino Superior privado floresceram à sombra do Estado, financiados pelos impostos dos portugueses e pelo sacrifício de numerosas famílias que aí pagam elevadas propinas.


O Ensino Superior privado, que deveria funcionar como uma opção, tem sido potenciado pelo constrangimento financeiro e não só, imposto ao Ensino Superior público. O resultado foi a proliferação de universidades e pólos com uma miríade de cursos que atribuem qualificações, frequentemente duvidosas e sem qualidade científica e técnica, a muitos jovens a quem foi negado o direito universal de acesso ao Ensino Superior no sistema público.


A situação a que chegou a U.I. só pode ter um fim: o seu encerramento e a interdição à empresa e respectivos titulares de criarem qualquer outra instituição privada de ensino. Por outro lado, devem ser garantidos pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior (MCES), sem sacrifícios acrescidos, todos os direitos aos estudantes, professores e demais trabalhadores que estudavam e trabalhavam na U.I.. Concordando com a decisão de encerramento da U.I., o PCP não pode deixar de sublinhar que o PS tem tido, em diversos momentos, responsabilidades governativas no ensino e nas opções políticas que propiciaram semelhantes situações ao longo do tempo.


O PCP considera que o Estado, através do MCES, deve realizar cabal e rigorosamente o seu papel fiscalizador e regulador de todas as instituições privadas de Ensino Superior que superintende, não só nos aspectos académicos, científico e pedagógico, mas também quanto à gestão da aplicação dos milhões de euros com que o erário público subvenciona o funcionamento dessas empresas privadas, nomeadamente assumindo responsabilidades com a Segurança Social. O Ensino Superior público deve ter o primado na atenção e nas responsabilidades do Estado, uma vez que se trata de uma função de carácter estratégico para o desenvolvimento do País, e para assegurar uma formação superior qualificada a todos os jovens e trabalhadores que desejem aceder ao Ensino Superior e que tenham capacidades para o frequentar.

10.04.2007

O negócio das «Privadas» (2)

Caso Independente
Nada pode salvar a universidade

* Edgar Nascimento / Diana Ramos/ André Pereira / J.L. / Lusa / António Sérgio Azenha


O ministro Mariano Gago decidiu encerrar a Universidade Independente devido à “manifesta degradação pedagógica”. O director da Universidade, Lúcio Pimentel, está resignado e diz que a escola está condenada.

A Universidade Independente (UnI) tem dez dias úteis para comprovar que há condições para continuar aberta. Mas o presidente da direcção da Sides – empresa instituidora da universidade –, Lúcio Pimentel, já se mostrou resignado com a decisão do ministro Mariano Gago de encerrar a instituição. “Todos sabemos o que é o direito de audição. Nada pode ser feito para salvar a universidade”, lamentou o dirigente da Sides.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, decidiu “proferir despacho de encerramento compulsivo”, devido ao estado de “manifesta degradação pedagógica” que se instalou na universidade. O despacho “é provisório por força de lei”. Agora, a UnI tem dez dias úteis para “responder, dizer de sua justiça, negar e eventualmente provar que o que está no relatório não corresponde à realidade”. Mas Gago dificilmente deverá aceitar os argumentos da universidade. Face às alegações da instituição, o ministério vai, “o mais rapidamente possível”, proferir o despacho definitivo. Aos 2400 alunos, o ministro garante que a tutela “tudo fará para assegurar a continuidade dos estudos”.

Mariano Gago explicou que a UnI foi “repetidamente auditada e avaliada” desde a sua criação, em 1994. Os primeiros “problemas graves” datam de 2006, quando foi comunicado ao ministério “que não estavam a ser lançadas classificações, porque os professores não estavam a ser pagos”. Em Maio, depois do ministério ter exigido a reposição da normalidade, a Direcção-Geral de Ensino Superior conclui que o problema “estava ultrapassado e corrigido”.

Há um mês registou-se “convulsão na empresa accionista”, a qual, de forma “irresponsável”, acabou por “criar uma situação grave na estrutura académica”, chegando ao episódio “lamentável” de haver duas direcções e dois corpos docentes. “Os conflitos na empresa proprietária têm afectado contínua e persistentemente o funcionamento da Universidade em sectores-chave da sua organização pedagógica”, explicou o governante. Em relação ao processo sobre a viabilidade económico-financeira da instituição, de que depende o reconhecimento como utilidade pública, a conclusão será conhecida na próxima semana.

Mariano Gago anunciou que o ministério tem cópias dos registos informáticos recolhidos na UnI. O ministro deixou claro que até ao despacho definitivo a UnI “está aberta e em funcionamento”. Por isso, “os funcionários são responsáveis pela documentação à sua guarda”, pelo que nem quer colocar a hipótese de os serviços académicos se recusarem a emitir certificados de habilitações aos alunos que desejem se transferir.

NASCEU EM TEMPO PSD [e Cavaco Silva]

A UnI foi criada por decreto lei em Dezembro de 1994, era Manuela Ferreira Leite a ministra da Educação. Os cursos, frisou ontem o ministro Mariano Gago, foram aprovados por portaria em Maio de 1995, por Manuela Ferreira Leite e Pedro Lynce, secretário de Estado do Ensino Superior. A UnI foi “repetidamente auditada e avaliada” a partir de 1994/95. Apenas em 1999/2000 não foi publicado em Diário da República o corpo docente. Segundo Mariano Gago “nenhuma inspecção ou auditoria indicou problemas graves” na UnI. Até 2006. (…)

DISSE O MINISTRO

- O relatório da Inspecção-Geral de Ensino Superior é veemente. Entende que o funcionamento da UnI é de degradação pedagógica
- O relatório concluiu que a entidade instituidora da UnI atravessa uma situação calamitosa, que se estende à universidade, provocando grande perturbação académica e indignação geral
- A UnI está aberta e em funcionamento e deve criar condições de aprendizagem para os alunos, que estão desamparados
- A lei prevê que o ministério do Ensino Superior pode nomear entidades para ficarem com a documentação e emitirem os certificados de habilitações dos alunos
- Trata-se de conferir qualidade e remover instituições que traíram a boa-fé que o Estado concedeu, traíram o País- Não há nenhuma universidade sujeita a degradação pedagógica nem em perigo de perda de reconhecimento público
- É a primeira vez que se encerra uma universidade em Portugal. Por mim espero que seja a última e espero que todo o Ensino Superior repudie o que se passou
(…)

NEM OS FAMOSOS SALVARAM A INDEPENDENTE

A estratégia para cativar alunos não é nova e todas as privadas a utilizam desde sempre: contratar pessoas conhecidas do grande público para dar aulas, reger cadeiras ou, pelo menos, dar a cara por um curso. Pela Universidade Independente já passou muita gente famosa. Pelo Centro de Estudos de Televisão, dirigido por Emídio Rangel, passaram José Alberto Carvalho, Ana Sousa Dias, Catarina Furtado, Margarida Marante, Júlia Pinheiro, Teresa Guilherme, Manuel Luís Goucha e Baptista Bastos. Filipe La Féria deu aulas no curso em que estudou a modelo Bárbara Elias (Ciências da Comunicação), a ex-miss Portugal, Fernanda Silva, e o cantor Axel. Joaquim Letria, Mário Crespo ou Cristina Branco também deram aulas na Independente. O treinador holandês Johan Cruyff deu a cara numa pós-graduação de Desporto. Alberto João Jardim deu aulas de Administração Regional e Autárquica. Do actual Governo, o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, Rui Nobre Gonçalves, foi professor convidado da UnI, entre 2002 e 2005.

Cisões e guerras

A Universidade Livre abriu as portas da «Meca» do Ensino Superior privado. Foi das cisões que ocorreram entre os fundadores da cooperativa que saíram outras 'privadas'.

Universidade Livre - cisão entre 84/85 deu origem à Universidade Lusíada e à Universidade Autónoma de Lisboa.

Para a primeira seguiram os nomes de J. J. Gonçalves, Martins da Cruz, Gonçalves Proença e Braga Nunes.

Para a segunda seguiram Luís Arouca e Justino Mendes de Almeida seguiram para a criaçãom da UAL (fundada em 1986)

Luís Arouca sai também da Autónoma em rota de colisão e funda a Universidade Independente.

Uma nova ruptura, desta feita na Lusíada, faz sair J. J. Gonçalves para criar a Universidade Moderna, envolvida nas malhas da Justiça

in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.10