A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, dezembro 26, 2010

Kosovo, as atrocidades têm um nome



  • Luís Carapinha


Kosovo, as atrocidades têm um nome
O relatório do Conselho da Europa (CE) que traça as responsabilidades do actual primeiro-ministro do Kosovo e antigo comandante do UÇKi, Hashim Thaçi, num rol de crimes repugnantes não pode deixar de trazer a lume a sórdida história da guerra de desmembramento da Jugoslávia. 
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A natureza eminentemente criminosa da ocupação militar da NATO da antiga província da Sérvia no seio da federação jugoslava está há muita profusamente demonstrada. Assim como o processo da transformação do Kosovo num protectorado do imperialismo e a tentativa da sua legitimação por via da orquestrada «declaração unilateral de independência» de 2008.
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O relatório do senador suíço Dick Marty que, curiosamente, foi divulgado no rescaldo das eleições parlamentares de 12 de Dezembro que deram a vitória à formação de Thaçi, não traz em si, na essência, nada de novo, pese embora o interesse do material factual e descritivo que contém.

O quadro dantesco que é corroborado pelas alegações de Marty situa-se, objectivamente, nos antípodas da narrativa mistificadora emanada de Washington: os «combatentes» do UÇK pelos supremos «direitos humanos e os valores americanos», reciclados depois em Corpo de Protecção do Kosovo, são na realidade uma organização criminosa responsável por assassinatos em massa e a limpeza étnica das minorias. A morte de prisioneiros para extrair e traficar rins e outros órgãos era uma das especialidades da organização terrorista albanês-kosovar [instruída e equipada, como se sabe, pelos serviços secretos dos EUA, Alemanha e Israel]. Dedicaram-se, ainda, ao tráfico de droga e de armas, à exploração da prostituição, lavagem de dinheiro e a muitas outras tenebrosas práticas ilícitas que incluem espancamentos, tortura, raptos e desaparecimento de cidadãos inimigos ou suspeitos, não apenas sérvios, mas também albaneses, ciganos, etc. As actividades criminosas do cartel dominante, chefiado pelo primeiro-ministro Thaçi e também líder do Partido Democrático do Kosovo, prosseguiram sob diversas formas até aos dias de hoje, abarcando, inclusive, a «monopolização violenta dos principais sectores económicos» do Kosovo, dos combustíveis à construção civil, relata o documento. Uma autêntica «feira capitalista dos pequenitos» é, pois, este Kosovo independenteCamp Bondsteel, a maior criada de raiz desde a guerra no Vietname. 
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É este o cenário da real «catástrofe humanitária» do Kosovo que os média dominantes sempre esconderam.

Bem mais comedido ou omisso sobre os aspectos medulares da questão, o relatório de Marty não deixa de expressar perturbação pela passividade da «comunidade internacional» – desde os governos dos EUA e países aliados até às autoridades da UE no terreno –, que fecharam «os olhos aos crimes de guerra da organização» que coadjuvou a KFOR na ocupação e verdadeira limpeza étnica do Kosovo. 
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Nada disto é novo. 
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Também já se conhecia o papel do TPI para a antiga Jugoslávia, como órgão de justiça dos vencedores, que é discretamente apontado pelo relatório como negligente na investigação e de, pasme-se, ter destruído provas reunidas dos crimes dos responsáveis kosovares, algo que para a antiga inquisidora, Carla del Ponte era «inconcebível» …

A sessão plenária da APCE de Janeiro ajudará porventura a iluminar os meandros deste desfiar do novelo criminoso que envolve os representantes do poder fantoche em Pristina, após mais de uma década de alheamento cúmplice sobre a matéria por parte do CE e de todas as instâncias da arquitectura capitalista na Europa. 
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Com a Albânia já dentro da NATO e a direita, no poder em Belgrado, cheia de vontade de fazer render o país aos seus carrascos, talvez seja o momento indicado para deitar fora alguma roupa suja. 
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Não haverá «revelação» ou manobra de diversão que bastem para tornar irrelevantes os crimes supremos do imperialismo e assegurar a hegemonia do sistema social que lhe está na raiz. 
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Avante N.º 1934
23.Dezembro.2010
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

D'O Tempo das Cerejas - a «independência» do Kosovo

16-02-2008

Uma foto emblemática mas nada inocente


Nem tudo vai ser

lindas crianças a correr


É com esta sem dúvida tão magnífica quanto pouco inocente fotografia que o DN nos anuncia que «Grandes da Europa aceleram independência do Kosovo». Verdade seja dita que nem por encomenda se arranjaria, para um certo ponto de vista sobre a questão, uma foto mais sedutora: uma adorável menina que corre sobre um cartaz em que a consigna «Kosovo livre» está desenhada com o grafismo da Coca-Cola, esse supremo icone do farto consumo e prosperidade ocidentais.
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A verdade porém parece ser outra: «os grandes da Europa» preparam-se para permitir a constituição na Europa de um Estado independente, por sinal presidido pelo antigo comandante da UÇK (organização durante muitos anos considerada terrorista pela ONU e UE), o que talvez signifique a constituição do 1º Estado europeu narco-traficante (mais coca do que cola), enquanto, ao mesmo tempo, se inflige aos sérvios um profundo traumatismo, na medida em que estes, quase unanime e convictamente, consideram que o berço histórico da sua pátria se situa precisamente no território do Kosovo.
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Concluo lembrando apenas aos esquecidos o que determinava a

Resolução nº 1244 do Conselho de Segurança
da ONU, de 10.6.1999

«Reafirmando a vinculação de todos os
Estados Membros à soberania e à integridade territorial
da República Federal da Jugoslávia e de todos
os outros Estados da região,
no sentido Acta Final de Helsínquia
e do anexo 2 à presente resolução,»


[Os hipotéticos interessados podem revisitar uma ínfima parte do processo que conduziu à agressão armada à Jugoslávia e à situação actual lendo aqui o artigo que publiquei em 1999 intitulado «O anexo 8» do Acordo de Rambouillet. Obra de referência nesta matéria continua a ser o livro «Da Jugoslávia à Jugoslávia- Os Balcãs e a nova ordem europeia», da autoria do jornalista Carlos Santos Pereira]

X Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários


Partidos comunistas e operários definem tema de encontro


Em preparatória do próximo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, a última reunião do Grupo de Trabalho (GT) definiu o tema a ser debatido. A décima edição do evento se realizará de 21 a 23 de novembro de 2008, em São Paulo, para tratar dos “Novos fenômenos no quadro internacional. Contradições e problemas nacionais, sociais, ambientais e interimperialistas em agravamento. A luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo e a unidade de ação dos Partidos Comunistas e Operários”.


Duas notas do GT, divulgadas em 16 de fevereiro, detalham a reunião do grupo e os preparativos do encontro. Confira a íntegra desses textos.

Nota à Imprensa da reunião do Grupo de Trabalho do
Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Acolhida pelo Partido Comunista Português, realizou-se em Lisboa, no dia 16 de Fevereiro, uma reunião do Grupo de Trabalho, preparatória do próximo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

Tendo em conta a prática anterior, a reunião foi aberta a todos os partidos que participam nos Encontros Internacionais, tendo participado os seguintes partidos:

  • Partido Comunista Sul-Africano
  • Partido do Trabalho da Bélgica
  • Partido Comunista do Brasil
  • Partido Comunista de Cuba
  • Partido Comunista de Espanha
  • Partido Comunista dos Povos de Espanha
  • Partido Comunista da Grécia
  • Partido Comunista da Índia (Marxista)
  • Partido dos Trabalhadores da Irlanda
  • Partido dos Comunistas Italianos
  • Partido Comunista Libanês
  • Partido do Povo do Panamá
  • Partido Comunista Português
  • Partido Comunista da Boêmia e Morávia
  • Partido Comunista da Federação Russa
  • Partido Comunista da Síria
  • Partido Comunista da Ucrânia

A reunião que decorreu num ambiente de franca camaradagem, valorizou muito positivamente as propostas e contributos para o tema do Encontro de 2008 que foram enviados previamente por numerosos partidos para o Partido Comunista do Brasil, o partido anfitrião desse Encontro.

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Foi decidido que o 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários se realizará em 21, 22 e 23 de Novembro de 2008 na cidade de S. Paulo, Brasil, com o tema “Novos fenômenos no quadro internacional. Contradições e problemas nacionais, sociais, ambientais e interimperialistas em agravamento. A luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo e a unidade de ação dos Partidos Comunistas e Operários”.

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Os partidos participantes aproveitaram a ocasião para uma ampla troca de opiniões sobre a situação internacional, a situação nos seus países e as suas tarefas prioritárias.

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Mereceu particular atenção a profundidade da atual crise econômica do capitalismo, que evidencia o seu caráter sistêmico, e a crescente instabilidade que acarreta com a tendência para o agravamento da exploração dos trabalhadores, o acentuar da vertente militarista na ofensiva do imperialismo, a par duma intensa campanha ideológica e dum generalizado ataque a direitos e liberdades fundamentais.

Perante a anunciada e eminente declaração unilateral de independência do Kosovo, os participantes na reunião expressaram a sua condenação por uma decisão que se inscreve no processo de desmembramento da Iugoslávia violando o direito internacional e que, a consumar-se, constituirá um grave precedente e um indiscutível fator de instabilidade e de agravamento da tensão nos Balcãs e na Europa. Dando expressão concreta a esta posição, os partidos aprovaram uma declaração comum que propõem à subscrição por outros partidos.

Abordando a grave situação no Oriente Médio e, em particular no Iraque, na Palestina e no Líbano e na Síria, manifestaram a sua solidariedade aos povos e forças progressistas da região que corajosamente resistem e lutam contra o imperialismo e a guerra.

Analisando a situação no continente africano, expressaram a sua solidariedade para com as forças progressistas e os povos de África, nomeadamente os do TChade e do Quênia, que prosseguem a luta pela paz, a soberania e o desenvolvimento e que estão confrontados com processos de desestabilização de natureza imperialista. Os participantes condenaram ainda a decisão de instalação do comando militar norte-americano no continente africano.

Simultaneamente os partidos presentes na reunião do Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários expressaram a sua solidariedade para com o povo de Cuba socialista e demais povos da América Latina em luta pela sua soberania e o progresso social, assim como aos povos e forças que por todo o mundo persistem na sua luta pela democracia, a justiça social, a paz e o socialismo.

Os partidos participantes expressaram o seu reconhecimento ao Partido Comunista Português pelas condições criadas em Lisboa para esta reunião do Grupo de Trabalho.

Lisboa, 16 de Fevereiro de 2008

Reunião do Grupo de Trabalho do ENCONTRO INTERNACIONAL DE PARTIDOS COMUNISTAS E OPERARIOS
16 de Fevereiro 2008. Lisboa, Portugal

Os Partidos Comunistas e Operários presentes em Lisboa a 16 de fevereiro de 2008 por ocasião da Reunião do Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários debateram os desenvolvimentos no que concerne à iminente declaração unilateral de independência do Kosovo, promovida pelos Estados Unidos da América, Nato e União Européia e consideram que:

Um tal passo — que viola frontalmente o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas sobre esta questão — terá graves conseqüências para a região do Balcãs e em nível internacional.

Representa um grave perigo para os povos, desencadeando alterações de fronteiras, ameaçando lançar toda a região numa nova espiral de conflitos, guerras e intervenções internacionais, e criando um perigoso precedente internacional.

Os nossos partidos opõem-se à secessão do Kosovo da República da Sérvia. Exigem aos governos dos seus países que se abstenham de reconhecer a independência do Kosovo bem como de enviar tropas para a região.

Lisboa, 16 de Fevereiro de 2008


in VERMELHO - 17 DE FEVEREIRO DE 2008 - 20h48