A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, agosto 24, 2009

Falta de acesso a água mata 4,5 mil crianças por dia

Geral

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Vermelho - 17 de Agosto de 2009 - 18h09

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Segundo o Unicef, falta de acesso à água potável e saneamento também tem um forte impacto na educação das crianças, particularmente nos países pobres; Semana Mundial da Água foi aberta com um importante fórum em Estocolmo.

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Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a água potável devido ao crescente aumento da procura e baixa disponibilidade.
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A afirmação foi feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em uma nota para marcar o início, no domingo, da Semana Mundial da Água.
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Busca de soluções
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Centenas de representantes de governos, sociedade civil e especialistas estão reunidos em Estocolmo, capital da Suécia, para partilhar soluções inovadoras em questões ligadas à falta de água e debater o seu impacto sobre a pobreza, a saúde, a educação, a igualdade de genêro e meio ambiente.
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O evento de uma semana é patrocinado pelo Unicef sob o tema "Responder aos desafios globais: o acesso à água para o bem comum".
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O Unicef diz ser encorajador o fato de 87% da população mundial ter acesso a água potável.
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O órgão indica, contudo, que cerca de 4,5 mil crianças morrem todos os dias antes de completarem cinco anos devido à falta de água, saneamento e higiene.
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Fontes de Água
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O Coordenador geral da Agência Nacional de Águas do Brasil, Antônio Felix Domingues, detalhou à Rádio ONU, de Estocolmo, as iniciativas do governo brasileiro para facilitar o acesso à agua.
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"No nordeste brasileiro, muitas vezes, mesmo na beira do rio, as pessoas têm dificuldades de acesso à água por falta de condições econômicas e sociais.
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Mesmo assim, através do Pro-Água semi-árido, que foi um projeto financiado pelo Banco Mundial, nós construímos muitas adutoras, o que fez a água andar pelo nordeste brasileiro.
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Existe um programa das populações de construção de cisternas para as pessoas que vivem na área rural, onde você não tem condições de cavar um poço. Então através destas cisternas, você capta a água da chuva", explicou.
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Segundo o Unicef, a atual crise econômica, juntamente com o aumento de emergências, deixou milhões, particularmente mulheres e crianças, sem serviços básicos de acesso à água e saneamento. A agência indica ainda que as mudanças climáticas estão a aumentar esta situação.
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Fonte: Rádio das Nações Unidas

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sexta-feira, agosto 08, 2008

Agosto - Mais Brilhante que Mil Sóis

Hiroshima após o bombardeamento/holocausto nuclear. O «senhor» abaixo nunca se arrependeu e dormiu sempre bem, pois limitara-se a cumprir ordens.
Nunca foi julgado nem a cadeia de comando até Harry Truman, como criminosos de guerra e genocidas, num qualquer Tribunal de Nuremberga.


Colonel Paul Tibbets waving from Enola Gay's cockpit before taking off for the bombing of Hiroshima. (USAF Photo)




Desenho de Tibuka





Quadro de Magritte
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sexta-feira, maio 02, 2008

Capitalismo, ganância e fracasso humano





por Sérgio Barroso*
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''É um massacre dos pobres do mundo. O problema não é a produção de alimentos. É o modelo econômico, social e político do mundo. O modelo capitalista está em crise'' (Hugo Chávez).

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As primeiras revoltas de famintos e famélicos no Haiti, África Ocidental ou Bangladesh implicaram até numa (cínica) advertência registrada pelo Banco Mundial e o FMI. Seis pessoas morreram em Port au Prince (Haiti), em recentes e desesperadores levantes. Como disse Mike Whitney “as pessoas enlouquecem quando não podem alimentar seus filhos” (Tumultos alimentares e especuladores, Counterpunch, 26-27/4 2008).

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Na Indonésia, Vietnam e Índia adotaram-se controles sobre as exportações de arroz. Os preços do trigo, do milho e da soja estão a bater recordes. A própria ONU - adepta de carteirinha da “globalização financeira” - denominou a atual crise alimentar global de ''tsunami silencioso''. Via de regra, praticamente todas as commodities vêm subindo. Pari passu à profunda crise financeira, deflagrada pela oligarquia gringa ianque.

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De fato, entre 2004-2007, os preços dos alimentos subiram em média de 83%. Assustado, o economista-sênior do Financial Times, liberal Martin Wolf afirma que a causa principal para o surgimento de um novo surto inflacionário encontrar-se-ia na alta mundial e espetacular dos preços das commodities. Segundo escreveu, entre 2002 e 2008 (fevereiro), o índice amplo do Goldman Sachs foi de 288%, o do preços da energia 358%, o de metais industriais 263% e o de produtos agrícolas 220% (Valor Econômico, 5/3/2008).

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Ora, seguindo exatamente a orientação de política monetária do chefão do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, um verdadeiro vagalhão especulativo de commodities sacudiram os preços para a lua. Como assim? “O dólar fraco continuará afetando a economia européia porque dificultará as exportações européias'', declarou ontem o premiado com o Nobel de economia (2001), J. Stiglitz, a uma revista austríaca. Conforme imagina, além do euro, a ultravalorização do iene é parte de uma política proposital para ''empobrecer os vizinhos''. [O cara-pálida esqueceu o real!]

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Assim, enquanto o dólar está, por decisão do Estado norte-americano, muito mais barato, para, também, fortalecer suas exportações, a especulação grossa torna os alimentos e as matérias-primas muito mais caros. Não à toa a inflação corre solta na maior parte dos Estados do Golfo Pérsico, “informalmente” dolarizados.

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Escassez de petróleo? Uma gigantesca mentira! Os especuladores estão simplesmente jogando à estratosfera o preço do barril de petróleo. Assim agindo, nada mais fazem do que fugir da desvalorização de grande parte dos ativos financeiros, deslocando-se temporariamente do dólar e, óbvio, das ações do mercado imobiliário.

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Corretíssima a análise do destacado economista Elmar Altvater: formou-se uma ''aliança diabólica'' entre transnacionais petrolíferas, o setor automobilístico, a indústria farmacêutica e setores agrícolas propondo-se a transformar superfícies cultiváveis do Sul global numa plataforma para a produção de combustível destinado ao Norte global. “Ambas crises, a dos combustíveis fósseis e a dos alimentos, são as duas faces de uma mesma moeda” - assegura.

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Sim, digo eu: capitalismo que mata gente de fome em meio à exuberância, por sadismo congênito.

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O presidente Hugo Chávez, como qualquer pessoa, deve ter muitos defeitos. Contudo, talvez, na seara política, o maior deles seja dizer as coisas com as palavras que lhes correspondem – em luta contra o fracasso humano.

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O capitalismo, historicamente, é sistema obsoleto. Mas será necessária ampla consciência para transformá-lo.

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Artigo publicado originalmente em O Jornal (AL), 30/4/2008




*Sérgio Barroso, Médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in vermelho -
1 DE MAIO DE 2008 - 18h08
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quinta-feira, abril 17, 2008

quinta-feira, novembro 01, 2007

Al Gore – de senhor da guerra a Nobel da Paz


* Rui Namorado Rosa
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O antigo vice-presidente dos Estados Unidos da América, Albert Gore, Jr., foi galardoado com o prémio Nobel da Paz de 2007. No comunicado de imprensa, o Comité Nobel afirma: «Al Gore tem sido desde há muito tempo um dos líderes entre os políticos ambientalistas. Despertou desde cedo para os desafios climáticos que o mundo enfrenta. O seu forte comprometimento, mediante actividade política, lições, filmes e livros, reforçou a luta contra as mudanças climáticas. É provavelmente a única pessoa singular que mais fez para alargar a compreensão mundial das medidas que precisam ser tomadas.» Sobre a sua acção enquanto vice-presidente dos EUA nada.

Quando normalmente a atribuição de tal prémio suscita adesão e alegria, a presente atribuição merece apreciação demorada e crítica severa.
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Al Gore fez-se conhecer dentro e fora do seu país, desde que deixou a vice-presidência dos EUA, por via das campanhas sensacionalistas a propósito de uma causa que seria proteger a humanidade «contra» as Alterações Climáticas. Vejamos alguns casos recentes.
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O documentário «Uma verdade inconveniente» de sua autoria, combina alguma dose de climatologia, com alguns factos bem fundamentados e outros de fundamentação duvidosa, com que aterroriza a audiência, com propostas de acção canalizadas para o «comércio do carbono», o consumismo «responsável», a plantação de árvores, e outras coisas do género. Numa época em que argumentistas de Hollywood aconselham o Pentágono sobre cenários de terror e novelistas testemunham sobre climatologia perante o Congresso, não é surpresa que tais atitudes e procedimentos se reflictam e multipliquem na vida política. Uma mistura de histórias de horror, cepticismo ou fatalismo, tendo em vista anular o pensamento autónomo e fazer prevalecer uma versão sofisticada de «o negócio segue como de costume», facilita a aceitação de apelos confusos para acções mal entendidas. Ao preencher as consciências fazendo-as visualizar a deterioração extrema de condições ambientais, e hipotéticas ou reais catástrofes climatológicas, por essa via sinuosa se consegue mais facilmente obliterar a compreensão crítica da real regressão da organização económico-social e o colapso económico-financeiro em marcha.
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Al Gore quer revelar-se também como arquétipo de cidadão exemplar que procura influenciar a sociedade. Socorre-se para tal de um segmento de negócio agora em expansão, de que é activo promotor, que explora o comércio de licenças ou autorizações de emissão de carbono, para empresas e indivíduos que pretendem compensar as emissões por que são responsáveis. Para uma classe afluente de fachada ecológica, a compra de reduções de emissões para compensação de consumos extravagantes funciona por analogia a um mecanismo de «indulgências» a que só ricos têm acesso. Para grandes empresas, a preocupação em apagar a «pegada ecológica» é de bom-tom para promover a imagem de «responsabilidade social». Al Gore faz o mesmo para compensar os seus enormes consumos de bilionário e missionário itinerante, fingindo desta forma apagar a sua «pegada ecológica» ou ser ecologicamente «puro».

Caixeiro viajante de luxo

Al Gore tem feito périplos para propagar as suas crenças e a sua política nos EUA, na Europa e por todo o mundo.
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Em Outubro de 2006, o então ministro das Finanças britânico Gordon Brown designou Al Gore «conselheiro especial do seu governo para as Alterações Climáticas». Posteriormente, em Março de 2007, Al Gore foi a Edimburgo nessa capacidade, e também como presidente de um fundo de investimentos de risco, para convencer a Associação Britânica de Fundos de Pensões para apostar as pensões nacionais no comércio do carbono que ele, bem como o agora primeiro-ministro Gordon Brown e a City de Londres, tentam ansiosamente propulsionar, para ajudar a evitar o descalabro do sistema financeiro.
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Aquando do seu périplo pela Europa em Março de 2007, o jornal alemão conservador Die Welt publicou um alerta a propósito dos riscos a que tal propaganda pode conduzir. O editorialista escreveu: «a questão climática gera finalmente o tal estado de emergência que extremistas de direita e de esquerda, bem assim como amigos ecologistas de Carl Schmitt, gostariam de conseguir» [Carl Schmitt foi o jurista ideólogo e juiz supremo do regime nazi, cujos textos justificaram as «medidas de emergência» da ditadura de Hitler]. Pela mesma altura, o conservador Daily Telegraph relatava que a real mensagem de Al Gore era «o comércio de emissões é o mercado em expansão», e concluía «Al Gore é capaz de detectar uma tendência (…) e o comércio de carbono é a sua aposta mais forte».
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O comércio de emissões de carbono tem estado a ser preparado há uma década na União Europeia, desde a assinatura do Protocolo de Quioto, e entrou formalmente em vigor no Verão de 2005, sendo o mercado Londrino um dos seis centros Europeus dessa actividade financeira. Gordon Brown assumiu audaz, aquando do referido périplo de Al Gore, que pretende tornar Londres no centro do novo mercado mundial do carbono. Literalmente: «A minha ambição é construir um mercado do carbono global, fundado no Esquema de Transacção de Emissões da UE e centrado em Londres. Valendo hoje apenas US$ 9 biliões, esse comércio poderá crescer para 50 a 100 biliões. Assim, avançamos mediante uma conferência internacional acolhida em Londres, para discutirmos como articular os esquemas de comércio em diferentes países e como promover o comércio com países em desenvolvimento – a fim de transformar este sistema em crescimento numa força global para a mudança». China, Brasil, África do Sul, Índia, México e outros, seriam os alvos deste novo «império» ambientalista e Londres a sua capital.
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A 6 de Fevereiro de 2007 Al Gore fora recebido em Madrid pelo presidente do governo espanhol e, dois dias volvidos, em Lisboa pelo primeiro-ministro português. Na sua primeira conferência em Espanha, para propagandear a sua mensagem, para além dos ministros, só foi permitida a assistência àqueles que pagaram 470 € + IVA, sem direito a formular qualquer pergunta, mesmo sendo jornalista.

Manipulações estratégicas

As Alterações Climáticas, oficialmente atribuídas a emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa, têm sido manipuladas astuciosamente pelo capitalismo mundial. Uma estratégia consiste em desfigurar a questão climática e suprimir a sua compreensão, de modo que a reacção da opinião pública fique politicamente debilitada. Outra estratégia recorre a um manancial de soluções técnicas, assim procurando ultrapassar o debate sobre as questões de fundo, como a acessibilidade das fontes de energia fóssil ou as assimetrias entre países produtores e consumidores, do mesmo passo promovendo inovações que serão objecto de proveitosos lucros enquanto soluções técnicas «milagrosas».
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A campanha de Al Gore, apoiando-se na primeira estratégia, insere-se numa estratégia que privilegia as soluções oferecidas pelo mercado livre, procurando assegurar a continuidade da prevalência de direitos e de propriedade dos grandes consumidores de combustíveis fósseis, sobre a capacidade planetária de absorção das correspondentes emissões de carbono, enquanto criando novas oportunidades de lucro para as corporações e o capital financeiro, mediante o comércio do carbono.
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Mas mais grave, no caso de se tratar de premiar uma personalidade pelo que terá feito de bem a favor da Paz, é o currículo vitae de Al Gore como senhor da guerra. Que importa recordar, já que o comité Nobel estaria esquecido.
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Albert Gore, Jr. foi vice-presidente da administração norte-americana de 20 de Janeiro de 1993 a 20 de Janeiro de 2001 e nessa condição foi co-responsável por intervenções militares em diversos países, apoio a actos de violência bélica e de terrorismo.
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Em 1993-2001, no Iraque, a administração Clinton-Gore prosseguiu ininterruptamente o bombardeamento de «zonas de exclusão aérea» (com a colaboração da Grã-Bretanha e da França) e, paralelamente, manteve o embargo e sanções económicas que custaram a vida a milhão e meio de iraquianos, na maioria crianças.
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Na Jugoslávia, em 1992-94, a Administração Clinton-Gore impôs um bloqueio marítimo da NATO contra a Sérvia e Montenegro. Em 1993, estabeleceu uma zona de exclusão aérea patrulhada e bombardeou alvos civis na Bósnia-Herzegovina, abriu caminho às forças para-militares islâmicas UCK, designadas primeiro como terroristas para depois serem arvoradas em libertadoras, e fomentou a guerra civil de 1994-1995.
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A administração norte-americana teve grave responsabilidade no desencadeamento dessa guerra aparentemente incompreensível no seio da Jugoslávia, anteriormente um exemplo de convivência inter-étnica, ao interferir e alimentar as diferenças, invocando a autodeterminação étnica como pretexto para conflitos inter-étnicos e para, de seguida, invadir e ocupar territórios da Jugoslávia. A autodeterminação étnica é um princípio que desde então abusivamente tem sido evocado, à sombra ou a pretexto dos «direitos humanos», para conseguir o mesmo objectivo imperial de sempre: dividir e subjugar os povos para os tornar em protectorados os seus territórios.
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De Março a Junho de 1999, a NATO liderada pelos EUA bombardeou o Kosovo e a Sérvia, numa operação dita de intervenção humanitária, manipulando informação sobre reais e presumíveis massacres, explorando o fundamentalismo islâmico por um lado e a demonização dos sérvios por outro. Durante o ataque realizaram-se bombardeamentos maciços a objectivos civis, infra-estruturas, alvos industriais, e estações transmissoras de rádio e de televisão. Muitas instituições de saúde e educativas, monumentos e mosteiros também foram arrasados. Nesta agressão dos EUA e da NATO contra República Federal da Jugoslávia, em violação dos mandatos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a organização do Estado sofreu profundas roturas e foi maciça a perda de vidas nessa catástrofe humanitária, económica, social e ambiental.

Crimes de guerra

Os EUA e a NATO admitiram oficialmente ter lançado no Kosovo, Sérvia e Montenegro dezenas de milhar de munições de urânio empobrecido. Só no território da província de Kosovo e Metohija foram disparadas munições no montante de 10 toneladas de urânio empobrecido. Estas munições são consideradas como «armas de destruição maciça» pela Subcomissão para a Protecção e Promoção dos Direitos Humanos da ONU, têm natureza de armas químicas, radiológicas e ambientais, e violam diversas convenções internacionais. Nos meses que se seguiram, até soldados dos contingentes da NATO adoeceram e alguns morreram com o «sindroma dos Balcãs». O balanço da guerra da Jugoslávia foi de 200 mil mortos e mais de um milhão de refugiados.
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Noutro «teatro» geo-estratégico, em 1998, foi imposto ao Sudão um embargo económico, e mais de uma dezena de mísseis Tomawak foram lançados sobre a única fábrica de medicamentos humanos e veterinários desse país, a pretexto de que fabricaria armas químicas para efeitos de acções terroristas, algo que não foi demonstrado e foi depois reconhecido tratar-se de um «erro». A consequência foi uma grande penúria dos medicamentos que eram produzidos e consumidos localmente, bem como a destruição da relativa autonomia farmacêutica do país relativamente às multinacionais farmacêuticas. Milhares de sudaneses e somalis morreram por não se poderem tratar com medicamentos eficazes para as doenças endémicas.
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Em 2000, sob o falso argumento da «guerra à droga», os EUA envolveram-se directamente no Plano Colômbia. A guerrilha de libertação nacional foi classificada de narcotraficante, ainda que, segundo o próprio administrador da Drug Enforcement Agency, «não se tenha chegado à conclusão de que as FARC e o ELN fossem entidades que se dedicassem ao tráfico de drogas». O Plano Colômbia é um programa de ajuda essencialmente militar destinado a apoiar o governo para eliminar a guerrilha, envolvendo guerra química, designadamente a fumigação das culturas nos territórios por ela controlados, com efeitos devastadores, nomeadamente milhares de mortos e muitos mais deslocados e refugiados, destruição duradoura dos ecossistemas, e tentativa de desarticulação da organização social.
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Em 1999, o governo dos EUA rejeitou assinar o Acordo Internacional para a proibição de utilização de minas antipessoal, cuja definição inclui também as bombas de fragmentação, que entrou em vigor em 1 de Março de 1999. Nesse mesmo ano foram lançadas na Jugoslávia 1100 bombas de fragmentação, cada uma das quais contém 2 centenas de «pequenas» granadas. A respectiva utilização viria a multiplicar-se depois no Afeganistão, no Iraque, e no Verão de 2006 no Líbano.
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Após o que o vice-presidente Al Gore cessou o seu mandato. E correndo a votos, ainda que sendo mais votado, foi preterido a favor do actual presidente George W. Bush.
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A 12 de Fevereiro de 2002, no seu primeiro discurso de fundo depois de George W. Bush ter sido declarado presidente eleito, Al Gore afirmou o seu pleno apoio aos anunciados planos da nova administração Bush em alargar os planos de guerra no Médio Oriente, e apelou mesmo ao ajuste de final contas com Saddam Hussein.
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Al Gore afirmou «É claro que desses governos um em particular representa uma ameaça virulenta de uma natureza à parte: o Iraque. Tanto quanto me diz respeito, deve estar em agenda um ajuste final de contas com esse governo. A meu ver, a questão não é o princípio da acção, mas sim assegurar que desta vez acabamos com o problema à nossa maneira. (…) Assim, desta vez, se usarmos a força, devemos absolutamente ter êxito. Deve ser uma acção iniciada cuidadosamente e baseada em princípios os mais realistas. O falhanço não pode ser uma opção, o que quer dizer que devemos estar preparados para ir até ao limite.»
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Al Gore adicionou que o Irão era «um desfio muito mais perigoso» que o Iraque em termos quer de suporte ao terrorismo quer de desenvolvimento de armas de destruição maciça. Não deduziu então que a guerra com o Irão fosse mais urgente que a guerra ao Iraque, mas insinuou claramente que tal guerra seria inevitável, a menos que o regime islâmico em Teerão fosse derrubado por dentro.
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Como se vê, mal havia deixado a Casa Branca e continuava ainda fixado na fúria guerreira que caracterizara o seu mandato, e logo se prontificou a transferir toda essa sua fúria em apoio aos desígnios bélicos de George W. Bush.
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Após o que se converteu em profeta climático, evangelizador ambientalista e negociante de créditos de carbono, tudo numa só pessoa.
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É profundamente lamentável o acto de verdadeira profanação da memória de muitos ilustres e dignos anteriores recipientes do Prémio Nobel da Paz que a presente atribuição configura.
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in Avante - Nº 1770 - 01.Novembro.2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

Portugal - O estado da água que bebemos

Museu da Água de Piracicaba



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Cerca de 20 por cento da população do País bebe água de má qualidade, revela o relatório anual sobre o controlo da qualidade da água, em 2006, do Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR). Apesar de os dados globais apontarem para uma melhoria “consistente” da água para consumo, a percentagem de coliformes – bactérias presentes nas fezes – registadas nas análises feitas à água que chega à torneira dos consumidores do interior do País aumentou em 2006.
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in Correio da Manhã 2007.10.23
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Para saber mais ver ...
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ÁGUA
A água sempre é vista como um dos recursos naturais renováveis e disponível a todas as nossas necessidades, porém já a algum tempo ambientalistas alertam

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ou visitar Museus ...

SEMAE - Museu da Água
O Museu da Água de Piracicaba - Brasil
.: guia . Museu da Água! ou Samae
Museu da Água - Blumenau

quinta-feira, outubro 25, 2007

Portugal - poluição atmosférica





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A Comissão Europeia (CE) anunciou esta segunda-feira que Portugal vai ter de reduzir em 3,1%, até 2012, a quantidade de emissões de dióxido carbono que tinha proposto àquele órgão europeu.
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in Correio da Manhã 2007.10.22

segunda-feira, outubro 15, 2007

Urgeiriça - Mineiros ameaçam com protesto



Os ex-trabalhadores das minas da Urgeiriça voltaram ontem a ameaçar com manifestações caso o Governo não atenda às suas reivindicações até final do mês.
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Os ex-mineiros reuniram-se em plenário para exigir a realização de exames médicos, o pagamento de indemnizações às famílias dos colegas falecidos e benefícios na reforma.
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Desconfiam agora de que podem deixar de frequentar o edifício da Casa do Pessoal, porque é intenção da Empresa de Desenvolvimento Mineiro recuperar o edifício para fins turísticos.

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in Correio da Manhã 2007.10.08
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Gravura retirada de Urgeiriça em peso, onde pode saber mais
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18-06-2007 - 02:08:00 Nelas: Urânio em troca de reformas
05-05-2007 - 00:00:00 Urgeiriça: Minas da morte

quinta-feira, outubro 11, 2007

Segundo Fundo Mundial para a Natureza - Maioria das zonas europeias de pesca estão esgotadas


O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) anunciou esta quinta-feira que 80% da zonas europeias de pesca “estão esgotadas ou em vias de extinção”. Para a organização, a União Europeia (UE) falhou nos seus esforços para evitar a sobreexploração dos mares.
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Em comunicado, o WWF indicou que o mais recente estudo realizado por especialistas da organização conclui que a causa do fracasso prende-se com “as excessivas quotas de pesca, a uma frota de pesca desmesurada e a uma deficiente gestão do sector pesqueiro”.
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Segundo a organização, “em 2002, a UE propôs-se a melhorar claramente a situação do bacalhau, atum e de outras espécies, mas 5 anos depois de Bruxelas ter reformado a política europeia de pesca verifica-se o contrário. Os interesses nacionais e económicos a curto prazo impedem que se acabe com a exploração dos Oceanos”.
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Tendo como objectivo o estabelecimento de novas quotas pesqueiras pela UE, o WWF manifestou-se ainda preocupado com a distribuição de licenças, sublinhando que “isto pode agravar ainda mais o problema”.
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A organização considerou ainda que a UE “ignora” as quotas de pesca determinadas pelo Conselho Internacional para a Investigação do Mar (ICES), “como acontece no caso do bacalhau e do abadejo no Mar do Norte e Mar Báltico, onde são ainda concedidas licenças de pesca, apesar da situação dessas espécies”.
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in Correio da Manhã 2007.10.04
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Foto de Pedro Catarino
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Quarta-feira, 10 Outubro
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- sasha c. A Mae Natureza está comreçar a retribuir a porcaria que lhe foi dada, e isto nao vai ficar por aqui, no ano MMXI, verao o resultado, tenho muita pena pelos inocentes que nascem agora porque vao sofrer muito, como nao há escapatória, pelo menos preparem-nos para este Futuro inevitável já que nas escolas nao ensinam nada que tem a ver com a realidade da vida.
- PLACIDO Eu sempre disse e torno a dizer, que o agricultor tem primeiro semear para depois fazer colheita,mas na pesca nao se passa nada disso,tudo o que vier à rede é peixe,até se dao ao luxo de deitar peixe fora, como aconteceu há meses,porque nao pagavam a sardinha ao preço que eles queriam, isto é um crime e é uma tristeza ao ponto que chegaram. Florence

Quinta-feira, 4 Outubro
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- Pires Jorge Quando é que acabam com as redes derivantes que matam tudo aquilo que apanham? que mar é que deixamos para os nossos netos daqui amanhã? Um mar deserto? Há que tomar medidas enquanto é tempo. JP

Autarquia contra prolongamento da Secil na Arrábida


A Câmara Municipal aprovou dia 3, em reunião pública, por maioria, uma moção contra o prolongamento da vida útil da Secil na Serra da Arrábida.

Com os votos contra do PS e a ausência do vereador Paulo Valdez, do PSD, a moção, aprovada com os votos a favor dos seis membros do Executivo, refere que a “possibilidade concedida pelo Governo à Secil de expandir a actividade das pedreiras de onde é extraída a matéria-prima para a produção de cimento na fábrica do Outão é, para a Câmara Municipal de Setúbal, uma decisão que contraria as expectativas dos setubalenses e as necessidades do desenvolvimento da região”.

Esta resolução governamental vem, na prática, permitir “duplicar o volume de extracção de 18 para 36 milhões de metros cúbicos de massa mineral”, o que se traduz no prolongamento da “vida útil da exploração do ano 2021 para 2044 e, consequentemente, a permanência da cimenteira em pleno Parque Natural da Arrábida”.

A Autarquia acha “incompreensível” tal autorização governamental, que ignora o “sentimento dos habitantes e o desenvolvimento harmonioso e sustentável”, perante a luta, nos últimos anos, das populações e autarquias de Setúbal contra a co-incineração e também “para que se evite o desenvolvimento de novos processos que justifiquem a manutenção da cimenteira naquele local”.

Apesar de o fim da exploração de pedra na serra ser uma questão “bastante complexa”, a Autarquia defende o início de uma discussão aprofundada – que ultrapasse “os limites da mera emotividade associada à vontade de preservar a Arrábida [candidata a Património Mundial Natural da Humanidade]” – de forma a colocar a “possibilidade de a Secil começar, progressivamente, a cessar actividade num horizonte temporal aceitável”.

“A Câmara Municipal de Setúbal defende, assim, que o Governo deve iniciar imediatamente um processo participado que vise procurar alternativas e soluções para um problema que não pode, de forma alguma, prolongar-se, hipotecando o bem-estar das gerações futuras e afectando, irremediavelmente, um dos mais importantes patrimónios naturais da humanidade”, refere o documento.

in Município de Setúbal

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Para saber mais sobre a Serra da Arrábida ver:

Parque Natural da Arrábida

Arrábida : Fauna e Flora

Centro de Educação Ambiental da Arrábida

Foto retirada daqui: Arrábida e a Secil

Setúbal exige alternativa à cimenteira da Arrábida - Autarquia aprova moção


A Câmara de Setúbal aprovou, na quarta-feira, por maioria, uma moção em que exige que o Governo promova um “processo participado para discutir soluções alternativas” para a cimenteira da Secil, no Parque Natural da Arrábida.
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A moção, que contou com os votos favoráveis da maioria CDU e do PSD e os votos contra do PS, insta o governo a “iniciar imediatamente um processo participado que vise procurar alternativas e soluções para um problema que não pode, de forma alguma, prolongar-se, hipotecando o bem estar das gerações futuras e afectando, irremediavelmente, um dos mais importantes patrimónios naturais da humanidade”.
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A autarquia espera assim conseguir iniciar uma “discussão com toda a seriedade” sobre a possibilidade de iniciar, de forma progressiva, a cessação da actividade da Secil.
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O documento hoje aprovado pela autarquia de Setúbal será enviado ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e Grupos Parlamentares, ao Primeiro-Ministro e ao Ministro do Ambiente.
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A Câmara de Setúbal alega que a decisão governamental de permitir o aumento da cota de exploração de pedreiras em profundidade, de 60 para 120 metros, vai permitir prolongar a permanência da cimenteira no Parque Natural da Arrábida até 2044, o que contraria as posições assumidas pelas populações locais e seus representantes.
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in Correio da Manhã 2007.10.04
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Foto - marques valentim (cimenteira do Outão)
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quarta-feira, setembro 19, 2007

ONU pede redução de emissão de gases - Clima ameaça segurança alimentar


As alterações climáticas constituem uma forte ameaça para a segurança alimentar mundial, interferindo na produção, distribuição e acesso aos alimentos.
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O alerta foi dado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que insiste na necessidade de adoptar medidas imediatas para neutralizar os seus efeitos. A organização defende a redução de emissões de gases do efeito estufa e a procura de soluções que permitam melhorar a capacidade de adaptação das pessoas e dos sistemas de produção alimentar.
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O clima extremo e adverso pode pôr em causa a produção de arroz, que alimenta mais de metade da população do Planeta. A organização alertou também para o facto de os países em desenvolvimento serem os mais afectados.
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in Correio da Manhã 2007.09.17

domingo, setembro 09, 2007

Projecto na costa irlandesa - Corrida à energia do mar

Cresce o interesse pelo aproveitamento das ondas do mar para a produção de energia. Após o anúncio pela empresa luso-escocesa Enersis, cujo primeiro parque de ondas é inaugurado dia 28, ao largo da praia da Aguçadoura, 15 quilómetros a norte da Póvoa de Varzim, um projecto britânico foi anunciado para a Irlanda do Norte.
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A britânica Marine Current Turbines divulgou que utiliza uma turbina submersa parecida com as turbinas eólicas e que tem o mesmo princípio de funcionamento: com a diferença de que, ao invés do vento, é o movimento da água que faz as hélices girarem. As hélices, cada uma medindo de 15 a 20 metros de comprimento, são montadas num eixo preso ao fundo do mar por um sistema de autofixação, o que reduz custos de instalação.
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As primeiras turbinas serão instaladas na costa da Irlanda do Norte. Segundo a empresa, o movimento das marés nessa região fará com que as turbinas girem a uma velocidade entre dez e vinte rotações por minuto, valor insuficiente para implicar riscos aos animais marinhos. Cada turbina é capaz de gerar 1,2 megawatts de energia.
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in Correio da Manhã 2007.09.08

Desertificação - Nações Unidas querem travar

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* Sérgio Vieira
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Os desertos cobrem hoje um terço da superfície terrestre, afectando sobretudo os países mais pobres, mas também Portugal. Representantes de 191 países estão em Madrid a discutir medidas para travar o avanço da areia.
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O processo de degradação progressiva dos solos tem o fatídico nome de desertificação. Um risco que ameaça um terço da superfície terrestre, pelo que a desertificação total já não é uma imagem de ficção científica mas sim um perigo com consequências imprevisíveis.
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Durante duas semanas Madrid serve de palco à luta contra a perda de solo fértil: na 8.ª Conferência de Partes da Convenção das Nações Unidas para a Luta Contra a Desertificação 191 países procuram acordos para minimizar uma ‘lepra terrestre’ que alastra a um ritmo impressionante, pois o deserto avança 12 hectares a cada minuto, ou seja, 60 mil quilómetros quadrados anuais. O problema afecta já 30 por cento da superfície terrestre e mais de mil milhões de pessoas, um quinto da população mundial. A esse ritmo, um país como a Suíça converter-se-ia em areal em menos de um ano. Os recursos naturais estão esgotados em muitas regiões. A pressão demográfica, que aumenta a exploração excessiva da terra arável e acarreta a destruição da capa vegetal, e os efeitos negativos do pastoreio extensivo são as causas principais da desertificação acelerada, cujo efeito a médio prazo é comparável ao de um holocausto nuclear.
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A acção humana provocou, desde a II Guerra Mundial, a desertificação de tanto solo cultivável quanto a China e a Índia juntas. Uma realidade assustadora, pelo que 191 países tentam agora encontrar um plano de acção para a próxima década.
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A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) assinala que em África 73% dos terrenos agrícolas estão afectados pela desertificação. Mas a Europa não pode deixar de se sentir ameaçada, especialmente na área mediterrânica. É aqui que se regista a mais elevada taxa de desflorestação do Mundo. A destruição das florestas tem consequências de grande alcance. As árvores absorvem dióxido de carbono e outros gases e exalam oxigénio necessário à vida. Calcula-se que 12 abetos produzam oxigénio diário necessário a um homem, enquanto uma faia centenária pode purificar anualmente o ar de 800 casas.
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A inversão da actual tendência passa pelo reforço do papel que a floresta desempenhará no desenvolvimento rural, quer no quadro das actividades florestais, agroflorestais ou agro-silvopastoris quer na recuperação dos terrenos degradados ou em degradação.
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REGIÕES MAIS AFECTADAS
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A África Subsaariana e a Ásia Central são as regiões mais vulneráveis à desertificação, mas o problema atinge todos os continentes. Os prejuízos resultantes estão estimados em 55 mil milhões de euros, segundo um estudo das Nações Unidas.
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PENÍNSULA EM PERIGO
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Entre 30 a 35 por cento da superfície ibérica está desertificada. No que diz respeito a Espanha, as Nações Unidas estimam que seis por cento dos solos estejam degradados de forma irreversível, sendo mais afectadas as Canárias.
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DISCUSSÃO
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Centenas de países discutem em Madrid, até sexta-feira, ideias para contrariar uma realidade cada vez mais assustadora. O holandês Yvo de Boer, especializado há uma década em questões ligadas às alterações climáticas, é um dos quadros das Nações Unidas envolvidos nessa luta.
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PORTUGAL SEM ÁGUA DENTRO DE UMA DÉCADA
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Portugal é um dos três países europeus mais desertificados (os piores são a Itália e a Turquia), com 36% do território afectado e mais de metade do País a correr o risco de se tornar em solo árido se nada for feito para inverter a situação. As más práticas agrícolas, agravadas por incêndios e secas, levam investigadores a prever que dentro de dez a 15 anos Portugal e os outros países mediterrânicos terão graves problemas de falta de água potável.
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Desde 1999 existe um Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação que defende que “a mais ampla expressão da problemática causa/efeito na desertificação é o despovoamento”: os problemas socioeconómicos, que afastam as pessoas do interior para as cidades do litoral, deixam a terra indefesa perante incêndios que provocam forte erosão nos solos.
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ALENTEJO
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O Mediterrâneo Norte, onde se incluem o Alentejo e o Algarve, é em grande parte uma região semiárida. As florestas cobrem cinco por cento da superfície.
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In Correio da Manhã 2007.09.08
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08-09-2007 - 00:00:00 Ameaças de deserto
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» Comentários no CM on line
Sabado, 8 Setembro
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- Paulo A desertificação em Portugal não existe; existem sim são áreas protegidas por PDM`s elaborados por pessoas que nunca sairam das cidades e não conhecem a realidade do campo.
- Paulo Tanto se fala de desertificação parece-me a mim que está tudo louco perder tempo com isso pelo menos aqui em Portugal pois tentem construir fora das cidades ou mesmo recuperar ruinas fora das cidades e vão ver o cabo dos trabalhos
- Francisco Tantos estudos, tanta sapiência. D. Dinis percebeu e resolveu sem Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação o que estes intelectuais ainda não compreenderam e nessa altura a densidade populacional nos campos era mais baixa. Nem precisou de ir lá fora a cavalo ou de carruagem que gastaria e poluia menos. Levanta-te D. Dinis, se não vamos ficar assoreados. Montreal

terça-feira, agosto 14, 2007

Terra treme em Portugal e Espanha


Magnitude de 5,5 na escala de Richter
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Um sismo de magnitude 5,5 na escala de Richter atingiu este domingo o território português e espanhol, informou a rádio TSF.
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Segundo a emissora, o epicentro foi localizado em Espanha, a cerca de 360 quilómetros a leste da vila portuguesa de Barrancos. Isabel Abreu, do Instituto de Meteorologia, disse que o sismo foi registado às 08h47 (em Lisboa), adiantando que não existem registos de danos humanos ou materiais, tanto em Portugal como em Espanha.
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Segundo o Instituto Geográfico espanhol, o epicentro foi localizado em Ciudad Real, tendo o abalo sido sentido em Madrid e em várias regiões do território, como Valência e Andaluzia.
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in Correio da Manhã 2007.08.12
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» Comentários no CM on line
Segunda-feira, 13 Agosto
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- isabel Onde esta noticia já vai!!!...

Domingo, 12 Agosto
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- Graça Afonso São tão contra a que se matem touros e no fim desejam a destruição dum povo por um sismo?Estranho...
- Graça Afonso Lamento o facto de algumas pessoas quererem a destruição de Barrancos!Só desejo que as terras onde elas vivem não sejam um dia destruídas por um sismo!Parece-me que há certas pessoas que não sabem que um sismo não escolhe que é ou não a favor de touros de morte...
- Graça Afonso Sinceramente, quando oiço estas noticias até tremo de medo!Mas ainda bem que nada aconteceu de grave!
- JS Para matar o desejo da tradicâo dos barranquenhos e respeitando a defesa dos animais, sugiro o seguinte: formem uma Assciacâo de Matadoures de Barrancos e uma outra Associacâo de Toiros de Barrancos. Sempre que quiserem uma festa, a ATB envia uma lista dos seus membros que querem fazer o papel de toiros. Assim seria uma festa em cheio que internacionalizava Barrancos, mundialmente!...
- Joao P. Mas a noticia é sobre os touros de Barrancos ou sobre um sismo?
- Alentejano. Felicidades para o GRANDE POVO de Barrancos. Viva Portugal!
- atento. Deixem-se de tretas, pois todos (nós incluídos), somos animais que não nos respeitamos uns aos outros, a prova disso é que a fome e a doença aumentam em Portugal... FORÇA BARRANQUENHOS SOIS UM EXEMPLO DE CORAGEM NA PRESERVAÇÃO DAS VOSSAS TRADIÇÕES SECULARES.
- Tristeza, Existirem algúns tristes que desejam a morte dos Barranquenhos ? devem ser os bétinhos que tem os animais nas varandas e que depois os abandonam quando vão de férias.gente desta é não faz cá falta nenhúma.
- Paulo Silva E ja agora qual é a diferenca entre touradas e comer um bom bife a mesa?Alguem pode me explicar?Ou serao vegetarianos os que criticam as touradas?
- nokas Hoje vou jantar uma costeleta de touro e quem sabe,se morto em Barrancos!Áh,e não se esqueça de não abandonar o seu animal de estimação quando fôr de férias!O meu,vai sempre comigo!Percebeu????
- REVOLTADO DA SILVA Eu que sou de uma aldeia perto de Barrancos Stª Amador , sinto vergonha pela crueldade das touradas ainda por cima no meu querido Alentejo , haja coragem para acabar com este espetaculo medieval sejam toiros de morte ou nao .
- catarina real A natureza vinga-se sempre de quem nao respeita os outros seres vivos...quem faz da cultura o sofrimento de outras criaturas so merece castigo..
- Leonor Hà mentes muito baralhadas,o que terão as touradas a ver com a possibilidade de Barrancos ter sido atingido por um sismo?
- carlos é uma vergonha.barrancos devia ser destruido pela maldade...
- Antonio Apanhou Barrancos?! É bom para limpar a maldade de matarem torturarem e assassinarem touros! É castigo de deus! Quem lá não vai sei eu quem é, a minha família e amigos! Crueldade inaceitável em pleno sec.XXI!
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Susto: Sismo em Espanha sentido de Norte a Sul
Península Ibérica treme
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* Edgar Nascimento
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Foram cinco segundos, mas o abalo foi suficiente para acordar milhares de espanhóis e muitos portugueses.
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O sismo que ocorreu ontem no centro de Espanha, às 08h47 (hora portuguesa), atingiu os 5,1 graus na escala de Richter e foi sentido em toda a Península Ibérica, sem provocar danos pessoais. Em Almagro, a cem quilómetros do epicentro, o telhado do Teatro Municipal abateu, sendo o edifício com maiores danos provocados pelo sismo. A rede nacional de sismógrafos do Instituto de Meteorologia registou o tremor de terra, cujo epicentro se localizou perto da cidade de Pedro Muñoz, a 115 quilómetros de Ciudad Real, na província de Castilla-La Mancha, e a cerca de 430 quilómetros de Elvas.
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“Foi registado em toda a rede, houve pessoas que acordaram com o abalo. Recebemos muitos telefonemas e informações na página web, de pessoas de Braga, Porto, Castelo Branco, Lisboa, Setúbal, Portimão”, disse ao CM Fernando Carrilho, chefe de Divisão de Sismologia do Instituto de Meteorologia. A intensidade registada em Portugal atingiu o grau IV na escala de Mercalli (sismo moderado). “Foi localizado demasiado longe, por isso não provocou danos”, explicou Fernando Carrilho, que assinalou a “raridade” com que ocorrem sismos naquela região de Castilla-La Mancha. “Não é muito frequente naquela zona, mas só os estudos poderão explicar o que aconteceu”.
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Segundo as autoridades espanholas, o sismo foi muito superficial e por isso é que foi sentido em todo o país. Os serviços de emergência espanhóis receberam chamadas de habitantes de zonas tão distantes como Salamanca, Zamora, Madrid, Badajoz, Huelva, Valência ou Sevilha. Este foi um dos sismos com maior magnitude registados na Península Ibérica nos últimos anos. Em Fevereiro, registou-se um sismo que abanou Portugal, Espanha e Marrocos, com o epicentro a 160 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente e que atingiu uma magnitude de 5,8 graus na escala de Richter.
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in Correio da Manhã 2007.08.13
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Segunda-feira, 13 Agosto
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- xico silva Agora tambem vao dizer que a culpa é do Socrates!

Golfinho de água doce extinto


Só se encontrava na China:
O golfinho de água doce habitava apenas no rio Yangtze
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Durante uma expedição de seis semanas, no rio Yangtze, os biólogos não conseguiram encontrar um único membro desta espécie que habitava o planeta Terra desde há 20 milhões de anos. A confirmar-se, trata-se da primeira extinção de um vertebrado nos últimos 50 anos.
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As principais razões para a extinção da espécie são, segundo Samuel Turvey, biólogo conservacionista da Sociedade Zoológica de Londres, a poluição excessiva, a pesca sem regras e o enorme tráfico de grandes navios existentes no rio Yangtze.
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A expedição, realizada no ano passado, percorreu 1669 quilómetros do rio Yangtze, na China, o único habitat deste golfinho.
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in Correio da Manhã 2997.08.11

quinta-feira, julho 12, 2007


Museu: Em espaço de 30 hectares
Parque jurássico na Lourinhã em 2010
* Ana Maria Ribeiro
Vai custar 20 milhões de euros e ainda não tem qualquer financiamento assegurado, mas a Câmara Municipal da Lourinhã anunciou que pretende lançar, até ao final do ano, um concurso público para a construção do primeiro Museu Jurássico em Portugal, ao qual espera atrair nada menos do que 230 mil visitantes por ano – ou seja, cinco vezes mais do que recebe o Oceanário de Lisboa, no Parque das Nações.
O espaço – que tem inauguração prevista para 2010 – situar-se-á junto à entrada poente da vila, numa área de 30 hectares de terreno, e, para além do museu propriamente dito, vai dispor do primeiro jardim em todo o Mundo que vai recriar a flora existente do período Jurássico.
Oportunidade única para que o visitante possa usufruir da paisagem existente no planeta Terra há 150 milhões de anos!Após o percurso pelo jardim – onde o visitante penetrará através de uma cascata, qual filme de Steven Spielberg – o edifício museológico deverá ter uma arquitectura original, semelhante ao corpo de um dinossauro, e será bio-climático, usando energias renováveis.
Apesar dos custos do empreendimento, um estudo de viabilidade económica encomendado à equipa de consultores da Audax assegura que o Museu Jurássico pode ser um sucesso. Segundo o estudo, o museu – que será único no País e terá como conceito misturar conhecimento e diversão, agradando a crianças e adultos – deverá atrair ainda mais visitantes do que o seu congénere mais próximo, o Dinopolis, situado a cem quilómetros de Barcelona, Espanha.
“É uma oportunidade única de mercado”, diz Ana Isabel Branquinho, da equipa de consultores. “Não existe em Portugal um espaço minimamente comparável na área da paleontologia.”O presidente da câmara, José Manuel Custódio, espera mesmo vir a atrair apoios comunitários para o projecto, que reunirá na Lourinhã todo o espólio paleontológico existente no nosso País.
O interesse pelos dinossauros não se restringe, porém, a Portugal. Na próxima sexta-feira, reabre ao público o Museu de História Natural de Berlim, Alemanha, que se encontrava temporariamente encerrado para que os paleontólogos pudessem proceder à reconstrução de sete esqueletos de dinossauro.
O museu tem, nas reconstruções dos gigantescos animais pré-históricos, grande parte do seu apelo e os administradores não querem defraudar o público.


in Correio da Manhã 2007.07.11
FOTO - dinossauro - Stephanie Pilick

segunda-feira, julho 09, 2007


Primo distante dos actuais pássaros
Descoberta ave-dinossauro
A fotografia aparenta ser da pata de um Tyrannosaurus Rex, mas na realidade o fóssil é de um dinossauro semelhante a uma ave. Escavado no deserto de Gobi, na China, estes ossos representam a descoberta de uma nova espécie.
Baptizado de “Grande Ave”, o dinossauro teria o corpo parcialmente coberto por penas, um bico igual ao de um papagaio, sem dentes, pesava 1400 quilos e media quase oito metros de altura. O Gigantoraptor, nome científico da nova espécie, terá sido um primo distante dos actuais pássaros. Até à data a maioria dos fósseis de ‘aves-dinossauro’ descobertos não ultrapassavam os 40 quilos e sempre foram significativamente pequenos. “Imagine o que é encontrar um rato do tamanho de um porco bastante grande”, comparou o paleontólogo chinês responsável pela descoberta. Apesar dessas impressionantes medidas, estudos adicionais mostram que a ave ainda não tinha atingido o seu máximo tamanho. “Trata-se de um dinossauro adolescente que ainda tinha muito a crescer”, referiu o especialista.
in Correio da Manhã 2007.07.08
foto Donald Chan / Reuters

sábado, julho 07, 2007


Ler : A. M. Galopim de Carvalho
O amigo dos dinossauros
* Dina Gusmão
Os problemas do Ambiente sempre se confrontaram com os da Economia”, diz.
Galopim de Carvalho, geólogo de formação e guardião dos dinossauros por devoção, tem entre mãos um livro de memórias e um dicionário de Geologia que ainda vai na letra ‘C’ e que já lhe leva quatro meses... “Não sei se tenho vida para isto”, desabafa, a pretexto do novo livro: ‘Como Bola Colorida’, da Editora Âncora.
Na origem desta obra está a chamada de atenção urgente para a Terra e os seus recursos. E, quando comparado ao ambientalista Al Gore, responde que a diferença está na candidatura à presidência dos Estado Unidos: “Eu nunca seria candidato!”, brinca. “À dimensão de cada um, dizemos os dois o mesmo: Temos de viver em harmonia com a Natureza! A obra de Al Gore, a sua inesgotável energia, é algo por que a nossa geração vai ter de lhe agradecer... Só interesses economicistas podem acusar o seu discurso de alarmista, mas os problemas do Ambiente sempre se confrontaram com os da Economia”, denuncia.
Por tudo isto, um livro fácil de ler e de reter. Vantagens de um cientista que é também ficcionista desde que, em 1992, se estreou com ‘O Cheiro da Madeira’: o primeiro de quatro.
Inspirado pela simplicidade de Zélia Gattai, arriscou o romance, sempre tangente à biografia. Como aquele em que conta como ‘ganhou’ uma surdez progressiva.“Essa história está no meu terceiro romance (‘Os Homens Não Tapam as Orelhas’), onde conto como durante o serviço militar, sendo artilheiro, quando fazíamos fogo de artilharia, era o que nos diziam... Deu no que deu”, recorda.
Começa a escrever à hora a que o filho mais novo se deita (06:00), mas não é nos livros que tem o seu maior projecto. “Uma batalha sem tréguas e foi por ela que me tornei, como diz, o guardião dos ‘dinos’. Acontece que, há 15 anos, a construção da CREL ameaçava destruir a jazida de Carenque: um trilho de 140 metros de um dinossauro que andou por aqui há 90 e tal milhões de anos. Para salvar a jazida desenvolvi uma campanha de mediatização que me associa até hoje aos dinossauros. E pouco sabia sobre eles. Ganhámos essa batalha porque os túneis foram feitos e as pegadas salvas, mas falta conservá-las... Depois de dez milhões de euros já gastos, por mais 15 milhões não se conclui o projecto? É falta de perspectiva de investimento!”, acusa.
Em 2003, deixou a direcção do Museu de História Natural, ao qual se mantém ligado como colaborador. Neste contexto, organiza uma exposição, a estrear em Setembro no Museu da Pedra, em Cantanhede. Sobre dinossauros, claro!
PESSOAL - QUALIDADE E DEFEITO
Desafiado a revelar a sua maior qualidade e o seu maior defeito, o professor dá resposta única: “A teimosia porque é tudo uma questão de perspectiva."
RITUAL OU SUPERSTIÇÃO
“Sou alegremente liberto de problemas de natureza mística”, diz sobre a ausência de superstições. Rituais tem um: “Brincar com as pedras pretas e brancas dos passeios.”
PERÍODO HISTÓRICO
“O actual, por tudo o que tem sido a evolução da ciência e da tecnologia desde que tenho consciência... É tudo tão fascinante, tão exuberante”, elege.
FILOSOFIA DE VIDA
“A bonomia que é a característica que mais vezes me apontam e aquela em que melhor me reconheço. E recomendo!”, diz.
in Correio da Manhã 2007.07.06
Foto - Marta Victorino
Sobre o Museu da Lourinhã visitar: http://www.museulourinha.org/
Sobre o Museu de História Natural ver: http://www.mnhn.ul.pt/geologia/plumas.htm
Sobre a Pedra Furada, em Setúbal:

Terra em Risco
Lixeiras ameaçam Planeta

* André Pereira / Pedro H. Gonçalves / Miguel Azevedo

A Terra corre o risco de ficar atolada em lixo caso nada seja feito para diminuir e tratar os mais de mil milhões de toneladas produzidos por ano pela Humanidade, de acordo com as estimativas das Nações Unidas e de agências especializadas em questões ambientais.
Os países mais desenvolvidos e industrializados, como seria de esperar, são os principais responsáveis pelo lixo existente. Só os EUA respondem pela produção de um quarto do lixo mundial, ou seja, cerca de mais de 235 milhões de toneladas.
No top cinco dos países mais poluidores do Mundo, além do já referido líder isolado, aparecem Rússia (207,4 milhões), Japão (52,36), Alemanha (48,84) e Reino Unido (34,85). Portugal, com uma população de cerca de dez milhões de habitantes, ficou-se pelos cinco milhões de toneladas, das quais apenas 16 por cento são recicladas. Os dados são referentes a 2005.
A maior parte deste lixo denomina-se de resíduos sólidos urbanos, compostos por restos de comida, cartão, papel, vidro, plásticos e outros, cuja principal fonte são as habitações. Mas se parte deste lixo pode ser reciclado, a verdade é que muitas outras toneladas ficam por tratar. As más práticas são frequentes e ainda é possível ver locais onde os resíduos de construção e demolição (entulho) ou equipamento eléctrico e electrónico (os vulgares electrodomésticos) se amontoam a céu aberto.
Das cerca de cinco toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidas em Portugal, cerca de 60 por cento é lixo biodegradável. Se à primeira vista esta característica podia ser considerada positiva, a verdade é que o seu depósito em aterros implica alguns problemas, como a produção de fortes odores, gases com efeito de estufa mais poderosos do que o dióxido de carbono ou águas residuais de difícil tratamento.
Segundo um relatório sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos e a emissão de gases de estufa, no âmbito da Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU II), a reciclagem é o método de tratamento mais eficaz no que diz respeito à redução na emissão de dióxido de carbono para a atmosfera. Em 2005, foi responsável pela poupança de 376 mil toneladas. A previsão aponta para 488 mil toneladas em 2020.Quanto ao destino final dos cinco milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidos no País, cerca de 3,2 milhões são colocados em aterros. A recolha selectiva e a valorização orgânica representam, respectivamente, nove e sete por cento.
No entanto, nem tudo é mau. Apesar de ainda se estar longe do cenário ideal, os últimos indicadores parecem revelar uma mudança de atitude nas populações dos países mais desenvolvidos. Se até há bem pouco tempo a quantidade de lixo produzido era um parâmetro de desenvolvimento, hoje em dia essa ideia está completamente afastada.
"PROGRESSO NÃO É SINÓNIMO DE POLUIÇÃO"
Pedro Carteiro, do Centro de Informação de resíduos da Quercus
CM – Qual é o impacto dos resíduos no ambiente?
Pedro Carteiro – Além dos fortes odores que os aterros sanitários emanam, também libertam gás metano, que contribui 21 vezes mais para o efeito de estufa se compararmos com o dióxido de carbono. As águas residuais que resultam desses locais possuem uma carga poluente muito elevada e para a qual não existe equipamento tecnologicamente sofisticado capaz de tratar.


– Que medidas podem ser adoptadas para minimizar esse impacto?
– Temos de implementar o tratamento mecânico e biológico, vulgarmente designado por TMB, que separa os resíduos em três facções e consegue tratar de forma eficaz o lixo biodegradável, que é o grande responsável pelas emissões de gás metano. Em Portugal existem quatro grandes unidades de tratamento, o que é insuficiente para o País. Devíamos usar as verbas comunitárias para investir a sério no TMB.
– Como aliar o progresso com a necessidade de reduzir a quantidade de lixo que produzimos?
Progresso não é um sinónimo de poluição. É possível conciliarmos essa necessidade através da aplicação de medidas que já são usadas, como a reciclagem. Também as empresas já começam a pensar num design ecológico.
"TODOS NÓS SOMOS EGOÍSTAS E COMODISTAS
"Nuno Guerreiro, vocalista da Ala dos Namorados, banda que participa amanhã no evento Live Earth no Pav. Atlântico.
Correio da Manhã – Sempre foi uma pessoa atenta aos problemas ambientais?
Nuno Guerreiro – Confesso que às vezes tento não pensar tanto nos problemas do ambiente, porque são assustadores. O aquecimento global é algo verdadeiramente preocupante. As diferenças de temperatura são cada vez maiores e a culpa é da poluição que, afinal de contas, é da responsabilidade de todos nós. Não sei como é que as coisas estarão daqui a vinte anos! Até podemos dizer que a culpa é dos políticos, mas a verdade é que somos nós que lhes damos o poder.
– De que forma procura contribuir para o bem-estar do ambiente?
– Tenho sempre a preocupação de separar o lixo e nunca deixo luzes ligadas. Mas apesar de tudo também sou um pecador. Todos fazemos asneiras. Muitas vezes nem nos lembramos, mas só pelo facto de termos carro já estamos a contribuir para a poluição e para o mal-estar do ambiente. A verdade é que todos nós somos egoístas e comodistas.
– Pode a música, efectivamente, sensibilizar as pessoas para a preservação do ambiente?
– Acho que a música pode ajudar a despertar as pessoas para causas. Por isso, qualquer figura pública pode e deve ajudar, sobretudo porque as coisas hoje também andam muito camufladas. Acho que quem não andar bem informado nem sabe bem o que se está a passar no nosso Planeta. Acredito no evento Live Earth da mesma forma que acreditava noutras iniciativas do género. Vi há pouco tempo o Live Eight e era um evento muito bem organizado e que tocou as pessoas.
– Durante a actuação de amanhã, no Pavilhão Atlântico, a Ala dos Namorados vai passar algum tipo de mensagem? Têm algum discurso preparado?
– Estou obviamente a pensar dizer qualquer coisa. Até estou a pensar investigar um pouco mais sobre o assunto para poder falar com conhecimento de causa. É possível que prepare um pequeno texto para dizer em palco. Quanto ao alinhamento, é quase certo que iremos interpretar ‘Canção de Edite’ e ‘Loucos de Lisboa’. Mas o tempo não dá para muito. Não deveremos exceder cinco canções.
SUPERPOTÊNCIA NO MAU SENTIDO
Os Estados Unidos são os líderes destacados no que à produção de lixo diz respeito. Respondem por um quarto do total: 235 milhões de toneladas.
ALTERAÇÕES DE MENTALIDADES
Antigamente a quantidade de lixo produzido media o desenvolvimento de um país. Uma ideia totalmente ultrapassada hoje em dia.
TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA
Padre Vítor Melícias - Aos 68 anos é o superior provinvial da Ordem dos Franciscanos em Portugal.
1. - Tratar o Planeta Terra como se fosse a Madre Terra, ou seja, praticando uma ecologia não do interesse e do medo, mas de fraternidade universal, com o homem a perceber que é apenas um dos habitantes da Terra.
2. - Todos os dirigentes, independentemente de crenças ou culturas, têm de notar que o Planeta é a casa de todos e para todos e, portanto, são necessários compromissos internacionais que sejam efectivamente respeitados.
3. - Que se comece pelas crianças e jovens a ensinar de forma prática que o interesse de todos é que ninguém tenha interesses seus contra os dos outros. O amanhã dos homens só será seguro se for construído por todos.
in Correio da Manhã 2007.07.06