A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, maio 14, 2010

Merkel adverte para risco de fracasso do projecto europeu, se euro acabar





Declarações na Polónia


13.05.2010 - 16:58 Por Lusa
A chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu hoje, em Aachen (oeste), para as consequências do fim da moeda única, afirmando que se o euro falhar, “então fracassará a Europa e será o fim da ideia da unidade europeia”.
<p>Merkel entregou hoje o prémio Carlos Magno a Donald 
Tusk</p>
Merkel entregou hoje o prémio Carlos Magno a Donald Tusk
 (Johannes Eisele/Reuters)

Para a chefe do governo alemão, que falava na cerimónica da tribuição do Prémio Carlos Magno ao seu homólogo polaco Donald Tusk, a actual crise que a União Europeia está a viver “é a maior prova de fogo desde o desmoronamento do comunismo” no leste do continente.

Merkel lembrou que os governos prometeram aos cidadãos que o euro seria uma moeda estável, “e têm de cumprir essa promessa”, sublinhou.

Se a actual crise não for superada “as consequências para a Europa serão imprevisíveis”, mas se esta fase difcíl for ultrapassada “a Europa será mais forte do que nunca”, prognosticou.

No discurso de agradecimento, Donald Tusk mostrou-se convicto de que a crise “não será o princípio do crepúsculo da Europa”, mas sim “paradoxalmente, uma oportunidade de a Europa se reforçar e desenvolver”.

O primeiro-ministro polaco foi agraciado com o Prémio Carlos Magno deste ano, prestigiado galardão para distinguir o empenho pela causa europeia, pelos seus méritos na aprovação do Tratado de Lisboa, e também pela sua intervenção em prol de relações de boa vizinhança entre a Polónia e o resto da Europa, de acordo com o júri.

Merkl afirmou também que a assinatura do Tratado de Lisboa deu à UE uma “base legal renovada”, acrescentando que “eventuais lacunas no Tratado terão de ser agora retificadas”.

A chanceler já tinha defendido anteriormente a alteração dos tratados europeus, para permitir um maior controlo orçamental dos Estados membros e o reforço das punições dos que violem os princípios da estabilidade e ponham em risco a solidez da moeda única. 
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segunda-feira, janeiro 18, 2010

PC Português denuncia mazelas do Tratado de Lisboa



 

Mundo

2 de Dezembro de 2009 - 21h08

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Em nota publicada na última segunda-feira (30) em seu site, o Partido Comunista Português analisa a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, um instrumento político sucedâneo à falida Constituição Europeia. O partido denuncia as agressões às quais a classe trabalhadora europeia estará exposta, assim como os danos que o tratado causarão aos 27 países que compõem a União Europeia.

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Segundo a nota, "o tratado institucionaliza o neo-liberalismo como doutrina econômica; que consolida a União Europeia como bloco econômico e político de caráter imperialista, aprofundando a sua vertente militarista, e que reforça o caráter federalista e de diretório de potências da União Europeia".
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O partido denuncia também a perda de soberania que Portugal — e outras nações europeias — sofrerá a partir da entrada em vigor do tratado, que aconteceu na última terça-feira (1/12), uma data histórica para Portugal, que comemorou 369 anos da recuperação da independência e soberania nacionais.
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Leia abaixo a íntegra da nota publicada pelos comunistas portugueses:
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Em Conferência de Imprensa sobre a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, Ângelo Alves da Comissão Política do PCP afirmou que "neste processo de imposição do Tratado de Lisboa aos povos da Europa, Portugal será apresentado amanhã como um “vencedor”. Mas, como o PCP não se cansou de denunciar, o povo e o País perdem com este Tratado, assim como perdem os restantes povos da Europa."
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Nota de Imprensa do PCP
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1. A História tem por vezes coincidências simbólicas e o dia de amanhã não deixará de marcar uma delas. No dia em que Portugal comemora um importante momento da afirmação da sua nacionalidade, 1º de dezembro, em que se assinalam 369 anos sobre a recuperação, por via da luta, da independência e da soberania nacionais, o povo português é confrontado com um sério atentado à sua soberania e à independência do seu País com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
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Com este novo Tratado, Portugal entra numa nova fase do processo de “integração europeia” que institucionaliza o neo-liberalismo como doutrina econômica; que consolida a União Europeia como bloco econômico e político de caráter imperialista, aprofundando a sua vertente militarista, e que reforça o caráter federalista e de diretório de potências da União Europeia. O Tratado de Lisboa entrará amanhã em vigor, mas o PCP reafirma hoje que tal rumo da União Europeia não é uma inevitabilidade e que os direitos sociais, trabalhistas e nacionais, o presente e o futuro do país, dos trabalhadores e do povo português, continuam a estar nas suas próprias mãos e na sua capacidade de luta por transformações sociais que trilhem o caminho da ruptura e da mudança patriótica de esquerda que se impõe.
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2. Neste processo de imposição do Tratado de Lisboa aos povos da Europa, Portugal será apresentado amanhã como um “vencedor”. Mas, como o PCP não se cansou de denunciar, o povo e o País perdem com este Tratado, assim como perdem os restantes povos da Europa.
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Perdem porque o aprofundamento da crise estrutural do sistema capitalista e a profunda crise econômica e social em que o país se encontra demonstram que são exatamente as políticas que este Tratado institucionaliza que estão na origem da crise, dos déficits estruturais, da dependência e dos graves problemas econômicos e sociais do nosso País.
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Perdem os trabalhadores e o povo português porque este tratado enquadra toda uma linha de políticas anti-sociais que garantem os lucros milionários ao grande capital à custa do desemprego em massa, do trabalho precário, do alastramento da pobreza e das desigualdades e da destruição de conquistas históricas do movimento operário na Europa.
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Perde Portugal porque com este Tratado vê transferidas competências de soberania em numerosos domínios ao mesmo tempo que perde influência nos processos de decisão da União Europeia.
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Perdem os povos da Europa e de todo o Mundo e os seus justos anseios de paz e segurança internacional. A criação da Agência Europeia de Defesa, ligada aos interesses do complexo industrial militar europeu; a referência ao aumento das capacidades e despesas militares; a submissão dos meios civis e militares dos Estados membros aos objetivos definidos pelo Conselho; a profissão de fé relativamente à Otan plasmada no Tratado; a criação do “Serviço Europeu de Ação Externa”, são, entre várias outras orientações, provas concretas em como este é um perigoso salto na vertente militarista e intervencionista da União Europeia associada aos EUA e à Otan e ao aprofundamento do seu caráter de organização global de natureza agressiva.
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Perde, por último, a democracia. Porque o Tratado que amanhã entra em vigor é uma segunda versão da dita "Constituição Europeia" que foi derrotada pelos povos nos referendos de 2005 na França e na Holanda e porque ficará também lembrado como aquele que, para entrar agora em vigor, negou o direito de sobre ele se pronunciarem os povos e espezinhou a vontade popular expressa no referendo da Irlanda de 2008, obrigando esse povo a repetir o referendo até que o resultado fosse o desejado.
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3. O Tratado de Lisboa está ferido de morte por um processo que evidencia o caráter anti-democrático do atual rumo da União Europeia. Este é um Tratado que carece de legitimidade política e institucional, pelo seu conteúdo e porque marcado pelo desrespeito pela democracia e pela soberania do povo português.
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Para o PCP a soberania de um povo, do nosso povo, não é um bem negociável num qualquer jogo de domínio entre classes dominantes e potências. Para o PCP a soberania é um elemento intrínseco da democracia, um inalienável direito que ao povo pertence e que por ele pode e deve ser exercido.
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Os promotores do Tratado de Lisboa, representados em Portugal por PS, PSD e CDS-PP, fugiram durante anos à discussão livre e democrática dos rumos da integração europeia e dos conteúdos da dita "constituição europeia" e deste Tratado. Negaram ao povo português - rompendo com promessas eleitorais - o seu inalienável direito de se pronunciar sobre questões fundamentais para o seu devir coletivo. Essa é a razão fundamental porque amanhã, quando o Tratado de Lisboa entrar em vigor, o povo português desconhecerá quase por completo as suas graves consequências. A responsabilidade desta aberração democrática será inevitavelmente assacada pela História àqueles que, submissos aos interesses do grande capital e das grandes potências, optaram por impor a sua visão única e de classe no relacionamento entre Estados no continente europeu.
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4. Os povos, com as forças do progresso, com os partidos comunistas, continuarão a sua luta por uma outra Europa. Uma Europa dos trabalhadores e dos povos que nunca poderá ser construída contra os seus interesses e aspirações. Uma Europa que não poderá ser desenhada para servir os objetivos de domínio do grande capital e de um punhado de potências. Uma Europa que terá de assentar os seus mais fundos alicerces no respeito pela História e a soberania das nações, pela democracia, os direitos e a participação democrática. Uma Europa fundada no estrito respeito pelas conquistas históricas do movimento operário no continente. Uma Europa que respire os valores da paz, da solidariedade e da entreajuda, respondendo aos justos anseios e aspirações dos seus povos.
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No momento em que um novo e importante salto militarista, neoliberal e federalista na União Europeia é consumado, o PCP afirma perante os trabalhadores e o povo português que não se resignará perante as novas condicionantes à vida democrática nacional que este Tratado implica.
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Afrontando a letra e o espírito da Constituição da República Portuguesa, as implicações políticas, institucionais, econômicas e sociais decorrentes da entrada em vigor deste Tratado colocam novas exigências a todos aqueles, democratas e patriotas, que prosseguem a luta pela democracia, pela defesa dos direitos sociais e laborais, pelo direito ao desenvolvimento econômico do País, pela soberania, a paz e a cooperação na Europa. Mas, a entrada em vigor deste Tratado não representa, de forma alguma, o fim da luta contra o seu conteúdo, contra os objetivos de domínio e as políticas que corporiza. Pelo contrário, ela torna-se mais urgente e exigente.
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Fonte: Site do Partido Comunista Português

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sábado, dezembro 19, 2009

Guerra de classes na UE




Antes do colapso de 2009, a Islândia era apontada como exemplo beatífico da «globalização». E dizia-se o mesmo da Irlanda, cuja adesão à União Europeia seria a fonte dum «milagre económico». Era o Tigre Celta, por analogia com os chamados Tigres Asiáticos, como a Coreia do Sul ou Taiwan. Estes últimos foram enjaulados em 1997 pela crise regional. Quando eclodiu a crise mundial do capitalismo, tornou-se claro que o Tigre Celta era, afinal, um tigre de papel. O desemprego na Irlanda está nos 12,5% e o défice orçamental disparou para 13,6% do PIB (Economist, 10.12.09). Como noutras paragens, os banqueiros foram salvos pela teta do Estado. Mas para os trabalhadores, a conversa é outra. Já há uns meses o governo irlandês «na prática reduziu o salário dos trabalhadores do sector público introduzindo um desconto especial de 7% para as reformas» (Economist, 10.12.09). Passado que está o referendum-bis sobre o Tratado de Lisboa, o governo vai agora mais longe e corta os salários dos trabalhadores da função pública entre 5 e 8%. Como escreve o Irish Times (10.12.09): «os funcionários públicos e os beneficiários de apoios sociais são os mais atingidos pelos cortes na despesa em 4 mil milhões de euros». Entusiasmada ficou a revista do grande capital anglo-saxónico, Economist (10.12.09): «a Irlanda mostra ao resto da Europa o que realmente significa a austeridade» e «o orçamento deu ao governo uma oportunidade para tranquilizar os investidores internacionais». «Investidores internacionais» são os quadros dirigentes de grandes bancos cujos salários estão a ser aumentados (Financial Times, 24.7.09) e a rapaziada de Wall Street que achou por bem atribuir-se gratificações recorde no valor de 140 mil milhões de dólares (Wall Street Journal, 14.10.09) com os subsídios estatais que recebeu após ter presidido ao colapso do sistema financeiro. O «fim da luta de classes» é assim.
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A Grécia é agora o novo alvo da União Europeia. Uma agência de rating (essas agências de avaliação que supostamente informam sobre a saúde económica de países e empresas, mas que asseguravam que as grandes instituições financeiras dos EUA estavam de óptima saúde na véspera de falirem) decidiu baixar a sua avaliação da Grécia. Logo surgiu uma enorme campanha, exigindo medidas à Sócrates. O Presidente do Banco Central Europeu, Trichet, afirma que os problemas da Grécia exigem «medidas muito difíceis, muito corajosas, mas absolutamente necessárias» (Financial Times, 11.12.09). Pelos vistos, se os governos não podem dizer ao BCE o que fazer, já o contrário não é verdade. Angela Merkel fez coro: «existindo problemas num país com o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que apenas se podem resolver através de reformas sociais levadas a cabo nesse país, surge naturalmente a questão de saber qual a influência que a Europa tem sobre os parlamentos nacionais, de forma a garantir que a Europa não seja travada» (euobserver.com, 10.12.09). A Sra. Merkel está a dizer que a soberania nacional acaba nas fronteiras das grandes potências da UE. O Pacto referido pela primeira-ministra alemã prevê multas para países que excedam o défice orçamental de 3%, mas a sua aplicação foi suspensa quando chegou a vez de multar a França e a Alemanha. O novo governo «socialista» grego diz que não quer cortar salários, mas vai ameaçando: «se estivéssemos à beira do precipício, cortaríamos os salários para metade, mas não estamos e lutamos tenazmente para não chegar lá» diz Papandreu (FT, 11.12.09). Os lucros do grande capital não são referidos. É natural que após as eleições seja a vez da Inglaterra, cujo défice orçamental vai nos 14,5%. E talvez sobre também para Portugal.
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Esta ofensiva de classe na UE é indissociável da entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Foi também para isto que foi imposto pela porta traseira e contra a vontade dos povos da Europa. Mas a nova moda de cortar nos salários de quem trabalha vai agravar uma crise que é, no fundo, uma crise de sobreprodução. O grande capital europeu está a declarar guerra aos trabalhadores. Não é coincidência que na Polónia se acabe de proibir os símbolos comunistas e que por toda a Europa se esteja a alimentar de novo o racismo, o fascismo e o anticomunismo. Aos trabalhadores e povos não resta outra via senão a luta. Que hoje mesmo será protagonizada pelos trabalhadores gregos.
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Nº 1881
17.Dezembro.2009 - Avante
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quarta-feira, dezembro 16, 2009

Tratado de Lisboa entrou em vigor - Nada a favor dos povos


Grafitti  de Banksy




Tratado de Lisboa entrou em vigor
Nada a favor dos povos


Não há nenhuma boa razão para comemorar o novo Tratado da União Europeia assinado em Lisboa, em vigor desde anteontem, 1 de Dezembro. É o que pensa o PCP, para quem este é um documento que representa «mais um acto de subordinação dos interesses nacionais a interesses políticos e económicos externos».
Esta posição foi reiterada há dias pelo deputado comunista Honório Novo em debate parlamentar sobre o novo Tratado suscitado pelo Governo e no decorrer do qual voltou a ficar clara a rejeição do PCP não só ao processo que conduziu à sua ratificação - «uma ratificação politicamente fraudulenta», foi dito com todas as letras – como também ao conteúdo profundamente negativo desta etapa que constitui mais um passo no sentido da invasão e alienação de soberania, consolidando um modelo federal, militarista e capitalista.
«Temos que nos regozijar se o novo Tratado confirma o neo-liberalismo como “doutrina oficial” e confere ao Pacto de estabilidade e Crescimento, ao Banco Central Europeu, à sacralização da “concorrência não falseada” o papel de instrumentos e orientações essenciais para a globalização e a circulação desregrada e ilimitada de capitais?», perguntou Honório Novo, para logo responder com um rotundo «não», antes de concluir com um voto de confiança: o de que o futuro passa pela «afirmação de um outro rumo para Portugal e a Europa, baseado na cooperação, na igualdade de direitos e no respeito pelas soberanias, no reforço do crescimento económico para melhorar as condições de vida dos europeus, para promover a justiça social e garantir a coesão económica e social entre países e regiões».


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Outros Títulos:
• Em defesa de decência e do interesse público
• Oposição faz valer medidas justas
• Prioridade à segurança
• Agiotagem estrangula PME


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Nº 1879
03.Dezembro.2009
- Avante
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Com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa Lutar por uma outra Europa






A propósito da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que anteontem teve lugar, o PCP reafirmou que o rumo da União Europeia «não é uma inevitabilidade» e que o presente e o futuro do País, dos trabalhadores e do povo português, continua «a estar nas suas próprias mãos» e na sua «capacidade de luta por transformações sociais».

«No dia em que Portugal comemora um importante momento de afirmação da sua nacionalidade, a 1 de Dezembro, em que se assinalam 369 anos sobre a recuperação, por via da luta, da independência e da soberania nacionais, o povo português é confrontado com um sério atentado à sua soberania e à independência do seu País com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa», recordou, segunda-feira, Ângelo Alves.
Em conferência de imprensa, realizada na Soeiro Pereira Gomes, o membro da Comissão Política salientou ainda que «neste processo de imposição» do Tratado de Lisboa «perdem» não só os portugueses como os «restantes povos da Europa».
«Perdem porque o aprofundamento da crise estrutural do sistema capitalista e a profunda crise económica e social em que o País se encontra demonstram que são exactamente as políticas que este tratado institucionaliza que estão na origem da crise, dos défices estruturais, da dependência e dos graves problemas económicos e sociais do nosso País», acusou, alertando para o enquadramento de «toda uma linha de políticas anti-sociais que garantem os lucros milionários ao grande capital à custa do desemprego em massa, do trabalho precário, do alastramento da pobreza e das desigualdades e da destruição de conquistas históricas do movimento operário na Europa».
Ângelo Alves lamentou, de igual forma, a perda da «soberania» nacional e da «democracia», uma vez que o Tratado de Lisboa «é uma segunda versão da dita "Constituição Europeia", que foi derrotada pelos povos nos referendos de 2005 na França e na Holanda» e, em 2008, na Irlanda. «O Tratado de Lisboa está ferido de morte por um processo que evidencia o carácter antidemocrático do actual rumo da União Europeia», acrescentou.

«Aberração democrática»

O dirigente comunista acusou ainda o PS, o PSD e o CDS-PP de «fugirem durante anos» à discussão livre e democrática dos rumos da integração europeia e dos conteúdos da dita «constituição europeia» e deste tratado.
«Negaram ao povo português - rompendo com as promessas eleitorais - o seu inalienável direito de se pronunciar sobre questões fundamentais para o seu devir colectivo», frisou Ângelo Alves, lembrando que a «responsabilidade desta aberração democrática será inevitavelmente assacada pela história àqueles que, submissos aos interesses do grande capital e das grandes potências, optaram por impor a sua visão única e de classe na relacionamento entre Estados no continente europeu».
Nesse sentido, continuou, «os povos, com as forças do progresso, com os partidos comunistas, continuarão a sua luta por uma outra Europa». «No momento em que um novo e importante salto militarista, neoliberal e federalista na União Europeia é consumado, o PCP afirma perante os trabalhadores e o povo português que não se resignará perante as novas condicionantes à vida democrática nacional que este tratado implica», prometeu Ângelo Alves, terminando: «A entrada em vigor deste tratado não representa, de forma nenhuma, o fim da luta contra o seu conteúdo, contra os objectivos de domínio e as políticas que corporiza. Pelo contrário, ela torna-se mais urgente e exigente.»






Outros Títulos:
• Reforçar a organização
Garantir o futuro

• Consolidar avanços e continuar a crescer
• Defender a produção nacional
• Ferramenta para a transformação do mundo
• Travar a privatização
• Ao lado de quem trabalha
• Solidariedade é dever internacionalista
• Lay-off chega aos Açores
• Vale tudo?
• Nova edição de O Solidário
• Futuro incerto na Rohde
• Despedimentos e luta na hotelaria
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Nº 1879
03.Dezembro.2009 - Avante
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Lisboa - O TRATADO DO GRANDE CAPITAL





O TRATADO DO GRANDE CAPITAL

Dia da Independência segundo o calendário português, o 1º de Dezembro foi, este ano, dia de entrada em vigor de um Tratado – chamado de Lisboa – que constitui, em primeiro lugar e acima de tudo, um verdadeiro atentado à independência e à soberania nacional. A data não terá sido escolhida de propósito, assim em jeito de provocação organizada ou de humilhação pensada, já que quem toma tais decisões pouco ou nada sabe de Portugal e da sua História, apenas lhe interessando que os governos indígenas sejam fiéis executores das ordens dos mandantes que, lá na Europa, dizem como é. Mas lá que a coincidência é digna de registo, é.
Em 1640, ao fim de 60 anos de ocupação, o povo português, lutando, recuperou a sua independência – e o traidor Miguel de Vasconcelos foi devidamente defenestrado; em 2009, os partidos dos governos que há trinta e três anos levam por diante a política de direita, deitando às urtigas a Constituição da República Portuguesa, vendem a independência nacional ao grande capital europeu e aclamam-se como heróis - sem saberem (ou sabendo?) que a História se encarregará de lhes proporcionar a devida defenestração.
É certo que a Lei Fundamental do País – ainda com inequívocos sinais de Abril, não obstante as muitas machadadas antidemocráticas que lhe foram infligidas por sucessivas revisões – nunca foi cumprida por nenhum dos sucessivos governos PS e PSD (às vezes com o CDS/PP atrelado) que têm vindo a flagelar o País e o povo desde que, em 1976, o primeiro governo PS/Mário Soares, aliado à direita, iniciou a política da contra-revolução de Abril. Mas o passo agora dado nessa matéria vai mais longe do que todos os anteriores, na medida em que deposita parte grande da independência e da soberania de Portugal nas mãos dos mais vorazes e predadores inimigos dos povos e institucionaliza o facto.

A «grande vitória para Portugal» anunciada pelo primeiro-ministro José Sócrates – «Porreiro, pá», disse ele, com a satisfação da tarefa cumprida, ao outro tratante, Durão Barroso, já então a viver dos rendimentos da tarefa cumprida de apoiante do morticínio do povo iraquiano – é uma vitória negra… Isto é: vitória, sim, mas para aquela reduzidíssima minoria de portugueses que identifica Portugal com os seus lucros pessoais e cujo patriotismo é tanto maior quanto maiores forem esses lucros.
Para os trabalhadores e para o povo, isto é, para a imensa maioria dos portugueses, este Tratado significa mais política de direita, que o mesmo é dizer mais desemprego, mais precariedade, mais injustiças, mais desigualdades, mais pobreza, mais miséria, mais fome.
Peça importante de um processo que vem de longe, o Tratado agora em vigor é o resultado de uma imposição do grande capital internacional, concretizada pelos conselhos de administração dos seus interesses, que são os vários governos em exercício nos países desta espécie de sucursal do imperialismo norte-americano que é a União Europeia.
Com efeito, com este Tratado, o processo de construção desta União Europeia do grande capital dá novos e perigosos passos em frente: a UE consolida-se como bloco económico e político de carácter imperialista, reforça consideravelmente a sua vertente militarista, o neoliberalismo é instituído como doutrina económica – o que significa, em resumo, a institucionalização das políticas que estão na origem da crise actual e da grave situação social hoje existente. E, com tudo isso, mais e mais graves problemas futuros para os trabalhadores e o povo.
E não apenas para os trabalhadores e o povo português, mas para os trabalhadores e os povos de todos os países da Europa.

Para além de tudo isto, este Tratado é o exemplo acabado do conceito de democracia em que assenta todo o processo de construção da chamada União Europeia.
Levado a votos uma primeira vez, em 2005, foi abertamente rejeitado pelos povos de França e da Holanda, num inequívoco sinal do que o esperava noutros referendos. Apavorados, os euro-democratas de serviço fizeram o que sabem fazer: exibiram a democracia de que são capazes: procedendo a uma ligeiríssima operação cosmética ao texto, amanharam à pressa uma segunda edição do mesmo, mantendo o essencial do seu conteúdo, a saber: a sua matriz neo-liberal, federalista e militarista.
Entretanto, à cautela, proibiram os referendos – apesar de a sua realização fazer parte das promessas com as quais caçaram o voto dos eleitores.
Assim, estes euro-vassalos-do-capital de fachada democrática puseram a nu o que querem dizer quando, em tremidinhos de voz, proclamam o sufrágio universal como pilar básico da democracia: eleições, sim, mas só quando têm previamente assegurada a sua vitória; se houver a mínima dúvida quanto aos resultados, não há referendo para ninguém...
O processo de congeminação e concretização desta UE é, todo ele, uma sucessão de atropelos à democracia e à liberdade de escolha dos cidadãos.

À entrada em vigor deste Tratado e às suas consequências previsíveis, responderão os trabalhadores e os povos dos países da União Europeia com o prosseguimento da luta pela soberania dos seus países, pelos seus direitos políticos e sociais, enfim, pela democracia. Pela sua parte, o PCP afirma perante os trabalhadores e o povo que não se resignará face aos inúmeros condicionamentos da vida democrática que este Tratado implica.
Para os comunistas portugueses este Tratado é mais um motivo para prosseguir e intensificar a luta por uma ruptura com a política de direita e pela conquista de uma política de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
Nº 1879
03.Dezembro.2009 - Avante
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quinta-feira, dezembro 03, 2009

UNIÃO EUROPEIA - TRATADO de LISBOA, por Miguel Mattos Chaves

UNIÃO  EUROPEIA
TRATADO  de  LISBOA
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Por Miguel Mattos Chaves*
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O que o Dr. Durão Barroso, o Prof. Dr. Cavaco Silva e o Engº Sócrates 
não dizem aos portugueses
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O que está em causa com este Novo Tratado é uma velha luta Ideológica e Doutrinária entre duas correntes Europeias. Luta velha de 50 anos. É uma luta sobre a Organização do Poder Europeu.
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E em dois campos opostos encontram-se, (independentemente de se situarem na Esquerda ou na Direita), duas forças que dividem a Europa a meio, falo dos que defendem uma Federação de Estados e dos que defendem uma União Intergovernamental de Estados.
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Ambas as correntes são Europeístas. Ambas defendem a União dos Povos da Europa. Ambas querem a Paz no Continente Europeu. Então o que as diferencia? Então o que está verdadeiramente em causa e que não se discute em Portugal?
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De um lado estão os Federalistas. Estes propõem a construção de um ESTADO EUROPEU que governará a União Europeia por de cima dos Estados-Nação.
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Isto é, querem criar um Estado Soberano que decida em matérias como a Segurança, a Defesa, a Política Externa, a Justiça e os Assuntos Internos. Querem que seja o Estado Europeu a decidir sobre o que os Estados agrupados na União têm que fazer, e decidir sobre o que não podem fazer.
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Isto para além da área económica e financeira (mercado único, liberdade de circulação de pessoas, bens e capitais, política orçamental, etc...) querem o Estado Europeu a decidir sobre as matérias fundamentais dos Estados, sobre matérias fundamentais dos Cidadãos.
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Do outro lado estão os que defendem a União Livre. Os Intergovernamentalistas. Estes propõem uma União dos Estados Europeus, em que cada Estado mantém a sua Soberania e o seu Poder de Decisão nas matérias que são “o coração” das Soberanias como a Segurança, a Defesa, a Política Externa, a Justiça e os Assuntos Internos.
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Isto é, admitem uma Federalização ou Integração (as palavras neste caso são sinónimos perfeitos) na área Económica e Financeira, mas não querem uma Federação nas outras matérias. Querem preservar a Autonomia de Decisão dos seus Estados nas matérias Políticas e de Soberania. São dois Modelos de Organização do Poder distintos, com reflexos na capacidade de cada Nação, na capacidade de cada Estado.
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Se os Europeus adoptarem o Modelo Federal, o Estado Federal Europeu, têm que estar preparados para verem os seus Estados e os seus Cidadãos enfraquecidos em termos de decisão. Enfraquecidos em termos de Autodeterminação. Enfraquecidos em termos da sua capacidade de Auto-Governo.
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Se os Europeus adoptarem o Modelo actual da União Intergovernamental, aquele que tem governado a Europa até agora, preservam a Autonomia da sua Nação, do seu País, do seu Estado. Mantém a sua Liberdade de decidirem nas matérias de Paz e Guerra, nas matérias de estabelecerem Relações Diplomáticas, ou Não, com os Países que querem; mantém-se livres de entrarem ou não nas Organizações Internacionais que mais lhes convêm.
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Ora, como se vê, está agora em discussão uma matéria muito GRAVE sobre estes temas, porque agora os Cidadãos dos Diversos Estados Europeus têm que decidir entre:
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- Se querem continuar na União Europeia, como até agora, preservando a Soberania dos seus Estados, a independência da sua Nação de decidir sobre matérias políticas vitais para o efeito, e nesse caso têm que recusar o Novo Tratado, mantendo os actuais Tratados em vigor; 
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- Ou se querem uma nova Europa, Federal, com um Estado que governe a sua Nação e o seu Estado, perdendo a Soberania e a Independência de decidir sobre os seus destinos; perdendo numa palavra, a sua Autodeterminação; e neste caso aceitam o Novo Tratado.
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É isto que está em causa com o Novo Tratado de Lisboa. É um Tratado mais Federal que os anteriores (Nice, Amesterdão, Maastrich, Roma). Um bocadinho menos Federal que o chumbado projecto da “Constituição Europeia”, com o qual vai ser políticamente comparado nos discursos públicos, para iludir a oposição dos cidadãos que não querem a Federação; para iludir os Intergovernamentalistas, mais distraídos ou menos informados.
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É o discurso que começou já a ser feito junto da opinião Pública dos Estados-Membros, para ver se passa.
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Vejamos os pontos principais do Novo Tratado que implicam perda de Autodeterminação das Nações, dos Povos Europeus:
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1. O CONSELHO EUROPEU, (onde estão representados os Governos dos Estados, os Governos das Nações), perde poderes em práticamente todos os capítulos, em favor:
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- da Comissão, órgão Federal, supranacional, que passa, na prática a dar ordens aos Governos Nacionais sobre as matérias já referidas;


- do Alto Representante PESC e PESD, que passa a ser, na prática o Ministro dos Negócios Estrangeiros, com mais poder que os Ministros dos diversos Estados;


- e do Parlamento Europeu.
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2. Em matéria da Política Externa, de Segurança e de Defesa:
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São aprofundadas as matérias de Integração (federalização) sobretudo ao nível das Políticas Externa e de Segurança. Quem passa a decidir é a União Europeia.
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São acrescentadas matérias no campo da Defesa;


Isto é os Estados deixam de ter autonomia de decisão sobre estas matérias e terão que cumprir o que for determinado pela União.
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3. Igualmente em matéria de Assuntos Internos e Justiça,


aprofunda-se a Federalização, introduzem-se novos temas e são criados Novos Tribunais;
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4. Nos mecanismos, nos processos, de Decisão:


São introduzidos mais temas que passam a ser decididos por maioria (federalização), em vez de por unanimidade (cooperação intergovernamental); sem que os Estados tenham a possibilidade de se recusar a aceitar medidas que prejudiquem os seus Cidadãos.
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Nomeadamente em matérias de PESC / PESD, e Assuntos Internos e Justiça passará a haver mais votações por maioria e menos por unanimidade. Até aqui só por unanimidade.
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Mesmo que alguns Estados não queiram adoptar certas decisões, muito dificilmente conseguirão não o fazer, já que ficou mais fraca a hipótese de se constituírem as denominadas Minorias de Bloqueio. (vários países a não concordarem com as decisões e portanto de acordo em bloqueá-las). Com o novo Tratado, que agora querem impor aos Europeus, ficam estas minorias de bloqueio Mais difíceis de atingir.
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5. NOVAS FIGURAS
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É introduzido o cargo de Presidente do Conselho, que será eleito por 2 anos e meio, escolhido pelo Conselho Europeu. Deixa de haver Presidências Rotativas exercidas pelos Estados-Membros. Este Presidente tem alguns poderes que até aqui as próprias presidências rotativas exercidas pelos Estados-Membros não tinham (como é o caso da actual, em que Portugal está na Presidência).
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6. Em resumo breve vemos que em matéria de:
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(A) Composição e Competências
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- O Conselho Europeu – que até agora Define as Políticas, perde poderes.
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- A Comissão – órgão supranacional não eleito por ninguém - mantém e Reforça os seus poderes em mais matérias, alargando o seu actual Poder de Iniciativa Legislativa.


Tem actualmente 27 Comissários passará a ter 18 em sistema rotativo. Isto é alguns Estados deixam de ter cidadãos seus na Comissão.


A Comissão passa a ter como Vice-Presidente o Alto Representante da PESC (na prática Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Europeia) que até aqui estava na dependência do Conselho Europeu.
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O Parlamento Europeu – que é composto por Deputados eleitos nos seus Estados originais, pelos seus Concidadãos, e que adopta a legislação da União, vê o seu número de Deputados reduzir-se dos actuais 785 euro deputados para 750. Portugal, por exemplo, perde representação.
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(B) OUTROS assuntos graves no que se refere á perda de Soberanias:
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Verifica-se um Aprofundamento do Direito de Petição Um Aprofundamento do Pilar POVO UM Aprofundamento do Pilar TERRITÓRIO, UM Fortalecimento do Pilar PODER POLÍTICO
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Aprofundamento do Ius Tractum, capacidade de assinar Tratados e Acordos Internacionais; Aprofundamento do Ius Legationem, capacidade de enviar Representantes de Política Externa para entidades nacionais e/ou intergovernamentais (i.e. Nações Unidas); Aprofundamento do Direito de Representação, tudo isto Características de um Estado Soberano. Tudo isto que é a matéria central da Autodeterminação dos Povos, da autodeterminação das Nações Europeias.
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(C) Portugal não exerceu o Direito de Opting out, (ou seja o Direito de poder Não aceitar medidas lesivas dos seus interesses, lesivas dos interesses dos seus Cidadãos), mais uma vez, em NENHUMA das MATÉRIAS DO TRATADO. Em resumo, temos um Tratado que propõe, na prática, a constituição de Estado Federal Europeu.
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E pergunta-se:
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- Será a Federação melhor que um Quadro de União Intergovernamental de Estados que cooperam entre si, mantendo a sua autonomia e capacidade de decisão, como até aqui?
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- Têm os Governos legitimidade para, nas costas dos seus Eleitores, nas costas dos seus Cidadãos, alienarem a capacidade de Autodeterminação das Nações, alienarem o direito á autodeterminação dos Povos? A quem pediram essa legitimação? Não estamos a falar de temas menores! 
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- Quem lhes deu autorização, (aos Governantes), para que os Países, (o meu incluído) deixem de ser Soberanos?
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Assim os Governantes deveriam ter PERGUNTADO aos portugueses:
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- Quer a constituição de uma Federação Europeia? OU - Aceita que Portugal veja diminuída a sua Autodeterminação? OU - Aceita que Portugal perca a sua Soberania?
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Os resultados de um SIM ou de um NÃO eram:
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Se o resultado fosse o SIM: o país passaria, e vai passar, na prática, a Estado Federado pela adopção desta Constituição e de todos os seus efeitos e perde a sua Soberania Plena, perde a sua Autodeterminação.
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Se o resultado fosse o NÃO: o país permanecia na União Europeia não adoptando e não sendo obrigado pelo presente projecto de Tratado, ficando, assim, obrigado apenas ao cumprimento dos actuais Tratados em vigor (Roma, Maastrich, Amesterdão e Nice).
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Como sou Europeísta, mas não quero uma Federação, não quero que o meu País perca a sua Soberania, recomendo que: (a) Todo o cidadão se bata pela redução das matérias de Integração (Federalização) exigindo ao Governo Português que o preveja no actual projecto de Tratado; (b) Todo o cidadão alerte a restante População Portuguesa para um aprofundar das Posições Federais que retiram poderes: - Aos Estados Nacionais - Ao órgão Intergovernamental – O Conselho Europeu
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Os Governantes e o Senhor Presidente da República deveria esclarecer Políticamente a Linha da Cooperação Intergovernamental, contra a opção Federal, explicando-a por todo o País, junto dos seus Concidadãos.
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Deveria desmascarar e denunciar as matérias em que o Tratado é claramente Federal, em matérias que fazem parte do “Coração da Soberania” do Estado Português; 
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Já que em Portugal nada destas matérias se discutiu até agora sugiro que sejamos nós Cidadãos a EXIGIR dos Governantes e dos Políticos Federalistas, (de todos os Partidos), que ponham este tema á discussão da População Portuguesa.
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Como inter-governamentalista, só um debate sério sobre este assunto de extrema importância para o futuro da União Europeia e muito grave para o futuro de Portugal se exige.
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E não é admissível que os Federalistas (exs: Dr.Cavaco Silva, Dr.João de Deus Pinheiro, Dr.António Vitorino, Engº José Sócrates, Dr. Durão Barroso, etc...) chamem de anti-europeístas aos Intergovernamentalistas que pedem o debate, pois se o fizerem estarão a agir de MÁ-FÉ ou pior ainda, estarão a agir como IGNORANTES e a ENGANAR o Povo Português, e Portugal.
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Fica a responsabilidade histórica ao Sr Presidente da República, ao Ser. Primeiro Ministro e ao Sr. Presidente da Comissão Europeia de não terem esclarecido o Povo Português.
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O futuro dirá das consequências para esta atitude inqualificável.


*Miguel de Mattos Chaves - Mestre em Estudos Europeus - Pela Universidade Católica Portuguesa
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«Memória Virtual» da Blogosfera em 2009 e da «vigorização» do Tratado de Lisboa

Memória Virtual


Posted: 01 Dec 2009 11:46 PM PST
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Coincidindo com o primeiro dia do novo ano, J. M. Coutinho Ribeiro e José Carlos Pereira faziam a apresentação do “Marco 2009”,  anunciando «Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses»; aos fundadores juntar-se-iam posteriormente António Santana e João Monteiro Lima.
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Luís Paixão Martins, responsável de agência de comunicação, autor do blogue “Lugares Comuns”  anunciara entretanto a mais longa sabática da blogosfera, prometendo regressar após um ano: «Este blogue volta a falar a 1 de Janeiro de 2010»… Dado que a blogosfera tem “horror ao vazio”, seria criado, em Abril, o “Lugares Mesmo Comuns”, blogue das equipas da LPM.
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A 2 de Janeiro Bruno Vieira Amaral iniciava a publicação do “Circo de Lama”, ao mesmo tempo que Paulo Pinto Mascarenhas (preparando o lançamento do novo jornal, i) anunciava a sua despedida dos blogues “Atlântico” e “31 da Armada”.
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A cerca de uma semana de completar o terceiro aniversário, o blogue da “Atlântico” pouco mais de 24 horas resistiria a essa saída do seu fundador, decretando-se o seu fim a 4 de Janeiro.
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A Juíza Desembargadora Adelina Barradas de Oliveira, lançava – num novo blogue, inserido na página online do Expresso, sob a denominação “Ré em causa própria” – «O blogue que fala de Direito e de linhas tortas»,  – a questão: «Será admissível a um juiz ter um blogue?».
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Por esta altura, a Faixa de Gaza era objecto de bombardeamentos; o enviado especial da RTP, José Manuel Rosendo, transmitia-nos, em blogue, as imagens escritas e visuais dessas bombas sobre Gaza, assim como os seus retratos de guerra.
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Após mais de um ano de paragem, o “Escola de Lavores”, blogue «onde mulheres da comunicação cosem outros retalhos das notícias», registava o seu regresso efectivo à actividade.
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A 4 de Janeiro, João Villalobos e Luís Naves apresentavam “As penas do flamingo”, um «espaço para publicação de textos literários originais».
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Posted: 01 Dec 2009 06:58 AM PST
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Tratado de Lisboa
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Entra hoje em vigor o Tratado de Lisboa, cujo texto integral pode ser consultado aqui, o qual introduz algumas alterações de relevo a nível do funcionamento das instituições da União Europeia, nomeadamente:
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§ Criação do cargo de Presidente do Conselho Europeu (tendo sido designado -  para o primeiro mandato, de dois anos e meio – o belga Herman van Rompuy)
§ Política externa, de segurança e defesa comum – gerida por um alto-representante (simultaneamente vice-presidente da Comissão Europeia – tendo sido designada a britânica Catherine Ashton)
§ Reforço dos poderes do Parlamento Europeu, em particular a nível da fiscalização do princípio da subsidiariedade
§ Alargamento do sistema de dupla maioria (em detrimento da unanimidade e do direito de veto, agora mais limitado, aplicável por exemplo no caso de matérias fiscais) – a partir de 2014, o Conselho passa a tomar decisões com base numa maioria de 55 % dos Estados membros (no cenário actual, pelo menos 15), e desde que representem pelo menos 65 % da população da União Europeia
§ Manutenção de um Comissário Europeu por país (em lugar de um sistema rotativo)
§ Limitação do número de deputados no Parlamento Europeu a um máximo de 750 (Portugal viu reduzido o seu contingente, de 24 para 22)
§ Direito de Petição – Um mínimo de um milhão de cidadãos da União Europeia podem reunir-se para obrigar a Comissão Europeia a propor legislação
§ Carta dos Direitos Fundamentais passa a ter cariz vinculativo.
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sábado, outubro 03, 2009

PCP - Sobre os resultados do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa

Aos órgãos de informação

Sábado, 03 Outubro 2009
Sobre os resultados do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa

A confirmarem-se as projecções, o resultado do referendo ao Tratado de Lisboa realizado na Irlanda coloca novas exigências a todos aqueles que prosseguem a luta pela democracia, pela defesa dos direitos sociais e laborais, pela soberania, a paz e a cooperação na Europa. Mas não significa, de forma alguma, o fim da luta contra este tratado e contra as políticas que corporiza.

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A confirmarem-se as projecções, o resultado do referendo ao Tratado de Lisboa realizado na Irlanda coloca novas exigências a todos aqueles que prosseguem a luta pela democracia, pela defesa dos direitos sociais e laborais, pela soberania, a paz e a cooperação na Europa. Mas não significa, de forma alguma, o fim da luta contra este tratado e contra as políticas que corporiza.

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Imposto ao povo irlandês em profundo desrespeito pela democracia e pela vontade popular expressa no referendo de 13 de Junho de 2008, este segundo referendo ficará marcado por inaceitáveis pressões sobre o povo irlandês. A confirmar-se, a vitória do SIM não pode ser desligada da escandalosa dimensão dos meios utilizados na campanha do SIM, da utilização abusiva dos meios do Estado irlandês e da União Europeia e de inaceitáveis manobras de ingerência e chantagem sobre o povo irlandês protagonizadas pelos principais promotores do tratado de Lisboa e pela própria Comissão Europeia.

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A confirmarem-se as projecções, este referendo e o seu resultado não legitimam nem o tratado, nem as políticas que corporiza. Porque o seu conteúdo é contrário aos interesses dos trabalhadores e povos dos países da União Europeia, aos valores da democracia, da paz e da cooperação e é profundamente lesivo dos interesses portugueses e da soberania nacional. Porque, se há facto político que este referendo e o processo chamado de “ratificação” do tratado de Lisboa vem demonstrar é que aqueles que se auto-proclamam os paladinos da democracia e da participação democrática na União Europeia, são os mesmos que não hesitam em espezinhar a democracia e a vontade popular para impor um resultado que não conseguiram nem com o primeiro referendo nem com os referendos na França e Holanda à dita constituição europeia.

O PCP saúda e expressa a sua solidariedade a todos aqueles que, na Irlanda, – particularmente os Partidos comunistas e progressistas – lutaram incansavelmente, e nas mais difíceis condições, para a derrota de um tratado que sintetiza as bases de um super-Estado e dos seus mecanismos de intervenção imperialista, em estreita colaboração com a NATO, e que visa institucionalizar o neoliberalismo e as políticas anti-sociais como doutrina económica e política da União Europeia.

O PCP expressa a sua inabalável determinação em prosseguir e intensificar a luta por uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos e contra as renovadas ameaças aos direitos sociais e laborais, à soberania, à paz e à cooperação com que os trabalhadores e os povos da Europa estão agora confrontados. Luta que, no próximo dia 11 de Outubro, passará também pelo reforço da CDU e do PCP, a única força política portuguesa que assume clara e integralmente o combate ao neoliberalismo, ao federalismo e ao militarismo na União Europeia.

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Declaração de Ilda Figueiredo,
Membro do Comité Central e deputada do PCP ao Parlamento Europeu

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3.10.2009
O Gabinete de Imprensa do PCP

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sábado, setembro 19, 2009

MAIS ALEMANHA! E PORQUE NÃO MAIS PORTUGAL?


O TRIBUNAL CONSTITUCIONAL ALEMÃO QUER A EUROPA MAIS DEMOCRÁTICA

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António Justo
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Em democracia o executivo tem de ser controlada com eficácia. A política da EU não pode continuar só nas mãos do Governo e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, decidiu o Tribunal Constitucional Alemão em Karlsruhe. O Parlamento nacional além do papel de legitimador das disposições da EU tem de ser envolvido também na sua feitura. O Tratado de Lisboa (espécie de Constituição da EU) não pode ser aplicado sem mais.

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Pela terceira vez os políticos são admoestados por decisões do Tribunal, que exige maior legitimação democrática na aplicação do Tratado de Lisboa. Como na Alemanha não houve plebiscito nacional para legitimação do Tratado de Lisboa, o Tribunal põe-se ao lado do povo exigindo mais poder de participação e intervenção dos deputados federais em questões da EU e de outras.

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A política europeia não pode continuar reservada aos governos. Estes fazem passar decisões importantes na vida dos povos à margem do parlamento reduzindo-o a um mero papel de legitimador no fim do processo.

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Em países de consciência menos democrática a política da EU ainda continua a ser considerada matéria reservada ao Governo e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que sem grande dificuldade marginalizam o Parlamento. O Tribunal Constitucional Alemão diz não a esta situação. Admoesta os deputados para assumirem mais responsabilidade. Critica o facto de a Assembleia da República ter abdicado levianamente do seu direito de intervenção delegando sem mais competências em Bruxelas. O legislativo tem de se ocupar de novo com o Tratado de Lisboa, para o submeter às rédias do povo e assim o disciplinar. O Parlamento não pode continuar a dar-se por satisfeito com informações vagas do Governo nem aceitar a mania sistemática dos segredos. O grande aliado da Assembleia Nacional é o Tribunal constitucional.

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Os políticos, depois do puxão de orelhas do Tribunal, parecem ter aprendido a lição. Convencionaram considerar o Parlamento como parceiro nobre em questões de EU e não só. A parceria deverá relacionar-se a tudo o que tenha a ver com política interna e externa da EU e com convenções económicas internacionais.

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Muitos assuntos europeus terão de passar a ser discutidos na Assembleia da República da Alemanha antes de saírem de Bruxelas. Até agora Bruxelas fez praticamente o que quis sob a vontade dos governos.

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O melhor modelo de comparticipação popular em questões de EU é o dinamarquês. Aqui o Governo, nas suas conversações, está dependente das indicações do Parlamento.

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Em Portugal o governo continua a actuar sem necessidade de se justificar. Os interesses do governo podem passar à margem dos interesses do povo.

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Temos mais Alemanha e menos Portugal porque a Alemanha é mais povo, mais nação enquanto Portugal é mais governo, a pretexto de povo e de nação.

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In PortugalClub

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