A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, julho 25, 2010

O império contra-ataca com fúria e quer a guerra, acusa Chávez

América Latina

Vermelho - 24 de Julho de 2010 - 17h54

As recentes provocações do governo colombiano contra a Venezuela obedecem a um plano ardiloso e sinistro de Washington, na opinião do presidente Hugo Chávez. Os Estados Unidos têm interesse na guerra e buscam criar as condições para uma conflagração na região, segundo o líder da revolução bolivariana, que rechaçou de forma enérgica as insinuações feitas por Uribe de que o país socialista estaria mancomunado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“Não devemos subestimar o que está ocorrendo”, alertou Chávez durante um longo discurso para centenas de sindicalistas que participaram do 3º Encontro Sindical Nossa América, na noite de sexta-feira (23), em Caracas. Ele rechaçou de forma enérgica as acusações do governo Uribe, comparando-as às mentiras inventadas contra o Iraque pelo governo Bush para justificar a guerra (“disseram que o país tinha um grande arsenal de armas de destruição em massa, depois ficou comprovado que isto não era verdade”) e assegurou que, diferentemente dos EUA, a Venezuela quer a paz e não a guerra.

Ironia

O presidente venezuelano acentuou que o mundo, e em especial a América Latina, vivem um momento de transição e mudança. Por aqui, ao longo dos últimos anos, foram eleitos vários governos progressistas que, embora em graus diferenciados, contestam a hegemonia norte-americana e buscam abrir caminho para um desenvolvimento soberano e a integração política e econômica da região.

Com a economia em frangalhos e num processo histórico de decadência, os EUA recorrem ao poder militar, terreno em que sua superioridade é incontestável, como último recurso para manter o domínio sobre o mundo. A guerra é, hoje, o principal instrumento do imperialismo. Isto explica um orçamento militar que corresponde à metade dos gastos bélicos do resto do mundo e foi ampliado apesar da crise (agravando os desequilíbrios financeiros e o déficit do governo imperial), bem como a crescente agressividade contra os povos.

No Oriente Médio, onde tem Israel como ponta de lança, Washington mantém a guerra imperialista contra o Iraque e o Afeganistão e respalda o terrorismo sionista contra os palestinos. Na Ásia, está por trás das provocações contra a Coréia do Norte e na América Latina são notórios os preparativos para conflitos bélicos com o objetivo de reverter o processo de mudanças progressistas no subcontinente. Por ironia da história, neste momento o senhor da guerra é o Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama.

O espaço mais tenso

Entre as mais recentes iniciativas do império contra os povos e nações latino-americanos Chávez apontou a reativação da 4ª Frota de Intervenção, a ocupação militar do Haiti (disfarçada de “ajuda humanitária”), da Costa Rica (a pretexto de combater o narcotráfico), o golpe militar contra Zelaya (e a Alba) em Honduras, a instalação de sete novas bases na Colômbia e, agora, as falsas acusações vomitadas pelo governo Uribe.

“Os EUA vêm agredindo nossos povos faz muitos anos”, lembrou o comandante da revolução bolivariana, ele próprio vítima de um golpe militar desferido pela oligarquia venezuelana com apoio explícito do império em abril de 2002, felizmente abortado e revertido pelo povo em aliança com os militares progressistas em pouco mais de 24 horas. Quando aplicou o golpe frustrado contra a revolução bolivariana, o governo Bush já tinha planejado a guerra contra o Iraque, mas queria primeiro recuperar o controle sobre as ricas reservas de petróleo venezuelano.

“Aqui na América Latina não há dúvida de que o espaço mais quente e mais tenso que o império escolheu para a guerra é a parte norte da Sul América, onde Bolivar sonhava que nasceria a maior nação do universo, não pela sua extensão mas pelo caráter progressista e popular que imaginou com a integração”, destacou.

Território de guerra

Interessa ao imperialismo “preparar as condições para que aqui se desate um conflito armado e tristemente o território da irmã e querida Colômbia foi transformado em território de guerra, estabelecido um regime militarista, que vai contra seu próprio povo, em 1º lugar, e contra os povos irmãos ao se converter em instrumento do imperialismo”.

“Vivemos momentos de tensões, como Fidel vem alertando ao longo dos últimos meses”, disse Chávez, aludindo ao “perigo de que se desate uma grande conflagração que pode gerar uma guerra atômica no Oriente Médio, com uma guerra imperialista contra o Irã, ou na península da Coréia”.

O atual governo colombiano, lacaio do imperialismo, cumpre na América Latina papel análogo ao de Israel no Oriente Médio. Hoje, entre Colômbia e Venezuela, “o contraste é muito grande”, sublinhou Chávez. “Aqui sabemos que está em marcha uma revolução, estamos construindo nosso modelo socialista, enquanto a Colômbia se foi convertida por Uribe num enclave do imperialismo”.

O medo da burguesia

“Fui obrigado a romper relações com o governo da Colômbia e não com a Colômbia ou o povo colombiano, porque Colômbia e Venezuela constituem uma mesma pátria. Há razão para preocupação (deles), pois a oligarquia sabe que os destinos da Venezuela e Colômbia no fundo são os mesmos. Uma vez desatada a revolução bolivariana aqui a burguesia colombiana ficou apavorada”, disse o presidente venezuelano, lembrando que tal temor vem de longe e já se manifestava desde 4 e fevereiro de 1992, quando liderou uma insurreição militar (derrotada) contra o governo neoliberal de Carlos André Peres.

“Quando a oligarquia colombiana e o imperialismo se deram conta do ímpeto revolucionário de militares venezuelanos começaram as hostilidades. Já naquela época se dizia que o movimento militar bolivariano era uma extensão da guerrilha colombiana. Como hoje, divulgaram imagens, fotografias e montaram o cenário para nos associar às Farc. Recordo isto à imprensa lembrando que está tudo registrado. A Venezuela participou da guerra contra a guerrilha.”

"Eu declarei que não iria mais participar daquela guerra, que o conflito era um problema interno da Colômbia. Nós queremos buscar o mecanismo para a paz, mas me acusaram com informes, documentos e mapas falsos de apoiar as Farc e querer a guerra. Disseram que o golpista, o coronel Chávez comandou assalto contra unidade militar venezuelana, tudo isto está registrado. A oligarquia colombiana, temerosa do efeito contágio da revolução bolivariana, arremete contra o nosso governo, o nosso povo, a nossa revolução".

Novo cenário

Acrescentou que os EUA “lhes metem ainda mais medo. Eu estou seguro que este show montado por este senhor que parece inabilitado para exercer cargo público na Colômbia, que essas imagens que ele apresentou lhes foram dadas pelo império ianque, pois agora a Colômbia tornou-se uma grande base militar do imperialismo”.

O presidente venezuelano lembrou que é uma vergonha o que vem ocorrendo no interior da Colômbia. Os militares estadunidenses praticam toda sorte de crimes, inclusive tráfico de droga inclusive, dos militares ianques, mas gozam de imunidade. “Não dá vergonha ao governo colombiano entregar de forma tão abjeta o território colombiano a este tipo de gente?”, indagou.

Hugo Chávez salientou que o mundo vive um momento bem diferente de 10 ou 15 anos atrás. “Em 1994, o governo Clinton reuniu os chefes de estados de todos os países americanos, com exceção de Cuba, para anunciar a instalação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Chegou a dizer que estava realizando o sonho de Bolívar, o que era uma mentira, pois se tratava do sonho de domínio do império”.

Era uma época que sucedeu a queda do Muro de Berlin e o colapso da União Soviética. Parecia que a história tinha chegado ao fim e o capitalismo neoliberal era o fim da história, como sustentou um ideólogo estadunidense Francis Fukuyama. “As ideias de Marx, Engels e Lênin foram negadas. As luzes do socialismo se apagaram no mundo. Uma das poucas luzes acesas era Cuba revolucionária, Cuba de Marti, de Fidel, de Che Guevara.”

Bumerangue

Mas, as coisas mudaram. “Em 1998, quando fui eleito pela primeira vez, era só eu e Fidel. Depois vieram Lula no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Kirchner na Argentina, Tabaré Vasquez (depois Pepe Mujica), Rafael Correia no Equador. A Alca foi enterrada em Mar del Plata na Argentina, em dezembro de 2005”.

O socialismo voltou à ordem do dia. “Estamos fazendo um grande esforço para construir o socialismo, sabemos que socialismo não se decreta e nem se impõe de um dia para o outro, é um caminho largo de construção de um novo modo de vida, um novo modo de produção e de relacionamento entre os homens, num processo em que a classe trabalhadora joga um papel protagônico”, afirmou o líder da revolução bolivariana.

Diante deste cenário de transição e mudança “o império contra-ataca e contra-ataca com fúria”, observou, citando os exemplos de ofensiva capitalista e destacando o golpe contra Zelaya em Honduras, “que foi um golpe contra a Alba e contra todos nós”. Eles querem a guerra, alertou, “nós queremos a paz”, reiterou, “mas reagiremos à altura se formos agredidos. A Venezuela não voltará a ser colônia dos EUA nem de ninguém. Se vierem estarão desencadeando uma guerra de 100 anos, que pode se transformar num bumerangue contra o governo colombiano e o império”.

De Caracas,
Umberto Martins
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  • Decisão correta

    25/07/2010 14h26 Hugo Chavéz mais uma vez mostra que está na vanguarda da luta antiimperialista na América Latina, que nosso campo está crescendo e que a Colômbia imperialista será derrotada.
    Alexandre Rosendo
    São Paulo - SP
  • Concordo com Chávez

    24/07/2010 21h45
    O Presidente Chávez está certo: a guerra é o único instrumento que dispoõe o imperialismo para se perpetuar. Os EUA e seus lacaios estão totalmente desacreditados. Eles recorrem às guerras de agressão para continuar a exploração dos recursos de outros povos. Fomentam guerras e intrigas entre os povos, para vender suas armas, ou recorrem à mentira e à calúnia para eles mesmos fazerem suas guerras de rapina, no momento mais adequado para eles. Foi assim com o Iraque, foi assim com Afeganistão,e foi assim em um passado mais distante, quando semearam a destruição e a morte na península coreana e na Indochina. O imperialismo norte-americano é, na atualidade, o maior inimigo da paz e do progresso dos povos. Mas, no processo histórico, como dissera o saudoso presidente Mao, o imperialismo não passa de um tigre de papel!
    José Lourenço Cindra
    Guaratinguetá - SP
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terça-feira, dezembro 22, 2009

Ambiente: Conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas

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Correio da Manhã
Larry Downing/Reuters 
19 Dezembro 2009 - 00h30

Acordo entre EUA e China deixa Europa de fora

Mesmo que se chegue a um acordo na Conferência Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, a cimeira de Copenhaga será sempre recordada por ter ficado aquém das expectativas. Isto apesar de os maiores poluidores, Estados Unidos, China, África do Sul e Índia, terem chegado a um acordo entre si – excluiu a União Europeia – que prevê uma listagem das medidas de combate às alterações climáticas.
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Este acordo de partes, porém, é considerado insuficiente, pois não tem carácter vinculativo, e até ao fecho da presente edição não havia garantias de ser aceite pela cimeira. Uma nota indicadora do fracasso deste encontro foi o facto de Barack Obama ter abandonado Copenhaga antes da votação final do acordo, alegando o agravamento das condições meteorológicas.
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Durante todo o dia, o presidente dos Estados Unidos envolveu-se em múltiplas reuniões com vários chefes de Estado. No entanto, foi o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e os primeiros-ministros da China e Índia, respectivamente, Wen Jiabao e Manmohan Singh, que veio dar algum andamento ao último dia da cimeira.
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No final do encontro, Barack Obama assumiu que "não é o melhor acordo mas o possível". "Devemos caminhar para medidas que sejam obrigatórias mas neste momento não foi possível. Quero ter a certeza de que o que vamos acordar será cumprido", acrescentou, numa declaração áudio transmitida pelo site da Casa Branca. Antes, um elemento da delegação norte-americana anunciara que "nenhum país está satisfeito mas é um passo histórico no combate às alterações climáticas".
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As negociações entre todos os países da Convenção Quadro das Nações Unidas continuaram no Bella Center, em Copenhaga, na Dinamarca. Em cima da mesa já estava o terceiro esboço de acordo, que, entre outras medidas, prevê a redução da emissão de gases com efeito de estufa em cerca de 80% até 2050.
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PORMENORES
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"VIM PARA AGIR"
"Vim a Copenhaga não para falar mas sim para agir", foi a frase mais marcante do discurso de Barack Obama.
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FOTO NÃO FEITA
Deveria ter sido feita uma foto histórica com 130 chefes de Estado mas nem para isso se chegou a um acordo e não houve ‘boneco’.
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LÍDERES PARTIRAM
Ainda as negociações estavam por concluir e já muitos governantes tinham deixado Copenhaga, como Obama, Medvedev e Lula.
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CHÁVEZ RECUSA
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou Barack Obama e aliados de negociarem à porta-fechada. "Os EUA continuam a cheirar a enxofre", disse, reeditando uma frase que dirigiu a George W. Bush em 2006.
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'MANIF' COM 1500
Cerca de 1500 pessoas manifestaram-se ontem em Copenhaga, indiferentes ao frio, exigindo a libertação de 19 detidos em anteriores protestos.
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LULA DA SILVA SURPREENDEU COM DISCURSO FORTE E EMOTIVO
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"Adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do Mundo assinado mas se até agora não conseguimos fazer esse acordo não sei se algum anjo ou algum sábio descerá a este plenário para colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora." Foi esta esperança num "milagre" que marcou o discurso do presidente brasileiro, Lula da Silva, ontem, quando já reinava um ambiente de desilusão em Copenhaga.
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"Para existir um mau acordo, mais vale não haver acordo", considerou Lula da Silva, para quem não é com meias-palavras que se resolve os problemas levantados pela mudança climática induzida pela actividade humana. "O dinheiro não é esmola, é o pagamento por dois séculos de emissão de gases com efeito de estufa por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro", sublinhou, lembrando que, em 2003, quando foi eleito, quis que todos os brasileiros pudessem alimentar-se três vezes por dia – "uma coisa do passado que na América Latina e na África é uma coisa do futuro". "Não discutimos o clima e o ambiente mas o desenvolvimento e as oportunidades para todos", enfatizou.
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THOM YORKE INFILTRADO
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O vocalista dos Radiohead, Thom Yorke, fez-se passar por jornalista e marcou presença na cimeira de Copenhaga. O músico, conhecido pelo seu envolvimento em questões ambientais, foi bastante crítico com o desenrolar das negociações: "Fiquei irritado com a forma como o governo americano tentou reduzir as propostas que estavam sobre a mesa. São um bando de homens reprimidos de meia-idade que só dão valor aos seus interesses pessoais."
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DISCURSO DIRECTO
"NÃO GARANTE OBJECTIVOS MÍNIMOS", Francisco Ferreira, Vice-presidente da Quercus
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CM – O que significa este acordo entre EUA, China, Índia e África do Sul?
Francisco Ferreira – É um acordo entre eles. Ainda não sabemos se é um acordo para a cimeira ou se é só algum entendimento entre esses países.
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– Quais as implicações no futuro?
– Há um aspecto complicado, pois não garante, se for aceite pela cimeira, os objectivos mínimos no combate às alterações climáticas
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– Qual é agora o papel da União Europeia?
– Vamos aguardar pela reacção da União Europeia. À partida, conforme o que foi anunciado, parece ser um acordo paralelo que deixa a UE e a ONU de fora.

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André Pereira.
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terça-feira, junho 30, 2009

Brasil - Até a direita reconhece a superioridade do Socialismo



por Eron Bezerra *

Com as eleições batendo à porta e vendo a vantagem eleitoral de seu candidato diminuir a cada nova rodada de pesquisa de intenção de voto, a direita partiu para o famoso “tudo ou nada”. O recente programa eleitoral do PSDB foi uma clara demonstração desse desespero.

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No afã de desqualificar o governo Lula eles recorreram ao sucesso da política macroeconômica da China - país socialista – para criticar a timidez do crescimento econômico brasileiro. Como se pode ver, até a direita reconhece a superioridade do socialismo.

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O PCdoB, com a coerência de quem não intimidou com a derrota da experiência soviética e se manteve firme na defesa do socialismo, sempre entendeu que a alternativa para o Brasil é o socialismo. Não está só nessa cruzada. Outras correntes progressistas igualmente vêem no socialismo a opção mais lógica para a humanidade. Não esperávamos, sinceramente, esse “reforço” da direita. Esperamos que o governo Lula, pelo menos nesse particular, ouça com atenção o que a direita tem a dizer.

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No auge do neoliberalismo, década de 90, a direita obtinha sucessivas vitórias eleitorais mundo afora. Revelando seu caráter reacionário e anti-científico, “decretou” o fim da história. Para agradar a seus amos insultava os revolucionários taxando-os de “dinossauros”, enquanto se dobrava aos caprichos dos grandes banqueiros.

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A direita brasileira adepta do neolibelarismo era então representada pelo PFL e PSDB e secundariamente pelo PPS. Repetiam esse mesmo discurso anti-científico da direita mundial e revelavam uma submissão canina ao imperialismo americano.

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Enquanto governaram (95/2002) se empenharam para aumentar o patrimônio de banqueiros, repassar bilhões e mais bilhões de dinheiro público para os seus aliados da iniciativa privada, retirar direito dos trabalhadores, precarizar os serviços públicos e desmontar os estados nacionais.

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O resultado geral dessa estupidez é a crise sistêmica do capitalismo que estamos vivenciando, com graves conseqüências para os povos do mundo inteiro.

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No caso específico do Brasil a resultante foi o crescimento vegetativo da economia, déficit na balança comercial, desemprego em massa, sucateamento das universidades, redução drástica dos serviços públicos e até mesmo proibição de investimentos por parte de empresas estatais como a Petrobras, mesmo que esse aporte de capital fosse com seus próprios recursos. O objetivo era desmoralizar para privatizar.

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O povo se cansou de um governo elitista e submisso aos Estados Unidos e a seus instrumentos de chantagem como o FMI. Decepcionou-se com um governo que governava para banqueiros e ignorava a juventude, os intelectuais e o povo. Levantou-se e os mandou pra casa. Eles querem voltar para repetir a mesma política de desmonte do estado nacional e de submissão ao moribundo imperialismo americano.

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O governo Lula tem erros e insuficiências, dentre elas a de não fazer uma clara opção de mudança de rumo para o país, uma opção socialista, como de maneira mais explícita já o faz o governo bolivariano da Venezuela.

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Mas o que a direita pretende não é fazer o país avançar e sim retardar ainda mais o rumo para o progresso e para a prosperidade. Por isso é dever de todos os revolucionários e patriotas do mundo - e não apenas dos brasileiros - tudo fazer para impedir que eventualmente a direita brasileira seja exitosa em seu intento.

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O Brasil não merece e o mundo não necessita de governos reacionários.


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*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 30 DE JUNHO DE 2009 - 19h00
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segunda-feira, maio 25, 2009

Correa, Evo e Chávez: ''Radicalizaremos a revolução''


Os presidentes do Equador, Bolívia e Venezuela reafirmaram neste domingo (24) sua aliança socialista durante celebrações da independência em Quito, com o compromisso do presidente equatoriano, Rafael Correa, de também ''radicalizar a revolução''. Na véspera, Chávez e Correa defenderam as estatizações ecoincidiram no propósito do Estado assumir o controle das áreas estratégicas.


Evo, Correa e Chávez: 'Temos no máximo eleições'

''Não vamos mudar de rumo, ao contrário vamos para radicalizar e aprofundar a nossa revolução cidadã, acelerar nossos processos'', disse Correa, no discurso por ocasião do 183 anos da Batalha de Pichincha, que acabou com o domínio colonial espanhol.

Os três presidentes encontraram-se novamente dois anos e meio após selarem aquilo que a imprensa batizou de ''trindade socialista'', em uma cerimônia indígena realizada em Zumbahua, ao sul de Quito.

Para construir a Pátria Grande

Ao saudar Chávez e Evo, Correa reafirmou seu compromisso com o modelo de integracionista de inspiração bolivariana, compartilhado pelos três governos.

''Radicalizaremos a revolução cidadã, continuando com nossa política de abertura a todos os países do mundo dentro de um quadro de respeito mútuo, buscando a integração da América Latina para continuar construindo esta Pátria Grande'', indicou.

Antes de seu encontro com Morales no domingo, os líderes de Venezuela e Equador se reuniram em Quito para implementar vários acordos que incluem a troca de petróleo equatoriano por produtos refinados, a exploração de gás e a construção de uma megarrefinaría.

Chávez quer acelerar

Chávez também se propôs a acelerar socialismo na atual situação econômica mundial. Ele se mostrou satisfeito com a recuperação do preço do petróleo e, assim como Correa, recomendou que o Estado assuma o controle dos recursos estratégicos.

''Não demoremos, apuremos o passo, aceleremos o passo, a crise global nos obriga. Abre-se para nós um caminho na construção de um novo mundo, de uma forma historicamente nova, para nós o socialismo'', disse Chávez.

Os três também coincidiram em sua crítica à mídia e propuseram a criação de um órgão nos quadros da recém-formada Unasul (União Sul-Americana de Nações) para ''defender o governo dos abusos da imprensa''.

''Quando for presidente da Unasul vou propor formalmente: criar instâncias para defender os nossos cidadãos e governos legitimamente eleitos dos abusos da imprensa'', disse Correa em uma coletiva de imprensa conjunta.

Os três chefes de Estado receberam honras militares e participaram em actividades relacionadas com a celebração da independência antes de Chavez e Morales retornarem a seus países.

Em seu discurso, Correa destacou seus êxitos eleitorais e questionou a existência de uma verdadeira democracia na América Latina. ''Apesar de termos sido vencedores, continuamos a sustentar que no Equador e na América Latina ainda não temos democracia, temos, no máximo eleições'', disse ele.

Fonte: Página 12; intertítulos do Vermelho


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in Vermelho - 24 DE MAIO DE 2009 - 20h28
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quinta-feira, abril 23, 2009

Uma década da revolução bolivariana


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Altamiro Borges


A vitória do “si” no referendo de fevereiro, que garantiu a possibilidade da reeleição ilimitada para todos os cargos executivos do país, confirmou a força da “revolução bolivariana” liderada por Hugo Chávez, mas também apontou seus limites e desafios.

Por Altamiro Borges, em texto publicado na 100ª edição da revista Princípios.


A Venezuela continua fraturada, como atesta o resultado da votação – 56% para o “si”, 44% para o “no”. A oposição oligárquica, que se apresentou mais unida e decidiu participar da disputa democrática, ainda insiste nos meios golpistas e ilegais, ao desabastecer as prateleiras de mercadorias essenciais e ao desencadear uma poderosa campanha midiática. Ela mudou de tática, mas não do objetivo de derrubar Chávez.

A mídia venezuelana, que arquitetou o golpe de abril de 2002 e outros atos de sabotagem, segue sendo o principal “partido da direita”. Faz de tudo para manipular corações e mentes. Segundo pesquisa do Observatório Mundial de Mídia, a campanha contra a emenda da reeleição teve 71% da cobertura nos veículos de comunicação; o “si” ficou com 29% dos noticiários.

Outra pesquisa, da Entorno Inteligente, apontou que de cada 100 artigos publicados na mídia impressa, 77 foram a favor do ‘no’ e 23 a favor do ‘si’. Nas principais cadeias de televisão, o estudo detectou 73% das matérias favoráveis ao ‘no’ e 27% favoráveis ao ‘si’.

Apesar do bombardeio midiático e das sabotagens patronais, Hugo Chávez venceu a 14ª eleição, das 15 realizadas nestes dez anos. Como afirma o sociólogo argentino Atílio Boron, o resultado do pleito é uma “péssima notícia para o império” e a oligarquia local. “A emenda constitucional que o povo venezuelano aprovou evidencia o desespero dos adversários, de dentro e de fora, da revolução bolivariana.

Eles estão conscientes de que a consolidação da liderança de Chávez e a continuidade de seu projeto reforçam os espaços da esquerda na balança política regional”. Aos poucos, com suas limitações e erros, a revolução bolivariana avança e abre novas perspectivas.

Uma trajetória de avanços

Empossado em 2 de fevereiro de 1999, o presidente Hugo Chávez completou 10 anos à frente da “revolução bolivariana” na Venezuela. Sua inesperada eleição, em dezembro de 1989, com 56% dos votos, foi uma resposta à devastação neoliberal e representou duro golpe ao bipartidarismo oligárquico imperante neste país desde 1958 - através do pacto de “Punto Fijo”.

Ela deu início a uma experiência inédita na América Latina, com a vitória de inúmeros governantes progressistas, antineoliberais, e recolocou na agenda política o debate sobre o “socialismo do século 21”.

Nesta uma década, Hugo Chávez, que chegou ao governo sem contar com partidos estruturados e movimentos sociais consistentes, enfrentou enormes obstáculos. Além dos problemas estruturais de um país miserável, ele foi alvo da fúria das elites racistas, das conspirações do imperialismo e do cerco da mídia.

Com base no apoio popular e num núcleo nacionalista das forças armadas, ele derrotou o golpe de estado de abril de 2002, o locaute petroleiro de dezembro/janeiro de 2003 e incontáveis iniciativas de desestabilização do seu governo. Segundo pesquisa recente, atuam no país 271 organizações não-governamentais financiadas pelos EUA e com propósitos golpistas.

“A palha e o furacão revolucionário”

Num processo radicalizado, ele insistiu na via democrática, ao contrário do que alardeia a mídia. Hugo Chávez enfrentou e venceu três eleições presidenciais (1998, 2000 e 2006), três referendos constitucionais (dois em 1999 e outro em 2004), quatro pleitos executivos (2000, 2004, 2005 e 2008) e dois legislativos (1999 e 2005).

Na mais recente disputa, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) conquistou 17 dos 23 governos estaduais e 233 prefeituras (80% das existentes). Nesta trajetória, ele sofreu apenas uma derrota, no referendo de dezembro de 2007.

A cada nova vitória, Chávez foi firmando sua convicção no projeto bolivariano. “Eu sou apenas uma débil palha arrastada pelo furacão revolucionário”, explica.

Após derrotar o golpe de 2002, ele exonerou os generais golpistas e acelerou os programas sociais. Com a derrota do locaute, ele demitiu a casta de diretores e gerentes endinheirados e assumiu, de fato, o comando da poderosa empresa de petróleo da Venezuela – a PDVSA. Ele também enfrentou a ditadura midiática, não renovando a concessão pública da RCTV e incentivando rádios e TVs comunitárias.

A partir da eleição presidencial de 2006, Chávez anunciou sua ideia híbrida do “socialismo do século 21”.

Mudanças políticas radicais

Vários fatores explicam os avanços da revolução bolivariana, com seus ziguezagues e lacunas. A primeira é a radical mudança política no país, com o governo apostando na participação ativa das camadas populares – na chamada democracia protagônica.

Através dos comitês bolivarianos, das missiones (programas sociais sob controle da sociedade) e dos conselhos, há um enorme esforço pedagógico para envolver os “excluídos”. Na retaguarda deste processo movimentista aparecem as forças armadas.

“Nossa revolução é pacífica, mas não é desarmada”, enfatiza sempre Chávez.

O debate político na Venezuela é dos mais intensos e democráticos. As sucessivas eleições e as várias instâncias de participação popular procuram superar a fragilidade dos movimentos sociais e a debilidade de um processo centrado num único líder.

Nesta empreitada se dá a guerra contra a ditadura midiática. Balanço recente indica que, além dos quatro veículos estatais, hoje já existem 250 rádios comunitárias, 24 emissoras de TV sob controle popular, 300 periódicos alternativos e uma potente rede de internet – de 640 mil usuários em 2002 pulou para 4,142 milhões em 2008.

Mudanças no campo econômico

Outro fator determinante para os avanços da revolução bolivariana são as mudanças no terreno econômico. Inicialmente, o processo foi até conservador, cauteloso. Com o tempo, as mudanças ganharam ritmo – com a estatização, de fato, da PDVSA, introdução de tributos sobre ganhos das multinacionais e medidas de controle do fluxo de capitais, entre outras de cunho antineoliberal.

Procura-se diversificar a base produtiva do país, que continua muito dependente do petróleo, no que se batizou de econômica endógena. Há também o estímulo às cooperativas e às propriedades sociais. Com base nestas medidas, a economia cresceu em média 11,2% nos últimos cinco anos.

Na fase recente, a revolução bolivariana acelerou o processo de estatização de áreas estratégicas, comprando empresas privadas na telefonia (Cantv), energia (AES), siderurgia (Sidor) e bancos (Santander). A proposta do “socialismo do século 21” ainda é uma peça de propaganda.

Diante da grave crise mundial do capitalismo, que afeta duramente o preço e o volume das exportações de petróleo, o governo tenta atrair o chamado setor produtivo. Em julho passado, promoveu um encontro com 300 empresários e lançou um forte programa de subsídios às empresas. Há muita polêmica sobre o lançamento de uma nova NEP, a exemplo do ocorrido na revolução soviética.

Pujança dos programas sociais

O que dá forte impulso à revolução bolivariana, porém, são os programas sociais implantados nestes 10 anos. Três reportagens recentes – “Uma década de Chávez”, da revista Carta Capital; “Chávez, as dez vitórias e a mídia”, do jornal mexicano La Jornada; e “A nova Venezuela do presidente Chávez”, do periódico francês Le Monde Diplomatique – evidenciam o esforço do governo para melhorar a vida da sua população.

A oligarquia racista, o imperialismo e a mídia venal até hoje não entenderam estas mudança. Vale à pena listar alguns dados do período 98-07:

- Miséria extrema: baixou de 20,3% para 9,4%;

- Pobreza: de 50,4% para 33,07%;

- Diferença entre riqueza/pobreza: de 28,1% para 18%;

- Mortalidade infantil: de 21,4 para 13,9 para cada mil nascidos vivos;

- Desemprego; de 16,06% para 6,3%;

- Salário mínimo: de 154 dólares para 286 dólares, o mais alto da América Latina;

- Aumento do poder aquisitivo da população: 400%;

- Investimento na educação: de 3,38% para 5,43% do PIB;

- Educação básica: de 89,7% para 99,5% das crianças;

- Educação superior: de 21,8% para 30,2% dos estudantes;

- Investimento em saúde: de 1,36% para 2,25% do PIB;

Limites e desafios futuros

Estes sensíveis avanços, desprezados pela mídia hegemônica mundial, é que garantem o prestígio do presidente Hugo Chávez e a consolidação deste projeto revolucionário. Não negam, porém, as dificuldades e as debilidades dessa experiência marcada pela originalidade e ousadia. Há, ainda, muitos obstáculos à construção do “socialismo do século 21”, idéia-força apresentada pelo líder venezuelano como uma bandeira de propaganda.

Na prática, a revolução em curso é democrática, popular e antiimperialista. As medidas socializantes são tímidas, em decorrência da correlação de forças ainda adversas – no mundo, no continente e no próprio país – e dos limites deste processo.

O próprio Hugo Chávez já reconheceu, em várias ocasiões, as dificuldades para a construção de um instrumento político a altura das imensas tarefas revolucionárias. O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado em 2007, ainda é uma legenda eleitoral, sem maior organicidade e densidade ideológica. Há muita tensão com o Partido Comunista da Venezuela e outras forças e personalidades progressistas, o que prejudica a unidade do campo revolucionário.

Há também, segundo Chávez, muitos entraves no terreno econômico, que podem ser agravados agora com a crise mundial, que atinge o principal produto de exportação do país, o petróleo. E são recorrentes os problemas no campo administrativo, com críticas duras ao burocratismo e à corrupção.

Da mesma forma que as outras experiências progressistas da América Latina, mais moderadas ou radicalizadas no enfrentamento ao neoliberalismo, a venezuelana ainda é frágil. Demanda muito cuidado para evitar qualquer retrocesso. A “revolução bolivariana” está inserida num quadro de defensiva estratégica das forças socialistas.

Ela depende da sagacidade e da liderança de Chávez, do avanço das forças populares na região, das reações do “império do mal” e do desdobramento da crise capitalista. A oligarquia local e o imperialismo farão de tudo para derrotá-la. Daí a importância de comemorar os dez anos da revolução bolivariana,
investindo em novos avanços.

in Vermelho - 23 DE ABRIL DE 2009 - 11h56

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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Dez anos de Revolução Bolivariana

• Luís Carapinha

Para a revolução bolivariana as maiores batalhas e desafios estão ainda pela frente


A vitória alcançada pelas forças bolivarianas no referendo venezuelano à emenda constitucional do passado domingo possui um valor estratégico para o processo de mudança vivido no país sul-americano. A possibilidade de Chávez se candidatar às eleições presidenciais de 2012 e continuar o projecto de transformações iniciado há precisamente uma década é reconhecida como uma necessidade histórica por todas as forças progressistas e revolucionárias na Venezuela e apoiada pelo seu povo. Há a consciência de que a revolução bolivariana está longe de ser um dado irreversível. A necessidade do seu aprofundamento qualitativo na via anti-imperialista e anticapitalista é hoje mais premente do que nunca, face ao avolumar do caudal de contradições internas próprio de um complexo processo de ruptura desigual e inacabada e, também, às crescentes ameaças e impactos resultantes da crise económica mundial do capitalismo. Porém, nenhuma lacuna, tarefa não concluída, erro político, problema ou desafio poderão diminuir a importância para o povo venezuelano, especialmente as suas classes mais desfavorecidas, destes dez anos de revolução bolivariana e o seu significado para a vaga de emancipação que se formou na América Latina.
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Apesar da ofensiva permanente do imperialismo e do boicote dos grandes media, as conquistas da revolução são uma realidade tangível: uma Constituição, democrática e progressista, que abriu amplos espaços de participação popular; a redução das taxas de pobreza, desigualdade social e desemprego; a erradicação do analfabetismo e a extensão da oferta educativa a todos os níveis; o acesso de milhões de venezuelanos, antes discriminados, à saúde; a rede nacional de mercados alimentares a preços subsidiados; a nacionalização de facto da estatal petrolífera e de sectores estratégicos da economia; a recuperação das mãos do latifúndio de cerca de 30% das terras produtivas (metade das quais foi distribuída aos camponeses) são apenas alguns dos aspectos mais destacados. Mas talvez a conquista mais transcendente seja a recuperação da dignidade pelo povo da pátria de Bolívar. Ligada a uma repolitização da sociedade e à colocação, massiva, da exigência do socialismo na ordem do dia – numa época de contraciclo e refluxo mundial das forças progressistas e revolucionárias. Certamente que, num ambiente de intensa luta de classes, o perigo do voluntarismo e sobretudo do arrivismo político e ideológico não poderá ser subestimado, precisando ser correctamente enquadrado e combatido. Assim como as práticas de corrupção, esbanjamento de recursos, burocratismo e ineficácia para as quais alertou o presidente venezuelano no comício de festejo da noite de domingo.
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Para a revolução bolivariana as maiores batalhas e desafios estão ainda pela frente. O velho estado da IV República não está vencido, tal como – apesar dos colossais esforços empregues – o modelo económico baseado na renda petrolífera, com todos os factores de deformação social inerentes. E os EUA prosseguem a estratégia de militarização e ingerência na região.
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Mas o caminho já percorrido através de 14 vitórias eleitorais (apenas uma derrota no referendo constitucional de 2007), com permanente mobilização e protagonismo populares, representa uma oportunidade extraordinária para a acumulação de forças. O fortalecimento das forças revolucionárias em condições de assegurar o aprofundamento do processo de libertação nacional na via de uma transição que aponte ao socialismo representa um repto histórico.Na Venezuela e América Latina cresceu o sentimento da necessidade de soberania associada à superação do capitalismo. A unidade de acção e direcção de todas as forças que compõem a revolução bolivariana, assinalada pelo PCV como um dos factores da vitória de dia 15, é um sinal de confiança para as lut as que se seguem.
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in Avante 2009.02.19
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sexta-feira, abril 18, 2008

A conspiração contra Chávez

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Chavez caricartura


Por Ignácio Ramonet - Le Monde Diplomatique (*)
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15.04.2008

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Chávez não havia mandado disparar contra os manifestantes como alguns canais de televisão disseram de forma mentirosa (refiro-me às trucagens que a emissora Venevisión difundiu mundialmente). As provas de que ocorreu o contrário existem e mostram que os primeiros tiros foram dados contra os partidários de Chávez, vindos de franco-atiradores misturados aos manifestantes golpistas e fazendo quatro mortos.
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Este gravíssimo golpe contra a democracia, com seu aspecto caricatural (uma junta militar presidida pelo chefe de uma associação patronal), fez a América Latina retroceder, durante 48 horas, a uma era política que pensávamos superada, os anos de pinochetismo e da repressão. Foi uma terrível advertência para todos os dirigentes latino-americanos que quiserem se opor ao modelo neoliberal. Essa advertência se dirige, em primeiro lugar, a Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores à presidência do Brasil, que as pesquisas de intenção de voto colocam como favorito para as eleições de outubro.

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Toda essa conspiração se desenvolveu enquanto eu estava em Caracas, uma semana antes dela ser efetivada. A atmosfera era de extrema tensão, sentia-se que o golpe viria.

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A Venezuela possui uma estrutura econômica escandalosamente desigual. 70% da população vive na pobreza. Durante quarenta anos, dois partidos, a Ação Democrática e o Copei, repartiram o poder e a riqueza nacional. Os níveis de corrupção alcançaram dimensões gigantescas.

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Percorríamos à noite as ruas de Caracas e Hugo Chávez me dizia que a Venezuela havia recebido, de 1960 até 1998, o equivalente a quinze Planos Marshall em venda de petróleo. "Com um único Plano Marshall - me dizia Chávez - pode se reconstruir toda a Europa destruída pela Segunda Guerra Mundial. Com quinze Planos Marshall, só conseguimos que certos corruptos conquistassem algumas das maiores fortunas do mundo, enquanto a maioria da população vive na miséria".
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Esse sistema de corrupção, combatido por Chávez, acabou de ser derrubado em 1998. Os partidos AD e Copei foram rejeitados e desapareceram. Chávez foi eleito presidente com um programa de transformação social e com o propósito de fazer da Venezuela um país mais justo e menos desigual. Alguns pensaram que, como tantos outros, uma vez no poder, Chávez se esqueceria de suas promessas e tudo seguiria igual. Mas esse comandante, de origem humilde, admirador dos grandes lutadores da liberdade na América Latina, estava decidido a não decepcionar seus eleitores, aqueles que viam nele a última esperança para sair da pobreza, da falta de educação e da humilhação. "A luta pela justiça, a luta pela igualdade e a luta pela liberdade - me dizia Chávez - alguns chamam socialismo, outros chamam cristianismo, nós chamamos de bolivarismo."
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Seu governo lançou toda uma série de reformas sociais: escolas nos bairros esquecidos, realizações em favor dos indígenas, microcréditos para as pequenas empresas, lei de terras em favor dos camponeses sem terra, melhoras da infra-estrutura no interior do país etc. "Estamos diminuindo o desemprego", contava-me Chávez. "Criamos mais de 450 mil novos postos de trabalho. Nos últimos anos, a Venezuela subiu quatro posições no Índice de Desenvolvimento Humano. O número de crianças escolarizadas aumentou em 25%. Mais de 1,5 milhão de crianças que não iam à escola já estão integradas e recebem roupa, comida, material e merenda. A mortalidade infantil diminuiu. Estamos construindo mais de 135 mil moradias para famílias pobres. Estamos repartindo as terras aos camponeses sem terra. Criamos um Banco da Mulher que concede microcréditos. No ano de 2001, a Venezuela foi um dos países com maior crescimento no continente, cerca de 3%... Estamos tirando o país da estagnação e do atraso".

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À medida que essas reformas entraram em prática, muitos dos que apoiaram Chávez deixaram de apoiá-lo. Tratavam-no como o "caudilho", chamavam-no de autocrata e essa liberdade de crítica jamais havia existido antes. Ninguém foi preso por crimes de opinião. Mas a minúscula classe rica e a classe média alta, essencialmente brancas, viam com pavor a perspectiva de ver subirem na escala social os negros e os mestiços que aqui, como em toda a América Latina, ocupam os lugares mais inferiores da sociedade. "Existe um racismo incrível em nossa sociedade", me dizia Chávez. "Chamam a mim de El Mono, ou O Negro, não suportam que alguém como eu tenha sido eleito presidente".

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Assim se chegou à situação de 11 de abril. Uma situação de confrontação de classe contra classe. Por um lado, o presidente Chávez, apoiado por uma parte majoritária do povo comum, por outro, uma aliança neo-conservadora, a burguesia que ocupava as ruas do bairro rico com panelas, apoiada pela associação patronal, os meios de comunicação ferozmente hostis, mentindo de forma descomunal, inventando rumores e calúnias, falseando as evidências, e a camada aristocrática dos trabalhadores (do setor do petróleo), mobilizados pela CTV, a central sindical considerada a mais corrupta da América Latina.

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Essa aliança reacionária declarou uma guerra sem quartel ao presidente Chávez, com o apoio de alguns meios internacionais (como, por exemplo, o canal CNN em Espanhol) e com o apoio dissimulado dos Estados Unidos. Washington, com sua vontade de dominar o mundo depois do 11 de setembro, não podia suportar, como declarou Colin Powell semanas atrás, a independência diplomática da Venezuela, seu papel na Opep, sua falta de apoio ao Plano Colômbia, sua atitude militante contra a globalização neoliberal.
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Faz alguns meses, a administração Bush nomeou como subsecretário de Estado para Assuntos Americanos Otto Reich, antigo colaborador de Reagan, colaborador no caso Irã-contras, especialista na organização de sabotagens e de atentados, mestre na arte da contra-revolução. Otto Reich foi o arquiteto oculto da conspiração contra Chávez.
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Essas más intenções dos Estados Unidos, na véspera do golpe, Hugo Chávez já percebia com enorme lucidez. "A greve geral de 9 de abril é só uma etapa da grande ofensiva norte-americana contra mim e contra a revolução bolivariana. E seguiram inventando uma série de coisas. Não me admiraria que amanhã inventem que escondo Bin Laden na Venezuela. Não estranharia que mostrassem algum documento com datas e provas de que Bin Laden e um grupo de terroristas da Al-Qaeda estão nas montanhas da Venezuela. Preparam um golpe e, se fracassam, preparam um atentado.

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(*) Ignácio Ramonet é jornalista, sociólogo e editor do Le Monde Diplomatique. Texto publicado em 20/02/2008 na Revista Fórum. O texto foi republicado no Fazendo Media por conta dos 6 anos do golpe midiático contra o governo Chávez, que se deu em 11 de abril de 2002.

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