A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, março 01, 2011

A (in)justiça em Portugal (1)



Diário da Manhã
Terça-feira, 1 de Março de 2011 - 14:31

Juízes com rabo de fora

Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, anda verdadeiramente de cabeça perdida com as escutas entre o senhor engenheiro relativo e o seu camarada e amigo do peito Armando Vara.
  • 0h30 - Correio da Manhã - 2011.03.01
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Por:António Ribeiro Ferreira, Jornalista


Ameaça o juiz de Instrução do caso Face Oculta com o Inferno, os jornalistas assistentes do processo com indemnizações milionárias, enfim, atira pedras e mais pedras para impedir que os arguidos saibam o que andaram a dizer sobre várias matérias relevantes os dois socialistas. O procurador-geral da República, seu sacristão nesta matéria, anda a distrair a passarada com a velha história das escutas ilegais. Acontece que os dois juízes que mandam na triste e pobre Justiça da Pátria estão cada vez mais parecidos com os gatos. Escondidos com o rabo de fora.
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Imprensa

01-03-2011
> Juízes exigem divulgação de auditorias ao Citius > CM
Juízes exigem divulgação de auditorias ao Citius

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) considera "precipitado e arriscado" avançar com a informatização dos processos-crime devido aos problemas detectados no sistema. Em comunicado, a ASJP lembra que está em causa uma "área muito mais sensível" onde a questão do segredo é vital. Esta posição surge na sequência de uma resolução do Conselho de Ministros que considera "prioritário" o alargamento da desmaterialização dos processos.

Os juízes dizem que o Conselho Superior da Magistratura está "totalmente arredado" desta questão, o que permite uma "governamentalização da gestão dos dados relativos a actos processuais" e exige que o Ministério da Justiça divulgue as auditorias ao Citius e esclareça se os problemas de segurança foram ultrapassados.  

> Publicado no Correio da Manhã a 1 de Março de 2011

 Ver também
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Não ficará pedra sobre pedra - João Palma


A "domesticação" da Justiça em Portugal - Rui Rangel

A Partidarização da Justiça em Portugal a favor dos ricos e poderosos - Rui Rangel

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Tribunais: Computadores da investigação criminal são queijo suíço

Informática da Justiça vulnerável (ACTUALIZADA)

Os peritos que trabalham com o Ministério Público na aplicação das tecnologias ao sistema informático da Justiça são todos convergentes: a vulnerabilidade à intrusão de piratas é total. Maria José Morgado recusa mesmo utilizar o programa Citius no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.
  • 03 Outubro 2009
Por:Tânia Laranjo/ Eduardo Dâmaso


Para lá do estudo feito pela equipa do professor José Tribolet há outros diagnósticos feitos que arrasam a segurança informática da rede do Instituto de Tecnologias de Informação na Justiça (ITIJ). Esta é considerada demasiado complexa, com ligações a mais e com pontos de administração remotos que não são controlados judicialmente.
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Sobre o Citius, o programa informático que há dois anos o Ministério da Justiça implementou nos tribunais, Maria José Morgado é peremptória: 'Tem fragilidades e não apresenta condições para ser utilizado.'
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Por isso, o DIAP recusa-se a utilizá-lo. 'Não há perfis de segurança no programa. Pedimos uma auditoria de uma entidade externa e até agora não obtivemos resposta. Optámos por não o utilizar, até porque o DIAP é o maior organismo do Ministério Público em termos de inquérito. E a PGR também não impôs a sua obrigatoriedade', diz Maria José Morgado, que tem certezas ao nível dos perfis de segurança. 'O sistema tem de ter níveis de acesso de acordo com a responsabilidade dos utilizadores. E tem de ser possível verificar quem acedeu a ele. O utilizador tem de deixar a sua impressão digital, a marca, o rasto', afirma a magistrada, lembrando que é possível tornar o sistema 'quase inviolável'. 'Não há sistemas 100 por cento seguros. Mas é possível defendermo-nos das intromissões de terceiros.'
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O Citius não é, no entanto, o único problema nos sistemas informáticos da Justiça. Relatórios a que o CM teve acesso arrasam a maneira como foi feita a reforma tecnológica no ministério, inicialmente assente no sistema operativo Linux, escolhido pelo ITIJ em 2005. Nessa altura, avançou a reforma e foi criado um produto designado por ‘Linius’, baseado num projecto de divulgação do Linux em língua portuguesa conhecido por Caixa Mágica. Este projecto, porém, passou a ser progressivamente abandonado quando o Governo de Sócrates começou a celebrar protocolos com a Microsoft, em 2007.
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A partir daí, toda a rede da Justiça terá ficado sujeita a problemas de exploração eficiente e de segurança. A intromissão é possível e dificilmente detectável. As fragilidades são imensas.
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PORMENORES
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JUÍZES
A Associação Portuguesa de Juízes também pediu ao Ministério da Justiça, há cerca de dois anos, uma auditoria externa sobre a segurança do sistema informático. Não obteve, no entanto, qualquer resposta.
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NOTIFICAÇÕES
A grande mais-valia do Citius tem a ver com as notificações. O sistema foi, aliás, pensado para essa valência e só mais tarde foi adaptado. Na área cível, trouxe rapidez e permitiu aos advogados acompanhar os processos.
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UNIDADE
Na PGR funciona uma Unidade de Missão para a informatização dos tribunais. Os problemas e fragilidades detectados pelo DIAP de Lisboa foram confirmados por aquela entidade do MP.
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JUÍZA ACUSOU PODER POLÍTICO
A juíza do Tribunal de Família e Menores de Lisboa Solange Hasse classificou de inseguro o sistema informático Citius e anunciou no início do ano que não ia recorrer àquela ferramenta. A juíza escreveu num documento enviado ao Ministério da Justiça que é possível 'ler em cada momento o que um juiz escreve em determinado processo', pelo que permite 'a intromissão do poder político nas duas magistraturas'.
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'INTROMISSÃO É FÁCIL DE ACONTECER': Maria José Morgado, Procuradora-geral-adjunta
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Correio da Manhã – O DIAP não utiliza o Citius?
Maria José Morgado – Pedimos ao Ministério da Justiça que nos dessem os perfis de segurança, e até propusemos uma auditoria por uma entidade externa. Continuamos sem resposta e decidimos não o utilizar.
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– Mas ele não era obrigatório?
– Inicialmente, sim, mas depois o Ministério Público entendeu retirar a obrigatoriedade.
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– As fragilidades do sistema são só ao nível da segurança?
– Não. Há problemas técnicos na gestão dos processos, da sua apensação. O Citius não tem capacidade, dada a sua arquitectura. E a intromissão no sistema também é muito fácil de acontecer.
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SEGREDO DE JUSTIÇA EM XEQUE
Um dos relatórios na posse do grupo de trabalho deixa claro que há uma relação entre as fragilidades da rede do Instituto das Tecnologias da Justiça (ITIJ) e a justificação de violações do segredo de justiça. No caso Freeport, chegou a haver suspeitas de intromissão nos computadores dos magistrados que investigam o caso. Na altura, chegou a ser feita uma investigação rápida mas inconclusiva. Para os peritos, para além de estar comprometido o sentimento de confiança dos utilizadores (polícias, magistrados, juízes, funcionários judiciais) em relação à privacidade da informação arquivada ou em circulação nas suas redes, há também um risco real de intrusão informática a suportar algumas violações de segredo de justiça noutros processos que não o do Freeport. O sistema assenta numa rede considerada 'muito complexa', cheia de ligações e interligações, com administração a partir de pontos subtraídos a qualquer controlo judicial. Por outro lado, há vários relatórios técnicos que apontam fragilidades na segurança dos sistemas e bases de dados de todos os Departamentos de Investigação e Acção Penal, do Ministério Público, de todas as polícias e, até, dos Registos e Notariado, serviço que emite o cartão do cidadão.
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No caso do DIAP de Lisboa, a primeira consequência desse sentimento de insegurança está no pedido de auditoria feito por Maria José Morgado. Mas a própria Polícia Judiciária tem vindo a tomar medidas de reforço da segurança dos seus sistemas.
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REDE DO ITIJ NÃO É FECHADA
Os relatórios periciais afirmam que a rede informática do ITIJ não é estanque. Pelo contrário, existem diversos pontos de acesso remoto e sem controlo judicial, o que, na área da investigação criminal, facilita o acesso a informação sensível e protegida pelo segredo de justiça. A rede integra os Registos, Notariado, tribunais, Ministério Público e a Polícia Judiciária. Por outro lado, tem demasiados privilégios de acesso distribuídos.
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SÓCRATES APOSTA NA MICROSOFT
A estratégia assente na Caixa Mágica e no sistema operativo Linux acabou por ser contrariada pela aposta do Governo de Sócrates nos protocolos com a multinacional Microsoft. Estes protoc olos asseguram à empresa a continuidade de venda de licenças dos seus produtos à administração pública portuguesa mas, na óptica expressa pelos peritos em vários relatórios a questão da falta de segurança não foi afastada.
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NOTAS
CAIXA MÁGICA: INÍCIO EM 2000
O projecto de engenharia informática Caixa Mágica começou em 2000 no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, com três especialistas portugueses
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REFORMA: GAGO AVANÇOU 
O impulso inicial da reforma informática baseada no ‘software livre e aberto’ foi dado no Governo de António Guterres, sob impulso do então ministro da Ciência Mariano Gago
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OBJECTIVO: DIMINUIR CUSTOS
Um dos objectivos da iniciativa, assente na resolução do Conselho de Ministros 21/2002, visava reduzir custos na Função Pública com o pagamento de licenças
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segunda-feira, dezembro 20, 2010

O Estado da Justiça em Portugal e a Corrupção e Criminalidade

Lei do financiamento dos partidos é 'um passo atrás'
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18 de Dezembro, 2010
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A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado disse hoje, no Porto, que vê «com preocupação» a lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais que esta semana foi promulgada pelo Presidente da República, considerando-a «um passo atrás».
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Maria José Morgado falava pouco antes de dar uma conferência sobre crime económico-financeiro/corrupção, no âmbito do seminário Política e Justiça organizado pelo Instituto de Estudos Eleitorais da Universidade Lusófona.
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A magistrada explicou que vê a nova legislação «com preocupação», porque ela «é um passo atrás em relação às exigências de transparência e de rastreio do financiamento dos partidos».
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A procuradora sustentou que esta lei «vai dificultar o rastreio da origem dos dinheiros e dos financiamentos, com tudo o que isso possa significar em termos de transparência, legalidade de funcionamento dos partidos e vulnerabilidade em relação às más práticas que conduzem para o plano inclinado da corrupção, tráfico de influências, etc.».
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Maria José Morgado disse ainda que «não» havia ficado surpreendida por os partidos terem aprovado esta lei, que o Presidente da República promulgou dia 13, porque «é sempre matéria muito apetecível para os partidos». Conduz, insistiu, a um «financiamento sem regras ou com regras tão complicadas que se torna praticamente impossível exigir o seu cumprimento».
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Quanto ao facto de a lei ter sido promulgada pelo Presidente da República, a magistrada respondeu: «Não tenho comentários fazer».
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Cavaco Silva promulgou a lei considerando que, apesar de incluir opções normativas «indubitavelmente questionáveis», «é imperativo» reduzir as subvenções públicas e os limites máximos dos gastos nas campanhas eleitorais.
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O Presidente da República referiu ainda que, visto que as alterações introduzidas à lei do financiamento dos partidos serão aplicadas de imediato, «tal implicará uma redução dos montantes das subvenções e despesas de campanha relativas ao próximo ato eleitoral», que será as Presidenciais de Janeiro de 2011.
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A alteração à lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais foi aprovada em votação final global com os votos favoráveis do PS e do PSD, com nove deputados socialistas a optarem pela abstenção.
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Maria José Morgado comentou ainda o apelo da Associação Sindical dos Juízes para que fossem conhecidos os gastos dos gabinetes ministeriais. «O que está na Constituição é que a administração pública tem que ser transparente», porque «isso é uma regra sagrada num estado Direito».
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«A Associação Sindical dos Juízes tem os seus valores e concordo com eles», completou.
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A propósito do crime económico-financeiro, tema que abordou na sua conferência, hoje, na Universidade Lusófona, a magistrada disse que a sua investigação «parece um luxo, mas não é, é uma necessidade de um estado de Direito, mas por enquanto continua a ser um luxo».
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«Temos que trabalhar sem recursos nenhuns, como se tivéssemos», reforçou.
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Na conferência, Maria José Morgado falou, nomeadamente, do «sistema de justiça penal» e da sua resposta ao crime económico-financeiro e à corrupção, considerando-a «desajustada» devido a uma «quase demência legislativa», em que existem «alçapões para o infractor e dificuldades para o juiz» realizar o seu trabalho.
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Lusa / SOL
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Dia a dia

Luxo português

A procuradora-geral-adjunta Maria José Morgado disse ontem o que todos os dias devia ser repetido pela generalidade dos seus pares: a investigação da corrupção e do crime económico em Portugal é encarada como um luxo extravagante pelo poder político – o tal bloco central dos interesses feito por sectores do PS e do PSD. O que Maria José Morgado disse até já nem tem grande novidade.
  • 19 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
Por:Eduardo Dâmaso, directo-adjunto

A Justiça não tem os meios necessários para investigar operações financeiras ilegais de grande sofisticação técnica. A novidade que todos os dias se constrói na sociedade portuguesa é o silêncio que pesa cada vez que alguém diz este tipo de coisas. É um silêncio particularmente ruidoso na área da Justiça, onde cada um se encolhe na concha dos seus interesses. Há uns poucos que vêm logo dizer que não senhor, não é assim, mas esses ou mostram serviço a quem os nomeia para comissões fora das magistraturas ou vergam perante aquilo que consideram ser o seu dever institucional. 
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Depois, há a imensa maioria calada, egoísta, enfiada na vidinha. A Justiça está cheia de ilhas dominadas por pequenas vaidades e pela pura gestão de interesses de carreira e influência junto de alguns sectores dos partidos de poder. A Justiça está cada vez mais permeável e ‘sensível’ às pretensões de grupo e grupinho oriundas da política. Por isso, permanecerá por muitos anos a mão invisível que faz dela uma espada punitiva para as classes baixas mas também uma amante devota: a primeira garantia de impunidade para os senhores do crime português. 
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Justiça: Queixa ao Conselho da Europa

Juízes vão protestar

Os juízes portugueses decidiram ontem endurecer as formas de luta para dar um sinal claro ao Governo de que não aceitam a proposta de lei de alteração do Estatuto dos Magistrados Judiciais.
  • 19 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
Por:Francisco Pedro com Lusa


Vão apresentar uma queixa ao Conselho da Europa e prometem concentrar-se à porta do Supremo Tribunal de Justiça na próxima cerimónia de abertura do ano judicial. "O que se pretende é demonstrar, de forma digna e respeitosa, a preocupação com as consequências negativas que resultam para os cidadãos das intervenções do Governo na área da Justiça", explicou António Martins no final da assembleia geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), realizada em Coimbra.
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Segundo o presidente da ASJP, na reunião foi aprovado um apelo a todos os juízes para que passem a usar os transportes públicos nas deslocações e "recusem suportar o ónus do transporte dos processos judiciais", entre casa e os tribunais. Caso as reivindicações não sejam atendidas, a direcção da ASJP ficou mandatada para avançar com outras medidas, como a greve. 
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Correio da Justiça

Uma greve que custa

De todas as formas de luta possíveis de desencadear por um sindicato, aquela que agora foi encetada pela ASFIC/PJ – greve a todo o trabalho fora do horário normal de serviço e não enquadrado nos regimes legais (piquete, prevenção e trabalho determinado como extraordinário) – é a que mais custa aos funcionários de investigação criminal.
  • 19 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
Por:Carlos Garcia, pres. Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal


A abnegação, o brio profissional e o sentido de missão do pessoal da PJ faz com que esta greve se transforme, além do mais, num momento extremamente doloroso. Estão redondamente enganados aqueles que por desinformação ou má-fé pensam que a opção por esta forma de luta foi decidida de ânimo leve. Contudo, somos humanos e, como qualquer ser humano, reagimos às injustiças. No nosso caso, suportámos até onde foi possível suportar, em nome da coesão institucional e do combate ao crime. 

Mas fizemo-lo na vã esperança de que mais tarde ou mais cedo alguém olharia por nós, como nós olhamos diariamente pelos outros. A paciência tem limites e é por isso que mais de 95% dos investigadores aderiram a esta forma de luta, dure o tempo que durar. O que queremos é ver a nossa carreira dignificada e as leis existentes a ela aplicadas, por forma que possamos cada vez mais desempenhar um trabalho de excelência.
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terça-feira, dezembro 14, 2010

Morgado ataca “política miserabilista” do Governo


Justiça

Morgado ataca “política miserabilista” do Governo

A procuradora Maria José Morgado alertou para o facto de o funcionamento dos tribunais, do Ministério Público e das polícias ficarem em risco caso se mantenha a actual "política miserabilista" do Governo para a área da Justiça.
  • 13 Dezembro 2010 - Correio da Manhã


"Se mantivermos esta política miserabilista de natureza bipolar em relação à Justiça está posto em causa o funcionamento normal da máquina judiciária:  tribunais, Ministério Público e polícias", afirmou a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, à margem de um seminário sobre  criminalidade organizada.   
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Segundo Morgado, a actual situação dos serviços da  justiça já é grave. "Estamos em countdown [contagem decrescente] na área da manutenção em matéria de papel, tonner, fotocopiadoras, ou seja, em matéria de funcionamento  da justiça no que representa resultados no combate ao crime e protecção de  pessoas", denunciou. "Falo de justiça e não de privilégios, falo de responsabilidade, estado  de direito, da protecção da comunidade", acrescentou.
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terça-feira, abril 08, 2008

Urbanismo (2) e Corrupção

* Eduardo Dâmaso / António Sérgio Azenha

Francisco Paraíso
07 Abril 2008 - 12.00h

Corrupção Autárquica: Lisboa sob suspeita

Resultados em Junho para 39 casos

As investigações à Câmara de Lisboa por suspeitas de corrupção já desencadearam a abertura de 53 inquéritos criminais. Neste momento, apesar de alguns desses processos terem sido arquivados, estão ainda em curso, segundo apurou o CM, 39 inquéritos e seis averiguações preventivas, que poderão desembocar na abertura de novos inquéritos criminais.

Os casos estão repartidos por três estruturas de investigação – Polícia Judiciária, Unidade Especial de Investigação liderada por Maria José Morgado e 9.ª secção do DIAP de Lisboa. A coordenação é assegurada pela equipa de Maria José Morgado e o clima tem sido de grande cooperação entre os investigadores. O nosso jornal sabe que uma parte dos inquéritos em investigação deverá ter resultados em Junho, tendo em conta os prazos e as intenções da equipa.


O ponto de partida numa parte dos inquéritos a cargo da equipa especial é a sindicância administrativa feita pela magistrada Elizabete Matos. Considerado um verdadeiro guião para aquilo que tem sido a organização e a prática da Câmara de Lisboa nas últimas duas décadas, a sindicância abriu a porta para dezenas de irregularidades e de indícios criminais.


Em apenas dois anos, desde que a Polícia Judiciária efectuou as primeiras buscas aos departamentos do Urbanismo e do Património da autarquia lisboeta em Dezembro de 2005, magistrados e polícias passaram a Câmara de Lisboa a pente fino. Das 53 investigações desencadeadas pelas autoridades foram arquivados seis inquéritos, uma averiguação preventiva e uma investigação foi incorporada noutro processo.


Com estes arquivamentos continua ainda em investigação um total de 45 processos, dos quais 39 estão em fase de inquérito e seis em processo de averiguação preventiva. Como estão em causa suspeitas de 'criminalidade que utiliza o abuso dos poderes públicos na instrumentalização da política de solos para enriquecimento ilícito', como já disse Maria José Morgado, mais de metade das investigações é da responsabilidade do DCICCEF: 23.


As restantes investigações estão distribuídas por quatro organismos: 15 na equipa de Maria José Morgado, cinco no DIAP, uma na Directoria de Lisboa da PJ e uma na Direcção de Finanças de Santarém.


Segundo as várias fontes contactadas pelo Correio da Manhã, fica a ideia de que a cidade de Lisboa tem sido alvo de um ataque organizado nos últimos anos a tudo o que é solo edificável ou que possa adquirir tal estatuto mediante decisões camarárias.


Isso mesmo foi amplamente denunciado pelo vereador José Sá Fernandes e pelo ex-vereador Nuno Gaioso Ribeiro.


DOIS PROTAGONISTAS-CHAVE


Por motivos diferentes, Carmona Rodrigues e José Sá Fernandes são dois protagonistas-chave em todo o processo de investigações criminais à Câmara de Lisboa. Desde logo foi o próprio ex--presidente da autarquia lisboeta, em substituição de Santana Lopes, que pediu à Procuradoria-Geral da República a realização de uma sindicância à Câmara, iniciativa destinada a clarificar as crescentes suspeitas de corrupção na autarquia. Carmona acabou por apresentar a demissão do cargo, por ter sido constituído arguido no caso Bragaparques e dar origem a eleições intercalares na capital. Hoje é vereador.


José Sá Fernandes é também vereador e integra o executivo socialista de António Costa. O vereador do BE denunciou vários negócios suspeitos relacionados com a autarquia lisboeta e ficou conhecido, sobretudo, pela sua acção contra os negócios da Câmara com a Bragaparques.


DISCURSO DIRECTO: 'FALTA CRIME DE ABUSO URBANÍSTICO': Maria José Morgado, coordenadora do DIAP

Correio da Manhã – Portugal deveria ter o crime de abuso urbanístico?

Maria José Morgado – O Direito Comparado diz-nos que a Espanha, por exemplo, tem essa incriminação. O Direito Penal é a ‘ultima ratio’ mas não pode ser uma ‘ratio nula’. O Código Penal devia incluir a previsão de um crime que envolva as questões mais graves na área urbanística.


– Que questões são essas?

– Estamos a falar de todas as situações em que se considere que um interesse público é lesado, ou seja, uso de informação privilegiada, de manipulação dos planos directores municipais, do solo edificável.


– Os negócios urbanísticos desafiam o Estado de Direito?

– São negócios que instrumentalizam poderes públicos ao serviço de interesses particulares e, por isso, devem ter uma previsão penal muito específica.


SINDICÂNCIA DEU GRANDE IMPULSO


A investigação administrativa que foi conduzida pela magistrada Elizabete Matos aos serviços da Câmara de Lisboa deu um impulso decisivo a uma acção que pode vir a ser de verdadeira limpeza no município. Foram passados a pente fino loteamentos, alterações ao plano director municipal, atribuições de capacidade construtiva, contratação de pessoal e dezenas de outros aspectos da organização e actividade do município.


O documento assinado por Elizabete Matos está na origem das demissões das chefias do Urbanismo, decididas pelo presidente da Câmara, AntónioCosta, após conhecer os resultados da investigação. Mas está, também, na origem do aumento do número de casos em investigação, grande parte dos quais está a cargo da Unidade Especial de Investigação chefiada por Maria José Morgado. Aqui, estão a ser feitos verdadeiros levantamentos sobre as principais áreas de Lisboa com capacidade construtiva, está a ser minuciosamente analisada a organização da câmara, as relações familiares e de amizade de alguns técnicos e dirigentes do município que trabalham por fora.


A investigação em curso tem vindo a destapar uma das omissões da legislação nacional na área do crime económico. Uma parte significativa das práticas dos serviços municipais que abrem a porta ao tráfico de influência e à corrupção não é criminalizada directamente pela legislação penal portuguesa. Alguns são ilícitos puramente administrativos, ou nem isso, e dificilmente enquadráveis em crimes como a prevaricação, abuso de poder, participação económica em negócio, entre outros, que têm servido de ‘muletas’ para uma acusação.


O facto de não existir em Portugal o crime de abuso urbanístico – que em Espanha tem dado dezenas de pesadas condenações a autarcas, funcionários e empresários da construção civil – é um claro impedimento a uma acção mais eficaz da Justiça.


QUEM É QUEM NA INVESTIGAÇÃO DA CORRUPÇÃO

MARIA JOSÉ MORGADO

DIAP - Sucessora de Francisco Van Dunem

‘Apito Dourado’ - Início das equipas com a sua ‘marca’

Prazos - Obsessão

Maria José Morgado dá rosto e voz a um dos raros discursos bem estruturados no País sobre o combate à corrupção. Esteve na Polícia Judiciária até 2002 onde liderou o combate ao crime económico numa das fases mais prósperas do departamento em matéria de presos e recuperação de receita para oEstado. O procurador-geral entregou-lhe a missão de salvar o ‘Apito Dourado’ do arquivamento certo e de coordenar as investigações à Câmara de Lisboa.


TERESA ALMEIDA

Procuradoria - Foi onde esteve antes

Método - Gosta de trabalhar em equipa

Bragaparques - Fez a acusação

Coordenadora da 9.ª secção do DIAP, Teresa Almeida é uma procuradora muito experiente. Esteve com Cunha Rodrigues na Procuradoria-Geral da República e agora trabalha com uma equipa de magistrados já muito especializada em crimes urbanísticos. A 9.ª secção temos principais casos da CML.


MOREIRA DA SILVA

Macau - Foi onde começou a carreira

Alípio Ribeiro foi buscá-lo para a PJ

Responsável pelo crime económico

Antigo funcionário judicial, este magistrado é o director da DirecçãoCentral da PJ que tem a responsabilidade de apresentar serviço no combate à corrupção. Sob a sua tutela estão os investigadores que têm os processos da Câmara Municipal de Lisboa mas também muitos outros a envolver municípios.


TRÁFICO DE SOLOS (A Opinião de Paulo Morais, Professor universitário)

A gestão do Urbanismo nas câmaras municipais transformou-se na mais rentável fonte de corrupção. Constitui o maior cancro da democracia. As práticas mais comuns e perversas consistem na alteração, sem regra e contra o interesse público, da capacidade construtiva de terrenos. Áreas agrícolas que apenas permitiam uma actividade de subsistência a pobres agricultores mudam de mãos (e para que mãos!) e, como que por milagre, aí nascem edifícios de vinte andares. São as alterações aos planos directores municipais, feitas a pedido ou por ordem de quem domina o poder político. Mas há mais. Quantas vezes são licenciados edifícios de seis ou mais andares, onde os instrumentos de planeamento apenas permitiriam a construção de vivendas. Tudo graças a uma conivência promíscua entre promotores imobiliários e vereadores do Urbanismo; também devido a um caldo legislativo confuso que incita a arbitrariedades; e a uma burocracia que ajuda ao descontrolo. Com estas práticas conjugadas, terrenos de cem mil euros podem passar a valer dois milhões. O ‘negócio’ do Urbanismo gera assim margens de lucro de dois a três mil por cento, só comparáveis em Portugal às do tráfico de droga. Não é de admirar que se instale, na política local, o mesmo tipo de mecanismos perversos, as mesmas máfias.Traficando a capacidade construtiva excessiva, os vereadores do Urbanismo convertem-se em dealers, sequazes dos hábeis promotores imobiliários – são os artífices de todas as burlas, dominam os partidos e financiam-nos. Ou, mesmo que não sejam convictamente corruptos, são cúmplices, fecham os olhos – são os medrosos, muitos e muito baratos. Há excepções: os resistentes, que combatem esta vergonhosa permeabilidade da gestão da coisa pública a interesses privados. Inconformados, acabam por sair, desiludidos ou saneados.


PORMENORES

23 NA DCICCEF

Das 45 investigações na Câmara de Lisboa, 23 são do Departamento Central de Investigação e Combate à Criminalidade Económico-Financeira (DCICCEF), da PJ.

15 NA UEI

A Unidade Especial de Investigação (UEI), liderada por Maria José Morgado, também tem uma fatia importante dos processos investigados: 15.

CINCO NO DIAP

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), integrado na Procuradoria-Geral da República (PGR), tem cinco processos de investigação.

URBANISMO COM 109 AVENÇADOS

A Direcção Municipal da Gestão Urbanística (DMGU) tinha 109 funcionários avençados. Este número representava cerca de 10% do total do pessoal avençado na autarquia, que ascendia a 1148 pessoas.

URGENTE MODERNIZAÇÃO

A sindicância considera que 'os serviços de urbanismo precisam de urgente modernização'. E sugere que se equacione 'um trabalho com entidades externas' no sentido de analisar as tarefas.

AMANHÃ

Os processos que atingem câmaras na área de Lisboa, em particular os casos de Oeiras, Amadora e Cascais

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» COMENTÁRIOS no CM on line
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08 Abril 2008 - 02.00h | xpto
Para quando a verdade sobre o favorecimento dos empregados da familia Soares, numa casa da GEBALIS, FAVORECIMENTO ESSE DADO PELA SENHORA HELENA lOPES DA COSTA
07 Abril 2008 - 18.08h | Ambrósio Lopes Vaz
Os processos estão em boas mãos.A juiza Maria José Morgado é competente e a pesar de todas as dificuldades vai conseguir levar "a carta a Garcia"Pena foi que a Celeste Cardona e sr. Portas a tivessem posto fora da investigação,quando foram para o governo.Porque alguns já tinham prestado contas muito mais cêdo.Mas os tais salvadores da Pátria fizeram a limpesa e meteram gente de sua confiança.
07 Abril 2008 - 17.36h | ex-assessor
Passei a «ex-assessor» porque fui(fomos) despromovido a executivo-bacharel pela eficaz reestruturação da função pública.Agora e de facto desde há dez anos, «assessores»,só os badalados ajudantes dos políticos.Entre muitos destes regista-se um radical pragmatismo, a pretexto da pseudo anti-burocracia da Lei e da técnica,o que por sinal tem semeado por essas câmaras e serviços turbulentos problemas.
07 Abril 2008 - 13.09h | PV
AGORA E QUE VAMOS VER A COMPETÊNCIA DA SRªPROCURADORA. ESPERO QUE ELA CONSIGA EXPLICAR, E LEVAR A JULGAMENTO, A FALÊNCIA DA C. LISBOA, QUE POR SINAL E COINCIDENTE COM A RIQUEZA RECENTE DE ALGUMAS ENTIDADES PRIVADAS ENTRE AS QUAIS ALGUMAS ENTIDADES DESPORTIVAS DESTA REGIÃO. FICO Á ESPERA, MAS PARA JÁ NÃO ESTÁ A SER NADA RÁPIDO
07 Abril 2008 - 12.34h | M. Gonçalves
Porque não fazem como em Espanha? Já que Sócrates é tão amigo de Zapatero, porque não faz como ele? Ou só imita o que é mau e nos prejudica? Braga
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in Correio da Manhã
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