A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, julho 23, 2007


Gerês: Família de ex-emigrante indignada em terras de bouro
Morreu sem assistência

* Joaquim Gomes

A ausência de qualquer médico no Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Terras de Bouro, entre as 08h00 e as 09h00, poderá ter levado à morte de um sexagenário, vítima de paragem cardiorrespiratória.
Com o SAP aberto, mesmo a funcionar sem médicos, os Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro, no Gerês, que transportaram o doente, não o podiam levar para o Hospital São Marcos, em Braga, porque precisavam da autorização do médico do Centro de Saúde.Manuel Soares, 67 anos, teve uma crise respiratória às 07h30 de sexta-feira e chegou ao Centro de Saúde poucos minutos depois das 08h00. Àquela hora, o Serviço de Atendimento Permanente já está aberto, mas funciona apenas com enfermeiros. Os médicos chegam uma hora mais tarde. Foi nesse intervalo de tempo que o sexagenário teve uma paragem cardiorrespiratória. Durante cerca de uma hora foi sujeito a manobras de reanimação.
O INEM de Braga foi chamado ao local, mas, quando o médico chegou, era tarde de mais, limitando-se a constatar a morte. “Não podia fazer nada, o meu cunhado já estava morto”, desabafa José Alves.
O que aconteceu com Manuel Soares, em pleno Centro de Saúde, deixa a família revoltada. “De que vale ter um atendimento permanente aos doentes a funcionar sem médico?”, questiona José Soares, acrescentando: “Mais valia estar fechado, porque assim os bombeiros não eram proibidos de levar doentes para Braga, como agora sucedeu.”
FAMÍLIA NÃO RECLAMA
O cunhado da vítima, no entanto, não está na disposição de se queixar pela falta de assistência ao sexagenário. Segundo as suas palavras, “não vale a pena reclamar, o mal é de quem morrer e de quem vê morrer um parente desta maneira”.
Mas não deixa de mostrar a sua indignação, lamentando “o jogo do empurra, que diz existir entre os clínicos e o Governo. “Os médicos queixam-se de não serem obrigados a entrar às 08h00 – só às 09h00 – porque o Governo não paga essa hora.
” Mas, adianta, “quem paga as favas são os utentes”.Os familiares do sexagenário não têm dúvidas de que “esta e outras mortes registadas anteriormente poderiam ter sido evitadas”. A mesma opinião é partilhada pelos vizinhos de Manuel Soares, em Saim, aldeia onde residia e onde ontem à tarde foi sepultado. “Não é a primeira vez que morrem pessoas no SAP por falta de médico”, dizem, adiantando conhecer, “pelo menos, mais quatro casos”, o último dos quais foi uma mulher da localidade de Travassos.Contactado pelo CM, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro, José Dias, destaca os caminhos que as ambulância têm de percorrer.
“É preciso ter em conta que desde Terras de Bouro até Braga são 40 a 50 minutos de viagem, por estradas muito tortuosas. Se houvesse uma auto-estrada ou via rápida, seriam só dez minutos”, diz.
BOMBEIROS QUEIXAM-SE
Para José Dias, comandante dos Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro, “a situação é sempre muito complicada”, ao ter a seu cargo um doente em risco de morrer, mas que “não pode seguir directamente para Braga, sem a indicação de um médico do Centro de Saúde. Só que, adianta, o médico nem sequer lá estava”. Nestes casos, frisa José Dias, a distância é inimiga e o Gerês fica longe de Braga.
ATRASO NO SOCORROCENTRO FECHADO
Maria Mesquita, 51 anos, morreu no mês passado por paragem cardiorrespiratória, numa ambulância a caminho do Hospital de Évora. A família entende que a vítima, residente a apenas 500 metros do Centro de Saúde local, morreu por este estar encerrado. O centro foi entretanto reaberto.
PINGUE-PONGUE
José Rocha, 72 anos, em recuperação de uma operação, morreu em Outubro, por embolia pulmonar. Foi sujeito a dez horas de viagens de ambulância entre Peniche e Lisboa, viria a falecer após nova operação.ESPEROU SEIS HORASUma mulher de 56 anos morreu em Agosto, no corredor de Urgência do Hospital de Faro, depois de seis horas sem ser observada.
SAIBA MAIS
- 10 anos tem o serviço de Helicópteros de Emergência Médica. Nos últimos seis anos transportaram 2200 doentes. O INEM dispõe de dois helicópteros próprios.
- 379 Centros de Saúde funcionavam em 2005 segundo o Instituto Nacional de Estatística. Requalificação prevê fecho de 140 Serviços de Atendimento Permanente (SAP).
MAIS MEIOS
O Governo anunciou o reforço de meios de socorro no Alentejo depois de em Janeiro dois homens terem esperado quatro e seis horas por ajuda no concelho de Odemira.
FECHO DE URGÊNCIAS
A comissão técnica responsável pela requalificação das Urgências defende o fecho de 15 Urgências hospitalares para maior acesso às populações.
MILHARES
São 7357 os médicos que trabalham em centros de saúde e 8008 enfermeiros.

in Correio da Manhã 2007.07.27

» Comentários no CM on line
Domingo, 22 Julho
~ paulo Só prova que o governo tem razão,... sap's sem qualidade mais vale fecharem, do que andarem a matar. Se o sr. tivesse sido levado para um hospital estaria vivo.
- Margarida Sr.Presidente da Camara e Sr.Director do Centro de Saude... vao fazer peditorios... assim ja têm dinheiro para pagar ao pessoal para trabalhar mais horas durante a semana e ao fim de semana... ja que reduziram... e nao se ve para onde "foi" o dinheiro... para que depois nao morra mais gente... boa ideia nao?!
- jose Tanto querem poupar que depois da nisto! Sr.Presidente da Camara nao faz nada??!! Sr.Director do Centro de Saúde???!!nada??! Estao a poupar dinheiro em vez de pagarem horas??!!!! E assim se morre neste pais... Se fosse o vosso pai ou a vossa mae....
- Amadeu Augusto É isto as grandes reformas que faz o governo e que algumas pessoas dizem que estas reformas já deviam ter sido feitas há muito tempo, certamente que os peritos nomeados pelo Senhor Ministro de anti saúde nem precisaram sair dos seus gabinetes de luxo. Apenas pegaram numa carta Michelin e avaliaram as distancias e resolve-se fechar os serviços de saúde, triste Portugal.
- Milena O mal é que vamos chegar a 2009 e ficam lá os mesmos. Azar o nosso, pois não estou a ver a oposição a trabalhar para a mudança.
- Zagallo - Brasil Alento pessoal! Já só falta pouco mais de ano e meio.
- Isabel Realmente isto é insustentável. Temos de obrigar este governo a reabrir as urgências de fronteira e do interior. Os nossos impostos servem para isso.
- Pedro sou de Terras de Bouro e acho que vivemos num País do 3º MUNDO! Para poupar uns trocados...o SAP de Terras de Bouro so abre a partir das 10 aos fins de semana e fecha as 17h!! NAO SE ADMITE!! quando algum idoso tiver um ataque cardiaco... que espere pelas 10h para abrir???!!! qual é o problema de abrir mais cedo e fechar mais tarde??!! obrigar andar quase 1 hora de ambulancia??!!! so neste País....
- Rui carvalho A "politiquice" deste país faz com que na teoria apenas sejam criadas condições de proximidade para algumas populações, em Terras de Bouro uma via-rápida faria uma diferença de 40/50 minutos para 10 minutos... Tendo em conta que por "conveniencia" nao constroem... o que será da população caso necessite urgentemente de uma equipa de saúde aos fins de semana antes das 10 horas ou depois das 17h??!!!
- José Mas que grandes reformas faz este ministro e o governo P.S. centros de saúde abertos mas sem o seu principal Médicos, se fosse algum ministro de certeza que estava pelos menos um de serviço, pois o centro era alertado para a visita de tão ilustre personalidade. isto é mesmo o país da fantuchada.
- Rui Relvas Nunca vi um Povo tão cobarde como o português fazem-lhe tudo e mais alguma coisa, do "piorio", e não reage, e ainda bate palmas.
- nokas Não sabia que os bombeiros precisavam de autorização do médico para levar um doente para o hospital. Maldita burocracia que até dela se depende para viver!
- maria E que tal ter levado logo o senhor para o hospital, no hospital nao recusavam assistencia.
- Olavo Brutus Mais uma prova da inteligente reforma dos SNS em Portugal. Aliás, quem têm a má sorte de ir aos hospitais, pode ver as grandes reformas e o entusiasmo esfusiante de todo o género de técnicos de saúde. Ainda bem que o pessoal que vive perto da fronteira pode ir a Espanha. O azar é de quem vive longe da fronteira.
- maria Tudo é permitido porque o Povo deixa e não reage!
- manuel soares Deixe la, no tempo de Salazar era melhor. Ao menos os meus pais nem sequer iam ao medico, onde? Morreram aos 52/53 anos quando eu tinha 7...
- Luisa Baião O problema não é o médico entrar ás 8 ou ás 9h. O problema é não ter médico permanente, e os doentes terem de percorrer ás centenas de kms até serem assistidos. E na maioria das vezes, mal assistidos. O problema, é estarmos na cauda da Europa em quase tudo.
- JOSE SOUSA AOS POLITICOS PORTUGUESES NO FIM DO MES SOBRA SALARIO, E AO POVO NO FIM DO SALARIO SOBRA MES. VIVA PORTUGAL, VIVA.
- touca OS POLITICOS SAO ELEITOS PARA SERVIR O POVO, MAS ELES SERVEM-SE E DO POVO. NAS PROXIMAS ELEICOES O POVO TEM DE IGNORAR A CHAMADA AS URNAS, PARA OS POLITICOS REFLECTIREM QUE QUEM MANDA EM PORTUGAL SOMOS NOS O POVO.
- Rui Tavares Continuo a dizer que somos um país do 4º mundo! Uma boa parte desta gente julga ter capacidade para governar (gerir) o país, mas de facto a maior parte escolhida a dedo - não por capacidade mas por amizades e pagamento de favores - por políticos que só visam os seus próprios interesses €€€. Alguém ainda tem dúvidas???

sábado, junho 02, 2007


Violência Doméstica
Porto: Absolvição para mulher de 63 anos que matou marido

Juiz aplaudido na sala


* Joaquim Gomes,

Porto


A mulher que matou o marido para defender as filhas, ao fim de 40 anos de maus tratos, foi absolvida no Tribunal de São João Novo, num clima emocionante que acabou com uma grande salva de palmas para o juiz-presidente.
A arguida, Clementina Pires, de 63 anos, deixou a sala de audiências acompanhada por familiares, tendo afirmado aos jornalistas esperar que “este caso sirva de exemplo para as outras vítimas”, reconhecendo “não ser fácil denunciar estas situações” e “nunca o fiz porque se não era pior”.
O juiz-presidente, João Grilo, da 4.ª Vara Criminal do Porto, afirmou que a mulher “agiu sob forte pressão psicológica” na noite da morte, a 14 de Setembro de 2004, num episódio “tremendamente traumático” com a família, que era “completamente disfuncional”.
O magistrado recordou o último relatório da Amnistia Internacional segundo o qual no ano passado houve 39 vítimas mortais de violência doméstica em Portugal, “todas elas mulheres”, afirmou o presidente do tribunal colectivo, João Grilo.
Antes de anunciar a sua decisão, o juiz resumiu todo o calvário que a mulher e as duas filhas, já adultas, viveram durante 40 anos, até que o marido, Januário Rodrigues, de pistola em punho, entrou na casa de família, desferindo dois pontapés na mulher, enquanto a insultava. Após a entrada na sua residência, obrigou a mulher e as filhas a acompanhá-lo para um local desconhecido, cerca das duas horas da madrugada. Com uma foice e um martelo, ameaçou todas e dirigiu-se contra a esposa, que em desespero de causa se defendeu, com uma machada, na cozinha, tendo-o golpeado, até o inanimar, vindo a falecer cinco dias depois no Hospital de São João.
Acusada de um crime de homicídio na forma privilegiada, por matar o marido numa situação de grande exaltação, porque receava o pior para si e as filhas, Maria Clementina foi absolvida pelo colectivo de juízes, que a aconselharam a “aproveitar o resto da vida”.
De acordo com João Grilo, todos os antecedentes e as circunstâncias da noite do crime são suficientes para justificar a exclusão de ilicitude de Maria Clementina. Daí impor-se a sua absolvição, segundo salientou o presidente do Colectivo, para quem a vítima “vivia numa situação de quase esclavagismo”.
“A única coisa que se fez, durante estes últimos anos, para se combater as situações de violência doméstica foi, em termos legislativos, enquadrar os crimes como públicos e não já como semipúblicos, o que, na prática, vale zero para os tribunais”, acrescentou o juiz-presidente, preconizando uma reavaliação para este tipo de crimes.
Para a absolvição foram decisivas as “agressões gratuitas que vitimaram a família” e em que Maria Clementina era o “bode expiatório”.
“A senhora poderia ter sido a 40.ª vítima de violência doméstica”, disse o juiz-presidente, dirigindo-se para a arguida, que estava vestida de negro e que ouviu atentamente a sentença.
O advogado Luiz Vaz Teixeira, em defesa da arguida, referiu que “se fez a mais elevada justiça, atendendo ao caso dramático desta senhora e toda a família, incluindo duas jovens com problemas psiquiátricos, que foram sempre exploradas como mão-de-obra barata, sempre a favor do falecido”. O Ministério Público não recorrerá da absolvição.
in Correio da Manhã 2007.06.01
Julgamento: Sexagenária matou o marido com machada
Matei para salvar as minhas filhas
* João Carlos Malta
"Estava aterrorizada e ele estava a ameaçar-me a mim e às minhas duas filhas com a foice-machada na mão. Matei para salvar as minhas filhas”, disse Maria Clementina Pires, que ontem começou a ser julgada no Tribunal de S. João Novo, no Porto, por ter morto o marido à machadada. Está acusada de homicídio privilegiado, cuja pena pode ir de um a cinco anos de prisão.
Através de relatos emocionados, Clementina e as duas filhas descreveram os factos da vida de uma família de classe média, que tinha um pequeno negócio ligado a cortinados, até à morte de Januário, numa madrugada de Setembro de 2004. As três descrevem-no como um homem impiedoso, que as espancava quase diariamente pelas mais fúteis razões. Nunca denunciaram os maus tratos por temerem que, se Januário descobrisse, as matasse.
“Ele chegou a casa e começou logo a bater-me e a insultar-me. Disse para ir acordar as minhas filhas para sairmos de carro, sem dizer porquê. Foi para o quarto e começou a ameaçar-me com uma pistola, que depois largou”, afirmou a arguida.
Os acontecimentos precipitaram--se e, já com Januário a empunhar uma foice-machada perante as duas filhas, Clementina pegou numa machada de cozinha e desferiu vários golpes na cabeça do marido.
“Vivíamos num terror permanente, sempre com medo do que podia acontecer ”, disse por seu turno Ana Cristina, filha do casal. O julgamento continua no dia 3 de Maio.
MAUS TRATOS ERAM DIÁRIOS
Desde que tinha casado com Januário Pires, há quarenta anos, que Maria Clementina descobriu a faceta violenta do marido. “Ele fazia de mim uma escrava. Tinha de lhe fazer tudo, até atacar os sapatos. Se havia alguma coisa que lhe corria mal, batia-me”, contou ao colectivo de juízes a arguida. Poucas semanas antes de ter matado o marido foi espancada na rua.
“Tínhamos ido a um funeral e apanhei boleia com uma pessoa conhecida. Ele viu e bateu-me à frente do irmão dele”, disse. Mas as duas filhas, Ana Cristina e Maria Teresa, também sofreram.
“O meu pai dizia que preferia ver-nos mortas do que casarmos com alguém”, conta Ana Cristina, que hoje exerce advocacia.
in Correio da Manhã 2007.04.27
Julgamento: Sexagenária matou o marido com machada
Matei para salvar as minhas filhas
* João Carlos Malta
As agressões, ameaças e injúrias que Januário não se cansava de repetir dia após dia à mulher e às duas filhas, tornaram a vida de Maria Clementina num inferno. Após uma violenta discussão em Setembro de 2004, quando juntamente com as filhas era ameaçada pelo marido que empunhava uma foice-machada, no meio de uma intensa luta, matou Januário com vários golpes na cabeça.
Maria Clementina Pires, de 63 anos, começa a ser hoje julgada no Tribunal de São João Novo, no Porto, acusada de homicídio privilegiado, cuja pena varia entre um e cinco anos de prisão.
A arguida foi casada com Januário Rodrigues Pires durante quarenta anos, sendo que este desde há bastante tempo que vinha demonstrando um comportamento violento para com Maria Clementina e as duas filhas, Ana Cristina e Maria Teresa. Os maus tratos eram infligidos sem qualquer justificação, e nenhuma das vítimas apresentava queixa à polícia por medo de retaliações. Januário, sem razão aparente, chegava a dizer-lhes que tinha armas em casa e que um dia as mataria. Na noite do dia 13 de Setembro de 2004, Januário saiu de casa dizendo que ia pernoitar a outra casa, propriedade do casal. No entanto, nessa mesma madrugada, regressou à residência em que estavam mulher e filhas e tocou à campainha. Quando a arguida abriu a porta, o marido desferiu-lhe logo dois pontapés nas pernas enquanto a acusava de não lhe levar o leite para tomar os comprimidos. Januário Pires estava cada vez mais nervoso e já no hall de entrada pegou numa foice-machada com a qual ameaçou agredir a mulher e as filhas. Durante as ameaças foi dando pontapés nas três mulheres. Temendo pela sua vida e pela das filhas, Maria Clementina pegou numa machada de cozinha e depois de empurrar Januário para o chão, desferiu-lhe vários golpes na cabeça.Em resultado dos ferimentos provocados, Januário morreu cinco dias depois no hospital.
"AGIU SOB FORTE PERTURBAÇÃO"
Apesar da acusação afirmar que Maria Clementina actuou de forma “voluntária, livre e consciente” desferindo vários golpes em Januário Pires com o propósito de o matar, não deixa de reconhecer algumas atenuantes para a atitude da arguida. É dito que esta “agiu sob forte perturbação psíquica, em estado de exaltação e sob o efeito de dor física” resultante das agressões que Januário Pires se encontrava a infligir à arguida e às duas filhas do casal, e “às iminentes agressões que o mesmo se preparava para consumar” com a utilização da foice-machada. E não esconde “os maus tratos físicos e psicológicos perpetrados por aquele contra mãe e filhas nos últimos anos”. A arguida aguardou o julgamento em liberdade estando obrigada a apresentar-se semanalmente às autoridades. Na sessão de hoje testemunharão as filhas do casal.
APONTAMENTOSHOMICÍDIO PRIVILEGIADO
O Código Penal descreve este tipo de crime como: “Quem matar outra pessoa dominado por compreensível emoção violenta, compaixão, desespero ou motivo de relevante valor social ou moral, que diminuam sensivelmente a sua culpa.”
ARMA DO CRIME
Durante a luta com Januário, a arguida foi buscar uma machada de cozinha, com cabo de madeira e 31 centímetros. Maria Clementina acabou por desferir vários golpes na cabeça do marido, enquanto este continuava a empunhar uma foice-machada.
ATERRORIZADAS
Maria Clementina e as duas filhas, Ana Cristina e Maria Teresa, viviam aterrorizadas. As ameaças e agressões avolumaram-se durante anos.
SOBRINHAS
Juntamente com o casal e as duas filhas, no número 1733 da Rua de São Roque da Lameira, no Porto, viviam duas sobrinhas de Januário e Maria Clementina, as quais alegadamente sofrem de anomalias psíquicas.

in Correio da Manhã 2007.04.26
Quadro - "Between Spaces" By Castaneda Zevallos
NOTA - A violência, qualquer que ela seja, é sempre censurável. embora possa haver atenuantes que levem à sua desculpabilização. Da violência doméstica não são vítimas apenas as mulheres, as crianças e os adolescentes, os idosos ou os portadores de incapacidadade. A violência doméstica é também exercidas pelos filhos sobre os pais e, menos badalada, das mulheres sobre os homens, muitas vezes apenas psicológica e refinada, mas nem por isso menos violenta. Sobre esta última poderia dar múltiplos exemplos, mas neste momento não me apetece falar sobre isso.
Victor Nogueira