A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, janeiro 05, 2011

O desemprego está a aumentar em Portugal

  • Eugénio Rosa

Governo esconde a verdade
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Os dados do INE sobre a evolução do desemprego em Portugal revelam que o desemprego não pára de aumentar em Portugal. O número oficial de desempregados atingiu os 609,4 mil no 3.º trimestre de 2010, mas o número real, calculado também com base em dados do INE, atingiu já 761,5 mil desempregados. 
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Com o objectivo de desacreditar estes números oficiais, o Governo tem utilizado o desemprego registado divulgado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) que só abrange os desempregados que se inscreveram nos Centros de Emprego. Todos os que não se inscreveram (e são muitos) não constam desses dados. E mesmo os dados do IEFP são reduzidos administrativamente como se vai provar.
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O Gráfico I, construído com os dados mensais do IEFP, mostra a grande diferença entre o número de desempregados que se inscreveram mensalmente nos Centros de Emprego e o número de desempregados a quem os Centros de Emprego conseguiram arranjar trabalho.
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Entre 1 de Janeiro e 30 de Novembro de 2010 inscreveram-se nos Centros de Emprego 631 972 novos desempregados, ou seja, uma média de 57 452 desempregados por mês. Durante o mesmo período de tempo, os Centros de Emprego conseguiram arranjar trabalho para apenas 65 828 desempregados, ou seja, uma média de 5984 por mês. Assim, o número de desempregados que se inscreveram no período Janeiro/Novembro 2010 foi superior ao número dos que arranjaram trabalho em 566 144. Apesar disto, o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego não aumentou; até diminuiu.
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O Gráfico II, construído também com dados do IEFP, mostra o desemprego registado no fim de cada mês que foi divulgado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.
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Apesar de o número de novos desempregados inscritos ser 9,6 vezes superior ao número daqueles a quem estes Centros conseguem arranjar trabalho, o desemprego registado divulgado pelo IEFP no 2.º semestre é inferior ao do 1.º semestre como revela claramente o Gráfico anterior.
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O Gráfico III, construído igualmente com dados divulgados mensalmente pelo IEFP, mostra o número de desempregados eliminados em cada mês dos ficheiros dos Centros de Emprego. Entre 1 de Janeiro e 30 de Novembro de 2010 foram eliminados dos ficheiros 543 892 desempregados, ou seja, uma média de 49 445 desempregados por mês.
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Apesar de ser um número tão elevado, o IEFP nunca apresentou na informação que divulga todos os meses as razões desse facto, apesar de solicitado a fazê-lo, assim como da variação que se verifica de mês para mês como revela o Gráfico (Jan. 2010: eliminados 29 389; em Nov. 2010: 59 722).
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O Gráfico IV, também construído com dados do MTSS, mostra o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego e o número desses a receber subsídio de desemprego.
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Em Janeiro de 2010, o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego representava 63,8% do numero total de desempregados inscritos; e, em Novembro de 2010, essa percentagem diminuiu para apenas 57,4%. É clara a redução do apoio aos desempregados em Portugal. E tenha-se presente que muitos desempregados não estão inscritos nos Centros. Por isto também a miséria está a aumentar em Portugal perante a indiferença do Governo
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Avante 2010 12 30
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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Portugal - Mais de 42% dos desempregados não recebe subsídio



Desemprego

 

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por LusaHoje

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Mais de 42% dos desempregados registados não recebe qualquer subsídio de desemprego. Isto de acordo com os últimos dados publicados no Boletim Estatístico do GEP/MTSS, onde são denunciadas outras situações referentes ao número de portugueses que estão sem trabalho.
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O boletim destaca ainda três situações. A saber: os desempregados sem qualquer subsídio aumentam mais de 16% desde o início de 2010; cerca de 13 desempregados por hora perderam o subsídio de desemprego durante o mês de Outubro; a redução de mais de 10% nos beneficiários do subsídio social de desemprego face a Setembro 
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De acordo com os últimos dados publicados, em Outubro existiam 316.695 beneficiários do subsídio de desemprego, incluindo o subsídio social de desemprego, com uma prestação média de 482,55 euros. Face a Janeiro de 2010, verificou-se uma redução de 42.674 beneficiários (-11,9%), enquanto o desemprego registado pelo IEFP em igual período teve uma redução de apenas 9466 pessoas (-1,7%), o que significa que ocorreu um aumento do número de desempregados que não recebem qualquer subsídio de desemprego. Se tivermos em conta que o desemprego registado pelo IEFP em Outubro era de 550.846 pessoas, então 234.151 desempregados não recebia qualquer subsídio de desemprego, mais 33.208 desempregados que em Janeiro de 2010, ou seja, um aumento de 16,5%. O que significa que 42,5% dos desempregados registados não recebe qualquer subsídio de desemprego, quase sete pontos percentuais mais do que se verificava em Janeiro.
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De acordo com os últimos dados apresentados pelo INE referentes ao 3º trimestre de 2010, o número de desempregados que não recebe qualquer subsídio de desemprego é superior, atingindo cerca de 292.700 pessoas (52% do total de desempregados), tendo em conta que a estimativa de desemprego do INE é superior à do IEFP (mais cerca de 58.500 desempregados). Em relação a Setembro, verificou-se uma redução de 2,2% e 10,1% no número de beneficiários do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego respectivamente. O que significa mais 9423 desempregados deixaram de receber qualquer subsídio de desemprego durante o mês de Outubro (+4,2%), ou seja, 304 por dia, 13 por hora.
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quinta-feira, novembro 18, 2010

Desemprego - 761 500 pessoas sem trabalho



Desemprego

761 500 pessoas sem trabalho

Taxa oficial aproxima-se dos 11 por cento. Os números oficiais atingiram o recorde de 609 400 pessoas no terceiro trimestre, mas os números reais são ainda mais dramáticos.
  • 0h30 Correio da Manhã 2010 11 18

Por:Sandra Rodrigues dos Santos/A.P.
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O desemprego em Portugal está a subir desde o início do ano a um ritmo de 152 pessoas por dia. Um número assustador que faz elevar o número total de desempregados para o recorde de 609 400 pessoas e empurra a taxa para os 10,9 por cento, de acordo com as estatísticas oficiais. O número real de desempregados estará, porém, nos 761 500. 
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Os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam um aumento no número de desempregados de 46 100 desde o início do ano e de 175 700 em comparação com o terceiro trimestre do ano passado.
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Contudo, as estatísticas não incluem a totalidade dos desempregados que, pelas contas do economista Eugénio Rosa, podem chegar aos 761 500, o que corresponde a uma taxa efectiva de desemprego de 13,5 por cento.
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Reagindo a estes números, Helena André considerou a subida normal, sublinhando que é uma tendência que se verifica no terceiro trimestre de cada ano e adiantou que já houve anos piores. Em nenhum ano, porém, a taxa de desemprego esteve tão próxima dos 11 por cento.
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Quando chegou ao Governo, há cerca de cinco anos, José Sócrates prometeu criar 150 mil postos de trabalho. Terminou o primeiro mandato sem cumprir a meta e no segundo mandato o desemprego tem registado níveis recordes. 
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"FAZ MUITA DIFERENÇA"
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Rui Silva trabalhava na construção civil, mas está desempregado há mais de um ano. A mulher, Maria Teresa Silva, é operadora de rádio-táxi e leva para casa "500 euros limpos". Com três filhos (um de 3 anos e dois gémeos de 10), o casal, na casa dos 30 anos, vive em Portimão e está no escalão A. Até agora recebia 42 euros por cada criança, de abono de família, mas vão ver a verba reduzida em 30 euros – 10 por cada filho. "Vai fazer-nos muita diferença", admite Maria Teresa, "a nossa situação já não é nada fácil e vai ficar ainda pior", acrescenta.
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264 300 POSTOS DE TRABALHO DESTRUÍDOS
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Entre Junho de 2008 e Setembro último foram eliminados em Portugal 264 300 empregos – 59 700 dos quais este ano – ou seja, 221 postos de trabalho por dia. A denúncia parte do economista Eugénio Rosa que considera esta destruição de emprego "dramática" e antevê que a situação venha a piorar bastante no próximo ano.
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"Ainda não começámos a sentir o efeito das medidas de austeridade anunciadas para o próximo ano e que deverão fazer aumentar o desemprego o que, aliado à diminuição do apoio aos desempregados, terá consequências dramáticas", sublinhou ao Correio da Manhã, Eugénio Rosa.
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segunda-feira, setembro 06, 2010

Portugal - 600 mil desempregado dos quais 126 mil sem trabalho há mais de dois anos

Paulo Marcelino
Ir ao Centro de Emprego é uma rotina para cerca de 600 mil portugueses
Emprego

126 mil sem trabalho há mais de dois anos

Com cerca de seiscentos mil desempregados no País, há cada vez mais portugueses que estão anos a fio à procura de trabalho. Numa década, esse valor duplicou, revela o Eurostat
  • 0h30 2010 09 06
Por:Pedro H. Gonçalves/J.C.M.
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O número de desempregados de muito longa duração duplicou em pouco mais de uma década. Segundo os números disponíveis no Eurostat, em 1998, havia 60 mil portugueses sem trabalho há mais de dois anos. Esse valor disparou para os 126 mil em 2009.
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Segundo o gabinete de estatística europeu, é o valor mais elevado da década, com as mulheres a serem mais afectadas. Contudo, há condições para que este valor seja ultrapassado este ano.
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A inexistência de empregos leva a que os portugueses sem trabalho se prolonguem nesta situação por vários anos. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) só revelam quem não tem emprego há mais de um ano: 326 mil em Julho de 2010. Mas como os números mostram, a tendência é de que cerca de metade desse total já esteja sem trabalhar há mais de dois anos. 
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Os dados do Eurostat apontam para essa realidade. O ano passado, 44,2% de todos os portugueses sem trabalho estavam nessa situação há mais de um ano. Para os economistas, esta realidade justifica--se com a falta de crescimento da economia. "É preciso um crescimento de dois por cento para haver trabalho. Como estamos longe disso, temos um número recorde de desempregados de longa duração", explica o professor de Finanças do ISEG, João Cantiga Esteves.
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O Presidente da República, Cavaco Silva, alertou ontem para o problema do desemprego no País, salientando que, em 2010, 55% dos desempregados estão nessa situação há mais de um ano, confirmando os números divulgados pelo Correio da Manhã.
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Muitos, como o CM já noticiou, ficam no desemprego à espera do momento de pedir a reforma antecipada, aceitando um corte na pensão para receberem mais do que o subsídio social de desemprego. A dificuldade em encontrar um emprego é reforçada pelo facto de a taxa de oferta de trabalho ser uma das mais baixas da UE. No primeiro trimestre de 2010, a taxa de empregos vagos não ia além dos 0,4%. 
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VALORES VÃO SUBIR DEPOIS DO VERÃO
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Existem 590 mil desempregados no País, segundo os últimos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), que dão uma taxa de desemprego de 10,6 % em Julho. 
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O Eurostat aponta para uma taxa de 10,8 %. No Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), estavam inscritos no mesmo mês 548 mil pessoas à procura de trabalho.
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Apesar de o Governo garantir que a única referência oficial é a do INE, os especialistas apontam para uma taxa de desemprego real de 13%, mais de 700 mil pessoas, por causa do subemprego e dos que já desistiram de procurar trabalho.
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Os especialistas são também unânimes em prever que a partir de Outubro o desemprego volte a bater máximos históricos, perdido o efeito provocado pelos empregos sazonais de Verão e pela falta de investimento público. 
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MULHERES SÃO AS MAIS AFECTADAS
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A maioria dos desempregados de longa duração tem baixas qualificações e uma idade em que é mais complicado conseguir um novo emprego, a partir dos quarenta. A experiência laboral é, por isso, também de empregos pouco qualificados e precários, com a oferta – mais jovem – a superar a procura.
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As mulheres são mais afectadas por esta situação, uma vez que são o sexo que mais sofre com a falta de trabalho. A taxa de desemprego de longa duração duplicou no espaço de uma década, revela o Eurostat.
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O próprio secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, admitiu que o desemprego de longa duração continua a registar taxas de crescimento elevadas, reconhecendo que se trata da área "mais difícil" de recuperação do mercado de trabalho, a comentar os números do INE em Agosto último. 
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quinta-feira, agosto 19, 2010

326 mil pessoas procuram emprego há mais de um ano

Taxa de desemprego estabilizou no segundo trimestre
18.08.2010 - 07:32 Por Raquel Martins
A taxa de desemprego manteve-se nos 10,6 por cento no segundo trimestre de 2010 e o número de desempregados até se reduziu ligeiramente face ao trimestre anterior, mas a economia portuguesa continua a ter sérias dificuldades em criar postos de trabalho para colocar os mais de 590 mil desempregados.
<p>Centro de Emprego na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa</p>
Centro de Emprego na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa
 (Foto: Laura Haanpaa/arquivo)

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, dão conta de uma realidade preocupante - mais de metade destes desempregados procura trabalho há mais de um ano e dificilmente conseguirá encontrar. É que uma parte significativa dos desempregados de longa duração tem baixas qualificações e mais de 44 anos de idade, um perfil que está completamente fora das exigências das empresas na hora de contratar.

A situação torna-se mais grave numa altura em que o Governo decidiu retirar alguns dos apoios extraordinários dados aos desempregados - como o prolongamento por seis meses do subsídio social de desemprego - e alterar as condições de atribuição dos apoios sociais. No segundo trimestre de 2010, e de acordo com o INE, 326 mil desempregados estavam nessa situação há mais de um ano (e entre estes 54 por cento procuravam trabalho há mais de dois anos). Trata-se de um aumento de 38,7 por cento face ao segundo trimestre de 2009.

Este elevado número de desempregados há mais de um ano representa já 55,3 por cento do total de desempregados, colocando a taxa de desemprego de longa duração no nível mais elevado de sempre: 5,8 por cento.

Pelo contrário, o desemprego de curta duração (há menos de 12 meses) recuou quatro por cento, sinal de que a entrada de novas pessoas no desemprego está a estancar, em contraste com os aumentos na ordem dos 50 por cento registados ao longo de todo o ano passado, quando a crise económica se estendeu ao mercado de trabalho, provocando um aumento dos despedimentos colectivos e do encerramento de empresas.

O próprio Governo admite que tem um grave problema entre mãos. Ontem, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, reconheceu que o desemprego de longa duração é a área "mais difícil" de recuperação do mercado de trabalho. "Temos nesse emprego de longa duração pessoas com baixa qualificação, em regra, e com idade já relativamente avançada e por isso, neste momento, essa é a zona de maior dificuldade", disse o governante, acrescentando que "sem haver uma forte criação de emprego é muito difícil recolocar essas pessoas no mercado de trabalho".

Ainda de acordo com os dados fornecidos ao PÚBLICO pelo INE, 74 por cento dos desempregados de longa duração não foram além do ensino básico (no total do desemprego essa proporção é de 73 por cento) e 37 por cento têm mais de 44 anos de idade (no total de desempregados a proporção é de 30 por cento).

Mas embora as estatísticas do INE dêem sinal de que entre o primeiro e o segundo trimestre do ano houve um abrandamento, impulsionado pela redução da população activa e pelo emprego sazonal - em regra o desemprego cai sempre no período de Abril a Junho -, os números continuam a ser preocupantes e dificilmente a taxa de desemprego prevista pelo Governo de 9,8 por cento será cumprida.

É certo que do primeiro para o segundo trimestre houve uma redução de 2,4 mil desempregados, mas na comparação com 2009 o desemprego continuou a subir e mais 82 mil pessoas ficaram sem trabalho, sobretudo mulheres e jovens pouco qualificados. Além disso, aumentaram os inactivos disponíveis e desencorajados, isto é, as pessoas que pretendem trabalhar mas não fizeram qualquer diligência para isso nas três semanas anteriores ao inquérito do INE ou consideram que já não vale a pena procurar. Somando estes aos 590 mil desempregados apurados oficialmente, o número de pessoas sem emprego cresce logo para os 687 mil e a taxa de desemprego para os 12,1 por cento.

Além disso, a economia continua a ter dificuldades em criar novos postos de trabalho, sinal de que os empresários ainda não acreditam na retoma. No segundo trimestre havia menos 85 mil postos de trabalho do que há um ano.

Ainda assim, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, considerou que a manutenção da taxa de desemprego nos 10,6 por cento é "uma boa notícia" e não resistiu a declarações de optimismo quanto ao futuro, à semelhança dos seus antecessores. "A nossa expectativa é, se a economia continuar a funcionar de forma positiva, não só mantermos essa situação de estancamento do crescimento [do desemprego], mas de que possamos vir a decrescer o número de desempregados e do desemprego", disse, sem precisar quando é que o Governo espera estancar estes números.

Tanto a oposição como os sindicatos destoaram deste optimismo e acusaram o Governo de errar nas políticas de apoio ao emprego.
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terça-feira, julho 13, 2010

Portugal - 54 mil licenciados no desemprego

Formação: Candidaturas ao Ensino Superior iniciam-se hoje
Pedro Catarino
Em 2007, havia 43 mil licenciados em trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados


Número de vagas para o Ensino Superior é semelhante à quantidade depessoas sem trabalho e com nível de ensino igual ou superior à licenciatura.
  • 0h30 - 2010.07.13
Por:André Pereira/P.G./J.N.P./J.S./Bernardo Esteves
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Portugal tem 54 600 desempregados com habilitações de Ensino Superior: licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao primeiro trimestre deste ano, o que significa mais 8,5 por cento (4300) do que no mesmo período de 2009. Hoje inicia-se a primeira fase de candidaturas ao Ensino Superior, para a qual foram disponibilizadas 53 986 vagas, quase tantas quanto o número de licenciados sem emprego.
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Perante este cenário, as perspectivas de arranjar um trabalho na área de formação são cada vez mais reduzidas. Os recém-licenciados deixam as universidades e em pouco tempo desistem de procurar um local onde possam exercer uma profissão relacionada com a sua formação. As estatísticas, mais uma vez, não podiam ser mais claras: em 2007, havia pelo menos 43 mil licenciados em trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil.
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Raquel Seno, de 33 anos, licenciou-se em Engenharia do Ambiente há sete anos e nunca trabalhou na área. Hoje trabalha numa empresa de telecomunicações: 'Quando terminei o curso foi frustrante. Gostava de fazer algo na área, mas já não procuro nada.' João Amaral, por sua vez, esteve três anos num laboratório a exercer a profissão que escolheu. As condições de quem sobrevive em função das bolsas atribuídas aos projectos fizeram-no desistir. 'Formei-me em Biotecnologia em 1991/92 e ainda estive três anos num laboratório. Tive de desistir e desde então já tive trabalhos em várias áreas', conta.
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Licenciada em Psicologia, com uma pós-graduação em Comportamento Organizacional, Sílvia Ferreira, de 26 anos, lamenta o investimento: 'Já desisti. Só se surgir uma colocação por recomendação. De outra forma não vale a pena pensar nisso. É frustrante.'
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AUMENTO DE VAGAS EM DIREITO É 'UMA FRAUDE'
O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, considerou ontem 'uma fraude' o aumento do número de vagas para os cursos de Direito (abriram 1330 lugares), justificando que o mercado já tem excesso de licenciados na área. 
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No dia em que foram conhecidas as vagas para o Superior público, a Ordem dos Enfermeiros divulgou os resultados de um questionário feito a enfermeiros, que indica que quase vinte por cento dos licenciados não exercem a profissão.
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PORTUGAL LIDERA FUGA DE CÉREBROS NA EUROPA
Portugal é o país da Europa em que mais licenciados partem, todos os anos, para o estrangeiro à procura de trabalho. Nos últimos dez anos foram 450 mil os diplomados no País e quase vinte por cento decidiram emigrar, de acordo com dados divulgados pela OCDE relativos a 2007. Áreas de saúde e engenharias são as mais atingidas. No estudo da OCDE, o Haiti é o país com mais alta taxa de fuga de diplomados: 83,6%.
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DEPOIMENTOS
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'INVESTI 15 A 17 MIL EUROS NO CURSO DE DESIGN', Marcos Evangelista, 27 anos, Design Multimédia, Almeirim
'Investi 15 a 17 mil euros no curso de Design Multimédia. O mercado está muito difícil. Já passei por três empresas que nunca me deram estabilidade profissional.'
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'QUIS FAZER MESTRADO MAS NÃO VALIA A PENA', Fábio Fontes, 26 anos, Tradução Inglês/Francês, Évora
'Acabei o curso de Tradução Inglês/Francês em 2006 e a ocupação temporária no Cybercenter acabou por se tornar definitiva. Ainda quis fazer mestrado, mas não valia a pena.'
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'NÃO TENHO EXPECTATIVAS DE TRABALHAR NA ÁREA', Catarina Matos, 29 anos, Geografia e Urbanismo, Lisboa
'Nunca trabalhei na área de formação, nem tenho expectativas de o fazer. Tive uns estágios profissionais, mas não consegui. Foi sempre noutras áreas, como call centers.'
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DISCURSO DIRECTO
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'PARA O ANO ABRIRÃO MAIS CEM VAGAS EM MEDICINA', Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior 
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Correio da Manhã – As vagas no ensino superior voltam a aumentar. Porquê?
Mariano Gago – Portugal tem metade dos licenciados dos países desenvolvidos. Precisamos de profissionais qualificados para atrair investimento.
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– O bastonário dos Advogados reitera que há excesso de vagas em Direito.
– O curso de Direito não é só para formar advogados e magistrados, mas também para muitas outras áreas. Os alunos sabem isso.
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– As vagas de Medicina são criticadas pelo bastonário dos Médicos, que teme que não haja internato para todos os alunos.
– Já telefonei à ministra da Saúde e garantiu-me que haverá internato para todos. Para o ano abrirão mais cem vagas em Medicina e um curso novo, em Aveiro. Toda a gente sabe que há falta de médicos.
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– Confirma que vinte mil estudantes podem perder apoios devido à nova fórmula de cálculo das bolsas de estudo?
– Não esperamos uma diminuição muito significativa de bolsas. A nova fórmula é mais justa e impede alunos de famílias abastadas de obterem bolsas.
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Crise: Empréstimos para pagar os estudos

Alunos pediram 128 milhões aos bancos

A época de crise económica tem levado ao aumento do pedido de empréstimos dos estudantes do ensino superior, que recorrem à linha de crédito criada pelo Governo há três anos.
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Por:Edgar Nascimento
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Em Dezembro de 2009, contabilizavam-se 11 108 empréstimos, quando no final de 2008 eram 6452 e no final do ano lectivo 2007/08 eram 3693. Até ao final de 2009, o valor do crédito contratado ascendia a 128 milhões de euros. Os empréstimos entre 10 mil e 15 mil euros foram os mais contratados (3522), seguindo-se os empréstimos entre 5 mil e 10 mil euros (2875). Dois terços dos empréstimos concedidos são para estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino superior público e são os que frequentam cursos de Enfermagem (590) quem mais recorre ao crédito.
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O valor de cada empréstimo está relacionado com a duração do curso, num máximo de cinco anos e até cinco mil euros por ano.
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Mobilidade: Naturais do Brasil e PALOP lideram lista

Getty Images
Gabinete de Estatística do Ensino Superior analisou situação dos estudantes em Portugal

Nove mil estrangeiros estão a tirar o curso em Portugal

Representam cinco por cento dos alunos do ensino superior português, num total de 8663 estudantes. No ano lectivo 2008-09 estavam matriculados 174 mil alunos no ensino superior, dos quais 165 337 de nacionalidade portuguesa.
  • 11 Julho 2010
Por:Edgar Nascimento
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De acordo com o documento ‘Inscritos no Ensino Superior: Informação Socioeconómica’, elaborado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a maioria dos alunos estrangeiros é de nacionalidade brasileira (3813), angolana (3587), cabo-verdiana (3544) e moçambicana (876). De países europeus, são os espanhóis os que mais optam pelas instituições portuguesas para iniciar, continuar ou concluir um curso superior: 679 estavam inscritos no ano lectivo 2008-09. Seguem-se os franceses (584) e os italianos (334). Mas também há alunos provenientes de países tão distantes como a Polinésia Francesa (2) ou Vanuatu (1), ambos da Oceânia. 
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No que respeita aos caloiros estrangeiros, em 2008-09 foram 6225: África (2665), América (2111), Europa (1196), Ásia (239) e Oceânia (14). Mais uma vez, são os nascidos no Brasil e nos países africanos de língua oficial portuguesa quem lidera a lista dos estrangeiros caloiros. Do continente asiático, matricularam-se 57 chineses, 32 iranianos e 31 timorenses.
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570 COM MENOS DE 18 ANOS
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O Inquérito ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior, realizado pelo GPEARI/MCTES, referente a 2008-09, indica que estavam matriculados 570 estudantes com menos de 18 anos de idade: nove tinham 16 anos e 561 contavam 17 anos. No outro extremo encontravam-se os estudantes com mais de 45 anos: 16 689 (8864 mulheres). O escalão etário com mais alunos em todos os graus de ensino superior é o dos 25-34: 94 878 inscritos.
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52 MIL ENTRAM NA 1ª OPÇÃO
Quase metade (44 por cento) dos alunos inscritos pela 1ª vez no ensino superior público em 2008-09 conseguiu entrar na 1ª opção de ingresso. Na 2ª opção entraram 8422 estudantes (7,1 por cento). De acordo com o estudo do GPEARI/MCTES, 2,7 por cento ficaram colocados nas 5ª e 6ª opções (3234 alunos). No entanto, ressalve-se que 46 832 (39,7 por cento do total) não responderam a esta questão do Inquérito ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados. 
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quarta-feira, maio 19, 2010

Desemprego subiu para máximo histórico de 10,6 por cento

 


Desempregados oficiais vão quase em 600 mil

Público - 18.05.2010 - 11:22 Por Paulo Miguel Madeira

A taxa de desemprego continua a aumentar em Portugal, tendo no primeiro trimestre deste ano crescido para 10,6 por cento da população activa, face a 10,1 por cento no segundo trimestre do ano passado, segundo a estimativa hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
<p>Mais de 590 mil pessoas não têm um posto de 
trabalho</p> Mais de 590 mil pessoas não têm um posto de trabalho
 (Adriano Miranda)


Este valor representa também um crescimento de 1,7 pontos percentuais face à taxa de desemprego observada no primeiro trimestre do ano passado (8,9 por cento), tendo a população desempregada sido estimada em 592,2 mil pessoas.

Estes valores constituem um máximo histórico quer da série de dados existente desde que o INE começou a acompanhar a evolução do desemprego, no segundo trimestre de 1983, quer desde que há registo nas séries longas do banco de Portugal, a partir de 1953, segundo o Diário Económico. Neste último caso, trata-se de desemprego em sentido lato (população activa com mais de 12 anos).

O valor agora divulgado pelo INE fica acima dos dados revelados antes pelo Eurostat para o primeiro trimestre, que apontavam para taxas de 10,3 por cento em Janeiro e Fevereiro e 10,5 por cento em Março.

O aumento do número de desempregados agora registados representa um crescimento de 5,1 por cento face ao trimestre precedente e de 19,4 por cento face ao primeiro trimestre de 2009.

Este aumento do desemprego resulta em parte da subida da população activa no país e em parte da diminuição do emprego. A população activa cresceu ligeiramente face ao trimestre homólogo e 0,3 por cento face ao trimestre anterior, enquanto o número de desempregados diminuiu 1,8 por cento face ao primeiro trimestre do ano passado e 0,3 por cento face ao último.

As mulheres continuam a ser mais afectadas pelo desemprego do que os homens, com a sua taxa de desemprego a situar-se nos 11,4 por cento, face a 9,8 por cento para os homens.

O desemprego cresceu mais nas mulheres e na população entre os 25 e os 45 anos e ainda entre aquela que tem no máximo o terceiro ciclo do ensino básico.

O INE calcula as taxas de desemprego através de um inquérito trimestral por amostragem (e por isso se diz que a taxa é estimada), a partir do qual disponibiliza valores trimestrais e anuais. A metodologia do Eurostat é diferente.

Paulo Miguel Madeira

Notícia actualizada às 13h33
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sábado, abril 03, 2010

Quem são e como são os patrões portugueses (2)

  
65% dos trabalhadores têm o ensino primário ou o secundário PAULO PIMENTA

Qualificação média dos patrões em Portugal é bastante inferior à dos trabalhadores

Por Paulo Miguel Madeira
.  Apenas nove por cento dos empresários têm uma licenciatura, ou seja, metade da média dos trabalhadores, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística

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A formação escolar dos empregadores portugueses é substancialmente inferior à da população empregada, e também à dos seus colegas espanhóis e à da média dos empregadores dos 27 Estados-membros da União Europeia, segundo dados relativos a 2008.
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As qualificações dos empregadores nacionais - que coincide com a denominação de empresários ou patrões - perdem para as da população empregada (vulgarmente designada por "trabalhadores") em todas as categorias consideradas pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal e pelo de Espanha, que divulgaram ontem a publicação A Península Ibérica em Números - 2009, onde constam estes dados.
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Entre os empregados, 65 por cento tinham como nível de instrução o ensino primário ou o secundário inferior (o que se pode considerar como baixas qualificações), 16 por cento tinham o secundário superior e 18 por cento o ensino superior, contra respectivamente 81 por cento, dez por cento e nove por cento entre os patrões. Nesta diferença, pode pesar o efeito de um eventual maior peso dos trabalhadores independentes, como os empresários em nome individual, no mercado de trabalho nacional.
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As qualificações escolares dos trabalhadores portugueses, por seu lado, são substancialmente inferiores às dos espanhóis, entre os quais 37 por cento tinham formação superior - valor que superava a média da UE, situada nos 29 por cento. No entanto, em Espanha havia um peso mais elevado de trabalhadores com o primário e secundário inferior (40 por cento) do que na UE (21 por cento).
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Os empregadores espanhóis tinham entre si 28 por cento de pessoas com formação superior, face a 27 por cento na UE. E, também neste caso, o peso dos menos qualificados era quase o dobro do que na média da UE.
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Em 2008, o programa Novas Oportunidades já estava no terreno, mas os seus efeitos ainda pouco se deveriam fazer sentir em termos de médias.
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Estes dados não são novos, mas o INE apresentou-os ontem de uma forma sistematizada que facilita a sua comparação.
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Recentemente, o Governo lançou um incentivo para que os empresários frequentem acções de formação profissional. Os que as concluírem poderão ter prioridade no acesso a programas destinados a Micro e Pequenas e Médias Empresas (PME), de acordo com a portaria publicada na segunda-feira em Diário da República. A iniciativa Formação para Empresários irá abranger cerca de 5 mil formandos.
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quarta-feira, março 31, 2010

Desemprego atinge sobretudo baixos salários

A corrida aos centros de emprego acentuou-se no ano passado JORGE SILVA

Desemprego atinge sobretudo baixos salários

Por João Ramos de Almeida
.  Há dois anos, três quartos dos empregados tinham um salário inferior a 850 euros. Após a crise passaram para 70 por cento


Os trabalhadores de baixos salários foram os mais afectados pela subida abrupta do desemprego. Entre Dezembro de 2008 e de 2009, enquanto subia o número de assalariados com ordenados acima de mil euros, desapareceram 125 mil empregos pagos a menos de 500 euros por mês.

A conclusão extrai-se dos dados sobre descontos para a Segurança Social, feitos entre 2007 e 2009.

Os números referem-se a Dezembro de 2007, de 2008 e final de 2009. E reportam-se a conjunturas distintas. Em 2007, o emprego ainda estava a subir e subiria até Junho de 2008. A partir daí, começou a cair. Em Dezembro de 2008, essa queda estava a meio. Em Dezembro de 2009, o emprego caíra três por cento face a 2008 e recuara aos níveis de 2000.

O interesse destes números é o de permitir acompanhar como o nível dos salários declarados evoluiu ao longo das conjunturas. Em finais de 2007, os salários eram bastante baixos. O salário mínimo situava-se em 403 euros, mas abrangia apenas 6 por cento da mão-de-obra. Se os ganhos salariais médios eram de 1033 euros, cerca de 39 por cento dos então 3.189.219 assalariados tinham salários brutos (antes de descontos e IRS) inferiores a 500 euros mensais. E 26 por cento recebiam entre 500 e 750 euros. Pouco mais de dez por cento entre 750 e 850 euros. Ou seja, três quartos dos assalariados tinham salários brutos até 850 euros.

E depois o outro quarto repartia-se entre vários salários. Entre os quais, o escalão de mil a 1250 euros (6 por cento) e de 1250 a 1500 euros ou de 1500 a 2000 euros (cada um com 4 por cento). Acima de dez mil euros havia só 1661 pessoas (ver caixa).

Este era o cenário de partida quando veio a crise. Em Dezembro de 2008, quando o INE já assinalava uma quebra do emprego desde o terceiro trimestre, o número de assalariados com descontos para a Segurança Social ainda subiu - passou para 3.204.279 pessoas (mais 15 mil). Mas juntando os "independentes" sem pessoal a cargo (que abrange os "falsos recibos verdes" e que passaram de 307,5 mil para 284,6 mil num ano), a tendência batia com a do INE. O emprego caiu 0,2 por cento. Ou seja, quando a crise apertou, os contratos mais precários foram os primeiros a quebrar. E desde 2008 até ao final de 2009 desapareceram mais 54,3 mil postos de trabalho "independentes".

Que tipo de salários foram mais afectados? Os mais baixos, os salários inferiores a 500 euros. De 2007 para 2008, foram abatidos 121 mil desses postos de trabalho. E de 2008 para 2009, mais 125 mil. E é de admitir que esta quebra esteja subavaliada porque não se conhece os rendimentos dos "independentes", já que podem escolher o escalão pelo qual descontam para a Segurança Social. A quase totalidade fê-lo pelo valor mínimo.

Parte da redução de postos mais baratos deveu-se, por outro lado, a uma progressão salarial. De facto, o salário mínimo subiu para 426 euros em 2008 e para 450 euros em 2009. Os ganhos salariais médios passaram para 1071 euros no final de 2008 e 1094 euros na primeira metade de 2009. Mas a maior parte da progressão foi "comida" pela crise.

De 2007 para 2008, o escalão de ordenados entre 500 e 700 euros subiu 60 mil pessoas. Mas de 2008 para 2009, o desaparecimento de 125 mil postos mais baratos não foi compensada no escalão seguinte.

Esta evolução condiz com os números do INE. Os dados dos terceiros trimestres de 2008 e de 2009 revelam ter sido operários e trabalhadores não qualificados os mais afectados pelo desemprego (menos 154 mil pessoas).
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idia sousa, lisboa/portugak. 30.03.2010 17:46  
 
os orfãos do CAVAQUISMO
Os desempregados a que o artigo se refere, são aqueles que tinham vinte e tal anos durante o cavaquismo, eram semi-analfabetos e fizeram parte do célebre programa de formação profissional, no qual foram desbaratados parte dos quadriliões de contos que vieram na 1ª tranche da Europa. Qualquer um arranjava um barracão, comprava máquinas velhas e dava formação profissional da treta. Isto junto aos milhões para comprar equipamentos e que eram desviados para carros, casas, viagebns etc. Agora na hora da globalização, essas pessoas com idades á volta dos 50 anos, não servem para nada, as fabricas de mão de obra intensiva estão a fechar e dai resultam cerca de 300.000 pessoas desempregadas e sem habilitaçõs. Onde estão as escolas? os hospitais? Onde pára a MASSA. O Oliveiras e Costas e outros saberão responder. A mim ofereceram esse nagócio mas eu disse não, pois sou legalista.
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Há 1884 salários acima de 150 mil euros



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O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) consagra uma taxa extraordinária de IRS para os contribuintes com rendimentos colectáveis acima dos 150 mil euros. Mas esta medida não deve dirigir-se aos assalariados.

Em finais de 2009, havia só 1884 pessoas que recebiam salários brutos superiores a dez mil euros mensais, ou seja, pouco mais do que 0,06 por cento dos 3,1 milhões de assalariados. Mas, apesar da crise, era um grupo em expansão. Em 2007, abrangia 1661 pessoas. De igual forma, os assalariados com rendimentos brutos mensais entre 5 mil e 10 mil euros passaram de 12.390 em finais de 2007 para 18.199 no final de 2009.

Na mira da medida do PEC está, sim, parte do grupo de 35 mil agregados com rendimentos superiores a 100 mil euros anuais. Em 2007 - ano das estatísticas mais recentes do IRS - detinham 5,5 dos 79,7 milhões de euros de rendimento bruto tributável em IRS e pagaram 1,7 dos 8,2 mil milhões de receita do IRS.

Mas a receita esperada com o agravamento da taxa de IRS de 42 para 45 por cento deve ser diminuta. O documento do PEC estima uma receita de 307 milhões para essa medida e para o alargamento da base tributária da Segurança Social, antes estimada pelo Governo em 80 milhões de euros.
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quinta-feira, janeiro 14, 2010

Economia e Finanças -- 2010.01.14

Economia & Finanças


Posted: 14 Jan 2010 03:45 AM PST

Com o conhecimento dos dados definitivos da inflação de 2009 (os preços desceram 0,8% em 2009 conforme informou hoje o INE), as previsões para o valor da taxa de inflação em Portugal em 2010 ganham um pouco mais de precisão ainda que se mantenha um exercício difícil.
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O Banco de Portugal que divulgou recentemente o seu Boletim Económico de Inverno avançou com uma revisão para este valor prevendo agora que os preços subam ligeiramente em 2010, mais concretamente, prevê uma taxa de inflação de 0,7% (1,6% em 2011).
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Em Novembro de 2009, a Comissão Europeia, havia previsto uma subida de 1,3% para o Índice Harmonizado de Preços  nos Consumidores, um indicador marginalmente diferente da comum taxa de inflação (ver “Previsões Económicas da Comissão Europeia 2009 a 2011“). Qual o nosso palpite? Vale o que vale, mas apontaria para um valor entre os dois, sublinhando que, em bom rigor, este é um exercício de elevado risco.
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P.S.: Já agora tem curiosidade em conhecer a evolução da Taxa de Inflação em Portugal desde 1977 até hoje? Então passe por aqui: “Taxa de Inflação em Portugal: 1977 – 2009“.
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Artigos relacionados:
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Posted: 14 Jan 2010 01:00 AM PST

 
A título experimental, e confiando na qualidade do público que nos tem preferido, decidimos simplificar o procedimento que permite deixar comentários no Economia & Finanças. O primeiro comentário exigirá aprovação prévia antes de publicação, os restantes não e dispensa-se de todo o registo. Retomamos assim uma opção que já seguimos no passado e que levou, por exemplo, à formação de uma autêntica comunidade de leitores em torno de um sempre muito popular tema como o “Reembolso do IRS” (veja-se este caso do ano passado: “Reembolso do IRS começa em Abril ou Maio de 2009?“)
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Fazemos esta alteração no dia em que ultrapassámos mais um valor histórico: mais de 4 milhões de páginas visitadas desde meados de 2007 (quando começámos a contabilizar). Simultaneamente, e também a título experimental, passámos a divulgar apenas excertos dos artigos divulgados junto dos subscritores que recebem a nossa newsletter por e-mail e que seguem por RSS. Procuramos dessa forma potenciar a percepção de todos os temas tratados (e por vezes são vários ao longo de um único dia e de alguma extensão) sem prejuizo de, se tiver interesse em ler algum artigo na íntegra, se poder sempre visitar a respectiva ligação.
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Entretanto como antecipámos há poucos dias, a comunidade de fãs no Facebook já superou largamente o meio milhar e vai crescendo todos os dias.
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Obrigado e não deixem de comentar, nomeadamente o que acha destas alterações :-)
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Posted: 13 Jan 2010 08:50 AM PST

Recentemente, o Portal das Finanças divulgou o habitual auxiliar de memória para que os contribuintes possam cumprir com pontualidade as suas obrigações de pagamento de impostos. Nesta ligação pode consultar e imprimir o resumo dos principais momentos de pagamento de impostos (IVA, IRS, IRC, IMI, etc) que compreende os 12 meses do ano.
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Em relação às datas de referência para cumprir com as obrigações declarativas elas podem ser encontradas aqui, no mesmo Portal das Finanças.
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3.       Ir além dos impostos


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terça-feira, janeiro 12, 2010

A recessão agravou as condições de vida dos jovens




A recessão agravou as condições de vida dos jovens
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A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?

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Público - 10.01.2010 - 08:03 Por Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos

Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores.
Nelson Garrido
Os empregos de hoje não se escolhem: aceitam-se os que aparecem


Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).
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O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa".
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Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.
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Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam seguir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Perversamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".

A difícil transição
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Nem só os universitários vivem a calamidade. Os menos qualificados também - todos os dias, empresas a falir, fábricas a fechar portas. A transição do mundo juvenil para o mundo adulto alterou-se. Os jovens deixam-se estar em casa dos pais. Adiam compromissos - como comprar casa ou constituir família, precisa Virgínia Ferreira. Por toda a parte se vê desejar um trabalho precário. Não aquele em vez de outro: aquele porque não há outro. "À minha volta está tudo deprimido por não ter expectativas e por ter de conviver com um emprego insatisfatório", desabafa Sara Gamito, do movimento Precários Inflexíveis. "Ficam com os pés e as mãos atados e vão perdendo o alento."
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"Apesar de não nos definirmos só pelo que fazemos, o trabalho desempenha um papel fundamental na construção do eu", explica Sofia Marques da Silva, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. "E o salário é um elemento essencial para aceder a bens e organizar a transição. Sem salário, há um recuo ligado até à dignidade."
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Recusa o epíteto "perdida", mas está convencida de que "esta geração tem muita dificuldade em ter uma cultura de projecto - em imaginar o que vai fazer num tempo que ainda não existe". Fixa no presente o sentido dos dias e isso parece-lhe "perigoso": "Alguém que não imagina etapas na sua vida, às vezes, só quer usufruir rapidamente momentos, sensações". Não fala em revolta, como se viu noutros países europeus. Fala de ingresso na criminalidade, por exemplo. Elísio Estanque observa alheamento e inquieta-se com a saúde da democracia. Não só por o sistema não funcionar sem uma base de participação eleitoral. Também por ser importante haver associações para o olear. E existir "pouca disponibilidade dos jovens para participar: condiciona-os o medo".
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Não se pode homogeneizar. Há focos de protesto, inclusive através de blogues e movimentos, como lembra Cristina Andrade, da Fartos d"Estes Recibos Verdes. Mas impera "uma docilidade que é assustadora", torna Sofia Marques da Silva. "As empresas olham para estes jovens como dóceis. Aceitam tudo." Ao fazer uma etnografia numa casa de juventude de Matosinhos, ouviu um dizer: "Comem a carne e deixam-nos os ossos". O rapaz que pronunciou aquela frase não aceitava tudo. Tinha 20 anos e já fora cortador de carne, já fora estivador no Porto de Leixões e não aceitou um trabalho na construção - era mal pago, era nocturno e em tempo de chuva.
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Há estratégias de valorização - de sobrevivência mental. Às vezes, basta-lhes uma centelha. Sofia Marques da Silva viu aquele rapaz explicar, por exemplo, como carregar contentores é exigente em termos físicos. Ou uma rapariga que trabalhava numa fábrica gabar-se de saber fazer de tudo: cortar, coser, limpar.
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Factos e números sobre o problema maior de uma geração
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- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.
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- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.
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- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.
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- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.
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- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.
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- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.
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- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).
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