A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, fevereiro 21, 2012

Mário Augusto Jakobskind: Carnaval subordinado ao mercado



21 DE FEVEREIRO DE 2012 - 14H08 


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É carnaval. Muita gente vai perguntar: e daí? Daí que a maioria cai na folia e muitas vezes não se dá conta que a festa está deixando de ser popular para se institucionalizar na base do deus mercado. As escolas de samba entraram nessa lógica e hoje os desfiles viraram espetáculo industrializado com regras castradoras. E para assistir no sambódromo o custo é alto. 

Por Mário Augusto Jakobskind*, no Direto da Redação



O tema é polêmico por natureza. Outro exemplo é dos blocos de rua. Agora, o senso comum anda entoando a cantiga segundo a qual o carnaval de rua ressurgiu com o monobloco etc e tal. Não é verdade, antes da apropriação industrial dos blocos como começa a acontecer, o carnaval de rua sempre se fez presente. Neste 2012 tem até bloco que nem apresenta samba ou marcha, optando pelos Beatles e se dizendo responsável pelo “ressurgimento” do carnaval de rua. 

As exigências que a prefeitura cria para permitir o desfile dos blocos são tantas que muitos desistiram de seguir as normas. A burocratização do carnaval faz parte do esquema industrial que visa a tornar a festa apenas uma fonte de lucros para poucos, como determina a lógica do capital.

Mas, enfim, como o tema é muito sério e complexo, tem muito folião que considera tal discussão chata. Prefere então embarcar na festa, sem perceber que com o andar da carruagem em pouco tempo o carnaval vai se afunilar e será para poucos pagando muito, como exige o mercado. 

Tem mais. Nestes dias de Carnaval, muita coisa que acontece por aqui e pelo mundo afora fica em segundo plano. A mídia de mercado aproveita o embalo e não divulga questões relevantes. É o caso da repercussão que poderia ter um fato ocorrido na França e que envolve uma empresa conhecida nesta plagas abençoadas por Deus e bonita por natureza.

A empresa estadunidense Monsanto foi julgada por um Tribunal da cidade de Lyon, na França, e considerada legalmente “responsável” pela intoxicação de um agricultor. Foi uma decisão judicial em primeira instância e a empresa deverá apelar, o que retardará a decisão final. Mesmo assim, a primeira decisão pode ser considerada uma vitória, pois remete a questão para o debate e questionamento da Monsanto.

É importante os brasileiros serem informados a respeito do acontecido na França, porque de um modo geral a Monsanto por aqui tudo pode e conta com total apoio dos meios de comunicação de mercado, que ignoram os protestos e denúncias contra a empresa acusada de provocar sérios danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas ou manipulam o noticiário criminalizando os movimentos de protesto.

Outro tema que continua a ocupar grandes espaços de discussão e matérias mesmo na mídia de mercado é o que se passa em Cuba. Recentemente, por exemplo, a TV Bandeirantes apresentou uma série de matérias completamente manipuladas e equivocadas.

O repórter ouviu apenas um dos lados, ou seja, exatamente o que faz oposição ao regime e sempre com o estímulo dos setores extremistas radicados em Miami que nunca se conformaram com a perda de privilégios.

Foram mostradas imagens com o objetivo de o telespectador concluir ser Cuba um inferno na Terra e que seu povo vive no pior dos mundos. O repórter apurou mal certos fatos, um deles ao afirmar que o CUC, a moeda do turismo, pode ser convertido em dólar pelos cubanos e assim sucessivamente. Esqueceu de dizer o principal, ou seja, que o turista troca a sua moeda, dólar ou euro, pelo CUC para então usar para os gastos em território cubano. Se reconverter, cubano ou turista, para dólar ou euro vai perder, claro. Mas o repórter ignorou essa obviedade. 

Os CUCs deixados pelos turistas, que em 2011 vieram num total de dois milhões e 700 mil, permitem ao Estado cubano aplicações nas áreas de saúde, educação, moradia etc. Ou seja, as divisas do turismo são destinadas exatamente para a utilização em favor do povo. Aí o senso comum prefere dizer apenas que apesar de permitido são pouco os cubanos que têm acesso aos locais frequentados pelos turistas. 

Saúde e educação de boa qualidade e de graça é salário indireto. Se contabilizado, utilizando como termo de comparação muitos países latino-americanos, europeus e mesmo os Estados Unidos, chega-se a cifras altas e até astronômicas. E tem mais um detalhe: saúde cara não raramente pouco acessível a muitos assalariados sem condições de pagar planos de saúde de empresas particulares. E em não poucos países com a saúde pública em péssimas condições.

Mas como as reportagens objetivam apenas reforçar o sentimento contra Cuba, mostrar a realidade sem manipulações não interessa à mídia de mercado, muito menos ao esquema Barack Obama, que corre atrás dos votos de Miami, onde os cubano-americanos têm peso eleitoral. 

*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, 




Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.


quinta-feira, dezembro 16, 2010

Mais de meio milhão de cubanos trabalharam pela causa africana

América Latina

Vermelho - 15 de Dezembro de 2010 - 9h56

Mais de meio milhão de cidadãos cubanos trabalharam em diversos países do continente africano nos últimos 50 anos, contribuindo para a sua independência ou para o respectivo desenvolvimento, anunciou nesta terça-feira, em Pretória (África do Sul), o membro do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Jeorge Resquel Baldeza.

O dirigente interveio na troca de experiência de aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais entre delegações das repúblicas de Angola e de Cuba, no contexto do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), promovido, de 13 a 21 na cidade de Pretória, , pela Federação Mundial da Juventude Democrática.

Segundo Resquel Baldeza, as relações de amizade e cooperação entre Cuba e os países do continente africano são históricas e de irmandade, já que africanos contribuíram na luta cubana e cubanos na conquista da causa destes povos.

Assim, citou que militares e trabalhadores civis cubanos desempenharam funções a favor de países como Angola, Argélia, África do Sul, Congo, Namíbia, Guiné Bissau, entre outros, em diversas etapas, quando solicitados pelos respectivos povos ou governos.

Anunciou que Cuba continuará a ajudar na causa dos povos africanos e, quiçá, “algum dia será possível dizer que cerca de um milhão de cubanos trabalharam a favor de nossos irmãos de África”.

Delegações de Cuba e de Angola trocaram presentes no Dia de África (14). A comitiva angolana, composta por 350 pessoas, é orientada pelo deputado Sérgio Luther Rescova Joaquim.

Neste festival, que acontece de cinco em cinco anos e agora discute o lema “Por um mundo de paz, solidariedade e transformação, derrotaremos o imperialismo”, a delegação angolana congrega militantes da organização juvenil do MPLA (JMPLA), estudantes, músicos, jornalistas e artistas plásticos.

Estes festivais mundiais começaram a realizar-se após a segunda guerra mundial, em 1947, na sequência da necessidade dos movimentos juvenis se unirem em torno de questões que afetam os jovens e os povos de todo o mundo.

O último festival aconteceu em 2005 na cidade de Caracas, Venezuela, sob o lema “Pela solidariedade e a paz, lutamos contra o imperialismo e a guerra”, congregando 25.145 participantes integrados em 90 delegações, cada uma representando um país.

Com AngolaPress
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segunda-feira, novembro 08, 2010

A ONU e Cuba - Fidel Castro

 
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Reflexões do companheiro Fidel
Sexta, 05 Novembro 2010 01:00
Fidel Castro
Fidel Castro
Primeira parte
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A reunião de terça-feira passada, 26 de outubro, da Assembléia Geral da ONU, que se supõe seja a máxima autoridade política do planeta, foi convocada com um objetivo tantas vezes repetido que já se torna familiar: "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba".

É o projeto mais discutido, mais aprovado e nunca cumprido na história das Nações Unidas.

Todos sabemos que, caso tal imputação fosse feita contra Cuba ou contra qualquer outro país latino-americano ou caribenho e fazer ouvidos moucos disso, sobre o dito país choveriam críticas. O ato detestável que com tanta clareza e precisão é atribuído aos "Estados Unidos da América", cujo fim vem sendo exigido, é classificado pelo direito internacional de "ato de genocídio".

Já são mais de 19 as vezes que, a partir do ano 1992, a referida resolução foi aprovada pela Assembléia Geral, exigindo o fim dessa abusiva e criminosa ação. Mas, da mesma maneira em que crescia o número de vezes em que a Resolução era reiterada e aprovada, também crescia o número de países que ofereciam seu apoio e diminuía o número daqueles que se abstinham e o minúsculo grupinho que votava contra. Na última votação apenas dois a rejeitaram e três se abstiveram, cujos nomes correspondem a pequenos Estados que, na verdade, são dependências coloniais dos Estados Unidos.

Um fato a levar em conta é que no mundo aconteceram grandes mudanças depois da fundação da ONU, quando ainda não tinham acabado os combates da Segunda Guerra Mundial, que custou 50 milhões de vidas e uma enorme destruição. Muitos países que hoje constituem a maioria das Nações Unidas ainda eram colônias das potências européias, as quais se apoderaram pela força do território da maior parte do mundo e, nalguns continentes, quase de sua totalidade. Milhões de pessoas, em muitos casos, de civilizações muito mais antigas e de cultura superior, foram submetidas ao colonialismo, em razão da superioridade das armas dos agressores.

Cuba não foi uma exceção.

Neste hemisfério, o nosso país foi a última colônia da Espanha devido a suas riquezas em produtos agrícolas escassos e muito procurados naquela altura, que surgiam das mãos trabalhadoras dos camponeses livres e de milhares de escravos de origem africana. Quando o resto das colônias da Espanha já era livre, nas primeiras décadas do século XIX, esta mantinha com mão de ferro e os métodos mais despóticos sua colônia em Cuba.

Na segunda metade desse século, nossa ilha, na qual a Espanha sonhou ter um baluarte para a reconquista de suas antigas colônias na América do Sul, foi berço de um profundo sentimento nacional e patriótico. O povo cubano iniciou a batalha por sua independência quase 70 anos depois do que as outras nações irmãs da América Latina, sem outra arma que não fosse o machete, com o qual se cortava a cana-de-açúcar e o brio e a rapidez dos cavalos crioulos. Em pouco tempo, os patriotas cubanos se converteram em soldados temíveis.

Trinta anos mais tarde nosso sofrido povo estava a ponto de conseguir seus objetivos históricos na luta heróica contra uma potência européia decadente mas obstinada. O exército espanhol, apesar do enorme número de soldados que tinha, já era incapaz de manter a posse da ilha, e apenas controlava as principais áreas urbanas e estava à beira do colapso.

Então, o pujante império, que nunca ocultou sua intenção de se apoderar de Cuba, interveio naquela guerra, após ter declarado cinicamente que "o povo da ilha de Cuba é e por direito deve ser livre e independente".

Depois de concluída a guerra, negaram ao nosso país o direito de participar das negociações de paz. O governo espanhol consumou a traição a Cuba colocando-a nas mãos dos interventores.

Os Estados Unidos se apoderaram dos recursos naturais, das melhores terras, do comércio, dos bancos, dos serviços e das principais indústrias do país. Converteram-nos numa neocolônia. Durante mais de 60 anos suportamos isso, mas nos fizemos independentes e jamais deixaremos de lutar. Com esses antecedentes, os leitores de outros países compreenderão melhor as palavras do nosso chanceler Bruno Rodríguez, no dia 26 de outubro deste ano.

O debate começou às 10h da manhã.

Primeiramente, falaram cinco países em nome do Grupo dos 77, do Movimento dos Países Não-Alinhados, da União Africana, da Caricom e do Mercosul, todos eles apoiando a Resolução.

Mais tarde intervieram 14 países, entre eles dois que têm mais de um bilhão de habitantes cada um: a China e a Índia, com quase 2,5 bilhões entre ambos; outros que têm mais de cem, como a Federação da Rússia, Indonésia e o México; mais nove, com um reconhecido papel na vida internacional, a saber: Venezuela, a República Islâmica do Irã, Argélia, África do Sul, Ilhas Salomão, Zâmbia, Gâmbia, Gana e Barbados; foram 19 intervenções antes da de Bruno.

Seu discurso foi lapidário. Muitas vezes citarei parágrafos completos de suas palavras. Começou se referindo aos graves perigos de guerra que nos ameaçam e acrescentou:

"Para sobrevivermos, torna-se imprescindível um salto na consciência da Humanidade, só possível mediante a difusão de informação veraz sobre estes temas, que a maioria dos políticos oculta ou ignora, a imprensa não publica e que, para as pessoas, são tão horrorosos que parecem incríveis."

"...a política dos Estados Unidos contra Cuba não tem sustento ético ou legal algum, nem credibilidade nem apoio. Assim fica demonstrado com os mais de 180 votos nesta Assembléia Geral das Nações Unidas, que nos últimos anos exigiu o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro."

"O rechaço da América Latina e do Caribe é enérgico e unânime. A Cúpula da Unidade, efetuada em Cancún, em fevereiro de 2010, expressou-o resolutamente. Os líderes da região comunicaram-no diretamente ao atual presidente norte-americano. Pode reafirmar-se que o repúdio expresso ao bloqueio e à Lei Helms-Burton identifica, como poucos temas, o acervo político da região."

"Visões igualmente inequívocas foram referendadas pelo Movimento dos Países Não-Alinhados, pelas Cúpulas Ibero-americanas, pelas Cúpulas da América Latina e do Caribe com a União Européia, pela União Africana, pelas Cúpulas do Grupo ACP e praticamente por qualquer conjunto de nações que se tenha pronunciado a favor do Direito Internacional e do respeito aos princípios e propósitos da Carta da ONU."

"É amplo e crescente o consenso, na sociedade norte-americana e na emigração cubana nesse país, contra o bloqueio e a favor da mudança de política para Cuba. [...] os 71% dos estadunidenses advogam a normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos..."

"As sanções contra Cuba continuam inalteráveis e são aplicadas com toda dureza."

"No ano 2010, o bloqueio econômico recrudesceu e o seu impacto quotidiano continua sendo visível em todos os aspectos da vida em Cuba. Ele tem consequências particularmente sérias em setores tão sensíveis para a população como a saúde e a alimentação."

A seguir, enumera uma série de medidas cruéis que afetam sensivelmente as crianças com delicados problemas de saúde, que o governo dos Estados Unidos não poderia desmentir.

Depois expressa:

"As multas dos Departamentos do Tesouro e Justiça contra entidades de seu país e da Europa, neste último ano, por transações feitas com Cuba, entre outros Estados, ultrapassam no seu conjunto os US$ 800 milhões."

Continua informando:

"A confiscação de uma transferência de mais de 107 mil euros, pertencente à companhia Cubana da Aviação e realizada por meio do Banco Popular Espanhol de Madri a Moscou, foi uma verdadeira roubalheira."

A seguir, nosso ministro das Relações Exteriores exprime algo muito importante sobre os efeitos do grosseiro crime contra a economia de Cuba, devido à tendência de mencionar cifras históricas sobre o montante em dólares do valor de um bem móvel ou imóvel, um empréstimo, uma dívida o qualquer outra coisa que possa ser medida em dólares norte-americanos, sem levar em conta o valor constantemente decrescente do dólar, nas últimas quatro décadas. Como exemplo cito um refrigerante arqui-conhecido: a Coca Cola – sem cobrar nada pela publicidade. Há 40 anos custava cinco centavos, hoje seu preço flutua em qualquer país entre 150 e 200 centavos de dólar.

Bruno exprime:

"O prejuízo econômico direto provocado ao povo cubano, em conseqüência da aplicação do bloqueio, ultrapassa, nestes cinqüenta anos, US$ 751 bilhões, no valor atual dessa moeda."

Quer dizer, não comete o erro de usar a quantia das perdas que significou o bloqueio anualmente, como se o valor dos dólares fosse igual a cada ano. Em conseqüência desta estafa mundial que significou a suspensão unilateral, por parte do presidente Nixon, do respaldo em ouro dessa moeda, a uma taxa de 36 dólares por onça Troy, unida às emissões de dólares sem limite algum, o poder de compra dessa moeda diminui extraordinariamente. O ministério das Relações Exteriores solicitou a um grupo de peritos do Ministério da Economia fazer uma avaliação e o resultado foi o prejuízo econômico provocado pelo bloqueio contra Cuba ao longo destes 50 anos, expresso no valor atual dessa moeda.

"Em 2 de setembro passado" – disse Bruno na intervenção – "o próprio presidente Obama ratificou as sanções contra Cuba, arguindo o pretenso "interesse nacional" dos Estados Unidos. Contudo, todo mundo sabe que a Casa Branca continua prestando a maior atenção aos "interesses especiais", bem financiados, de uma exígua minoria que converteu a política contra Cuba em um negócio bem lucrativo."

"Recentemente, em 19 de outubro passado, o presidente Obama qualificou, segundo várias agências de notícias, de insuficientes os processos que, segundo sua opinião, têm lugar em Cuba e condicionou qualquer novo passo à realização das mudanças internas que gostaria de ver em nosso país."

"O presidente se engana ao pensar que tem direito de se intrometer e de qualificar os processos que hoje têm lugar em Cuba. É pena que esteja tão mal informado e assessorado."

"As mudanças que hoje empreendemos são devidas à vontade dos cubanos e às decisões soberanas de nosso povo. [...] Não têm por objetivo fazer a vontade do governo dos Estados Unidos, até hoje, sempre contrário aos interesses do povo cubano."

"Para a superpotência, tudo que não leve ao estabelecimento de um regime que se subordine a seus interesses será insuficiente, mas isso não vai acontecer, pois muitas gerações de cubanos dedicaram e dedicam o melhor de suas vidas à defesa da soberania e da independência de Cuba."

"Ao contrário, este governo continua com a prática arbitrária de colocar Cuba nas espúrias listas, inclusive, na dos Estados que, pretensamente, financiam o terrorismo internacional, feita pelo Departamento de Estado para qualificar o comportamento de outras nações. Este país não tem autoridade moral para fazer tais listagens — as que deveria encabeçar — nem existe uma só razão para incluir Cuba em nenhuma delas."

"O governo norte-americano mantém também em injusta prisão os Cinco cubanos lutadores antiterroristas, há mais de doze anos, em seus cárceres, cuja causa concitou a mais ampla solidariedade da comunidade internacional."

"Cuba, que foi e é vítima do terrorismo de Estado, exige deste governo o fim da dupla moral e da impunidade de que gozam em seu território os autores confessos de atos terroristas, perpetrados ao abrigo da política anticubana desse país..."

Nesse ponto, Bruno desferiu um duro golpe na delegação dos Estados Unidos com o famoso memorando do subsecretário assistente de Estado, Lester Mallory, revelado dezenas de anos mais tarde, que mostra o nojento cinismo da política dos Estados Unidos.

"A maioria dos cubanos apóia Castro (...) Não existe uma oposição política efetiva (...) O único meio possível para fazer-lhe perder apoio interno (ao governo) é provocar o descontentamento e o desânimo, mediante a insatisfação econômica e a penúria (...) É preciso utilizar imediatamente todos os meios possíveis para enfraquecer a vida econômica (...) negando a Cuba dinheiro e fornecimentos, com o fim de reduzir os salários nominais e reais, visando provocar fome, desespero e a derrubada do governo."

"Apesar de a perseguição econômica constituir o obstáculo principal para o desenvolvimento do país e para a elevação do nível de vida do povo, Cuba mostra resultados incontestáveis, que são de referência mundial, na eliminação da pobreza e da fome, na saúde e na educação..."

"Cuba pôde declarar aqui, há umas semanas, um elevado e excepcional cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estes resultados conseguidos por Cuba ainda são uma utopia para boa parte dos habitantes do planeta."

"Cuba nunca deixará de denunciar o bloqueio e de exigir o direito legítimo de seu povo de viver e trabalhar em prol de seu desenvolvimento socioeconômico em pé de igualdade, cooperando com as demais nações, sem bloqueio econômico, nem pressões externas."

"Cuba agradece à comunidade internacional a firme solidariedade ao nosso povo, certa de que algum dia existirá justiça e não será mais necessária esta resolução."

"Muito obrigado".

Disse para concluir a sua primeira intervenção.

Continuará amanhã.

Fidel Castro Ruz

31 de outubro de 2010

17h13


Segunda e última parte

QUANDO Bruno terminou sua intervenção quase no meio-dia de 26 de outubro passado, deu-se, como é regra, a explicação de voto, antes de o Projeto ser submetido à votação.

Primeiramente, falou o embaixador dos Estados Unidos, Ronald Godard, assessor principal da seção de Assuntos do hemisfério Ocidental, chefe da delegação de seu país. Suas inusitadas palavras tornam desnecessária a análise para demonstrar que as denúncias do ministro das Relações Exteriores de Cuba eram bem justas. Bastam suas afirmações para saber o cinismo da política desse país.

"...Os Estados Unidos […] estão firmemente engajados com o apoio à decisão do povo cubano de determinar livremente o futuro de seu país."

"...Os Estados Unidos […] têm o direito soberano de decidir suas relações econômicas com outro país. As relações econômicas dos Estados Unidos com Cuba são um assunto bilateral […] que visam a criar maior abertura em Cuba e maior respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais."

"Devemos levar isso em conta num debate eivado de argumentos retóricos do passado e focalizado em diferenças táticas, num debate que não faz nada para ajudar o povo cubano."

"Minha delegação lamenta que a delegação de Cuba continue, ano após ano, qualificando de maneira imprópria e incorreta as restrições comerciais a Cuba como um ato de genocídio. […] Os Estados Unidos não impõem restrição alguma à ajuda humanitária a Cuba..."

"Em 2009, os Estados Unidos […] autorizaram US$237 milhões em assistência humanitária privada, à maneira de presente, com alimentos e outros produtos essenciais, doações humanitárias não agrícolas e doações médicas."

Em abril de 2009, o presidente Obama salientou que ‘os Estados Unidos procuram um novo início com Cuba’, mas que ‘é preciso percorrer um caminho mais longo para ultrapassar décadas de desconfiança’. […] Iniciamos conversações para reatar o serviço postal direto entre os Estados Unidos e Cuba e incrementamos os intercâmbios artísticos e culturais..."

"O presidente Obama disse publicamente que a libertação dos presos políticos e as reformas econômicas são positivas para o povo cubano. Os Estados Unidos esperam ver em breve que tais promessas foram cumpridas, bem como a maior abertura por parte do governo cubano, como mostra de sua decisão de se relacionar construtivamente com seu próprio povo. […] Os Estados Unidos consideram que não se conseguirá plenamente uma nova era nas relações Estados Unidos-Cuba até o povo cubano desfrutar das liberdades políticas e econômicas internacionalmente reconhecidas, que este órgão tanto fez para defendê-las noutros países do mundo."

"Minha delegação votará contra esta resolução. Os Estados Unidos consideram que é hora de que este órgão junte seus esforços para apoiar o povo cubano na sua luta para decidir seu próprio futuro e ir além dos gestos retóricos que esta resolução representa.

"Obrigado, senhor presidente."

A seguir, a chefa da delegação da Nicarágua, cujo povo foi vítima da guerra suja de Ronald Reagan que tanto sangue custou, explicou sua intenção de voto. Suas palavras foram contundentes.

Realizou-se a votação e 187 países votaram a favor da Resolução; dois contra (Estados Unidos e Israel, seu forte aliado nas ações de genocídio), e três abstenções (Ilhas Marshall, Micronésia e Palau). Nenhum país dos 192 membros da ONU deixou de participar.

Após concluir esta, a representação da Bélgica, em nome da União Europeia, aliada dos Estados Unidos, pediu para as delegações que desejavam explicar seu voto.

Depois discursaram 16 países com trajetória destacada na política internacional, que explicaram sua votação a favor da Resolução. Eis a ordem: Uruguai, Bolívia, Angola, Mianmar, Suriname, Belarus, São Cristóvão e Névis, Laos, Tanzânia, Líbia, Síria, Sudão, Vietnã, Nigéria, São Vicente e Granadinas e a República Democrática Popular da Coreia.

Gostaria salientar que muitos países se abstiveram de discursar a pedido de nossa delegação, a fim de não alongar o processo de votação em detrimento do melhor horário para a divulgação do debate, e o esforço esgotador que significava a participação de um maior número de oradores. Apesar disso, 37 delegações falaram em termos claros e precisos a favor do justo Projeto que, pela décimo nona vez era aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Esta vez o debate sobre o delicado e importante tema foi mais extenso e enérgico.

Às 16h17, foi proferida a contestação de Cuba, através do ministro das Relações Exteriores de nosso país.

Suas palavras essenciais, apesar de todo o texto ter sido importante, foram:

"Senhor presidente:

"Agradeço muito as palavras dos treze oradores e das delegações presentes nesta imprevista sessão vespertina.

"A respeito das palavras expressas pelos Estados Unidos e pela União Europeia:

"Esta é a décimo nona ocasião em que a delegação dos Estados Unidos repete o mesmo argumento."

"O bloqueio é um ato de guerra econômica e um ato de genocídio."

"Será que o Departamento de Estado não fez a tarefa, não analisou o assunto?"

"No ano passado, li aqui os artigos das Convenções correspondentes..."

"Hoje li aqui o famoso Memorando do sr. Mallory."

"Não são ‘argumentos ideológicos’ do passado. O bloqueio é um velho iceberg que sobreviveu à Guerra Fria. O assunto não é a retórica, mas o ato de agressão a Cuba."

"O propósito dos Estados Unidos não é ajudar nem apoiar o povo cubano. Sabe-se que o bloqueio provoca carências e sofrimentos. Não provoca morte, porque a Revolução cubana o impede. Como compreender que punam as crianças cubanas, como foi exposto aqui? Se quisessem ajudar ou apoiar o povo cubano, a única coisa que fariam é pôr imediatamente fim ao bloqueio."

Por que impedem os norte-americanos de visitarem Cuba e de receberem informação de primeira mão? Por que restringem os chamados contatos ‘povo a povo’?"

"Os pretextos para o bloqueio foram mudando. Primeiramente, foi o fato de pertencer pretensamente ao eixo sino-soviético, depois, a chamada exportação da Revolução para a América Latina, mais tarde, a presença de tropas cubanas na África para ajudar a derrotar o apartheid, a preservar a independência de Angola e alcançar a da Namíbia."

"Depois, a manipulação a respeito dos direitos humanos. Contudo, o bloqueio é uma violação brutal dos direitos humanos dos cubanos."

"Estamos dispostos a debater sobre a violação dos direitos humanos. Podemos começar pelo campo de concentração de Guantánamo, onde se pratica a tortura e não existe o habeas corpus. É o reino das ‘comissões militares’, fora do Estado de Direito. Por acaso a delegação norte-americana pode explicar o que aconteceu nos campos de Abu Ghraib, Bagram e Nama?"

"Foram indiciados os responsáveis? Foram processados os que autorizaram nos governos europeus os cárceres secretos na Europa e os voos secretos da CIA com pessoas sequestradas? Pode o representante da União Europeia responder a isso?"

"Podemos falar da Wikileaks. Por que não contam alguma coisa a respeito das atrocidades que aparecem nos 75 mil documentos sobre os crimes no Afeganistão e os 400 mil sobre o Iraque?"

"As mudanças em Cuba são assunto dos cubanos. Vamos mudar tudo aquilo que deva ser mudado para o bem dos cubanos, mas não pediremos opinião ao governo dos Estados Unidos. Escolhemos livremente o nosso destino. Foi para isso que fizemos uma Revolução. Haverá mudanças soberanas, não ‘gestos’. Sabemos que para os Estados Unidos a única solução seria instaurar em Cuba um governo pró-ianque. Mas isso não vai acontecer."

"Desejam os Estados Unidos cooperação entre nossas universidades? Então, eliminem as restrições aos intercâmbios acadêmicos, estudantis, científicos e culturais e permitam assinar acordos entre essas instituições."

"Desejam cooperação no combate ao narcotráfico, ao terrorismo e ao tráfico humano, nos desastres naturais, no correio postal? Então que respondam, quando menos, às propostas que apresentamos há mais de um ano, sem condição alguma."

"Um alto funcionário da Usaid confirmou ontem ao jornalista Tracey Eaton que, no último período, enviaram US$15,6 milhões a (cito) ‘indivíduos no território de Cuba’. É assim que chamam seus mercenários."

"As transmissões ilegais de rádio e televisão continuam."

"Os Cinco cubanos presos nos EUA permanecem cumprindo injustamente prisão. Há pouco, Gerardo Hernández Nordelo foi submetido, sem razão alguma, a confinamento na solitária e lhe foi denegado atendimento médico."

"Terroristas internacionais confessos como Orlando Bosch e Posada Carriles andam à solta em Miami e, inclusive, fazem ali atividade política."

"O bloqueio é abusivamente extraterritorial e prejudica todos os aqui presentes. Não é um ato bilateral."

"Senhor presidente:

"Quanto às palavras expressas sobre a União Europeia, não tenho muita coisa que acrescentar."

"Não lhe reconhecemos autoridade moral nem política alguma para criticar em matéria de direitos humanos."

"Seria melhor que atendesse à brutal política que aplica contra os imigrantes, a deportação de minorias, a violenta repressão contra os manifestantes e a crescente exclusão social de seus desempregados e setores de mais baixa renda."

"O Parlamento Europeu, com a maior desfaçatez e de maneira infame, dedica-se a remumerar os agentes do governo dos Estados Unidos em Cuba."

"Contudo, a União Europeia sonha se acredita que vai normalizar as relações com Cuba existindo a chamada Posição Comum."

"Muito obrigado."

Todos estávamos à espera da resposta dos Estados Unidos à contestação de Bruno. O embaixador e a delegação — que não abandonaram a sala, em sinal de rejeição — resistiram ao bombardeio de argumentos irrebatíveis. A contestação de Cuba deixou-os pasmados. Tive a sensação de que iam se esvaindo aos poucos, até sumirem do palco.

Durante 50 anos de bloqueio, a superpotência não conseguiu nem conseguirá derrotar a Revolução Cubana. Não me dediquei ao exercício de escrutinar os votos a favor ou contra a "Resolução". Constatei, no entanto, o calor e a convicção dos que se pronunciaram contra a injusta e arbitrária medida. É um erro acreditar que tal medida pode se manter indefinidamente. Foi uma revolta. Os povos estão já fartos de agressões, pilhagem, abusos e enganos.

Nunca antes as delegações expressaram com mais veemência seu protesto contra a caçada que implica o menosprezo pela justa condenação da comunidade mundial contra um ato de genocídio que se repete ano após ano. Estão cientes de que o mais sério é o saque sistemático de suas reservas naturais imposto à maioria dos povos do planeta, a crescente escassez de alimentos, a depredação do meio ambiente, o número crescente de guerras de genocídio contra outros povos, apoiadas em bases militares situadas em mais de 75 países, e o crescente perigo de uma conflagração suicida para todos os povos do mundo.

A ONU não pode existir sem a presença dos povos que vêm exigindo o fim do bloqueio. Essa instituição, surgida quando a imensa maioria de nós nem sequer era independente, para quê serve sem nós? Qual o nosso direito, se nem sequer podemos exigir o fim do bloqueio imposto contra um pequeno país? De uma maneira ou outra, fomos subordinados aos interesses dos Estados Unidos e da OTAN, organização militar bélica que despende mais de um trilhão de dólares a cada ano em guerras e armas, que seriam suficientes demais para dar o necessário a todos os povos do mundo.

Muitos países do Terceiro Mundo são obrigados a encontrar soluções, independentemente do que aconteça aos outros. É como andar sobre uma esteira que funciona na contramão à maior velocidade.

Faz falta uma ONU verdadeiramente democrática e não um feudo imperial, onde a imensa maioria dos povos não importa nada. A ONU, fundada antes do fim da Segunda Guerra Mundial, está já esgotada. Não permitamos que nos imponha o ridículo papel de nos reunirmos mais uma vez daqui a 12 meses para zombar de nós. Façamos com que nossa exigência seja escutada e salvemos a vida de nossa espécie antes de que seja muito tarde.

Fidel Castro Ruz

1º de novembro de 2010

17h53

domingo, outubro 24, 2010

Bloqueio dos EUA prejudica educação em Cuba

América Latina

Vermelho - 21 de Outubro de 2010 - 16h35

A educação é mais um dos dos setores fortemente prejudicados em Cuba pela aplicação do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra a ilha. Os efeitos do cerco traduzem-se em carências durante o processo de aprendizagem, de pesquisa e no trabalho científico, indica o mais recente relatório de Cuba à Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a necessidade de pôr fim a essa política.

Entre maio de 2009 e abril de 2010, o montante total das importações cubanas neste setor reduziu-se a 18,2 milhões de dólares, sendo que, destes, 10% se destinou ao pagamento de fretes.

Se a nação caribenha tivesse tido acesso ao mercado norte-americano, só teria dedicado 3,7% a essas despesas, por isso poderia ter adquirido o papel Offset para a impressão dos livros de texto necessários a cada nível de ensino.Também todos os jogos de instrumentos de desenho para lecionar Matemática nas escolas primárias e de educação especial, e 150 mil jogos de marcadores de quadros acrílicos para o ensino de informática em todo o país, em um ano letivo.

Cuba também não pôde obter o equipamento necessário para a habilitação de 60 turmas terapêuticas destinadas a crianças portadoras de deficiências motoras por não ter acesso ao mercado norte-americano e recorrer a outros mais distantes e caros.

O custo de ditas aulas gira ao redor de 14 mil euros no mercado europeu; no entanto, nos Estados Unidos não excede 8 mil dólares.

Durante o mesmo período, a Educação Superior sofreu perdas no valor de 3,5 bilhões de dólares, o que inclui prejuízos à produção e aos serviços, o não acesso à tecnologia norte-americana, relocalização de mercados e suas consequências monetárias e financeiras.

A Universidade de havana viu limitado o acesso a internet para professores e estudantes, por fazê-lo de um site em Cuba. Isso ocorre, por exemplo, com a atualização de softwares como o Java, da empresa Sun Microsystem.

Enquanto isso, a Companhia Applied Biosystems nega à ilha a venda de equipes para sequenciação de DNA e máquinas de Reação em Cadeia da Polimerasa (PCR), necessárias nos laboratórios de Biologia Molecular.

Para adquirir qualquer destes dispositivos, é preciso recorrer a intermediários, o que produz um aumento nos preços e a perda de tempo na pesquisa.

Por outro lado, a administração norte-americana impede seus cidadãos de visitarem Cuba e nem sequer restabeleceu os níveis de intercâmbio acadêmico que existiam antes de 2004 entre instituições de ambos países, afirma o texto.

Fórum

Reunidas durante o 7º Fórum da Sociedade Civil contra o Bloqueio, 139 entidades cubanas e organizações regionais e internacionais com sede em Cuba reiteram sua campanha pelo fim do bloqueio, denunciando a situação atual e apontando violações aos direitos humanos , e à  soberania não só de Cuba, mas de países impedidos de intercambiar com a ilha.

O Fórum também convoca os Estados-Membros das Nações Unidas para que apoiem mais uma vez, na Assembléia Geral, a proposta de resolução apresentada pelo Governo de Cuba, pedindo o fim do bloqueio.  Veja abaixo:

DECLARAÇÃO FINAL DO 7º FÓRUM DA SOCIEDADE CIVIL CONTRA O BLOQUEIO CUBANO


As 139 organizações da sociedade civil cubana e organizações regionais internacionais com sede em Cuba se reuniram em Havana, em 20 outubro de 2010, no VII Fórum contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra o povo de Cuba, dando seguimento às posições tomadas nos fóruns anteriores, tendo deliberado sobre o estado atual da situação denunciada neles, acordam expor o seguinte:


1. Em 28 de outubro de 2009 a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou com 187 votos a favor da Resolução "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba", exortando o governo dos Estados Unidos a levantar o bloqueio imposto unilateralmente pelas autoridades daquele país ao povo cubano, que se estende há quase 50 anos.


2. O VII Fórum ratificao exposto na Declaração Final do VI Fórum, quando diz: "O bloqueio contra Cuba é o mais longo, cruel e injusto da história da humanidade e se constitui como uma guerra econômica real que qualifica como um ato de genocídio. Seu objetivo principal e declarado tem sido a destruição da ordem constitucional em Cuba, privando seu povo da soberania e do exercício do seu direito à autodeterminação ".


3. Esta política que continua o histórico de agressões contra a nação cubana falhou nos seus objetivos de render por fome e enfermidades o povo cubano e doenças. No entanto, o governo dos Estados Unidos continua a dedicar a cada ano milhões de garantir a mais rigorosa aplicação de todas as leis e medidas que compõem o bloqueio contra Cuba e organizar a subversão interna.


Através da mídia, que suas agências subsidiam, desencadeia uma guerra de mídiática que apresenta uma imagem completamente distorcida da realidade cubana, intervindo, assim, nos assuntos internos de nosso país, o que constitui uma violação do direito inalienável do povo cubano a sua auto-determinação, independência e soberania, e a adotar o sistema econômica, político e social mais adequado aos seus interesses, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos principais

instrumentos internacionais que regem as relações entre as nações.


4. A oposição internacional e dentro dos Estados Unidos e as medidas coercitivas unilaterais contra Cuba continuaram a crescer durante o ano passado. O Presidente Barack Obama, no início de Setembro de 2010, renovou por mais um ano a aplicação de sanções contra Cuba, ao abrigo dos poderes concedidos pela Lei de Comércio com o Inimigo, que é a base de outras leis e regulamentos que conformam o embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba.

Tal ação foi inclusive reforçada, ao incluir o nosso país, em 2010, na arbitrária "lista negra" de países que apóiam ou promovem atividades terroristas. Estas ações contrastam com as declarações do próprio presidente dos EUA, que, durante sua campanha, disse que iria introduzir mudanças nas relações com Cuba, e deixam de lado as prerrogativas do presidente dos EUA de introduzir mudanças substanciais nessa política, mesmo sem submetê-las à aprovação do Congresso.


5. A natureza extraterritorial do bloqueio não só se mantém, mas se fortaleceu durante o ano passado. Estas sanções unilaterais contra Cuba, que têm um efeito generalizado fora os EUA sobre as empresas e os cidadãos de países terceiros, em violação do direito internacional, têm se intensificado, especialmente em sua aplicação nos setores bancário e financeiro.


6. O bloqueio constitui uma violação flagrante, massiva e sistemática dos direitos humanos, que continua a ser aplicada ao nosso país com total impunidade. Viola:

• O direito ao desenvolvimento dos nossos cidadãos, porque o bloqueio já causou prejuízos à economia cubana durante os últimos 50 ano de mais de US$ 750 bilhões ao valor atual dessa moeda. Sem o bloqueio, esses recursos poderiam ter sido investidos em projetos de desenvolvimento sustentável, econômico e social da nação.


• O direito à saúde, pois evita a compra de medicamentos e equipamentos médicos que só são produzido nos Estados Unidos, ou por filiais de empresas dos EUA sediadas em qualquer país, e até mesmo de outras nacionalidades que os produzam sob licença, com o qual colocam em perigo as vidas dos cidadãos cubanos.

Cuba tem que adquirir medicamentos, reagentes, peças de reposição para equipamentos médicos, instrumentos e outros insumos em mercados distantes, e em muitos casos, com o uso de intermediários, que resultam no aumento de preços.


• O direito à alimentação, porque são mantidas as condições onerosas difíceis para Cuba, sob as quais se realizam as compras de alimentos a empresas americanas. O governo dos EUA continua a dificultar essas aquisições e ainda não se materializou nenhuma ação para realizar essas vendas em correspondência com as normas, canais e práticas regulares do comércio internacional.


• O direito à educação e à cultura, que se traduz, entre outrrso aspectos, em carências diárias que afetam o processo de aprendizagem, pesquisa e trabalhos científicos de estudantes e professores, em geral em todos os níveis do ensino, ante a impossibillidade de adquirir meios, insumos e equipamentos no mercado norte-americano, assim como estabelecer regulações que impedem o intercâmbio acadêmico e científico e o acesso, a partir de cUba, à internet e às novas tecnologias da informação e da comunicação.


7. O bloqueio não só afeta apenas o povo cubano, mas também viola os direitos constitucionais do povo norte-americano, ao comprometer a sua liberdade de viajar para Cuba, e expor aqueles que optam por visitar a ilha a multas pesadas e pena de prisão.


8. O VII Fórum faz um chamado aos Estados-Membros das Nações Unidas para que apoiem mais uma vez, na Assembléia Geral, a proposta de resolução apresentada pelo Governo de Cuba como uma demonstração de preocupação e compromisso na batalha para o levantamento do bloqueio. Além disso, exorta-os a tomar medidas práticas para evitar a aplicação, nos seus territórios, de leis e regulamentações dos EUA, violatórias de suas próprias soberanias e os princípios da liberdade de comércio.


9. O VII Fórum também insta o Presidente dos Estados Unidos a usar os seus poderes amplos para reduzir ou eliminar as proibições impostas pelo quadro de leis e regras que fazem o bloqueio ilegal contra Cuba e a excluir Cuba da lista de estados chamados patrocinadores do terrorismo internacional, uma vez que este não é apenas um absurdo arbitrário e político, mas envolve um pretexto suplementar para o bloqueio.


10. As organizações da sociedade civil cubana e as organizações regionais e internacionais com base em Cuba participantes do VII Fórum contra o bloqueio reconhecemos e agradecemos a ampla e efetiva solidariedade para o nosso país de milhares de organizações da sociedade civil no mundo, incluindo as do povo norte-americano, e apreciamos o seu apoio solidpario na luta para acabar com a política injusta e imoral aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra o nosso povo.


As convocamos a tornar público seu apoio ao projeto de resolução apresentado pelo governo cubano, que a 26 de outubro Aserá analisado pelas Assembléia Geral das Nações Unidas, pela 19ª vez, intitulado "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba ", e intensificar as suas ações no plano nacional e internacional, enviando cartas ao presidente dos Estados Unidos demandando que estas medidas coercitivas unilaterais sejam eliminadas.


Assinada em Havana, em 20 de outubro de 2010

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segunda-feira, agosto 30, 2010

World Notes: UN, Pakistan, Iran, Honduras, South Africa, Cuba

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ForRealJobs
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United Nations: Labor group reports bad news on young workers
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The International Labor Organization issued a report August 12 indicating that at the end of 2009 81 million people between 15 and 24 years of age were unemployed, up from 11.9 percent in 2007 to 13 percent last year. The report highlights the social risk of unemployed youth, a "lost generation" who, discouraged during a time of economic crisis, have abandoned the labor market. In these circumstances, young people in underdeveloped countries are seen as particularly vulnerable to underemployment and poverty. In 2008, young workers constituted 24 percent of the world's working poor and 18.1 percent of the world total of unemployed people. The report, accessible at www.ilo.org, shows young females experiencing more difficulties in finding work than young men.  
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Pakistan: U.S. base is protected at people's expense
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The Asian Human Rights Commission issued a statement August 20 condemning U.S. and Pakistani officials deemed as responsible for destroying a water bypass seven days earlier in Sindh Province. Pakistan's Army put Sports Minister Ejaz Jakhrani, elected from the area, in charge of the operation aimed at protecting the US - operated Shahbaz airbase from flooding. Water thus diverted inundated Jacobabad district, destroying hundreds of homes, drowning the town of Dera Allahyar, and forcing the dislocation of 800,000 people. It is alleged also that the base has been closed to relief agencies. With other airfields beneath water, that prohibition has hindered medical rescue missions and food supply flights from reaching areas of need. The statement is accessible at: www.ahrchk.net/
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Iran: Nuclear power plant is fueled
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On August 21, after decades of delay, the Russian - built Bushehr nuclear power plant began taking on fuel. International Atomic Energy Agency inspectors were on hand, although observers agreed the $1 billion plant poses no proliferation risk, especially as return of spent plutonium-containing fuel to Russia was written into the agreement. In June, Russia backed UN sanctions against uranium enrichment by Iran. Yet Iranian spokespersons claim enrichment would be aimed at producing fuel for electricity generation thereby removing dependency on Russian fuel. The Moscow Times reported the CEO of the Rosatom Corporation, builder of the power plant, as stressing international participation in the project. Supplies were "made from more than 10 countries," said Sergei Kirivenko.
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Honduras: Land dispute pits rich versus poor
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In July, soldiers harassed residents of Zacata Grande Island on behalf of Miguel Facusse. Thugs returned to the island in mid August, reinforcing demands that inhabitants leave. According to Rebelion.org, the real estate magnate, agribusiness mogul, and food manufacturer was targeting the ADEPZA cooperative, champion of land rights for families arriving on the sparsely populated island decades ago. Promising to build a school and deliver land to poor people, Facusse, whose ownership claims may be tenuous, promotes the island's exclusive Coyolito Club. Protests erupted in April following the killing in Colon of a peasant protesting Facusse's alleged illegal ownership of an African palm farm. Earlier he had suggested that confrontations reflect badly on "the image that Honduras projects to the world of the investors."
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South Africa: Massive strike portends future divisions 
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According to www.iol.co.za, it was "South Africa's worst industrial action." One million public sector unions affiliated with the COSATU labor federation launched an indefinite strike on August 19 when governmental offers of a seven percent wage increase and a $90 monthly housing allowance were rejected. Unions are demanding an 8.6 percent wage hike and a $130 housing allowance. Violence spread, security forces were mobilized, hospitals were barricaded, and criminal courts moved into high gear. Labor support for the Jacob Zuma presidency has plummeted. Strikers condemn government spending on World Cup facilities and on infrastructure projects, reports Al Jazeera. With government debt rising, inflation is at 4.2 percent and one million jobs have been lost since 2008, when joblessness was already 25 percent. A labor court on August 21 banned essential services workers from striking.
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Cuba: American Ballet Theater will visit 
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"We believe in the power of the arts to connect people and transform lives," said American Ballet Theater executive director Rachel Moore. She recently announced plans for the company to perform at Havana's International Ballet Festival in early November at the Karl Marx Theater. Later principal dancers will be offering additional performances. This, the U.S. troupe's first visit to the island in fifty years, comes two months after Alicia Alonso, Cuba's famous ballerina and director of its national ballet company, was honored in New York. AFP news speculates that the U.S. government will soon expand other educational and cultural contacts between the two nations subjected to a prolonged U.S. economic blockade.  
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Photo: Youth Fight For Jobs demonstration in the United Kingdom. (CC)
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segunda-feira, agosto 09, 2010

EUA contra Cuba: novas doses de provocação

América Latina

Vermelho - 6 de Agosto de 2010 - 15h03

O propósito do governo dos Estados Unidos de fustigar a Revolução cubana adquire hoje novas quotas de obstinação, sem ter em conta o caráter pacífico de um povo livre há mais em meio século.

Por Diony Sanabia Abadia, em Prensa Latina

Outra vez, Washington incluiu a maior ilha das Antilhas na lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional, uma decisão tornada pública ontem e energicamente recusada por autoridades de Havana.

No Brasil, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que se trata de um ato injusto, medonho e hipócrita, pois não há nenhum país que tenha sido vítima como Cuba do terrorismo, originado historicamente no território norte-americano.

Sobre o alegado motivo de que a nação caribenha acolhe militantes de grupos guerrilheiros ou separatistas, o chefe da diplomacia cubana enfatizou que Estados Unidos mente deliberadamente.

Com teto de vidro e sem nenhuma proteção, a administração norte-americana tenta lançar pedras em um povo que já perdeu, por ações criminosas,  três mil de seus filhos e teve outros dois mil mutilados.

Entre os fatos mais tristes da história recente está a explosão de uma aeronave da Cubana de Aviação, em 6 de outubro de 1976, que custou a vida a 73 pessoas, várias delas mulheres ou gente muito jovem.

Dois dos autores confessos desse crime, Orlando Bosch e Luis Posada Carriles, recebem neste momento total amparo dos Estados Unidos e passeiam impunemente por suas ruas sem arrepender-se, nem da mínima forma, do vil acontecimento.

Essa é a mesma nação, que se autoproclama justa, democrática e fiel guardiã dos direitos humanos, mas que mantém encarcerados cinco antiterroristas cubanos desde 12 de setembro de 1998.

Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Fernando González, Ramón Labañino e René González sofrem o cárcere, com uma resistência inquebrantável como eles mesmos têm manifestado, por monitorar as ações criminosas de grupos anticubanos, assentados nos Estados Unidos.

Numerosas provas e o depoimento de altos chefes e oficiais norte-americanos indicam que os Cinco, como são conhecidos a nível internacional, nunca atentaram contra a segurança desse poderoso país.

Os Estados Unidos também prosseguem com guerras no Afeganistão e Iraque, onde matam civis inocentes, impõem bases militares pelo mundo, destróem o meio ambiente sem lhe importar a sobrevivência humana e podem iniciar um conflito nuclear de nefastas consequências.

Então, perguntam-se muitos, como Washington pode incluir a pacífica e solidária Cuba em uma lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional e auto excluir-se, sem o menor recato?

Como considera o intelectual e cineasta norte-americano Saul Landau, o principal pecado da revolução cubana tem sido desobedecer às ordens dos Estados Unidos, e, por isso, tem tido castigo.

Apesar dos ataques sofridos e das perdas de muitas vidas humanas, esta ilha caribenha mantém-se livre e soberana, e com o direito a determinar seus próprios assuntos sem a ingerência de outras nações.

O também investigador sobre fatos de sangue contra a maior das Antilhas, aponta que a administração estadunidense teve que aceitar a existência de um regime em Cuba desobediente a seus desígnios.

A opção violenta, o isolamento diplomático, a guerra psicológica, a invasão direta por Praia Girón, o bloqueio econômico e mais de 600 planos de atentados para eliminar o líder Fidel Castro não podem destruir a obra revolucionária.

Ao encerrar o quinto período de sessões da sétima legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular, no passado 1º de agosto, o presidente cubano, Raúl Castro, advertiu que entre seu país e os Estados Unidos, em essência, nada mudou.

"Ainda que exista menos retórica e celebrem-se ocasionais conversas bilaterais sobre temas específicos e limitados, na realidade, o bloqueio continua sendo  aplicado e nós continuaremos atuando com a serenidade e paciência que aprendemos em mais de meio século", destacou.

Fonte: Prensa Latina
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quinta-feira, julho 29, 2010

EUA e seus direitos humanos: Matar Fidel Castro

Essa matéria foi publicada na Edição 443 do Jornal Inverta, em 09/02/2010 

Agora que os Estados Unidos e seus aliados em sua campanha midiática contra Cuba se proclamam defensores da vida humana, os cubanos recordam o que desmente isso, entre outras muitas coisas, as 640 tentativas de assassinar Fidel Castro. 
Agora que os Estados Unidos e seus aliados em sua campanha midiática contra Cuba se proclamam defensores da vida humana, os cubanos recordam o que desmente isso, entre outras muitas coisas, as 640 tentativas de assassinar Fidel Castro.
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Não é segredo para ninguém que esse insólito número de tentativas de atentados contra a vida do dirigente de um país fizeram parte da estratégia oficial traçada pelas mais altas autoridades estadunidense e cuja instrumentação foi ordenada aos organismos de inteligência e espionagem.
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Recentemente, recordou-se o 50° aniversário da Ordem Executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, em março de 1960, outorgando luz verde a todas as operações encobertas destinadas a derrubar o governo cubano, entre as quais sempre priorizaram os ataques terroristas e o projeto de eliminação física de Fidel Castro.
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Documentos abertos ou semiabertos pelos Arquivos inclusive da Agência Central de Inteligência (CIA), confissões dos detentos nas tentativas de consumar os fatos ou daqueles que se aventuraram na invasão da Playa Girón, audiências parlamentares reveladoras e até meia dúzia de filmes revelando tais planos são as melhores provas existentes.
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A insólita variedade de formas escolhidas para eliminar o dirigente da Revolução cubana poderiam parecer elementos novelescos se não tivessem constituído ações concretas aprovadas pelas mais altas autoridades dos Estados Unidos.
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Desde tentar envenenar Fidel Castro durante o consumo de um alimento ou de um charuto habano, até comprar a traição de quem lhe dispararia durante um ato na Universidade de Havana, passando por outras muitas modalidades de assassinato, constituíram tentativas frustradas pela eficiência da Segurança do Estado cubano.
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Os complôs para conseguir esse objetivo no exterior foram de alta peliculosidade e seus fracassados autores sempre foram protegidos pelas instâncias estadunidenses que lhes encarregaram tais projetos de magnicídio.
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Um dos últimos foi o preparado no Panamá, com motivo da celebração de uma Cúpula Panamericana de Chefes de Estado e Governo, frustrado pela denúncia de Cuba e que se tivesse materializado, teria custado um incontável número de vidas ao explodir o local onde falaria Fidel na Universidade como paraninfo para uma multidão de estudantes.
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Ali apareceu como autor, uma vez mais, o notório terrorista Luis Posada Carriles, preso, condenado por um juiz e perdoado depois pelo governo panamenho e acolhido com os braços abertos pelos grupos terroristas de Miami para que continuasse suas tarefas.
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Estas centenas de projetos de assassinato que não tiveram sucesso não apareceram nunca como uma violação do direito à vida para aqueles que então os ordenaram, organizaram e executaram e nunca perderam a esperança de poder consumá-los.
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Para os cubanos é fácil identificá-los agora como os mesmos que dirigem a campanha midiática contra Cuba e se proclamam defensores dos direitos humanos, acompanhados por aqueles que nunca levantaram um dedo sequer para condenar este tipo de terrorismo de Estado contra a nação antilhana.

Javier Rodríguez
Prensa Latina
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quarta-feira, julho 21, 2010

Alarcón: "Presos cubanos não são dissidentes, são criminosos"

América Latina

Vermelho - 20 de Julho de 2010 - 11h12


Cuba garante que liberará todos os 52 presos políticos que prometeu, mas reitera que "não os dissidentes são criminosos". Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o presidente da assembleia Nacional de Cuba, Ricardo Alarcón, ataca os EUA e torce para que o Brasil tenha "sua primeira mulher presidente", em referência à candidata Dilma Rousseff.

Alarcón é presidente da Assembleia Nacional de Cuba desde 1993. Aos 73 anos, é considerado uma das mais importantes figuras da diplomacia cubana, tendo ocupado diversos postos diplomáticos desde a revolução de 1959, incluindo o de chanceler, em 1992. Durante 12 anos, foi representante do país na ONU, em Nova York, e tornou-se o principal acessor do governo nas relações com os Estados Unidos. Veja abaixo a entrevista



Leia também:
O Estado de S.Paulo: Cuba cumprirá a promessa de liberar todos os 52 presos?
Ricardo Alarcón: Todos serão libertados, sem exceção, nas próximas semanas.
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O Estado de S.Paulo: Por que Cuba libertou esses dissidentes?
Ricardo Alarcón: Não são dissidentes. São pessoas culpadas por crimes e por trabalharem para potências estrangeiras que querem destruir nosso país. Isto é crime em qualquer país do mundo, com pena de prisão e até de morte.
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O Estado de S.Paulo: Para onde irão os presos que ainda estão em Cuba?
Ricardo Alarcón: Veremos. Mas serão libertados.

O Estado de S.Paulo: Existe a possibilidade de alguns ficarem em Cuba?
Ricardo Alarcón:
Acho difícil que todos fiquem. Estamos procurando um lugar no exterior para resolver a situação. Eles precisam de visto e é nisso que trabalhamos agora.
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O Estado de S.Paulo: Há alguma negociação similar com o Brasil para recebê-los?
Ricardo Alarcón: Pelo que sei, não existe nada.
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O Estado de S.Paulo: A liberação foi acompanhada de perto pela Casa Branca. Como o sr. avalia a política do presidente dos EUA, Barack Obama, em relação a Cuba?
Ricardo Alarcón:
Obama é apenas mais do mesmo. Tem uma linguagem mais comedida, um estilo mais calmo, mas sua política externa, no fundo, é a mesma que existia antes. No entanto, a América Latina já tomou o caminho irreversível da luta por sua independência efetiva. Há muitos desafios ainda, mas a região está no caminho certo. Estamos vivendo uma época de mudanças que não pode mais ser sabotada.
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O Estado de S.Paulo: O Brasil terá eleições este ano. Como o sr. avalia a possibilidade de mudança de governo em Brasília?
Ricardo Alarcón: Seria muito bom que o Brasil tivesse sua primeira mulher presidente. Isto garantiria a continuidade da obra começada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocou o Brasil em um lugar de destaque no cenário internacional.

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Fonte: O Estado de São Paulo
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América Latina

Vermelho - 18 de Março de 2010 - 16h33

Como os ' dissidentes' de Cuba seriam tratados em outros países?

Em Cuba, existem cerca der 50 pessoas a quem os grandes meios de comunicação classificam como "presos políticos", "presos de consciência" ou "dissidentes". Os governos dos países mais poderosos e ricos do mundo se apóiam neste argumento para pressionar o governo cubano e forçar mudanças na ilha de acordo com seus interesses políticos e econômicos. A conhecida e prestigiosa organização Anistia Internacional também qualifica com estes termos estas pessoas. Porém, o que há de correto em tudo isso?

É preciso recordar que nenhum dos chamados "dissidentes" foram penalizados por delitos de opinião, mas por sua colaboração direta com o governo dos Estados Unidos por diferentes meios, basicamente a recepção de fundos econômicos.

Esta superpotência, cuja economia representa hoje cerca de um terço de toda a economia mundial, mantém um bloqueio econômico que provoca graves privações à população da ilha e que já foi condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 ocasiões. Além disso, protege em seu território pessoas responsáveis por centenas de vítimas de atos terroristas na ilha e mantém ocupada uma parte do território do país, a Baía de Guantânamo, contra a vontade expressa do povo e do governo cubanos.

Quer dizer, o governo dos Estados Unidos mantém uma guerra aberta e declarada contra Cuba, com o objetivo de derrubar o sistema político e social vigente na ilha. Para isso, destinou, só nos anos 2007 e 2008, US $ 45,7 milhões para os chamados "dissidentes", e outros US $ 100 para organizações radicadas nos Estados Unidos que atuam, em muitos casos, como financiadores intermediários dos mesmos.

Os delitos dos chamados " dissidentes", portanto, não têm nada a ver com a liberdade de expressão, mas com colaboração com uma superpotência estrangeira inimiga.

Mas o que aconteceria em outros países com pessoas com atuações semelhantes? (1)

O Código Penal dos Estados Unidos prevê uma pena de 20 anos para quem preconize a derrubada do governo ou da ordem estabelecida. Estipula 10 anos de prisão para quem emita "falsas declarações", com o objetivo de atentar contra os interesses dos Estados Unidos em suas relações com outra nação. E pena de três anos para quem "mantenha (...) correpondência ou relação com um governo estrangeiro (...). com a intenção de influir em sua conduta (...) a respeito de um conflito ou uma controvérsia com os Estados Unidos".

O Código Penal espanhol castiga com pena de 4 a 8 anos a quem "mantiver relações de inteligência ou relação de qualquer gênero com governos estrangeiros (...), a fim de prejudicar a autoridade do Estado ou comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha". Prevê pena de 10 a 15 anos aos responsáveis por crime de "rebelião", aplicado a quem se "levante violenta e publicamente" com objetivos como: derrubar ou modificar a Constituição, destruir ou suprimir faculdades do rei da Espanha.

A França castiga com pena de até 30 anos e multa de € 450 mil "o feito de manter relações de inteligência com uma potência estrangeira, (...) com vistas a sucitar hostilidades ou atos de agressão contra a França".

A Itália sanciona com pena entre 3 e 10 anos o " cidadão que, inclusive indiretamente, receba (...) do estrangeiro (...) dinheiro ou qualquer outro artigo (...) com o objetivo de cometer atos contrários aos interesses nacionais", com um incremento de pena se "o dinheiro (...) se entrega ou se promete mediante propaganda na imprensa".

Em qualquer um dos citados países, e em outros não mencionados, os denominados "dissidentes" cubanos receberiam, então, penas muito superiores que aquelas recebidas por seus delitos em Cuba. Contra todos eles (os dissidentes), ficou provado o recebimento, direto ou indireto, de fundos do governo dos Estados Unidos e colaboração com a política de guerra contra a ilha.

O pesquisador francês Salim Lamrani define a Anistia Internacional como uma organização "reconhecida por sua serenidade, profissionalismo e imparcialidade", porém critica seu tratamento em relação a Cuba. "A Anistia Internacional faria bem em reconsiderar seu juízo a respeito daqueles que considera presos de consciência em Cuba, pois ter duas medidas é inaceitável", afirma o professor.

(1) Salim Lamrani, “Las contradicciones de Amnistía Internacional”, no Rebelión de 7 de maio de 2008. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=67001

Fonte: Kaos en la Red, tirado de vídeo produzido por Cubainformación.

Veja abaixo o vídeo (em espanhol) de Cubainformación:



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  • Pouco trabalho?

    18/03/2010 23h09
    A anistia internacional,nao deve ter muito com o que se ocupar no resto do mundo,por exemplo:Iraque,Palestina,Afeganistao,Paquistao,Honduras,etc. É so mais um orgao,assim como a ONU,de apoio aos interesses norte americanos!
    Marci
    Teresina - PI

  • Cadê as legendas do vídeo?

    18/03/2010 17h21
    Não falo espanhol, apenas português. O texto não é a tradução do vídeo que traz a matéria. Entendo que como o Vermelho só publica textos em português também deveria de só publicar vídeos em nossa língua. O vídeo original em espanhol pode estar acessível a quem quiser ver, mas não deve ser a única versão disponível! É o que eu penso.
    juliana
    São Paulo - SP
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sábado, julho 10, 2010

Porque foram condenados os presos que Cuba vai libertar


Editorial.

Vermelhoo - 9 de Julho de 2010 - 14h38



A igreja católica de Cuba anunciou, dia 7, um acordo com o governo de Raúl Castro e o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, com a assistência do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, para libertar 52 presos remanescentes do desmantelamento da conspiração de 2002/2003 pelo fim do socialismo na ilha. Além dos questões humanitárias, o tema envolve aspectos políticos referentes à resistência antiimperialista na ilha que não podem ser postas de lado.

O acordo beneficia 52 presos; cinco presos terão libertação imediata (Antonio Villarreal Acosta, Lester González Pentón, Luis Milán Fernández, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco Ávila), e os demais 47 sairão num prazo entre três e quatro meses e poderão viajar para a Espanha, "se assim o desejarem", como declarou o chanceler espanhol. Em maio, quando as negociações entre o governo de Havana e a Igreja começaram, já havia sido libertado o preso Ariel Sigler.

Os presos fazem parte de um grupo detido, julgado e condenado em 2003 por fazerem parte de uma ampla conspiração antissocialista articulada em torno do chamado Projeto Varela, que, com apoio ativo do governo dos EUA, reuniu 48 organizações antirrevolucionárias (cinco delas com sede nos EUA) para investir contra o governo socialista e iniciar o que chamavam de "transição" para o capitalismo.

O plano previa a formação de uma grande aliança opositora com o objetivo de restabelecer a Constituição de 1940 e, segundo Angel Polanco (presidente do Comitê Pró-Mudança), obter adesões a um abaixo-assinado pela renúncia do governo socialista, pela mudança no sistema político e pela convocação de um Congresso da República, levando ao poder um governo provisório para promover o desmonte do estado socialista.

Apresentada pela imprensa conservadora como um movimento pacifista de oposição ao regime instaurado em 1959, o Projeto Varela fez parte da tentativa norte-americana de desestabilizar o regime e surgiu num ambiente onde as ameaças contra a soberania e a independência de Cuba se multiplicavam.

Declarações de autoridades norte-americanas deixavam claro que ele fazia parte dos preparativos da invasão da ilha. Em 2002 o governador da Flórida, Jeb Bush (irmão de George Bush), pedira ao irmão presidente para providenciar aquela invasão; o embaixador dos EUA na República Dominicana, Hans Hertell disse que o ataque ao Iraque era um "sinal muito positivo e exemplo muito bom para Cuba", sendo o começo de "cruzada libertadora que abarcará todos os países do mundo, Cuba incluída"; o secretário da Defesa Donald Rumsfeld disse, por sua vez, que, se fossem encontrados sinais de armas de destruição em massa em Cuba, "teríamos de agir".

Em abril de 2003 o governo Bush colocou Cuba no "eixo do mal", países que estavam na mira dos EUA por resistirem a suas ameaças de agressão. Um dos pretextos para isso era a acusação falsa feita por John Bolton, subsecretário de Estado, de que Cuba mantinha um programa de armas biológicas. Em outubro de 2003, o próprio Bush disse que "Cuba deve mudar" e que, evidentemente, "o regime de Castro não mudará por decisão própria". E em dezembro circulavam notícias de que vários órgãos do governo dos EUA trabalhavam em planos para a intervenção em Cuba.

No interior da ilha, sob a coordenação de James Cason, chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Cuba, os preparativos para a ação contra o governo socialista foram acelerados. A distribuição de dólares foi farta, envolvendo desde o apoio à implantação de emissoras de rádio até o pagamento de cerca de 100 dólares mensais para aqueles que compareciam àquele departamento que é uma espécie de embaixada não formal dos EUA.

Foi uma enxurrada de pelo menos 45 milhões de dólares para financiar a conspiração. Em 2000 a Agência Internacional para o Desenvolvimento dos EUA (Usaid) deu 670 mil dólares para a publicação de panfletos anticomunistas. Outro 1,6 milhão de dólares foi destinado para ONGs contrarrevolucionárias; mais 2,4 milhões foram para o planejamento da "transição" e avaliação do programa.

O Centro para uma Cuba Livre recebeu 2,3 milhões em 2002 para aliciar grupos de oposição; o Grupo de Trabalho da Dissidência Interna ficou com 250 mil; Freedom House e seu Programa para a Transição de Cuba teve 1,3 milhão; o Grupo de Apoio à Dissidência, 1,2 milhão; a agência Cubanet, 1,1 milhão entre 2001 e 2002; o Centro Americano para o Trabalho Internacional de Solidariedade, 168 mil; a Ação Democrática Cubana, 400 mil em 2002.

Enquanto isso, o secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Curtis Struble, disse que a Usaid investiria mais 7 milhões na conspiração anticastrista, e o general Colin Powell, secretário da Estado de Bush, anunciou o investimento de 26,9 milhões na Rádio e na Televisão Martí, mantidas pela CIA para transmitir programação contrarrevolucionária e articular a ação dos conspiradores.

Foi a participação ativa nesta conspiração estrangeira contra o governo de seu país que levou à prisão daqueles que, agora, são beneficiados pelo acordo entre o governo de Raúl Castro e o cardeal Jaime Mendonça. Eles foram condenados sob a acusação de crimes contra a independência e a integridade territorial de Cuba. Foram condenados por trair a pátria socialista a serviço da principal potência imperialista de nosso tempo, os EUA.

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domingo, março 21, 2010

Breno Altman: Cuba, Israel e a dupla moral da mídia

Mídia

Vermelho - 20 de Março de 2010 - 12h53

 Tem sido educativo acompanhar, nos últimos dias, a cobertura internacional dos meios de comunicação, além da atitude de determinadas lideranças e intelectuais. Quem quiser conhecer o caráter e os interesses a que servem alguns atores da vida política e cultural, vale a pena prestar atenção ao noticiário recente sobre Cuba e Israel.

Por Breno Altman, em Opera Mundi

Na semana passada, em função de declarações do presidente Lula defendendo a autodeterminação da Justiça cubana, orquestrou-se vasta campanha de denúncias contra suposto desrespeito aos direitos humanos na ilha caribenha. Mas não há uma só matéria ou discurso relevante, nos veículos mais destacados, sobre como Israel, novo destino do presidente brasileiro, trata seus presos, suas minorias nacionais e seus vizinhos.
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Vamos aos fatos. No caso cubano, Orlando Zapata, um pretenso “dissidente” em greve de fome por melhores condições carcerárias, preso e condenado por delitos comuns, foi atendido em um hospital público por ordem do governo, mas não resistiu e veio a falecer. Não há acusação de tortura ou execução extralegal. No máximo, insinuações oposicionistas de que o atendimento teria sido tardio – ainda que se possa imaginar o escândalo que seria fabricado caso o prisioneiro tivesse sido alimentado à força.
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Mesmo não havendo qualquer evidência de que a morte do dissidente, lamentada pelo próprio presidente Raúl Castro, tenha sido provocada por ação do Estado, os principais meios e agências noticiosas lançaram-se contra Cuba com a faca na boca. Logo a seguir o Parlamento Europeu e o governo norte-americano ameaçaram o país com novas sanções econômicas.
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Indústria do martírio
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Outro oposicionista, Guilherme Fariñas, com biografia na qual se combinam muitos atos criminosos e alguma militância anticomunista, aproveitou o momento de comoção para também declarar-se em jejum. Apareceu esquálido em fotos que rodaram o mundo, protestando contra a situação nos presídios cubanos e reivindicando a libertação de eventuais presos políticos. Rapidamente se transformou em figura de proa da indústria do martírio mobilizada pelos inimigos da revolução cubana a cada tanto.
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O governo ofereceu-lhe licença para emigrar a Espanha e lá se recuperar, mas Fariñas, que não está preso e faz sua greve de fome em casa, recusou a oferta. Seus apoiadores, cientes de que a constituição cubana determina plena liberdade individual para se fazer ou não determinado tratamento médico, o incentivam para avançar em sacrifício, pois não será atendido pela força até que seu colapso torne imperativa a internação hospitalar. Aliás, para os propósitos oposicionistas, de que grande coisa lhes valeria Fariñas vivo?
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O presidente Lula tornou público, a seu modo, desacordo com a chantagem movida contra o governo cubano. Talvez fosse outra sua atitude, mesmo que discreta, se houvesse evidência de que a situação de Zapata ou Fariñas tivesse sido provocada por ato desumano ou arbitrário de autoridades governamentais. Para ir ao mérito do problema, comparou a atitude dos dissidentes com rebelião hipotética de bandidos comuns brasileiros. Afinal, ninguém pode ser considerado inocente ou injustiçado porque assim se declara ou resolva se afirmar vítima através de gestos dramáticos.
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O silêncio da mídia
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Sem provas bastante concretas que um governo constitucional feriu leis internacionais, é razoável que o presidente de outro país oriente seus movimentos pela autodeterminação das nações na gestão de seus assuntos internos. O presidente brasileiro agiu com essa mesma cautela em relação a Israel, país ao qual chegou no último dia 14, apesar da abundância de provas que comprometem os sionistas com violação de direitos humanos.
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Mas as palavras de Lula em relação a Cuba e seu silêncio sobre o governo israelense foram tratados de forma bastante diversa. No primeiro caso, os apóstolos da democracia ocidental não perdoaram recusa do mandatário brasileiro em se juntar à ofensiva contra Havana e em legitimar o uso dos direitos humanos como arma contra um país soberano. No segundo, aceitaram obsequiosamente o silêncio presidencial.
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A bem da verdade, não foram apenas articulistas e políticos de direita que tiveram esse comportamento dúplice. Do mesmo modo agiram alguns parlamentares e blogueiros tidos como progressistas, porém temerosos de enfrentar o poderoso monopólio da mídia e ávidos por pagar o pedágio da demagogia no caminho para o sucesso, ainda que ao custo de abandonar qualquer pensamento crítico sobre os fatos em questão.
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Um observador isento facilmente se daria conta de que, ao contrário dos eventos em Cuba, nos quais o desfecho fatal foi produto de decisões individuais das próprias vítimas, os pertinentes a Israel correspondem a uma política deliberada por suas instituições dirigentes.
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Sionismo e direitos humanos
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A nação sionista é um dos países com maior número de presos políticos no mundo, cerca de 11 mil detentos, incluindo crianças, a maioria sem julgamento. Mais de 800 mil palestinos foram aprisionados desde 1948. Aproximadamente 25% dos palestinos que permaneceram em territórios ocupados pelo exército israelense foram aprisionados em algum momento. As detenções atingiram também autoridades palestinas: 39 deputados e 9 ministros foram sequestrados desde junho de 2006.
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Naquele país a tortura foi legitimada por uma decisão da Corte Suprema, que autorizou a utilização de “táticas dolorosas para interrogatório de presos sob custódia do governo”. Nada parecido é sequer insinuado contra Cuba, mesmo por organizações que não guardam a mínima simpatia por seu regime político.
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Mas o desrespeito aos direitos humanos não se limita ao tema carcerário, que é apenas parte da política de agressão contra o povo palestino. A resolução 181 das Nações Unidas, que criou o Estado de Israel em 1947, previa que a nova nação deteria 56% dos territórios da colonização inglesa na margem ocidental do rio Jordão, enquanto os demais 44% ficariam para a construção de um Estado do povo palestino, que antes da decisão ocupava 98% da área partilhada. O regime sionista, violador contumaz das leis e acordos internacionais, hoje controla mais de 78% do antigo mandato britânico, excluída a porção ocupada pela Jordânia.
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Mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seu país desde então. Israel demoliu número superior a 20 mil casas de cidadãos não judeus apenas entre 1967 e 2009. Construiu, a partir de 2004, um muro com 700 quilômetros de extensão, que isolou 160 mil famílias palestinas, colocando as mãos em 85% dos recursos hídricos das áreas que compõem a atual Autoridade Palestina.
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Pelo menos seiscentos postos de verificação foram impostos pelo exército israelense dentro das cidades palestinas. Leis aprovadas pelo parlamento sionista impedem a reunificação de famílias que habitem diferentes municípios, além de estimular a criação de colônias judaicas além das fronteiras internacionalmente reconhecidas.
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Dupla moral
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São, essas, algumas das características que conformam o sistema sionista de apartheid, no qual os direitos de soberania do povo palestino estão circunscritos a verdadeiros bantustões, como na velha e racista África do Sul. O corolário desse cenário é uma escalada repressiva cada vez mais brutal, patrocinada como política de Estado.
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Mas os principais meios de comunicação, sobre esses fatos, se calam. Também mudos ficam os líderes políticos conservadores. Nada se ouve tampouco de alguns personagens presumidamente progressistas, sempre tão céleres quando se trata de apontar o dedo acusador contra a revolução cubana.
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Talvez porque direitos humanos, a essa gente de dupla moral, só provoquem indignação quando seu suposto desrespeito se volta contra vozes da civilização judaico-cristã, da democracia liberal, do livre mercado, do anticomunismo. Não foi sem razão que o presidente Lula reagiu vigorosamente contra o cinismo dos ataques ao governo de Havana.

Fonte: Opera Mundi
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  • A terra é uma bola

    21/03/2010 10h42 Funciona assim: se o lula apoiar a política israelense, a midia se encarrega de endeusar a política palestina e, caso contrário, a midia se encarrega de endeusar a política israelense. O resto fica por conta dos eternos "especialistas" de plantão, escolhidos a dedo, claro. Para a mídia, quem é Lula para tentar dialogar com o mundo? Gostaria muito de ver o nosso presidente pisar os solos de Pyongyang, não em apoio àquele sistema de governo, mas para mostrar ao mundo que, virar as costas para o diálogo, por si só, já é uma declaração de guerra. Os EUA parece aquele menino rico dono da bola, onde, se não entrar no jogo, leva a bola embora. As sanções americanas têm o tamanho de uma bola, quando não se tem competência para o diálogo, ou o diálogo de maneira alguma é interessante para o dono da bola.

    Renan
    Sorocaba - SP

  • E por que será que eles não falam certas verdades...

    21/03/2010 1h46 Como explicar que depois de mais de 60 anos após a criação do Estado, Israel ainda não tem fronteiras estabelecidas, não tem Constituição e não se submete ao Tratado de Não-proliferação nuclear?

    Ieda Raro
    Rio de Janeiro - RJ

  • A dupla moral da mídia

    20/03/2010 14h25 Este artigo está muito bem escrito. Realmente há uma dupla moral da mídia hegemônica e de muitos políticos. Os crimes praticados pelo sionismo não são poucos e são gritantes, por assim dizer. O crime de tortura institucionalizada, por exemplo, é o máximo de violação dos direito humanos. Usurpar território dos palestinos, ignorar as resoluções de ONU são outras tantas violações dos direitos humanos. Nada disso comove a mídia hegemônica e os lacaios do imperialismo. Uma meia dúzia de presos comuns em Cuba e, por vezes a prisão de algum cotra-revolucionário provoca a maior histeria dos arautos da "democracia" e dos "direitos humanos". E o cúmulo de tudo isso é que esta corja de lacaios do imperialismo ainda quer fazer o presdente Lula a se imiscuir nos assuntos interno de Cuba e fazer coro à gritaria da mídia. Ainda bem que le não caiu nesta fria!

    José Lourenço Cindra
    Guaratinguetá - SE

  • Deus é só para os judeus ?

    20/03/2010 14h16 As vezes eu penso que deliberadamente o povo judeu criou uma religião e um Deus só para si. Que fanatismo é esse que faz com que os sionistas se julguem superiores aos demais seres humanos deste planeta ? Será que o famigerado holocausto não serviu para ensinar que não é segregando, prendendo, torturando, matando que vão conseguir uma paz duradoura ? Que o Deus de todos nós ponha um pouco de razão na cabeça desse povo .....

    Antonio de Freitas
    Camaçari - BA

  • DESMASCARANDO A MÍDIA

    20/03/2010 13h36
    Eles (mídia) vão sempre se calar diante desses fatos. Parabéns pelo artigo. Na verdade uma lição de sabedoria.
    José Ricardo do Nascimento
    Rio de Janeiro - RJ
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