A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, abril 06, 2011

Por detrás do Biombo - Agências de Rating e Auditorias às Contas Públicas e agiotagem




Dia a dia

O mistério do rating

O sr. Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo, é um guru dos mercados financeiros – e um exemplo de especulador sério com alto sentido de responsabilidade e de ética nos negócios.
  • 05 Abril 2011
  • - Correio da Manhã
Por:Manuel Catarino, Subdirector
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Ele até perdeu muitos milhões com a crise. Não é como o malvado do Bernard Madoff, que à conta da crise desfez a fortuna de muita gente. Buffett é uma espécie de anjo inspirador da mais alta finança. Faz parte desse grupo de homens sem rosto que não se têm dado nada mal, por exemplo, com os empréstimos a Portugal: compram dívida pública e cobram os juros que se conhece. O negócio tem regras: quanto mais baixo for o rating (a capacidade de o devedor honrar os compromissos), mais elevados são os juros.
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O rating é atribuído por agências especializadas - como a Moody's, a Fitch, a Standard & Poor's - que, como é óbvio, prestam um inestimável e insubstituível serviço aos investidores: Warren Buffett precisa de saber se está a emprestar o seu dinheiro a quem pode deixar de pagar. Mas o critério das agências de rating para avaliarem o grau de cumprimento dos países tem sido um insondável mistério. Tem sido... o jornal britânico ‘The Observer' esclarece o assunto: o sr. Buffett é accionista da Moody's. A agência de rating, ao desacreditar Portugal, dá mais dinheiro a ganhar ao patrão. O resto é fantasia.
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Diário da Manhã

As virgens lusitanas

Algumas almas penadas andam por aí de joelhos a suplicar uma auditoria às contas do Estado.
  • 05 Abril 2011 - Correio da Manhã
Por:António Ribeiro Ferreira, Jornalista
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Em nome da verdade, claro, e da transparência, como é evidente, querem saber tudo o que está escondido em armários e debaixo dos tapetes. Estes apelos lancinantes têm o rabo de fora. Como os gatos.
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O golpe tem barbas e já foi aplicado com sucesso pelo fujão Barroso e pelo senhor engenheiro relativo. Com umas continhas bem marteladas por um qualquer Constâncio colaborante com a farsa, rasgam-se promessas eleitorais e aplicam-se medidas de austeridade à vontade do freguês. Acontece que as porcas misérias públicas estão bem à vista de todos. Só não as vê quem gosta de ser parvo ou chegou agora de Marte. E os aldrabões do costume travestidos em puras virgens lusitanas.
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Diário da Manhã

Portugal de alterne

Foram precisos muitos anos, muita manha, muita asneira, muita corrupção e um mar de lágrimas de crocodilo. Custou, mas foi.
  • 31 Março 2011 - Correio da Manha
Por:António Ribeiro Ferreira, jornalista

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 Os queridos democratas socialistas e sociais-democratas bem se esforçaram e os resultados estão à vista nesta bonita Primavera de 2011. A Pátria está mesmo à beira da lixeira, falida, desesperada, pobre e sem futuro. Muitos parabéns.
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Os indígenas estão à rasca. É verdade. Mas andaram nestes anos tão democráticos a participar alegremente nos muitos salamaleques para que foram convocados pela indigente classe política. E escolheram livremente os partidos que os deviam governar.
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Ontem como hoje volta a falar-se na alternância entre PS e PSD. É por estas e por outras que ninguém leva isto a sério. O País já era. Agora é um decadente Portugal de alterne.
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Dia a dia

A venda dos anéis

Há um negócio em expansão por todo o País neste tempo de crise: a compra de ouro. E tem tudo para ser lucrativo. O metal precioso está mais caro do que nunca, porque há uma grande procura a nível mundial. Por outro lado, a oferta em Portugal parece ser abundante.
  • 29 Março 2011 - Correio da Manhã
Por:Armando Esteves Pereira, director-adjunto

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Quando o País tinha hábitos de poupança, a compra de objectos de ouro era considerada uma aplicação segura. Esta atitude criou uma importante reserva espalhada por todo o País que os comerciantes estão a aproveitar. E como em todos os negócios de intermediação em que se sabe que alguém ganha dinheiro, aparecem concorrentes como cogumelos. E para haver tantas lojas é porque não faltam pessoas dispostas a vender as jóias e os anéis de família em troca de algumas centenas de euros.
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É compreensível que, dadas as dificuldades em esticar o dinheiro até ao final do mês, as pessoas optem por vender os anéis e conservar os dedos. Curiosamente, grande parte das famílias está em situação semelhante à do Estado: acumula défices e tem uma dívida gigantesca que se agrava com a subida de juros. A solução desesperada passa pela venda de património. O Governo começou por privatizar empresas e alienar património imobiliário. O Estado tem uma importante reserva de ouro no Banco de Portugal que dá para tapar um défice anual de 7%, mas seria um péssimo sinal se o Banco de Portugal fosse obrigado a alienar estas reservas.
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terça-feira, março 15, 2011

Dia a dia A marcar passo... - Manuel Catarino


Dia a dia

A marcar passo...

Por isto ou por aquilo, por causa da crise do subprime e do colapso financeiro que se lhe seguiu, pela inépcia do Governo e a complacência da Oposição, por tudo isto, a única verdade que não merece contestação é esta: Portugal está encurralado num beco – e como todos os becos este também não tem saída. É preciso voltar atrás e encontrar outro caminho.
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  • 14 Março 2011 Correio da Manhã
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Por:Manuel Catarino, subdirector
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Estamos hoje nesta penosa situação: o financiamento do Estado, que devia ser feito à custa do crescimento da economia, está nas mãos das tenebrosas agências de rating e da boa vontade dessa estranha entidade de benfeitores a que se chama ‘mercados’.
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Portugal precisa, para já, de ajuda externa. Seja do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou da União Europeia. O FMI não é solução – como se vê pelo exemplo da Grécia: os gregos estão a pagar juros asfixiantes de cinco por cento ao FMI e onze por cento aos ‘mercados’. Resta o auxílio da União Europeia. Manda aqui a senhora Merkel – a quem, como a grande parte dos alemães, causa engulhos essa coisa do Estado Social e pesadelos ter de pagar as reformas dos preguiçosos e indolentes povos do Sul. Ela ajuda, sim, mas é preciso cortar nas pensões. Sócrates cedeu à pressão alemã. O chefe do PSD diz-nos agora que poria Merkel no seu lugar.
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O senhor Passos só pode estar a brincar.

sexta-feira, março 11, 2011

A Justiça e a violência doméstica




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Ao Fim e ao Cabo

O poder divino

Uma juíza de Santa Maria da Feira mandou em liberdade uma exemplar criatura que se atirou a uma patrulha da GNR e, muito pior, anda há anos a bater na mulher.
  • 10 Março 2011
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Por:Manuel Catarino, Subdirector


A benevolência – para não dizer outra coisa – com que certa gente é tratada pelos tribunais parece ser prática cada vez mais usual. A senhora juíza que assim decidiu devia saber que o estimável arguido foi detido na sequência de desacatos em casa da ex-mulher – que, apesar de separada, é obrigada a recebê-lo na cama sempre que a ele lhe apetece. 
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A vítima leva uma vida de medo: "Não posso viver mais assim. Só vou aguentando por causa dos meus filhos, mas isto vai ter de acabar. Só queria que ele me deixasse em paz. Sei que um dia ele pode matar-me. Já fiz queixa na GNR, mas depois retirei-a, porque, além do medo, não quero que os meninos me culpem se o pai for para a cadeia." 
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Esta mulher é uma dupla vítima – do ex-marido e desta Justiça, fraca, negligente e incapaz, que não a defende. E se amanhã ele voltar a espancá-la – ou se a matar? A senhora juíza, muito provavelmente, continuará a julgar. Os juízes não estão ungidos de um qualquer poder divino – mas, entre nós, dá a ideia que sim. 
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  • Comentário feito por:1904
  • 10 Março 2011
É o resultado de uma vida segura, entre 4 paredes, que começou nos estudos e acabou num gabinete arejado, com direito a protecção. Não conhecem a vida real, desconhecem o que se passa nas ruas. Interessa é o salário
  • Comentário feito por:Zeferino Zacarias
  • 10 Março 2011
Bem haja por se preocupar e dar a conhecer.Acabo de constatar,no site da UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta, q, desde 2005 até final de 2010 foram assassinadas 255 mulheres em Portugal! Uma vergonha nacional!
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  • Comentário feito por: Anónimo
  • 10 Março 2011
Tem razão.As leis benevolentes não explicam, só por si, o descalabro da justiça. Há que repensar o recrutamento e formação dos magistrados, sobretudo dos juízes.O modelo CEJ fracassou...
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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Lares para idosos com dignidade ou deposito de estorvos?

Idosos: Segurança Social tem vindo a encerrar 70 por ano
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Lares ilegais movimentam 31 milhões

Manuel Salvado
Alguns dos utentes ficaram no Centro de Apoio de Setúbal e outros com familiares

 

Proliferam casas clandestinas que acolhem idosos, bem como empresas ilegais de serviços ao domicílio
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  • 09 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
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Por:Bernardo Esteves/L.M./T.L./J.T.


O lar de idosos ilegal da Charneca de Caparica, onde morreram anteontem quatro idosos, é apenas o exemplo de um negócio clandestino que movimenta por ano 31 milhões de euros, livres de impostos. A estimativa é da Associação de Apoio Domiciliário, Lares e Casas de Repouso de Idosos (ALI). Segundo esta entidade, os preços praticados pelas casas ilegais correspondem a 75 por cento do valor praticado pelos lares licenciados. A associação exige punições severas para os prevaricadores.
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O presidente do Instituto de Segurança Social, Edmundo Martinho, afirma que o número de lares clandestinos encerrados tem sido de cerca de 70 por ano. Mas o responsável da Segurança Social também admite que as casas clandestinas detectadas e encerradas são apenas a ponta do icebergue de uma realidade escondida.
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"Não sabemos que existem grande parte destes lares ilegais porque funcionam em casas particulares sem qualquer tipo de indicação. Se não forem as pessoas a fazer denúncias é muito difícil localizá-los", disse ao CM o responsável, que defende a imposição de "punições exemplares para quem explora de forma indigna as famílias".
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Para os proprietários de lares licenciados, a concorrência desleal dos clandestinos é preocupante.
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"Sabemos que há cada vez mais situações de lares ilegais na zona de Tomar, Santarém e também no Algarve. São casas pequenas, de particulares, que alojam apenas três ou quatro pessoas", denuncia José Fontainhas, de 69 anos, proprietário de um lar de idosos em Linda-a-Velha, Oeiras.
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A crise económica tem feito também surgir outras situações, como serviços de apoio ao domicílio com pessoal sem preparação ou formação para a tarefa e sem que haja um controlo por parte das entidades estatais.
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"Muitas vezes as pessoas optam por essas empresas de serviços ao domicílio com pessoas sem preparação, que encharcam os idosos em medicamentos", afirma José Fontainhas. Os últimos dados oficiais, relativos a 2006, apontavam para a existência de 1562 lares legais, que albergavam 61 mil utentes. Destes, apenas 394 pertenciam a entidades lucrativas. A maioria é gerida por Misericórdias e instituições de solidariedade social. 
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AUTÓPSIAS NÃO ENCONTRAM INDÍCIOS DE CRIME NAS MORTES
As autópsias realizadas ontem aos quatro idosos não encontraram indícios de crime. Os idosos terão morrido de paragem cardíaca, mas por razões naturais. Serão agora realizados exames toxicológicos para apurar se há qualquer substância que poderá ter provocado a falência dos órgãos, mas esses resultados vão demorar entre uma a duas semanas.
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Em conversa com o nosso jornal, a proprietária do lar admitiu nunca ter pedido alvará. "Mas tinha o que falta à maior parte dos lares, um ambiente familiar. Tratava-os a todos como família. Só não tenho o dom de lhes dar a vida. Já estavam mesmo muito velhinhos. Estavam aqui para morrer", garante Maria de Fátima Machado, de 70 anos. "Fecharam o lar, mas não olharam para a limpeza, o carinho e o amor que os velhotes aqui tinham". 
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Para manter tudo a funcionar, a proprietária tinha cinco empregadas a quem pagava 500 euros por mês e garante que o objectivo do lar não era ter lucro: "Faça as contas e veja que dinheiro é que eu lucrava. Vivo da reforma. O que faço é por gostar de ajudar quem precisa. Quem aqui estava, não tinha posses para pagar 1500 euros por mês e a Segurança Social não arranjou solução. Eu era a solução para estes velhinhos e para as famílias. Às vezes não tinham dinheiro para pagar e não foi por isso que foram postos na rua ou que os cuidados de higiene e a comida faltaram", explica Maria de Fátima, que vai entregar a vivenda arrendada (paga 1200 euros mensais) ao senhorio. "Devo ser autuada para pagar uma multa, mas vou pedir o perdão porque não devo ter dinheiro para a pagar".
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Viúva há oito anos, a dona do lar diz que lamenta tudo o que aconteceu. "Tirarem-me o lar é tirarem-me a vida", confessa.
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"FOI UMA TRISTE COINCIDÊNCIA. SEMPRE GOSTEI DAQUELE LAR"
"Tudo não passou de uma triste coincidência. Aquelas pessoas estavam lá prestes a morrer, entre os quais o meu pai". Ana de Jesus, filha de António Nabo, de 97 anos, uma das vítimas mortais, manifestou ao CM toda a sua admiração. "Eu já estava à espera da morte dele, pois estava muito mal. O facto de ter morrido na mesma noite que as outras não me surpreende, pois também se esperava a morte de duas delas", disse. Ana de Jesus diz mesmo não ter nada a apontar às pessoas do lar. "O meu pai quando foi para lá estava contente. Eu só soube depois que o lar estava ilegal, mas como o meu pai sempre foi bem tratado, comia bem, andava limpo, não me preocupei. Disse-me mesmo para não o tirar de lá". 
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Ao fim e ao cabo
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Vergonha nacional

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Apesar dos esforços das misericórdias e de outras instituições de solidariedade social, a oferta de lares para idosos é escassa para a procura. Crescem os lares ilegais. Espertalhões com poucos escrúpulos cobram fortunas. O negócio é rentável – e, desgraçadamente, desenvolve-se com a complacência de quem tem o dever de fiscalizar.
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  • 09 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
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Por:Manuel Catarino, Jornalista


Na terça-feira, quatro idosos morreram no mesmo dia num lar selvagem da Charneca de Caparica. As explicações do presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, são tão confrangedoras e lamentáveis como as mortes no lar. Uma miséria. Disse ele que a proprietária já tinha sido notificada para encerrar voluntariamente o negócio. 
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É esta maneira rasca de encarar os assuntos mais sérios que nos fazem perder a esperança na administração pública. Se o lar não tinha condições, como a Segurança Social verificou em tempo, devia ter sido encerrado imediatamente - ou não? O dr. Martinho e os serviços que dirige, apesar de escudados nas normas, na burocracia e nos procedimentos administrativos, são moralmente tão culpados como a proprietária do negócio. Lavaram as mãos e a consciência - mas não evitaram que aquela vivenda continuasse a ser uma câmara da morte lenta. A dona do lar, de resto, disse tudo: "Estas pessoas vieram para aqui para morrer."
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Dia a dia
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Depósitos de pessoas

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Se não fosse chamado o socorro para um idoso num lar de idosos clandestino na Charneca de Caparica, provavelmente nunca se saberia da morte de mais três pessoas. Trata-se de um caso macabro e triste, que nos lembra uma realidade negra deste País onde milhares de idosos são depositados em lares sem condições, mesmo que as famílias paguem pequenas fortunas de mensalidade. 
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  • 08 Dezembro 2010 - Correio da Manhã
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Por:Armando Esteves Pereira, director-adjunto


De norte a sul do País, tem havido um esforço de misericórdias e outras instituições de solidariedade para abrir novos lares. Há também exemplos notáveis de iniciativas de apoio domiciliário em que as pessoas permanecem nas suas residências. Há também algumas experiências interessantes de ‘adopção’ de idosos por parte de famílias. E com a crise e o elevado desemprego feminino, até é provável que cada vez mais voluntários estejam interessados em cuidar de idosos em casa, recebendo em troca uma contrapartida financeira. 
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Contudo, o envelhecimento acentuado da população portuguesa torna a oferta insuficiente, especialmente nas grandes áreas metropolitanas. Por haver um desequilíbrio entre a oferta e a procura, é fundamental que haja por parte do Estado, desde a Segurança Social à própria ASAE, uma fiscalização eficaz que combata os sítios sem condições onde são depositadas as pessoas mais frágeis.
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