A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, abril 24, 2009

Santa Comba Dão - Largo Salazar abre a 25 de Abril



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in Correio da Manhã - 2009.04.22
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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22 Abril 2009 - 23h47 | fernando ferreira
25/04/1974 é a data mais infame na história de portugal,viva o maior e melhor portugues de todos os tempos, SALAZAR.
22 Abril 2009 - 19h58 | esilado Maringa
Bem que a esquerda quer acabar com a memoria do povo,mas nao consegue.Tomara que Portugal tivesse + patriota c Salazar
22 Abril 2009 - 19h58 | Ana Silva
Onde está essa associação perante a oligarquia neo-fascista que nos governa hoje ?
22 Abril 2009 - 19h49 | josé operário
No dia 25 de abril de 1974 os PIDES na despedida, mataram mais 3 portugueses.É preciso analisar a nossa história
22 Abril 2009 - 19h41 | Aníbal Simões
Estou bastante Emocionado com vossa atitude Sr.Presidente João Loirenço!.Salazar nunca foi ditador,mas UM SANTO!!!
22 Abril 2009 - 19h32 | Gilberto Santos
Salazar, fez muita coisa mal; e bem: não fez nada bem por Portugal!? Escolas,estradas, pontes... Não fez tudo? Quem faz?
22 Abril 2009 - 18h55 | gabriel
Falta referir que foi, através de famosa votação popular na TV,em 2005,esta após debate, eleito o maior Português..
22 Abril 2009 - 18h44 | A. Fernandes - Bobadela
O ditador Salazar nunca deixaria inaugurar algo com o nome de um democrata. Este acto a 25/4 é uma afronta à democracia.
22 Abril 2009 - 17h35 | A.F.-Londres
SAUDO o DISCERNIMENTO Patriotico e HONROSA Decisao do Sr.Pres.JOAO LOURENCO!Segue Lisboa e Porto!ERGAM ESTATUAS!
22 Abril 2009 - 16h47 | Ana Paula
SALAZAR DEIXOU PORTUGAL COM TONELADAS DE BARRAS DE OURO. OS POLITICOS SEGUINTES DEIXARAM-NO NA MISÉRIA,VENDERAM-NO TODO
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22 Abril 2009 - 16h46 | Ana Paula
PARABÉNS SR. PRESIDENTE, O VALOR A QUEM O TEVE. DEIXEM A ALMA DE SALAZAR DESCANSAR EM PAZ.
22 Abril 2009 - 16h45 | gloria
PORQUÊ A INDIGNAÇÃO? QUANDO MUDARAM O NOME DA PONTE OLIVEIRA SALAZAR PARA PONTE 25 DE ABRIL ALGUEM SE INCOMODOU?
22 Abril 2009 - 12h44 | revoltado
pessoas ignorantes e cegas , tenham respeito por aqueles que morreram pela vossa liberdade 25 de Abril sempre
22 Abril 2009 - 12h41 | J.Pires
Eu diria que hoje seria necessário 1 Salazar por Distrito porque este País não tem ponta por onde se lhe pegue.
22 Abril 2009 - 12h30 | Daniel
Se não fosse o Salazar, estaríamos hoje numa autentica miséria e atrasadíssimas.
22 Abril 2009 - 12h26 | Zé Toni
Já agora tb era bom os militares sairem á rua mas sem cravos desta x, apenas c as boas e puras 7.62mm.
22 Abril 2009 - 12h24 | Zé Toni
Vão dar o nome do Tio a 1 largo?? quero ver se vou lá passear dia 25 ^^ VIVA SALAZAR
22 Abril 2009 - 12h21 | NS40
Se houvesse alguém como ele este País não estaria assim, certamente
22 Abril 2009 - 12h18 | Lisboeta
joaquim de ferro,devia ter orgulho de ter nascido na terra de1grande HOMEM=segurança e honestidade
22 Abril 2009 - 12h17 | Pedro Carneiro
Se andassem na "linha" o Salazar não fazia mal a ninguém. O Estaline era melhor, ah pois era...
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22 Abril 2009 - 12h15 | Pedro Carneiro
Salazar foi o único governante deste país que não enriqueceu à custa do mesmo.
22 Abril 2009 - 12h15 | Vieira
Parece uma brincadeira de mau gosto!!!
22 Abril 2009 - 12h13 | Miguel Pereira
Os fascistas do PNR estão sempre metidos no CM quando o seu mentor vem à baila. LOL
22 Abril 2009 - 12h10 | Ruca
Os filhos da terra é para homenagear. Parabéns sr.Presidente da Câmara e mostre que não tem medo da corja abrilista.
22 Abril 2009 - 12h08 | Ruca
O Dr. Salazar já morreu há 39 anos e parece incomodar ainda muita gente. Deixem-nos em paz.
22 Abril 2009 - 12h06 | Ruca
Os políticos de hoje ficam ricos em pouco tempo e o povo continua na miséria. Também é culpa do Salazar?
22 Abril 2009 - 12h03 | Ruca
No tempo do Dr. Salazar não era tudo bom, mas e, hoje? Havia respeito e quem não cumprisse, pagava.
22 Abril 2009 - 12h01 | Ruca
Era um exemplo da honestidade. Politiqueiros de hoje deviam aprender com ele. Agora é só gatunos.
22 Abril 2009 - 12h00 | Ruca
Acho bem homenagear um homem honesto. com ele o Freeport já estava resolvido.
22 Abril 2009 - 11h59 | Ruca
Inaugurar o Largo com o nome do Dr. Salazar? Devia era vir ele próprio endireitar o país.
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22 Abril 2009 - 11h57 | COMANDO
NUNCA TENTEM APAGAR A HISTÓRIA DE UMA NAÇÃO COMO PORTUGAL.
22 Abril 2009 - 11h44 | Calmo
Ai Salazar!se cá estivesses o Joaquim não falava assim,e Portugal estava com segurança.
22 Abril 2009 - 11h40 | Carlos
Salazar nunca teve FREEPORT
22 Abril 2009 - 11h34 | Maria Vieira
Podem Fazer, dizer e pensar o que quiserem, mas Salazar faz parte da história do nosso país independente, é a realidade.
22 Abril 2009 - 11h29 | joaquim Portugal das misérias
A História da Pide por Irene Pimentel.Mulheres como a Conceição Matos e as mulheres do Couço que são vítimas de violação
22 Abril 2009 - 11h28 | farto
o"revoltado"não tem o direito de desejar a morte a quem prefere o Salazar à esquerda que também mata indirectamente !!!
22 Abril 2009 - 11h28 | carvalho
No meu entender ainda nao tivemos homen tao sério e honesto como SALAZAR Desde o 25 de abril so temos corruptos
22 Abril 2009 - 11h21 | su
Ó revoltado, vê la, nao morras engasgado..retrogado..deves ter sido dos q ganhou com o 25 ...
22 Abril 2009 - 11h06 | Carolina
Há pessoas construtivas na História para dar um nome a um largo...falta de imaginação...mentes pequeninas...
22 Abril 2009 - 11h05 | joaquim Portugal das Misérias
As mãos de salazar estão ainda sujas do sangue das mulheres e homens que o regime fascista mandou matar,torturar..
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22 Abril 2009 - 11h02 | Cá estamos
Tanto alarido,falam da guerra colonial,mas se tivessemos entrado na 2ªa guerra mundial tinha morrido mt mais gente
22 Abril 2009 - 10h59 | joaquim Portugal das Misérias
A PIDE trabalhava com informadores que ajudaram ao sofrimento deste Povo.
22 Abril 2009 - 10h58 | sérgio
salazar assassino? ele não matou ninguém! é por isso que não o admiro muito. prefiro o Generalissimo Franco ou Pinochet.
22 Abril 2009 - 10h58 | Adolfo Calatrava
O que não se devia comemorar é o 25Abril de tão nefasta, sangrenta e horrível memória… Salazar merece a nossa gratidão.
22 Abril 2009 - 10h56 | J.Pires
Apenas digo que no tempo do Salazar podia andar na rua com segurança a qualquer hora do dia.Hoje nem armado.
22 Abril 2009 - 10h52 | joaquim homem de ferro
Salazar foi o carrasco que roubou a liberdade ao Povo Português.
22 Abril 2009 - 10h50 | justiceiro noturno
pelo pouco que sei os ricos tem sido ajudados pela direita e nao pela esquerda
22 Abril 2009 - 10h49 | joaquim homem de ferro
Salazar mandava matar no campo de concentração do Tarrafal homens honestos deste país
22 Abril 2009 - 10h49 | justiceiro noturno
DIGAM adolf hitler volta a europa precisa de ti , épor isto que a tuga tem mentalidade atrasada em relaçao ao mundo
22 Abril 2009 - 10h46 | joaquim homem de ferro
Salazar com a Pide mandou matar o General Humberto Delgado
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22 Abril 2009 - 10h42 | joaquim homem de ferro
Era melhor que os meus conterrâneos de s.Comba dão inaugurassem um monumento à miséria que salazar e a sua trupe deixou
22 Abril 2009 - 10h33 | Valmeida
Se não se tivesse travado o 25 de Novembro a Urap comemorava com festa rija a data.É a mesma coisa
22 Abril 2009 - 10h33 | Duarte
estes comentários do revoltado são a imagem de marca dos bloquistas e dos retardados da extrema esquerda. SALAZAR SEMPR
22 Abril 2009 - 10h29 | Fernando Coelho
Porque nao adiar 3 dias e faze-lo quando se comemorar os 120 anos de nascimento deste grande homem. Assim e insulto
22 Abril 2009 - 10h29 | joaquim Portugal das Misérias
Os Santa Combadenses também sofreram com o salazarismo.A Miséria,Atraso,falta de liberdade ,analfabetismo,emigração,etc
22 Abril 2009 - 10h20 | farto
Regime fascista?E o fascismo pós 25Abril?O povo é tratado com desdém e os ricos são ajudados!Tiranias de esquerda,nunca!
22 Abril 2009 - 10h17 | revoltado
estes saudisistas salazaristas deviam ter sido todos mortos no 25 de Abril
22 Abril 2009 - 10h15 | revoltado
deviam ter vergonha este assasino atrasou o País matou inocentes e ainda falam dele como herói ? deviam ser tds mortos
22 Abril 2009 - 10h04 | BOKAS
Não tinha onde ir nesse dia; agora já tenho! Vou á festa da inauguração!
22 Abril 2009 - 10h01 | joaquim homem de ferro
Muito povo do concelho de Santa Comba Dão, emigrou, fugindo à miséria a que o regime fascista de salazar o condenou.
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22 Abril 2009 - 09h57 | José Guerreiro
A História não se apaga como se fosse um graffiti.Salazar,foi,com todos os seus defeitos,um politico honesto.Cadê agora?
22 Abril 2009 - 09h52 | Nuno
VOLTA SALAZAR
22 Abril 2009 - 09h52 | J. Carlos
A provocação desnecessária de um presidente pateta. Qualquer um chega a presidente de Câmara.
22 Abril 2009 - 09h47 | Otario
Já se vai dando valor ao Homem. ainda se dirá mais pelo caminho que isto leva.Atráz de mim vira quem bem de mim falará.
22 Abril 2009 - 09h45 | Henrique Neves
«Salazar foi um grande Homen» - esta a mensagem que em privado anda na boca do Povo.
22 Abril 2009 - 09h45 | jo silva
Neste dia há tantos acontecimentos/inaugurações em Portugal de norte a sul do país, porquê só noticiam esta.É por piada?
22 Abril 2009 - 09h41 | José - Valongo
Kem SOFREU na pele com o regime fascista,fica estarrecida.Kem beneficiou,vangloría-se.Deixem-no tar na cova descasnsado
22 Abril 2009 - 09h36 | Cláudia Pires
Consta-me que antes do 25/4 se podia andar na rua sem medo. A minha geração há muito que está privada dessa liberdade...
22 Abril 2009 - 09h31 | maximiano
o ultimo PORTUGUES integro do século 20 deixou intacto e respeitado o que herdou
22 Abril 2009 - 09h30 | CUNHA
que falta nos faz o Dr. Salazar...
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22 Abril 2009 - 09h24 | Daniel
Num país democrata,os atrazos de vida,também têm direito a ser felizes !
22 Abril 2009 - 09h19 | Beirão no Bearn
Sr presidente da camara, vendo o que os politicos fizeram do 25 de Abril 1974,tem toda a razão, o resto são politiquices
22 Abril 2009 - 09h12 | R.Mendes
Gozem com os Portugueses,e convindem os mutilados da Guerra. Festejar um Ditador no dia da Liberdade, só em Portugal.
22 Abril 2009 - 09h10 | JOKER
Bem ou mal,teve o seu papel na nossa história e deve ser lembrado. E a Ponte Salazar, foi provocaçao do 25/04 ?
22 Abril 2009 - 09h08 | rui pedro
Volta Salazar...estás perdoado...
22 Abril 2009 - 08h44 | luis silva
Foi um homem com mais dignidade e valor deste país , maldito 25...
22 Abril 2009 - 08h41 | antonio adao
Estive na alemanha e nunca encontrei nada com o nome de Hitler.
22 Abril 2009 - 08h38 | R T
É terra onde eu não passo.
22 Abril 2009 - 08h21 | Paulo
Falem mal do unico homem que abusava do poder mas nao esbanjava. Estes agora sao varios e fazem as duas coisas.
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sexta-feira, outubro 19, 2007

Vivemos à rasca, longe de tudo e quase sem nada


CM pela inclusão: Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - 17 de Outubro

* Luís Oliveira, Viseu, com D.P

O sorriso fácil e inocente de Maria do Céu, de 48 anos, espelha os sentimentos de uma mulher feliz mas também a resignação a uma vida solitária e limitada, onde o horizonte da vivência termina no cimo dos montes. Residente em Frágua, aldeia encravada na Serra do Caramulo, junto a Viseu, Maria do Céu, solteira, vive cingida àquilo que a terra lhe dá, longe de uma realidade que não faz questão em conhecer.

Nasceu e cresceu ali e só sai de quatro em quatro anos para renovar o bilhete de identidade a Tondela. A vida desta agricultora resume-se a pouco. “Nasci pobre e assim vou morrer, sem nunca conhecer nada que não seja o trabalho no campo”, desabafa quem só se ausentou do concelho “para ir uma vez ao Santuário de Fátima”. “Foi um sonho realizado”, dos poucos que teve e que não tem mais.

Trata-se de um exemplo paradigmático dos milhares de pessoas que persistem em dar vida a aldeias do Interior do País onde falta quase tudo. Não admira que muitas tenham sido votadas ao abandono, por falta de condições sociais e económicas, mas, sobretudo, de gente. Nestes povoados, muitos sem água canalizada nem rede de esgotos, as estradas não passam de caminhos alcatroados, estreitos e sinuosos, onde os poucos automóveis que ali circulam têm de parar quando se cruzam.

Nas aldeias de Frágua e Mosteirinho, separadas por um quilómetro na Serra do Caramulo, residem duas dezenas de pessoas que não têm onde comprar os alimentos que a terra não lhes dá. Não existe farmácia nem cafés onde se possam encontrar, muito menos lojas para comprar roupas. Farmácia ou multibanco são uma miragem. Duas vezes por semana recebem a visita do padeiro, do peixeiro e do merceeiro ambulante. São eles que lhes trazem novidades do resto do Mundo, alterando a rotina diária de trabalhar duro no campo e tratar dos animais que são o ganha-pão.

Estão longe de tudo: do médico, do padre, dos grandes centros de decisão. “Vivemos à parte do Mundo”, lamenta Henrique Fruela enquanto escalpela as espigas de milho que irão transformar-se em pão. “Vivemos à rasca, longe de tudo e quase sem nada. Não passamos fome porque temos terras. Se não fosse isso, não sei o que seria de nós.”

Estes resistentes da ruralidade não baixam os braços e negam a pobreza, tanto material como de espírito. “Como sempre, vivemos limitados, não podemos dizer que somos pobres. É claro que por detrás destes montes há um mundo completamente diferente que nos passa completamente ao lado”, admite Manuel dos Santos, taxista a quem escasseiam clientes.

TRÊS PERGUNTAS A MOISÉS ESPÍRITO SANTO (Sociólogo e Etnólogo)

- As aldeias isoladas podem vir a desaparecer?

- Certas aldeias pequenas e isoladas vão desaparecer. Os jovens saem porque não há condições e, sem renovação das pessoas, mais tarde ou mais cedo as aldeias morrem.

- Os mais novos podem optar pelo isolamento?

- Não. Podem procurar a tranquilidade mas não o isolamento. Escolhem esses locais para férias mas não lpara se fixarem. Só se forem grupos minoritários, como os ecologistas.

- Que medidas fiscais podem ajudar?

- Facilidades fiscais ou prémios por nascimentos podiam ajudar a fixar gente.

DEPOIMENTOS

"SÓ SAIO PARA RENOVAR O BI" (Maria do Céu Pereira, 48 anos)

“A minha vida resume-se a esta aldeia [Frágua] e ao trabalho. Só vou a Tondela [sede de concelho] de quatro em quatro anos para renovar o bilhete de identidade. Só fui uma vez a Fátima numa excursão. Foi lindo.”

"QUEM TIVER SAÚDE VIVE BEM" (Manuel dos Santos, 58 anos)

“Nestas aldeias vive-se o dia-a-dia sem grandes planos para o futuro. No entanto, quem tiver saúde vive sem problemas. A terra dá-nos os alimentos de que precisamos para matar a fome. O resto para nós não existe, porque não conhecemos.”

"HABITUEI-ME A TER POUCO" (Ersília Fruela, 70 anos)

“Desde sempre que me habituei a ter pouca coisa. O resto também não me faz falta. Estamos longe de tudo e sabemos que contamos pouco para os políticos. Aquilo que se passa para além da serra só sabemos pela televisão e rádio.”

"VOU TER DE SAIR DAQUI" (Ana Fruela, 19 anos)

“Foi nesta aldeia que nasci e cresci, mas tenho a noção de que vou ter de sair daqui para ser feliz. Além da minha família não há mais nada que me prenda aqui. Infelizmente, esta aldeia vai acabar por falta de tudo.”

NÚMEROS

38 Número de eleitores, em 2005, na freguesia de S. Bento de Ana Loura, no concelho de Estremoz, considerada a freguesia menos povoada do País, com 46 habitantes.

399 É a população da ilha do Corvo, nos Açores. Vila do Corvo é a única povoação daquele que é o concelho menos habitado de Portugal. Em 1849, viviam aí 850 pessoas.

20 por cento é a percentagem do território do Continente definido pelo Instituto de Segurança Social como estando envelhecido e desertificado.

56 é o número de concelhos desertificados e com forte tendência de exclusão. Representam cerca de 4,9 por cento da população portuguesa.

128 freguesias, das 4259 existentes em Portugal, têm menos de 150 eleitores. Cinquenta destas possuem menos de cem eleitores.

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in Correio da Manhã 2007.10.13
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» Comentários no CM on line
Domingo, 14 Outubro
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- Adao Lacerda Sempre que viajo a Portugal a zona do Caramulo é aquela que mais alegria me dá porque vivi lá durante 4 anos e percorri aldeias e aldeolas na sua redondeza. Qdo vou fico maravilhado por o Caramulo e seus vizinhos nao terem feito parte da dita evolucao. Adoraria viver sempre no Caramulo e respirar o ar puro das suas serras.As pessoas continuam a viver felizes. Voltarei ao Caramulo em 2008 - Canada
- Farofino Tem uma solução simples para esta gente. É fazer votos deles valerem por 10.
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Sabado, 13 Outubro
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- andre couto Feliz deles que nao vivem com rotinas e pressoes...assim conseguem ser felizes e nao se chateam com os roubos e escandalos politicos! Mantenham-se ai que quando for velho acompanho-vos!
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domingo, maio 06, 2007



Urgeiriça: Minas da morte

* Luís Oliveira

A vida de toupeira deixou marcas que o tempo abriu. Uns não resistiram e regressaram à terra, cadáveres. Outros, poucos, vão sendo consumidos pela doença. Ficaram mais viúvas do que mineiros para contar a história da Urgeiriça.

Olhando da varanda da sua casa para o poço de Santa Bárbara das minas da Urgeiriça, Bernardo Cruz, de 64 anos, não consegue exprimir uma palavra sem tocar na garganta com a mão direita. Um misto de saudade e revolta assalta-lhe o espírito. Lembra-se, por exemplo, dos “bons tempos” passados nos armazéns e nas galerias da mina, das brincadeiras com os colegas mineiros e do dinheiro que fazia da sua casa uma das mais abastadas do couto mineiro. Bernardo trabalhou, durante 27 anos, nas minas da Urgeiriça. Gostou do que fez mas nessa altura – entre 1965 e 1992 – estava longe de pensar “que um dia ia pagar a factura de tantos anos de exposição às poeiras radioactivas”. O ex-mineiro ‘ganhou’ um cancro na traqueia. Usa uma prótese desgastada, que não substitui por falta dinheiro, e só consegue falar quando toca no aparelho que lhe dá a voz aos solavancos. Apesar de tudo resignou-se à condição de homem “cansado de sofrer”.

Bernardo é apenas um das quatro centenas de ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) que, há mais de cinco anos, exigem a realização de exames médicos periódicos, a obtenção de benefícios na idade de reforma e o pagamento de indemnizações às famílias órfãs, justificando tais pretensões com o facto de a constante exposição à radioactividade lhes ter afectado a saúde.

E porque sobretudo querem que o Estado os ajude “a cuidar da saúde”, os antigos trabalhadores da ENU prometem “endurecer” a luta. Estão juridicamente preparados para mover uma acção contra o Estado e realizar uma manifestação em Lisboa, quando Portugal tomar posse da presidência da União Europeia. Os ex-mineiros não se conformam com a mudança de estatuto: exploraram riqueza das entranhas da terra “para enriquecer o País” e agora sentem-se “abandonados” pelo Estado, o mesmo que os “acarinhou” durante décadas.

Dezasseis anos depois do encerramento das minas, não há nenhuma família que, directa ou indirectamente, não tenha sido atingida por uma doença do foro oncológico. Cancro, “palavra maldita”, é o que mais se ouve das pessoas quando interpeladas para falar sobre a realidade que durante décadas dinamizou aquele lugar de Canas de Senhorim, Nelas. De acordo com António Minhoto, porta-voz dos ex-trabalhadores da ENU, só nos últimos cinco anos morreram 80 pessoas que “tinham em comum o facto de terem trabalhado nas minas”. “Esta terra transformou-se nos últimos anos como um ambulatório onde se tira um bilhete para a morte. Estamos saturados de ver morrer os nossos colegas”, refere José Tavares Moitas, ex-mineiro e durante muitos anos vigilante do complexo mineiro.

Se o número de mortes de ex-trabalhadores da ENU alarmou as três centenas de habitantes que ainda dão vida à Urgeiriça, o estudo científico a que foi sujeita a população de Canas de Senhorim realizado pelo Instituto Ricardo Jorge veio aumentar o medo dos ex-mineiros.

ESTUDO CONFIRMA CONTAMINAÇÃO

O estudo científico, segundo António Minhoto, “vem provar a contaminação da população envolvente das minas da Urgeiriça e sua escombreira quando refere a concentração de polónio e chumbo no cabelo das pessoas”. Sendo assim, considera não haver dúvidas de que está mais que provada a causa-efeito para as mortes de ex-trabalhadores da ENU.

“Mas ainda há alguém que duvide de que todos nós estamos queimados por dentro?”, interroga-se Alfredo Magalhães, de 74 anos, um dos poucos mineiros de “fundo de mina” que continua vivo. “Todos os outros já morreram. Sou dos mais velhos. Ainda estou vivo mas não deve ser por muito mais tempo porque tenho um cancro na próstata, pó no pulmão esquerdo e sou reumático de primeira categoria”, afirma, apesar de tudo, com humor.

Alfredo Magalhães nasceu em Cabeceiras de Basto mas a fome desde muito cedo o encaminhou para o trabalho e para as minas da Urgeiriça, onde trabalhou durante vinte anos, bem lá no fundo –- a cerca de 800 metros de profundidade. “Porque se ganhava um pouco mais” – 26 escudos por mês – este mineiro minhoto optou por pegar no martelo. “Por dia cheguei a abrir 60 a 70 furos de metro e meio. Trabalhávamos que nem escravos. E sabe qual foi a recompensa?”, interroga-se, para responder de pronto: “Nenhuma. A empresa fechou e deixou-nos na miséria, carregados de doenças.”

Alfredo recorda-se do dia em que o encarregado baixou ao fundo da mina e anunciou a duplicação do salário. “Foi no 25 de Abril de 1974”, lembra-se “perfeitamente” porque deixou “de comer sardinha” para passar “a degustar frango”.

Os tempos duros de mineiro não se esgotaram no fundo da mina. Hoje, Alfredo está a “pagar a factura” de ter tomado muitos banhos de urânio e de ter respirado as poeiras que lhe tolheram os pulmões. “Sou um homem podre, sem forças para nada. Só ainda não embarquei porque tenho muito cuidado com a alimentação”, conclui.

Voltando a Bernardo Cruz, (o mineiro que tanto gritou na mina para avisar os colegas das explosões e que agora para falar tem de tocar na velhinha prótese) é considerado como um “exemplo claro” de “esquecimento”.

Quando lhe foi diagnosticado o cancro na traqueia ficou desesperado mas foi com “serenidade” que optou pela operação. O seu amigo Casemiro não quis ser operado e acabou por morreu apenas dois meses depois.

Mas antes da operação, Bernardo gastou “muito dinheiro” nas consultas em especialistas e não teve apoio. “Nem para pagar as viagens a Coimbra. Fui muitas vezes de táxi”, diz. “E agora querem tirar-lhe a ambulância que o leva para Coimbra. Mandaram-no ir de autocarro”, intromete-se a esposa, Ana Cruz, também doente – tem três nódulos na tiróide.

Rara, muito rara é a casa da Urgeiriça onde não tenha batido nenhuma tragédia. A morte invade-lhes a memória e tira-lhes a alegria. Lamenta-se as doenças e chora-se a perda. Emília, Maria, Mariana, Trindade e Ilda têm o comum o facto de serem viúvas de mineiros. Não conseguem segurar as lágrimas quando falam dos maridos, sofrem num silêncio que lhes “consome a alma”. Como elas há centenas de outras que viram partir os companheiros, homens que em menos de um mês saíam das galerias para uma cama de hospital onde, impotentes, apanhavam o vagão da morte.

Algumas viúvas como ‘recompensa’ pela morte dos mineiros ganharam um trabalho na empresa que explorava as minas. “Era norma dar trabalho às viúvas para elas poderem sustentar os filhos órfãos de pai”, adianta Alfredo Magalhães.

'PARECEM CADÁVERES AMBULANTES'

As marcas da vida dura estão bem patentes em Sílvio Martins, hoje com 75 anos mas que ficou paraplégico quando tinha 37. Era um “exigente” capataz mas também “amigo” dos mineiros que supervisionava. Em 1965 um desabamento de pedras no 14.º piso de uma galeria deixou-o paraplégico. “O Estado nunca me ajudou. Eu estou assim mas há aí pessoas que são uns cadáveres ambulantes a quem ninguém deita a mão”, conta Sílvio Martins do interior da mota que adaptou à sua deficiência. Para Adelino Caria, serralheiro e soldador, notam-se bem as diferenças de fisionomia entre um homem que trabalhou nas minas e o que não o fez. “Nós temos um aspecto mais doentio, carregado e desgastado”, afirma.

Apesar de tudo, estes mineiro sobreviventes garantem ser “felizes” por o terem sido, mas lamentam que tenham de pagar “bem caro” o perigo.

“De galeria em galeria até à morte”, era e é o medo deles.

CHUVADAS NO INVERNO AMEAÇARAM MONDEGO

A Empresa de Desenvolvimento Mineiro procede a trabalhos de recuperação ambiental na Barragem Velha da Urgeiriça – onde estão depositados quatro milhões de toneladas de resíduos –, uma intervenção orçada em seis milhões de euros. Estes trabalhos estiveram parados mas foram retomados no Inverno passado depois de a associação Ambiente das Zonas Uraníferas ter alertado para o facto de as fortes chuvadas transformarem as areias radioactivas da Barragem Velha da Urgeiriça em lamas que estavam a correr para o rio Mondego. “A situação era muito grave. Aquelas lamas podiam contaminar as linhas de água e escorrer para o rio Mondego”, diz António Minhoto.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro enviou técnicos para o local que analisaram a situação e chegaram à conclusão de que “muito dificilmente” as lamas radioactivas atingiriam o Mondego.

AS VIÚVAS

"MORREU DE CANCRO NO PULMÃO" (Helena, 63 anos, enviuvou do mineiro A. Cunha)

“O meu marido morreu de cancro. Foi doloroso. Para sobreviver tive de me agarrar ao trabalho. Recebo 200 euros de pensão, mas gasto 100 em medicamentos porque só respiro por um pulmão.”

"TRABALHOU NA ZONA PERIGOSA" (Emília Costa, 59 anos, perdeu o marido há quatro)

“Aconteceu aquilo que temíamos. O meu marido trabalhava na zona mais perigosa - empacotava o urânio. Morreu há quatro anos com um cancro na traqueia. Tive uma trombose duas semanas depois.”

"DEU A VIDA PELO TRABALHO" (Trindade Fernandes, 63 anos, viúva de mineiro)

“O meu marido era capataz. Deu a vida pelo trabalho. Durante muitas semanas não viu a luz do dia - saía para o trabalho de madrugada e só voltava de noite. Morreu muito magro e vencido pelo urânio.”

"MORREU DEPOIS DA 4ª OPERAÇÃO" (Ilda Fernandes passou fome depois de enviuvar)

“O meu homem trabalhou no fundo da mina durante 28 anos, sempre muito duro. Depois ficou muito doente e acabou por morrer depois da quarta operação. Passei fome para conseguir pagar a casa.”

"ESTAMOS FARTOS DE TANTO DESPREZO" (António Minhoto, porta-voz dos mineiros, não cala a revolta)

CM – Por que é que os ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio se sentem abandonados pelo Estado?

António Minhoto – Porque há muitos anos que reclamamos mais atenção para os nossos problemas, que são graves, e ninguém nos liga nenhuma. Estamos fartos de tanto desprezo

– Há algum caso dramático mais urgente?

– Muitos. Basta falar com ex-mineiros e mulheres que enviuvaram para ver a situação desgraçada em que estão. É a altura de os responsáveis deste País olharem para nós. O esquecimento já provocou, nos últimos cinco anos, a morte a 80 ex-trabalhadores.

– Vão endurecer a luta. Até onde podem ir?

– Chegou a altura de dizer basta, queremos que o Governo se digne dialogar connosco. Caso não nos receba a curto prazo vamos mover uma acção em tribunal contra o Estado e, se nada for feito até Junho, organizaremos uma manifestação em Lisboa no dia da tomada de posse da Presidência Europeia.

– A realização de exames médicos é a vossa principal reivindicação. Porque é que ainda não foram feitos?

– Pergunta bem. Nós também não entendemos, porque com a saúde não se brinca. É a vida dos ex-trabalhadores que está em causa. Sempre que tentamos falar com o Governo empurram-nos de ministério em ministério – da Saúde, Economia e Trabalho – e ninguém se entende.

– São caros?

– Trata-se de exames muito complexos e caros mas isso não pode ser um entrave porque estes homens já deram muito dinheiro a ganhar ao Estado.

SAIBA MAIS

150 toneladas de urânio permanecem armazenadas no complexo das minas da Urgeiriça. O urânio está a ser vendido para a Alemanha, voltou a ser um minério com procura.

79 milhões de euros é a verba necessária para a resolução dos problemas ambientais associados às explorações uraníferas abandonadas na Região Centro.

CAUSAS

As doenças que afectam os ex-trabalhadores da ENU e da população que reside perto das minas são provocadas pelo contacto com o urânio e com as poeiras.

CURA

As doenças do foro oncológico – as que mais afectam os ex-mineiros – sempre que detectadas a tempo têm cura. Os clínicos recomendam uma forte vigilância.

CONSELHOS

Para as pessoas que residem em zonas uraníferas aconselha-se a ventilação da casa (abrindo janelas) e a medição constante do nível de radiação.


in CORREIO DA MANHÃ 2007.05.05
Fotografia de Nuno André Ferreira