A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quinta-feira, maio 26, 2011

Apelo aos estudantes de Coimbra (a propósito das manobras provocatórias a pretexto da defesa do património da Universidade)


por Ângelo Alves a Quarta-feira, 25 de Maio de 2011 às 16:58
Que os estudantes de Coimbra - as duas dezenas de milhar de estudantes que não foram ontem à escadas monumentais protagonizar um triste espectáculo de arruaça e provocação política, e mesmo os que foram, pensando que estavam bem intencionados - reflictam sobre este acontecimento, sobre o que ele significa, sobre a História da Academia e sobre o papel da Associação Académica que é suposto representá-los.

É que é a primeira vez que o Presidente da AAC se envolve e objectivamente alimenta uma provocação político-partidária e interfere directa e publicamente numa campanha eleitoral, tudo em nome de uma suposta defesa de património da Universidade.

Como antigo estudante de Coimbra, ex-dirigente da AAC e activista em defesa da Universidade e do Ensino Superior Público, sinto profunda tristeza e vergonha por ver estas três letras e essa grande instituição - que tanto dizem a tanta gente e que tantas vidas marcaram -  envolvidas numa tão baixa manobra partidária dirigida a partir dos gabinetes daqueles que ao longo dos anos têm dado machadadas atrás de machadadas no ensino superior público, têm condenado a Universidade de Coimbra ao constante aperto de cinto e têm tratado os estudantes de Coimbra como uns mariolas que só sabem gastar dinheiro aos pais e ir para as ruas fazer barulho.

Esses são os mesmos que não lutaram contra o fascismo, tendo alguns mesmo apoiado a ditadura. Esses são os mesmos que não sabem o que é receber a notícia que um companheiro de luta morreu ou foi preso porque decidiu lutar pela liberdade e também pela Universidade como espaço de criação e resistência. Esses são os mesmos que não sabem o que foram as reuniões e encontros clandestinos na baixinha de Coimbra para organizar e dar força ao movimento estudantil contra o fascismo. Esses são os que não conviveram bem com o movimento das repúblicas e que hoje, apesar dos discursos, as continuam a olhar com desconfiança. Esses são os mesmos que não estavam na sala 17 de Abril, que calaram ou fugiram quando os cavalos da GNR subiram à alta.
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Esses são os mesmos que não foram às manifestações em defesa do ensino superior público, que não sabem o que foi organizar a primeira manifestação em Coimbra contra as propinas contra a opinião da DG/AAC da altura. Esses são os que nunca souberam o que é apanhar da polícia apenas por defender o direito às bolsas e às residências, que não sabem o que é dar horas e forças da nossa vida a dinamizar secções da AAC e a discutir como arranjar dinheiro para pagar bolsas atrasadas ou salários aos funcionários da AAC. Esses são os mesmos que não sabem o que é passar noites em claro a produzir comunicados e panfletos e depois, de manhã, ir para o cimo das Escadas monumentais fazer distribuições e falar com milhares de estudantes.

Esses são aqueles que não sabem o que é passar dias inteiros a ir falar às turmas explicando o que era, e que mal fazia, a lei de financiamento do PSD (primeiro) e do PS (anos depois). São os mesmos que nunca sentiram o coração a palpitar numa Assembleia Magna, que nunca sentiram o orgulho e a alegria de ver, na Estação de Santa Apolónia, sair de dois grandes comboios uma imensa mole humana de estudantes vestidos de negro – sim o mesmo traje que foi usado ontem – gritando “Académica!”.

Esses nunca saberão a emoção que ainda hoje se sente quando se pronuncia a frase “estudantes unidos jamais serão vencidos!”
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Não venham falar de respeito pela Universidade!!! Respeito pela Universidade é lutar por ela, é dar parte da nossa vida a ela, é defender o seu património todo, o seu coração – as pessoas e os princípios - e a sua história de luta! Pintando as escadas monumentais sim senhor! como tantas vezes se fez, e fazendo tantas outras coisas e tão bonitas, como um concerto de música clássica no pátio da universidade para comemorar o aniversário da AAC ou como uma invasão pacifica da “Cabra” para dizer que estávamos em luta!

Respeito pela Universidade é conhecer a sua História, os seus corredores, os seus problemas, as suas dores, e também as suas alegrias, conquistas, belezas e potencialidades, e não apenas umas escadas que, despidas da história de resistência de que foram palco, são apenas pedras mandadas colocar por Salazar que, fique sabendo-se, destruíram outras que ali existiram antes – as Escadas do liceu.

Fiquem sabendo aqueles que consideram as escadas monumentais o “símbolo” da Universidade que a concentração de edifícios na alta universitária mandada erigir por Salazar foi-o com um objectivo: restringir a circulação dos estudantes àquele espaço. E fiquem sabendo esses mesmos que a construção desses “símbolos” implicou a destruição de parte considerável do centro histórico de Coimbra, nomeadamente edifícios como a antiga sede da AAC, o Governo Civil, a Biblioteca Geral, igrejas e parte da muralha medieval da cidade.

Não venham invocar o respeito pela Universidade! Respeito pela Universidade é não atacar e não provocar aqueles que a defendem, mesmo que esses não partilhem a nossa ideologia. Respeito pela Universidade é saber o que significa de facto o conceito da unidade. É saber (como os comunistas souberam e sabem) trabalhar lado a lado com gente muito diferente, defendendo o direito à educação, respeitando as tradições da Academia (mesmo não concordando muitas vezes com todas elas) e trabalhando para que a Universidade continue a ser um espaço de profunda democracia, de irreverência plena de conteúdo, de participação, de partilha de saberes e experiencias, de solidariedade, fraternidade, amizade e amor a causas.

Respeito pela Universidade não é dizer que aquelas escadas são da AAC ou da Universidade, como pobre e tristemente afirmou o estudante que hoje assume o cargo de Presidente da AAC. Como muitos sempre defenderam, e como tantas vezes a DG/AAC soube interpretar sabiamente, a Universidade é dos estudantes, da academia e da cidade, é de todos, e não de alguns! Ninguém é dono dela!
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Aqueles que invocando UNESCO's e afins querem divorciar a Universidade de Coimbra da cidade saibam que estão a matar a Academia aos poucos! A Universidade e os seus edifícios não são museus, são pedras com vida e com história, são aquilo que em cada momento os estudantes e as gentes de Coimbra quiserem que ela seja! Aquelas escadas não são um monumento, são umas escadas! Mas umas escadas especiais, muito especiais, porque nelas e através delas, já se lutou muito pela democracia, pela liberdade, pela justiça e pela Universidade.
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Sou Comunista. Os comunistas sempre estiveram ao lado dos estudantes de Coimbra, temos um património e uma acção presente da qual muito nos orgulhamos. Somos respeitados por isso e temos grandes amizades junto daqueles que connosco aprenderam, lutaram e trabalharam pela AAC e pela Academia, e com os quais aprendemos tanto também! Esses sabem que pintar as escadas monumentais é tudo menos um acto leviano, de desrespeito para com quem quer que seja.

É natural que alguns dos que estiveram ontem envolvidos na provocação à CDU não saibam a história toda daquelas escadas e da luta estudantil em Coimbra (antes e depois do 25 de Abril, antes e depois das lutas das propinas). Mas faço um apelo, que se informem e concluam que pintar as escadas monumentais com slogans que defendem os estudantes e o ensino superior público gratuito e de qualidade foi um profundo acto de respeito! Não para com as escadas, que são pedras, mas para com aquilo que de melhor já lá se passou, para com a Universidade, para com os estudantes, para com a Academia e para com a cidade de Coimbra. Foi um acto de propaganda legítima, mas também uma homenagem!

E foi também um grito de alerta para chamar a atenção que a política não passa apenas na televisão, como uma qualquer novela. Que a política é criatividade, é esforço pessoal, é generosidade e pode e deve ser feita por todos!

Aos estudantes e às gentes de Coimbra fica o apelo: reflictam… reflictam se vale a pena tentar calar aqueles que não se resignam à política espectáculo, à política “plástica” desprovida de ideias, ideais e sonhos.
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Reflictam se é nos que insistem – como a CDU - num método de propaganda legal e legítimo, que está referenciado nos anais da História da Universidade de Coimbra e que inclusive faz parte do acervo que agora é candidato a património mundial, que está o perigo de destruição do património da Universidade, dos Estudantes, da AAC e da bonita cidade de Coimbra.


Ângelo Alves - 25.05.2011
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sábado, novembro 20, 2010

Paz Sim - NATO Não !



  • Ângelo Alves


O povo desfilará com a alegria que só a firmeza de princípios permite
De Lisboa para o Mundo
Dentro de 24 horas terá início a cimeira da NATO em Lisboa. Portugal receberá, pela primeira vez na sua história, uma Cimeira de chefes de Estado e de governo desta organização. O Governo do Partido Socialista e o Presidente da República serão, na FIL, os colaborantes anfitriões. Nas ruas de Lisboa o povo defenderá a paz e a Constituição da República Portuguesa. 
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Foi há 36 anos que o povo português e o Movimento das Forças Armadas libertaram Portugal do fascismo e conquistaram a liberdade pondo fim a uma criminosa ditadura que em 1949 envolveu Portugal na fundação da NATO. O povo português conquistou então a liberdade, mas não apenas para si. A Revolução, a independência das então colónias portuguesas e a aprovação da Constituição da República Portuguesa significaram avanços históricos exemplares na concepção do relacionamento do Estado democrático português com outros países e povos do Mundo. Abril foi uma profunda mensagem de amizade e de paz, um acto de internacionalismo e um imenso abraço fraterno a todos os povos do Mundo. 
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A inclusão no artigo 7.º da CRP da afirmação «Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares (…)» não foi um mero enunciado retórico de princípios. As palavras da Constituição foram expressão e são filhas da história e da luta do povo português. Ao incluirmos, como povo, esses princípios na CRP, dissemos ao Mundo que a opressão e a agressão que marcou o regime fascista e colonialista português, membro da NATO, pertenciam ao passado negro da história de Portugal. 
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Mas, três décadas passadas, Portugal recebe, pela primeira vez na sua história, uma cimeira da NATO. Como referiu o Secretário-geral do PCP, «dessa reunião não sairá mais paz! Sairá sim mais insegurança, mais guerra, mais dinheiro para a indústria da morte, mais ingerências e ameaças contra os povos e países (…) renovados ataques ao direito internacional, à própria organização das Nações Unidas, à democracia, à soberania, à autodeterminação dos povos e à liberdade».
O momento em que Portugal é palco desta grave escalada do imperialismo, coincide com o momento em que as classes dominantes em Portugal reflectem sobre a entrega do que resta da nossa soberania ao sinistro binómio FMI/UE – poderosa máquina trituradora de independência nacional, de tecidos produtivos e de direitos laborais e sociais. Simultaneamente o Governo e o Presidente da República regozijam ao dar mais um passo no reforço da NATO e na submissão das nossas Forças Armadas e da política externa portuguesa aos interesses, objectivos e estratégias do imperialismo e neocolonialismo, traindo assim a Constituição que juraram cumprir e fazer cumprir.

Que não falte ninguém

Na FIL estarão todos os principais responsáveis políticos pela situação que vivemos, os de casa e os de fora. Ali estarão aqueles que para defenderem o grande capital e o domínio económico das suas potências lançam milhões no desemprego e na pobreza, decidem da extorsão de economias como a portuguesa e espezinham a sua soberania. Ali estarão os que não hesitam em recorrer à guerra, ao golpismo, aos crimes mais hediondos, às ingerências e ameaças para dominar países, recursos e mercados. Será o estado-maior do imperialismo que se reunirá na FIL e o Governo do PS e o Presidente (do PSD) serão os seus entusiastas e colaborantes anfitriões. Ali estarão todos juntos, numa unidade de classe, da sua classe, cantando odes à NATO, ao capitalismo, ao militarismo e aos seus chefes supremos. Será essa a triste e fraca figura que têm para enviar da FIL ao Mundo.
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Mas de Lisboa, da Avenida que da Liberdade tem nome, sairão no sábado outras e opostas mensagens. Bem coloridas, vivas, combativas e de paz. Será o povo de Abril que desfilará na Liberdade. O povo que face às pressões, às campanhas de intoxicação ideológica, às intimidações e manobras, desfilará com a serenidade e a alegria que só a firmeza de princípios permite, dizendo presente!
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Oriundos de todo o País, mobilizados pela JCP, pelo PCP, pela CGTP-IN, pelo CPPC e pelas mais de 100 organizações que, unidas na Campanha «Paz Sim, NATO Não», demonstraram ao longo do ano o que de facto significa perseverança, princípios e unidade na acção, esses serão os que nas ruas de Lisboa defenderão a Constituição de Abril e a Paz enviando assim mais um grande abraço fraterno e de solidariedade internacionalista de Lisboa para o Mundo.
Que não falte ninguém!
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Avante 2010 11 18
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sábado, agosto 14, 2010

Ameaça Nuclear

  • Ângelo Alves

O que é novo é a profunda hipocrisia que os rodeia
A «Nobel» hipocrisia
Se é um dever assinalar, a cada ano que passa, o crime dos EUA em Hiroshima e Nagasaki, no ano em que se assinalam os 65 anos do holocausto nuclear esse dever e essa responsabilidade é ainda maior. Infelizmente nem as autoridades, nem a imprensa em geral, deram o destaque necessário a este trágico aniversário e quando o fazem esforçam-se por ocultar ou mitigar um dos mais importantes factos dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki: O lançamento das duas bombas atómicas sobre estas duas cidades foi um acto de puro terrorismo de Estado. Não foi sequer um acto de guerra, já de si fortemente condenável. A Segunda Guerra Mundial estava na prática terminada e o Japão imperial preparava-se para assinar a sua rendição na sequência da decisão da URSS de abrir a frente contra o Japão.
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Mas se o recorrente branqueamento deste inegável facto histórico é, para a memória das vítimas de Hiroshima e Nagasaki e para os amantes da paz, um insulto, o que aconteceu este ano no Japão nas cerimónias oficiais que assinalaram os 65 anos do holocausto nuclear revestiu-se de contornos tenebrosos.

No mesmo exacto período em que os EUA – potência nuclear que nunca efectuou sequer um pedido de desculpas ao povo Japonês pelo hediondo crime que cometeu - estão envolvidos em gigantescas e «explosivas» provocações contra o Irão e a Coreia do Norte em nome de um suposto «combate à proliferação nuclear», as referidas cerimónias contaram pela primeira vez com a presença do mbaixador John Ross que, por via de um hipócrita comunicado da representação diplomática dos EUA em Tóquio, afirma ter estado ali presente «para expressar respeito por todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial», declarando simultaneamente que os EUA e o Japão «compartilham o objetivo comum de avançar na visão do presidente Obama de conseguir um mundo sem armas nucleares»(1). 
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Mas, se as afirmações de John Ross são carregadas de hipocrisia e reveladoras do estado de coordenação entre Japão e EUA na estratégia do imperialismo, as declarações do primeiro-ministro japonês não se ficam atrás e são de extrema gravidade. Naoto Kan, o homem que substituiu o anterior primeiro ministro Yukio Hatoyama - forçado a demitir-se na sequência da declaração da intenção de encerrar, pelo menos em parte, a base militar dos EUA em Okinawa e da decisão de revelar tratados secretos entre os EUA e o Japão que previram, durante a «guerra fria», o trânsito de armas nucleares no País – afirmou em conferência de imprensa que o Japão necessita «contar com a disuassão nuclear»(2), realçando «a importância que tem para o país o guarda-chuva nuclear» dos EUA.

As declarações de Naoto Kan são bem reveladoras da «reviravolta» política operada em Junho no Japão. Uma reviravolta operada com evidente «dedo» norte-americano, que pode não estar desligada da muito mal contada «estória» do afundamento da corveta sul-coreana Cheonan, e que fez pressionar a fundo o acelerador da militarização do Japão, do ataque à sua Constituição pacifista (apesar de declarações de cirscunstância e de divisões no poder político japonês importantes) e da participação activa no projecto de criação de uma «nova NATO» para o extremo oriente e de aí se desenvolver também a versão moderna da guerra das Estrelas de Reagan.
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Estas não são tendências e projectos imperialistas propriamente novos. O que é novo é a profunda hipocrisia que os rodeia
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(1) Agência EFE – 6 de Agosto
(2) Agência EFE – 9 de Agosto
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N.º 1915 - Avante
12.Agosto.2010
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segunda-feira, agosto 09, 2010

65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz

Conferência de Imprensa, Ângelo Alves, da Comissão Política do CC e da Secção Internacional do PCP

65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz

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Há 65 anos o mundo testemunhou um dos mais hediondos crimes contra Humanidade. 6 e 9 de Agosto - os dias em que Hirsohima e Nagasaki foram reduzidas a cinzas após o lançamento, pela primeira vez na História, de duas bombas atómicas - são duas das mais negras páginas da História Mundial que não devem nem podem ser esquecidas. 
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O bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki não foi uma obra do acaso, e muito menos uma necessária estratégia militar para garantir a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial. O lançamento de duas bombas atómicas sobre populações civis foi uma premeditada e criminosa decisão do imperialismo norte-americano visando a demente afirmação da sua supremacia militar e tecnológica e a sinalização da sua política de crescente confrontação com a então União Soviética e de início da chamada “guerra fria”.
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O acto de relembrar o crime de terrorismo de Estado cometido pelos EUA contra as populações mártir de Hiroshima e Nagasaki não é, para o PCP, um simples tributo às vítimas do horror nuclear. Para o PCP, relembrar Hiroshima e Nagasaki é acima de tudo manter viva a memória do holocausto nuclear - para que dele se retirem todas as lições - e reafirmar a importância crucial da luta contra o militarismo, o imperialismo e a guerra, pela paz, o desarmamento, a resolução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os povos.
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Hiroshima e Nagasaki foram uma trágica demonstração de quão longe pode ir o imperialismo na utilização do militarismo e da guerra como parte da sua estratégia de dominação económica e geoestratégica. 
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Hoje, passados 65 anos, num quadro internacional marcado pelo aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, pelo brutal aprofundamento da exploração dos trabalhadores e dos povos, por sérias derivas anti-democráticas, pela ingerência externa e ataques à soberania dos povos, por crescentes rivalidades inter-imperialistas e por complexos processos de rearrumação de forças no plano internacional, a realidade demonstra que infelizmente o militarismo, a guerra e a agressão, continuam a ser instrumentos centrais da estratégia imperialista.
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A ofensiva militarista protagonizada pelas principais potências mundiais e pela NATO assume hoje um carácter global e multifacetado. Desmentindo a propaganda e as palavras fáceis da “mudança”, do “diálogo”, da “contenção” e da “diplomacia” que marcaram a eleição de Barack Obama e a atribuição ao Presidente norte-americano do prémio Nobel da Paz, a actualidade internacional é marcada pela intensificação das guerras imperialistas, nomeadamente no Iraque e no Afeganistão; pelo escandaloso aumento das despesas militares - segundo os últimos dados disponíveis a despesa militar aumentou em plena crise económica internacional 6% entre 2008 e 2009 e 49% entre 2000 e 2009, atingindo o valor recorde de 1,5 Biliões de Dólares –, pela consolidação e aprofundamento de blocos-político militares agressivos como a NATO, pela militarização acelerada de blocos como a União Europeia e por uma perigosa teia de acções estratégico-militares visando vários países e povos. 
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O PCP acompanha com extrema preocupação os diversos focos de tensão que caracterizam a actual situação internacional e que são indissociáveis da política de ingerência e militarismo dos EUA e da NATO: No extremo oriente com as recentes manobras militares sul coreanas e dos EUA nos mares Amarelo e do Japão e com as reiteradas afrontas à China, como com a venda de armamento a Taiwan; na América Latina com as recentes provocações à Venezuela, a reactivação da IV Esquadra dos EUA, a instalação de inúmeras bases militares norte-americanas na Colômbia e outros países da região e com as ocupações militares de facto do Haiti e da Costa Rica e o golpe de Estado nas Honduras; e, muito especialmente, no Médio Oriente, com as recentes provocações israelitas na linha azul entre o Líbano e Israel (que provocaram a morte a vários soldados libaneses e a um jornalista membro do Partido Comunista Libanês a quem o PCP presta sentida homenagem), com a actuação impune de Israel prosseguindo a sua política de terrorismo de Estado contra o povo palestiniano e contra aqueles que com eles se solidarizam, ou ainda com a extremamente perigosa escalada contra o Irão a pretexto do alegado perigo nuclear, ignorando-se recentes e importantes passos da diplomacia como o acordo de troca de combustível nuclear entre Irão, Turquia e Brasil. 
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As acções e crimes dos EUA e NATO em toda a zona do Médio Oriente e Ásia Central, alguns das quais recentemente confirmados com a divulgação de documentos militares norte-americanos, configuram um perigosíssimo quadro numa das mais tensas regiões do Mundo, e desmascaram por completo as campanhas de reabilitação da imagem do imperialismo norte-americano e da NATO dos últimos dois anos. Não é com a profusão de matanças de civis e outros crimes de guerra, com o continuado apoio e fornecimento militar a vários países da região, Israel incluído, com a manutenção da ocupação do Iraque e a utilização de armas proibidas nesta guerra de agressão, com a intensificação da guerra no Afeganistão, com as crescentes ameaças ao Irão e agora ao Paquistão, com o descarado apoio à política de terrorismo de Estado e de provocação internacional de Israel, com o silêncio cúmplice face ao mais que provado arsenal nuclear israelita, que se pode contribuir para a paz na região.
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Se os EUA e NATO estivessem de facto interessados numa real política de desarmamento não usariam o artifício da instrumentalização do Tratado de Não Proliferação – cuja conferência de revisão se saldou por muita propaganda dos EUA mas por decisões muito limitadas – para servir a sua estratégia de pressões e ingerências contra países da região como o Irão e a Síria. Se EUA e NATO estivessem de facto interessados no desarmamento nuclear não insistiriam - como está previsto no que se conhece dos elementos centrais do novo conceito estratégico da NATO a ser aprovado na cimeira de Lisboa em Novembro - na manutenção de um poderosíssimo arsenal nuclear (num total combinado de mais de 10.000 ogivas nucleares) passível de ser utilizado em ataques militares, não insistiriam no estacionamento de armas nucleares norte-americanas em diversos países da Europa - numa acção que contraria frontalmente um dos três pilares do TNP – e não avançariam para decisões, como a recentemente tomada pelo Reino Unido, de vender tecnologia nuclear à Índia, País não signatário do Tratado de Não Proliferação. 
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Se por parte dos EUA e da NATO houvesse um real desígnio de desarmamento nuclear teriam então de começar por reduzir significativamente o seu próprio poderio nuclear, teriam que pôr fim às ocupações e às guerras de agressão numa das zonas mais instáveis do Mundo, teriam de garantir ao povo palestiniano o direito à sua pátria livre e independente e teriam que pressionar Israel a declarar e eliminar o seu arsenal nuclear, condição primeira e essencial para uma desejada, e há muito defendida pelas forças progressistas de todo o Mundo, Zona Livre de Armas Nucleares no Médio Oriente. 
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Mas tal não está a acontecer. E não acontece porque a questão nuclear, como o provou Hiroshima e Nagasaki não é separável da situação internacional e das opções de fundo do imperialismo. Não acontece porque, num período de intensa crise e de perda de peso relativo das principais potências capitalistas mundiais, o militarismo continua a afirmar-se como a outra face da globalização económica capitalista e a NATO confirma-se como a polícia de choque das principais potências capitalistas mundiais. Não acontece porque os EUA e a NATO instrumentalizam o direito internacional e usam as instituições internacionais como a ONU e o seu Conselho de Segurança, não para consertar posições, alcançar consensos e contribuir para o desanuviamento internacional, mas para impor os seus interesses e estratégia.
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É num quadro extremamente complexo e perigoso para os povos do Mundo e para a Humanidade que se realizará em Portugal a Cimeira da NATO. Prevista para Novembro deste ano, ela terá três objectivos essenciais: Amarrar os seus membros ao atoleiro militar em que se transformou a guerra do Afeganistão e à decisão de incrementar ainda mais os gastos militares com esta e outras guerras; Aprovar um novo conceito estratégico abertamente agressivo, de intervenção global da NATO sob qualquer pretexto, conferindo-lhe um leque de missões e objectivos que apontam para a sua sobreposição em relação à própria ONU, elevando-se assim este bloco Político-Militar a um novo patamar como instrumento de ingerência e de agressão a nível mundial; e por último envolver os membros da NATO no projecto de instalação de sistemas antimíssil na Europa, decisão que a ser concretizada representaria o fim do equilíbrio estratégico nuclear ainda existente entre as duas principais potências nucleares mundiais.
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E é neste quadro e tendo em conta o perigo que os objectivos da cimeira da NATO representam para os povos do Mundo que o PCP está fortemente empenhado em desenvolver, por ocasião desta cimeira em Portugal, um forte movimento popular de luta pela paz e contra a política militarista e agressiva da NATO. Política que infelizmente, e numa acção contrária ao sinal da Constituição da República Portuguesa, o Governo português apoia, como o demonstra aliás a decisão de receber mais uma cimeira da guerra no nosso País.
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65 anos depois de Hiroshima e Nagasaki, O PCP apela a todos os amantes da paz, aos trabalhadores, aos democratas, à juventude e ao povo português em geral que se mobilizem em torno da Campanha “Paz Sim, Nato Não” que congrega mais de 100 organizações e que face ao conclave do militarismo e da guerra em Portugal elevem bem a voz em defesa da paz, do desarmamento, da cooperação e da amizade entre os povos. Será a luta dos povos que melhor garantirá o sucesso da conhecida frase “para que nunca mais aconteça”.
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quarta-feira, dezembro 16, 2009

Com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa Lutar por uma outra Europa






A propósito da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que anteontem teve lugar, o PCP reafirmou que o rumo da União Europeia «não é uma inevitabilidade» e que o presente e o futuro do País, dos trabalhadores e do povo português, continua «a estar nas suas próprias mãos» e na sua «capacidade de luta por transformações sociais».

«No dia em que Portugal comemora um importante momento de afirmação da sua nacionalidade, a 1 de Dezembro, em que se assinalam 369 anos sobre a recuperação, por via da luta, da independência e da soberania nacionais, o povo português é confrontado com um sério atentado à sua soberania e à independência do seu País com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa», recordou, segunda-feira, Ângelo Alves.
Em conferência de imprensa, realizada na Soeiro Pereira Gomes, o membro da Comissão Política salientou ainda que «neste processo de imposição» do Tratado de Lisboa «perdem» não só os portugueses como os «restantes povos da Europa».
«Perdem porque o aprofundamento da crise estrutural do sistema capitalista e a profunda crise económica e social em que o País se encontra demonstram que são exactamente as políticas que este tratado institucionaliza que estão na origem da crise, dos défices estruturais, da dependência e dos graves problemas económicos e sociais do nosso País», acusou, alertando para o enquadramento de «toda uma linha de políticas anti-sociais que garantem os lucros milionários ao grande capital à custa do desemprego em massa, do trabalho precário, do alastramento da pobreza e das desigualdades e da destruição de conquistas históricas do movimento operário na Europa».
Ângelo Alves lamentou, de igual forma, a perda da «soberania» nacional e da «democracia», uma vez que o Tratado de Lisboa «é uma segunda versão da dita "Constituição Europeia", que foi derrotada pelos povos nos referendos de 2005 na França e na Holanda» e, em 2008, na Irlanda. «O Tratado de Lisboa está ferido de morte por um processo que evidencia o carácter antidemocrático do actual rumo da União Europeia», acrescentou.

«Aberração democrática»

O dirigente comunista acusou ainda o PS, o PSD e o CDS-PP de «fugirem durante anos» à discussão livre e democrática dos rumos da integração europeia e dos conteúdos da dita «constituição europeia» e deste tratado.
«Negaram ao povo português - rompendo com as promessas eleitorais - o seu inalienável direito de se pronunciar sobre questões fundamentais para o seu devir colectivo», frisou Ângelo Alves, lembrando que a «responsabilidade desta aberração democrática será inevitavelmente assacada pela história àqueles que, submissos aos interesses do grande capital e das grandes potências, optaram por impor a sua visão única e de classe na relacionamento entre Estados no continente europeu».
Nesse sentido, continuou, «os povos, com as forças do progresso, com os partidos comunistas, continuarão a sua luta por uma outra Europa». «No momento em que um novo e importante salto militarista, neoliberal e federalista na União Europeia é consumado, o PCP afirma perante os trabalhadores e o povo português que não se resignará perante as novas condicionantes à vida democrática nacional que este tratado implica», prometeu Ângelo Alves, terminando: «A entrada em vigor deste tratado não representa, de forma nenhuma, o fim da luta contra o seu conteúdo, contra os objectivos de domínio e as políticas que corporiza. Pelo contrário, ela torna-se mais urgente e exigente.»






Outros Títulos:
• Reforçar a organização
Garantir o futuro

• Consolidar avanços e continuar a crescer
• Defender a produção nacional
• Ferramenta para a transformação do mundo
• Travar a privatização
• Ao lado de quem trabalha
• Solidariedade é dever internacionalista
• Lay-off chega aos Açores
• Vale tudo?
• Nova edição de O Solidário
• Futuro incerto na Rohde
• Despedimentos e luta na hotelaria
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Nº 1879
03.Dezembro.2009 - Avante
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sexta-feira, agosto 21, 2009

Afeganistão - A farsa das eleições

As eleições farsa

Os jornais dizem que se realizam hoje eleições no Afeganistão. Mas, o que se realiza hoje naquele país é uma gigantesca farsa organizada e monitorizada pelos EUA e pela NATO que tenta esconder o atoleiro militar em que estão mergulhadas as forças de ocupação e o caos que reina no País.
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Em primeiro lugar porque estas «eleições» se realizam num país que está ocupado e em guerra há quase 8 anos. Um povo a quem foram roubadas há anos as prerrogativas essenciais para que se possa pronunciar de forma livre e soberana sobre os destinos do seu País – a liberdade, a independência e soberania.
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Em segundo lugar porque esta farsa se realiza precisamente no momento em que a guerra do Afeganistão se encontra no seu período mais intenso e mortífero de sempre e se estende a países vizinhos. As declarações de Barack Obama de que «a luta contra os talibans não será rápida nem fácil»; o recente relatório britânico sobre a Guerra no Afeganistão; os mais de dois milhões de deslocados paquistaneses em virtude da extensão da guerra a este País e os 80 militares das forças de ocupação mortos apenas no mês de Julho, comprovam esta realidade.
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Em terceiro lugar porque estas ditas «eleições» são no fundo uma gigantesca operação militar, como o comprova a recente operação de 4 000 marines norte-americanos espalhando o terror em várias regiões do país e a operação de «protecção» aos locais de «voto».
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Em quarto lugar porque mesmo à luz das «boas práticas democráticas», tão defendidas pelos EUA e a NATO para a realização de eleições «livres», estas «eleições» são uma anedota. Boletins de voto que são folhas A4 escritas à mão e que podem ser levantadas às dezenas por um único «eleitor»; «observadores internacionais» escolhidos a dedo e fechados nos complexos militares da NATO; a venda de oito mil cartões de registo falsos por 20 dólares; 220 postos de votação encerrados numa única província, são apenas alguns exemplos do insulto à inteligência e dignidade que são estas «eleições».
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Comícios, sondagens, cartazes, discursos… tudo indicaria que estaríamos a falar de eleições num qualquer país do Mundo. Mas não, estamos a falar das velhas eleições farsa que conhecemos bem doutros tempos… do fascismo e do colonialismo.





Outros Títulos:
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• O descaramento
• Quem, para quem e para quê?
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in Avante - 2009.08.20

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segunda-feira, junho 15, 2009

A Coreia e a questão nuclear

A questão nuclear

Os media dominantes noticiaram com especial destaque a realização de um teste nuclear subterrâneo pela República Democrática Popular da Coreia (RPDC). O ensaio nuclear agora realizado traz para a ordem do dia a questão nuclear. E esta é uma discussão que interessa aos comunistas portugueses, conhecidas que são as suas posições e luta pela abolição de todos os arsenais nucleares e outras armas de destruição massiva. Desde há muito que o PCP, e muitos outros partidos comunistas em todo o mundo, defendem não só o respeito pelos tratados de não-proliferação, mas o seu aprofundamento, apontando nomeadamente para a urgência da proibição efectiva e generalizada da produção de armamento nuclear, de investimento no desenvolvimento científico-militar de novas e mais sofisticadas armas de destruição massiva e da realização de testes nucleares.
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Se é inegável que a realização de um ensaio nuclear é em todos os casos condenável e aponta no sentido contrário ao da não-proliferação, não é menos verdade que existem outros e maiores perigos de uma aventura militar com utilização de armas nucleares. Existem no mundo cerca de 30 000 ogivas nucleares com capacidade para destruir o planeta, das quais a maioria pertence aos estados membros da NATO (com destaque para os EUA que sozinhos detêm mais de 10 500) e seus mais directos aliados, como Israel. Na sua recente cimeira de Estraburgo/Kehl a NATO afirmou: «Dissuasão, baseada numa combinação adequada de capacidades nucleares e convencionais, continua a ser um elemento central da nossa estratégia global».
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A realização de um teste nuclear na península coreana é motivo de preocupação. Porque, entre outros, constitui um novo factor de tensão numa das regiões mais militarizadas do Mundo. E porque, na sequência do bloqueio das conversações a seis (Coreia do Norte e do Sul, EUA, Japão, China e Rússia), introduz novas dificuldades na reunificação pacífica da península coreana.
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Mas, se tal é verdade, não se pode deixar de chamar a atenção para a política de «dois pesos e duas medidas» que caracteriza as posições das grandes potências relativamente à questão nuclear. Aqueles que agora invocam a «não-proliferação» para condenar o ensaio da RPDC, são os mesmos que rasgam o tratado ABM ao avançar na instalação do sistema «antimíssil» no Leste europeu e nas costas asiáticas do Pacífico. São os mesmos que avançam para acordos nucleares com a Índia, potência nuclear que muito recentemente realizou um novo teste de míssil balístico com capacidade nuclear. Aqueles que agora falam de «paz e estabilidade no continente asiático» são os mesmos que intensificam a matança no Afeganistão e alastram a guerra ao Paquistão, potência nuclear. Aqueles que agora invocam o «direito internacional» são os mesmos que o espezinharam no Iraque ou mais recentemente no apoio à declaração unilateral de independência do Kosovo. Aqueles que agora exigem «respeito pelas resoluções da ONU» são os mesmos que objectivamente dão cobertura ao desrespeito de inúmeras Resoluções e acordos internacionais por Israel. São os mesmos que se recusam a condenar Israel pela utilização de armas proibidas na agressão a Gaza. São os mesmos que assobiam para o lado perante a realização de exercícios militares israelitas para um eventual ataque ao Irão ou perante as declarações do líder de um dos partidos integrantes do governo israelita afirmando que «Israel deveria lidar com o Irão como os EUA lidaram com o Japão na II Guerra Mundial». Como é fácil de ver, o perigo existe, e é grande! Mas há os que têm moral política para se oporem à realização deste e de outros ensaios nucleares – como os 210 ensaios nucleares franceses realizados entre 1960 e 1996 - e há os que a perderam há muito.
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Artigo publicado na Edição Nº1852 Avante 2009.05.14
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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Levar a luta até às urnas!

• Ângelo Alves
Membro da Comissão Política do PCP

Os povos começam a entender a verdadeira natureza da União Europeia


Será no meio de uma conturbada dupla crise na União Europeia que se realizarão já no próximo mês de Junho as Eleições para o Parlamento Europeu. Além da grande importância que esta batalha eleitoral terá para o nosso País - tendo em conta a situação nacional e o ciclo eleitoral de 2009 - elas serão também um importante momento da luta política e ideológica em torno de grandes questões da situação internacional.Em primeiro lugar porque se realizam no contexto da profunda crise do capitalismo. Todos os dados macro económicos disponíveis, inclusive os dos próprios organismos da União Europeia, confirmam o cenário de recessão económica na União Europeia e na Zona Euro associado a descidas abruptas da produção industrial e tendências deflacionárias, sinais evidentes do bloqueio das principais economias europeias.
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As campainhas soam no sector produtivo. O escarcéu feito em torno das anunciadas dificuldades do ramo automóvel – em tudo igual ao «pânico» da indústria automóvel estado-unidense e direccionado para a exigência de financiamento público aos grandes grupos económicos na Europa – ofusca outras duras realidades como a das micro, pequenas e médias empresas e do sector agrícola, ente outros. Todos os dias as notícias confirmam o primeiro dos efeitos sociais da crise económica – o desemprego – a que se somam já o aumento dos índices da pobreza e das desigualdades.
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Ou seja, contrariamente ao que apregoaram os defensores dos dogmas da integração capitalista na Europa, a União Europeia não se revelou um «oásis» no meio do terramoto económico e financeiro mundial e não foi o tão propalado «anteparo contra o lado negativo da globalização».
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Por mais que os mesmos de sempre repitam mil vezes o contrário, e tentem inclusive esconder a mais que evidente fragilidade a que o Euro está sujeito, a extensão e a velocidade a que a crise se desenvolve no continente europeu provam que a União Europeia nunca poderia ser uma excepção à regra. E a explicação é simples: as políticas económicas e sociais dos governos da União Europeia e a natureza do processo de integração na Europa são a causa da actual crise.
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O capitalismo e o neoliberalismo são a espinha dorsal desta União Europeia e, no meio de uma desorientação geral, as medidas que se vão desenhando como «resposta» à crise são a prova disso mesmo, tornando-se cada vez mais evidente que são elas próprias sementes de novas e mais profundas crises. É por isso que uma das principais batalhas que os comunistas e a CDU têm para travar nestas eleições é pôrr em evidência que a crise na União Europeia é a crise do capitalismo e que a crise do capitalismo é também a crise dos fundamentos desta União Europeia. E que, portanto, para combater a crise económica e social com que os trabalhadores e os povos da Europa estão confrontados, é necessário dar mais força áqueles que no seu projecto político dão corpo à ruptura com o actual rumo da União Europeia.
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Combater a resignação
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Em segundo porque a crise com que União Europeia está confrontada é da sua própria identidade económica, social e política. Em tempos de crise os «floridos» discursos da «coesão económica e social», da «Europa dos direitos e dos valores», de um «espaço da ampla participação democrática», da «cidadania europeia» e de uma «Europa aberta ao mundo» são rapidamente desmentidos pela acção política.
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Desde a frase do «trabalhista» Gordon Brown – British jobs, for british workers à táctica do cada um por si evidenciada nas linhas definidas pela Comissão Europeia e pelo Conselho Europeu, a realidade demonstra como frágeis são os pilares da União Económica e Monetária e da própria União Europeia. A uma Europa de paz responde-se com a mais hipócrita das posições relativamente ao crime em Gaza e prepara-se as «comemorações» dos 60 anos da NATO com uma reafirmação da linha militarista na UE.
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A uma Europa dos direitos responde-se com a directiva do Tempo de Trabalho e a Flexigurança. A uma Europa aberta ao Mundo responde-se com a Directiva de Retorno. À Europa dos valores contrapõe-se o branqueamento e a reabilitação da extrema-direita. À vontade expressa em referendos pelos povos da Irlanda, França e Holanda contra a dita «constituição europeia» (ou a sua segunda versão – o «Tratado de Lisboa») responde-se com a chantagem e com o descarado desrespeito pelos seus resultados.
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A União Europeia está em crise. Os povos começam a entender a sua verdadeira natureza e afastam-se dela, das mais diversas formas. Mas não se podem afastar da luta. Por isso as próximas eleições são um importante momento para combater a resignação e para afirmar com confiança que outros caminhos, no plano nacional e a nível europeu, são possíveis. E que sob as ruínas de um projecto contrário aos interesses dos trabalhadores e dos povos é possível construir um outro Portugal, numa Europa dos trabalhadores e dos povos.
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in Avante 2009.02.19
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sexta-feira, janeiro 16, 2009

O sistema a funcionar ...





• Ângelo Alves


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A hipocrisia continua a reinar na chamada «comunidade internacional» e a contribuir para o banho de sangue

Os acontecimentos na Faixa de Gaza são um poderoso libelo acusatório contra as classes dominantes em Israel, a reacção árabe, o sionismo e o imperialismo. Estamos perante a pior guerra levada a cabo por Israel desde a guerra dos seis dias em 1967. Uma guerra suja, calculada e preparada durante meses e meses. Uma guerra assassina, objectivamente apoiada pelas principais potências imperialistas mundiais que, desde o apoio aberto dos EUA à vergonhosa posição da maioria dos governos da União Europeia, dão todo o tempo necessário a Israel para continuar a matança e invadir o território.


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Apesar dos cerca de mil mortos e milhares de feridos, apesar das dezenas de milhares de desalojados, apesar das notícias de utilização de armas proibidas na invasão de Gaza, apesar das estatísticas que apontam para que cerca de 90% das vítimas da invasão sejam civis desarmados, apesar dos bombardeamentos de habitações, escolas, hospitais e locais de culto, apesar dos ataques a comboios humanitários e instalações da ONU, entre muitos outros crimes, apesar disso tudo, a hipocrisia continua a reinar na chamada «comunidade internacional» e a contribuir para o banho de sangue. Mais uma vez na sua história o Conselho de Segurança da ONU optou por branquear os crimes israelitas e por não exigir rigorosamente nada de Israel, aprovando uma Resolução que face à barbárie se limita a «apelar» a um cessar-fogo que «possa conduzir» à retirada das tropas israelitas do território. O resultado foi o esperado, ou seja, nenhum. A agressão israelita não só não parou como se intensificou, entrando agora na sua «terceira fase». Sarkozy, o «incansável» presidente francês, «surfa» a situação e com Hosni Mubarak trabalha um «plano de paz franco-egípcio» de que muito se fala mas que ignora por completo as mais básicas exigências: fim dos ataques, retirada imediata das forças ocupantes israelitas e fim do bloqueio a Gaza. Nos círculos dirigentes da União Europeia a solução clássica do «envio de uma força multinacional com um mandato robusto» começa a tomar forma confirmando a tendência já evidenciada na guerra do Líbano de 2006 de um maior envolvimento e presença militar europeia no Médio Oriente. Entretanto a questão central do respeito pelos inalienáveis direitos do povo palestiniano e pelas inúmeras resoluções das Nações Unidas que os reconhecem desaparece por completo dos discursos oficiais. É o sistema a funcionar, no seu melhor.


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E porque isto anda tudo ligado, alguns dos protagonistas dos crimes, da hipocrisia e da cumplicidade com Israel reuniram-se a passada semana em Paris numa conferência intitulada «Novo Mundo, Novo Capitalismo», organizada por Tony Blair e Nicolas Sarkozy. Figuras como Angela Merkel, Francis Fukuyama, Giulio Tremonti (ministro das Finanças italiano), Pascal Lamy (director da OMC), Jean Claude Trichet (Presidente do BCE), e Yaël Tamir (ministra da Educação israelita), entre outras, compuseram o arco político desta iniciativa cujo mote foi mais uma vez o estafado discurso da refundação do capitalismo, da regulação e da ética, mas não só… Registe-se o aprofundamento dos discursos de rivalidade com os EUA por Sarkozy e as propostas peregrinas de Merkel da criação de um conselho económico mundial à semelhança do Conselho de Segurança da ONU e de uma «Carta» para o bom funcionamento da economia (capitalista claro) à semelhança da Carta dos Direitos Humanos. Ou seja, os mesmos que usam as instituições internacionais para permitir o banho de sangue na Palestina, são os mesmos que querem transformar em doutrina oficial mundial o sistema que está na génese das injustiças, da pobreza, da guerra e da morte e criar novas instituições de domínio económico com um poder ainda mais centralizado. E registe-se ainda que nesta orgia ideológica de «salvação» do capitalismo participou John Monks, secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos. É o sistema a funcionar…


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in Avante 2009.01.15


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segunda-feira, agosto 11, 2008

Hiroshima e Nagasaqui - 63 anos dum Crime sem Castigo



Os imprescindíveis…

Assinala-se nos próximos dias 6 e 9 de Agosto a passagem de 63 anos sobre o criminoso bombardeamento atómico pela força aérea norte-americana das cidades de Hiroshima e Nagasaki. Relembrar o holocausto nuclear em cada ano que passa não é uma rotina ou tradição. É sobretudo um grito de alerta para que não se esqueça um dos mais hediondos crimes cometidos pelo imperialismo norte-americano.
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Nunca é demais lembrar que tal crime não correspondeu a qualquer estratégia militar para a vitória dos aliados na II guerra mundial. A rendição da Alemanha Nazi estava já assinada e a derrota militar do Japão era já um dado adquirido. Por mais que o imperialismo tente na actualidade reescrever a História e branquear alguns dos seus maiores crimes, é impossível ocultar que a decisão do uso da arma nuclear contra civis pela primeira vez na história da Humanidade serviu essencialmente para os EUA afirmarem o seu poderio militar e capacidade destruidora e para sinalizar uma política de crescente confrontação com a União Soviética.

Relembrar Hiroshima e Nagasaki é alertar e relembrar que o imperialismo, acossado pelas suas próprias contradições, pelos seus limites históricos e pela resistência dos trabalhadores e dos povos, pode, se não for travado, não olhar a meios para atingir fins, e reagir violentamente. Recordar o crime nuclear é assim chamar a atenção para os perigos que hoje ameaçam os povos do mundo. Instabilidade, insegurança, militarismo e guerra são aspectos centrais da evolução da situação internacional. Os valores de gastos militares por parte das principais potências imperialistas atingem os maiores valores de sempre desde o fim da II Guerra Mundial e a esmagadora maioria das armas nucleares existentes no mundo, cerca de 26.000 segundo dados da ONU, com capacidade para destruir toda a Humanidade, estão maioritariamente concentradas num pequeno punhado de potências da NATO e seus aliados, responsáveis, directa ou indirectamente, pela quase totalidade dos conflitos militares da actualidade que continuam a levar a destruição e a morte a várias regiões do globo.

Sucedem-se as manobras e decisões que aprofundam o carácter militarista das relações internacionais. No próprio Japão, vítima primeira do crime nuclear, reescreve-se a história, ignora-se o sofrimento daqueles que ainda hoje são obrigados a conviver com os efeitos da radiação, revê-se a constituição, tradicionalmente pacifista, e avança-se na remilitarização e na consideração da hipótese, pela primeira vez na história do pós-guerra deste país, da sua participação em missões militares estrangeiras.
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63 anos depois de Hiroshima e Nagasaki os tambores de guerra continuam a soar. As guerras, as ameaças e as ingerências multiplicam-se em vários pontos do globo. Avança-se com a instalação do chamado sistema anti-míssil na Europa, com o AFRICOM em África e com a reactivação da IV Esquadra norte-americana na América Latina. No Médio Oriente e Ásia Central paralelamente à subida de tom das ameaças ao Irão - numa hipócrita política de «pau e cenoura» em torno do dossier nuclear - a realidade demonstra como vazios e hipócritas foram os discursos sobre o chamado «processo de paz» na Palestina e como se ensaiam soluções militares tipo «keynesianas» no Iraque ao mesmo tempo que se prepara o terreno para intensificar a chacina no Afeganistão.
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«O capitalismo traz a guerra como a nuvem traz a tempestade». As palavras de Lenine continuam a ter uma actualidade gritante. Mas, como no seu tempo, hoje há também aqueles que não se rendem e que prosseguem a luta. Esses continuam a ser os «imprescindíveis» que Brecht tão bem soube evocar.







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ver

Agosto - Mais Brilhante que Mil Sóis

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Reaberto em 3 de Março - Brecht e a Poesia

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terça-feira, outubro 30, 2007

Os media, a democracia e a luta

A comunicação social transformou-se em órgão oficial
da reunião dos Ministros da guerra
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* Ângelo Alves
Membro da Comissão Política
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Os portugueses que não tiveram acesso à edição do Avante! da passada semana foram privados da informação sobre uma importante iniciativa nacional e internacional realizada recentemente no nosso país.

Falamos do encontro europeu de movimentos da paz que sob o Lema «Desmilitarizar a Europa, Defender a Paz» juntou em Lisboa, nos dias 28 e 29 de Setembro, vinte organizações de 14 países da Europa; vários dirigentes do Conselho Mundial da Paz, entre os quais o seu secretário-geral, Athanasios Pafilis; cinco deputados do Parlamento Europeu oriundos de outros tantos países; autarcas, dirigentes sindicais e dezenas de personalidades, dirigentes e activistas de organizações portuguesas comprometidas com a luta pela paz e a cooperação entre os povos.
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Para a comunicação social dominante este Encontro não existiu. Esta forma de censura política e ideológica é tão mais grave quanto o referido Encontro coincidia no tempo com a reunião informal de Ministros da Defesa da União Europeia realizada em Évora. Era portanto impossível argumentar com a atoarda da «falta de actualidade» com que habitualmente se brindam as iniciativas ou ideias que se pretende silenciar.
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Como foi referido no próprio Encontro da Paz as duas reuniões eram o exemplo de duas visões do mundo diametralmente opostas.
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De um lado a apologia da militarização da UE; a defesa do intervencionismo; a «adoração» à NATO e as ameaças mais ou menos veladas a povos e à soberania e integridade territorial de vários países, como a Sérvia. Enfim, o imperialismo puro e duro em versão europeia.
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Do outro o testemunho das lutas pela paz que se desenvolvem um pouco por toda a Europa; as denúncias sobre a «militarização à velocidade da luz» da União Europeia e a defesa da necessidade urgente do desarmamento, da resolução política dos conflitos e do respeito pela soberania de países e povos.

Um fenómeno que cresce

A comunicação social optou por esconder dos portugueses uma das reuniões e uma das visões, a da paz, tentando apresentar a contrária como se única e incontestada fosse. Ao fazê-lo transformou-se em órgão oficial da reunião dos Ministros da guerra, que foi disso que se tratou em Évora.
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Tal atitude não é isolada nem nova. É um fenómeno que cresce à medida da concentração dos meios de comunicação social portugueses em três ou quatro grandes grupos económicos e do ataque aos direitos laborais e intelectuais dos jornalistas que, ou fortemente condicionados na sua actividade ou já formatados pelo sistema, são empurrados cada vez mais para a condição de executores de agendas decididas à luz de critérios completamente estranhos aos princípios da isenção, independência e rigor jornalísticos. Conceitos como «agenda mediática» ou «opinião publicada» tentam encobrir o óbvio, ou seja que existe uma classe, a dominante, que se apropria dos meios de comunicação social por via do seu poder económico e os põe ao serviço dos seus interesses de classe. O reverso da medalha é o silenciamento, a difamação, ou mesmo a criminalização na praça pública das ideias dissonantes.
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Falamos de Portugal como poderíamos falar do fluxo de informação a nível internacional, controlado por um punhado de agências ligadas directa ou indirectamente às grandes multinacionais que criam autênticas cadeias mundiais de difusão do discurso oficial do sistema. O modo como se vendeu a todo o mundo a guerra do Iraque, com mentiras; como se tenta hoje mitigar a crise económica e financeira mundial; como se propagandeia a falsa guerra contra o terrorismo; como se tentam diabolizar os processos e os dirigentes progressistas na América Latina ou ainda como se está a tentar impor a nova redacção do Tratado Constitucional para a Europa são, entre muitos outros, exemplos de como hoje se controla à escala global a informação, se propagam mentiras e se adultera a realidade.
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O silenciamento das ideias progressistas e de sinais importantes de confiança para a luta dos povos – como foi o Encontro da paz ou recentemente a Festa do «Avante!» ou ainda o resultado dos comunistas nas eleições gregas – mais do que uma afirmação de força é um sinal de fraqueza da ideologia dominante. Mas, usando as palavras de Marx, o sistema não cairá de podre. É pois necessário prosseguir com confiança todas as lutas e responder à barragem antidemocrática da informação com mais organização, intervenção e ligação às massas. Por isso o PCP apoia e está a mobilizar para a grande manifestação do próximo dia 18 organizada pela CGTP/IN. Porque ela rompe com o marasmo «mediático», afirma a alternativa e vai com certeza ser impossível de esconder dos portugueses… nem que seja porque eles vão lá estar!
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in Avante Nº 1767 11.Outubro.2007

sábado, outubro 06, 2007

A importância das eleições gregas


* Ângelo Alves

Os resultados eleitorais das recentes eleições legislativas gregas foram marcados pelo reforço eleitoral do Partido Comunista da Grécia (mais 150 000 votos, passando de 5,9% para 8,2% e de 12 para 22 deputados) e pela erosão da base eleitoral dos dois maiores partidos, o Partido “Nova Democracia” (direita tradicional), reconduzido no governo e o PASOK (social-democrata) que registou o seu pior resultado desde 1977.

Estas eleições convidam a uma reflexão que vai bem mais além da interpretação exaustiva dos seus resultados. Não porque, na nossa opinião, os resultados eleitorais possam ser vistos como o único ou mais importante elemento aferidor do acerto de linhas políticas e ideológicas de intervenção e organização. Essa avaliação - sobretudo quando falamos de Partidos Comunistas ou progressistas – assenta fundamentalmente na análise da sua influência social e capacidade de entrosamento com as massas trabalhadoras e populares; do grau de organização dos trabalhadores e das populações; da afirmação e capacidade de penetração do projecto e do ideal comunistas e ainda do grau de fortalecimento orgânico dos Partidos. Por isso, olhamos para os resultados do Partido Comunista da Grécia como uma consequência, não de uma boa campanha eleitoral ou de uma conjuntura particular, mas de um trabalho sistemático de fortalecimento e de construção, sobretudo desde 1991, de um forte Partido Comunista. São a expressão eleitoral da sua linha de aprofundamento de ligação às massas e de aumento da sua influência social. E ainda de uma crescente capacidade e determinação na intervenção política, na luta das ideias e na construção de uma frente popular, anti-imperialista e a anti-monopolista na Grécia.

Dito o essencial é ainda importante referir que os resultados eleitorais não deixam de espelhar tendências no plano da luta social, política e ideológica. Os resultados na Grécia evidenciam um descrédito crescente nos dois partidos do sistema de política única, intimamente ligados e comprometidos com o actual processo de integração capitalista na Europa e alinhados com o imperialismo norte-americano e com a NATO. Esta é de facto hoje uma realidade, na Grécia e noutros países da Europa. Assim como o é a falência da ideia peregrina de que a social-democracia – esteja no governo ou na oposição - poderia nos dias de hoje representar uma qualquer alternativa ao neoliberalismo, mesmo que travestida algumas vezes com a cooperação com alguma esquerda dita “de confiança”.

Contrariando um caldo político propício ao conformismo e à confusão ideológica, e enfrentando campanhas difamatórias e de tentativa de isolamento político, o Partido Comunista da Grécia tem conseguido capitalizar o descontentamento canalizando-o para uma significativa torrente de lutas sociais que atravessaram a sociedade grega nos últimos anos. Mais, os seus resultados eleitorais indiciam a tomada de consciência política por parte de alguns desses sectores de que a alternativa política passa, em primeiro lugar, pelo reforço das posições comunistas. É que foi entre os trabalhadores do sector privado, os desempregados, os pequenos agricultores e, muito importante, entre a juventude – sectores que estiveram envolvidos em importantes processos de luta - que o PC da Grécia reforçou a sua base eleitoral de apoio.
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Os resultados da Grécia são por tudo isto uma boa notícia, um sinal de confiança. Um importante contributo para o reforço do movimento comunista, dos seus ideais e projecto.
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in Avante 2007.09.27