A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, dezembro 16, 2012

Relatório militar revela que tropas portuguesas participaram em decapitações






Exército português participou em Angola numa “acção punitiva” em que “terroristas” foram decapitados. Havia testemunhos pessoais destas práticas, mas este é o primeiro documento escrito.
Exposição sobre a Guerra do Ultramar, em 2000, no Museu Militar do Porto PÚBLICO/ARQUIVO



A violência do documento é óbvia e incómoda, por vezes desconcertante. Tão desconcertante na sua brutalidade, que se tivesse sido produzido pelos inimigos dos militares portugueses que participaram na guerra colonial em Angola, dificilmente seria mais verosímil.
A “cerimónia” de fuzilamento com mutilação de cadáveres começou às 10h30 na sanzala Mihinjo, a cerca de 20 quilómetros de Luanda. É descrita em 11 pontos, sendo o primeiro uma explicação muito incompleta dada ao povo pelo soba, o chefe tribal, para a presença de um pelotão de execução português.
Segue-se o disparo do que devem ser seis pistolas-metralhadoras. E os suspeitos de terrorismo caíram. Depois, vem a violência extrema.
“5 – Avançaram os cortadores de cabeças. Cumpriram a sua missão.
6 – Avançou o soba. Colocou as cabeças nos paus. Ficaram dois sem cabeça. As cabeças ficaram espetadas pela boca, submissamente viradas para o chão.
7 – Clarim tocou ombro arma, apresentar arma.
8 – Soba falou ao povo, explicando a razão porque tinham ficado dois paus sem cabeça, à espera dos futuros não respeitadores da lei.
9 – Ao soba eu disse: os corpos podem ser enterrados as cabeças ficam sete dias, os paus ficam para sempre.”
Quem quer deixar a mensagem dos paus vazios “para sempre” é um capitão do Exército português e autor do relatório militar onde são descritos os acontecimentos que tiveram lugar a 27 de Abril de 1961. Este capitão de cavalaria do 1.º Esquadrão dos Dragões — cujo nome o PÚBLICO não revela porque a lei dos arquivos o impede ao abrigo da protecção da imagem e da vida privada — comanda uma “acção punitiva de pacificação”, segundo o título do próprio documento, muito provavelmente uma reacção aos massacres da União dos Povos de Angola (UPA), que ocorreram nas fazendas do norte do país, um mês e meio antes, em que morreram milhares de colonos brancos e os seus empregados africanos, muitos deles também mutilados.
Catorze dias antes desta cerimónia, a 13 de Abril, António de Oliveira Salazar, presidente do conselho, profere o célebre discurso de “andar rapidamente e em força” para Angola, onde formalmente é anunciada a intenção de fazer a guerra de África.
Este documento, que é publicado na íntegra pela primeira vez, é revelado no livro O Império Colonial em Questão (sécs. XIX-XX), que acaba de ser lançado pelas Edições 70, num artigo da autoria do historiador António Araújo.
Leia mais na edição impressa deste domingo e na edição online para assinantes
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A oposição inteletual ao regímen fascio-colonialista, já muito antes do 25/04/74, denunciava estes crimes. Havia mesmo uma canção gravada, que, se bem me recordo era muitas vezes reproduzida nas emissões de A VOZ DA LIBERDADE, que começava: "rebola uma bola sangrenta no chão de Angola..." Quem, além de mim, se recorda? Recordam-se de quem a interpretava?

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 Relatório militar "Dragões - 1.º Esquadrão"
DRAGÕES – 1º ESQUADRÃO




ASSUNTO: ACÇÃO PUNITIVA DE PACIFICAÇÃO DE 250930 ABR NA SANZALA MIHINJO


            Para cumprimento no exarado em alínea c) nº 2 das Normas para a actividade operacional, nº 2 do C. M. A. (Q.G.-3ª Rep.) 21ABR61

            Pelas 09H00 o Esquadrão (-) estava na Funda, onde integrou na coluna um “Land-Rover vermelho” com dois civis e o regedor da localidade (um preto). Este informou que pelo menos 5 dos agressores de José Augusto Moreira e Joaquim da Silva Coelho estavam na Sanzala MIHINJO, já tinha estado com eles e que tinham confessado.
            às 09H30 estávamos a 1 Klm. da sanzala.
            Avançou a viatura dos civis com mais o guia da coluna – o António Machado da Cruz, armado de 375 com a missão de deixar o regedor na sanzala para ir reunindo o povo para uma “conversa sua”.
            Às 09H45 partiu a coluna a toda a velocidade, cercando a sanzala. Operação em U apoiando as extremidades no Rio Bengo.
            Pelas 10H00 o regedor e o soba da sanzala separou 5 dos agressores que se sentaram no chão, com guarda.
            Interrogados por mim, confessaram que tinham estado na confusão com os brancos.
            - Quem é que tirou a espingarda?
            - Fui eu, disse um deles.
            O Soba já tinha entregado a espingarda ao regedor.
            Pelas 10H30 estava montado o dispositivo em anexo.
            Às 10H35 deu-se início à cerimónia:
            1 – O soba falou ao povo explicando a razão da cerimónia, acrescentando: - Quando tem razão de queixa, faz mesmo queixa no regedor, não pode fazer mesmo justiça pelas suas mãos. Aqueles homens quis matar mesmo. Vai morrer… etc. etc.
            2 – Clarim tocou a sentido, ombro arma, apresentar arma.
            3 – Furriel Helder disse:
            - Pelotão de execução, preparar, apontar. Fogo.
            4 – As 6 P.M. dispararam. Os terroristas caíram.
            5 – Avançaram os cortadores de cabeças. Cumpriram a sua missão.
            6 – Avançou o soba. Colocou as cabeças nos paus. Ficaram dois sem cabeça. As cabeças ficaram espetadas pela boca, submissamente viradas para o chão.
            7 – Clarim tocou ombro arma, apresentar arma.
            8 – Soba falou ao povo, explicando a razão porque tinham ficado dois paus sem cabeça, à espera dos futuros não respeitadores da lei.
            9 – Ao soba eu disse: os corpos podem ser enterrados as cabeças ficam sete dias, os paus ficam para sempre.
            10 – O Esquadrão regressou ao Quartel.
            11 – Levei a secção Penaguião ao Hospital para que vissem os dois agredidos
            - Um estava em coma, na reanimação.
            - O outro já se sentava.
Ambos quase irreconhecíveis, pois tinham sido barbaramente agredidos à catanada, pedrada e paulada.
Foram assaltados no Klm. 56 do C.F. – Fundo Cabiri, quando levavam um indígena preso para o regedor da Funda: operação efectuada a pedido do regedor.

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            REACÇÕES:
            Do povo da sanzala – completamente esmagados pelo aparato da cerimónia. Nem uma palavra, um gesto, um choro de criança sequer.
            Os condenados – inicialmente com ar arrogante, a gesticular e falar muito com o regedor e soba. Quando se começaram a [?] os paus, ficaram calados. O mais novo, nessa altura, disse que três já tinham fugido. No final já estavam com a assistência indígena, completamente vencidos e conformados.
            Os civis – guia e 2 ocupantes do “Land Rover”, um pouco impressionados:
                        - Isto é impressionante, mas tem de ser.
            O nosso pessoal militar: de uma maneira geral, pálidos. Cerca de 20% com o olhar incerto e assustado. Cerca de 10% prestes a desmaiar. O resto portou-se bem.
            As catanas têm de estar bem afiadas (não estavam) saltavam ao bater, como se fosse em borracha. O corte da catana requer a sua técnica não deve ser em pancada directa e seca. A lâmina deve bater em movimento de translação ao longo do fio. Golpe de corte dos alfanges árabes.

CONCLUSÃO
1)     – No respeitante ao efeito da cerimónia, no elemento indígena, teremos de esperar uns dias pelos relatórios dos administradores da região.
2)     – No pessoal: Foi fortemente sacudido e posto pela primeira vez perante a realidade de uma guerra total de sobrevivência sem quartel. A experiência foi-lhe benéfica, pois:
Quando o pelotão parou, já na estrada de Catete, a ordem dada a uma secção para juntar o pessoal e revistar uma pequena sanzala de um dos lados da estrada foi cumprida com uma eficiência, rapidez e entusiasmo jamais vistos nas operações anteriores desta natureza. No final verificou-se serem Bailundos. Foram-lhes restituídas as catanas, enxadas e demais ferros com “pancadas nas costas”. O Sargento enfermeiro interveio pela primeira vez, para pensar um buraco de uma baioneta mais impaciente no braço de um deles. Afastámo-nos com gestos de adeus, de parte a parte.
Luanda, 27 de Abril de 1961
O Comandante do 1º esquadrão de Dragões
[ass.]
[identificação no original]
Cap. De Cav.ª
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domingo, dezembro 26, 2010

Kosovo, as atrocidades têm um nome



  • Luís Carapinha


Kosovo, as atrocidades têm um nome
O relatório do Conselho da Europa (CE) que traça as responsabilidades do actual primeiro-ministro do Kosovo e antigo comandante do UÇKi, Hashim Thaçi, num rol de crimes repugnantes não pode deixar de trazer a lume a sórdida história da guerra de desmembramento da Jugoslávia. 
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A natureza eminentemente criminosa da ocupação militar da NATO da antiga província da Sérvia no seio da federação jugoslava está há muita profusamente demonstrada. Assim como o processo da transformação do Kosovo num protectorado do imperialismo e a tentativa da sua legitimação por via da orquestrada «declaração unilateral de independência» de 2008.
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O relatório do senador suíço Dick Marty que, curiosamente, foi divulgado no rescaldo das eleições parlamentares de 12 de Dezembro que deram a vitória à formação de Thaçi, não traz em si, na essência, nada de novo, pese embora o interesse do material factual e descritivo que contém.

O quadro dantesco que é corroborado pelas alegações de Marty situa-se, objectivamente, nos antípodas da narrativa mistificadora emanada de Washington: os «combatentes» do UÇK pelos supremos «direitos humanos e os valores americanos», reciclados depois em Corpo de Protecção do Kosovo, são na realidade uma organização criminosa responsável por assassinatos em massa e a limpeza étnica das minorias. A morte de prisioneiros para extrair e traficar rins e outros órgãos era uma das especialidades da organização terrorista albanês-kosovar [instruída e equipada, como se sabe, pelos serviços secretos dos EUA, Alemanha e Israel]. Dedicaram-se, ainda, ao tráfico de droga e de armas, à exploração da prostituição, lavagem de dinheiro e a muitas outras tenebrosas práticas ilícitas que incluem espancamentos, tortura, raptos e desaparecimento de cidadãos inimigos ou suspeitos, não apenas sérvios, mas também albaneses, ciganos, etc. As actividades criminosas do cartel dominante, chefiado pelo primeiro-ministro Thaçi e também líder do Partido Democrático do Kosovo, prosseguiram sob diversas formas até aos dias de hoje, abarcando, inclusive, a «monopolização violenta dos principais sectores económicos» do Kosovo, dos combustíveis à construção civil, relata o documento. Uma autêntica «feira capitalista dos pequenitos» é, pois, este Kosovo independenteCamp Bondsteel, a maior criada de raiz desde a guerra no Vietname. 
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É este o cenário da real «catástrofe humanitária» do Kosovo que os média dominantes sempre esconderam.

Bem mais comedido ou omisso sobre os aspectos medulares da questão, o relatório de Marty não deixa de expressar perturbação pela passividade da «comunidade internacional» – desde os governos dos EUA e países aliados até às autoridades da UE no terreno –, que fecharam «os olhos aos crimes de guerra da organização» que coadjuvou a KFOR na ocupação e verdadeira limpeza étnica do Kosovo. 
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Nada disto é novo. 
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Também já se conhecia o papel do TPI para a antiga Jugoslávia, como órgão de justiça dos vencedores, que é discretamente apontado pelo relatório como negligente na investigação e de, pasme-se, ter destruído provas reunidas dos crimes dos responsáveis kosovares, algo que para a antiga inquisidora, Carla del Ponte era «inconcebível» …

A sessão plenária da APCE de Janeiro ajudará porventura a iluminar os meandros deste desfiar do novelo criminoso que envolve os representantes do poder fantoche em Pristina, após mais de uma década de alheamento cúmplice sobre a matéria por parte do CE e de todas as instâncias da arquitectura capitalista na Europa. 
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Com a Albânia já dentro da NATO e a direita, no poder em Belgrado, cheia de vontade de fazer render o país aos seus carrascos, talvez seja o momento indicado para deitar fora alguma roupa suja. 
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Não haverá «revelação» ou manobra de diversão que bastem para tornar irrelevantes os crimes supremos do imperialismo e assegurar a hegemonia do sistema social que lhe está na raiz. 
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Avante N.º 1934
23.Dezembro.2010
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terça-feira, dezembro 21, 2010

Socorro Gomes: Políticas imperialistas prejudicam jovens do mundo

Movimentos

Vermelho - 19 de Dezembro de 2010 - 18h43

Os jovens do mundo são vítimas das políticas imperialistas dos Estados Unidos e das potências europeias, declarou neste domingo (19) a presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, condenando severamente o sistema que ameaça a paz mundial e a sobrevivência da humanidade.

Festival da Juventude na Africa do Sul Jovens de todo o mundo se reúnem na África do Sul
Socorro participa em Pretória, África do Sul, do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, promovido pela Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), à frente da delegação do CMP.

“Há fome, desemprego, saque dos recursos naturais e intervenções bélicas em muitos países”, disse a dirigente brasileira. O evento, que terminará na próxima terça-feira (21) reúne desde 13 de dezembro 15 mil delegados de mais de 140 países, sob o lema “Por um Mundo de Paz, Solidariedade e Transformações Sociais, Derrotemos o Imperialismo”.

Entrevistada pela agência Prensa Latina e outros órgãos da imprensa cubana, Socorro Gomes ressaltou que o imperialismo representa uma ameaçao a todas as pessoas, sem distinção de idade, sexo ou raça.

“Basta dizer", agregou, "que os Estados Unidos têm mais de 800 bases militares no mundo, suas forças da marinha de guerra navegam em todos os mares e oceanos e são amplos e numerosos também seus meios aéreos de agressão.”

A dirigente do CMP denunciou que o imperialismo norte-americano domina o terreno, as águas e o espaço aéreo. Ela enfatizou os crimes cometidos pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão e o apoio da Casa Branca a Israel contra o povo palestino.

Diante de tal situação, a dirigente brasileira do movimento pela paz disse que a juventude tem plena razão de se indignar e constata com satisfação que a juventude está consciente. Por isso, diz, “este encontro universal é muito importante para ampliar os espaços de luta pela paz mundial”.

A presidente CMP defendeu ainda a destruição das máquinas de guerra do imperialismo e pregou a extinção da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), braço armado do imperialismo estadunidense e das potências imperialistas europeias.

Socorro Gomes destacou que é necessário lutar por um outro sistema, de paz, justiça e soberania, pois sem elas não é possível assegurar a felicidade da humanidade.

Acompanhe os principais trechos da intervenção de Socorro Gomes, presidente do CMP,  no Tribunal Anti-imperialista do 17º Festival Mundial da Juventuide e dos estudantes da FMJD

Libelo acusatório

Em todo o mundo erguem-se vozes de protesto contra a política belicista do imperialismo norte-americano e eleva-se o clamor pela paz e a soberania dos povos. A primeira década do século 21 foi marcada por brutais agressões aos povos.

Por outro lado, cresceu a luta anti-imperialista. Tribunais como este foram realizados em Portugal, França, Turquia, Venezuela, Brasil, Espanha,Bélgica, Dinamarca, Itália, Japão, Reino Unido, Índia, Estados Unidos, Coreia do Sul, Suecia, Tunísia e Alemanha,entre ouros países. Em todos, os imperialistas estadunidenses foram condenados moralmente por crimes de guerra, por violações dos direitos humanos, por atentados à liberdade, à democracia, à soberania nacional, aos direitos dos povos, à segurança internacional.

Desde a África do Sul, nos marcos do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes também acusamos e condenamos esse imperialismo por crimes contra a humanidade.

Em nome dos que constituem o amplo movimento pela paz organizados no âmbito do Conselho Mundial da Paz, acusamos o imperialismo norte-americano e propomos a sua condenação:

Primeiro - Por ter sido o primeiro e único país a explodir a bomba atômica contra populações indefesas, em agosto de 1945. Do ato bárbaro resultou a morte, em Hiroxima, de 140 mil pessoas, e, em Nagasaqui, de 80 mil. O número de mortos cresce consideravelmente quando se contabilizam as mortes e mutilações congênitas posteriores, devidas à exposição à radiação. Até a atualidade, nenhum episódio ocorreu que fosse comparável a tanto terror.

Segundo – Pela guerra de agressão e genocídio no Vietnã, entre as décadas de 1960 e 1970. Os EUA despejaram sobre o Vietnã milhões de toneladas de napalm e chegaram a manter na região 550 mil soldados. Na guerra, aproximadamente três a quatro milhões de vietnamitas, laosianos e cambojanos morreram.. Ao longo de dez anos, entre 1961 e 1971, o exército dos EUA despejou cerca de 80 milhões de litros de herbicidas sobre as selvas e plantações do Vietnã. Entre eles, o mais utilizado devido à sua terrível eficácia foi o conhecido como "agente laranja". Ao todo, 24 mil quilômetros quadrados foram borrifados com o veneno, o que deixou uma cicatriz que ainda pode ser vista nos corpos de muitos vietnamitas, três gerações depois. Milhares de crianças nasceram com problemas de pais que não foram expostos ao herbicida durante a guerra, mas que podem ter consumido alimentos contaminados.

Terceiro - Pelas inúmeras intervenções militares, golpes de Estado, massacre de populações, magnicídios praticados ao redor do mundo ao longo de todo o século 20, sobretudo na América Latina, desde a ocupação de Cuba e Porto Rico, em 1898, até os nossos dias.

Quarto – Pela destruição da Iugoslávia e o massacre de suas populações, sobretudo nas guerras da Bósnia e do Kossovo, na década de 1990. Esta acusação e a condenação por este crime se estende às potências europeias que se acumpliciaram com os Estados Unidos e agrediram o país do sudeste europeu com as tropas da Otan. Em 1995 a Otan bombardeou os arredores de Saraievo e em 1999 atacou a Sérvia, na guerra do Kossovo.

Durante 78 dias a Otan realizou bombardeios sobre o solo sérvio, assassinando mais de 3 mil e 500 civis e ferindo mais de 10 mil. Usou armas de altíssima letalidade como as bombas de fragmentação e projéteis com urânio empobrecido, cujos efeitos, mais de dez anos depois, ainda se fazem sentir e se farão sentir por muito tempo.Tais crimes não podem ficar impunes!

Quinto – Acusamos o imperialismo norte-americano pelo crime de genocídio contra o Afeganistão e o Iraque, este último em duas guerras e, no intervalo entre uma e outra o bloqueio.

Em 17 de janeiro de 1991 começou a intervenção militar no Iraque por uma coalizão de países mobilizada pelos Estados Unidos. A guerra propriamente dita durou 42 dias, terminando em 28 de fevereiro, com o estabelecimento do cessar-fogo. Mas, a guerra de 1991 contra o Iraque nunca terminou. Os Estados Unidos acordaram um cessar-fogo em 28 de fevereiro de 1991, acordo que não significou o advento da paz. A guerra foi transformada num longo bloqueio, com bombardeios intermitentes durante 11 anos. As forças militares dos Estados Unidos impuseram o mais duro bloqueio econômico contra um país na história humana. O sítio ao Iraque acarretou a morte de milhões de civis inocentes – principalmente crianças e idosos. Foi a partir da primeira guerra contra o Iraque que o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, proclamou a fundação da chamada nova ordem mundial.

Em 20 de março de 2003, através de bombardeios fulminantes e da invasão de 180 mil soldados, os Estados Unidos iniciaram a segunda guerra contra o Iraque. Ao longo desses quase oito anos o país árabe foi ocupado e devastado.

Dois anos antes, no dia 7 de outubro de 2001, sob o pretexto de caçar o suposto mandante dos atentados contra as torres gêmeas em Nova Iorque, os Estados Unidos iniciaram a guerra de ocupação no Afeganistão, que se estende até hoje. Quase uma década!

A invasão e a ocupação do Iraque e do Afeganistão foram e são ilegais. As razões invocadas pelo governo dos EUA são comprovadamente falsas. Um grande número de provas leva à conclusão de que o principal motivo para a guerra foi obter controle e domínio sobre o Oriente Médio e a Ásia Central e suas vastas reservas de petróleo e gás, como parte do esforço organizado dos EUA para exercer o domínio do mundo.

Os Estados Unidos e seus aliados devem ser condenados por terem planejado, preparado e executado o crime supremo de uma guerra de agressão, violando a Carta das Nações Unidas.

São culpados também pelo uso de bombas de fragmentação, bombas incendiárias, urânio empobrecido e armas químicas.

As tropas de ocupação praticaram torturas contra prisioneiros nos cárceres de Abu Ghraib, Mossul, Camp Bucca e Baçorá.

São culpados também por terem permitido o saque de museus e sítios arqueológicos, contribuindo para a destruição de importante patrimônio cultural da humanidade.

Os Estados Unidos e seus aliados cometeram nas guerras do Iraque e do Afeganistão crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Violaram o direito internacional, destacadamente os seguintes documentos:


- Convenção de Haia IV, respeitante às Leis e Costumes de Guerra em Terra (1907)
- Protocolo para a Proibição do uso em Guerra de Gás Asfixiante, Venenoso ou outros, e de Métodos Bacteriológicos (1925)
- Tratado Geral ('Pacto de Paris') para a Renúncia à Guerra como Instrumento de Política Nacional (1928)
- Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
- Convenções de Genebra (I-IV) sobre Direito Internacional Humanitário (1949)
- Princípios de Nuremberg reconhecidos na Carta do Tribunal e no Julgamento de Nuremberg (1950)
- Convenção Europeia sobre Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais (1950)
- Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio (1948)
- Convenção sobre Direitos Políticos das Mulheres (1953)
- Código de Conduta para as Forças Armadas dos EUA (1963)
- Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (1965)
- Convênio Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966)
- Convênio Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966)
- Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969)
- Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção e Armazenamento de Armas Biológicas e Tóxicas (1972)
- Declaração Universal dos Direitos dos Povos (1976)
- Princípios de Cooperação na Detecção, Prisão, Extradição e Punição de Culpados de Crimes de Guerra ou Crimes contra a Humanidade (1973)
- Protocolo Adicional (I-II) às Convenções de Genebra de 1949 (1977)
- Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1979)
- Carta Africana sobre Direitos Humanos e dos Povos (1981)
- Convenção contra a Tortura e outro Tratamento ou Punição Cruel, Desumano ou Degradante (1984)
- Convenção Internacional contra o Recrutamento, Uso, Financiamento e Treino de Mercenários (1989)
- Convenção sobre os Direitos da Criança (1989)
- Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Armazenamento e Uso de Armas Químicas (1992)
- Declaração para a Proteção de Vítimas de Guerra (1993)
- Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (1998)

Sexto – Acusamos, inculpamos e condenamos o imperialismo norte-americano pelo criminoso bloqueio a Cuba, ao longo de cinco décadas, que provoca prejuízos econômicos ao país,que é obrigado a enfrentar com enormes sacrifícios a tarefa de assegurar o bem-estar de seu povo. Igualmente o condenamos por manter encarcerados há mais de 10 anos os cinco patriotas que abnegadamente lutaram contra o terrorismo e se empenharam na defesa do seu país contra os grupos subversivos que atuam no território dos Estados Unidos.

Sétimo - Condenamos o imperialismo estadunidense também por ser partícipe direto do genocídio do povo palestino e violação dos direitos dos demais povos árabes, pelo invariável apoio econômico e militar que brinda aos sionistas israelenses. Os Estados Unidos e Israel são cúmplices nos massacres que foram perpetrados contra o povo palestino durante mais de seis décadas.

Igualmente, o imperialismo norte-americano merece ser condenado por tumultuar a vida internacional e comprometer a segurança dos povos e nações, ao fazer ameaças de agressão contra a Coréia do Norte e o Irã.

Oitavo – O imperialismo e os seus aliados são culpados de ameaçar a paz mundial por erguer e alimentar uma colossal máquina de guerra, com a Otan, as armas nucleares, as frotas marítimas de guerra, as mais de 800 bases militares e os colossais gastos voltados para a devastação.


Nono- Condenamos o imperialismo estadunidense por seu afã de saquear as riquezas dos povos e nações e sua ambição de dominar o mundo. A prova disso é que o fazem, apesar dos falsos pretextos que alegam, com base em teorias e doutrinas elaboradas no Pentágono, no Departamento de Estado e na Casa Branca.O ponto de partida fundamental dessas doutrinas é o conceito da primazia dos interesses do imperialismo norte-americano. Não se trata dos interesses do povo estadunidense, mas dos interesses dos monopólios capitalistas que se desdobram em interesses políticos e militares, além dos econômicos. Orientadas para o saque das riquezas dos povos e para a conquista do domínio do mundo, essas doutrinas têm como fulcro assegurar a primazia militar do imperialismo norte-americano, através da construção de um superpoder bélico, que inclui a garantia de sua superioridade no terreno convencional e no nuclear.

 
Com informações da agência Prensa Latina e do Cebrapaz, direto de Pretória, África do Sul
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segunda-feira, agosto 30, 2010

Nos 60 anos do início da guerra da Coreia

  • Hugo Janeiro

«Os prejuízos ascendem a 65 biliões de dólares»
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Notas sobre a continuada agressão imperialista
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Cumpriu-se no passado dia 25 de Junho o sexagésimo aniversário do início da guerra na península coreana. A campanha em curso contra a República Popular Democrática da Coreia e o perigo de um novo conflito de consequências imprevisíveis na região obrigam a revisitar alguns factos da história do território, que nos últimos 60 anos tem sido alvo de permanentes agressões imperialistas.
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Num artigo recentemente publicado no sítio do Partido Comunista do Brasil, o historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis, Augusto Bonicore, recorda os momentos fundamentais do início da contenda na península coreana, marcado, à nascença, pela ingerência imperialista.
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A guerra da Coreia foi o primeiro conflito armado entre os campos socialista e imperialista no rescaldo da Segunda Grande Guerra Mundial e fez parte da reacção das principais potências capitalistas à vaga emancipadora dos povos que, após a derrota do nazi-fascismo, alastrava pelo globo. Nela foram usados os métodos mais bárbaros, mas, não obstante, o imperialismo norte-americano acabou por sofrer a sua primeira derrota militar. O desaire é até aos dias de hoje uma espinha cravada na garganta do imperialismo mundial.
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Como se observa no texto disponível em www.vermelho.org.br, meses antes dos EUA desencadearem a agressão contra a Coreia, a Longa Marcha liderada por Mao Tsé-Tung havia triunfado e a nova China socialista consolidava laços com a URSS e com as jovens democracias populares que se afirmavam no Leste da Europa. Nos continentes africano e asiático outros focos de luta anticolonial emergiam.
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Por outro lado, depois dos crimes cometidos em Hiroshima e Nagasaki (os quais mostraram ao mundo a existência de um novo perigo – a detenção por parte do imperialismo de uma arma de destruição massiva com um incomparável poder destruidor face às predecessoras), a União Soviética acelerou a procura da paridade nuclear com os EUA, alcançando, posteriormente, o objectivo de conter a agressividade imperialista. Nunca é demais lembrar que somente os EUA já fizeram uso da bomba atómica.

Da guerra mundial à guerra na península

É pois neste contexto adverso ao imperialismo que ocorre a guerra da Coreia, território libertado pelos comunistas coreanos, liderados por Kim Il-sung, após mais de quatro décadas de ocupação japonesa. A expulsão dos imperialistas nipónicos foi o culminar de um longo processo de resistência que levou à capitulação do Japão às mãos da coligação antifascista, em 1945.
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Com o fim da Segunda Grande Guerra Mundial, a península coreana foi, tal como a Alemanha, dividida em áreas supervisionadas: a Norte os soviéticos e a Sul os norte-americanos. A separação era, no entanto, uma solução provisória, pois cedo ficou acordada a unificação do território entre as forças vitoriosas do grande conflito mundial.
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Porém, em Agosto de 1948, Washington promove a Sul do paralelo 38 a eleição de um governo imbuído de um anticomunismo primário e afecto aos seus interesses geoestratégicos, iniciando uma série de violações ao acordo com Moscovo e as forças progressistas norte-coreanas. EUA e URSS abandonam a península, mas a partir do Sul, desencadeiam-se constantes provocações visando promover uma campanha militar contra o projecto socialista do Norte e o restabelecimento da integridade territorial.
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O conflito acabou por eclodir. Porém, em poucos dias, o exército norte-coreano logrou derrotar as forças comandadas pelo títere sul-coreano Synghmam Rhee. Seul foi rapidamente conquistada e a pretendida unificação do território era uma realidade tangível.
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Atentos e dispostos a não ceder um palmo ao socialismo, às forças progressistas e ao poderoso e revigorado avanço do movimento operário mundial, os EUA não deixaram que a contenda se mantivesse entre o povo coreano. Intervieram abertamente. Primeiro usando a ONU para condenar a campanha unificadora da Coreia do Norte, depois avançando para o terreno. A presença militar foi travestida de «força» com mandato internacional, prática que, aliás, fez escola até aos dias de hoje. Dezena e meia de nações faziam parte da coligação interveniente, mas eram os EUA quem ditava ordens e eram também as forças armadas norte-americanas o grosso da coluna ocupante.
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Mas o exército norte-coreano era uma força treinada em duras batalhas pela liberdade e a soberania da península, uma aspiração enraizada nas gerações que lutaram pela libertação do território do jugo colonial. Imprevisivelmente o general Douglas MacArthur (que acumulara prestígio com a vitória sobre o Japão no Pacífico) e as tropas que comandava foram rechaçadas. Era preciso usar mais e mais poderosos meios. Assim, a Casa Branca fez deslocar para a península um contingente aéreo só comparável ao usado anos antes contra a Alemanha nazi. Cidades, vilas e aldeias da Coreia eram diariamente fustigadas com bombardeamentos. Toneladas de napalm arrasaram quase todo o território.
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No final da agressão imperialista contra a RPD da Coreia, em 1953, restavam dois edifícios de pé em Pyongyang. A capital da actual República Popular Democrática da Coreia, tal como dezenas de outras cidades, teve que ser totalmente reconstruída. Só quem ignora este facto pode, no quadro da campanha ideológica que desde então decorre sem pausa, insistir, por exemplo, que os «monótonos edifícios» de Pyongyuang e as suas largas avenidas foram construídos com o fim de apurar o controlo social e a manutenção da «ditadura comunista».

Crime sem perdão
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Armas químicas e bacteriológicas foram usadas pelos norte-americanos em larga escala durante a agressão. Ao contrário dos EUA, a URSS absteve-se de entrar directamente no conflito inter-coreano. Foram os norte-americanos que repetidamente espezinharam os acordos que determinavam a unificação do território.
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Acresce que as forças reaccionárias sul-coreanas e os EUA violavam permanentemente os acordos de Genebra, deixando claro que o ventre que havia parido a besta nazi-fascista era ainda fértil para dar à luz novas hordas criminosas. Em face disto, desenvolveu-se uma intensa campanha mundial contra a ingerência imperialista na península coreana.
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No campo militar, os EUA avançaram sobre Pyongyang, visando calar pela força das armas o movimento unificador que resistia sob a bandeira do socialismo, mas a China revolucionária sentiu o bafo do imperialismo e reagiu. Um exército de voluntários foi constituído e enviado para lutar ao lado do exército popular coreano. A acção da China revolucionária foi determinante, uma vez que as tropas invasoras norte-americanas voltaram a ser rechaçadas para o extremo Sul da península.
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MacArthur encontrava-se derrotado e a solução que propunha era o bombardeamento massivo do território chinês, admitindo, inclusive, o uso de armas atómicas. O conflito regional estava prestes a desencadear um novo conflito mundial, observa Augusto Bonicore no artigo difundido pelo vermelho.org.br.
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Países como o Reino Unido ficaram alarmados com tal possibilidade, nota ainda o historiador brasileiro. «Grandes manifestações foram realizadas em todas as partes do mundo pela paz na Coreia e contra utilização das armas atómicas. Por fim, o próprio presidente Truman não endossou as propostas temerárias do aventureiro MacArthur e destituiu-o do comando das operações», lembra a este propósito.
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A hipótese de um ataque nuclear contra a RPD da Coreia não deixou nunca de ser admitida entre os círculos dirigentes norte-americanos. São frequentes nos tempos que correm as notícias sobre a possibilidade do Pentágono desencadear um «ataque nuclear preventivo» contra a Coreia do Norte.
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Já nas décadas de 60 e 70 do século passado, as administrações norte-americanas haviam ponderado tal cenário. Revelou recentemente o jornal El País que o chamado plano «Freedom Drop» foi avaliado por Richard Nixon e pelo então secretário da Defesa, Melvin Laird, responsável que terá mesmo calculado as vítimas norte-coreanas resultantes desse ataque entre «uma centena e alguns milhares».

Armistício sem paz

A actual situação de armistício entre as duas coreias sem a assinatura de um tratado de paz que terminasse, definitivamente, com a guerra iniciada em 1950, acabou por resultar do impasse militar. Reforçados pelo contingente chinês, o exército popular coreano conseguiu, em 1953, manter as forças imperialistas no paralelo 38. Ninguém era capaz de fazer retroceder o inimigo e, assim, iniciam-se as negociações de paz.
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Em Julho de 1953 é assinado o armistício, mas a paz nunca chegou e até agora subsiste um clima de tensão latente favorável aos objectivos do imperialismo.

Números de uma guerra com seis décadas


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Num artigo publicado na edição electrónica do Tribuna Popular, órgão central do Partido Comunista da Venezuela, é possível encontrar dados valiosos que nos permitem não apenas aquilatar a intensidade da guerra movida pelo imperialismo contra a RPD da Coreia durante os últimos 60 anos, mas também compreender melhor porque é que o governo de Pyongyang e o povo norte-coreano mantêm as mais sérias reservas em relação aos EUA, considerando aquele país o seu mais acérrimo inimigo.
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O documento divulgado no passado dia 24 de Julho pela Agência Telegráfica Central norte-coreana (ATC) sublinha que «os imperialistas yankees cometeram matanças, destruíram, saquearam e praticaram outros crimes de guerra bárbaros e antiéticos sem precedentes na história mundial das guerras, provocando ao povo coreano tremendos sofrimentos».
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Prova disso são os factos e os dados enunciados, dos quais destacamos:

  • A política de embargo e ostracização internacional visando derrubar o regime coreano, violando flagrantemente a Carta da ONU e reconhecidas normas do Direito Internacional. Em termos económicos, os prejuízos ascendem a 65 biliões de dólares nos últimos 60 anos, diz o Comité de Averiguação dos danos causados pelos EUA que se socorre do método internacionalmente reconhecido para efectuar estes cálculos.
  • As inúmeras perdas políticas (atentados contra a dignidade e soberania da RPDC e do seu povo), morais (constante pressão psicológica) e culturais (a destruição de lugares, património e vestígios de interesse histórico durante a guerra) são incalculáveis em dinheiro. «Em particular, não se pode reparar as perdas sofridas pelo povo coreano devido à ocupação ilegal do seu território e em virtude do impedimento da reunificação da Coreia», dizem.
  • Os crimes de extermínio da nação coreana, iniciados antes do desencadear da guerra, nomeadamente o assassinato e sequestro de mais de 13 900 pessoas. Os selváticos genocídios levados a cabo durante a guerra coreana deixaram lastro. Durante três anos do conflito, mais de 1 230 000 civis perderam a vida.
  • O uso de armas químicas e bacteriológicas, meios de extermínio proibidos pelas convenções internacionais, difundiram pelo país pragas e doenças. A título de exemplo, só nos três primeiros meses de 1952 a aviação norte-americana atingiu com este tipo de armas mais de 400 localidades da Coreia Popular em cerca de 700 missões aéreas. Mais de 50 000 pessoas morreram com peste, cólera, hemorragia epidémica, varíola ou em resultado das bombas de gases tóxicos nesse período, acrescentam.
  • Sem respeito pelas normas internacionais sobre a matéria, os EUA trataram de forma desumana os prisioneiros de guerra e usaram mesmo alguns como cobaias.
    Mais de 2 463 000 soldados ficaram feridos e destes quase 295 000 resultaram inválidos para o trabalho.

  • Já depois de terem assinado o armistício, em 1953, os EUA mantiveram a política de ingerência, provocação, «ataque militar, assalto, terrorismo e sabotagem da RPDC», diz o mesmo documento da Agência Telegráfica norte-coreana, causando a morte ou ferimentos graves a quase 25 000 pessoas ao longo de mais de meio século. Um dos exemplos é a responsabilidade da CIA no atentado ao avião da Cubanair, em 1976, no qual morreram 73 pessoas. Entre estas encontravam-se funcionários norte-coreanos. As estatísticas mostram igualmente que os actos terroristas e de sabotagem após a assinatura do cessar fogo provocaram a perda de mais de 3000 fábricas, empresas e casas, destruíram milhares de hectares de terra fértil e floresta, e eliminaram milhares de cabeças de gado.
  • O total dos sequestrados ascende a 912 000 indivíduos e outros quase 400 000 encontram-se desaparecidos. É incalculável o total de pessoas cujos direitos foram espezinhados e o número de mulheres violadas ou usadas como escravas sexuais durante os períodos de ocupação territorial dos EUA no decurso da guerra.
  • É elementar e um princípio sadio para a paz que os culpados peçam desculpa pelos crimes cometidos e compensem as vítimas. Os EUA nunca pediram desculpa pelos crimes cometidos na Coreia, os quais, se considerarmos o tamanho do território e a sua população, podem ser equiparados aos mais horrendos crimes cometidos contra a humanidade, frisa ainda a ATC.
  • Durante a guerra, 78 cidades foram pura e simplesmente riscadas do mapa. Quase 60 000 edifícios fabris e estruturas produtivas foram arrasadas pelo napalm e outras bombas, bem como 28 500 escolas, mais de 4500 edifícios de saúde pública, 579 edifícios de investigação científica, cerca de 8000 edifícios de imprensa e cultura, mais de 2 000 000 de casas e quase 7500 edifícios religiosos. No total foram destruídos completa ou parcialmente 2 milhões 416 mil 407 edifícios, calcula-se no relatório da ACT. Quase todos os bens pessoais da população coreana desapareceram nos escombros.
  • Quase 5000 quilómetros de ferrovia ficaram danificados, ao que se somam outros tantos quilómetros de estradas e 1109 quilómetros de pontes, 1489 locomotivas, quase 5000 camiões e mais de 6000 barcos de pesca e transporte de carga. O grau de destruição da Coreia foi tal durante os três anos de guerra que os próprios norte-americanos admitiam que a sua reconstrução demoraria um século, lembra o supracitado documento, o que atesta, destaca-se também, que o conflito promovido pelos imperialistas foi dos mais bárbaros da história da humanidade.
  • Entre a expulsão dos ocupantes japoneses e o início da guerra com os EUA, o Norte da península coreana forneceu o Sul de electricidade e água potável. Se bem que os norte-americanos e as autoridades a seu mando cobrassem grossas tarifas e impostos, os norte-coreanos ainda esperam que a dívida pelo prestação daqueles serviços seja saldada.
  • Os prejuízos ambientais e nos recursos naturais são, igualmente, arrolados no relatório. Estima-se que a pulverização com desfolhante na zona desmilitarizada após a guerra tenha causado perdas agrícolas na ordem dos 4500 milhões de dólares. No total, ao longo de décadas o governo da RPDC gastou 505 356 000 de dólares na descontaminação do meio ambiente e no combate às pragas disseminadas pelos aviões norte-americanos.
  • A manutenção dos exercícios militares e de um clima belicoso obriga a Coreia do Norte a gastar milhões. A permanente ameaça de guerra leva a gastos astronómicos no aparelho militar, somas que podiam ser canalizadas para o «desenvolvimento planificado e equilibrado da economia nacional», diz a fonte citada pelo Tribuna Popular. Só os exercícios civis na Coreia do Norte já consumiram 2 380 186 000 de dólares, notam.
  • Depois do recuo temporário das forças socialistas, no início dos anos 90, e já no dobrar do novo milénio, os EUA usam todos os meios – bloqueio e perseguição das transacções comerciais e financeiras, assaltos piratas a barcos da RPDC e confiscação dos seus bens, para asfixiar economicamente a Coreia do Norte. Só contando com as manobras publicamente conhecidas, as perdas neste particular elevam-se a quase 14 biliões de dólares, acrescenta a ATC.

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* Com informações publicadas em www.vermelho.org.br e www.tribuna-popular.org
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segunda-feira, novembro 16, 2009

O Muro e a Histeria Reacionária - Rui Paz



 
Histeria reaccionária

Quem neste dias abrir as páginas de um jornal alemão, ouvir uma estação de rádio ou tentar ver um programa de televisão julgará que voltámos aos tempos da guerra-fria. Não é inocente que passados 20 anos o capital se mostre tão agressivo e se lance numa intensa campanha sobre a «queda do muro». Particularmente a burguesia alemã que ao longo da História tem recorrido sistematicamente ao militarismo, ao assassínio de democratas e revolucionários, ao trabalho escravo, inventou a industrialização da morte e o extermínio em massa nas câmaras de gás, pretende agora apresentar os acontecimentos de 1989-1990 que conduziram ao fim do socialismo e da República Democrática Alemã como um processo «revolucionário» ou «libertador» e aproveitar a ocasião para representar a farsa do seu «amor à democracia».

As celebrações da «queda do muro» visam sobretudo camuflar o desastre da chamada «reunificação» da Alemanha que liquidou 30% da produção industrial da RDA, gerou um exército de desempregados, conduziu à emigração de centenas de milhares de pessoas e atirou com 7 milhões para um nível de vida inferior ao limite de pobreza enquanto 25 000 passaram a auferir rendimentos milionários.
Esta gigantesca manobra de diversão e intoxicação ideológica não é separável da gravidade da actual crise do sistema capitalista e dos retrocessos civilizacionais verificados nas últimas décadas. Na Alemanha, o capital monopolista tem razões para estar em pânico. Passados 20 anos, não só a maioria da população do Leste continua a considerar o socialismo superior ao capitalismo, mas cresce também no Ocidente a repulsa pela privatização dos serviços públicos, dos correios e dos transportes enquanto aumenta simultaneamente o apoio à nacionalização dos monopólios da electricidade e do gás numa população saqueada pelo aumento inacreditável dos preços da energia.

A esmagadora maioria dos soldados alemães que morrem no Afeganistão provêm do Leste da Alemanha, onde a miséria colocou à mercê do militarismo a juventude de uma região na qual, ainda há pouco tempo, existia um Estado pacífico contrário a guerras e agressões. Há uns anos, seria impossível imaginar o actual ministro da Defesa em Berlim, o Barão de Guttenberg, considerar o lançamento de bombas sob a população civil afegã como um acto «militarmente adequado».
Lénine explica o carácter retrógrado e opressor do capitalismo na sua fase imperialista salientando que «de classe ascendente e progressista a burguesia transformou-se numa classe reaccionária, decadente, em estado de apodrecimento e interiormente moribunda» (Sob Bandeira Estrangeira, 1915, Berlim, Werke, vol. 21).

Confirmando plenamente esta análise, o responsável pelo departamento de economia do Deutsche Bank, Norberto Walter, afirma que «depois do fim do socialismo na RDA chegou a vez de superar o socialismo no Ocidente», isto é, de liquidar as conquistas democráticas, sociais e civilizacionais obtidas pelos trabalhadores e os povos em duras lutas numa correlação de forças internacional que obrigava o imperialismo a conter a sua agressividade.
Os charlatães da politica como Blair, Schröder e Sócrates.,que têm vindo a seguir a cartilha da «superioridade dos mercados»,estão a ficar desmascarados pela própria realidade. Afinal o «Estado de Direito» dos banqueiros não pode existir sem o saque dos cofres do Estado e as baionetas da NATO. Se, hoje, as ditaduras torcionárias de Salazar, de Franco e dos coronéis gregos ainda existissem teriam certamente enviado os seus emissários a Berlim e num acesso de histeria reaccionária celebrado com Ângela Merkel e os restantes representantes do capital europeu a chamada «queda do muro».

sábado, novembro 07, 2009

Nas estepes da Mongólia - Uma vitória transcendente do internacionalismo



Nas estepes da Mongólia
Uma vitória transcendente do internacionalismo



Na historiografia ocidental são raras as referências à batalha travada junto ao rio Khalkhin-Gol entre Maio e Setembro de 1939. A severa derrota ali infligida pelas tropas conjuntas da Mongólia Popular e da União Soviética ao exército de Kwantung do Japão imperialista permanece amplamente ignorada, tal como o significado da curta mas intensa guerra de Khalkhin-Gol. Facto ainda mais sonante porque contrasta com a vastíssima campanha ideológica de deturpação e revisão da história do século XX, visando extirpá-la dos seus avanços revolucionários e libertadores e denegrir e apagar o papel dos comunistas e da URSS, hoje empreendida. Campanha de cariz anticomunista que ultrapassa todos os limites imagináveis num passado recente, chegando ao ponto de pôr em causa as próprias decisões do Tribunal de Nuremberga(1).

E, contudo, na véspera do início da II Guerra Mundial o desaire do militarismo japonês naquela região remota da Mongólia oriental junto à fronteira chinesa da Manchúria – que desde 1931 se encontrava sob a ocupação do regime fascista nipónico – haveria de exercer uma influência profunda no próprio curso da mais destrutiva guerra de sempre na História.
Tóquio arquitectou a intervenção militar de 1939 na República Popular da Mongólia(2) como uma «questão fronteiriça», socorrendo-se, inclusive, de mapas topográficos falseados em que a linha da fronteira mongol oriental aparecia deslocada mais de vinte quilómetros para ocidente, alcançando o curso do rio Khalkhin-Gol. Um pretexto que pretendia encobrir as reais motivações, de carácter expansionista, do imperialismo japonês, nomeadamente os planos que apontavam em direcção ao território da Sibéria e extremo oriente da URSS. Para o Japão, o corredor mongol delimitado pelo rio Khalkhin-Gol, funcionando como barreira natural, representava uma via privilegiada de acesso em direcção à Transbaicália e ao coração da cobiçada Sibéria Oriental. E a visão da tenaz que se fecharia sobre a URSS a partir de ocidente e oriente era cara ao militarismo japonês e aos propósitos megalómanos das potências fascistas do Eixo(3). A argumentação urdida pelos estrategas japoneses em Khalkhin-Gol seria totalmente desmascarada depois do final da II Guerra Mundial no decurso do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente que julgou os crimes de guerra do imperialismo japonês.
Um ano antes, também invocando pretensões de carácter fronteiriço, o Japão já tinha provocado um conflito militar com a URSS no extremo oriente. A incursão de unidades japonesas, a partir do território coreano, na zona da URSS da fronteira tripartida entre a URSS, China e Coreia, desencadeada no final de Julho de 1938 e que ficou conhecida como a batalha do Lago Khasan, acabou por ser repelida pelas forças soviéticas comandadas pelo marechal Bliúkher ao fim de duas semanas de combates encarniçados(4).
Quando, em Maio de 1939 as tropas japoneses cruzaram a fronteira da Mongólia na zona de Khalkhin-Gol, o expansionismo japonês na Ásia oriental era já uma realidade em pleno desenvolvimento. A Coreia fora anexada ainda em 1910. Na Manchúria, depois da invasão do exército de Kwantung (que integrava as mais numerosas e bem preparadas unidades do Exército Imperial Japonês), o Japão orquestrou a criação, em 1932, do estado títere de Manchukuo (designado Grande Império Manchukuo), à frente do qual colocou como regente o último representante da decadente dinastia chinesa Qing. A intervenção japonesa numa China há décadas sujeita ao jugo e disputa das principais potências imperialistas ampliou-se com a segunda guerra sino-japonesa, lançada sem declaração prévia por Tóquio em 1937. Pequim e Nanquim – na altura a capital da República da China – tombaram sob a ocupação japonesa, que ficou marcada por monstruosas atrocidades. O Massacre de Nanquim constitui um dos mais abomináveis crimes de guerra e genocídio do século XX.
«Guerra não declarada em Khalhin-Gol». É assim que Jukov, o mais destacado comandante militar da URSS, que em Khalkhin-Gol celebraria a sua primeira grande vitória militar como comandante de tropas – que lhe valeu a primeira das quatro estrelas douradas de Herói da União Soviética com que foi agraciado – qualifica o confronto militar de 1939 na Mongólia com o Japão imperialista, ao qual dedica um capítulo das suas memórias(5).
A direcção soviética avaliou o ataque surpresa, em Maio de 1939, das forças manchus e japonesas contra as tropas fronteiriças da Mongólia e o seu avanço até à margem esquerda (oriental) do Khalkhin-Gol, não simplesmente como uma mera escaramuça numa terra inóspita e, escassamente, povoada por nómadas, mas como uma «perigosa aventura militar» que tinha como principal alvo a própria URSS.
No início de Junho, Gueorgui Jukov, talentoso tenente-general, perto de completar 44 anos, e vice-comandante da Região Militar da Bielorrússia, é chamado a Moscovo e imediatamente enviado para a Mongólia a fim de inteirar-se da situação e, se necessário, assumir o comando das operações do 57.º Corpo de Forças Especiais soviéticas em defesa da integridade territorial da Mongólia(6). A 5 de Junho Jukov já se encontra em Tamsak-Bulak, o quartel-general das forças soviéticas (deslocadas da Região Militar da Transbaicália) na Mongólia, situado a cerca de 120 quilómetros da linha da frente.
Avaliada a situação no terreno, que confirmou a superioridade numérica do 6.º Exército japonês e das forças fantoches manchus, Jukov solicitou ao Estado-Maior em Moscovo, o reforço de unidades de infantaria, de tanques pesados, aerotransportadas e da aviação. O plano aprovado pelas forças conjuntas soviéticas e mongóis previa o sólido fortalecimento das posições defensivas na margem direita do rio Khalkhin-Gol e a preparação de um contra-ataque demolidor, para desbaratar e expulsar o inimigo de território mongol.
Durante mais de dois meses, a acção das tropas soviéticas – em conjunto com as unidades mongóis comandadas por Choibalsan – foi crucial para travar e repelir o ímpeto das sucessivas vagas ofensivas japonesas. Estas apenas uma vez lograram transpor a margem direita do Khalkhin-Gol, sendo forçadas quase de imediato a recuar, sofrendo pesadas baixas. Porém, o inimigo continuava entrincheirado em território da Mongólia.
Nas batalhas daquelas semanas, sob o escaldante calor estival da estepe quase desértica, participaram dezenas de milhares de homens e um elevado número de aviões, tanques, blindados e peças de artilharia de cada lado. O poeta e escritor soviético, Konstantin Simonov – para quem Khalkhin-Gol constituiu a estreia na frente de batalha e que, como correspondente de guerra do jornal Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), cobriu toda a II Guerra Mundial, acompanhando as tropas soviéticas até Berlim –, lembraria mais tarde, em «Longe no Oriente(7), a intensidade das batalhas naquele Verão de 1939, referindo, por exemplo, jamais ter presenciado, ao longo da sua vasta experiência de guerra, uma tal quantidade de aviões de combate no ar em simultâneo – «várias centenas de cada lado» –, como em Khalkhin-Gol.
Com as linhas de abastecimento a 700 quilómetros da frente de batalha, o Exército Vermelho montou uma extraordinária operação logística por terra, determinante para o sucesso da operação.
O impasse em Khalkhin-Gol foi quebrado a 20 de Agosto: antecipando-se aos planos de um novo ataque japonês, as tropas comandadas por Jukov lançaram uma manobra fulminante de larga escala, surpreendendo as tropas ocupantes. Em três dias de intensos combates as forças japonesas foram cercadas. A batalha prosseguiu até dia 31 quando as últimas posições japonesas em território da Mongólia foram completamente derrotadas. O 6º Exército Imperial do Japão acabara de sofrer uma derrota humilhante em Khalkhin-Gol na véspera do início da II Guerra Mundial. Com a ajuda da União Soviética, a soberania e integridade territorial da Mongólia tinham sido defendidas. A 15 de Setembro, Tóquio assinava o acordo de cessar-fogo e dois anos depois(8) reconhecia o traçado da fronteira da Mongólia.
A dura lição recebida na Mongólia aplacou definitivamente a veleidade agressiva do Japão em relação à URSS. A derrota categórica do Japão foi um dos factores determinantes que impediu que a URSS fosse obrigada a combater em duas frentes na guerra de 1941-45. A confirmação de que o Japão não tencionava atacar a URSS, transmitida de Tóquio por Richard Sorge (que avisara a direcção soviética para o início da operação Barbarossa pela Alemanha nazi, desencadeada a 22 de Junho de 1941) permitiu, nos dias especialmente críticos do Outono de 1941, a transferência para os arredores da capital soviética de importantes reforços militares provenientes do extremo oriente – entre os quais algumas das unidades que tinham combatido em Khalkhin-Gol.
A derrota nazi na batalha de Moscovo, comandada por Jukov – impedindo a queda da capital e contendo a progressão alemã –, marcaria o início da contra-ofensiva da URSS e da reviravolta na II Guerra cujo destino seria decidido em Stalingrado.
No caminho da imortal vitória do povo soviético sobre o nazi-fascismo, que configurou o mundo e a ordem internacional que chegaram aos nossos dias, Khalkhin-Gol constituiu, como recorda Jukov(9), uma valiosa escola de internacionalismo e experiência de combate.
O seu exemplo não foi em vão e não será esquecido.

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(1) Veja-se os exemplos da vergonhosa resolução anticomunista do Conselho da Europa (2006) e da recente moção aprovada pela Assembleia Parlamentar da OSCE que coloca em plano de igualdade a Alemanha nazi e a União Soviética. O processo de grotesca mistificação da história e branqueamento dos crimes do fascismo revela-se também – assumindo contornos ainda mais inquietantes – na reabilitação oficial ou semi-oficial das legiões nazis e forças fascistas e nacionalistas que colaboraram com o ocupante nazi que se verifica – contando com a conivência silenciosa de Bruxelas – em diversos países da UE, com especial destaque para as três repúblicas bálticas e também na Ucrânia.
(2) Depois da segunda e definitiva declaração da independência e a vitória da revolução, em 1921, sob a influência e com o apoio da gesta revolucionária russa e da URSS, constituída no final de 1922, a República Popular da Mongólia foi proclamada em 1924.
(3) Em 1936, o Japão assinou com a Alemanha nazi o Pacto Anti-Comintern dirigido contra a URSS e o movimento comunista internacional.
(4) Cabe aqui igualmente recordar que depois da revolução de Outubro, em 1918, as tropas japonesas desembarcaram em Vladivostok e participaram na ocupação da região de Primórie no extremo oriente da Rússia, que terminou apenas após a vitória do poder soviético na guerra civil russa.
(5) A versão electrónica da 12.ª e mais recente edição das memórias de Jukov – Jukov G. K., Vospominania i Razmychlenia (Memórias e reflexões), em dois tomos, Moscovo, Olma-Press, 2002 – está disponível em http://militera.lib.ru/memo/russian/zhukov1/index.html
(6) O tratado de amizade e aliança entre Moscovo e Ulan-Bator, renovado em 1936, previa a ajuda militar da URSS à Mongólia em caso de agressão externa.
(7) Konstantin Simonov, Sobranie Sochinenia (Colectânea de Obras), tomo 10, Moscovo, Khudojestvennaia Literatura, 1984.
(8) Em Abril de 1941 a URSS e o Japão assinaram um tratado de não-agressão.
(9) Diferentemente da guerra de 1939-1940 na Finlândia.


in Avante 2009.11.05
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