A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, novembro 24, 2010

EUA tinham planos para invadir os Açores em 1975

Documento histórico revela

22.11.2010 - 16:27 Por Nuno Simas
A suspeita existia há anos entre os historiadores e era um dos aspectos obscuros do papel dos Estados Unidos durante a Revolução portuguesa (1974-76). Teriam os Estados Unidos pensado invadir os Açores, onde tinham e têm uma base nas Lajes? Finalmente, há uma resposta. E é sim: o Departamento de Defesa tinha planos para “ocupar” as ilhas se o país caísse sob controlo dos comunistas ou da esquerda radical.
 Kissinger foi um dos intervenientes que mais pressão fez sobre a diplomacia portuguesa para que o país não caísse numa democracia directa após a revolução 
Kissinger foi um dos intervenientes que mais pressão fez sobre a diplomacia portuguesa para que o país não caísse numa democracia directa após a revolução (Kieran Doherty/Reuters)

A existência dos planos é revelada num memorando de conversação entre o secretário de Estado, Henry Kissinger, e o secretário da Defesa, James Schlesinger, em Janeiro de 1975.

Esse documento histórico foi desclassificado, publicado pelo National Security Archive e resulta de uma investigação do historiador William Burr, autor de um livro The Kissinger Transcripts, sobre as negociações do chefe da diplomacia norte-america com a URSS e China, nos anos 70.

A 22 de Janeiro de 1975, num pequeno-almoço na Casa Branca entre Kissinger e Schlesinger, Portugal era o primeiro tema de conversa, escassos dez meses passados sobre a Revolução dos Cravos que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano.

Kissinger comentou que era necessário ter “um programa” para Portugal. Razão: “Há 50 por cento de hipóteses de perder” o país. Perder Portugal para os comunistas, entenda-se.

É então que o secretário da Defesa afirma que os Estados Unidos “têm um plano de contingência para ocupar os Açores”. Apesar de isso “estimular a independência dos Açores” – por essa altura a posição formal de Washington era de “neutralidade” quanto aos independentistas dos Açores.

A transcrição, breve, da conversa é feita por William Burr no blogue do National Security Archive, com sede em Washington, associada à George Washington University, e que se dedica à desclassificação e divulgação de investigação histórica da História dos Estados Unidos.

Segundo Burr, os planos de contingência não são conhecidos e estarão arquivados no Pentágono.

O historiador norte-americano conclui que os receios de Henry Kissinger, que comparou Mário Soares, fundador e líder histórico do PS, a Kerensky, provaram ser exagerados. Depois de meses de revolução nas ruas, de golpes e contragolpes, Portugal tornou-se uma democracia representativa. Em 1976, o PS ganhou as eleições legislativas. 
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sexta-feira, novembro 19, 2010

Milhares de documentos confirmam apoio dos EUA ao golpe de Pinochet


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Museu da Memória no Chile tem novos dados no seu arquivo
 
18.11.2010 - 18:22 Por Isabel Gorjão Santos
O apoio norte-americano ao golpe militar que derrubou o Presidente chileno Salvador Allende, a 11 de Setembro de 1973, não é um tema inédito, mas agora há dados novos. O Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago do Chile acaba de receber mais de 20.000 documentos desclassificados que trazem novas informações sobre o envolvimento dos EUA no golpe que deu início à ditadura de Pinochet.
Pinochet derrubou Allende em 1973 e ficou no poder até 1990  
Pinochet derrubou Allende em 1973 e ficou no poder até 1990 (Claudia Daut/Reuters)
“Desejamos que o seu governo seja próspero. Queremos ajudá-lo e não obstruir o seu trabalho.” Estamos em Junho de 1976, passaram já quase três anos após o bombardeamento do Palácio de La Moneda em Santiago e a morte de Allende. O secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger prepara-se para fazer um discurso na Organização dos Estados Americanos sobre direitos humanos, mas antes volta-se para o general Augusto Pinochet e manifesta-lhe o seu apoio. Depois acrescenta: “Está a ser vítima de todos os grupos de esquerda do mundo e o seu maior pecado não foi outro senão derrubar um governo que se converteu ao comunismo”.

Esta conversa entre o secretário de Estado norte-americano e o ditador chileno, que ontem foi citada pelo diário espanhol "El Mundo", é uma das que se encontram transcritas nos documentos que agora passaram a fazer parte dos arquivos do Museu da Memória. Mas nos mais de 20.000 documentos entregues pelo director do projecto dedicado ao Chile no arquivo da Universidade George Washington, Peter Kornbluh, é também expressa “de forma muto clara” a intervenção da Administração do Presidente Richard Nixon.

Peter Kornbluh, autor de várias obras sobre a ditadura chilena, adiantou ao "El Mundo" que Kissinger “foi o arquitecto do programa para derrotar Allende entre 1970 e 1973”. Alguns dos documentos agora disponibilizados, cerca de 2000, provêem da CIA, enquanto outros são transcrições de conversas de Kissinger ou informações sobre como Pinochet e o chefe da polícia secreta Chile DINA, Manuel Contreras, tentaram encobrir o assassínio em Washington do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Allende, Orlando Letelier.

Kornbluh considera que os documentos serão um contributo para os processos judiciais sobre violações de direitos humanos na ditadura que se prolongou até 1990 e em que foram mortos mais de 3000 opositores.
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quarta-feira, abril 14, 2010

Como Kissinger virou cúmplice de assassinatos na Operação Condor

Mundo

Vermelho - 10 de Abril de 2010 - 22h29

Documentos divulgados neste sábado (10) pela ONG The National Security Archive (NSA) revelam que o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger ignorou os esforços de Washington para evitar crimes políticos no Cone Sul. Em 1976, Kissinger chegou a cancelar as ordens para que diplomatas americanos dos Estados Unidos no Chile, na Argentina e no Uruguai se pronunciassem contra os assassinatos internacionais de opositores aos regimes militares desses países.

Cinco dias mais tarde, um atentado com um carro-bomba em Washington matou o ex-chanceler chileno e posterior opositor Orlando Letelier, na Avenida Massachusetts, em Washington. Segundo a NSA, tratou-se do ato mais "infame" dos aliados na Operação Condor — aliança político-militar formada nos anos 1970 pelos serviços de inteligência militares de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. O objetivo da operação era localizar e assassinar os opositores aos regimes militares desses países.

Num telegrama enviado em 16 de setembro de 1976 de Lusaka, capital da Zâmbia, Kissinger “instruiu que não fossem empreendidas ações adicionais sobre esse assunto”. As instruções destinadas ao então secretário de Estado para Assuntos Interamericanos, Harry Shlaudeman, puseram fim a uma ordem dada pelo próprio Kissinger três semanas antes.

A ordem inicial era que altos funcionários do Departamento de Estado americano transmitissem aos chefes de Estado de Chile, Argentina e Uruguai sua "profunda preocupação" com os "planos de assassinato de elementos subversivos, políticos e figuras de destaque dentro de alguns países do Cone Sul e no exterior". Essa mensagem nunca chegou a ser entregue.

"O telegrama do dia 16 é a peça que faltava do quebra-cabeça histórico sobre o papel de Kissinger na ação e a falta de ação do governo americano após ter conhecimento sobre os planos de assassinato" da Operação Condor, afirmou em comunicado Peter Kornbluh, analista da ONG e autor do livro The Pinochet File: A Declassified Dossier on Atrocity and Accountability.

Kornbluch assinala que os novos documentos permitem finalmente saber o que ocorreu. "O Departamento de Estado iniciou um esforço oportuno para frustrar a campanha de assassinatos no Cone Sul — e Kissinger, sem dar explicações, a abortou". Em sua opinião, a decisão de Kissinger de cancelar a advertência às nações da Operação Condor impediu que se enviasse uma mensagem diplomática de protesto que poderia ter dissuadido um ato de terrorismo na capital americana.

Da Redação, com agências
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