A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, março 21, 2011

Desastre japonês pode ser pior que Tchernobil

Geral

Vermelho - 21 de Março de 2011 - 19h25

Um desastre nuclear pior do que o acidente de Tchernobil em 1986 pode estar em gestação no Japão, onde centenas de toneladas de combustível atômico altamente radioativo estão a céu aberto e podem pegar fogo, contaminando a atmosfera.

Por Stephen Leahy, na agência IPS

Muitos países aconselharam seus cidadãos a abandonar o Japão. “Isto é território desconhecido. Há 50% de possibilidades de se perder os seis reatores e seus tanques de armazenamento”, afirmou Jan Beyea, físico nuclear da consultoria norte-americana Consulting in the Public Interest.

“Estou surpreso que a situação não tenha se agravado mais rápido. Se não houver progressos, será questão de dias antes que o combustível usado derreta”, disse Ed Lyman, físico da União de Cientistas Comprometidos e especialista em projetos de usinas atômicas. A central de Fukushima Daiichi foi danificada pelo terremoto seguido de tsunami do dia 11.

Calcula-se que há cerca de 1.700 toneladas de combustível atômico usado, mas ainda perigoso, nos tanques de armazenamento próximos aos seis reatores, segundo Kevin Kamps, especialista em lixo radioativo da organização ambientalista norte-americana Beyond Nuclear. Os tanques mantêm há 30 ou 35 anos combustível usado nos reatores 3 e 4, mas perderam sua capacidade de contenção e a maior parte, se não toda ela, da água que era usada para refrigerá-los. Podem pegar fogo, lançando partículas radioativas na atmosfera, disse Kevin à IPS.

Na semana passada, helicópteros japoneses protegidos com chumbo lançaram água do mar sobre os reatores 3 e 4, em um desesperado e perigoso esforço para esfriá-los. Se parte do combustível usado pegar fogo e este se propagar, enormes áreas do Japão “poderão ficar contaminadas com Césio 137 por 30 a 50 anos”, disse Jan à IPS. O Césio 137 permanece radioativo por mais de cem anos. É uma conhecida fonte de câncer e tem outros impactos na saúde. Uma vez liberado, é muito difícil de ser controlado. O césio é a razão pela qual grande parte da região onde houve a explosão de Tchernobil, na Ucrânia, continua inabitável após 25 anos.

Um estudo realizado em 2010 pela Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, mostrou que meninos e meninas que nasceram depois do desastre, mesmo a mais de 75 quilômetros de distância, tinham problemas crônicos em seus pulmões devido à presença de Césio 137 nas partículas de pó e no solo. “As particular de césio foram espalhadas por centenas de milhas durante o fogo intenso em Tchernobil”, explicou Kevin. Só para comparar, Tchernobil tinha no total 180 toneladas de combustível nuclear, enquanto Fukushima Daiichi conta com 560 toneladas em seus reatores, mais 1.700 toneladas de combustível usado.

“A indústria nuclear do Japão e dos Estados Unidos sabia que a perda de refrigeração nos tanques de armazenamento de combustível usado seria um grave problema, mas simplesmente disseram que nada aconteceria”, afirmou Jan, coautor de um estudo de 2004 sobre este tema realizado para o Conselho Nacional de Pesquisas da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Por ter trabalhado na indústria, Jan disse estar convencido de que esta é administrada por engenheiros extremamente confiantes em si mesmos que minimizam ou ignoram as probabilidades de desastre.

Os reatores nucleares geram enorme quantidade de calor, e devem ser constantemente resfriados para impedir que a proteção do combustível pegue fogo e este derreta. Já que uma reação nuclear não pode ser apagada, quando o combustível usado é retirado de um reator ainda continua gerando grande quantidade de calor e deve ser esfriado com água entre cinco e 20 anos.

Todos os reatores possuem tanques de armazenamento com grossas paredes reforçadas de concreto, localizados a 15 metros de profundidade, contendo cerca de 1,5 milhão de litros de água. Logo esta água esquenta e deve ser constantemente substituída por outra fria. A perda de eletricidade e as falhas dos geradores de apoio em Fukushima Daiichi limitaram o fluxo de água para os tanques de armazenamento e reatores.

Os níveis de radiação dentro da usina subiram tanto que é perigoso para os trabalhadores continuarem no local bombeando água marinha. O comum é usar água potável, porque a água do mar contém sais que posteriormente afetam os metais. Mas esta é uma emergência. A radiação atinge níveis mortais quando não há água suficiente para cobrir um tanque de armazenamento, explicou Kevin. “Será muito difícil aproximar-se o suficiente para esfriar os tanques. Se o pior ocorrer, e os seis tanques pegarem fogo, será um desastre inimaginável, podendo ser pior do que Tchernobil”, alertou.

A quantidade de césio que poderia ser liberada em Fukushima é muitos milhares de vezes maior do que a propagada pela bomba lançada sobre a cidade de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), reconheceu Jan. “O Japão enfrenta enormes impactos potenciais em sua economia, sociedade e saúde do povo”, disse, referindo-se que estes podem durar décadas.

Fonte: Envolverde

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quarta-feira, agosto 18, 2010

Ascensão da China é destaque no New York Times


Economia

Vermelho - 16 de Agosto de 2010 - 18h56

O jornal estadunidense New York Times destaca nesta segunda (16) que, depois de três décadas de crescimento espetacular, a China superou o Japão e se transformou na segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com o PIB avaliado em dólar.

O fato não constitui propriamente uma novidade. O Banco Central chinês já anunciara no dia 30 de julho que o valor da produção chinesa em dólar superou a japonesa. Nesta segunda (16), a subida no ranking do gigante asiático foi confirmada pelo anúncio, em Tóquio, de que a economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

Eclipsando o Japão


O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado. O fato de desbancar o Japão -- depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido -- reforça o poder do crescimento chinês e a perspectiva de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo num prazo histórico relativamente curto se as coisas continuarem evoluindo na mesma direção observada ao longo das últimas décadas.

“Isso tem um significado muito forte. Confirma o que vem acontecendo há uma década: que a China vem eclipsando o Japão na área econômica. Para todos na região da China, o país agora é o maior parceiro comercial, em lugar de EUA e Japão”, comentou Nicholas R. Lardy, economista do Instituto Peterson para Economia Internacional, em Washington.

Ainda em desenvolvimento


Para o Japão, cuja economia está estagnada há mais de uma década, os dados refletem o declínio do poder econômico e político. Segundo o Banco Mundial, o Japão deteve o posto de segunda maior economia do mundo em boa parte dos últimos 40 anos. E, na década de 1980, falou-se inclusive que o país ultrapassaria os EUA.

Os comunistas chineses, porém, enfatizam que, apesar do crescimento extraordinário, a China ainda deve ser considerada um país em desenvolvimento, predominante agrário e com uma renda per capita relativamente baixa (em torno de US$ 3.600).

De todo modo, a expansão da influência econômica da China no mundo, seja do ponto de vista comercial ou do peso crescente no ranking da exportação de capitais, é notória. “A China já é o principal fator a determinar o preço de virtualmente todas as principais commodities", diz Lardy.

Subestimação


Além disto, a dimensão real do PIB chinês é subestimada quando o critério é o dólar. A moeda estadunidense não fornece uma medida muito realista para o valor efetivo da produção realizada pelos trabalhadores e trabalhadoras chinesas, pois a diferença de políticas cambiais (a China não adota o câmbio flutuante e mantém as cotações de sua moeda, o yuan, sob estrito controle) distorce as relações de preços com os demais países e em especial com os norte-americanos.

Quando a produção é avaliada pela Paridade do Poder de Compra (PPC) as coisas mudam. O valor da produção chinesa é bem maior e o PIB per capita (produção total dividida pela população, que chegou a 6,5 mil dólares em 2008, segundo o FMI) é quatro vezes maior em PPC que em dólar. A PPC é uma medida mais realista porque exclui os efeitos de eventual valorização ou depreciação do câmbio e apura de forma mais confiável os preços relativos das mercadorias nos diferentes países.

Ascensão

De todo modo, o que respalda a ascensão da China e a ultrapassagem do Japão (mesmo em dólar) é o extraordinário crescimento da economia, que ocorre em franco contraste com o desempenho medíocre das três maiores potências capitalistas (EUA, Japão e Alemanha). No primeiro semestre deste ano, a produção chinesa cresceu 11,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando o valor de 2,55 trilhões de dólares.

Desde 1978, quando foram introduzidas as reformas econômicas, o país vem registrando crescimento médio anual superior a 9,5%, enquanto os países capitalistas considerados mais industrializados patinam no pântano da estagnação, com taxas de crescimento em torno de 2% ao ano e elevado nível de desemprego.

Exportação de capitais

O crescimento da produção no interior do país também projetou a influência da economia chinesa para o resto do mundo, através do comércio exterior e da exportação de capitais, alavancada após a crise de 2008. Em 2009 a China passou a liderar o ranking das exportações globais, superando a Alemanha. Em 2007 já tinha ultrapassado os EUA, que declinaram para a terceira posição. A próspera nação asiática também está rivalizando com as potências ocidentais em outra frente de notória relevância no plano do poder econômico internacional: a exportação de capitais.

O Brasil, do qual a China se tornou a principal parceira comercial durante o ano passado, é um dos principais destinos dos investimentos chineses. Até o final deste ano, os chineses prometem investir cerca de 12 bilhões na economia nacional, o que levará o gigante asiático à condição de maior investidor estrangeiro no país, a julgar pelas previsões do mercado com base nos valores anunciados pelas empresas, que representam um crescimento de 14000% em relação aos 82 milhões de dólares investidos em 2009, segundo o Banco Central.

Repercussões geopolíticas

Combinado com o fraco desempenho das potências capitalistas, a ascensão da China configura o fenômeno que Lênin no passado denominou de desenvolvimento desigual das nações. A recessão iniciada em 2007 nos EUA e a crise da dívida na Europa agravaram o quadro de desigualdade, que objetivamente leva à decadência do chamado Ocidente e ao progressivo deslocamento do poder econômico global para o Oriente.

A exportação de capitais, lastreada pelas maiores reservas do mundo (de cerca de 2,5 trilhões de dólares), tende a transformar a China, doravante, em provedora de crédito e investimentos para as nações relativamente mais pobres, respaldando os movimentos políticos que contestam os modelos de desenvolvimento ditados pelas potências tradicionais (EUA, Japão e Europa) e as instituições da ordem imperialista remanescente do pós-guerra como o FMI e o Banco Mundial. 
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A ascensão da China, cujo governo não capitulou ao neoliberalismo e reitera a defesa do socialismo com características chinesas (a economia socialista de mercado), realça a necessidade de uma nova ordem econômica e política internacional e, em particular, um novo sistema monetário em que o dólar já não gozará do status de moeda hegemônica.

Geopolítica


Este movimento da economia, que tem caráter objetivo, tem notáveis repercussões geopolíticas, pois ocorre num momento de crise da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos e da ordem econômica mundial, em que também rola o drama da decadência (relativa) da Europa e do Japão. É a expressão do que alguns observadores chamam de deslocamento do poder econômico global do Ocidente para o Oriente (leia-se China).

A ascensão da China vem ao encontro do novo cenário político vivido por muitos países da América Latina e tende a contribuir com a luta por mudanças e o anseio de soberania, que passa, em primeiro plano, pela contestação do domínio imperialista exercido pelos EUA, a derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho.

Da redação, Umberto Martins, com agências
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  • Eu ri do cara aí embaixo...

    17/08/2010 13h57 ...chamando a China de socialista. Um país que tem o maior número de novos bilionários por ano, e uma desigualdade de renda monstruosa, com os funcionários de fábricas que sustentam a indústria do país ganhando uma miséria. Se isso é socialismo, eu não sei porque vocês querem substituir o capitalismo...
    Filipe
    Fortaleza - CE
  • ascensão

    17/08/2010 9h27 Viva à Grande China Socialista!
    Alexandre Neves Rosendo da Silva
    São Paulo - SP
  • China

    16/08/2010 22h16 Em 1994, estavam prevendo que a CHina neste ano, ia ser a maior potencia mundial. Pois ultrapassaria os EUA. E também, a China está investinfo US$13 bilhões de dólares em energia renovável como a eólica. A maior indústrai de eólicos do mundo é da China. Na década de 60 quando a ex URSS enviou pesquisadores para desenvolver tecnologiacamente a China, pois a China começou a desenvolver bombas de hidrogÊnio, pois acarretou o conflito sino sovietico. E também, todos carros de luxos famosos, vai ser a China.
    Renato
    Itapeva - SP
  • ascensão da China...

    16/08/2010 21h59
    Bem vindo a chegada de novos tempos, sobretudo aquele que tras a mudança, quando não total derrocada do capitalismo, mas a transferência do eixo de decisões do ocidente pelo oriente (China), levando ao debacle do imperialismo do G-7,com a determinação dos povos da AL, África, Ásia na luta pela derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho. Isso, sem o ingênuo pensamento de que a materialidade do sistema se transfira totalmente às mãos dos trabalhadores, sem o que, a caminho,porém, utópico.
    fernandes
    São Luís de Montes Belos - GO
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sábado, agosto 14, 2010

Ameaça Nuclear

  • Ângelo Alves

O que é novo é a profunda hipocrisia que os rodeia
A «Nobel» hipocrisia
Se é um dever assinalar, a cada ano que passa, o crime dos EUA em Hiroshima e Nagasaki, no ano em que se assinalam os 65 anos do holocausto nuclear esse dever e essa responsabilidade é ainda maior. Infelizmente nem as autoridades, nem a imprensa em geral, deram o destaque necessário a este trágico aniversário e quando o fazem esforçam-se por ocultar ou mitigar um dos mais importantes factos dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki: O lançamento das duas bombas atómicas sobre estas duas cidades foi um acto de puro terrorismo de Estado. Não foi sequer um acto de guerra, já de si fortemente condenável. A Segunda Guerra Mundial estava na prática terminada e o Japão imperial preparava-se para assinar a sua rendição na sequência da decisão da URSS de abrir a frente contra o Japão.
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Mas se o recorrente branqueamento deste inegável facto histórico é, para a memória das vítimas de Hiroshima e Nagasaki e para os amantes da paz, um insulto, o que aconteceu este ano no Japão nas cerimónias oficiais que assinalaram os 65 anos do holocausto nuclear revestiu-se de contornos tenebrosos.

No mesmo exacto período em que os EUA – potência nuclear que nunca efectuou sequer um pedido de desculpas ao povo Japonês pelo hediondo crime que cometeu - estão envolvidos em gigantescas e «explosivas» provocações contra o Irão e a Coreia do Norte em nome de um suposto «combate à proliferação nuclear», as referidas cerimónias contaram pela primeira vez com a presença do mbaixador John Ross que, por via de um hipócrita comunicado da representação diplomática dos EUA em Tóquio, afirma ter estado ali presente «para expressar respeito por todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial», declarando simultaneamente que os EUA e o Japão «compartilham o objetivo comum de avançar na visão do presidente Obama de conseguir um mundo sem armas nucleares»(1)
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Mas, se as afirmações de John Ross são carregadas de hipocrisia e reveladoras do estado de coordenação entre Japão e EUA na estratégia do imperialismo, as declarações do primeiro-ministro japonês não se ficam atrás e são de extrema gravidade. Naoto Kan, o homem que substituiu o anterior primeiro ministro Yukio Hatoyama - forçado a demitir-se na sequência da declaração da intenção de encerrar, pelo menos em parte, a base militar dos EUA em Okinawa e da decisão de revelar tratados secretos entre os EUA e o Japão que previram, durante a «guerra fria», o trânsito de armas nucleares no País – afirmou em conferência de imprensa que o Japão necessita «contar com a disuassão nuclear»(2), realçando «a importância que tem para o país o guarda-chuva nuclear» dos EUA.

As declarações de Naoto Kan são bem reveladoras da «reviravolta» política operada em Junho no Japão. Uma reviravolta operada com evidente «dedo» norte-americano, que pode não estar desligada da muito mal contada «estória» do afundamento da corveta sul-coreana Cheonan, e que fez pressionar a fundo o acelerador da militarização do Japão, do ataque à sua Constituição pacifista (apesar de declarações de cirscunstância e de divisões no poder político japonês importantes) e da participação activa no projecto de criação de uma «nova NATO» para o extremo oriente e de aí se desenvolver também a versão moderna da guerra das Estrelas de Reagan.
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Estas não são tendências e projectos imperialistas propriamente novos. O que é novo é a profunda hipocrisia que os rodeia
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(1) Agência EFE – 6 de Agosto
(2) Agência EFE – 9 de Agosto
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N.º 1915 - Avante
12.Agosto.2010
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sexta-feira, agosto 06, 2010

Hiroshima e Nagasaki relembram 65 anos de ataque dos EUA

Mundo

Vermelho - 5 de Agosto de 2010 - 8h04

Em 2010 se comemora o 65º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, um feito de luta e de resistência aos povos que pôs um fim a um período de terror que marcou a história recente da humanidade. Esse aniversário também está associado, mas não por boas razões, ao primeiro bombardeio atômico de duas cidades. As japonesas Hiroshima e Nagasaki foram as primeiras vítimas da nova arma.

Por Humberto Alencar

Na manhã de 6 de agosto de 1945, Hiroshima foi a primeira cidade do mundo arrasada por um ataque nuclear: 140 mil pessoas foram mortas instantaneamente e dezenas de milhares morreram ao longo dos anos em consequência da ação letal da radiação deixada pela explosão.

Leia também
Três dia depois seria a vez de Nagasaki presenciar o desfecho de um dos crimes mais hediondos cometidos contra a Humanidade. Mais de 80 mil pessoas foram desintegradas pela explosão atômica de imediato. Os Estados Unidos haviam arrasado completamente duas cidades japonesas sem importância estratégica militar que justificasse um ataque.

A guerra no Pacífico já se encontrava em seus momentos finais. Em julho daquele ano o governo japonês já estudava as condições para a rendição, já que o país se encontrava praticamente cercado, desabastecido e destruído por sucessivos ataques aliados.

O Projeto Manhattan, que planejou e concretizou a nova arma, tinha sido concebido originariamente como um contra-ataque ao programa da bomba atômica da Alemanha nazista. Com a derrota da Alemanha, vários cientistas que trabalhavam no projeto consideraram que os EUA não deveriam ser os primeiros a usar tais armas. Um dos críticos proeminentes dos bombardeios foi Albert Einstein.

Com extrema hipocrisia, o imperialismo justifica o seu crime afirmando que poupou vidas que seriam perdidas com uma eventual invasão do Japão. O processo de revisão da História, em curso atualmente, investe na diminuição do significado e do impacto desse ato terrorista, omitindo o nome dos seus autores e diluindo os motivos reais que levaram à execução do crime.

A verdade de Hiroshima e Nagasaki tem a sua raiz na manifestação demente de poderio militar dos Estados Unidos diante do mundo, em particular diante da União Soviética, potência aliada vencedora da Segunda Guerra Mundial, procurando desta forma submeter o mundo e os povos, através da chantagem nuclear, às suas pretensões hegemônicas.

Antes de deflagrar o ataque, vários cientistas defendiam que o poder destrutivo da bomba poderia ser demonstrado sem causar mortes. Esses cientistas não foram ouvidos. A situação militar e estratégica do Japão era tão frágil que até mesmo setores do exército americano reconheciam, em um estudo, que a explosão das duas bombas foi desnecessária.

O United States Strategic Bombing Survey escreveu, após ter entrevistado centenas de japoneses civis e líderes militares, depois da rendição do Japão: "Baseado numa investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos sobreviventes líderes japoneses envolvidos, é a opinião da Survey que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945, e, em todas as probabilidades, antes de 1.º de novembro de 1945, o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo se a invasão não tivesse sido planejada."

O bombardeio

Na madrugada de 6 de Agosto de 1945 o bombardeiro B-29, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Ocidental, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão. A aeronave chamava-se Enola Gay, nome da mãe do piloto.

A meteorologia determinou a escolha do dia 6. No momento da decolagem, o tempo estava bom. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, desarmada durante a decolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se como esperado.

Inicialmente, o alvo seria Quioto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas o secretário da Guerra, Henry Stimson, trocou-o por Hiroshima, por ser uma cidade situada entre montanhas, detalhe que amplificaria os efeitos da explosão.

O avião aproximou-se da costa a mais de 8 mil metros de altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno não mais do que três, provavelmente - e o alerta de ataque aéreo foi levantado.

Os três aviões eram o Enola Gay, o The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião que no momento não tinha batismo mas que mais tarde seria chamado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.

Às 8h15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 mil toneladas de TNT, matando instantêneamente um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas e destruindo mais de 90% das construções da cidade.

Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano era de jogar a bomba sobre Kokura, em Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, escolhendo a segunda opção. Os americanos não consideravam Nagasaki "um alvo ideal" porque a cidade é rodeada por montanhas, o que diminuiria a devastação de gente e de edifícios.

A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima.

As forças de ocupação dos EUA censuraram as fotos das cidades bombardeadas. Elas foram classificadas como secretas por muitos anos. O governo dos Estados Unidos queria impedir que as imagens do horror fossem vistas pelo mundo.

Símbolo da luta pela paz

O viajante que chega à moderna e povoada cidade de Hiroshima fica maravilhado com os grandes e suntuosos edifícios, hotéis e bem delineadas avenidas por onde passam milhares de veículos.

No entanto, no meio deste turbilhão deslumbrante, o visitante não pode esquecer que se encontra na primeira cidade praticamente volatizada pelo afã dos Estados Unidos de dominar o mundo.

Este impacto é recebido quando se visita e percorre o Parque da Paz, o Museu das Vítimas e a chama eterna adiante do cenotáfio negro que inscreve os nomes das vítimas do genocídio da Casa Branca para chantagear o mundo dia 6 de de agosto de 1945.

A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, que está no Japão participando dos eventos em memória da tragédia, descreve por e-mail enviado à redação do Vermelho a sensação que teve ao visitar o Museu das Vítimas e o Parque da Paz: "O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroshima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque".

"O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado", relatou.

"É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!" protestou Socorro.
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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Mundo bipolar: China crescerá três vezes mais que EUA


Economia

Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h38

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Chineses devem puxar a recuperação mundial este ano. Gigante asiático deve cresecr tr~es vezes mais do que EUA e confirmar sua posição no novo mundo bipolar.

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Com a previsão de analistas e economistas de que o país deve, no mínimo, crescer 9% ao ano, a China firma-se como principal candidato a ser o antagonista dos Estados Unidos num novo mundo bipolar que se desenha para os próximos anos. Essa condição ganha relevo quando os mesmos analistas e economistas projetam crescimento de pouco mais de 1% para o Japão e para a Zona do Euro, e cerca de 3% para os Estados Unidos, para este ano.
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As previsões são reforçadas pelos dados do último mês de 2009. Mês passado, o índice HSBC China de gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) - um indicador da atividade da produção industrial nacional - subiu para 56,1, contra 55,7, em novembro. A informação foi divulgada pelo HSBC Holdings.  Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI ficou acima de 50, patamar que indica expansão da atividade industrial.
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"O efeito da segunda rodada de medidas de estímulo está se infiltrando para beneficiar substancialmente o setor manufatureiro, como esperávamos", disse economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin. "Embora os preços dos insumos e dos produtos industrializados têm aumentado, a inflação deverá ser administrável nos próximos meses", acrescentou. O PMI, compilado pela empresa britânica Markit Group, é divulgado no primeiro dia de trabalho de cada mês e refere-se ao mês anterior.
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Os dados reforçam as previsões de que a Ásia, em particular a China, deve puxar a recuperação global em 2010. A produção industrial chinesa, em novembro, já dera sinais de expansão sustentada, sem expressivo apoio do pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 585 bilhões) do final de 2008. As importações cresceram pela primeira vez em 13 meses e as exportações sugeriram recuperação.
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Com agências e Monitor Mercantil 

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quarta-feira, janeiro 13, 2010

““Lost Decade” in Translation: What Japan’s Crisis could Portend about Recovery from the Great Recession” - Murtaza Syed, Kenneth Kang, e Kiichi Tokuoka

As lições do Japão para a actual crise
10 Janeiro 2010

[Paper] ““Lost Decade” in Translation: What Japan’s Crisis could Portend about Recovery from the Great Recession”

[Autores] Murtaza Syed, Kenneth Kang,
e Kiichi Tokuoka

[Publicação] FMI, Dezembro 2009

[Classificação JEL] E00, F00, N100

[Palavras Chave] Japan, Lost Decade, Financial Crisis, Great Recession, Green Shoots, Exit
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Murtaza Syed, Kenneth Kang e Kiichi Tokuoka estudam a crise japonesa para retirar algumas conclusões sobre a actual situação e as medidas de política económica mais adequadas. E as lições a reter são quatro: indicadores positivos não são garantia de recuperação; é necessário resolver as fragilidades financeiras; os estímulos macroeconómicos facilitam o ajustamento mas têm custos e, por isso, é aconselhável ter planos a médio prazo.
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[Artigo] Este artigo publicado pelo FMI olha para a crise japonesa que teve início na década de 90 para tirar algumas conclusões sobre a sustentabilidade da recuperação económica actualmente em curso, uma vez que ambas as crises tem características semelhantes.
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[Abordagem] Os autores analisam os paralelismos e retiram algumas implicações para a situação actual a partir da experiência japonesa, em termos de perspectivas económicas e também caminhos a seguir pela política económica.
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[Conclusões] O caso japonês permite retirar quatro lições: i) haver indicadores positivos não é uma garantia de recuperação e é necessário ser cauteloso; ii) as fragilidades financeiras deixam a economia vulnerável a choques e devem ser resolvidas para assegurar a durabilidade da recuperação; iii) os estímulos macroeconomicos facilitam o ajustamento mas têm custos; iv) é difícil encontrar o momento exacto para retirar os estímulos e ter planos a médio prazo ajuda.
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[Comentário] O Japão é um óptimo exemplo para compreender as implicações da actual crise financeira e as respostas mais adequadas em termos de política económica. Retirar lições do passado é sempre importante para melhor actuar no futuro, mas a crise que se vive está demasiado espalhada pela economia mundial para haver apenas um caminho. São muitas realidades nacionais diferentes que podem exigir respostas distintas.
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e.conomia.info
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sábado, novembro 14, 2009

WSWS - News 2009.11.12


New Today -- 12 November 2009




Perspective

Obama and the jobs crisis

In the face of a record rise in joblessness, the Obama administration is continuing to demonstrate its callous indifference to the plight of millions of unemployed workers and their families.



News & Analysis

One million jobs at risk
Ten US states face budget disaster

Two reports made public Wednesday underscore the colossal dimensions of the social and financial crisis in the United States. California and nine other US states face severe budget crises that could force mass layoffs and cuts in public services like education.

German defence minister defends Kunduz massacre

BBC poll shows widespread disaffection with capitalism

Naval clash between two Koreas as Obama heads to Asia

New Japanese government under pressure to slash social spending

Right-wing campaign against Brown to ensure Afghan escalation

Schools "pushed toward the edge of a cliff"
Educators discuss impact of Michigan cuts




Book Review

In The Service of Historical Falsification
A Review of Robert Service's Trotsky: A Biography




Socialist Equality Party

Public Meeting in London
Historians in the service of the Big Lie
An examination of Robert Service's new biography of Leon Trotsky




Commentary

Australian Pabloites prepare NPA-style dissolution




Correspondence

Letters on the shooting at Fort Hood

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sábado, novembro 07, 2009

Nas estepes da Mongólia - Uma vitória transcendente do internacionalismo



Nas estepes da Mongólia
Uma vitória transcendente do internacionalismo



Na historiografia ocidental são raras as referências à batalha travada junto ao rio Khalkhin-Gol entre Maio e Setembro de 1939. A severa derrota ali infligida pelas tropas conjuntas da Mongólia Popular e da União Soviética ao exército de Kwantung do Japão imperialista permanece amplamente ignorada, tal como o significado da curta mas intensa guerra de Khalkhin-Gol. Facto ainda mais sonante porque contrasta com a vastíssima campanha ideológica de deturpação e revisão da história do século XX, visando extirpá-la dos seus avanços revolucionários e libertadores e denegrir e apagar o papel dos comunistas e da URSS, hoje empreendida. Campanha de cariz anticomunista que ultrapassa todos os limites imagináveis num passado recente, chegando ao ponto de pôr em causa as próprias decisões do Tribunal de Nuremberga(1).

E, contudo, na véspera do início da II Guerra Mundial o desaire do militarismo japonês naquela região remota da Mongólia oriental junto à fronteira chinesa da Manchúria – que desde 1931 se encontrava sob a ocupação do regime fascista nipónico – haveria de exercer uma influência profunda no próprio curso da mais destrutiva guerra de sempre na História.
Tóquio arquitectou a intervenção militar de 1939 na República Popular da Mongólia(2) como uma «questão fronteiriça», socorrendo-se, inclusive, de mapas topográficos falseados em que a linha da fronteira mongol oriental aparecia deslocada mais de vinte quilómetros para ocidente, alcançando o curso do rio Khalkhin-Gol. Um pretexto que pretendia encobrir as reais motivações, de carácter expansionista, do imperialismo japonês, nomeadamente os planos que apontavam em direcção ao território da Sibéria e extremo oriente da URSS. Para o Japão, o corredor mongol delimitado pelo rio Khalkhin-Gol, funcionando como barreira natural, representava uma via privilegiada de acesso em direcção à Transbaicália e ao coração da cobiçada Sibéria Oriental. E a visão da tenaz que se fecharia sobre a URSS a partir de ocidente e oriente era cara ao militarismo japonês e aos propósitos megalómanos das potências fascistas do Eixo(3). A argumentação urdida pelos estrategas japoneses em Khalkhin-Gol seria totalmente desmascarada depois do final da II Guerra Mundial no decurso do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente que julgou os crimes de guerra do imperialismo japonês.
Um ano antes, também invocando pretensões de carácter fronteiriço, o Japão já tinha provocado um conflito militar com a URSS no extremo oriente. A incursão de unidades japonesas, a partir do território coreano, na zona da URSS da fronteira tripartida entre a URSS, China e Coreia, desencadeada no final de Julho de 1938 e que ficou conhecida como a batalha do Lago Khasan, acabou por ser repelida pelas forças soviéticas comandadas pelo marechal Bliúkher ao fim de duas semanas de combates encarniçados(4).
Quando, em Maio de 1939 as tropas japoneses cruzaram a fronteira da Mongólia na zona de Khalkhin-Gol, o expansionismo japonês na Ásia oriental era já uma realidade em pleno desenvolvimento. A Coreia fora anexada ainda em 1910. Na Manchúria, depois da invasão do exército de Kwantung (que integrava as mais numerosas e bem preparadas unidades do Exército Imperial Japonês), o Japão orquestrou a criação, em 1932, do estado títere de Manchukuo (designado Grande Império Manchukuo), à frente do qual colocou como regente o último representante da decadente dinastia chinesa Qing. A intervenção japonesa numa China há décadas sujeita ao jugo e disputa das principais potências imperialistas ampliou-se com a segunda guerra sino-japonesa, lançada sem declaração prévia por Tóquio em 1937. Pequim e Nanquim – na altura a capital da República da China – tombaram sob a ocupação japonesa, que ficou marcada por monstruosas atrocidades. O Massacre de Nanquim constitui um dos mais abomináveis crimes de guerra e genocídio do século XX.
«Guerra não declarada em Khalhin-Gol». É assim que Jukov, o mais destacado comandante militar da URSS, que em Khalkhin-Gol celebraria a sua primeira grande vitória militar como comandante de tropas – que lhe valeu a primeira das quatro estrelas douradas de Herói da União Soviética com que foi agraciado – qualifica o confronto militar de 1939 na Mongólia com o Japão imperialista, ao qual dedica um capítulo das suas memórias(5).
A direcção soviética avaliou o ataque surpresa, em Maio de 1939, das forças manchus e japonesas contra as tropas fronteiriças da Mongólia e o seu avanço até à margem esquerda (oriental) do Khalkhin-Gol, não simplesmente como uma mera escaramuça numa terra inóspita e, escassamente, povoada por nómadas, mas como uma «perigosa aventura militar» que tinha como principal alvo a própria URSS.
No início de Junho, Gueorgui Jukov, talentoso tenente-general, perto de completar 44 anos, e vice-comandante da Região Militar da Bielorrússia, é chamado a Moscovo e imediatamente enviado para a Mongólia a fim de inteirar-se da situação e, se necessário, assumir o comando das operações do 57.º Corpo de Forças Especiais soviéticas em defesa da integridade territorial da Mongólia(6). A 5 de Junho Jukov já se encontra em Tamsak-Bulak, o quartel-general das forças soviéticas (deslocadas da Região Militar da Transbaicália) na Mongólia, situado a cerca de 120 quilómetros da linha da frente.
Avaliada a situação no terreno, que confirmou a superioridade numérica do 6.º Exército japonês e das forças fantoches manchus, Jukov solicitou ao Estado-Maior em Moscovo, o reforço de unidades de infantaria, de tanques pesados, aerotransportadas e da aviação. O plano aprovado pelas forças conjuntas soviéticas e mongóis previa o sólido fortalecimento das posições defensivas na margem direita do rio Khalkhin-Gol e a preparação de um contra-ataque demolidor, para desbaratar e expulsar o inimigo de território mongol.
Durante mais de dois meses, a acção das tropas soviéticas – em conjunto com as unidades mongóis comandadas por Choibalsan – foi crucial para travar e repelir o ímpeto das sucessivas vagas ofensivas japonesas. Estas apenas uma vez lograram transpor a margem direita do Khalkhin-Gol, sendo forçadas quase de imediato a recuar, sofrendo pesadas baixas. Porém, o inimigo continuava entrincheirado em território da Mongólia.
Nas batalhas daquelas semanas, sob o escaldante calor estival da estepe quase desértica, participaram dezenas de milhares de homens e um elevado número de aviões, tanques, blindados e peças de artilharia de cada lado. O poeta e escritor soviético, Konstantin Simonov – para quem Khalkhin-Gol constituiu a estreia na frente de batalha e que, como correspondente de guerra do jornal Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), cobriu toda a II Guerra Mundial, acompanhando as tropas soviéticas até Berlim –, lembraria mais tarde, em «Longe no Oriente(7), a intensidade das batalhas naquele Verão de 1939, referindo, por exemplo, jamais ter presenciado, ao longo da sua vasta experiência de guerra, uma tal quantidade de aviões de combate no ar em simultâneo – «várias centenas de cada lado» –, como em Khalkhin-Gol.
Com as linhas de abastecimento a 700 quilómetros da frente de batalha, o Exército Vermelho montou uma extraordinária operação logística por terra, determinante para o sucesso da operação.
O impasse em Khalkhin-Gol foi quebrado a 20 de Agosto: antecipando-se aos planos de um novo ataque japonês, as tropas comandadas por Jukov lançaram uma manobra fulminante de larga escala, surpreendendo as tropas ocupantes. Em três dias de intensos combates as forças japonesas foram cercadas. A batalha prosseguiu até dia 31 quando as últimas posições japonesas em território da Mongólia foram completamente derrotadas. O 6º Exército Imperial do Japão acabara de sofrer uma derrota humilhante em Khalkhin-Gol na véspera do início da II Guerra Mundial. Com a ajuda da União Soviética, a soberania e integridade territorial da Mongólia tinham sido defendidas. A 15 de Setembro, Tóquio assinava o acordo de cessar-fogo e dois anos depois(8) reconhecia o traçado da fronteira da Mongólia.
A dura lição recebida na Mongólia aplacou definitivamente a veleidade agressiva do Japão em relação à URSS. A derrota categórica do Japão foi um dos factores determinantes que impediu que a URSS fosse obrigada a combater em duas frentes na guerra de 1941-45. A confirmação de que o Japão não tencionava atacar a URSS, transmitida de Tóquio por Richard Sorge (que avisara a direcção soviética para o início da operação Barbarossa pela Alemanha nazi, desencadeada a 22 de Junho de 1941) permitiu, nos dias especialmente críticos do Outono de 1941, a transferência para os arredores da capital soviética de importantes reforços militares provenientes do extremo oriente – entre os quais algumas das unidades que tinham combatido em Khalkhin-Gol.
A derrota nazi na batalha de Moscovo, comandada por Jukov – impedindo a queda da capital e contendo a progressão alemã –, marcaria o início da contra-ofensiva da URSS e da reviravolta na II Guerra cujo destino seria decidido em Stalingrado.
No caminho da imortal vitória do povo soviético sobre o nazi-fascismo, que configurou o mundo e a ordem internacional que chegaram aos nossos dias, Khalkhin-Gol constituiu, como recorda Jukov(9), uma valiosa escola de internacionalismo e experiência de combate.
O seu exemplo não foi em vão e não será esquecido.

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(1) Veja-se os exemplos da vergonhosa resolução anticomunista do Conselho da Europa (2006) e da recente moção aprovada pela Assembleia Parlamentar da OSCE que coloca em plano de igualdade a Alemanha nazi e a União Soviética. O processo de grotesca mistificação da história e branqueamento dos crimes do fascismo revela-se também – assumindo contornos ainda mais inquietantes – na reabilitação oficial ou semi-oficial das legiões nazis e forças fascistas e nacionalistas que colaboraram com o ocupante nazi que se verifica – contando com a conivência silenciosa de Bruxelas – em diversos países da UE, com especial destaque para as três repúblicas bálticas e também na Ucrânia.
(2) Depois da segunda e definitiva declaração da independência e a vitória da revolução, em 1921, sob a influência e com o apoio da gesta revolucionária russa e da URSS, constituída no final de 1922, a República Popular da Mongólia foi proclamada em 1924.
(3) Em 1936, o Japão assinou com a Alemanha nazi o Pacto Anti-Comintern dirigido contra a URSS e o movimento comunista internacional.
(4) Cabe aqui igualmente recordar que depois da revolução de Outubro, em 1918, as tropas japonesas desembarcaram em Vladivostok e participaram na ocupação da região de Primórie no extremo oriente da Rússia, que terminou apenas após a vitória do poder soviético na guerra civil russa.
(5) A versão electrónica da 12.ª e mais recente edição das memórias de Jukov – Jukov G. K., Vospominania i Razmychlenia (Memórias e reflexões), em dois tomos, Moscovo, Olma-Press, 2002 – está disponível em http://militera.lib.ru/memo/russian/zhukov1/index.html
(6) O tratado de amizade e aliança entre Moscovo e Ulan-Bator, renovado em 1936, previa a ajuda militar da URSS à Mongólia em caso de agressão externa.
(7) Konstantin Simonov, Sobranie Sochinenia (Colectânea de Obras), tomo 10, Moscovo, Khudojestvennaia Literatura, 1984.
(8) Em Abril de 1941 a URSS e o Japão assinaram um tratado de não-agressão.
(9) Diferentemente da guerra de 1939-1940 na Finlândia.


in Avante 2009.11.05
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segunda-feira, agosto 10, 2009

Hirochima lembra aniversário de bomba atômica




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Com o tradicional minuto de silêncio, voo de pombas brancas e uma conclamação à paz, Hirochima relembrou nesta quinta-feira o 64º aniversário de sua destruição nuclear pelos Estados Unidos, no primeiro ataque do tipo no mundo.


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A bomba atômica lançada sobre a populosa cidade do oeste japonês, em 6 de agosto de 1945, foi seguida por uma segunda, três dias depois, em Nagasaki, onde morreram 70 mil pessoas.

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Mais de 50 mil pessoas estiveram presentes ao ato, inclusive sobreviventes (hibakusha) do holocausto, participando da cerimônia de homenagem realizada a poucos metros da Cúpula de Genbaku, um salão de exposições do qual restou apenas o domo e sua estrutura calcinada, único edifício que se manteve de pé após a explosão da bomba.

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O primeiro ministro Taro Aso e integrantes de seu gabinete estavam presentes também, assim como os representantes de cerca de 60 países, ante o monumento de granito dedicado aos 140 mil mortos pelo artefato jogado pelos Estados Unidos, quando os militaristas japoneses já estavam praticamente derrotados, no final da Segunda Guerra Mundial.

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Décadas depois desse massacre, milhares de pessoas morrem a cada ano por causa dos efeitos da radiação, que gera enfermidades como a Leucemia ou outros tipos de câncer, cujos nomes são inscritos então no monumento de granito negro.

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Em um breve discurso, o prefeito de Hirochima, Tasatoshi Akiba, defendeu a abolição das armas nucleares até o ano de 2020 e assegurou que os "hibakusha" seguem sofrendo um inferno.

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Akiba pediu ao governo japonês apoio aos hibakusha, inclusive aos que foram vítimas da chuva negra e aos que vivem no exterior.

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Taro Aso reiterou por sua vez a promessa de que o Japão acatará firmemente os três princípios anti-nucleares e liderará a comunidade internacional para conseguir o objetivo de abolir as armas atômicas e conseguir uma paz duradoura.

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Entretanto, Aso admitiu em uma coletiva de imprensa que um mundo sem armas nucleares só pode existir se todas as bombas desse tipo desaparecerem "de uma só vez" do planeta.

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Sustentou que, em circunstâncias normais, é inimaginável e não é justo crer que, se alguém as abandonar unilateralmente, os outros as abandonarão também.

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Agência Prensa Latina
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in Vermelho - 6 DE AGOSTO DE 2009 - 20h16
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quinta-feira, agosto 09, 2007

Crimes contra a Humanidade (3) - Hiroshima e Nagasaki

Nunca Mais

Enola Gay - bombardeiro nuclear

Litlle Boy - a bomba nuclear lançada sobre Hiroshima em 6 agosto 1945

Objectivos Militares

Hiroshima - Mais brilhante que mil sóis


Relógio parado na hora da explosão
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Nagasaki - 9 Agosto 1945

Nagasaki

Hiroshima




Hiroshima







Hiroshima

Hiroshima


Seven years after the atomic bombing of Hiroshima
hastily dug graves were excavated

1.5 miles the hypocenter


The charred remains of a boy found on August 10th, 20700_meters from the hypocenter in Nagasaki


Nagasaki - 10 de Agosto de 1945


Mãe aleitando o filho

Sobrevivente com queimaduras



A girl with her skin hanging in strips, at Ohmura Navy Hospital on August 10-11

Nagasaki - Queimaduras num sobrevivente
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Queimaduras
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Para saber mais ver:
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A-Bomb WWW Museum - http://www.csi.ad.jp/ABOMB/


terça-feira, setembro 19, 2006

EFEMÉRIDES ENTRE AGOSTO E SETEMBRO



1.- O HOLOCAUSTO NUCLEAR, no Japão

Com a rendição incondicional do Japão em 14 de Agosto de 1945 terminou a mortífera 2ª Grande Guerra Mundial, precedida do lançamento, pelos EUA, das duas primeiras bombas atómicas, sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaqui, completamente arrasadas, respectivamente em 6 e 9 de Agosto desse ano.

Dos 400 mil habitantes de Hiroshima, cerca de 260 mil morreram instantaneamente. Em Nagasaqui, com cerca de 170 mil habitantes, o lançamento da bomba nuclear provocou de imediato cerca de 39 mil mortos, atingindo nos dois casos cerca de 200 mil feridos cuja forma de tratamento era completamente desconhecida.

A necessidade militar deste acto de barbárie é questionado, resultando duma decisão do Presidente Truman que não teve em conta a opinião de comandos militares dos EUA nem o facto do Japão estar derrotado, designadamente após a declaração de guerra feita pela URSS com a consequente invasão da Manchúria.

As sequelas dos bombardeamentos ainda se fazem sentir nos dias de hoje entre as populações civis japonesas e seus descendentes e acabaram por dar origem à corrida aos armamentos entre os EUA e a URSS bem como ao aparecimento de várias potências nucleares, algumas regionais, apesar dos tratados de não proliferação nuclear.

2.- ONZE DE SETEMBRO, no Chile

Em 11 de Setembro de 1973 um golpe militar apoiado pelos EUA e liderado pelo General Pinochet derrubou o Governo democrático de Salvador Allende, pondo fim a uma experiência de transição pacífica para o socialismo, por via eleitoral.

Por detrás do golpe militar estava o Secretário de Estado norte americano Henry Kissinger, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1973, que afirmara: «Eu não vejo porque nós temos de esperar e olhar um país se tornar comunista devido a irresponsabilidade de seu povo»

Apesar da dissolução do Parlamento e da imediata instauração duma feroz e repressiva ditadura, das caravanas da morte e do assassinato e tortura de milhares de chilenos, o Governo de Pinochet foi reconhecido quase de imediato pelos EUA, cujo Presidente na altura era Nixon, e apoiado durante 17 anos.

Nada de original para um País que em nome da «Democracia e da Liberdade», por todo o mundo, incluindo a América Latina, conspira para derrubar Governos que ponham em causa os interesses do capitalismo, travestido de «economia de mercado» mais ou menos «neo-liberal».

3. - Vinte e oito de SETEMBRO, em Portugal

Um fracasso foi o 28 de Setembro de 1974, em Portugal, onde abortou uma pretensa «manifestação da maioria silenciosa», apoiada pelo então Presidente da República General Spínola, para tentar travar a participação popular nas transformações sociais e políticas emergentes do 25 de Abril de 1974 e tentar também inverter o processo de descolonização então em curso.

Aqui não foram avante as teses de Kissinger para transformar Portugal numa «vacina» exemplar para a Europa, apostando-se com êxito no PS de Mário Soares que, desde 1976, em alternância com o PPD/PSD e a muleta do CDS/PP, em nome da «democracia e da liberdade», têm rasgado sucessivas promessas eleitorais, trapaceando sistematicamente o sentido maioritário do voto popular.

Assim, desde 25 de Novembro de 1975 e após as eleições de 1976, aqueles partidos, paulatinamente, têm traído e destruído as esperanças, os sonhos e as conquistas de Abril. Esperanças, sonhos e conquistas então consagradas pela Assembleia Constituinte, que se pretendiam baseadas na Paz entre os Povos e na construção duma democracia política, económica, cultural e social rumo ao socialismo e a uma sociedade igualitária, mais justa, fraterna, livre e solidária.
VN