A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Juntos pela mudança ~Vozes pelo 12 de Março

27 Fevereiro 2013


Jumtos pela mudança

Vozes pelo 2 de Março


Onde pára a democracia?Para onde quer que se olhe, os sinais que avançam e nos cercam são os de um país que empobrece e se afunda, enquanto uma caixa negra nos nega as mais nítidas evidências do imenso desastre que para nós preparam.

1. A Dívida, quê?
A dívida, quê? A dívida Soberana é como se chama a uma dívida assumida e garantida por um ser ou uma entidade soberana (um estado ou o seu banco central). Este par (nome + adjectivo) joga, com a gramática, um jogo que te leva à certa. Só compreenderás o que ele significa, se compreenderes que, no fim de qualquer passo de dança, a dívida deixou de ser uma propriedade ou uma qualidade do estado. O que ela exprime é que é ela que é soberana. Quem manda na política sou eu, a dívida. Tal como quem manda nisto tudo são os bancos (privados).

2. Soberania
Que Europa é esta que nos atou ao pescoço o BPN, em cujo buraco o estado enterrou vai para sete mil milhões de euros, e não nos autoriza o investimento de 1300 milhões de euros para o saneamento financeiro da TAP, o maior exportador do país e uma empresa estratégica para o nosso desenvolvimento soberano? É certamente a mesma Europa que fica sentada à espera que o governo português manobre de forma a tornar aceitável o inaceitável, a destruição dos estaleiros de Viana do Castelo.

3. Incomensurável, inaceitável hipocrisia.
As manifestações como aquela a que se assistiu nas instalações do ISCTE, em que um grupo de estudantes calou essa figura inenarrável de licenciado-com-emprego (Miguel Relvas), equiparado a governante, «suscitam necessariamente», disseram eles, os da sua pandilha, «o repúdio da parte de todos quantos prezam e defendem as liberdades individuais, designadamente o direito à livre expressão no respeito pelas regras democráticas». E, coisa espantosa, eis que se lhe juntam alguns outros, de outra pandilha, mas da mesma troika, usando os mesmos argumentos e tiques de quem se prepara para criminalizar o protesto.

4. O desemprego
Em Portugal, 51 % dos jovens licenciados estão no desemprego. É uma violência que lhes é feita, assim como ao país que se vê por essa via impedido de utilizar o seu trabalho qualificado. A dor humana do desemprego jovem é a dor causada por uma amputação social de perspectivas de vida. Entretanto cresce também o desemprego de longa duração. Às suas vítimas cabe agora o sofrimento de verem desqualificada e ofendida a sua experiência de vida. Jogar uns contra os outros é uma jogada miserável contra o trabalho. Torna-se cada vez mais claro que esta ofensiva contra direitos individuais e colectivos é uma révanche do grande capital, que quer arrancar aos trabalhadores assalariados tudo o que foi obrigado a ceder-lhes ao longo do último século e que constitui uma plataforma civilizacional avançada.

5. Saúde pública
Ela entrou na nossa sala, como se fosse uma pequena ventania que se libertasse e disse: «eu e o Óscar, foi já demasiado tarde que nos apercebemos que ela não aviava na farmácia as receitas por inteiro. Agora sei que deitá-los de lá abaixo já não é só um objectivo político, tornou-se uma necessidade urgente de saúde pública».

6. A organização da nossa legítima defesa
Tendo perdido o medo ou a repugnância que lhe provocavam certas palavras e frases que usamos, sobretudo em circunstâncias em que se trata de atribuir intenções a certos gestos ou modos de agir, chegou um dia em que a ouvimos dizer, muito calma e cheia de fúria: «mas eles estão a matar-nos; eles querem matar-nos». A nota de espanto que soava na sua voz indicava que ela já estava preparada para compreender que se tratava de pôr na ordem do dia a organização da nossa legítima defesa.

7. Quem somos nós?

Nós somos «a esperança que não fica à espera».

Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não movem nem o clamor do dia
Nem a cólera dos homens desabitados
Nem o diamante da noite que se estilhaça e voa
Nem a ira, o grito ininterrupto e suspenso
Que golpeia aqueles a quem a voz cegaram
Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não mova o próprio mundo nele.

quinta-feira, novembro 15, 2012

o estado a que chegámos [ texto de Sara Figueiredo Costa ]


O texto é grande, mas tinha de ser.
Não tenho vontade nenhuma de discutir as pedras. E não tenho vontade nenhuma de discutir as pedras porque não posso tolerar que sirvam de argumento para o que se passou ontem em S. Bento, nas ruas adjacentes, no Cais do Sodré. Discutamos as pedras mais tarde – e discutamos também a quantidade (e a visibilidade) de polícias à paisana, o mistério que pode explicar a incapacidade de a polícia resolver um distúrbio localizado (como já fez noutras manifestações, recentes, sem espancar a eito tudo o que mexia), o modo de nos continuarmos a manifestar todos juntos, etc, etc, etc. O que não é aceitável é pensar que as pedras sejam uma justificação para a polícia de choque varrer indiscriminadamente o Largo de São Bento, perseguir as pessoas pelas ruas à volta e andar a caçar manifestantes pelo Cais do Sodré. Quem esteve em S. Bento ontem viu bem que, na linha da frente da manifestação, algumas pessoas atiravam calhaus contra os escudos da polícia, e que puderam fazer isto durante muito tempo. Quem lá esteve também viu como de repente a polícia avançou em bloco, sem nenhuma intenção de cercar quem a apedrejava, sem nenhum gesto que mostrasse que estavam a tentar deter os autores das pedradas; a polícia avançou para carregar indiscriminadamente, e fê-lo porque tinha ordens para limpar o perímetro (talvez porque havia gente na Assembleia da República? É uma pergunta, não uma afirmação disfarçada) e tinha carta branca para arrasar tudo. É importante que se perceba isso: a polícia obedece a ordens, não decide sozinha que vai espancar todas as pessoas, novas ou velhas, que lhe aparecerem à frente (e isto não é uma forma de desculpabilizar a polícia; é só para não nos esquecermos de onde vêm as ordens). E quem lá esteve viu o resto: as bastonadas cegas, as pessoas apanhadas, deitadas no chão e espancadas sem apelo nem agravo, as mãos no ar com pedidos de ‘parem com isso, não fizemos nada de mal’ a terem como resposta mais bastonadas, e depois a perseguição. Não sei como foi na Rua de S. Bento, na Calçada da Estrela e na rua que vai dar ao ISEG, porque eu fugi pela D. Carlos I. Aí, pude ver as sucessivas investidas da polícia de choque, empurrando toda a gente, obrigando-nos a correr como se tivéssemos cometido algum crime, mas sobretudo como se fossemos peões de um jogo, um daqueles jogos onde manda o menino que tem a bola – corram, porque nós não vamos parar, e corram muito, porque depois de os termos espalhado ainda vos vamos caçar. Foi isto que aconteceu depois. Não me contaram, eu vi. E vi porque fiquei pela D. Carlos I, tentando perceber se a polícia ia recuar, se ainda teríamos força para nos reagruparmos, se poderíamos voltar a juntar vozes contra o medo. Fiquei também para tentar perceber onde estava um amigo que tinha ficado para trás, e depois fiquei porque falei com ele e soube que tinha a cabeça partida e que estava no quartel dos bombeiros a meio da rua. Não pude ficar muito tempo no mesmo lugar, porque a caça tinha começado. Algumas pessoas pegavam fogo a caixotes do lixo, a maioria tentava perceber se era seguro continuar na rua ou se a polícia iria continuar a perseguição. Quando soube que o meu amigo já estava numa ambulância a caminho do Egas Moniz, decidi sair dali. E quando estava a chegar à 24 de Julho, a polícia voltou a avançar, as pessoas que por ali estavam desataram a fugir e a notícia das balas de borracha chegou num instantinho, obrigando toda a gente a correr, incluindo muitas pessoas que passavam pela 24 de Junho sem virem da manifestação (provavelmente, algumas dessas pessoas foram as que deram com os costados nos calabouços de Monsanto passado pouco tempo, sem saberem porquê nem como, e que por lá ficaram sem acesso a advogado). Isto é o que posso relatar sobre o que vi nos locais onde estive. Mas mais importante do que os relatos é marcar estes pontos: a carga policial de ontem não tem, não pode ter, nenhuma justificação; a polícia não agiu para parar a “meia dúzia de manifestantes” (palavras do ministro da Administração Interna, não minhas) que estavam a atirar pedras, porque ninguém trava meia dúzia de pessoas à pedrada com uma carga militar que acerta em todas as outras; pessoas perseguidas pelas ruas, gente detida aleatoriamente, detidos impedidos de falar com os advogados e autos em branco não são, nunca serão, coisas toleráveis numa democracia, sendo, pelo contrário, coisas que ajudam a definir a ausência de democracia.
Que depois de tudo isto tenhamos assistido ao desfile dos painéis de comentadores a falarem das pedras, discutindo se quem as atirava era estrangeiro, estivador, anarquista, mal vestido ou outra coisa qualquer daquelas que incomoda os painéis de comentadores, em vez de os ouvirmos falar sobre a gravidade do que tinha acontecido e estava a acontecer; que depois de tudo isto tenhamos ouvido o secretário da CGTP, que convocou uma greve que foi gigantesca e um enorme sucesso, dizer que lamentava o sucedido, mas sem um comentário sobre a violência policial e as questões que referi atrás e que, parece-me, são graves e muito importantes, independentemente de afectarem os trabalhadores da CGTP (de quem o secretário geral fala como se fossem os únicos trabalhadores legítimos, os únicos que sofrem na pele a crise, os únicos que podem, sabem, estão legitimados para protestar e pensar em mudar alguma coisa); que tenhamos tido relatos televisivos onde muitos jornalistas deram a entender que a polícia teve de agir assim porque havia petardos e pedras (não sei se esses jornalistas têm estado nas manifestações, mas tem havido petardos e pedras em todas sem que a polícia tenha usado esse pretexto para espancar e perseguir pessoas indiscriminadamente, e com isto não quero dizer que petardos e pedras são uma boa forma de protesto); que tudo isto tenha acontecido num país que se diz uma democracia e nas televisões que se anunciam plurais, atentas à realidade e preocupadas com essa democracia, só pode acentuar a nossa miséria, a do pão e a outra, a que nos reduz o pensamento à conversa de café e o debate político à bisca lambida.
Sara Figueiredo Costa
jornalista free-lancer

sábado, abril 07, 2012

Sobre uma foto na Revista do Expresso



Sobre uma foto na Revista do Expresso
Melhorando a legenda


Assinalando os 40 anos do jornal, a revista do Expresso é hoje dedicada à década (?) 1973-1982 e inclui naturalmente um vasto conjunto de fotos (quanto aos textos falarei talvez noutra altura) que são de êxito e sensibilidade seguras para uma certa geração. Uma das fotos publicadas é a de presos políticos falando na manhã de dia 26 de Abril em Caxias com um militar. Ora a legenda da foto acima reza o seguinte : «Alguns dos detidos pertenciam à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), como Hermínio da Palma Inácio (líder da organização, o primeiro à esquerda)- Seguem-se - numa identificação feita por ex-membros da organização - José Casimiro Ribeiro (também da LUAR), Eugénio Manuel Ruivo (PCP), desconhecido, desconhecido (este meio encoberto),  e Ramiro Raimundo (da LUAR, de bigode). A última pessoa identificada é António Vieira Pinto (segundo à direita, da LUAR).».

Tivesse ao menos o Expresso perguntado ao José Pedro Castanheira e poderia então ter dito que o «desconhecido» [que eu assinalo com um quadrado branco] é o meu querido amigo e camarada, o jornalista Fernando Correia (por detrás dele,   ajudou-me o José Araújo, está o também amigo, camarada e jornalista Albano Lima).


P.S: É claro que ninguém é perfeito mas, tendo em conta que o Expresso começou a 6 de Janeiro de 1973, não compreendo que a primeira entrada fotográfica sobre a Oposição Democrática seja a farsa eleitoral de Outubro de 1973, com omissão do 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro no início de Abril de 1973.

sábado, fevereiro 11, 2012

Baltasar Garzón ~ Corrupção/PP e crimes do franquismo


10 FEVEREIRO 2012

Corrupção/PP e crimes do franquismo


Os dois vespeiros em que
Garzon tocou, arriba España !


A los que hoy brindarán con champán
Maria Garzon no El País


Esta carta está dirigida a todos aquellos que hoy brindarán con champán por la inhabilitación de Baltasar Garzón.
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A ustedes, que durante años han vertido insultos y mentiras; a ustedes, que por fin hoy han alcanzado su meta, conseguido su trofeo.
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A todos ustedes les diré que jamás nos harán bajar la cabeza, que nunca derramaremos una sola lágrima por su culpa. No les daremos ese gusto.
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Nos han tocado, pero no hundido; y lejos de hacernos perder la fe en esta sociedad nos han dado más fuerza para seguir luchando por un mundo en el que la Justicia sea auténtica, sin sectarismos, sin estar guiada por envidias; por acuerdos de pasillo.
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Una Justicia que respeta a las víctimas, que aplica la ley sin miedo a las represalias. Una Justicia de verdad, en la que me han enseñado a creer desde que nací y que deseo que mi hija, que hoy corretea ajena a todo, conozca y aprenda a querer, a pesar de que ahora haya sido mermada. Un paso atrás que ustedes achacan a Baltasar pero que no es más que el reflejo de su propia condición.
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Pero sobre todo, les deseo que este golpe, que ustedes han voceado desde hace años, no se vuelva en contra de nuestra sociedad, por las graves consecuencias que la jurisprudencia sembrada pueda tener.
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Ustedes hoy brindarán con champán, pero nosotros lo haremos juntos, cada noche, porque sabemos que mi padre es inocente y que nuestra conciencia SÍ está tranquila.

Madríd, 9 de febrero de 2012.

María Garzón Molina



quarta-feira, outubro 05, 2011

Wall Street e Main Street


EUA



A ler aqui

Academics Help Wall Street Protests Gain Credibility

Nobel-winning economist, Harvard law prof among those attempting to articulate demonstrators' goals.

 



As the Occupy Wall Street protests grow and spread across the country, media coverage has begun to take them more seriously, the New York Times points out.
One reason is their sheer size and persistence—it’s a rare street demonstration that is still gaining steam after almost three weeks. Another is the entry of media-savvy organized labor groups, with Reutersreporting that major unions representing state and city workers, nurses, communication workers and transit workers were set to take part in a march through Manhattan’s Financial District on Wednesday afternoon. Students, too, are participating en masse, with walkouts planned at some 75 universities across the country. And, of course, several of the usual-suspect celebrities have joined the cause.
A more interesting development, and perhaps an overlooked reason why news outlets have begun to treat the protesters as something more than “aggrieved youth,” is the growing involvement of some of the country’s best-known public intellectuals, who have begun to articulate what they see as the main goal of a movement whose aims so far have been vague: stronger financial reform.
An early backer from academia was Princeton professor Cornel West, who applauded the protesters for fighting “the greed of Wall Street oligarchs and corporate plutocrats who squeeze the democratic juices out of this country.” He was out on the streets of Boston Wednesday with the marchers, according to the Boston Herald.
While West has a reputation as an activist, the movement has more recently begun to draw in professors of a less demonstrative bent as well. Nobel Prize-winning economist Joseph Stiglitz of Columbia University gave the New York protests a lift on Sunday with a speech that has been making the rounds via Youtube. Because the protesters were prohibited from using a megaphone, he paused in between lines for the crowd that had gathered around him to repeat his words more loudly. He told the protesters they were doing the right thing by standing up to Wall Street:
You are right to be indignant. The fact is the system is not working right. It is not right that we have so many people without jobs when we have so many needs that we have to fulfill. It’s not right that we are throwing people out of their houses when we have so many homeless people.
Our financial markets have an important role to play. They’re supposed to allocate capital, manage risks. But they misallocated capital, and they created risk. We are bearing the cost of their misdeeds. There’s a system where we’ve socialized losses and privatized gains. That’s not capitalism; that’s not a market economy. That’s a distorted economy, and if we continue with that, we won’t succeed in growing, and we won't succeed in creating a just society.
Stiglitz and West have been joined by Lawrence Lessig, the renowned Harvard law professor, who took to Twitter on Tuesday to urge his followers to join the protests, then wrote in support of them on the Huffington Post on Wednesday, comparing them to the Arab Spring:
The arrest of hundreds of tired and unwashed kids, denied the freedom of a bullhorn, and the right to protest on public streets, may well be the first real green-shoots of this, the American spring. And if nurtured right, it could well begin real change.
 http://slatest.slate.com/posts/2011/10/05/occupy_wall_street_stiglitz_lessig_west_lend_protests_intellectu.html


sábado, abril 30, 2011

Soares dos Santos e a «velharia» do 1º de Maio


30/04/11

Soares dos Santos e a «velharia» do 1º de Maio


Pingo quê ? Ou como se compram

consciências e coagem direitos






Hoje, nos supermercados Pingo Doce, cartazes estrategicamente colocados informavam os clientes de que aqueles estabelecimentos estarão abertos amanhã, 1º de Maio, Dia do Trabalhador e feriado nacional. Este anúncio é depois desenvolvido e argumentado com um extenso comunicado do qual o menos que se pode dizer é que é uma hábil mas sinistra mistura de ais e uis sobre a presente situação nacional com um patente vezo antisindical.
O comunicado, intitulado «Portugal precisa de trabalho e de sentido de responsabilidade» dava também conta da excelsa generosidade da empresa, ao informar que «os colaboradores» que se apresentarem ao serviço amanhã receberão uma remuneração de «mais 200% que acrescem à remuneração de um dia normal de trabalho» e beneficiarão da «concessão extraordinária de um dia de folga pelo dia trabalhado». Para quem porventura não o soubesse, fica assim claro como se compram consciências e se exerce uma poderosa coacção sobre o exercício dos seus direitos pelos trabalhadores. De caminho, talvez os leitores possam imaginar qual é a margem de lucro diário desta empresa para se permitir pagar mais 200% de remuneração num dia aos seus trabalhadores.

Não me faz grande falta mas, depois disto, quando pela enésima vez vir nas televisões o patrão da Jerónimo Martins a perorar sobre os males da Pátria e
a ensinar-nos o caminho da redenção nacional, vou-me sempre lembrar deste cartaz e deste comunicado e desabar, mas em português vernáculo, «Fuck you, mister Soares dos Santos !».

(aqui, o comunicado do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal)

terça-feira, abril 05, 2011

As eleições mais "aprisionadas" de sempre ? - Vítor Dias

um blogue de esquerda em homenagem à Comuna de Paris



04/04/11


Desculpem a extensão mas o assunto é sério



As eleições mais


"aprisionadas" de sempre ?

Já me tinha, por várias vezes, aproximado deste tema embora de forma relativamente subtil (ver 2º § desta «carta aberta»), mas agora é tempo de o abordar com a maior clareza possível. O que quero avançar é que, com a ressalva de que a memória é traiçoeira, julgo estar em marcha um nunca visto (e de contornos absolutamente asfixiantes) movimento de opinião publicada no sentido de expropriar as próximas eleições de conteúdos que, por definição, lhe deviam ser intrinsecamente inerentes, e de amarrar e formatar, em cínico nome do «pragmatismo» e de um suposto «estado de necessidade», as opções dos eleitores a um limitado quadro de escolhas de voto, alegadamente sustentado ou ancorado no ponto a que, em diversos domínios, o país chegou. Assim, a este respeito:

O que é muito triste de verificar é que esta poderosa e perigosa operação, vindo sobretudo de políticos, comentadores e bloggers próximos do PS, do PSD e do CDS, está também sendo servida, naturalmente com nuances próprias e diferentes celofanes, por pessoas que pertencem àquele esquerda que agora descobriu (Cavaco Silva não diria melhor) os encantos de adjectivos como «credível» e «exequível» (ver aqui). No primeiro grupo, pode dar-se o exemplo de Marcelo Rebelo de Sousa ontem na TVI a querer circunscrever o debate eleitoral à questão de saber quem é que tem soluções para que em Abril e em Junho se possam pagar as tranches da dívida externa, matéria que naturalmente limitou ao PS, PSD e CDS, depois de ter deixado claro que discussões sobre culpas não interessam nem ao menino Jesus. Quanto a mim, só certamente por falta de memória ou inspiração, é que não repetiu a cena de Mário Soares em 83 ou 84 virando-se na AR para a bancada do PCP para perguntar se, por acaso, na caixa da Soeiro Pereira Gomes não haveria cacau bastante que o PCP pudesse emprestar para que o país honrasse urgentes compromissos financeiros externos.

Quanto ao segundo grupo, o da «esquerda» razoável ou pragmática (parte da qual parece-me estar a ir para qualquer parte), pode valer por todos a crónica queDaniel Oliveira hoje publicou no Expresso online onde prevê as tácticas dos diversos partidos e depois enuncia o que, segundo ele, os eleitores realmente esperam de cada um na actual situação. Neste âmbito, vale a pena reter que Daniel Oliveira enquanto ao PS só pode moderadamente que « esclareça se, para além de adiar a intervenção do FMI e queixar-se da oposição, tem soluções a médio prazo, que passem por uma coordenação europeia para a inevitável e urgente renegociação da dívida. E se, entretanto, pretende começar a distribuir os sacrifícios com alguma decência.», depois de prever quanto ao PCP e BE que « vão gritar, julgando que basta ser o eco da irritação geral. Só que se é para acumular forças com a desgraça alheia, os desgraçados vão percebem que não é dali que virá a solução», o que vem exclusivamente reclamar do PCP e do BE é que « digam as suas condições para participar numa alternativa ao bloco central. ».

Como se vê, para este esclarecido teclado, aí está de novo a ideia peregrina e absurda de que as campanhas eleitorais são o terreno ideal para negociações entre partidos a um ponto tal que parece que a defesa dos suas próprias orientações, políticas e projectos deveriam ficar para segundo plano. Depois, segue-se a infantilidade ou genética diletância de supôr que isso das «condições» é coisa fácil de formular antes de terem sido contados os votos. De caminho, esquecem-se várias outras coisas: é que se as «condições» fossem cerradas e extensas, logo viria quem dissesse que só foram enunciadas para serem rejeitadas; se forem escassas, «mínimas» ou «credíveis» esquece-se que quem as apresentasse passaria a ter como campanha tudo o resto (bem maior e mais grave certamente) que teria revelado estar disposta a aceitar, tolerar ou engolir. E, por fim, esquece-se que a qualquer coisa medianamente decente (e que honestamente, no estado actual das artes, não sei o que seja) o PS logo responderia que não, nem pensar, o que só criaria para quem tivesse apresentado as tais «condições» o fortalecimento da imagem pública da sua marginalização em termos de futuras soluções governativas e definições de política.

Agora atenção: eu não sou nem tão estúpido, nem tão inexperiente nem tão distraído que não pressinta ou saiba que esta poderosa ofensiva ideológica e política de conformação e formatação do pensamento e atitudes dos eleitores não tenha pernas para andar. A diferença está em que eu não me submeto nem me rendo a ela, não lhe confiro nem inocência nem naturalidade, antes a procuro denunciar e combater com o limitado vigor intelectual e político que me resta.


Não, prezados cidadãos e cidadãs: não há nada que ateste melhor a força e a vitalidade da democracia e a soberania dos eleitores do que votarem de acordo com as suas convicções de fundo e em coerência com as indignações, protestos e lutas em que participaram nos últimos anos de desgraça, crise, atraso e retrocesso social. Sim, estimados eleitores e eleitoras: o que vos estão a pedir e vos vão pedir cada vez mais intensamente até ao dia de voto é que se esqueçam e assim absolvam as políticas que nos conduziram aqui e quem partidariamente tem indisfarçáveis culpas e responsabilidades, é que circunscrevam o leque das vossas opções de voto precisamente às forças cujas políticas e medidas tanto vos agrediram, indignaram e irritaram. Sim, caros compatriotas, o que mais pesará, no pós-eleições, sobre as soluções governativas e respectivas políticas não é um voto aprisionado naquilo que alguns, por conveniência e interesse próprio, baptizam de «credível», «possível» ou «exequível» mas oconvicto, confiante reforçado apoio em votos a uma nova política e aos que, contra ventos de falsas inevitabilidades e marés de alegadas fatalidades, coerentemente a defendem e propõem.