A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, março 20, 2011

!9 de Março de 2011 - Reportagem e intervenções da CGTP e de Carvalho da Silva


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De: | Criado: 15 de Mar de 2011
Tempo de Antena da CGTP-IN, emitido RTP1, no dia 17 de Março
DIA DE INDIGNAÇÃO E DE PROTESTO - 19 DE MARÇO
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De: | Criado: 19 de Mar de 2011
http://sic.sapo.pt/online/noticias/dinheiro/Avenida+da+Liberdade+pequena+para...
Publicação: 19-03-2011 18:02 | Última actualização: 19-03-2011 19:45

Avenida da Liberdade pequena para milhares de trabalhadores em protesto

A Avenida da Liberdade ficou este sábado repleta de manifestantes que aderiram ao protesto convocado pela CGTP-IN contra o desemprego, a precariedade e por aumentos salariais e das pensões.

Por volta das 17:00 quando a Praça dos Restauradores, onde terminava o desfile, já estava cheia e ainda havia trabalhadores a desfilar na Avenida Fontes Pereira de Melo.

Sem que se conseguisse ver a cauda da manifestação, na Avenida da Liberdade o desfile ia passando ladeado por inúmeras pessoas que assistiam nos passeios.

O desfile iniciou-se no Marquês de Pombal com uma salva de palmas aos participantes na iniciativa.

Os milhares de manifestantes descem a Avenida da Liberdade gritando palavras de ordem como "O país não se endireita com políticas de direita", "Salários congelados, o futuro condenado" e "A cada dia que passa, o Governo só faz desgraça".

Povo "indignado" mas com "confiança no futuro"

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, declarou-se agradado com os "muitos milhares de pessoas" presentes na Avenida da Liberdade, sublinhando que "só se mexe quem confia no futuro" do país.

"O povo está descontente e indignado com as injustiças, pobreza e precariedade, mas a afirmar esperança e confiança no futuro", disse Carvalho da Silva enquanto descia a Avenida da Liberdade na frente da manifestação.

Empunhando bandeiras coloridas dos sindicatos, os trabalhadores do setor público e privado traziam faixas alusivas aos motivos da luta.

Na frente da manifestação desfilaram também o cantor Vitorino e os Homens da Luta.

A CGTP convocou esta manifestação nacional com o objetivo de que ela se tornasse "num dia de indignação e protesto".

A manifestação foi precedida de duas pré-concentrações nas Amoreiras (para a Função Pública) e no Saldanha (setor privado).

Com Lusa
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De: | Criado: 19 de Mar de 2011
Carvalho da Silva diz que o novo PEC é uma "declaração de guerra"
Carvalho da Silva diz que o novo plano de austeridade é uma declaração de guerra aos trabalhadores. Durante a manifestação de sábado o secretário geral da CGTP responsabilizou José Sócrates pela situação do país, mas também não poupou o PSD.
2011-03-19 21:52:28
http://www0.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=9&videos_pag...
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De: | Criado: 19 de Mar de 2011
Setor Público manifestou-se em Lisboa
Funcionários do setor público concentraram-se em Lisboa num protesto nacional. No protesto convocado pela CGTP, os manifestantes defenderam que é preciso manter o Estado a funcionar, para que haja saúde e educação.
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De: | Criado: 20 de Mar de 2011
Grande Manifestação Nacional
Lisboa foi palco de uma imensa multidão que desfilou pela Avenida da Liberdade durante duas horas e meia, naquela que foi a maior manifestação realizada depois da Greve Geral de 24 de Novembro de 2010.
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De: | Criado: 2 de Jun de 2010
Manifestación da CGTP en Lisboa (29 de maio de 2010) - www.fesga.org - Fundo Musical - Os Vampiros - José Afonso
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segunda-feira, julho 30, 2007




Utopia

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Tema incluído no álbum "Como se fora seu filho", de 1983.

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José Afonso no espectáculo do Coliseu, antes de cantar "Utopia": "A utopia com que sempre sonhei é concretizável."

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"Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
.
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu
desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro rumo deverei seguir
na minha rota?"
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in José Afonso: textos e canções, Assírio e Alvim, 1983
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ZECA AFONSO


Foi na cidade do Sado

Foi na cidade do Sado
No pavilhão do Naval
Havia uma bronca armada
Pelas bestas do capital
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Aos sete do mês de Março
Quinta-feira já se ouvia
Dizer a boca calada
Que o PPD era a CIA

Uma tarjeta laranja
Convite ao povo fazia:
Venham todos ao comício
Da Social Democracia

Eram talvez quatrocentos
Gritando a plenos pulmões:
Abaixo o capitalismo
Não queremos mais tubarões

Lá dentro sessenta manos
Do PPD exibiam
Matracas e armas de fogo
E o mais que os outros não viam
A um sinal combinado
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Já quente a polícia vem
Arreia, polícia, arreia
Que o Totta-Acores paga bem
.
Amigo arrebenta a porta
Que te vão para matar
As bestas já fazem fogo
Lá fora tens de lutar
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Os gases lacrimogénios
E os tiros que então partia
Mais os cordões da polícia
Os Pê Pê Dês protegiam
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Cai morto João Manuel
De nascimento algarvio
Dezoito já eram feridos
Ficou o Naval vazio

Justiça pela noite fora
Pediu o povo na rua
Morte à polícia assassina
Amigo a vitória é tua
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Aos onze do mesmo mês
Às onze horas do dia
Enquanto o João passava
Enquanto o João jazia
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Do outro lado do rio
Morre o soldado Luís
Soldado filho do Povo
Vamos fazer um País
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* Quadras incluídas no disco: Foi na Cidade do Sado, disco militante, edição LUNAR.


Feira de Santiago em Setúbal (2007),
dedicada a José Afonso

Ao Zeca, Vinte Anos Depois

Bem ou mal, inspirei-me, hoje que passam duas décadas da morte do Zeca, nos seus textos musicados, para lembrar algo do Corfebol, algo de mim, algo de nós, nós que somos Corfebol, este Corfebol que faz parte de nós.
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“Eu vou ser como a toupeira que esburaca” (Eu Vou Ser Como a Toupeira) e usarei esta pena em teclado feita para chamar todos à acção. Porque, já sabemos, “o que faz falta é acordar a malta” (O Que Faz Falta).Eu e tantos neste Corfebol, “lá no cimo de uma montanha acendemos uma fogueira, para não se apagar a chama que dá vida na noite inteira” (Canto Moço).
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“Num lugar ermo só no meu abrigo aí terei meu tecto e meu postigo” (Tecto na Montanha). “No Lago do Breu a Lua nasce (No Lago do Breu). “Estou sozinho no mar largo, sem medo à noite cerrada” (Minha Mãe). Assim é o Corfebol para mim, estas “torres cinzentas que dão para o vento dentro do meu pensamento” (Altos Castelos), este sentir as dificuldades como um desafio, usando a paixão como escudo contra o infortúnio e telescópio para a felicidade.
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E é assim que me vejo, sem modéstia, como “o vento que dá nas canas do canavial” (A Morte Saiu à Rua), porque conheci o Corfebol e “desde então a bater no meu peito em segredo sinto uma voz dizer Teima, teima sem medo” (Fui à Beira do Mar). E, por isso, me “ouvirás cantando nas alturas” (Canção de Embalar). E, pelo Corfebol, sei-o, “eu hei-de vencer” (É para Urga).
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Pois é isto o Corfebol. Este Mundo onde se encontra “em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade” (Grândola, Vila Morena), em que é “benvindo quem vier por bem” (Traz Outro Amigo Também ), esta “Cidade sem muros nem ameias; gente igual por dentro, gente igual por fora” (Utopia), esta “Cidade do homem; não do lobo mas irmão; Capital da alegria” (Utopia). Onde os sexos se irmanam, pois “Mulher na democracia não é biombo de sala” (Teresa Torga).Tenho pena de quem não conhece o Corfebol; de quem não nos conhece.
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“Há quem viva sem dar por nada; há quem morra sem tal saber” (Mulher da Erva).
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Sabemos que isto está mau. Este Mundo que amamos anda triste, mas amamo-lo sempre. “Já o tempo se acostuma à cova funda” (Já o Tempo se Habitua), mas cremos piamente “que um dia rirá melhor quem rirá por fim” (A Morte Saiu à Rua).
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Para o Corfebol, tantas vezes, parece que “a marcha do tempo parou” (O Homem Voltou), mas “já o tempo se habitua a estar alerta” (Já o Tempo se Habitua).Não somos só nós que estamos mal. “O país vai de carrinho; vai de carrinho o país” (O País Vai de Carrinho). Anda tudo torto neste Portugal. “Mandadores de alta finança fazem tudo andar pra trás” (Os Índios da Meia-Praia). Compadrios e injustiças reinam. “À mesa da fama assentou-se quem mama” (Eu Marchava de Dia e de Noite).
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E, claro, se as coisas correm mal, pior tendem para correr. “Quando tudo te corre a prazer vêm amigos estender-te a mão, mas se Deus ou o Diabo viram tudo ao contrário, ninguém vem levantar-te do chão” (Eu Marchava de Dia e de Noite).
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“Homem de costas vergadas, de unhas cravadas, na pele a arder; é minha a tua canseira, mas há quem queira ver-te sofrer” (Só Ouve o Brado da Terra). È certo e sabido que “onde não há pão não há sossego” (Menino do Bairro Negro).
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“A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei; mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei” (Venham Mais Cinco). “Quem te quebrou o encanto, nunca te amou” (Maio, Maduro Maio), ó Corfebol. Mas pior é “se alguém se engana com seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada” (Os Vampiros), àqueles que só vêm para cá estragar o que construímos. “Lembram-me os Sheikes das fitas, que dão porrada a quem passa” (Nefretite não Tinha Papeira).
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Desgastam, “que um homem morre mil vezes, mil e uma já é demais” (Canção do Medo). Mas já não tenho pena, sei esperar” (Canção da Paciência).
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Depois, há os que, com esse e outros desgastes, se vão embora. “Adeus que te vou deixar, ó minha terra, ó minha enxada; não faço gosto em voltar” (Adeus ó Serra da Lapa). Porque “às vezes uma dúvida rondava: valia ou não a pena o que fazias?” (Tinha uma Sala Mal Iluminada).Mas vamos dar a volta. “Vira o vento e muda a sorte” (Natal dos Simples). “Mudem de rumo; já lá vem outro carreiro” (A Formiga no Carreiro).
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“Companheiros de aventura, vinde comigo viajar” (Adeus ó Serra da Lapa), “venham comigo venham, que eu não vou só” (Menino d'Oiro). “E o caminho é só um; é sempre em frente” (Tinha uma Sala Mal Iluminada). “Amigo, maior que o pensamento, por essa estrada amigo vem. Não percas tempo, que o vento é meu amigo também” (Traz Outro Amigo Também ) “Ergue-te ó Sol de Verão; somos nós os teus cantores” (Coro da Primavera).“Olha o sol que vai nascendo” (Menino do Bairro Negro), olha as “pombas brancas que voam altas” (As Pombas).
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Com elas, “canta camarada, canta,canta que ninguém te afronta” (Canta Camarada).“Não há bandeira sem luta” (Teresa Torga). “Que a voz não te esmoreça vamos lutar” (Maio, Maduro Maio), “porque a luta continua” (Os Índios da Meia-Praia). Lutemos, pois, pelo que nos une. “Não quebrem vossa união” (Em Terras de Trás-os Montes). “Enquanto há força no braço que vinga, que venham ventos virar-nos as quilhas” (Enquanto Há Força).
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“Não tenhamos medo, pois ninguém melhor poderá resolver esta luta “ (Barracas Ocupação). “Mas se há um camarada à tua espera, não faltes ao encontro sê constante” (Tinha uma Sala Mal Iluminada).
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“Nem toda a força do pano, todo o ano, quebra a proa do mais forte, nem a morte” (Já o Tempo se Habitua). Porque “o homem conquista a vitória sobre o deserto e rio também” (Eu Marchava de Dia e de Noite), sabendo que “só o forte tem sorte” (Eu Marchava de Dia e de Noite). “Amigo, a vitória é tua” (Foi na Cidade do Sado).“O que faz falta é agitar a malta” (O Que Faz Falta). Mexamo-nos. Façamos mexer os que nos ladeiam. “A presença das formigas nesta oficina caseira” (A Presença das Formigas) leva-me a pensar que somos muitos e bons para levar a bom porto esta demanda. “Somos filhos da madrugada” (Canto Moço), mas “o que faz falta é empurrar a malta” (O Que Faz Falta).E, então, vamos. “Por esses quintais adentro vamos às raparigas solteiras” (Natal dos Simples), “por esses quintais adentro vamos às raparigas casadas” (Natal dos Simples). “Traz outro amigo também” (Traz Outro Amigo Também); “venham mais cinco” (Venham Mais Cinco), e que esses cinco tragam cada um outros tantos. E aí “seremos muitos, seremos alguém, cantai rapazes, dançai raparigas” (Enquanto Há Força).
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E, enquanto “navegamos de vaga em vaga; não sabemos de dor nem mágoa” (Canto Moço), “muitos sóis e luas irão nascer; mais ondas na praia rebentar” (Canção da Paciência), e cá estaremos nós, Corfebolistas, a lutar, sempre!, pela nossa Modalidade, pelo nosso Mundo, pela nossa Vida!

in http://corfebol.blogspot.com/2007_02_01_archive.html

quarta-feira, julho 18, 2007


Tudo passa, tudo morre !

A vida e a a «amizade» ou «estima» são fogachos

Na vida real e muito mais na WEB

Nunca digas NUNCA! porque o SEMPRE não existe ...

...na internet e na vida real"

Quase tudo não passa duma feira de vaidades ou de voltas à volta do umbigo!


Victor Nogueira

Artist Name - Afonso Zeca
Song Lyrics - A Formiga No Carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida´
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro


in http://www.allthelyrics.com/song/85026/

domingo, julho 08, 2007




Eu não sei como te chamas
oh Maria Faia!
Nem que nome te hei-de eu pôr
oh Maria Faia, oh Faia Maria!


Cravo não, que tu és rosa
oh Maria Faia!
Rosa não, que tu és flor
oh Maria Faia, oh Faia Maria!


Não te quero chamar cravo
Que te estou a engrandecer,
Chamo-te antes espelho
Onde espero de me ver.


O meu abalou
Deu-me uma linda despedida,
Abarcou-me a mão direita
Adeus oh prenda querida.



Letra e música: popular: Beira-Baixa
Intérprete: Zeca Afonso
In: Traz outro amigo também
Painel de Azulejos - Coimbra

sexta-feira, junho 01, 2007




Dia da Criança - Poemas de autores diversos




OS PUTOS



· Ary dos Santos

Uma bola de pano num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
E no céu no olhar dum puto

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui que é bruto

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos

Mas quando a tarde cai vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo a aprenderem a ser homens

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
E um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
E um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor

Mas quando a tarde cai vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo a aprenderem a ser homens
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Os Meninos do Huambo



· Manuel Rui Monteiro

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos do Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
__________

MENINO DO BAIRRO NEGRO



· Letra e música de José Afonso

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar

Se até dá gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti

Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

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Dia de Natal



· António Gedeão

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

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O menino negro não entrou na roda

· Geraldo Bessa Victor

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas - as crianças brancas
que brincavam todas numa roda viva
de canções festivas, gargalhadas francas...

O menino negro não entrou na roda.

E chegou o vento junto das crianças
- e bailou com elas e cantou com elas
as canções e danças das suaves brisas,
as canções e danças das brutais procelas.

O menino negro não entrou na roda.

Pássaros, em bando, voaram chilreando
sobre as cabecinhas lindas dos meninos
e pousaram todos em redor. Por fim,
bailaram seus vôos, cantando seus hinos ...

O menino negro não entrou na roda.

"Venha cá, pretinho, venha cá brincar"
- disse um dos meninos com seu ar feliz.
A mamã, zelosa, logo fez reparo;
o menino branco já não quis, não quis ...

o menino negro não entrou na roda.

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas. Desolado, absorto,
ficou só, parado com olhar cego,
ficou só, calado com voz de morto.

__________


A NEVE



* Augusto Gil
- Luar de Janeiro, 1909

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.

__________

Menino de oiro



· José Afonso
( 1929 - 1987 )


O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.

Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

Quantos sonhos ligeiros p'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu p'r'amar
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

O meu menino é d'oiro
É d'oiro é de oiro fino ....

Venham altas montanhas
Ventos do mar ....

quarta-feira, maio 30, 2007




30 de Maio - Greve geral

Soneto do Trabalho

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.


Ary dos Santos

Os Vampiros

"No céu cinzento, sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com o seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada.

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei.
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada.

No chão do medo, tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos, na noite abafada
Jazem nos fossos, vítimas de um credo
E não se esgota, o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada."

- Zeca Afonso

Eh! Companheiro aqui estou
aqui estou p'ra te falar
Estas paredes me tolhem
os passos que quero dar
uma é feita de granito
não se pode rebentar
outra de vidro rachado
p'ras duas pernas cortar

Eh! Companheiro resposta
resposta te quero dar
Só tem medo desses muros
quem tem muros no pensar
todos sabemos do pássaro
cá dentro a qu'rer voar
se o pensamento for livre
todos vamos libertar

Eh! Companheiro eu falo
eu falo do coração
Já me acostumei à cor
desta negra solidão
já o preto que vai bem
já o branco ainda não
não sei quando vem o vento
p'ra me levar de avião

Eh! Companheiro respondo
respondo do coração
ser sozinho não é sina
nem de rato de porão
faz também soprar o vento
não esperes o tufão
põe sementes do teu peito
nos bolsos do teu irmão

Eh! Companheiro vou falar
vou falar do meu parecer
Vira o vento muda a sorte
toda a vida ouvi dizer
soprou muita ventania
não vi a sorte crescer
meu destino e sempre o mesmo
desde moço até morrer

Eh! Companheiro aqui estou
aqui estou p'ra responder
Sorte assim não cresce a toa
como urtiga por colher
cresce nas vinhas do povo
leva tempo a amadur'cer
quando mudar seu destino
está ao alcance de um viver

Eh! Companheiro aqui estou
aqui estou p'ra te falar
De toda a parte me chamam
não sei p'ra onde me virar
uns que trazem fechadura
com portas para espreitar
outros que em nome da paz
não me deixam nem olhar

Eh! Companheiro resposta
resposta te quero dar
Portas assim foram feitas
p'ra se abrir de par em par
não confundas duas coisas
cada paz em seu lugar
pela paz que nos recusam
muito temos de lutar.


- Sérgio Godinho / José Mário Branco

quinta-feira, maio 10, 2007


Profissões em vias de extinção (7)
Serrador e Resineiro
A desflorestação no concelho da Lourinhã, iniciada em finais do séc. XIV com o corte de carvalhos, foi enorme. No seu lugar foram plantados pinheiros e somente em zonas que não prestavam para agricultura. Os pinheiros passavam por duas fases de exploração: a resina, durante o crescimento da árvore, e a madeira, com a árvore adulta e com porte que permitisse a sua comercialização.
A recolha da resina era feita através de um processo chamado “sangria”. Os resineiros, não residentes na Lourinhã, vinham anualmente retirar a resina e efectuar novas sangrias. O material do resineiro aqui exposto é todo proveniente do concelho de Soure, distrito de Coimbra, devido ao facto dos utensílios da região se terem perdido.
Depois do derrube dos pinheiros, a machado, estes eram montados na horizontal em cima de uma estrutura chamada “burra” para então serem serrados em tábuas. A mão de obra, geralmente importada, trabalhava aos pares, com um dos homens encavalitado do próprio tronco e outro em baixo, puxando e empurrando a serra.


Resineiro Engraçado

(Popular Beira-alta/José Afonso)


Resineiro engraçado
Engraçado no falare
Ó I ó ai eu hei d’ir à terra dele
Ó I ó ai se ele me lá quiser levar
Já tenho papel e tinta
Caneta e mata borrão
Ó I ó ai p’ra escrever ao resineiro
Ó I ó ai que trago no coração
Resineiro é casado
É casado e tem mulher
Ó I ó ai vou escrever ó resineiro
Ó I ó ai quantas vezes eu quiser
Resineiro engraçado
Engraçado no falare
Ó I ó ai eu hei d’ir à terra dele
Ó I ó ai se ele me lá quiser levar


José Afonso no Disco Cantares do Andarilho

quarta-feira, maio 02, 2007


Maio, Maduro Maio

Composição: José Afonso

Maio maduro Maio, quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.
Raiava o sol já no Sul.
E uma falua vinha lá de Istambul.

Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa Maio de amores.
Era o dia de cantar.
E uma falua andava ao longe a varar.

Maio com meu amigo quem dera já.
Sempre no mês do trigo se cantará.
Qu’importa a fúria do mar.
Que a voz não te esmoreça vamos lutar.

Numa rua comprida El-rei pastor.
Vende o soro da vida que mata a dor.
Anda ver, Maio nasceu.
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.

in

http://jose-afonso.letras.terra.com.br/

domingo, abril 22, 2007

José Afonso: os Herdeiros

Autor de canções de intervenção como ‘A Morte Saiu à Rua’, ‘Avô Cavernoso’ ou ‘Grândola Vila Morena’, José Afonso estende a sua influência até hoje

* Luis F. Silva

José Afonso morreu há 20 anos, mas a canção de intervenção de que foi o principal intérprete não desapareceu consigo. Pelo contrário. Duas décadas depois a influência de Zeca permanece viva e estende-se a todos os géneros, do rock ao heavy metal e, em particular, ao hip-hop, a música urbana por excelência deste início de século.

As mais notadas diferenças residem nos propósitos (hoje mais sociais do que políticos) e na linguagem, como reconheceu Sam the Kid, salientando, porém, que “os tempos eram outros”.

“Naquela altura, antes do 25 de Abril, os músicos eram pessoas mais intelectualizadas e a linguagem das suas canções era muito mais elaborada do que é hoje. E acho que isso não se devia só à censura. O ‘Vampiros’ é um caso evidente, mas há outras letras cujas metáforas não apanho...”, acrescentou.

Para o músico, que confessa ter alguns discos de José Afonso (‘Cantigas do Maio’, ‘Vampiros’, ‘Com as Minhas Tamanquinhas’), “a linguagem do hip--hop é mais directa, usa a linguagem da rua, o calão... O próprio Vitorino, que passou por esses tempos, já me disse isso”, frisou.

Destacando a “postura simples, humilde e de pessoa do povo” de José Afonso, Sam the Kid estreou-se com canções de intervenção em ‘Pratica(Mente)’, recentemente editado.

“Tenho o ‘Abstenção’, que é uma canção em que mostro a minha indiferença pela política, mas a verdade é que represento muitos jovens que não se sentem identificados com os políticos que temos. Mas a canção tem uma mensagem de esperança”, disse. Outro dos temas de intervenção é “o ‘Negociantes’, em que abordo a realidade desde que o euro apareceu. As pessoas hoje têm de ter outra actividade porque só o emprego não dá para viverem condignamente. Pelo meio meto a visão de um ex-presidiário, que não consegue arranjar emprego, falo dos políticos e questiono para onde vai o dinheiro da retenção na fonte”, confessou, antes de frisar que “há que valorizar o hip-hop enquanto música e não apenas a mensagem”.

A influência de José Afonso é também referida pelos Mundo Secreto, uma jovem formação hip-hop. Francisco um dos membros do grupo, cresceu “a ouvir os discos dele [Zeca Afonso] e não só”, disse, destacando o carácter “positivo” da mensagem das canções de José Afonso.

ROCK AMOLECEU

O hip-hop é hoje a canção de intervenção mais contundente, mas esse papel foi em tempos desempenhado pelo rock. Mas algo mudou, segundo António Corte-Real, guitarrista dos UHF (filho de António Manuel Ribeiro) e hoje à frente dos Revolta, um grupo surgido precisamente com o propósito de cantar contra a apatia.

“As bandas rock que sobreviveram, salvo raras excepções, viraram-se para a melodia fácil (para passar na rádio) e para as letras de amor. O intervencionismo perdeu-se”, lamentou.

Para o músico, o exemplo maior de José Afonso reside no facto de “nunca se ter calado, de ter sido sempre interventivo”. “E hoje”, acrescentou, “há necessidade de um outro intervencionismo. Há liberdade mas não se fala. As pessoas acomodaram-se aos 60 canais de TV, à internet... são utensílios importantes sim senhor, mas não nos podem tapar a visão”, concluiu.

MORTE POR ESCLEROSE

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987 (aos 57 anos), no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa do sistema nervoso que se caracteriza por progressiva fraqueza e atrofia muscular.

No seu último álbum, ‘Galinhas do Mato’, de 1985, o cantor já não conseguiu cantar a totalidade das canções por ter perdido o controlo da musculatura da língua.

MUNDO SECRETO

São a mais recente formação hip-hop a ‘estoirar’ em Portugal e o homónimo álbum de estreia – lançado este mês – está recheado de canções com mensagens positivas. Desde ‘Essência (‘A Liberdade’) até ‘Pousa a Tua Gun’, passando por ‘Dias de Mudança’. Mas é ‘GerAcção’ quem melhor sintetiza o privilégio da mensagem sobre a rima.

'GERACÇÃO'

“Em 1974 gritou-se liberdade! Dez anos depois, a minha geração nasce. Nós somos os filhos da revolução, daqueles que sonharam a liberdade de expressão. A nossa luta continua, começa pela base (...)

Em jeito de resumo, Tu podes escolher se és um puto que vê, ou faz a cena acontecer. A revolução está aí! A juventude não pára, e é mais forte que uma t-shirt estampada do Che Guevara (...) Meu irmão, tu és o futuro na nação, então grita acção! GerAcção!’”

BOSS AC

A denúncia de situações como o racismo sempre fizeram parte do vocabulário de Boss AC. Mas é em ‘Farto de ...’ (‘Ritmo, Amor e Palavras’) que o rapper se mostra mais contundente.

'FARTO DE...'

“Farto de ser o culpado sem ter culpa de nada, Ser rejeitado farto de conversa fiada, Farto deste sistema de mer** que nos engole, Farto destes políticos a coçar colh*** ao sol, Farto de promessas da treta; Sobem ao poder metem as promessas na gaveta, Farto de ver o país parado como uma lesma, Ver as moscas mudarem e a mer** ser a mesma, farto de os ver saltar quando os barcos naufragam, Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam...”

SAM THE KID

Por sugestão do pai, Sam the Kid investiu finalmente no tema da política. ‘Abstenção’ é o tema em causa e surge incluído em ‘Pratica(Mente)’, o mais recente álbum de rimas do músico-poeta. Mas há mais: ‘Negociantes’ é outro dos retratos, sem papas na língua, da realidade contemporânea urbana portuguesa.

'ABSTENÇÃO'

“Não sou licenciado nem recenseado, com paciência, há-de aparecer alguém credenciado, com moral/ Que me faça votar, me faça lutar, me faça notar, e faça esgotar a campanha eleitoral (...) Eu não voto, eu boicoto, mas crio as horas nocturnas, sei qu’é o meu futuro, mas não vou acordar cedo/Pa pôr um voto nulo ao eleger um chulo ou um cherne, ou quem governe só com charme (...) Eu não preciso de reflexão eu já, tou decidido, eu só voto na verdade e não a vejo em nenhum partido...”

REVOLTA

Com António Corte-Real (UHF) à frente, os Revolta apostam no punk-rock para agitar consciências. “Politicamente incorrecto” o trio faz questão de gritar bem alto os problemas dos portugueses. ‘Ninguém Manda em Ti!!!’, é o título do álbum de estreia a editar em breve e o alinhamento inclui temas como ‘Bush’ e ‘Eu Quero Ser’.

'NINGUÉM MANDA EM TI'

“Nesta vida nada é fácil, Tudo custa mais do que devia, Ser banal ter lucro fácil, Queres viver outro dia – É proibido ter ideias, Pensar e falar, Se queres ser alguém, Tens de fingir e aguentar – Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri. A vida inteira, A chuva miudinha Não pára de molhar, Os olhares curiosos, Que te estão a chatear É um ciclo vicioso Que te está a seguir, Só acabará no dia, Em que souberes resistir Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri, A vida inteira

DR. SALAZAR

Mais de 30 anos depois do 25 de Abril, os Dr. Salazar sofrem na pele a discriminação pelo nome escolhido. O álbum de estreia, ‘Antes & Depois’ foi editado a expensas próprias e o metal industrial que praticam é também um veículo de crítica social, como o denuncia o tema ‘Falar do Mendigo’. Ao vivo, curiosamente, tocam uma versão de ‘Vejam Bem’ de José Afonso.

'FALAR DO MENDIGO'

“Perguntem ao mendigo, Que sobe a calçada, Rumo à sopa dos pobres, Se viu passar a democracia; Perguntem a quem pede, se deixou de pedir, E a todos que lutam, se param de lutar (...) (...) Mas só há lugar inquérito pelo telefone, e a matéria é do tipo Qual a figura mais In (...) (...) Adormece por fim no conforto do leito sujo, feito de trapos e pedaços de cartão, perfumado de vinho reles, enquanto a humidade da noite, Se abate no silêncio cortada apenas pelo latido do cão.”

in CORREIO DA MANHÃ 2007.02.23

quinta-feira, abril 12, 2007


Poesia sobre os ciganos

ROMANCE DO CIGANO QUE VIU CHEGAR O ALFERES


* Cecilia Meireles

Não vale muito, o rosilho:
mas o homem que vem montado,
embora venha sorrindo,
traz sinal de desgraçado.
Parece vir perseguido,
sem que se seja soldado;
deixou marcas no caminho
como de homem algemado.
Fala e pensa como um vivo,
mas deve estar condenado.
Tem qualquer coisa no juízo,
mas sem ser um desvairado.

A estrela do seu destino
leva o desenho estropiado:
metade com grande brilho
a outra, de brilho nublado;
quanto mais fica um, sobrio,
mais se ilumina o outro lado.


Cante Cigano
(
Janita Salomé)
by N/A

Bendita la mare
que tiene que dá como diñaba
Rosita y mosquetas
por la madrugá

En na praito berde
tendi mi pañuelo
como salieron mare tres Rosita
como tres luseros

Espanha/Popular


Aos Poetas

* Miguel Torga

Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam~
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós,
Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!


Chamaram-me cigano

* (letra e música de Zeca Afonso)

Chamaram-me um dia
Cigano e maltês.
Menino, não és boa rês!
Abri uma cova
Na terra mais funda,
Fiz dela a minha sepultura.
Entrei numa gruta,
Matei um tritão,
Mas tive o diabo na mão.

Havia um comboio
Já pronto a largar,
E vi o diabo a tentar.
Pedi-lhe um cruzado,
Fiquei logo ali,
Num leito de penas dormi.
Puseram-me a ferros,
Soltaram o cão,
Mas tive o diabo na mão.

Voltei de charola,de cilha e arnês,
Amigo, vem cá outra vez!
Subi uma escada,
Ganhei dinheirama,
Senhor D. Fulano Marquês!
Perdi na roleta,
Ganhei ao gamão,
Mas tive o diabo na mão.

Ao dar uma volta
Caí do lancil
E veio o diabo a ganir.
Nadavam piranhas
Na lagoa escura,
Tamanhas que nunca tal vi!
Limpei a viseira,
Peguei no arpão,
Mas tive o diabo na mão.


Ciganos

* Miguel Torga

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.

Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.

Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...


PORTO DA SAUDADE

* Alceu Valença
(refrão do povo nordestino)

Faz tanto tempo, tempo é rua Soledade
Leia saudade quando escrevo solidão
Quis o destino tortuoso dos ciganos
E as aventuras dos pneus de um caminhão
Que atravessava o riacho de salobro
Deixando marcas desenhadas pelo chão
O vento vinha e varria a minha volta
A ventania e o tempo não têm compaixão

Oh mana deixa eu ir
Oh mana eu vou só
Oh mana deixa eu ir
Pro sertão de Caicó

Faz tanto tempo, tempo é porto da saudade
Praias do Rio de Janeiro no verão
Quero o destino das águas dos oceanos
Me evaporando preu chover no riachão
Mergulharia no riacho de salobro
Levando a culpa como se eu fosse cristão
O vento vinha e varria à minha volta
A ventania e o tempo não têm compaixão


PUNHAL DE PRATA

* Alceu Valença

Eu sempre andei descalço
No encalço dessa menina
E a sola dos meus passos
Tem a pele muito fina
Eu sempre olhei os olhos
Bem no fundo
Na retina
E a menina dos olhos
Me mata
Me alucina

Eu sempre andei sozinho
A mão esquerda vazia
A mão direita fechada
Sem medo
Por garantia
De encontrar quem me ama
Nara que me odeia
Com esse punhal de prata
Brilhando na lua cheia

Eu sendo mouro sou um cigano
Eu rasgo o oceano
Eu quebro esse mar
Morena, vem...


La guitarra

* (Poema de la siguiriya gitana in: Poema del cante jondo)

Empieza el llanto
de la guitarra.
Se rompen las copas
de la madrugada.
Empieza el llanto
de la guitarra.
Es inútil callarla.
Es imposible
callarla.
Llora monótona
como llora el agua,
como llora el viento
sobre la nevada.
Es imposible
callarla.
Llora por cosas
lejanas.
Arena del Sur caliente
que pide camelias blancas.
Llora flecha sin blanco,
la tarde sin mañana,
y el primer pájaro muerto
sobre la rama.
Oh, guitarra!
Corazón malherido
por cinco espadas


É talvez um excesso de tristezas...

***

Quando acampam de noite, é no relento,
Que vão sonhar seu Sonho aventureiro;
Seu teto é o vácuo azul do Firmamento,
Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro.

Às vezes, em vigílias ambulantes,
A noite em fora, entre canções dalmatas,
Vão seguindo ao luar, vão delirantes,
Alados no langor das serenatas.

Gemem guzlas e vibram castanholas,
E este rumor de errantes cavatinas
Lembra coisas das terras espanholas,
Nas saudades das terras levantinas.

E, então, seus vultos tredos envolvidos
Em vestes rotas, sórdidas, imundas.
Vão passando por ermos esquecidos,
Como um grupo de sombras vagabundas.

Lá vem os saltimbancos, às dezenas,
Levantando a poeira das estradas,
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.

Povo sem Fé, sem Deus e sem Bandeira!
Todos o temem como horrível gente,
Mas ele na existência aventureira,
Ri-se do medo alheio, indiferente.

E, livres como o Vento e a Luz volante,
Sob a aparência de Infelicidade,
Realizam, na sua vida errante,
O poema da eterna Liberdade.

Poema integrante da série Poemas Inéditos.
In: LEONI, Raul de. Trechos escolhidos. Org. Luiz Santa Cruz. Rio de Janeiro: Agir, 1961. (Nossos clássicos, 58).



O AMOR


* Sophia de Mello Breyner



Não há para mim outro amor nem tardes limpas

A minha própria vida a desertei

Só existe o teu rosto geometria

Clara que sem descanso esculpirei.

E noite onde sem fim me afundarei.


in O Cristo Cigano, 1961






sexta-feira, abril 06, 2007


Menino do Bairro Negro

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar

Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz

Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar

Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti

Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

Menino do Bairro Negro, José Afonso (letra e música)

fotografia de Alexandre Monteiro

Este poema já fora publicado neste blog em 28.02.2007

Ainda Zeca Afonso


A Discografia do Zeca

Uma obra como a de José Afonso, repartida por trinta anos de música, poesia e uma luta imparável por um mundo melhor, uma obra destas, dizia, não pode resumir-se em poucas linhas. Por outro lado, a análise, ainda que breve, da sua discografia torna-se tanto mais difícil quanto é certo que é praticamente impossível contabilizar com rigor todas as edições (entre discos de 78, 33 e 45 rotações, edições -comerciais, compilações, etc, cd's...) das suas músicas.


O próprio Zeca (até por ser, como ele mesmo dizia, "um tipo que não liga muito a essas coisas") não possuía senão dados mais ou menos vagos das inúmeras gravações que fez. Apesar disso, e das contradições existentes entre as diversas discografias até hoje publicadas, creio haver condições de elaborar um roteiro o mais fiel e completo possível da sia produção discográfica.

Além dos trabalhos que adiante se referem, existe um LP, Coimbra, feito de parceria com Luís Goes, e alguns singles e EP's dispersos. A enumeração rigorosa destes últimos torna-se particularmente difícil, já que dos primeiros álbuns de Zeca foram editados diversos desdobramentos, em EP. Por outro lado, as proibições que frequentemente se verificavam obrigaram, por vezes, a novas edições, como aconteceu com um dos EP's gravados com o título genérico de Baladas de Coimbra, que possui uma segunda versão em que os temas Menino do Bairro Negro e Os vampiros foram substituídos por uma "selecção de baladas", instrumental, com excertos de ambas as músicas e ainda de Quadras. Em 1962, dois temas seus, Minha mãe e Balada Aleixo, gravados com acompanhamento à viola de José Niza e Durval Moreirinhas, foram incluídos no disco Coimbra Orfeon of Portugal, editado nos Estados Unidos pela etiqueta Monitor. Ao longo da sua carreira de mais de 30 anos, José Afonso viu ainda diversos discos seus editados em alguns" países, nomeadamente Espanha, França, RDA, Bulgária e Itália.

Para além de diversas reedições surgiu à venda, em 1982, um LP intitulado Baladas e Fados de Coimbra, que integra os temas de três dos primeiros EP's de José Afonso. No mesmo ano, a Rádio Triunfo publicou uma caixa com três LP's, contendo uma selecção de canções gravadas para a Arnaldo Trindade, Lda - Discos Orfeu, entre 1967 e 1982, além de uma brochura com textos de Oscar Lopes, João de Freitas Branco, Lousa Henriques, Fernando Assis Pacheco, Bernardo Santareno e Urbano Tavares Rodrigues. Após a morte de Zeca, a Transmédia fez editar um triplo álbum, Agora e Sempre, com as últimas gravações do cantor. Actualmente, toda a obra de Zeca está reunida em CD.

Versões...

Entretanto, existem diversas versões de muitos temas seus gravadas por intérpretes tão diversos como os norte-americanos Charlie Haden e Carla Bley (que incluíram uma versão instrumental de Grândola no álbum The Ballad of the Fallen, editado em 1983), o espanhol Luis Pastor (autor de uma excelente versão castelhana de Coro da Primavera e de uma não menos digna interpretação de um tema que já é um clássico de Fausto, Rosalinda), a brasileira Gal Costa (Milho verde), ou os portuguesíssimos Dulce Pontes, Sérgio Godinho ou Carlos do Carmo - o único cantor para quem Zeca escreveu propositadamente uma música: Fado excursionista, com texto de José Carlos Ary dos Santos, incluída no álbum Um Homem no País. Em 1994 foi editado o duplo CD Filhos Da Madrugada, que foi também a designação de um hiper-concerto realizado em Lisboa. E, no ano seguinte, José Mário Branco, João Afonso e Amélia Muge publicaram outro CD, igualmente duplo, com a gravação ao vivo do projecto Maio Maduro Maio, concebido para os espectáculos que os três artistas realizaram no Teatro S. Luiz, em Lisboa, tendo por base as canções de José Afonso. Pela sua importância, optou-se por incluir estes dois trabalhos no final da presente discografia.

http://rateyourmusic.com/list/Altair82/contos_velhos__rumos_novos