A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sábado, setembro 06, 2008

Ossétia do Sul - Novo conflito que emerge às portas da Europa

Bandeira da Georgia
Bandeira da Ossétia do Sul


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Sábado, 9 de Agosto de 2008





Ossétia do Sul - Novo conflito que emerge às portas da Europa







A geografia da Geórgia divide-se em três partes distintas: a norte e a sul é montanhoso, incluindo, a norte, a vertente sul do Grande Cáucaso, e a sul parte do Pequeno Cáucaso e os primeiros contrafortes das montanhas da Arménia e da Anatólia; ao centro estende-se um amplo vale que toma o cariz de planície costeira junto ao litoral do mar Negro.









Na Antiguidade, gregos, persas e romanos invadem a região sucessivamente. Os romanos introduzem a religião cristã em 337. Mais tarde, o território torna-se foco de disputas entre o Império Persa e o Império Bizantino. Depois cai em poder dos árabes, em 654, quando um emirado muçulmano é estabelecido em Tbilisi, a capital.

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Os georgianos recuperam a independência e atingem o apogeu de sua cultura entre os séculos VIII e XIII, sob a dinastia Bagratuna, fundadora de um Império que se estende do Azerbaidjão à Turquia. A invasão mongol, em 1386, põe fim à Idade de Ouro georgiana...

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Em 1453, a tomada de Constantinopla (capital do Império Bizantino) pelos turcos isola a Geórgia do mundo cristão. Nos três séculos posteriores, o país sofre repetidas invasões de turcos e persas, até que, em 1783, se submete ao Império Russo. Os russos anexam a Geórgia no século XIX...

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Dominada pelas altas montanhas do Cáucaso, a Geórgia tem a maior parte de seu território coberta por florestas. Em férteis planícies cultiva frutas cítricas, vinhas e chá.

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Rico em recursos minerais, o país possui importantes indústrias metalúrgicas e reservas de petróleo ainda inexploradas. A sua economia tem sido abalada por conflitos internos desde a sua independência que se seguiu ao colapso da antiga União Soviética, em 1991...

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A Geórgia é um importante ponto estratégico que faz a ponte entre a Rússia, A Europa Ocidental, o Médio Oriente e a Ásia , é por lá que passam os gasodutos e os oleodutos que transportam gás natural e petróleo desde o Médio Oriente para a Europa e Rússia.

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No seu território têm surgido problemas com o separatismo :

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Ossétia do Sul - Os Ossetas são um povo de origem persa, dividido entre a Federação Russa e a Geórgia durante o regime Estalinista (1924-1953). Em 1990, a Ossétia do Sul declara a independência, primeiro passo para integrar-se à república russa da Ossétia do Norte. A Geórgia torna-se independente da URSS em 1991 e lança uma ofensiva militar contra os Ossetas. Os choques terminam depois da mediação da Federação Russa, em 1992, e da criação de uma força de paz integrada por Russos, Ossetas e Georgianos. A comunidade Internacional nunca reconheceu o estatuto de Estado Independente à Ossétia do Sul e o recente ataque da força aérea Georgiana às posições das forças de paz Russas, tende a agravar o conflito com os Russos.

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Abecásia - Habitada por maioria de etnia abecásia até os anos trinta, quando José Estaline envia para a região milhares de georgianos. A Geórgia não reconhece o movimento separatista dos abecásios, alegando que são minoria (18%). Mas os rebeldes criam a República Autónoma da Abecásia, em 1992, o que dá início aos conflitos. Um cessar-fogo é alcançado em 1993, seguido do envio de uma força de paz da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e de uma missão de observadores da ONU em 1994. Mesmo assim há frequentes irrupções de violência. Em outubro de 1999, o governo abecásio promove um referendo sobre a independência, que obtém 97% de apoio, mas não é reconhecido pela Geórgia. A ONU e a Federação Russa prorrogam a sua permanência na área.

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Fonte : Adaptado a partir da Wikipédia


PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR


EUA querem dominar o Cáucaso




















A campanha anti-russa

Uma gigantesca campanha de desinformação foi desencadeada com o objectivo de impor à opinião pública mundial uma versão falsa dos acontecimentos no Cáucaso.

O agressor Geórgia é transformado em vítima e a Rússia criminalizada e ameaçada por ter intervido em defesa da Ossétia do Sul.
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Os factos que estão na origem da crise não podem entretanto ser apagados pela deturpação da história.
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No dia 7 de Agosto o exército da Geórgia invadiu a Ossétia do Sul e praticou ali, nomeadamente no bombardeamento de Tskhinvali, a capital da pequena república autónoma, actos de barbárie que provocaram quase 2000 mortos e o êxodo de dezenas de milhares de pessoas.
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Soldados e oficiais russos da força de estabilização internacional estacionada no território com o aval da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa foram abatidos durante a agressão.
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O governo de Moscovo respondeu ao pedido de ajuda do governo da Ossétia do Sul enviando forças militares para expulsar os invasores. Essas tropas, no desenvolvimento da operação, penetraram na Geórgia, aí permanecendo durante dias para acelerar as negociações tendentes a garantir uma paz duradoura na região. Ambiguidades no texto do Acordo assinado permitiram atitudes desafiadoras do presidente Saakashvili da Geórgia que motivaram algum atraso na retirada do contingente russo.
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A campanha anti-russa, de inversão da história, prosseguiu, agravada, entretanto, pela participação do presidente Bush, da secretária de Estado norte-americana Condoleeza Rice, da chanceler alemã Angela Merkel e de outros dirigentes da União Europeia.
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As viagens a Tbilisi de Condoleeza e Merkel, o seu apoio ostensivo ao governo de Saakashvili e a renovação das promessas de integração da Geórgia na NATO justificam o temor de que os EUA, com o apoio da União Europeia, utilizem a crise no Cáucaso, no âmbito da sua estratégia para o Médio Oriente, para uma confrontação com a Rússia. Não é por acaso que os grandes média estadunidenses voltaram a desfraldar as bandeiras da guerra fria.

Estranhas coincidências

O presidente Bush deitou lenha na fogueira ao recorrer a uma linguagem agressiva e intimidatória ao relacionar a «exigência» da imediata retirada das tropas russas com a declaração de que Washington considera a Ossétia do Sul parcela inalienável do território georgiano. Uma viragem de 180 graus no discurso de defesa da independência do Kosovo.
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É improvável que o ocupante da Casa Branca, cuja cultura histórica e geográfica é paupérrima, saiba que a língua mais falada pelos ossetas do Sul é o russo e que a pequena República decidiu proclamar-se independente em 1992 – opção confirmada pelo referendo de 2006 – declarando nula a sua integração na Geórgia. Foi por uma simples decisão administrativa, na época de Estaline, que o Sul da Ossétia foi separado do Norte. As consequências da medida foram, então, mínimas politicamente, tal como a integração da Abkhazia na Geórgia, porque esses povos caucásicos faziam parte do grande corpo da União Soviética.
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Mas desaparecida esta, ossetas do Sul e abkhazes, após a independência da Geórgia, manifestaram imediatamente a sua vontade de romper a relação de dependência que lhes foi imposta. A opção de ambos pela independência surgiu como prólogo à futura integração na Rússia, desejada pela esmagadora maioria das populações de ambas.
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Tbilisi reagiu com medidas repressivas permanentes que culminaram agora com a brutal agressão que atingiu a Ossétia do Sul.
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Significativamente, em plena crise no Cáucaso, a Polónia tornou pública a sua decisão de aceitar a instalação de mísseis dos EUA no seu território (o chamado escudo «anti-míssil»), gesto que motivou imediato e firme protesto do presidente Medvedev, que identificou nele uma grave ameaça à segurança da Rússia.
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Até os grandes jornais norte-americanos sublinharam estarmos perante uma estranha coincidência de datas.

Para além do petróleo

É difícil avaliar por ora o nível de cumplicidade dos EUA na agressão à Geórgia.
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O Conselho Português para a Paz e Cooperação chamou a atenção num oportuno comunicado para os compromissos assumidos por Tbilisi nos acordos que precederam a construção do oleoduto que liga Baku, no Azerbaijão ao porto mediterrânico turco de Ceyhan. Essa obra – o BTV, como é conhecida – foi realizada por um grupo de transnacionais petrolíferas sob a direcção da British Petroleum-BP, que detém a fatia do leão.
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É útil recordar que o projecto foi concebido ainda na administração Clinton, com a aprovação do ex-presidente.
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Os gigantes petrolíferos firmaram então acordos para eles vantajosos com as repúblicas petrolíferas da antiga Ásia Central Soviética, sobretudo com o Turcomenistão e o Cazaquistão, ambos com saída para o Cáspio. Como os oleodutos existentes passavam todos por territórios russos, Washington e Londres decidiram construir o BTC a partir de Baku.
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Clinton sentiu a necessidade de armar a Geórgia. Bush reforçou a aliança com Tbilisi, identificando em Saakashvili – um presidente que no seu próprio pais fala em inglês em actos públicos – o mais fiel dos aliados na região, e assinou acordos militares com o país atravessado pelo BTC. É desconhecido o montante dos armamentos fornecidos. Mas especialistas na matéria admitem que o seu valor excede 500 milhões de dólares.
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Foram essas armas que o exército de Saakashvili utilizou agora na agressão à minúscula Ossétia do Sul.
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Não há mentiras que possam inverter a realidade.
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A Geórgia, armada pelos EUA, iniciou uma guerra criminosa contra um pequeno povo cioso da sua cultura, agindo como instrumento de grandes transnacionais petrolíferas.
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A Rússia, já ameaçada pela instalação de mísseis dos EUA na área do Báltico, está consciente de que a ameaça se esboça também no Sul. E reagiu.
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A estratégia imperialista, muito ambiciosa, transcende porém o controlo do petróleo. Envolve toda a Ásia Central, o Irão, o Iraque, a Palestina, Israel.
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Em Washington volta, a despropósito, a falar-se do «eixo do mal». Mas a argumentação é esfarrapada, ridícula.
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A Rússia é hoje um país capitalista. Putin e Medvedev actuam em defesa dos seus interesses nacionais, incompatíveis com os dos EUA.
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Nos choques em evolução no Cáucaso, o discurso agressivo e demagógico bushiano insere-se numa perigosa estratégia de desespero que configura ameaça à humanidade.
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Envolvidos em duas guerras perdidas, os EUA, incapazes de encontrar soluções para a crise estrutural do capital, comportam-se como um Estado parasita cujo povo consome muito mais do que produz (o défice comercial deve atingir este ano os 900 mil milhões de dólares). A opção pelo saque do Terceiro Mundo e por guerras criminosas encaminha a nação para um desfecho trágico.





















Outros Títulos:
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Justiça contra a parapolítica
Furacão e protestos nos EUA
Angola vai às urnas
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Avante
Nº 1814
04.Setembro.2008
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Pela Paz

















Comentário
Pela paz


Está a tornar-se cada vez mais claro que ao capitalismo já não basta o recurso à ideologia para impor as suas regras. É crescente o recurso à ingerência interna, à provocação, ao conflito armado, à invasão, à guerra, para controlar recursos naturais – petróleo, gás, água – ou rotas e vias de acesso a fontes estratégicas, no que pode ser considerado um novo período de colonização por parte dos que têm maior poder. Os pretextos têm sido os mais variados, mas os objectivos são sempre os mesmos, seja no Iraque e no Afeganistão, seja nos Balcãs ou no Cáucaso, no Médio Oriente, em África ou na América Latina.
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A história já nos ensinou que o imperialismo é sempre insaciável. Foi assim com todos os impérios. Mas, também por isso, geraram as contradições que levaram à sua própria destruição. É que também sempre os povos explorados lutaram contra a exploração de que foram vítimas, na defesa da sua dignidade. Só que, por vezes, isso custou muito sofrimento e milhões de mortos.
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Por isso, importa retirar ensinamentos da história e actuar, enquanto é tempo, na defesa da paz justa, inseparável da democracia participativa, da justiça social, da valorização do trabalho, do progresso e desenvolvimento ao serviço dos povos, no respeito pela soberania dos Estados, promovendo a via do diálogo para a resolução dos conflitos, nomeadamente no quadro da ONU, e lutando contra a nova corrida aos armamentos.
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Na fase que estamos a viver, as grandes potências já não tentam apenas impor a ideologia dominante do capitalismo. Querem que haja um pensamento único, utilizando a comunicação social que controlam, com especial enfoque para as televisões, reduzindo ao mínimo possível, excluindo, na prática, os que se opõem consequentemente ao capitalismo e à guerra e que apresentam alternativas ao sistema explorador, como faz o PCP.

Políticas perigosas

Nalguns países da União Europeia, onde Portugal não está impune, retornam os ataques a liberdades e direitos fundamentais, regressam velhas campanhas anticomunistas, medra um fascismo rastejante que é preciso extirpar enquanto é tempo.
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Hoje é claro que EUA e União Europeia querem impor também uma ordem mundial baseada na exploração dos mais fracos pelos mais fortes, seja no âmbito da Organização Mundial do Comércio – OMC, seja utilizando a NATO, com apoio conjunto americano e europeu. Para isso, estão a recorrer frequentemente à força das armas e a uma nova corrida aos armamentos.
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Os recentes acontecimentos no Cáucaso são mais um exemplo de toda esta situação. A actuação provocatória do presidente da Geórgia, que iniciou as hostilidades, só pode ser entendida num quadro que serve os interesses da NATO e dos EUA, os quais, entretanto, já aproveitaram o pretexto para enviar para a zona a poderosa força naval americana. Simultaneamente, os EUA instalam o sistema de defesa antimíssel na Polónia e na República Checa e insistem em alargar a NATO até às fronteiras da Rússia, o que pode contribuir para agravar o conflito actual e transformar-se em mais um sério perigo para a paz.
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Apesar da importante rejeição do projecto da dita constituição europeia, e, mais recentemente, do seu filho que dá pelo cognome de «Tratado de Lisboa», no referendo da Irlanda, os líderes da União Europeia continuam a pôr em prática uma política crescentemente militarista e cada vez mais enfeudada aos interesses dos EUA, mesmo que, por vezes, tenham grande dificuldade em explicar aos seus povos as mortes dos seus soldados no Iraque, no Afeganistão ou noutro lado qualquer. Veja-se o que ainda há dias aconteceu em França com os seus mortos no Afeganistão.
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Por isso, é preciso avisar toda a gente, é preciso mobilizar todos os democratas contra estas políticas muito perigosas para a paz na Europa e no Mundo.




















Outros Títulos:
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Injustiça social mata milhões
«Diálogo e negocição»
Crianças checas sem lugar na creche
Estado fica com as dívidas
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Avante
Nº 1814
04.Setembro.2008
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Cáucaso

Cáucaso

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Nota: Para outros significados de Cáucaso, ver Cáucaso (desambiguação).
O Cáucaso, visto de um satélite
O Cáucaso, visto de um satélite

O Cáucaso (em russo Кавказ (Kavkaz), em turco Kafkas e em georgiano კავკასია) é uma região da Europa central e da Ásia ocidental, entre o mar Negro e o mar Cáspio, que inclui a cordilheira de mesmo nome e as planícies adjacentes. Aquela região marca uma das fronteiras entre a Europa e a Ásia, fazendo com que alguns de seus países sejam considerados transcontinentais, como a Turquia, cujos territórios dividem-se em uma porção geograficamente européia e outra asiática.

Índice

[editar] História

Países do Cáucaso
Países do Cáucaso

Explorado pelos navegadores gregos de Mileto, no século VIII a.C., o litoral do mar Negro é repleto de várias colônias. No Cáucaso misturam-se influências persas, partas e romanas. Ponto de contato entre as civilizações bizantina e árabe durante a Idade Média, o Cáucaso caiu sob administração dos turcos seljúcidas no século XI, e, no século XIII, sofreu as invasões mongóis. Entre o século XI e o meio do século XIII, uma brilhante civilização prosperou nos reinos da Armênia e da Geórgia. Após a tomada de Constantinopla em 1453, a região ficou isolada do mundo cristão e passou ao controle otomano no século XVI. A penetração russa no Cáucaso começou na mesma época, mas a russificação tornou-se efetiva somente no final do século XVIII; após a anexação da Geórgia (1801), a guerra contra a Pérsia e o Império Otomano (18051829) permite aos russos a conquista da região de Erevan. A dura resistência das tribos das montanhas teve fim somente com a rendição, em 1859, do chefe muçulmano Chamyl. Os territórios caucasianos, onde haviam sido criadas em 1917 as repúblicas socialistas da Geórgia, da Armênia e do Azerbaijão, foram, de julho de 1942 a janeiro de 1943, o teatro de uma vasta ofensiva alemã, cujo objetivo era o controle dos campos petrolíferos de Baku. Do fim da Segunda Guerra Mundial ao desmantelamento da União Soviética (URSS), os países do Cáucaso seguiram a história da URSS.

Independências e conflitos

O patchwork etnolingüístico do moderno Cáucaso
O patchwork etnolingüístico do moderno Cáucaso

Após 1989, o desaparecimento da URSS permitiu a criação de três novos Estados (Armênia, Geórgia e Azerbaijão), enquanto que as seis repúblicas ciscaucasianas permaneceram no seio da Federação Russa. As três novas repúblicas são confrontadas a graves dificuldades econômicas e são vítimas de múltiplos conflitos: a Armênia e o Azerbaijão disputam o controle do Karabak, região do Azerbaijão, reclamada e ocupada pela Armênia em total desrespeito aos tratados por ela assinados, enquanto que a Geórgia deve enfrentar o separatismo na Abecásia, assim como na Ossétia do Sul. Além disso, no território da Federação Russa, um conflito explodiu em dezembro de 1994 na Chechênia, onde as forças armadas russas tentam submeter pela força os nacionalistas chechenos do general Djokar Doudaiev, que recusam a adesão à Federação Russa e reclamam independência.

Marcos históricos

Recursos naturais

O Cáucaso possui jazidas de metais não–ferrosos e reservas de petróleo (Azerbaijão e regiões de Maïkop e de Grozni).

Curiosidades

Na mitologia, o Cáucaso era um dos pilares do mundo. Ali, Prometeu foi acorrentado por Zeus. O poeta romano Ovídio situava o Cáucaso na Cítia e descrevia suas montanhas como frias,pedregosas e personificadoras da fome. No mesmo estilo, a canção de Loreena McKennitt "Night Ride Across the Caucasus" descreve vagamente aquela região.

Ver também

Ligações externas

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Fim da URSS - uma visão

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

Posted by LUCIANO MENDE in

Fim da URSS

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

Perestroika – A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

Glasnost – A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

Desagregação nacional – A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

Golpe de Agosto – Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca).

Dissolução do império – Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbesquistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

A CEI E AS NOVAS REPÚBLICAS

Desde sua fundação, a Comunidade dos Estados Independentes vem se debatendo com sua natureza ambígua: embora não seja um país, é mais do que uma simples comunidade econômica de nações, pois tem Forças Armadas centralizadas, o rublo ainda circula nas repúblicas que a integram e mantém-se em grande parte intacta a relação de supremacia da Rússia sobre as demais unidades da extinta Federação. Mas a explosão de contradições durante muito tempo represadas pelo Kremlin abala a coesão e as instituições ainda precárias da nova comunidade. Divergências sobre o controle do arsenal nuclear e a ratificação do Tratato Start, de desarmamento, que a URSS tinha assinado com os EUA em julho de 1991; desentendimentos sobre a partilha proporcional, entre as repúblicas, da antiga dívida externa soviética, de US$ 74 bilhões; e a necessidade de conformar-se às regras do FMI para obter, no Ocidente, uma ajuda de US$ 24 bilhões, prometida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, são alguns dos problemas globais enfrentados pela CEI em 1992.

Lutas pela independência – Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

Federação russa – A própria Federação Russa, as voltas com problemas políticos e econômicos dos mais graves, é uma colcha de retalhos de reivindicações das minorias étnicas que a compõem e ameaçam fazê-la implodir da mesma forma que a ex-URSS. O novo Tratado da Federação Russa, assinado por Boris Yeltsin, em março de 1992, com 18 das 20 repúblicas autônomas que a integram não encontra uma solução para seus problemas mais sérios: a reivindicação de soberania da Tartária, proclamada em 21/3/1992; o separatismo da Chechenia-Inguchétia, convertida em duas unidades independentes por um decreto do Soviete Supremo de junho de 1992; o desejo da comunidade russo-alemã de restaurar a antiga República Autônoma do Volgf, eliminada por Stalin em 1941; e a proposta de que a lakutia e a Buriatia, o distrito da Niénetz e as repúblicas de Komi e Tuva, territórios autônomos da Sibéria, fundem-se nos Estados Unidos do Norte da Ásia. Em todos esses casos, a secessão seria economicamente desastrosa para Moscou, que perderia o controle sobre o petróleo tártaro, as jazidas de ouro buriatas e de gás natural nenétsio, o cobalto tuvânio, os diamantes iakútios, e assim por diante. Para complicar as coisas, o presidente Boris Yeltsin encontra-se, desde o início de 1992, em rota de colisão com Ruslán Khásbulatov, o presidente do Parlamento, com quem debate a distribuição do poder. Isso os levará, até o final do ano, à confrontação aberta.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI) – Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Tendências Contemporâneas

Os últimos 25 anos são marcados por uma rápida e intensa reordenação da política e da economia em todo o mundo. Na política, o principal fator de mudança é o fim da polarização Estados Unidos-União Soviética. A perestroika de Gorbatchov e a queda do muro de Berlim precipitam o desmonte da União Soviética. Emergem conflitos localizados, antes abafados pela polarização. Muitos deles têm caráter étnico ou religioso. O racismo e o extremismo de direita ganham novo fôlego. E o crescimento do fundamentalismo islâmico assusta o Ocidente. Na economia, novos blocos são formados. Os Tigres Asiáticos aceleram seu desenvolvimento, os Estados Unidos enfrentam dura concorrência do Japão em seu próprio território e a velha idéia da unificação da Europa é mais uma vez retomada com a criação da Comunidade Econômica Européia – hoje, União Européia.

Socialismo e social-democracia – A desagregação da União Soviética e o fracasso das experiências socialistas no Leste Europeu, assim como as reformas de mercado na China, disseminam a idéia de que a doutrina socialista está morta. A solução para alcançar a justiça econômica e social passa a ser a social-democracia, que desde a década de 50 administra o sistema capitalista em bem-sucedidas sociedades européias, ou o próprio liberalismo ou neoliberalismo, que pretende deixar o capitalismo funcionar sem qualquer amarra. Entretanto, a social-democracia e o neoliberalismo também entram em crise no início da década de 90, por sua incapacidade em dar solução aos problemas sociais postos pelos novos parâmetros da revolução tecnológica.

Conflitos – Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas.

CEI

A Comunidade de Estados Independentes, formada pelas repúblicas da antiga União Soviética, tende cada vez mais a dar ênfase à independência dos Estados-membros e desprezar o aspecto de comunidade. Apesar de manterem laços econômicos muito estreitos, como herança da antiga União, e de formalmente constituírem forças armadas unificadas, cada república procura estruturar suas próprias forças armadas e libertar-se

das antigas dependências econômicas, criando relações separadas tanto com a Europa e os Estados Unidos quanto com a Ásia. As tensões étnicas permanecem, assim como os problemas políticos. A Rússia, após o confronto entre o Parlamento e o presidente Yeltsin, em 1993, mantém seu plano de reconversão econômica, com altas taxas de desemprego mas inflação em baixa, e procura reconquistar a hegemonia sobre as demais repúblicas.

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O perigoso novelo do Cáucaso

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O perigoso novelo do Cáucaso

Demorará tempo a assentar a poeira no Cáucaso, após o acto de agressão protagonizado pelo regime protofascista de Saakashvili, a 8 de Agosto, contra a Ossétia do Sul. A operação relâmpago para alterar o estatuto da autoproclamada república independente através do terror, destruição e a morte, algo impensável sem o apoio dos EUA, fracassou estrepitosamente – a provocação militar georgiana acabou por abalar irremediavelmente o anterior status quo. A Rússia respondeu com o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, objectivo pelo qual Tsinkhvali e Sukhumi se bateram ao longo das últimas duas décadas.
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O mesmo não se poderá dizer da perigosa estratégia de confrontação lançada pelo imperialismo norte-americano contra a Rússia (o plano B ou A?), que se eleva agora a um novo patamar. A ofensiva em que, não obstante as diferenças de tom e método, se alinham os EUA, NATO e UE coloca também à prova, na região do Cáucaso em particular, frágeis equilíbrios no seio da própria multinacional Federação Russa.

É assim evidente que os actuais desenvolvimentos do conflito no Cáucaso galgam as margens da questão «específica» da auto-determinação da Ossétia do Sul e Abkházia, para confluirem no mar da crescente tensão e choque entre os EUA/NATO/UE e a Rússia. No âmago deste processo encontra-se a irreprimível lógica exploradora e expansionista do imperialismo expressa no alargamento da NATO e tentativa de forçar a inclusão da Geórgia e Ucrânia, na criação de novas bases militares e instalação do escudo antimíssil dos EUA na Europa de Leste (visando aniquilar o equilíbrio nuclear estratégico existente) e nas desesperadas tentativas para assegurar direitos extra-territoriais sobre recursos e corredores energéticos.

Importará, ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento da complexa realidade histórica do Cáucaso e as raízes dos conflitos da Ossétia do Sul e Abkházia. E lembrar – algo que a perversa campanha mediática em curso olimpicamente ignora – os efeitos desastrosos do desmantelamento da URSS na sua génese e manifestação.
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Foi sob o aplauso das «democracias ocidentais» que o exacerbado nacionalismo georgiano se converteu num dos agentes activos do enfraquecimento e desagregação soviéticas, rompendo os equilíbrios internos e reactivando velhas disputas étnicas. Eram os tempos da divisa «A Geórgia para os georgianos» do antigo presidente Gamssakhurdia, em que Saakashvili hoje se inspira, da abolição das autonomias e das fratricidas campanhas militares e de limpeza étnica. Em 1991, a Geórgia boicotou o referendo sobre a URSS em que 75% dos soviéticos disseram sim à sua manutenção. Mas na Abkházia este realizou-se e o sim venceu. O resto é conhecido. A 8 de Dezembro de 1991, era dado o golpe de misericórdia nos destinos do Estado soviético, fundado em 1922. E a figura, que emergiu, então, como o seu principal coveiro – Iéltsin – apressava-se a comunicar a boa nova – em «primeira mão» – a Bush (pai), para só depois informar o já totalmente desqualificado inquilino do Krémlin, Gorbatchov, do inconstitucional – e contrário à esmagadora vontade popular – desenlace.

No plano internacional, uma nova linha parece ter sido traçada. Para onde caminhará, no presente contexto mundial de agravamento de contradições e crise sistémica do imperialismo, uma Rússia capitalista que almeja deixar definitivamente para trás 20 anos de subserviência e (re)afirmar-se como potência, é uma questão que subsiste.
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Na certeza, de que a escalada de tensões em que apostam os EUA e a NATO, só aumentará os riscos à paz e segurança do planeta, ameaçando empurrar a humanidade em direcção ao abismo.
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Avante
Nº 1814
04.Setembro.2008
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Cáucaso, 100 etnias para 21 milhões de habitantes, a maior densidade etnolinguística do mundo

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