A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, maio 01, 2011

21,3% dos jovens sem emprego


Lisboa
Tiago Sousa Dias
ex-secretário de Estado das Comunidades e deputado do PSD, José Cesário, afirma que a dimensão da nova emigração portuguesa atingiu níveis “impressionantes”
Crise

21,3% dos jovens sem emprego

Um em cada cinco atingido por flagelo social.
  • 30 Abril 2011
  • Nº de votos (3)
Por:Raquel Oliveira


O desemprego é a consequência mais dramática da crise económica. Em Portugal os números oficiais apontam para 11,1% em Março, contra 10,7% em igual período do ano anterior, segundo dados revelados ontem pelo gabinete europeu de estatísticas, o Eurostat. E a geração mais ‘à rasca’ é a dos jovens à procura de emprego, onde a taxa de desemprego sobe para 21,3%. Ou seja, mais de um em cada cinco não consegue encontrar trabalho. 
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O flagelo atinge quase toda a Europa. As últimas contas ao desemprego na União Europeia revelam um universo de mais de 22,8 milhões de cidadãos sem trabalho, correspondente a uma taxa de 9,5%. 
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A taxa de desemprego nacional representa cerca de 650 mil de-sempregados, 294 mil dos quais encontram-se ainda a receber o subsídio. Ou seja, a maioria dos desempregados não recebe apoio estatal. 
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O secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Valter Lemos, classificou ontem como positiva a estabilização da taxa de desemprego nos 11,1 por cento no primeiro trimestre deste ano, realçando a recuperação de alguns sectores económicos. 
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Valter Lemos realçou que há sectores que estão "a recuperar muito bem, nomeadamente o da exportação, como o calçado e o têxtil, duas áreas de grande volume de emprego", mas admitiu que outros, como o da construção civil, "continuam em crise grave". 
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Espanha apresenta a taxa de desemprego mais elevada entre os 27 países da União Europeia, com 20,7 por cento, o que representa perto de cinco milhões de desempregados. O Instituto Espanhol de Estatística também divulgou ontem dados sobre o desemprego, tendo revelado que existem já 1,3 milhões de lares em que todos os membros estão sem trabalho. 
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Também entre os jovens as estatísticas revelam que a taxa se situa acima dos 44 por cento, colocando Espanha no primeiro lugar da ‘lista negra’ do desemprego juvenil.
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Na União Europeia a taxa de desemprego manteve-se estável relativamente a Fevereiro, situando-se nos 9,5%. A Holanda (4,2 por cento), Áustria (4,3 por cento) e Luxemburgo (4,5 por cento) registam as taxas mais baixas. 
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EMIGRAÇÃO SURGE COMO ALTERNATIVA
O ex-secretário de Estado das Comunidades e deputado do PSD, José Cesário, afirmou ontem que a dimensão da nova emigração portuguesa atingiu níveis"impressionantes",principalmente na Europa e em África. "Esse fluxo é mais evidente de alguns anos a esta parte, em 4-5 anos agudizou-se bastante", sublinha José Cesário, recordando que fora da Europa destaca-se o caso de Angola como destino de emigração.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Ei-los que partem - Manuel Freire


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Ícone de canal

olidisk

Tema interpretado ao vivo no programa da RTP "Sabadabadu"
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Enviado por Lia (hi5)
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Ei-los que partem
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Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos
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Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados
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Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia
ou não
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http://www.lyricstime.com/manuel-freire-ei-los-que-partem-lyrics.html
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[PDF]

História da Emigração Portuguesa-dossier imprensa

Formato do ficheiro: PDF/Adobe Acrobat -
da RTP “EI-LOS QUE PARTEM” A História da Emigração Portuguesa, em boa hora vem contrariar. Esta série de cinco documentários explora os traços fundamentais ...
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domingo, agosto 09, 2009

Fidel: Sete punhaladas (dos EUA) no coração da América

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Leio e releio dados e artigos elaborados por personalidades inteligentes, conhecidas ou pouco conhecidas, que escrevem em diversos meios e tomam a informação de fontes não questionadas por ninguém. Os povos que habitam o planeta, em todas as partes, correm riscos econômicos, ambientais e bélicos, derivados da política dos Estados Unidos, porém em nenhuma outra região da terra se veem ameaçados por tão graves problemas como seus vizinhos, povos que vivem neste continente, ao sul deste país hegemônico.


Por Fidel Castro, no Cuba Debate


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A presença de tão poderoso império - que em todos os continentes e oceanos dispõe de bases militares, porta-aviões e submarinos nucleares, navios de guerra modernos e aviões de combate sofisticados, portadores de todo tipo de armas, milhões de soldados, cujo governo reclama para eles impunidade absoluta - constitui a mais importante dor de cabeça de qualquer governo, seja de direita, seja de esquerda, aliado ou não dos Estados Unidos.
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O problema para nós, que somos seus vizinhos, não é que ali se fale outro idioma e que seja uma nação diferente. Há norte-americanos de todas as cores e todas as origens. São pessoas iguais a nós e capazes de qualquer sentimento em um sentido ou outro.
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O dramático é o sistema que ali se desenvolveu e foi imposto a todos. Tal sistema não é novo quanto ao uso da força e dos métodos de domínio que prevaleceram ao longo da história. O novo é a época que vivemos.
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Abordar o assunto do ponto de vista tradicional é um erro e não ajuda ninguém. Ler e conhecer o que pensam os defensores do sistema ilustra muito, porque significa estar consicente da .natureza de um sistema que se apóia no egoismo e nos instintos mais primários das pessoas.

Pelo fato de não existir a convicção do valor da consciência, e sua capacidade de prevalecer sobre os instintos, não se poderia expressar sequer a esperança de mudança em qualquer período da bervíssima história do homem. Tampouco se poderiam compreender os terríveis obstáculos que se levantam para os diferentes líderes políticos nas nações latinoamericanas e hiberoamericanas do hemisfério.
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Afinal, os povos que viviam nesta região do planeta há dezenas de milhares de anos, até a famosa descoberta da América, não tinham nada de latinos, ibéricos ou europeus; as suas características eram mais semelhantes às dos asiáticos, de onde procederam seus antepassados.
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Hoje, os vemos nas faces dos índios do México, América Central, Venezuela, Colômbia, Equador, Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Chile, um país onde araucanos escreveram páginas inesquecíveis. Em certas áreas do Canadá e Alasca conservam suas raízes indígenas com toda a pureza possível. Mas, no território principal dos Estados Unidos, grande parte das antigas populações foi exterminadas pelos conquistadores brancos.
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Como todos sabem, milhões de africanos foram desalojados de suas terras para trabalhar como escravos neste hemisfério. Em algumas nações, como Haiti e muitas das ilhas do Caribe, seus descendentes constituem a maioria da população. Em outros países, formam amplos setores. Nos Estados Unidos, os descendentes de africanos são dezenas de milhões de cidadãos que, em regra, são os mais pobres e discriminadas.
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Ao longo dos séculos, esta nação reclamou direitos privilegiados sobre o nosso continente. Nos anos de Martí tentou impor uma moeda única, baseada em ouro, um metal cujo valor foi mais constante ao longo da história. O comércio internacional, em geral, se baseava nele nele.
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Agora, nem sequer isso. Desde os anos de Nixon, o comércio mundial foi implementado com o bilhete de papel impresso pelo Estados Unidos: o dólar, uma moeda que agora vale cerca de 27 vezes menos que no início dos anos 70, uma das muitas formas de dominar o resto do mundo. Hoje, porém, outras moedas estão a substituir o dólar no comércio internacional e as reservas de divisas convertíveis.
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Se, por um lado, as divisas do império se desvalorizaram, em troca, suas reservas de forças militares crescem. A ciência e a tecnologia mais moderna, monopolizada pela superpotência, foram utilizadas, em grande medida, para o desenvolvimento de armas.
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Hoje não se fala apenas de milhares de mísseis nucleares, ou o poder destrutivo das modernas armas convencionais. Estamos a falar de aviões sem piloto, tripulados por robôs. Isto não é mera fantasia. Já estão sendo utilizadas algumas aeronaves deste tipo no Afeganistão e em outros lugares.
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Relatórios recentes indicam que, num futuro relativamente próximo, em 2020, muito antes de que o gelo da Antártida derreta, o império, entre seus 2500 aviões de guerra, projeta dispor de 1100 avião de combate F-35 e F -22, nas suas versões de bombardeiros e caças da quinta geração.
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Para ter uma idéia desse potencial, basta dizer que o que eles têm na base de Soto Cano, em Honduras, para o treinamento de pilotos neste país, são F-5; os que forneceram às forças aéreas da Venezuela antes de Chávez, ao Chile e outros países eram pequenas esquadras de F-16.
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Mais importante ainda, o império projeta que, no decorrer de 30 anos, todos os aviões de combate dos Estados Unidos, desde os caças até bombardeiros pesados e aviões-tanque, serão tripuladas por robôs.
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Este poderio militar não é uma necessidade do mundo, é uma necessidade do sistema econômico que o império impõe ao mundo.
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Qualquer um pode compreender que, se os robôs podem substituir os pilotos de combate, eles também podem substituir os trabalhadores em muitas fábricas. Os acordos de livre comércio que o império trata de impor aos países deste hemisfério implicam que os seus trabalhadores terão que competir com a tecnologia avançada e os robôs da indústria ianque.
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Os robôs não fazem greve, eles são obedientes e disciplinados. Vemos pela televisão máquinas que coletam maçãs e outras frutas. A pergunta cabe fazer também aos trabalhadores norteamericanos: Onde estão os postos de trabalho? Qual é o futuro que o capitalismo sem fronteiras, na sua fase mais avançada de desenvolvimento, destina aos cidadãos?
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À luz desta e de outras realidades, os líderes dos países da Unasul, Mercosul, Grupo do Rio e outros, não podem deixar de analisar a justíssima pergunta venezuelana: Que sentido têm as bases militares e navais que os Estados Unidos querem estabelecer em torno de Venezuela e no coração da América do Sul?
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Lembro-me que, há vários anos, quando entre a Colômbia e a Venezuela - duas nações irmanadas pela geografia e pela história -, as relações se tornaram perigosamente tensas, Cuba promoveu silenciosamente grandes passos para a paz entre os dois países. Nunca os cubanos estimularam a guerra entre países irmãos.
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A experiência histórica, o destino proclamado e executado pelos Estados Unidos e a fragilidade das acusações contra a Venezuela sobre um fornecimento de armas para as Farc, juntamente com as negociações com o objetivo de conceder sete pontos do território colombiano para a utilização naval e aérea das Forças Armadas dos Estados Unidos, obrigam, inevitavelmente, a Venezuela a investir em armas, recursos que poderiam ser empregados na economia, nos programas sociais e na cooperação com outros países da região com menos desenvolvimento e recursos.
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A Venezuela não se arma contra o povo irmão da Colômbia, se arma contra o império, que tentou destruir a Revolução e agora pretende instalar nas proximidades da fronteira venezuelana suas sofisticadas armas.
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Seria um erro grave pensar que a ameaça é só contra a Venezuela; é dirigida a todos os países do sul do continente. Nenhum poderá escapar do tema e assim declararam vários deles.
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As gerações presentes e futuras vão julgar os seus líderes pela conduta adotada neste momento. Não se trata só dos Estados Unidos, mas dos Estados Unidos e do sistema. O que oferece? O que busca?
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Oferece a Alca, quer dizer, a ruína antecipada de todos os nossos países, livre trânsito de bens e de capital, porém não livre trânsito de pessoas. Experimentam agora o temor de que a sociedade opulenta, consumista, seja inundada por latinos pobres, índios, negros e mulatos, ou brancos sem emprego em seus próprios países.
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Devolvem todos os que cometem faltas. Os matam muitas vezes antes de entrar, ou os devolvem como rebanhos quando necessitam; 12 milhões de imigrantes latinoamericanos ou caribenhos são ilegais nos Estados Unidos. Uma nova economia surgiu em nossos países, especialmente nos menores e mais pobres: a das remessas.
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Quando há crise, esta golpeia sobretudo aos imigrantes e a seus familiares. Pais e filhos são cruelmente separados às vezes para sempre. Se o imigrante está em idade militar, le outorgam a possibilidade de se alistar para combater a milhares de quilômetros de distância, ''em nome da liberdade e da democracia''.
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No regresso, se não morrem, lhes é concedido o direito de serem cidadãos dos Estados Unidos. Como estão bem treinados, lhes oferecem a possibilidade de serem contratados não como soldados oficiais, porém como civis das empresas provadas que prestam serviço nas guerras imperiais de conquista.

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Existem outros gravíssimos perigos. Constantemente chegam notícias dos imigrantes mexicanos e de outros países de nossa região que morrem tentando cruzar a fronteira. A cota de vítimas cada ano supera a totalidade dos que perderam a vida nos quase 28 anos de existência do famoso muro de Berlim.
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O mais incrível, todavia, é que circula pelo mundo a notícia de uma guerra que custa neste momento milhares de vidas por ano. Morreram já, em 2009, mais mexicanos que soldados norteamericanos na guerra de Bush contra o Iraque ao longo de toda a sua adminsitração.
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A guerra no México foi desencadeada por causa do maior mercado de drogas que existe no mundo: os Estados Unidos. Mas, no seu território não existe uma guerra entre a polícia e as Forças Armadas dos Estados Unidos lutando contra os traficantes de droga. A guerra tem sido exportado para o México e a América Central, mas especialmente ao país asteca, mais próximo do território dos Estados Unidos.
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As imagens que são divulgados pela televisão, pilhas de cadáveres, e as notícias que chegam de pessoas mortas nas próprias salas de curugia, onde tentatam salvar-lhes as vidas são horríveis. Nenhuma destas imagens provém do território norteamericano.
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Esta onda de violência e sangue estende-se em um maior ou menor grau pelos países da América do Sul. De onde vem o dinheiro (das drogas) senão do infinito manancial que emerge de mercado norte-americano? Por sua vez, o consumo tende também a se espalhar para outros países na região, causando mais vítimas e mais danos diretos ou indiretos que a Aids, a malária e outras doenças juntas.
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Os planos imperiais de dominação são precedidos por somas destinadas às tarefas de mentir e desinformar a opinião pública. Contam, para isso, com a total cumplicidade da oligarquia, a burguesia, a direita intelectual e os meios de comunicação de massa.

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São especialistas em divulgar os erros e as contradições dos políticos.
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O destino da humanidade não deve ser deixado nas mãos de robôs convertidos em pessoas ou de pessoas convertidas em robôs.
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Em 2010, o governo dos EUA usará US$ 2,2 bilhões através do Departamento de Estado e da USAID para promover a sua política, 12% a mais que os empregados pelo governo Bush no último ano de seu mandato. Destes, cerca de 450 milhões se destinarão a demonstrar que a tirania imposta ao mundo significa democracia e respeito pelos direitos humanos.
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Apelam constantemente ao instinto e ao egoísmo dos seres humanos; desprezam o valor da educação e da consciência. É evidente a resistência demonstrada pelo povo cubano ao longo de 50 anos. Resistir é a arma à qual não podem renunciar jamais os povos; os portorriquenhos conseguiram parar as manobras militares em Vieques, situando-se no polígono de tiro.
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A pátria de Bolívar é hoje o país que mais lhes preocupa, por seu papel histórico na luta pela independência dos povos da América. Os cubanos que prestam ali seus serviços como especialistas da saúde, educadores, professores de educação física e esporte, informática, técnicos agrícolas, e outras áreas, devem dar tudo no cumprimento de seus deveres internacionalistas, para mostrar que as pessoas podem resistir e ser portadoras dos princípios mais sagrados da sociedade humana.
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Caso contrário, o império irá destruir a civilização e a própria espécie.
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Fidel Castro Ruz
5 de agosto de 2009

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in Vermelho - 6 DE AGOSTO DE 2009 - 11h44

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quinta-feira, julho 16, 2009

WORLDNOTES Equatorial Guinea, Australia, Afghanistan, UN, Guyana, Cuba

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Author: W. T. Whitney Jr.
People's Weekly World Newspaper, 07/16/09 16:31



A child carries bottles of drinking water up a street in Malabo, capital of Equitorial Guinea. AP photo.
Equatorial Guinea: Corporations, banks back corruption
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Oil money has been diverted to the ruling few while people languish “in poverty worse than in Afghanistan or Chad,” according to a Human Rights Watch report issued last week. The account by Inter Press Service cites a 5,000 percent rise in Equatorial Guinea’s GDP in almost 20 years.
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A Global Witness report released in March featured the Teodoro Obiang regime, in power since 1979, as typifying collusion between a repressive government and international banks leading to billions stolen and disregard of problems like skyrocketing child mortality rates. Investments from U.S.-based oil companies have allowed the country to become sub-Saharan Africa’s fourth-largest oil producer.
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Human Rights Watch called upon the Obama administration to reverse Bush’s support of the country’s regime.
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Australia: Labor protests anti-worker discrimination
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“It is time for a national debate about a new deal for job security,” declared Sharan Burrow, Australian Council of Trade Unions president. She was protesting a minimum wage freeze imposed last week by the Fair Pay Commission affecting 1.3 million workers, and the loss of 22,000 jobs during June. With their “windfall,” Burrow declared, “Employers have no more excuses not to pull out all stops to protect jobs.”
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Unemployment presently is 5.8 percent. The ACTU head called for reduced executive salaries and brakes on overseas export of jobs.
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Ironically, new industrial relations laws taking effect July 1 represent “an historic step forward for the rights of working Australians and their families,” the ACTU web site said.

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Afghanistan: U.S. military contractors take root
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The U.S. military buildup in Afghanistan signals opportunity for DynCorp and Fluor corporations. Awarded contracts totaling $15 billion over five years, the giant enterprises will build military structures and bases there and undertake power, water, housing, logistic and administrative projects.
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Texas-based Fluor Corporation will carry out work at 74 bases in northern Afghanistan, while DynCorp will operate throughout southern Afghanistan.
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The Defense Department rejected bids from Halliburton subsidiary KBR, recipient of contracts worth $31.4 billion from 2001-2009. Reuters recalled that a Congressional commission found that KBR had wasted billions because of “poorly defined work orders, inadequate oversight and inefficiencies” marking construction projects in Iraq and Afghanistan.

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United Nations: Ban speaks out on climate change
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UN Secretary-General Ban Ki-moon scolded Group of Eight heads of state last week for waffling on commitments to reduce greenhouse gases, 80 percent of which are produced by their nations.
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“The time for delays and half-measures is over,” Ban declared at the L’Aquila summit. “Personal leadership” was needed in dealing with “one of the most serious challenges ever to confront humanity.”
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The goal of reduced emissions by 2050 lacked credibility, he suggested, unless short-term goals are set, specifically 25-40 percent reductions from 1990 levels by 2020. The UN News Service reported that in September Ban will convene a climate-change summit in New York in preparation for December talks in Copenhagen aimed at a new climate treaty.

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Guyana: U.S. military visits
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The U.S. Southern Command has billed the three-month deployment of 650 troops to Guyana beginning July 1 as humanitarian. They will build schools and a medical clinic, according to www.southcom.mil, as well as providing medical care. The soldiers started off with a visit to an orphanage.
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The project mirrors last year’s visit to Peru of 950 active duty troops and reservists whose supposed humanitarian outreach provoked nationalist-inspired condemnation of violations of national sovereignty.
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No benevolent purposes were evident in arrangements currently under discussion for opening up three Colombian air bases and two naval bases to U.S. forces. An agreement is close, Bogotá’s Cambio newsweekly recently reported. Last year, the U.S. Fourth Fleet included Guyana on its unprecedented continent-wide tour.

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Cuba: Good living at low ecological cost
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Issuing its annual Index of Planet Happiness July 4, the London-based New Economics Foundation (NEF) awarded Cuba seventh place among 143 nations surveyed. Societies were assayed in terms of life expectancy, citizen satisfaction and ecological impact.
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Costa Rico ranked first in proving, according to the NEF web site, that “good lives don't have to cost the earth.”
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The top 10 included nine Latin American nations. The United States was assigned 114th place.
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Analyst Pascual Serrano explained the contradiction between Cubans emigrating to the United States and expressing satisfaction with their lives (see rebelion.org). Prior to the revolution, migration north was considerable, he said. And the United States receives more immigrants from Mexico, El Salvador, Jamaica and Canada than from Cuba.
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World Notes are compiled by W.T. Whitney Jr. (atwhit @roadrunner.com)

'O que acontece em Xinjiang?'



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Lembram-se do que acontecia nos anos da guerra fria e, sobretudo, na sua fase final? A imprensa ocidental nunca se cansava de noticiar o tema dos fugitivos da ditadura comunista em busca da conquista da liberdade. Na segunda metade da década de 1970, depois da derrota que sofreram o governo fantoche de Saigon e as forças de ocupação estadunidenses, o Vietnã finalmente reunificado era pintado como uma enorme prisão, da qual fugia o boat people desesperado, junto com sua fortuna e arriscando a vida. E com as variações de caso a caso, esse tema era repetido a propósito de Cuba, da República Democrática Alemã e de qualquer outro país excomungado pelo “mundo livre”.

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Por Domenico Losurdo*

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Hoje, todos podem ver que das regiões orientais da Alemanha, da Polônia, Romênia, Albânia etc., apesar da 'liberdade' finalmente conquistada, o fluxo migratório para o Ocidente continua e até se acentua.

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Só que esses migrantes não são mais recebidos como combatentes pela causa da liberdade, mas são muitas vezes rejeitados como delinquentes, pelo menos potenciais. As modalidades da grande manipulação agora se tornaram claras e evidentes: a fuga do sul para o norte do planeta, da área menos desenvolvida (em cujo âmbito era colocado também o “campo socialista”) para a área mais desenvolvida e mais rica, esse processo econômico foi transfigurado pelos ideólogos da Guerra Fria como uma empresa política e moral épica, exclusivamente inspirada pelo sublime desejo de chegar à terra prometida, ou seja, o “mundo livre”.

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Uma manipulação análoga está ocorrendo debaixo de nossos olhos, na China. Como explicar os graves incidentes que se verificaram em março de 2008 no Tibete e que, em escala mais ampla, nesses dias, estão se espalhando pelo Xinjiang? No Ocidente, a “grande” imprensa de “informação”, mas também a “pequena” imprensa de “esquerda” não têm dúvidas: tudo se explica com a política liberticida do governo de Pequim.

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No entanto, deveria fazer refletir o fato de que, mais do que instituições estatais, a fúria dos manifestantes tem como alvo a etnia han e, sobretudo, os negócios dos han.

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Em qualquer livro de história se pode ler que, no Sudeste asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia) a minoria chinesa, que muitas vezes graças também à cultura empreendedora que tem por trás, tem um peso econômico nitidamente superior à sua dimensão demográfica, é regularmente “o bode expiatório e a vítima de verdadeiros progrom”.

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Sim, no Sudeste asiático “o êxito econômico dos Hua quiao [os chineses de ultramar] é acompanhado de ciúmes que desembocam regularmente em explosões de violência antichinesa, que às vezes acabam perturbando as relações diplomáticas. Foi, em particular, o caso da Malásia durante a década de 1960, da Indonésia em 1965, quando as desordens internas foram o pretexto para o massacre de diversas centenas de milhares de pessoas. Trinta anos mais tarde, as revoltas que caracterizaram na Indonésia a queda do ditador Suharto e que golpearam sistematicamente a comunidade chinesa, chamaram de novo a atenção para a fragilidade da situação”.

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Não por acaso, o ódio antichinês foi muitas vezes comparado ao ódio antijudeu. Com o extraordinário desenvolvimento que estão conhecendo o Tibete e o Xinjiang, também nestas regiões tendem a se reproduzir os progrom contra os han, que são atraídos pelas novas oportunidades econômicas e que frequentemente veem os seus esforços coroados de sucesso.

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O Tibete e o Xinjiang atraem os han do mesmo modo que Pequim, Xangai e as cidades mais avançadas da China atraem os empresários e os técnicos ocidentais (ou chineses de ultramar), que muitas vezes desempenham um papel importante em setores onde podem ainda fazer valer a sua especialização superior.

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Não tem sentido explicar os graves incidentes no Tibete e no Xinjiang com a teoria da “invasão” han, uma teoria que certamente não funciona para o Sudeste asiático. Por outro lado, também na Itália e no Ocidente, a luta contra a “invasão” é o cavalo de batalha dos xenófobos.

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Mas nos concentremos no Xinjiang. Em 1999, a situação vigente nessa região foi descrita pelo general italiano Fábio Mini na revista “Limes” da seguinte maneira: está em curso um extraordinário desenvolvimento, e o governo central chinês está comprometido em “financiar, com retorno quase zero, imensas obras de infraestrutura”. Pelo que parece, o desenvolvimento econômico anda junto com o respeito pela autonomia: “A polícia local é composta em sua grande maioria de uigures”. Apesar disso, não falta a agitação separatista, “parcialmente financiada por extremistas islâmicos, como os talibãs afegãos”. Trata-se de um movimento que “se mistura com a delinquência comum” e que está manchada de "terror". Os atentados parecem visar em primeiro lugar os “uigures tolerantes ou ‘colaboracionistas’” ou os “postos policiais”, controlados, como vimos, pelos uigures.

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Em todo caso – concluía o general, que não escondia as suas simpatias geopolíticas pelos separatistas – “se os habitantes do Xinjiang fossem chamados hoje a um referendo sobre a independência, provavelmente votariam em maioria contra”. E hoje?

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Na “Stampa”, Francisco Sisci relata de Pequim que “muitos han de Urumqi se lamentam pelos privilégios de que gozam os uigures. Estes, de fato, como minoria nacional muçulmana, têm condições de trabalho e de vida muito melhores do que seus colegas han. Um uigur no trabalho tem a permissão de parar mais vezes durante a jornada para cumprir com as cinco orações muçulmanas tradicionais do dia [...] Além disso, podem não trabalhar nas sextas-feiras, dia santo para os muçulmanos. Em teoria, deveriam compensar no domingo. Na verdade, nos domingos as delegacias estão desertas [...] Outro ponto crítico para os han, submetidos à dura política de controle familiar que ainda impõe o filho único, o fato é que os uigures podem ter dois ou três filhos. Como muçulmanos, portanto, têm salário maior, em virtude de que, não podendo comer carne de porco, devem comprar carne de ovelha, que é mais cara”.

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Não tem sentido portanto, como faz a propaganda filo-imperialista, acusar o governo de Pequim de querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures.

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Naturalmente, junto com o perigo representado pelas minorias, por um lado, envenenadas, em certos setores, pelo fundamentalismo e, por outro lado, incitadas pelo Ocidente, é preciso ter presente o perigo do chauvinismo han, que também nesses dias se faz sentir; e é um problema para o qual o Partido Comunista Chinês sempre chamou a atenção, desde Mao Tse-dung até Ju Jintao.

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Os que, à esquerda, sintam-se tentados a transfigurar o separatismo dos uigures, fariam bem em ler a entrevista publicada, algumas semanas antes dos últimos acontecimentos, por Rebiya Kadeer, a líder do movimento separatista uigur. Do seu exílio estadunidense, falando com uma jornalista italiana, a referida senhora assim se exprime: “Veja, você gesticula como eu, tem a mesma pele branca; você é indoeuropeia, gostaria de ser oprimida por um comunista de pele amarela?”

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Como se vê, o argumento decisivo não é condenar a “invasão” han, nem sequer o anticomunismo. É preciso condenar, isso sim, a mitologia ariana ou “indoeuropeia” – que se manifesta no discurso dos separatistas uigur que repudiam os bárbaros de “pele amarela”.
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* O original, em italiano, está em http://domenicolosurdoblogxingjiang.blogspot.com/2009/07/che-succede-nello-xinjiang.html. Em português, em Editora Revan: http://www.revan.com.br/ang.htm.

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Tradução de Jaime Clasen.

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Blog Vi o Mundo
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in Vermelho - 15 DE JULHO DE 2009 - 19h13
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terça-feira, dezembro 18, 2007

As remessas dos Emigrantes ao sabor dos interesses do Capital

Ao sabor dos interesses do capital
As remessas de emigrantes

As remessas dos emigrantes, em termos de fluxos financeiros, não seguem, naturalmente, uma linha evolutiva, na medida em que estão sujeitas a múltiplos factores, como sejam: o movimento migratório, o seu destino, as dificuldades que os emigrantes encontram nos países de acolhimento, condicionando ou não o nível de poupança bem como a pressão que o sistema financeiro exerce quanto à forma de aplicação das referidas poupanças.

Por outras palavras: a circunstância de haver, a partir de 2002, menos transferências para Portugal, sob a forma de depósitos à ordem e a prazo não significa que os emigrantes não tenham optado (por si, ou pressionados) por outras formas de rentabilizar o seu dinheiro, sabido como se sabe como os bancos estão a inventar, todos os dias, novas (e por vezes duvidosas) formas de investimento, de que o «subprime» dos EUA são um mero exemplo, a que acresce a deslocalização dos depósitos dos emigrantes para regiões onde se praticam impostos mais reduzidos sobre os rendimentos, como sejam, de acordo com notícias veiculadas, em 10/4/2006, pelo Diário de Notícias, para Macau, Singapura, Hong Kong e vários países da América, incluindo os próprios Estados Unidos.
Uma análise detalhada, por exemplo, aos depósitos acumulados dos emigrantes nos últimos 17 anos diz-nos que há dois movimentos antagónicos. Há um crescimento progressivo passando dos 8943 milhões de euros em 1990 para um máximo de 14 393 milhões de euros em 1997, período em que tais depósitos representavam cerca de 14,7% de toda a riqueza criada em Portugal. A partir do ano seguinte há uma regressão, ano em que os depósitos acumulados totalizavam 13 773 milhões de euros regredindo, progressivamente, até aos 7276, em 2006, valor que sendo inferior ao passado constitui, apesar de tudo, uma verba vultuosa, qualquer coisa como cerca de 4,7% do PIB. (Fonte: Banco de Portugal – Estatísticas Monetárias e Financeiras).
A par deste movimento há um outro de contornos muito complicados que tem a ver com o crescimento exponencial dos depósitos no offshore da Região Autónoma da Madeira. Começando, em 1990, com uns modestos 33 milhões de euros, as transferências para esse paraíso fiscal foi subindo até atingir, em valores depositados acumulados, em cerca de quatro mil milhões de euros no ano de 2000. Em 2006 os depósitos constituídos para fugir aos impostos vigentes no continente representam cerca de 82% do total dos depósitos de emigrantes na referida região. Numa escala menor o mesmo se passa nos Açores, embora aqui o paraíso fiscal seja bem mais benigno.
Os milhões de euros depositados nos paraísos fiscais constituem, formalmente, uma operação «legalíssima» de engenharia financeira destinada a retirar impostos ao Estado e potenciar quer a possibilidade de a banca baixar a taxa de juro (com o argumento que os depositantes não pagam impostos), quer, mafiosamente, negócios secretos de operações sinuosas, muitas delas ligadas ao branqueamento de capitais, aos negócios de droga e de armas e de coisas afins, feitas em estabelecimentos que não foram criados pela ordem divina mas, antes, uma criação dos próprios governos por razões alheias ao povo e no supremo interesse da oligarquia instalada. É pois no interesse desta oligarquia que, em 2006, o valor acumulado no offshore da Madeira supera, de longe, os depósitos acumulados dos emigrantes nos distritos de Aveiro, Lisboa, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro.
Em termos concelhios os dados disponíveis reportam-se, apenas, ao continente. As conclusões são as seguintes:
– em termos de valores absolutos: os principais distritos que detêm o maior volume acumulado de depósitos são, por ordem decrescente: Região Autónoma da Madeira, Lisboa, Viseu, Braga, Viana do Castelo, Aveiro, Porto, Leiria, Vila Real, Guarda, Coimbra, Faro, Açores e Santarém, todos eles com valores acumulados superiores aos 200 milhões de euros. Ao Alentejo cabe o valor residual de cerca de 2% do total.
– em termos de valor per capita, tendo em atenção a população residente (em 2001) em cada distrito os resultados, são os seguintes: Região Autónoma da Madeira (7828 euros); Guarda (1906 euros); Viana do Castelo (1826 euros); Vila Real (1573 euros); Bragança (1182 euros); Viseu (1175 euros).
Estes dados não constituem nenhuma surpresa. Os depósitos acumulados mais vultuosos, tendo em consideração a dimensão da população, correspondem a Trás-os-Montes, Beira Interior e ao Minho, regiões que, no contexto nacional, detêm os salários mais baixos. Acresce, naturalmente, a tais casos, o caso especial da Região Autónoma da Madeira, explicado pela engenharia financeira associada ao offshore.
Se desagregarmos os dados por concelhos (excluindo as Regiões Autónomas para as quais não dispomos de dados oficiais) verificaremos que, salvo o concelho de Lisboa, os concelhos que detém os depósitos bancários acumulados mais elevados estão a Norte do rio Tejo, designadamente: Pombal, Viana do Castelo, Viseu, Leiria, Arcos de Valdevez, Porto, Braga, Chaves, Guarda, Sabugal, Fafe, Melgaço, Cantanhede, Monção, Aveiro, Castelo Branco, Vila Real Póvoa de Varzim, Guimarães, Ourém, Bragança, Montalegre, Barcelos, todos eles com valores superiores a 48 milhões de euros. Surpreendentemente na listagem atrás referida aparece Loulé, que não obstante estar situada numa região com um PIB per capita superior à média nacional também, pelos baixos salários aí praticados, obrigou muitos dos seus naturais a ter de emigrar. Na lista com os valores maios baixos de depósitos dos emigrantes estão os distritos do Alentejo.

Assimetrias

Para se ter uma ideia das assimetrias em termos de depósitos acumulados dos emigrantes basta dizer que o distrito de Bragança tem muito mais do que o conjunto dos distritos de Beja, Évora e Portalegre.
O Norte do país é, pois, o destino preferencial das remessas de dinheiro enviadas pelos emigrantes, tendo em atenção a sua correlação com o valor dos depósitos, cabendo às regiões mais pobres do Minho, Trás-os-Montes e Beira Interior qualquer coisa como cerca de 48% do total dos valores do continente reportados a 2006. E o que é que foi feito desse dinheiro?
– Rentabilizou-se a agricultura no sentido de tornar o país auto-suficiente na área alimentar?
– Garantiu-se a todos os habitantes, em pleno século XXI, o acesso à água fornecida pela rede pública?
– Desenvolveu-se a indústria transformadora com alto valor acrescentado no sentido da produtividade e da melhoria da relação de trocas com os restantes países?
Os dados acima divulgados referem-se, como repetidamente salientámos, aos depósitos bancários.
Falemos, agora, daquilo que lhe dá origem: as remessas.
Os dados disponíveis desde 1996 até 2006 expressam que, nesse lapso de tempo, os emigrantes enviaram para Portugal qualquer coisa como 31 394 milhões de euros, cabendo a três países (França, Suíça e EUA) uma quota que oscilou entre 69%, em 2002 e 76% em 1998. Quanto ao valor das remessas também há a registar uma significativa alteração dos fluxos. Por exemplo, a França e a Suíça atingiram o máximo no envio das remessas no ano de 2001, ano a partir do qual o seu valor tem vindo a diminuir. Quanto aos EUA, o valor máximo foi atingido em 1998 com 459 milhões de euros, valor que desceu para metade em 2006 (apenas 223 milhões de euros). Estas subidas e descidas não são de natureza humoral. Elas têm explicações para além do empenhamento do sistema bancário canalizar muito dinheiro para os paraísos fiscais e, com isso, ganharem simultaneamente em dois tabuleiros: reduzem as taxas de juros a pagar aos depositantes com o já referido argumento que estes deixam de pagar impostos e, com esse capital alheio, ficarem com as «mãos livres» para todo o tipo de negócios. A este propósito aguardemos pelo resultado do processo «Furacão» porque talvez ele nos explique para que servem os offshores. Mas atenção: as quebras no envio das remessas também podem ter uma outra explicação resultante das alterações cambiais. É preciso não esquecer que o franco suíço e o dólar estão a perder face ao euro, pelo que as poupanças desses nossos emigrantes são cada vez menores, ou seja: a depreciação das poupanças em nome do funcionamento das chamadas «leis de mercado». No que diz respeito, por exemplo, à Suíça, essa depreciação, entre 2001 e os dias que correm, cifrou-se, já, em cerca de 15%, razão pela qual os pensionistas e reformados desse país têm vindo a perder poder de compra. É neste contexto que muitos pensionistas e reformados, depois de se terem instalado em Portugal, estão, de novo, de regresso à Suíça no sentido de poderem, pelo trabalho, amealhar algum pecúlio que a oscilação cambial lhes roubou. Eis, entre muitas, uma outra contradição do sistema capitalista. Mas se a contradição é deles, o prejuízo, esse, é nosso.
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in Avante 2007.12.13

terça-feira, novembro 06, 2007

O Drama dos «ilegais»

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Cerca de 300 imigrantes clandestinos foram interceptados esta terça-feira ao largo das costas do sul de Itália, revelou uma fonte da guarda-costeira italiana.
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in Correio da Manha 2007.10.30

domingo, outubro 28, 2007

A tragédia dos «ilegais»

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* Sabrina Hassanali com agências
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"O cenário com que nos deparámos foi dantesco, horroroso. Havia sete cadáveres e um sobrevivente”. Estariam mortos há cerca de sete dias”, contou sem conseguir conter as lágrimas o espanhol José María Abreu, dono do ‘Tiburón III’, que resgatou na quarta-feira um barco semi-afundado com imigrantes em águas cabo-verdianas.
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in Correio da Manhã 2007.10.26
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» Comentários no CM on line
Sabado, 27 Outubro
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- Maquiavel Estas 'ajudas' vão parar todas aos bolsos dos que mandam nestes países e que tratam os seus povos pior que escravos.
- manolo El Sr. Rodriguez Zapatero, presidente del gobierno español, ha prometido que si gana las proximas elecciones, Espanha sera el primer pais, entre las diez potencias economicas mundiales, que destinara el 0,7% en ayuda a los paises en via de desarrollo, mi voto lo tiene ya asegurado, presionen al gobierno portugues para que siga este ejemplo.
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Sexta-feira, 26 Outubro
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- M.Farid São as tragédias decorrentes da miséria humana.Não a miséria das vítimas do naufrágio,mas sim da miséria dos países ricos,que para além de dinheiro pouco ou nada possuem de verdadeiramente humano ao ponto de assistirem impávidos a tudo isto...comportem-se!!

domingo, outubro 21, 2007

Emigração de ... «cérebros»

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Cresce o número de profissionais de saúde portugueses que trabalham no estrangeiro. Num estudo publicado no último mês, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revela que 792 médicos e 1951 enfermeiros portugueses trabalham nos chamados países ricos.
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in Correio da Manhã 2007-10-15

quarta-feira, setembro 05, 2007

Impressões - Mudar de vida


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» José Luís Ramos Pinheiro,

Jornalista

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Ter filhos foi uma prioridade que perdeu terreno para o chamado bem-estar, traduzido no carro, na casa, nos telemóveis.
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Milhares de professores não conseguiram colocação no concurso nacional para preenchimento de necessidades residuais, no próximo ano lectivo. Dos mais de quarenta e sete mil que concorreram, só pouco mais de três mil foram colocados a tempo inteiro. Entre os participantes no concurso, cerca de vinte mil professores estiveram contratados no ano lectivo anterior. O sistema de ensino público, de acordo com estimativas sindicais, perderá entre dezasseis mil a vinte e três mil professores, num prazo de três anos.
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Há quem fale, como sempre, em irregularidades no concurso. Se há indícios, investiguem-se. Mas imagino que as alegadas irregularidades não transformariam três mil professores contratados a tempo inteiro em trinta mil.
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O que se passa é que o País continua a precisar de excelentes professores, mas não precisa de tantos professores. A escolaridade até tem aumentado, mas é conhecida a forte quebra da natalidade. Não é razoável esperar que enquanto os alunos diminuem a olhos vistos, o número de professores se mantenha ou aumente.
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A pouco e pouco, vamos saboreando o lado mais amargo da sociedade que temos criado.
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Portugal continua a ter um elevado número de pobres, cerca de 20% da população. Mas há um significativo número de portugueses que passou a ter acesso, cada vez a mais bens e serviços: a concessão de crédito explodiu e as famílias multiplicaram o endividamento.
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Ter filhos foi uma prioridade que perdeu terreno para o chamado bem-estar, traduzido no carro, na casa, nas viagens, nos telemóveis e noutros objectivos alguns deles, puros caprichos transformados em necessidades básicas ou mesmo promovidos a projectos de vida.
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A cultura e a indústria dominantes ensinam-nos, a todo o custo, a prevenir o número de filhos e a reduzir os nascimentos. Pela negativa. Simultaneamente, os padrões de vida transmitidos às novas gerações apontam no mesmo sentido: optimizar todos os meios que permitem uma sexualidade irresponsável. É raro ver a abordagem contrária: como promover responsavelmente o aumento da natalidade? Enlevados com o presente, custa-nos acordar para a realidade. De repente, o óbvio torna-se evidente: o individualismo galopante não gera sociedades mais solidárias. As opções assumidas como puramente individuais, acabam por produzir consequências sociais.
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Enquanto se mantiver neste estado, Portugal não terá mais escolas, mais professores, mais hospitais ou melhores reformas.As elites nacionais têm responsabilidades na situação a que se chegou, mas não há manifestações, sindicatos, partidos, ministérios, governos ou presidentes que possam mudar Portugal, sem os portugueses mudarem de vida.
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in Correio da Manhã, 2007.09.04
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» Comentários no CM on line
Terça-feira, 4 Setembro
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- Saraiva Mota Quem emigra é jovem. Por isso nas grandes comunidades de Portugueses pelo mundo. O que lá não faltam são jovens filhos de emigrantes portugueses. Mas o que faltam são professores de Português que até ao dia 04.09.07 ainda não se sabe quando o ensino de português vai começar. Deve ser dificil escolher 2 professores entre 600 candidatos? Institude Luís de Camões para que serves?
- Leandro Coutinho Fantástico artigo.. Muito bem.. De forma sintética consegue equacionar de forma primorosa um universo enorme de coisas (doenças) que marcam a sociedade actual e obnubilam o futuro.. Parabéns. Nunca deixe de escrever.
- teresa Pobre Nação esquecida. Enquanto houver governantes que só olham para a sua conta bancária, ignoram o seu povo, que não percebem que sem vida não haverá uma "poderosa" descendência, podem dizer adeus a Portugal.
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Para saber mais sobre a evolução da natalidade ver:
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segunda-feira, agosto 13, 2007

Imigração: «um outro lado» da globalização


* Anselmo Dias
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As migrações estão indelevelmente associadas à marcha da Humanidade. Sem elas, ainda hoje a Humanidade não só estaria circunscrita às regiões dos grandes lagos, no continente africano, como, eventualmente, seria diferente. As migrações, começando por constituir um direito natural num período em que não havia nem estados, nem nações, nem propriedade privada, constituem, hoje, um direito de cidadania, nos termos do Artigo 13.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que, expressamente, refere: «Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.» No nº. 2 do mesmo artigo é referido que: «Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país».
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Esse direito está, nos dias que correm, contudo balizado entre o «débito» e o «crédito» da contabilidade capitalista e envolvido numa contradição entre uma ideologia ligada à aversão pelos estrangeiros oriundos dos países pobres e à necessidade de um exército de mão-de-obra disponível, dócil, pouco reivindicativa, não sindicalizada e barata ao serviço da acumulação capitalista.Esta contradição, caso não haja uma alteração no sistema dominante, está para «dar e durar» na medida em que está associada a uma das componentes da globalização.
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É sabido que um dos vectores da globalização potencia a transferência da produção de produtos com pouca ou reduzida incorporação de ciência e tecnologia para os países pobres, onde são produzidos milhões e milhões de objectos a preços de custo reduzidos mas cuja venda maciça pelas grandes empresas origina, quer vultuosos lucros, quer um acrescido poder político sobre os respectivos governos. (Há empresas com um volume de negócios superior ao PIB português. Por exemplo, a Wal-Mart, ligada ao comércio a retalho, nos EUA, superava, em finais da década de 90, o nosso PIB em cerca de 22%. No mesmo período havia 10 multinacionais com uma facturação superior ao nosso produto interno bruto).
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A deslocalização da produção de artigos de reduzida incorporação de tecnologia faz com que as relações de troca sejam imensamente favoráveis aos países ricos na medida em que importam milhões de objectos a preços reduzidos e exportam os seus produtos a preços elevados.
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Esta transferência de produção está, contudo, em evolução. À medida em que evolui a ciência e a tecnologia assistimos, simetricamente, à deslocalização da produção de artigos mais sofisticados como seja a produção de peças para a indústria automóvel cujas empresas, numa espécie de jogo de lego, se limitam a juntá-las, baptizando-as com uma marca como se o objecto tivesse sido construído, unicamente, num qualquer sítio do Japão ou dos EUA. É caso para dizer que, se um automóvel falasse, ele expressar-se-ia em esperanto acrescido de algumas expressões asiáticas.A par desta política o capitalismo aplica a globalização numa outra vertente.
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Aceita (ora aberta, ora limitada, ora sinuosa, mas sempre hipocritamente) a imigração para os seus próprios países fazendo algo similar quanto à deslocalização da produção. A imigração é, pois, o outro lado da globalização, embora com uma génese diferente. Importa referir que as migrações dependem das pessoas, enquanto a deslocalização das empresas depende do capital
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Contudo, destas decisões com origens diferentes resultam efeitos similares. Em que medida?
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Na medida em que aos imigrantes são destinadas as tarefas mais simples e mais mal pagas no mercado do trabalho no país de acolhimento, da mesma forma que a deslocalização da produção se radica nos produtos com uma elevada incorporação de mão-de-obra intensiva e mal paga.
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Para se perceber do que estamos a falar basta ver o que se passa nas grandes superfícies comerciais, nas culturas intensivas dos países desenvolvidos, nos hotéis, nas grandes obras de construção civil, nos aeroportos e, sobretudo, no dia-a-dia das grandes e pequenas cidades do continente europeu. Analisemos a hierarquização das funções laborais e concluiremos que as tarefas mais modestas (limpeza, serventes da construção civil e obras públicas, vendedores, serviço de restauração e de quartos na hotelaria, bagageiros, auxiliares nos asilos e hospitais, segurança e serviços similares) são da competência dos trabalhadores oriundos de África, América do Sul, Ásia e dos países mais pobres da Europa, como é o caso de Portugal. As funções mais qualificadas, essas são pertença dos naturais dos países de acolhimento, salvo excepções muito residuais.
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A imigração, enquanto realidade no próprio país de acolhimento, corresponde, insistimos, à mesma realidade de deslocalização da produção. A imigração é, no interior dos países mais desenvolvidos, a deslocalização de funções da sua própria população, entregando-lhe as tarefas mais exigentes e bem pagas, cabendo ao «estrangeiro pobre», a expressão burguesa de «criadagem», o remanescente, as sobras, o trabalho sem direitos, os baixos salários e, quando existe, o salário mínimo com o qual mal se vive em qualquer país europeu mesmo que, nominalmente, o salário mínimo seja elevado. Em França esse salário é de 1040 euros. Mas quem é que, em Paris, vive com 1040 euros? Em Portugal o salário mínimo é de 403 euros. Mas quem é que em Lisboa ou em outra cidade pode viver com 403 euros?
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Fenómenos a analisar
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A imigração (no Algarve cerca de 20% dos residentes são imigrantes), pelos fundamentos do sistema económico vigente, é uma realidade concreta cuja dimensão tenderá a alargar-se. A pretexto do envelhecimento da população europeia as Nações Unidas consideram que a União Europeia (a 15) necessita de 701 milhões de imigrantes até 2050, embora haja quem conteste tal número e prefira quantificar em cerca de 194 milhões de imigrantes as necessidades da UE até 2035. (Cálculo do presidente do Instituto IFO). Qualquer que seja a previsão de mão-de-obra para suprir o déficit demográfico da União Europeia tudo indica que estamos perante um facto instalado independentemente de haver ou não acordo sobre a sua verdadeira dimensão.
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Essa realidade, que é complexa, gera, simultaneamente, vários fenómenos que importa analisar e dos quais, a título de exemplo, salientamos:– a imigração ajuda a resolver o déficit demográfico;a imigração contribui para o multiculturalismo, num processo de enriquecimento do conhecimento e – a da cultura, embora muitas vezes afectado por um processo de aculturação imposto, sobretudo, pelo estilo de vida «americano», uma espécie de erva daninha infestante que floresce à custa da secagem dos hábitos, das culturas e das tradições envolventes;– a componente legal da imigração contribui para a sustentabilidade da segurança social;– enquanto trabalhadores e consumidores, os imigrantes pagam impostos sobre o rendimento e sobre o consumo, geram receitas aos estados com as quais esses mesmos estados sustentam os exércitos, as polícias, a diplomacia, o ensino público, o serviço de saúde e demais despesas;– devido aos baixos salários os imigrantes contribuem para a redução de custos de inúmeros serviços em benefício dos naturais dos países de acolhimento que, de outro modo, teriam de suportar encargos mais elevados, pelo que qualquer teórico do sarcasmo diria que a imigração acaba por constituir uma espécie de filantropia forçada, na medida em que beneficiando muito a economia dos países receptores, os imigrantes acabam, em troca, por receber muito pouco;– pela natureza das actividades laborais exercidas os imigrantes contribuem, tornamos a insistir, para o bem-estar da população dos países de acolhimento, sem as quais os habitantes das grandes cidades como Paris, Londres, Berlim, Nova Iorque claudicavam caso, em mera teoria, os imigrantes resolvessem, de um dia para o outro, regressar à sua terra natal.
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Mas os imigrantes são aproveitados, quer por omissão propositada dos governos quer pela política de desregulação laboral, para potenciar várias consequências, que necessitam de ser convenientemente estudadas, como sejam:– contribuindo para um excesso de oferta de emprego contribuem para dificultar a negociação de melhores salários;– sujeitando-se como se sujeitam a trabalho sem direitos fragilizam, por exemplo, os horários de trabalho de que são um claro exemplo as lojas abertas de dia e noite, incluindo sábados e domingos, por parte de certos grupos étnicos.
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Analisando tudo o atrás referido, sem deixar de ter em atenção as causas que explicam as migrações internas e externas, concluiremos que o factor trabalho é o factor determinante nas relações sociais que envolvem a imigração. É certo que haverá outras motivações para a deslocalização de pessoas, como sejam: os efeitos da guerra, as perseguições políticas, o reencontro familiar, o acesso à cultura e ao ensino, o prazer de viajar e o espírito de aventura. Mas, seguramente, o factor primeiro está ligado à obtenção de um emprego e de um salário com o qual se pretende sobreviver, arranjar um pecúlio e enviar as poupanças para a famílias a residir na terra natal. Por este conjunto de razões torna-se óbvio que a actividade laboral e os problemas a ela associados constituem uma das principais preocupações dos imigrantes, sobre os quais, nós, comunistas, temos muito a fazer. Desde logo o enquadramento político da actividade sindical inserida no Movimento Sindical Unitário.
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A inventariação objectiva de todos os factores que envolvem a imigração constitui, pois, um dever na justa medida em que é preciso conhecer para se poder agir e transformar. A imigração em PortugalA imigração em Portugal não está rigorosamente quantificada dada a natureza do nosso sistema estatístico. O que há são estimativas e essas indicam que, por cada 100 portugueses, há 5 estrangeiros, o que pressupõe, entre nós, a existência de cerca de 500 000 imigrantes. Embora haja países com percentagens mais elevadas o que acontece é que a imigração, sendo um fenómeno novo em Portugal, está muito concentrada temporalmente pelo que as estatísticas recentes dizem que, entre 2000 e 2005, Portugal, no conjunto dos países da OCDE, ocupou, no período atrás referido, a 5.ª posição no que se refere aos países mais procurados pelos imigrantes, apenas atrás da Espanha, Irlanda, Itália e Canadá.
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Há estudos como aquele que foi elaborado pelo professor catedrático do ISEG, Eduardo de Sousa Ferreira, que quantifica, no que concerne ao produto interno bruto, em cerca de 7% o contributo da população activa imigrante. Que população é esta?
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De acordo com os Quadros de Pessoal relativos a Outubro de 2004, havia 138 252 trabalhadores estrangeiros a laborar, em termos oficiais, em Portugal, embora toda agente saiba que esse número está naturalmente subavaliado. Tais trabalhadores localizavam-se, predominantemente, nos distritos de Lisboa (47%), Faro (13%), Setúbal (8%) e Porto (8%). A imigração localiza-se, pois, nos distritos do litoral. Em todo o interior, nos 7 distritos que confinam com a Espanha, a percentagem de imigrantes é muito reduzida, cerca de 4,8%, o que significa que os trabalhadores, quer sejam portugueses, quer sejam estrangeiros, evitam a desertificação procurando no litoral o sustento para si e para as suas famílias. Magro sustento, dizemos nós. Basta olhar para dois indicadores para confirmar que o que predomina, como contrapartida da actividade laboral, são os baixos salários e as baixas prestações sociais.
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Com efeito, 31% dos imigrantes ocupam as funções consideradas «não qualificadas» contra uma média nacional de cerca de 14%. Por esta razão não é de admirar que no 1.º semestre de 2006 houvesse 52 326 requerentes estrangeiros que beneficiaram das prestações familiares do sistema público de segurança social. Pois bem, 65% desses agregados familiares tinham um rendimento per capita de 193 euros, contra a média nacional de 36,4%. Este indicador evidencia que num país onde se praticam baixos salários eles ainda são relativamente mais baixos quando aplicados aos estrangeiros, a bem, naturalmente, da «competitividade». O número atrás referido está, obviamente, ligado ao valor do salário mas também reflecte a dimensão do agregado familiar. É provável que ele esteja influenciado pela dimensão das famílias designadamente das oriundas das ex-colónias portuguesas.
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A nova escravatura
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Recuemos a meados de Março de 2007. As agências noticiosas informavam que, numa operação da Guarda Civil Espanhola, em várias localidades de Navarra, foram libertados 91 trabalhadores que viviam «num regime de escravatura encoberta», entre os quais estava um numeroso grupo de portugueses. Passado pouco tempo era referida a existência de 300 portugueses a trabalhar na construção de túneis de uma barragem na Islândia em condições infra-humanas. Em situações similares estavam envolvidos outros portugueses em outros países europeus, como na Holanda e Reino Unido, de tal forma gravosa que o jornal «Diário de Notícias», de 10 de Junho, titulava a quatro colunas: «Portugueses alimentam nova escravatura da Europa». A emigração, em termos sociais, é uma espécie de corrida de obstáculos que impõe a superação do estatuto social, do drama ligado ao afastamento da família, da língua, do trabalho menos qualificado, dos baixos salários, dos salários prometidos e não pagos, dos intermediários, dos patrões sem escrúpulos a que acresce uma postura permissiva dos governos perante tantas e tamanhas ilegalidades. Tais notícias envolvendo trabalhadores portugueses, patrões estrangeiros e governos surdos e mudos não são um fenómeno que se aplica, apenas e só, aos nossos emigrantes lá fora. A nova forma de escravatura é uma realidade transversal a todos os países que endeusaram a competitividade como modelo de desenvolvimento associando-o, naturalmente, à velocidade máxima do retorno dos capitais investidos, ou seja, à maximização do lucro. Os estados têm a obrigação de adequar as suas estruturas no sentido quer preventivo quer repressivo de todas as formas que submetam qualquer cidadão a tratamentos cruéis, desumanos e degradantes. Todos os estados que, sem reservas, subscreveram a Declaração Universal dos Direitos do Homem, têm a obrigação de respeitar e fazer respeitar tal normativo.
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O Governo português, que a ratificou e subscreveu tornando isso público através do Diário da República, I Série A, nº. 57/78 de 9 de Março de 1978, tem a obrigação de não permitir que em Portugal se faça aos imigrantes aquilo que não gostamos que façam aos nossos emigrantes.
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in Avante 2007.08.09