Henrique Custódio«PIGS» em luta.Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha «integraram» há dois anos um grupo a que os poderosos da União Europeia (UE) aplicaram o acrónimo «PIGS» («porcos», em inglês) construído com as iniciais dos quatro países.Todavia, os «PIGS» estão a alastrar a uma velocidade inesperada: já incluem publicamente a Itália (actualmente com um governo de tecnocratas para aplicar as ordens do FMI) e a Espanha (cujos «juros da dívida» já atingiram os 7%, número fatídico que costuma «obrigar» à intervenção das «troikas»).Aliás, os «PIGS» alastraram tanto, que os mercados (até ver, os «donos» da actual crise) já os substituíram por novo acrónimo galhofeiro: «STUPID» («Estúpidos»), integrando as iniciais (em inglês, pois claro) de Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália e Dubai, todos eles em risco de soçobrarem ao «efeito dominó», caso a Grécia entre em bancarrota – isto na perspectiva dos «mercados», evidentemente.Mercados que também já alargam as suas desconfianças (ainda informais) à Bélgica, à Holanda e à França – todos sob a mesma suspeita de próximo incumprimento do défice –, o que reduz drasticamente quer a «Europa do Euro», quer a «Europa da União a 27», a um afunilado clube de amigos à volta da Alemanha.Como é sabido, a actual crise da UE remonta à famosa «crise do subprime», que se tornou pública nos EUA em 2006 e «rebentou» em 2007, arrastando na voragem o próprio sistema financeiro dos EUA, Europa e Japão. A evolução é conhecida: os governos enterraram rios de dinheiro no sistema financeiro para taparem os insondáveis abismos que a especulação desenfreada escavara e, após algumas falências inevitáveis e um ou dois especuladores metidos em tribunal, o sistema prosseguiu com as mesmas regras e, até, com os mesmos responsáveis pela crise a serem reconduzidos nos mesmos cargos e à frente das mesmas instituições.Tudo isto perante o atordoamento embasbacado dos povos, mas também com o aproveitamento imediato da situação por parte do capital financeiro, que actualmente em tudo manda e, como é óbvio, nunca dorme. É nesse contexto que vemos a Alemanha a assumir o comando das operações na UE, impondo uma absurda «ditadura do défice» no contexto de uma moeda ferreamente mantida em cotação alta, tudo para garantir lucros obscenos aos financeiros alemães através dos seus «empréstimos», com juros não menos obscenos, aos... parceiros da UE com a corda do défice na garganta.Recordando que os actuais «resgates» em curso na Grécia e em Portugal são, linearmente, impossíveis de cumprir, quer pela exorbitância dos juros, quer pela retracção económica decorrente, uma pergunta se impõe.Com a UE em crise acelerada e esta monumental burla do «cumprimento do défice», em nome de quê se está a esfolar assim o povo e o País?O objectivo está à vista: o que as «troikas» de dentro e de fora pretendem é destruir, a toda a pressa, o que resta de direitos sociais conquistados com a Revolução de Abril, satisfazendo anseios antigos da direita portuguesa. E isso tem de ser travado.Com a luta, evidentemente – como vamos fazer na greve geral de amanhã.Avante 2011.11.23
"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
__ dementesim
.
.
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
.
_____
.
Quem luta pelo comunismo
Deve saber lutar e não lutar,
Dizer a verdade e não dizer a verdade,
Prestar serviços e recusar serviços,
Ter fé e não ter fé,
Expor-se ao perigo e evitá-lo,
Ser reconhecido e não ser reconhecido.
Quem luta pelo comunismo
.
.
Só tem uma verdade:
A de lutar pelo comunismo.
.
.
Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Henrique Custódio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Henrique Custódio. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, novembro 24, 2011
«PIGS» em luta
Etiquetas:
Avante,
Banca,
BCE,
Crise do Capitalismo,
FMI,
Henrique Custódio,
Imprensa,
Opinião do Leitor,
União Europeia
sábado, julho 11, 2009
O Chora e a Auto-Europa
|
|
Etiquetas:
António Chora,
Auto-Europa,
Avante,
Bloco de Esquerda,
Economia,
Emídio Rangel,
Henrique Custódio,
Imprensa,
Sindicalismo,
Trabalho
sábado, junho 27, 2009
As «escolhas» de Cavaco ou a sua maior importância

|
|
Etiquetas:
Avante,
Cavaco Silva,
Henrique Custódio,
Imprensa,
Política Internacional,
União Europeia
quarta-feira, abril 30, 2008
Os dramas do PSD
|
|
Etiquetas:
Avante,
Henrique Custódio,
Imprensa,
Neoliberalismo,
PS,
PSD
quinta-feira, março 13, 2008
O senhor Emídio Rangel no Kant_O e não só

Onde se pode encontrar o senhor Emídio Rangel?
* Coisas do Circo – Um novo combate, por Emídio Rangel
* Coisas do Circo – Os arruaceiros, por Emídio Rangel
* Coisas do Circo – O Fora da Lei, por Emídio Rangel
* Coisas do Circo – O equívoco das maiorias por Emídio Rangel
* seguidos de comentários de Victor Nogueira
·
Circus - Wikippedia the free encyclopedia
· Sobre Palhaços ver:
Sobre Emídio Rangel ver:
O Arruaceiro, por Henrique Custódio
Emídio Rangel - Wikipédia
DN Online: Emídio Rangel
Fórums de suporte: A ARROGÂNCIA DO SENHOR EMÍDIO RANGEL ...
ÚLTIMA HORA - PÚBLICO.PT
A Toupeira: RANGEL- As Mentiras E Omissões De Uma Estória
.
,
quarta-feira, outubro 31, 2007
O arruaceiro

* Henrique Custódio
.
São conhecidas as penas que por aí andam a opinar ao serviço e ao sabor das conveniências do poder. Compreende-se porquê: não se morde a mão do dono. Hoje, os grandes órgãos de comunicação social ou pertencem a meia dúzia de grupos económicos ou dependem do Governo.
.
Daí que não seja novidade o branqueamento que, mais uma vez, a alfurja desses comentadores tentou espraiar sobre as graves ocorrências desencadeadas na sequência de manifestações frente ao primeiro-ministro José Sócrates, nomeadamente o «sequestramento» e identificação de manifestantes atrás de uma fita realizado pela GNR em Montemor-o-Velho ou a inacreditável «visita» de dois agentes da PSP ao Sindicato dos Professores na Covilhã, para intimidar a luta dos sindicalistas.
Daí que não seja novidade o branqueamento que, mais uma vez, a alfurja desses comentadores tentou espraiar sobre as graves ocorrências desencadeadas na sequência de manifestações frente ao primeiro-ministro José Sócrates, nomeadamente o «sequestramento» e identificação de manifestantes atrás de uma fita realizado pela GNR em Montemor-o-Velho ou a inacreditável «visita» de dois agentes da PSP ao Sindicato dos Professores na Covilhã, para intimidar a luta dos sindicalistas.
.
Um comentador houve, contudo, cujo encarniçamento na defesa de Sócrates atingiu tal desvario nas páginas do CM, que merece alguma referência. Falamos de Emídio Rangel, autor de uma prosa com o mimoso título «Os arruaceiros».
Um comentador houve, contudo, cujo encarniçamento na defesa de Sócrates atingiu tal desvario nas páginas do CM, que merece alguma referência. Falamos de Emídio Rangel, autor de uma prosa com o mimoso título «Os arruaceiros».
.
Depois de perguntar se «é democrático» que «um cidadão, legitimado pela escolha dos portugueses em eleições livres, chamado a ser primeiro-ministro» tenha de «suportar, sempre que se desloca em serviço pelo País», diversas «ofensas e indignidades» vindas de «uma “manifestação espontânea” com trinta ou quarenta cidadãos vindos de fora», Rangel denuncia, citando uma fonte chamada «toda a gente»: «Creio que toda a gente sabe que essas “manifestações espontâneas”, ilegais, são da inteira responsabilidade do Partido Comunista, que as prepara meticulosamente».
Depois de perguntar se «é democrático» que «um cidadão, legitimado pela escolha dos portugueses em eleições livres, chamado a ser primeiro-ministro» tenha de «suportar, sempre que se desloca em serviço pelo País», diversas «ofensas e indignidades» vindas de «uma “manifestação espontânea” com trinta ou quarenta cidadãos vindos de fora», Rangel denuncia, citando uma fonte chamada «toda a gente»: «Creio que toda a gente sabe que essas “manifestações espontâneas”, ilegais, são da inteira responsabilidade do Partido Comunista, que as prepara meticulosamente».
.
Posto isto, lança a «hipótese» de o PCP ter «um centro de preparação de arruaceiros desta estirpe» e denuncia, agora sem citar «fontes», como é que se organiza a coisa: «São mobilizadas vinte ou trinta pessoas comuns» (pelos vistos os comunistas também podem ser «comuns»), com umas «faixas com as mensagens decididas no partido, os atestados médicos para os libertarem do emprego naquele dia, um “autocarrozito” para os levar», mais «umas lancheiras para o “almocito” do dia e lá vão eles, cumprir a arruaça programada».
Posto isto, lança a «hipótese» de o PCP ter «um centro de preparação de arruaceiros desta estirpe» e denuncia, agora sem citar «fontes», como é que se organiza a coisa: «São mobilizadas vinte ou trinta pessoas comuns» (pelos vistos os comunistas também podem ser «comuns»), com umas «faixas com as mensagens decididas no partido, os atestados médicos para os libertarem do emprego naquele dia, um “autocarrozito” para os levar», mais «umas lancheiras para o “almocito” do dia e lá vão eles, cumprir a arruaça programada».
.
E para que não restem dúvidas sobre o pensamento que o move, conclui que «ainda não percebi, em toda esta mistificação, a razão pela qual os Serviços de Segurança permitem que os arruaceiros façam o seu “teatro” ilegal e ofensivo a poucos metros do primeiro-ministro».
E para que não restem dúvidas sobre o pensamento que o move, conclui que «ainda não percebi, em toda esta mistificação, a razão pela qual os Serviços de Segurança permitem que os arruaceiros façam o seu “teatro” ilegal e ofensivo a poucos metros do primeiro-ministro».
.
Só lhe faltou acrescentar que os tais «arruaceiros» deveriam ser presos ou corridos a tiro -como no fascismo -, mas não faz mal, a gente percebe.
Só lhe faltou acrescentar que os tais «arruaceiros» deveriam ser presos ou corridos a tiro -como no fascismo -, mas não faz mal, a gente percebe.
.
Convém recordar ao prosador que as manifestações – longe ou perto do primeiro-ministro - não são «ilegais» nem «teatros»: são direitos democráticos conquistados com Abril e consagrados na Constituição.
Convém recordar ao prosador que as manifestações – longe ou perto do primeiro-ministro - não são «ilegais» nem «teatros»: são direitos democráticos conquistados com Abril e consagrados na Constituição.
.
Registamos, contudo, o repentino desvelo de Rangel para com as «escolhas dos portugueses em eleições livres». Para quem, não há muito tempo, fanfarronava do alto da sua proeminência à frente da SIC que «elegia Presidentes da República como quem vende sabonetes», configura um passo em frente.
Registamos, contudo, o repentino desvelo de Rangel para com as «escolhas dos portugueses em eleições livres». Para quem, não há muito tempo, fanfarronava do alto da sua proeminência à frente da SIC que «elegia Presidentes da República como quem vende sabonetes», configura um passo em frente.
.
Quanto a seu anticomunismo, pela amostra, já deixou de ser primário e tornou-se bacoco.
Quanto a seu anticomunismo, pela amostra, já deixou de ser primário e tornou-se bacoco.
.
«Central de arruaceiros»?!... «Mensagens do Partido» com «lancheiras» e «almocitos»?!... Francamente...
.
Assinalamos, finalmente, que Rangel não se deve iludir com o facto de ter começado a ser notícia e «notável» da comunicação quando arrombou à marretada as portas da TSF. Se sonha recuperar o poder doutros tempos na televisão adulando José Sócrates, deve ter em conta que a marreta não será a pena mais adequada para redigir panegíricos...
Assinalamos, finalmente, que Rangel não se deve iludir com o facto de ter começado a ser notícia e «notável» da comunicação quando arrombou à marretada as portas da TSF. Se sonha recuperar o poder doutros tempos na televisão adulando José Sócrates, deve ter em conta que a marreta não será a pena mais adequada para redigir panegíricos...
.
in Avante 2007.10.18
.
.
Etiquetas:
Avante,
Emídio Rangel,
Henrique Custódio,
Imprensa,
Manifestações,
repressão,
Trabalho
terça-feira, outubro 30, 2007
O método

* Henrique Custódio
.
No «Forum TSF» da passada terça-feira abriu-se a antena para os ouvintes se pronunciarem sobre a inacreditável «visita» de dois polícias à paisana, no dia anterior, à sede do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) na Covilhã, onde se apropriaram de documentos de informação e deram «conselhos» intimidatórios sobre as palavras de ordem a utilizar numa manifestação, durante uma deslocação do primeiro-ministro José Sócrates.
Artigo publicado na Edição Nº1672 2005.12.15
No «Forum TSF» da passada terça-feira abriu-se a antena para os ouvintes se pronunciarem sobre a inacreditável «visita» de dois polícias à paisana, no dia anterior, à sede do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) na Covilhã, onde se apropriaram de documentos de informação e deram «conselhos» intimidatórios sobre as palavras de ordem a utilizar numa manifestação, durante uma deslocação do primeiro-ministro José Sócrates.
.
No coro generalizado de protestos por parte dos ouvintes que telefonaram para a TSF – e onde as classificações a este acto policial oscilaram entre o «autoritarismo inadmissível» e o «semelhante ao fascismo» - foi proferida uma frase lapidar: «Neste caso lamentável não se deve criticar a PSP, porque a polícia é um braço armado às ordens do Governo. O grande responsável deste acto pidesco é o primeiro-ministro José Sócrates».
No coro generalizado de protestos por parte dos ouvintes que telefonaram para a TSF – e onde as classificações a este acto policial oscilaram entre o «autoritarismo inadmissível» e o «semelhante ao fascismo» - foi proferida uma frase lapidar: «Neste caso lamentável não se deve criticar a PSP, porque a polícia é um braço armado às ordens do Governo. O grande responsável deste acto pidesco é o primeiro-ministro José Sócrates».
.
É o que se chama acertar no alvo. De facto, e incontornavelmente, José Sócrates é o grande protagonista da semana, tendo o seu actual descalabro começado exactamente nas cerimónias do 5 de Outubro.
É o que se chama acertar no alvo. De facto, e incontornavelmente, José Sócrates é o grande protagonista da semana, tendo o seu actual descalabro começado exactamente nas cerimónias do 5 de Outubro.
.
Nesse dia, após as festividades, o chefe do Governo foi interpelado sobre os protestos dos professores contra a política na Educação, tendo respondido esta coisa extraordinária: «protestos dos professores, não, o que há são protestos de sindicalistas, o que é uma coisa muito diferente».
Nesse dia, após as festividades, o chefe do Governo foi interpelado sobre os protestos dos professores contra a política na Educação, tendo respondido esta coisa extraordinária: «protestos dos professores, não, o que há são protestos de sindicalistas, o que é uma coisa muito diferente».
.
Ficava dito, sem tergiversações, que para o «socialista» José Sócrates os sindicalistas não são trabalhadores, não representam os seus camaradas de profissão e, pelos vistos, nem legitimidade têm para falar por quem os elegeu e mandatou. Já que assim pensa, como se atreve José Sócrates a brandir a sua famosa maioria absoluta para justificar todos os desmandos sociais da governação? Segundo o seu raciocínio, o Executivo que chefia também não é quem o elegeu, não representa sequer quem o elegeu e, assim sendo, como pode reivindicar o direito – ainda por cima absoluto - de governar em seu nome?!...
Ficava dito, sem tergiversações, que para o «socialista» José Sócrates os sindicalistas não são trabalhadores, não representam os seus camaradas de profissão e, pelos vistos, nem legitimidade têm para falar por quem os elegeu e mandatou. Já que assim pensa, como se atreve José Sócrates a brandir a sua famosa maioria absoluta para justificar todos os desmandos sociais da governação? Segundo o seu raciocínio, o Executivo que chefia também não é quem o elegeu, não representa sequer quem o elegeu e, assim sendo, como pode reivindicar o direito – ainda por cima absoluto - de governar em seu nome?!...
.
.Dois dias depois, em Montemor-o-Velho, nova manifestação o aguardava durante mais uma inauguração, e aqui a fleuma democrática do primeiro-ministro estalou num instante: enquanto subia a parada com a declaração, em sorriso amarelo, de que «os comunistas, onde quer que eu vá, fazem manifestações utilizando os seus dirigentes sindicais» - usando, sem rebuço, a argumentação do fascismo para silenciar protestos sociais -, a GNR no local tirava faixas aos manifestantes, identificava outros e acabou a encurralá-los atrás de uma fita, fora da qual só permitiam quem fosse aplaudir o governante, que entretanto presenciava tudo isto com flagrante anuência.
.
Parecia o ensaio do episódio supracitado da Covilhã: num acto sem precedentes desde o 25 de Abril, dois agentes da PSP entraram na sede de um sindicato para amedrontar os sindicalistas e condicionar uma manifestação programada para o dia seguinte.
Parecia o ensaio do episódio supracitado da Covilhã: num acto sem precedentes desde o 25 de Abril, dois agentes da PSP entraram na sede de um sindicato para amedrontar os sindicalistas e condicionar uma manifestação programada para o dia seguinte.
.
Tão chocante escalada repressiva desencadeou a indignação generalizada por todo o País, com declarações de repúdio partidário da Esquerda à Direita e a vergonhosa tergiversação do PS, o que levou o Ministério da Administração Interna a promover «um inquérito» ao episódio da Covilhã, que classificou de «inaceitável», e o próprio José Sócrates a recuar com a afirmação ridícula de que «só soube do assunto pelos jornais», acrescentada com a ironia pacóvia de que «sentiria a falta» dos manifestantes do PCP se estes «deixassem de o acompanhar».
Tão chocante escalada repressiva desencadeou a indignação generalizada por todo o País, com declarações de repúdio partidário da Esquerda à Direita e a vergonhosa tergiversação do PS, o que levou o Ministério da Administração Interna a promover «um inquérito» ao episódio da Covilhã, que classificou de «inaceitável», e o próprio José Sócrates a recuar com a afirmação ridícula de que «só soube do assunto pelos jornais», acrescentada com a ironia pacóvia de que «sentiria a falta» dos manifestantes do PCP se estes «deixassem de o acompanhar».
.
Porém, tudo isto evidencia mais factos incontornáveis. Um, que José Sócrates é o óbvio e directo responsável de tudo isto: na verdade, as polícias cumprem sempre ordens e quem as determina é o Governo. Outro, que José Sócrates tem uma visão tão autoritária do poder, que se atascou em métodos perigosamente antidemocráticos e, já, a confundir-se com o que se usava no fascismo.
Porém, tudo isto evidencia mais factos incontornáveis. Um, que José Sócrates é o óbvio e directo responsável de tudo isto: na verdade, as polícias cumprem sempre ordens e quem as determina é o Governo. Outro, que José Sócrates tem uma visão tão autoritária do poder, que se atascou em métodos perigosamente antidemocráticos e, já, a confundir-se com o que se usava no fascismo.
.
in Avante Nº 1767 11.Outubro.2007
quarta-feira, maio 16, 2007
Nem um chavo...
* Henrique Custódio
O Tribunal de Contas surgiu esta semana com umas contas demolidoras, como mostra o Público.
Uma dessas contas – apresentadas num relatório de auditoria às parcerias público-privadas - conclui que «as concessionárias rodoviárias e ferroviárias reclamam do Estado quase 1200 milhões de euros em processos de reequilíbrio financeiro», custos que «podem ultrapassar 1600 milhões de euros se incluirmos um montante de 465,3 milhões já objecto de acordos».
Isto, sublinhe-se, para «reequilíbrio financeiro», o que significa que esta verba astronómica de 1600 milhões de euros (320 milhões de contos) é «apenas» um complemento, um extra que o Estado terá de pagar aos privados sobre o negociado.
É que se somarmos tudo – o «bolo central» que está contratualizado, mais os «reequilíbrios» atrás referidos e ainda os «encargos adicionais» relativos a «expropriações», «alargamento de vias» e «outros» (onde há-de caber sabe-se lá o quê) -, o Tribunal de Contas destapa outro buraco neste negócio com os privados: nem mais nem menos que uma diferença de encargos de quase 3.500 milhões de euros (700 milhões de contos) que podem recair sobre o Estado até 2037 pelas principais concessões actualmente em vigor, ou seja, as despesas totais deste «negócio» podem ascender a cerca de 19.500 milhões de euros, quando o relatório do Orçamento do Estado para 2005 inscrevia «apenas» 16.060 milhões (3.212 milhões de contos...).
Com tantos milhões do erário público a andar displicentemente para trás e para a frente pelas mãos dos nossos governantes, há uma coisa que já ninguém pergunta: quem ganhou o quê com esta onda de concessões e privatizações na construção e exploração de auto-estradas, que sucessivos Governos do PSD e do PS aplicadamente impuseram ao País?
Sempre disseram que tais concessões iam permitir a «construção de mais estradas» sem sobrecarregar «o investimento público» e o Governo PS de António Guterres criou inclusivamente as agora famosas «Scut» (auto-estradas sem custos para o utilizador) na base de umas contas onde o erário público não seria penalizado.
Agora que tudo está «em andamento», o que se conclui, pela avaliação do próprio Tribunal de Contas, é que o Estado paga tudo e com língua de palmo, desde a construção das auto-estradas, continuando nas «expropriações, alargamento de vias e outros» e desembocando em rendas astronómicas ao longo de décadas acrescentadas com mais pagamentos astronómicos anuais para «reequilíbrios financeiros».
Portanto está à vista quem ganha neste negócio das concessões das auto-estradas e ferrovias: todos os «privados» que celebraram contratos, sempre leoninos, com o Governo de serviço, onde não arriscam um tostão furado e exigem lucros garantidos antecipadamente e à partida, como foi escandalosamente «exemplificado» pelo então ministro João Cravinho ao «negociar» com a Fertagus a exploração da travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril (onde o Governo pagou todas as obras e infraestruturas e esta se limitou a receber a exploração com a garantia de que teria sempre lucro pago pelo Estado, independentemente do tráfego registado e receitas obtidas), prosseguindo em todas as auto-estradas e Scuts por aí espalhadas, onde os privados – sem nada arriscar - ora recebem as verbas fabulosas das portagens, ora o pagamento correspondente pelo Estado no caso das Scuts, tudo acrescentado por «reequilíbiros financeiros» onde o dinheiro público continua a jorrar em caudal para as suas privadas contas.
Na prática, o que sucessivos Governos do PS e do PSD queriam mesmo era entregar ao capital privado o sector das comunicações, tão estratégico como lucrativo. E fizeram-no, ainda por cima, de modo a que os «privados» nem um chavo arriscassem...
* Henrique Custódio
O Tribunal de Contas surgiu esta semana com umas contas demolidoras, como mostra o Público.
Uma dessas contas – apresentadas num relatório de auditoria às parcerias público-privadas - conclui que «as concessionárias rodoviárias e ferroviárias reclamam do Estado quase 1200 milhões de euros em processos de reequilíbrio financeiro», custos que «podem ultrapassar 1600 milhões de euros se incluirmos um montante de 465,3 milhões já objecto de acordos».
Isto, sublinhe-se, para «reequilíbrio financeiro», o que significa que esta verba astronómica de 1600 milhões de euros (320 milhões de contos) é «apenas» um complemento, um extra que o Estado terá de pagar aos privados sobre o negociado.
É que se somarmos tudo – o «bolo central» que está contratualizado, mais os «reequilíbrios» atrás referidos e ainda os «encargos adicionais» relativos a «expropriações», «alargamento de vias» e «outros» (onde há-de caber sabe-se lá o quê) -, o Tribunal de Contas destapa outro buraco neste negócio com os privados: nem mais nem menos que uma diferença de encargos de quase 3.500 milhões de euros (700 milhões de contos) que podem recair sobre o Estado até 2037 pelas principais concessões actualmente em vigor, ou seja, as despesas totais deste «negócio» podem ascender a cerca de 19.500 milhões de euros, quando o relatório do Orçamento do Estado para 2005 inscrevia «apenas» 16.060 milhões (3.212 milhões de contos...).
Com tantos milhões do erário público a andar displicentemente para trás e para a frente pelas mãos dos nossos governantes, há uma coisa que já ninguém pergunta: quem ganhou o quê com esta onda de concessões e privatizações na construção e exploração de auto-estradas, que sucessivos Governos do PSD e do PS aplicadamente impuseram ao País?
Sempre disseram que tais concessões iam permitir a «construção de mais estradas» sem sobrecarregar «o investimento público» e o Governo PS de António Guterres criou inclusivamente as agora famosas «Scut» (auto-estradas sem custos para o utilizador) na base de umas contas onde o erário público não seria penalizado.
Agora que tudo está «em andamento», o que se conclui, pela avaliação do próprio Tribunal de Contas, é que o Estado paga tudo e com língua de palmo, desde a construção das auto-estradas, continuando nas «expropriações, alargamento de vias e outros» e desembocando em rendas astronómicas ao longo de décadas acrescentadas com mais pagamentos astronómicos anuais para «reequilíbrios financeiros».
Portanto está à vista quem ganha neste negócio das concessões das auto-estradas e ferrovias: todos os «privados» que celebraram contratos, sempre leoninos, com o Governo de serviço, onde não arriscam um tostão furado e exigem lucros garantidos antecipadamente e à partida, como foi escandalosamente «exemplificado» pelo então ministro João Cravinho ao «negociar» com a Fertagus a exploração da travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril (onde o Governo pagou todas as obras e infraestruturas e esta se limitou a receber a exploração com a garantia de que teria sempre lucro pago pelo Estado, independentemente do tráfego registado e receitas obtidas), prosseguindo em todas as auto-estradas e Scuts por aí espalhadas, onde os privados – sem nada arriscar - ora recebem as verbas fabulosas das portagens, ora o pagamento correspondente pelo Estado no caso das Scuts, tudo acrescentado por «reequilíbiros financeiros» onde o dinheiro público continua a jorrar em caudal para as suas privadas contas.
Na prática, o que sucessivos Governos do PS e do PSD queriam mesmo era entregar ao capital privado o sector das comunicações, tão estratégico como lucrativo. E fizeram-no, ainda por cima, de modo a que os «privados» nem um chavo arriscassem...
Artigo publicado na Edição Nº1672 2005.12.15
Etiquetas:
Avante,
Economia,
Henrique Custódio,
Imprensa,
política
Subscrever:
Mensagens (Atom)

