A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Bernardino Soares ~ Onde está o dinheiro ?



  • N.º 1994 
    16.Fevereiro.2012 Avante!
    Bernardino Soares

  • Membro da Comissão Política do PCP


Há muito dinheiro a ser entregue ao grande capital
Onde está o dinheiro?
De cada vez que num debate se critica os absurdos cortes nos orçamentos de diversos ministérios e sectores, os executores e apoiantes de serviço ao pacto de agressão atiram inevitavelmente a ideia de que tem de ser assim. Perante a ideia de que é preciso financiar o SNS, investir na educação, melhorar as pensões, apoiar a cultura ou aumentar o investimento público, a resposta é sempre a mesma: «não há dinheiro!» Repete-se esta ideia, amplificada ao extremo pela comunicação social, para convencer o povo português de que não há alternativa a este caminho.

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E com frequência os portugueses perguntam: para onde vai então tanto dinheiro roubado aos salários, aos direitos, ao investimento e desenvolvimento económico? De facto – sendo certo que o nosso País, fruto da política de direita de 35 anos, vive uma gravíssima situação social, económica e também financeira – há dinheiro que não chega onde devia e que engrossa a riqueza dos grupos económicos e dos seus detentores.
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Vejamos então por onde anda o dinheiro. Alguns exemplos.
Aos 78 mil milhões de euros incluídos no pacto de agressão – que no fundamental irão para os mercados financeiros por diversas vias, incluindo 12 mil milhões disponíveis para a recapitalização da banca – corresponderão mais de 35 mil milhões de euros de juros e comissões (cerca de um quinto do PIB).
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A banca continua a embolsar por várias outras vias. Não nos deixemos enganar pelos prejuízos anunciados nos últimos dias, manobra que o Partido já esta semana denunciou. Na realidade, para além de outras manigâncias, estes prejuízos concentrados num ano só servirão para não pagar centenas de milhões de euros de impostos durante vários anos. Foi também por isso que o Governo aumentou no Orçamento para 2012 o prazo para reportar esses prejuízos no plano fiscal de 4 para 5 anos. E temos também o escandaloso negócio dos fundos de pensões entregues ao Estado, em que, para além do seu insuficiente provisionamento, que significa um encargo adicional para a Segurança Social, se prevê que cerca de 50% do seu valor fique de imediato na banca, para além de se atribuir créditos fiscais para os próximos 10 a 20 anos; tudo somado dará um benefício à Banca privada entre 6 a 8 mil milhões de euros.
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Acrescente-se o BPN, cujo buraco sem fundo continua por apurar, mas que, comprovadamente, beneficiou de garantias do Estado que ascendem já a 4 mil milhões de euros, dos quais 150 milhões já foram executados, perspectivando-se para breve uma injecção directa de capital de 600 milhões (lembre-se que foi vendido ao BIC por 40 milhões de euros!). Para além disso o envolvimento da CGD faz com que mais de um terço do seu endividamento derive da intervenção no BPN.
No caso do BPP, o Estado prestou garantias no valor de cerca de 457 milhões de euros (cujas contragarantias o Governo jurou serem sólidas), que foram executadas quase na totalidade (cerca de 451 milhões).

Dinheiro há, e muito

No plano dos benefícios fiscais, lembre-se que a despesa fiscal com o off-shore da Madeira é em 2012 de 1200 milhões de euros; que o já referido alargamento do reporte de prejuízos significa uma perda de largas centenas de milhões de euros por cada ano; que a rejeição da taxa de 0,2% sobre transacções financeiras, proposta pelo PCP, deita fora 200 milhões de euros por ano; que idêntica rejeição da taxa de 25% proposta sobre transferências para paraísos fiscais despreza uma receita de 4 mil milhões de euros anuais; que muitas centenas de milhões de euros seriam cobrados se as mais-valias bolsistas das SGPS pagassem imposto (actualmente só pagam os sujeitos individuais no IRS e só isso permite uma receita de 200 milhões de euros); que o agravamento do imposto sobre bens e imóveis de luxo permitiria certamente uma receita importante para o Estado; que a rejeição de uma proposta do PCP para tributar devidamente as SGPS que deslocalizam a sua sede fiscal permite a impunidade de operações como a do Grupo Jerónimo Martins/Pingo Doce e de outras empresas do PSI-20.
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Na área da saúde, enquanto se nega o financiamento aos hospitais e aos centros de saúde do SNS e se aumenta as taxas moderadoras, em 2012 entrega-se 320 milhões de euros aos grupos económicos através das parcerias público-privado. Para além disso, continua o regabofe do financiamento dos grandes hospitais privados com fundos públicos (designadamente através da ADSE), que os vários governos se recusam a quantificar, mas que recentemente o Ministro da Saúde admitiu ser uma verba anual da ordem da despesa da ARS Centro, isto é, cerca de 600 milhões de euros.
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Na área dos transportes, para além do prejuízo sistemático das empresas públicas na distribuição da receita do passe social (em 2011 só na área de Lisboa, pelo menos 4 milhões de euros a mais) avultam os chorudos 45 milhões de euros entregues entre 2005 e 2010 à Fertagus, no âmbito de um contrato em que o Estado faz o investimento e garante os lucros, mesmo que não circulem passageiros.
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São alguns exemplos de que há muito dinheiro a ser entregue ao grande capital, que desmentem com clareza a falsidade de que não há dinheiro para os trabalhadores, os reformados e os serviços públicos.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Um dia indigno na vida parlamentar

o tempo das cerejas*

um blogue de esquerda em homenagem à Comuna de Paris

02/12/10


Post-it para plastificar


In illo tempore, declararam os do Governo e do PS que não concordavam com a antecipação para Dezembro de 2010 da distribuição de dividendos pela PT que, em circunstâncias normais, só deveria ser feita em 2011. Hoje, PS, PSD e CDS votaram contra a iniciativa legislativa do PCP que punha nos eixos este grosseiro truque de, coisa nunca vista, pagar dividendos de 2010 no próprio ano de 2010, assumidamente para os isentar das taxas fiscais que vão vigorar em 2011.
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Declararam os mesmos depois que havia insuperáveis dificuldades técnico-jurídicas que impediam o governo de impedir e enfrentar esta manobra (de que tinha tido antecipado conhecimento, como foi noticiado) urdida por alguns daqueles que estão sempre na primeira linha a reclamar mais austeridade, reduções salariais e agravamentos de impostos para quem trabalha. Mas o PCP apresentou um aditamento que tornou o seu projecto-lei tecnicamente impecável e lá se foi a desculpa de mau pagador do PS e do Governo.
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.Mas não adiantou: PS (este depois da chantagem dessa inesquecível figura da democracia portuguesa que se dá pelo nome de Francisco Assis), PSD e CDS chumbaram o projecto-lei do PCP com o desavergonhado argumento de que a sua aprovação afectaria a confiança dos investidores (ou porque seria uma «perseguição aos capitalistas» (a não perder, sobre este ponto a resposta de António Filipe aos 3.17 ms. do vídeo abaixo),uma javardice de argumento quando todos sabemos que o que estava em causa era enfrentar e desarticular um truque imoral, escandaloso e conscientemente urdido para lesar o fisco.
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Eu sei, e aliás muitas vezes o repito, que quase tudo está organizado para quase tudo se esqueça e pouco se aprenda, mas por favor, encore un effort, lembrem-se sempre do que aconteceu hoje na AR quando voltarem a ver nas televisões representantes de grandes grupos económicos a falar como se fossem os pais, os santos protectores e os salvadores da Pátria (que, como está à vista, está depositada na sua barriga).

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.Lembrem-se sempre do que aconteceu hoje na AR quando virem ou ouvirem José Sócrates e Teixeira dos Santos a proclamarem a sua beata mas falsíssima devoção aos príncipios da equidade e da justiça fiscal.
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.E, por fim, se não for pedir de mais (mas, tragicamente, temo que seja), lembrem-se sempre do que aconteceu hoje na AR - deputados do PS, do PSD e do CDS a votarem como accionistas a PT e da Jerónimo Martins - quando forem chamados a votar.




-Bernardino Soares, hoje na AR
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PS/PSD e CDS impedem a tributação dos dividendos distribuídos por sociedades gestoras de participações sociais


Intervenção de Bernardino Soares na Assembleia de República

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
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O debate de hoje e a votação do projecto do PCP vai ser um teste a esta Assembleia da República e aos Deputados. Um teste para saber se há ainda um resto de independência do poder político face ao poder económico, ou se nem nesta cristalina questão da tributação da distribuição de dividendos de empresas como a PT, a capacidade de decisão política do Governo e de alguns partidos se encontra completamente capturada pelos grandes grupos económicos.
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Durante as últimas semanas foram muitas as declarações de repúdio pela tentativa de fugir à tributação da PT e de outras empresas, incluindo, como foi já aqui referido, da parte do Primeiro-ministro e do Ministro das Finanças, para além de muitos deputados de várias bancadas.
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Os argumentos que foram sendo avançados contra a aprovação deste projecto não têm qualquer fundamento.
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Ao contrário da semana passada em relação à proposta do PCP de que fosse actualizada a taxa aplicável às mais-valias bolsistas, já não há acordo com o PSD que condicione o voto do PS.
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Com esta iniciativa do PCP, não se comprometem as contas públicas, argumento recorrentemente utilizado na última discussão orçamental para chumbar justas propostas desta bancada. Não, com esta iniciativa melhora-se a situação das contas públicas, visto que a sua aprovação constituirá uma receita adicional de centenas de milhões de euros, mais de 200 milhões só no caso dos dividendos da PT. E aumenta-se a receita sem retirar aos salários, às prestações sociais, às reformas – retirando justamente aos que muito lucram e pouco pagam.
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Com esta iniciativa do PCP, não há qualquer tipo de aplicação retroactiva da lei fiscal, como todos sabem muito bem. Não se trata de um novo imposto, mas da eliminação de um benefício que limitava a tributação destes dividendos. Era o que faltava que não houvesse retroactividade para aumentar o IRS sobre os salários e as reformas em 1% e 1,5% como o Governo e o PSD fizeram este ano, mas que para tributar os dividendos dos lucros destas grandes empresas já houvesse retroactividade. A norma constitucional da proibição de retroactividade não significa que se considerem retroactivas as alterações feitas nos impostos já existentes, como é o caso.
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Se alguém antecipa alguma coisa indevidamente, não é esta proposta do PCP. Todos sabem que em geral estes dividendos se distribuem em Abril ou Maio. Todos sabem que é perante a alteração das normas de tributação anunciada com o orçamento para 2011 que estas empresas decidiram antecipar a distribuição do dividendo para tentar não pagar imposto.
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Não é o projecto do PCP que antecipa o imposto para apanhar os dividendos, é a PT (e outras empresas) que antecipa o dividendo para não pagar o imposto.
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É também caricato que o PSD e outros venham falar de estabilidade fiscal. Logo no ano em que aumentou o IVA em Julho; em que o PSD ajudou a aprovar um aumento do IRS sobre os trabalhadores também em Julho. Para o povo e os trabalhadores não é preciso haver estabilidade fiscal, só para o grande capital é que é.
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Escusam também e vir com a velha tese de que esta, como qualquer medida que vise introduzir alguma justiça na tributação dos lucros, vaia assustar os investidores. Alguém explica como é que esta medida em 2010 assusta os investidores e a medida exactamente idêntica em 2011 já não assusta?
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Finalmente também já morreu o falso argumento da ineficácia do nosso projecto. Foi um argumento que alguns procuraram usar para limparem a sua própria responsabilidade na decisão que hoje vamos aqui tomar.
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Queriam mais concretização e na terça-feira o Grupo Parlamentar do PCP apresentou um aditamento para concretizar a aplicação em 2010 destas normas. Acabou-se este argumento.
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E se hoje for aprovado este projecto e a sua votação na especialidade decorrer de forma a que, ou na votação de amanhã, ou no máximo na de dia 9, seja aprovado em votação final global, só o veto do Presidente da República pode impedir a aplicação desta tributação em 2010.
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É altura por isso de o voto bater certo com o discurso. Votar contra este projecto do PCP significa dar ao Grupo Espírito Santo, à Ongoing e a outros os milhões que PS e PSD retiraram com o orçamento do Estado aos salários, às reformas ou ao abono de família.
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É altura de sabermos se quando o Governo anunciou a intenção em Setembro, de tributar estes dividendos, o fez com seriedade ou se de forma capciosa para deixar espaço à manobra de roubo ao fisco que estas empresas se propõem praticar.
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Os Deputados, titulares do poder político, eleitos pelo povo para o órgão de soberania que representa a pluralidade da nossa sociedade é que vão decidir o destino desta proposta do PCP.
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Respeitamos totalmente as decisões, regras e processos internos de cada bancada, nos quais obviamente não nos imiscuímos, designadamente a questão da disciplina de voto. Mas hão-de permitir-nos dizer o seguinte: é que sempre que se trata de tocar num cêntimo dos lucros de grandes grupos económicos, há sempre disciplina de voto. Costuma dizer-se que as excepções são para as questões de consciência. Mas é ou não uma questão de consciência decidir que quem tem lucros tem de pagar imposto. Sempre e sobretudo no momento em que se impões pesados e injustos sacrifícios à generalidade dos portugueses, que ao que parece se vão entender até ao aumento do salário mínimo cujo compromisso o Governo está a romper.
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Se este projecto for chumbado, prova-se que quem decide o voto destas bancadas não são as mesmas ou a sua direcção, nem sequer o Governo e o seu núcleo duro. Quem decide é o poder económico. Eles mandam e aqui há quem lhes vá obedecer.
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Se este projecto não for hoje aqui aprovado, a razão não será técnica ou económica. A razão será a de que se quer proteger os lucros dos grandes grupos económicos em vez de se proteger o interesse colectivo. E essa é a responsabilidade política de todos e cada um dos Deputados desta casa. Defender o interesse colectivo ou vergar-se perante o interesse de um punhado de accionistas.
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Disse,
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Intervenção de Honório Novo na Assembleia de República

Tributação dos dividendos distribuídos por Grupos Económicos e SGPS em 2010

Senhor Presidente
Senhores Deputados

Haja ou não haja crise em Portugal, viva ou não o País com a “ameaça dos mercados”, que os poderosos, os grandes grupos económicos e o sistema financeiro continuam sempre a invocar o interesse nacional para continuar pagar muito pouco ou quase nada dos impostos que poderiam e deveriam pagar.
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Vamos hoje demonstrá-lo de novo com este agendamento potestativo.
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Foram seis mil milhões de euros de mais-valias, seis mil milhões de euros de lucros obtidos pela PT no passado mês de Junho quando vendeu a sua participação na VIVO, doze anos depois de a ter comprado por pouco mais de mil milhões de euros. Um lucro fabuloso no maior negócio de sempre em Portugal, um dos maiores do mundo em 2010, não pagou até hoje um cêntimo sequer em impostos… 
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Como é possível toda esta facilidade? Tudo bem simples e na maior das “legalidades”. A participação da PT na VIVO era detida por uma empresa com domicílio fiscal na Holanda, a Brasilcel BV, empresa que pertence à PT, SGPS. Esta rede de relações entre entidades aparentemente diversas mas que na verdade são uma só unidade empresarial, fez com que a empresa com sede na Holanda tenha sido aí isenta de pagar imposto sobre as mais-valias realizadas com a venda da VIVO e, numa fase posterior, que estes lucros possam ter sido integralmente transferidos da sucursal holandesa para a empresa mãe, isto é, para a PT, sempre sem pagar um cêntimo de imposto sobre lucros. 
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Mas a história deste tipo de total isenção de impostos com a cobertura “legal” de uma legislação fiscal preparada para beneficiar os grandes grupos económicos e, simultaneamente, penalizar quem trabalha ou quem vive das pensões e reformas bem abaixo do salário mínimo, não começou com o caso mais recente da venda da VIVO à Telefónica.
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As mesmas ou semelhantes técnicas de planeamento fiscal, usando os “buracos”, as omissões e as disposições permissivas existentes no sistema fiscal em Portugal, permitindo a não tributação de milhares de milhões de euros de rendimentos que deveriam ser tributados, não começou, porém, com este caso mais recente e mediatizado da VIVO. O mesmo sucedera antes em inúmeros casos, seja com a mesma Portugal Telecom, quando há algum tempo vendeu interesses em Marrocos, em que cerca de duzentos milhões de euros de lucros obtidos ficaram limpos de impostos, seja quando o Grupo Amorim entrou na Galp ou na altura em que a SONAE lançou a OPA sobre a PT, sempre a partir de holdings sedeadas na Holanda para não pagarem impostos sobre os lucros vindouros.
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Senhor Presidente
Senhores Deputados
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Quem, contudo, possa pensar que a rede montada para isentar de tributação este tipo de rendimentos acabou com as transferências do produto das vendas, das sucursais fora do País para as empresas-mãe, desengane-se. A rede prossegue até à distribuição efectiva dos lucros, isto é, dos dividendos das empresas-mãe pelos seus accionistas. 
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Mais uma vez serve de exemplo – evidentemente não único nem isolado – o caso da PT na venda da VIVO.
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Dos seis milhões de euros de lucros realizados em Junho deste ano, a PT vai distribuir cerca de 1500 milhões de euros pelos accionistas, designadamente o BES, a CGD, a Ongoing, o Grupo Visabeira ou a Controlinveste. A legislação fiscal continua, porém, a permitir que estes lucros continuem livres de impostos quando os accionistas que recebem os dividendos sejam Sociedades Gestoras de Participações Sociais, caso de todos aqueles accionistas chamados de referência e da maioria esmagadora dos accionistas da PT. Estão as SGPS, “legalmente e automaticamente” isentas de impostos sobre dividendos para, pasme-se, evitar a dupla tributação económica!...
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Maior hipocrisia é de facto impossível para designar um verdadeiro esquema legal de ausência de tributação e de pagamento de impostos da parte de grandes grupos económicos e financeiros organizados em torno das chamadas Sociedades Gestoras de Participações Sociais, que o Governo, aliás, se recusa a tributar. 
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Foi este objectivo – o da obtenção de enormes mais-valias e de vultuosos dividendos - que fez os accionistas de referência da PT a pressionarem para a venda VIVO. 
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Desde esse momento se sabia o que pretendia fazer a PT: distribuir dividendos pelos seus accionistas. Isso mesmo foi aliás recentemente confirmado pelo Presidente não executivo da PT, (Henrique Granadeiro), que recordou que desde a venda da Vivo, (em Junho), a PT anunciara que iria distribuir dividendos extraordinários e, igualmente, dizendo que a “política de remuneração dos accionistas tinha sido conversada com a golden share”, isto é, com o Governo. 
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Ou seja, o Governo, o Primeiro-ministro e o Ministro das Finanças sabiam muito bem, pelo menos desde o início do Verão passado, que a PT iria distribuir dividendos extraordinários aos respectivos accionistas. E sabiam também muito bem – porque sempre se recusaram aceitar alterações à legislação fiscal que inúmeras vezes lhe foram sendo feitas pelo PCP e por outros partidos para tributar as mais-valias de SGPS em IRS e também em IRC, mormente as realizadas por SGPS e por outras entidades.
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Senhor Presidente
Senhores Deputados
O Governo anunciou no final do Verão ter intenções de, (finalmente), alterar algumas normas na tributação das Sociedades Gestoras de Participações Sociais. Esta intenção foi anunciada pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em Setembro, (ainda bem antes da entrada do Orçamento de Estado), o que faria prever que o Governo avançaria de imediato, ainda em 2010, com propostas de alteração do actual quadro fiscal privilegiado para as SGPS.
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Só que, apesar das intenções anunciadas, o Governo não tomou qualquer iniciativa legislativa passível de produzir efeitos ainda em 2010. Só apresentou alterações na proposta de Orçamento do Estado, permitindo, ainda uma vez mais, a manutenção do estatuto privilegiado das SGPS no ano em curso.
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Este esquecimento do Governo permite que os accionistas dos grandes grupos económicos e financeiros organizados em SGPS continuem a beneficiar, mais um ano, da isenção plena de tributação dos dividendos que lhes são distribuídos.
Pior: perante o anúncio, feito com dois meses e meio de antecedência (em 15 de Outubro, com a entrada do Orçamento), que a intenção do Governo passava afinal por tributar os dividendos recebidos por SGPS só a partir de 1 de Janeiro de 2011, os grandes grupos económicos e financeiros “desataram” a anunciar a antecipação da distribuição de dividendos, incluindo os extraordinários, para o ano corrente, ainda que, não fosse este conveniente esquecimento do Governo e este amigo pré-aviso de alteração da legislação fiscal, tais dividendos só fossem normalmente distribuídos em Abril/Maio do próximo ano. 
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Foi o que fez a PT, anunciando a antecipação de cerca de 60% dos dividendos extraordinários resultantes da venda da VIVO, cerca de 900 milhões do total de 1500 milhões que irão ser distribuídos. Uma verdadeira “taluda de Natal” para os seus accionistas, para Ricardo Salgado e o Grupo BES, para Faria de Oliveira e a CGD, para Nuno Vasconcelos e a Ongoing, para Paulo Varela e o Grupo Visabeira, para Joaquim Oliveira e a Controlinveste, entre muitos outros.
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Foi também o que fizeram a Portucel e a Jerónimo Martins que já anunciaram também a antecipação para 2010 da distribuição dos dividendos que normalmente só iriam ser entregues em 2011, com o objectivo claro e único de fugir à tributação que teriam que passar a suportar em 2011, mas de que continuarão a estar isentos se anteciparem a distribuição desses dividendos para 2010. 
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A expressão “taluda de Natal” traduz bem o que o Governo quer oferecer aos “pobres” accionistas de todos estes e muitos outros grupos financeiros que se preparam para fazer o mesmo “dentro da maior legalidade”, (para parafrasear Paulo Azevedo, presidente da SONAE), numa ideia também perfilhada por Teixeira dos Santos, ministro das Finanças do Governo do PS. 
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Se nada for feito – e o Governo nada quer fazer, porque prefere aumentar o IVA para 23%, cortar no abono de família, no subsídio de desemprego ou nas comparticipações dos remédios – muitos dos dividendos a distribuir em 2011 vão ser antecipados para 201O e recebidos com total isenção de impostos.
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São muitas centenas de milhões de euros de receitas fiscais que se irão perder. Só no caso da PT poderão ser, no mínimo, cerca de 200 milhões de euros de receitas fiscais que o Governo poderia utilizar para não cortar o abono de família a muitas dezenas de milhares de famílias em Portugal 
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Senhor Presidente
Senhores Deputados
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“Penso que causaria um dano na reputação da PT permitir transmitir a ideia de que pretende fugir ao pagamento de impostos em 2011”, afirmou o Ministro das Finanças a propósito do anúncio da antecipação para 2010 na distribuição de dividendos extraordinários.
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“A PT certamente fará a distribuição de dividendos por forma a pagar impostos, contribuindo para o esforço colectivos que estamos a fazer”, disse o Primeiro-ministro numa entrevista à TVI.
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“Em matéria tributária, a Assembleia da República é soberana”, disse ainda Teixeira dos Santos no debate orçamental, a propósito desta iniciativa legislativa do PCP, que hoje discutimos, e que pretende alterar a legislação fiscal no mesmo exacto sentido que o Governo propõe que seja feito em 2011, e que foi aliás já aprovado no debate orçamental concluído na passada semana, propondo-se fazer que tais alterações produzam efeitos já em 2010.
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Se os grupos económicos e financeiros querem – ao contrário do que, aparentemente, desejava o Primeiro-ministro na entrevista da TVI e contrariando os apelos à ética e à moral feitos pelo Ministro das Finanças – antecipar a distribuição de dividendos para fugir legalmente ao pagamento de impostos que teriam que pagar em 2011, é altura do Poder Político não pactuar com manobras dilatórias desta natureza e dizer se está ou não a mando do poder económico ou se, pelo contrário, e como manda a Constituição da República, é o poder económico quem deve submeter-se à vontade do poder político.
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É em síntese isto que está em jogo com a tributação, ou não, dos dividendos recebidos pelas SGPS e a antecipação da respectiva distribuição para 2010.
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Estaremos abertos a todas as soluções técnicas para tributar de forma segura estes dividendos já em 2010. Apresentámos e divulgamos mesmo antes deste debate algumas soluções que podem ser ainda alteradas e/ou melhoradas. Partindo do que em boa parte já está previsto no Código do IRC, adoptamos os seus princípios para os aplicar de forma específica a todos os sujeitos que recebam dividendos distribuídos por SGPS e, evidentemente, incluindo nestes procedimentos as SGPS com sede nacional ou domicílio de conveniência no estrangeiros, que sejam também beneficiárias e que, sem isso, ficariam totalmente isentas em 2010. Esperamos também (e ansiosamente) as propostas alternativas que foram sendo anunciadas por deputados do PS para permitir uma tributação segura e eficiente, já em 2010, dos dividendos distribuídos antecipadamente. Não as conhecemos ainda, não obstante ter sido dito que seriam incluídas no Orçamento para 2011 ou fora dele.
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O importante é ver até que ponto é que a Assembleia da República é de facto soberana em matéria fiscal ou, se, pelo contrário, se limita a replicar as indicações expressas ou implícitas do Governo num outro sentido.
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O importante é ver até que ponto as declarações de indignação do Governo, do ministro das Finanças e do Primeiro-ministro sobre a antecipação na distribuição de dividendos são de facto genuínas.
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O importante, da nossa parte, é verificar se é possível dar um passo no sentido da equidade fiscal ou se, pelo contrário, se dará mais um passo para confirmar que em Portugal os poderosos continuarão a ser ferreamente protegidos por um poder político submisso e obediente.
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Disse
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segunda-feira, agosto 02, 2010

PCP - Jornada Nacional de esclarecimento e protesto contra os novos cortes nos apoios sociais

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Jornada Nacional de esclarecimento e protesto contra os novos cortes nos apoios sociais


Artigos Relacionados

Declaração de Bernardino Soares sobre a Jornada Nacional do PCP de esclarecimento e protesto contra os novos cortes nos apoios sociais
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Contras os cortes no subsídio de doença, acção social escolar, abono de família, rendimento social de inserção, complemento solidário para idosos e muitos outros apoios sociais, o PCP está hoje na rua em protesto. Numa campanha que denuncia estas medidas inaceitáveis do Governo PS e do PSD e exigir uma política alternativa que rompa com este caminho de desastre social.
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A partir do próximo dia 1 de Agosto entrarão em vigor os novos critérios que determinam o acesso aos diferentes apoios sociais – subsídio de doença e de aleitação, apoio social escolar, abono de família, rendimento social de inserção, apoio à habitação, complemento solidário para idosos, entre outros – e que implicam um violento corte nos valores e na amplitude deste conjunto de direitos.
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O PCP realizará amanhã em vários pontos do país, uma Jornada Nacional de esclarecimento e protesto contra os novos cortes nos apoios sociais, acção de protesto e luta que será marcada por dezenas de acções de rua, de esclarecimento, mobilização e protesto contra a actual ofensiva e, simultâneamente, de afirmação de uma política alternativa.
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Num momento em que se agravam as dificuldades dos portugueses, à aplicação destes novos cortes nos apoios e prestações sociais, juntam-se outras medidas profundamente injustas como o roubo nos salários e pensões, o aumento do IRS, o aumento de preços (por via do IVA), o encerramento de serviços públicos e as privatizações.
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A necessidade de travar a política do PS, PSD e CDS face à gravidade de todas estas medidas, exige a indignação, o protesto e a luta que concretizem uma ruptura e uma mudança na vida política nacional. Pela valorização e desenvolvimento dos apoios e prestações sociais, pelo aumento dos salários e das pensões, por mais justiça e melhores condições de vida.
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Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Faro, Comício

Depois do aumento dos preços, o corte nos apoios sociais: basta de política de direita


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Faro

Estamos hoje aqui numa iniciativa que tendo tradicionalmente como elemento a projecção da Festa do Avante!, tem este ano, justamente, a questão da produção nacional e o desenvolvimento regional como aspectos centrais, elementos que assumem na Festa do Avante! deste ano tratamento relevante. É uma decisão que se justifica plenamente. 
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No passado dia 1 de Julho entraram em vigor as primeiras medidas do PEC, o tal Programa chamado de Estabilidade e Crescimento, mas que mais não é do que um programa de instabilidade, de retrocesso e declínio nacional. Um Programa acordado entre o governo do PS e o PSD e que transporta uma das mais violentas ofensivas contra os trabalhadores e o povo e as suas condições de vida, e que anuncia de forma antecipada o desastre económico e social do país. Um Programa que vai pôr o país a andar para trás, acentuando ainda mais a divergência com o desenvolvimento dos restantes países da União Europeia e de agravamento dos muitos problemas que o país e as diversas regiões enfrentam. 
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Problemas que estão patentes aqui no Algarve nas altíssimas taxas de desemprego, na precariedade crescente do trabalho e da vida de milhares de trabalhadores, na destruição sistemática da capacidade produtiva desta região – pescas, indústria, agricultura - e num modelo de desenvolvimento que foi afunilando as suas actividades para um único sector, o turismo, apesar da sua importância e da importância que tem nesta região.
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Só o desemprego aqui no Algarve cresceu no último ano 38,4%, a maior subida do desemprego no país. A praga dos salários em atraso vai-se multiplicando, nomeadamente na hotelaria. 
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Problemas bem evidentes também no agravamento das desigualdades regionais e das assimetrias regionais, porque a política de direita nunca assumiu uma política de desenvolvimento harmonioso do território nacional. 
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Justamente, articulando a acção reivindicativa com a acção institucional, a Organização Regional do Algarve e o Grupo Parlamentar apresentaram um pacote de propostas para o desenvolvimento regional em matérias tão importantes como a modernização e requalificação do Caminho de Ferro, apoio às pescas, acessibilidades, requalificação urbana, e outras, todas chumbadas pelo PS e pelo PSD, deitadas abaixo pelos que no Algarve fazem um discurso, mas que fora do Algarve agem, decidem e votam contra os seus interesses. 
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O PEC mais não é que uma nova escalada da ofensiva contra os rendimentos dos trabalhadores e dos reformados, os direitos sociais das populações, os serviços públicos, o emprego, as actividades produtivas e o desenvolvimento do país. 
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Uma colossal ofensiva que se enquadra numa operação mais global, em estreita articulação com o capital europeu e os grandes centros do capitalismo internacional, com o claro objectivo de acelerar o esvaziamento do “estado social” e que em Portugal se traduz numa política de destruição das conquistas do 25 de Abril. 
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Esses mesmos que, no segredo dos gabinetes combinam a ofensiva, puxam e incitam por medidas ainda mais drásticas de austeridade contra o povo e depois fazem um grande alarido, fazendo de conta que são oposição e estão contra, como o faz PSD. Esses que estão sempre apontar o dedo e a infamar os desempregados e os apoios sociais, mas que não têm uma palavra e muito menos uma proposta que ponha em causa os interesses dos grandes grupos, dos banqueiros e os seus lucros, e a grande corrupção de colarinho branco. E a prová-lo está a proposta do CDS para um governo que junte os responsáveis pela situação do país e do Algarve. Na verdade, se as políticas ora são arranjadas com uns ou com outros ou com os dois, então, propõe o CDS, poderiam juntar os trapinhos. 
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Mas está aí também com os eixos fundamentais já conhecidos do projecto de Revisão Constitucional do PSD, um verdadeiro projecto de subversão do regime democrático-constitucional, o desmantelamento do conteúdo social progressista da Constituição, o enfraquecimento dos direitos dos trabalhadores e a alteração dos equilíbrios entre os diferentes órgãos de soberania. Um projecto que, sob a capa da “limpeza ideológica” e da “crise”, visa liquidar conquistas civilizacionais em matéria de educação e saúde.
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Para o PCP, a abertura de um processo de revisão de constitucional não só não constitui uma prioridade, nem uma necessidade, como tais propósitos do PSD têm da parte do PCP a sua firme denúncia e oposição. 
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Mas o PSD ao divulgar agora esses eixos essenciais do seu projecto de Revisão Constitucional, forneceu objectivamente ao PS os instrumentos que lhe permitem promover um discurso de branqueamento da sua política, quando tem vindo a realizar uma política de direita, com grande parte das medidas mais gravosas acordadas com o PSD; permitem ao PSD dizer que não é igual ao PS, ao mesmo tempo que junto com o PS promove as mais gravosas políticas contra os trabalhadores e o povo; e por fim, permite descentrar a vida política daquilo que realmente são problemas centrais – o desemprego e a pobreza que alastram, o favorecimento dos grandes grupos económicos, a privatização de sectores estratégicos e o ataque às condições de vida da maioria do nosso povo. 
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É por isso que deixamos aos trabalhadores e ao povo o alerta para que estejam atentos não só ao desenvolvimento do processo de Revisão Constitucional, mas também para as medidas de política, incluindo o Orçamento de Estado que entretanto será apresentado pelo Governo PS. Estamos infelizmente habituados a ver grandes divergências no discurso entre PS e PSD a transformarem-se em convergência contra os interesses dos trabalhadores, dos que menos têm e menos podem. 
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A ofensiva que aí está com o PEC e medidas adicionais, tem como primeira grande linha de força o roubo aos salários através do imposto adicional do IRS, dos cortes nas deduções especificas nas despesas na saúde e na educação, do aumento dos preços dos bens essenciais com o aumento do IVA. 
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Em relação às portagens o que está em cima da mesa é a abertura do seu pagamento na Via do Infante (A 22), com o PS, PSD e CDS-PP mais uma vez unidos nesse objectivo. É claro que o PSD e o CDS-PP querem que seja o PS a pagar as favas e a queimar-se sozinho numa medida que tomariam caso fossem governo. 
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Por isso dizemos que não foi só o chip da matrícula que teve e terá a nossa firme oposição, é também a introdução de portagens. E muito justamente a Direcção Regional do Algarve do Partido para além das posições que tomou trouxe desde já para a rua a palavra de ordem Não ao PEC Não às Portagens.
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Mas a ofensiva não atinge só directamente e indirectamente os salários e os rendimentos do trabalho. Atinge também as camadas populares do nosso povo com o aumento dos preços dos bens de consumo muito acima da taxa da inflação, mas também as actividades económicas com o aumento dos custos dos factores de produção. 
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Alguns aumentos dos preços são um escândalo num país a braços com uma grave crise, como é o caso dos combustíveis, do gás, dos transportes, da electricidade que pagam os consumidores, mas também os agricultores, as pequenas e médias actividades empresariais. 
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Propusemos face à crise, o congelamento dos preços da energia. Levantou-se o “Carmo e a Trindade” contra o PCP! O PS e os partidos da direita consideraram um sacrilégio contra o mercado! Afinal, aqui ao lado, em Espanha, nos fins de Junho, o Sr. Zapatero, face aos protestos dos consumidores e das actividades económicas congelou os preços da electricidade e não aceitou qualquer aumento. Agora, ficámos a saber que a EDP teve nos primeiros seis meses deste ano 565 milhões de lucros. Afinal quem tinha razão?
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Não venha pois o 1º Ministro dizer que não há propostas. Há propostas! O PS não aceita é as propostas que chocam com interesses dos grupos económicos.
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Uma outra dimensão do ataque do governo do PS e do seu aliado do PEC – o PSD – é a vergonhosa ofensiva contra os apoios sociais que agora entra em vigor. Cortes a partir de Agosto e de Setembro e que se vão concretizar na redução das comparticipações nos medicamentos, nas taxas moderadoras, na acção social escolar, no subsídio social de desemprego, no Rendimento Social de Inserção, no apoio aos doentes acamados, aos deficientes e até na prestação de alimentos do fundo de gastos de alimentação a menores. 
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Tudo isto depois do que antes se anunciou, na primeira versão do PEC de há dois meses, de cortes aos que menos têm, os desempregados e na maioria dos apoios sociais, nomeadamente o Rendimento Social de Inserção e o Complemento Social para Idosos e as pensões sociais do regime não contributivo da segurança social. Nada fica de fora, para quem menos pode e menos tem. Alguns apoios sociais foram dados porque a gravidade da crise o exigiu. 
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Diz o governo que não há dinheiro. Nós dizemos é uma falsidade! Está é mal distribuído. Acabe-se com a cruel injustiça fiscal portuguesa e vão buscar recursos onde eles efectivamente existem. Bastaria o governo aceitar as nossas propostas – as propostas do PCP! 
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A proposta de criação de um novo imposto sobre transacções financeiras e sobre as transferências financeiras para os paraísos fiscais. Só isto significaria 2 mil e 300 milhões de euros de receita fiscal adicional, tendo como referência o ano de 2009. E pôr a pagar o sector bancário e os grandes grupos económicos uma taxa efectiva de 25% de IRC que não paga, deixando de poder deduzir qualquer tipo de benefícios fiscais até ao final de 2013. 
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Medidas que juntamente com a tributação extraordinária, como se devia impor e como também propusemos, dos patrimónios mais elevados, durante os anos de aplicação do PEC, e teríamos cerca 2mil e 900 milhões de euros de receita adicional. Três vezes mais do que se pretende cobrar adicionalmente com as medidas contra o investimento, os salários, as reformas e os preços dos bens essenciais. 
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Cortam nos apoios sociais, nos salários e nas reformas, nos rendimentos dos agricultores, dificultam a vida ao pequeno comércio, mas enquanto a maioria sofre as consequências da crise e desta política, o número de milionários cresce. Cortam nos apoios sociais, mais eis que os dados recentemente tornados públicos dizem que a banca teve no 1º semestre deste ano, em média, mais 11% de lucros, dizem que os quatro maiores bancos privados tiveram um lucro de 4,35 milhões de euros por dia e pagaram de impostos uma taxa de 4,3% sobre os lucros. Uma vergonha! Então como justifica o Governo PS e o PSD o corte nas prestações sociais? Como justificam a manutenção de elevadas comissões nas operações bancárias? Como justificam tantas restrições ao crédito para as pequenas e médias empresas? 
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Em relação ao subsídio de desemprego a situação é gravíssima. Num momento em que continua a crescer o desemprego e cerca de metade dos que estão hoje desempregados, mais de 300 mil, não têm acesso ao subsídio, o que este governo dito socialista deliberadamente promove é o abandono de quem mais precisa. São novas limitações ao seu acesso e a obrigatoriedade dos desempregados a aceitar um emprego por um salário ainda mais baixo do que hoje vigora, fazendo também cair o valor do subsídio.
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Tratam o subsídio de desemprego como se ele fosse uma esmola. Ele é um direito e não uma dádiva dada seja por que governo for. É um direito, porque os trabalhadores que estão actualmente no desemprego descontaram dos seus salários para a segurança social. 
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As medidas que o governo do PS tomou, inaceitáveis para um governo que se diz de esquerda, mas que anda de facto sempre a reboque da direita, não só coloca os trabalhadores portugueses no fundo da tabela das dificuldades no acesso ao subsídio de desemprego, como, com tais medidas, estão a empurrar os salários ainda mais para baixo.
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Dizem com enorme desplante que se trata de obrigar a um regresso mais rápido dos desempregados ao mercado de trabalho. 
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Aonde estão os empregos no Algarve para o regresso rápido ao mercado de trabalho? Alguns terão um emprego precário nestes meses de Verão, mas com uma taxa de crescimento do desemprego que é a maior do país, o que vamos ver depois de Setembro neste Algarve vítima de um modelo de desenvolvimento assente num quase único sector, a manterem-se estas orientações do PEC e esta política de direita, é o seu agravamento. 
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Um agravamento que se adivinha, quando vemos o prosseguimento das falências e das insolvências de muitas micro e pequenas empresas; quando assistimos a várias empresas a encerrar por esse país fora. Situação que tenderá a agravar-se com a decisão do PS da abertura das Grandes Superfícies ao domingo. 
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Em relação ao pacote de medidas contra os direitos sociais é um escândalo que se vá ao pormenor de atacar os mais velhos e doentes, os deficientes, as crianças, os mais pobres no mesmo momento que decidem prolongar as medidas extraordinárias de apoio ao sector bancário. É esta a verdadeira natureza de classe de uma política. Cortam em quem mais precisa e favorecem o capital financeiro. Promovem os Mega agrupamentos no ensino, com o Algarve a ver fechadas, entre 2010 e 2012, mais 21 escolas e mais de 700 a nível nacional com o ridículo e falso argumento dos 20 alunos; olham impávidos e serenos para o fecho do Museu da Cortiça, em Silves, cujo espólio é dos mais importantes da Europa, mas há sempre dinheiro para cobrir os negócios e os interesses do grande capital. 
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É este o tal Estado que dizem querer fora dos negócios, mas que está sempre a servir os negócios dos senhores do dinheiro. Esses senhores que estão sempre a falar na necessidade de menos Estado, mas que não conseguem viver sem o Estado que lhe garante as máximas benesses. 
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Nos medicamentos é outra situação inaceitável. Até aqui os reformados com reformas inferiores ao salário mínimo nacional beneficiavam de uma comparticipação a 100% nos medicamentos genéricos, agora a comparticipação fica limitada aos 5 mais baratos. Assim, se a farmácia não tiver o medicamento ou o médico decidir outro medicamento ou mesmo receitar outra marca de genérico, os reformados terão de pagar a diferença. 
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Somemos tudo o que aí está e veja-se que o que sobra são mais dias no mês, porque o salário vai ficando mais curto e muito mais curto vai ficar com as medidas que estão a ser tomadas pelo governo do PS, com o apoio do PSD. 
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A ofensiva que aí está mostra bem que não é a defesa do dito “Estado Social” que os move, mas a sua destruição e, particularmente, atacar a força do trabalho para manter intocáveis os rendimentos do capital. Andam a “apalpar” o terreno para novas medidas mais gravosas. Se o povo amolecer eles vão carregar mais. O que prenunciam todas estas iniciativas e estas propostas é um novo salto em frente no agravamento da exploração do trabalho, alargando cada vez mais os tentáculos da coerção, da usurpação e do domínio do grande capital e dos seus agentes.
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É isso que vemos também ao nível da União Europeia. 
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A pretexto da defesa da moeda única querem governar o país, seja através do controlo prévio do projecto de Orçamento do Estado, seja pela ameaça do corte dos fundos comunitários se não se cumprirem os critérios irracionais do Pacto de Estabilidade. 
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A sua “ mais Europa” e o seu “ governo económico europeu” significam a entrega de novas parcelas da soberania dos portugueses. Andam sempre a falar do interesse nacional, mas é de capitulação nacional a sua prática e a sua política. 
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O sector das pescas continua a ser flagelado em relação a uma política de capitulação nacional face à União Europeia. Nestes anos de governo do PS foram abatidas mais centena e meia de embarcações no Algarve. A indústria continuou o seu caminho de regressão. Esta Ria Formosa que além da sua beleza é fonte de rendimento para muitas centenas de Mariscadores e Viveiristas continua a padecer de graves problemas com impacto na economia da região sem que sejam adoptadas medidas. 
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O denominado Tratado de Lisboa deu mais um contributo para a alienação de soberania, integrando como competência exclusiva da União Europeia a “conservação dos recursos biológicos do mar”, no âmbito da Política Comum de Pescas. Ao mesmo tempo reforça o poder das grandes potências no processo de decisão.
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Com esta política é o futuro do país que está comprometido. Nenhuma das medidas anunciadas pelo governo vai resolver os problemas do país. Aonde estão as medidas e acção do governo para reverter esta situação cada vez mais negativa da desindustrialização do país e dos sectores produtivos, do desemprego, do super endividamento das famílias e empresas, da queda para o fosso da pobreza e da exclusão de milhares de famílias?
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Só a aposta na produção nacional pode tirar o país da crise e garantir horizontes de desenvolvimento.
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À ofensiva que está em curso, os trabalhadores e o Povo português têm respondido com a sua indignação, o seu protesto e a sua luta, como se verificou na histórica manifestação de 29 de Maio, realizada pela CGTP-IN que reuniu mais de 300 mil pessoas, bem como com a importante jornada de luta descentralizada de 8 de Julho que, por todo o país, movimentou muitos milhares de trabalhadores.
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Uma luta que vai continuar e a que é preciso dar força, apoiando e dinamizando as grandes e as pequenas lutas em torno dos problemas concretos. É por isso justo saudar a unidade e a persistência vitoriosa dos trabalhadores da Alisuper/Alicoop em defesa dos postos de trabalho, bem como a luta dos trabalhadores do Hotel Montechoro pelo pagamento dos 3 meses de salários em atraso. Como costumamos dizer: quando se luta nem sempre se ganha. Quando não se luta perde-se sempre! É preciso continuar a exigir a interrupção, recuo e anulação das medidas do PEC contra os trabalhadores e o povo. 
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Estas medidas não podem continuar a vigorar até 2013! 
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É preciso inverter este processo e exigir que sejam os principais responsáveis pela crise – o grande capital e a alta finança – a responder pela situação que criaram. 
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O aumento do défice das contas públicas dos últimos anos não foi para resolver os problemas do povo e do país. Foi para acudir aos desmandos do sector financeiro e aos desmandos de uma política que conduziu o país à recessão que levou à destruição de empresas e de emprego, ao agravamento sistemático das contas externas, incluindo da dívida e à diminuição das receitas do Estado com a redução da actividade económica. 
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Temos estado na rua e vamos continuar a dizer ao país que as medidas de austeridade para o povo não são a única solução. Que a equidade na distribuição dos sacrifícios de que fala o governo é falsa, que ao contrário do que dizem este não é um esforço colectivo e nacional, mas apenas um programa de sacrifícios para povo. 
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É aos rendimentos do trabalho, aos salários e às reformas, aos bens de primeira necessidade, ao subsídio de desemprego que PS e PSD vão buscar o que não querem retirar aos que nadam nos lucros e na opulência.
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Não foi o caminho de tributar os que continuam a acumular lucros indecorosos e vantagens fiscais inaceitáveis que PS e PSD optaram penalizar. Para esses é o paraíso fiscal que permanece! É bom que se diga e saiba que o ano de 2009 foi o grande ano das transferências para os paraísos fiscais. O melhor ano para os especuladores dos últimos 15 anos! 
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É preciso recordar que a taxa efectiva de IRC com a qual a banca é tributada foi, segundo a Associação de Bancos, de 14,5% em 2007; 12,8% em 2008, e 9,9% no primeiro semestre de 2009. Um escândalo!
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Ao contrário do que dizem PS e PSD, há uma outra alternativa não só para equilibrar as contas do Estado, como uma política alternativa capaz de promover o desenvolvimento do país. A vida mostra que não há solução para Portugal com as políticas de direita, com as políticas ao serviço dos grandes interesses. Que é preciso romper com este círculo vicioso da alternância, onde se muda de caras para parecer que muda alguma coisa. 
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É necessário assegurar a ruptura com a política de desastre nacional. É necessário afirmar uma outra política, patriótica e de esquerda que inverta o caminho para o abismo e relance o país na senda do progresso e da melhoria das condições de vida do povo.
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A saída para os problemas nacionais é inseparável de uma forte afirmação da nossa soberania, que pressupõe uma política que defenda a economia nacional e uma forte aposta no nosso aparelho produtivo, na valorização dos salários e das pensões, enquanto factor favorável à justiça social e à dinamização do mercado interno e ao mesmo tempo valorize e aprofunde os direitos dos trabalhadores.
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Uma política de defesa e promoção da produção nacional, valorizando os nossos recursos, investindo na industrialização do país, na agricultura e nas pescas, orientada para a criação de emprego e o combate ao desemprego e o apoio às pequenas e médias empresas.
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Uma política que reforce o investimento público, visando garantir a construção dos equipamentos necessários às populações, o desenvolvimento da economia e o reforço dos serviços públicos, na saúde, na educação, na segurança social e reforce o apoio aos desempregados.
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Uma política que conduza à recuperação do controlo político dos sectores básicos, promovendo a defesa de um forte e dinâmico sector empresarial do Estado. 
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Por isso dizemos aos portugueses não se resignem, não acreditem em fatalismos, engrossem a corrente de luta que dê uma forte resposta à ofensiva que aí está! 
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Esse é o caminho que é necessário percorrer, porque é a única solução para dar volta à situação a que o país chegou!
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Esse é também o nosso compromisso. São muitos os portugueses que reconhecem justeza e razão às nossas propostas e à nossa luta. Mas nós dizemos-lhes: é com a sua luta que vencerá a sua razão.
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quarta-feira, maio 19, 2010

Moção de censura do PCP é dirigida ao Governo e PSD

 


PCP entregou texto na Assembleia da República

Público - 18.05.2010 - 16:10 Por Sofia Rodrigues
A moção de censura do PCP tem dois destinatários: o Governo e o PSD. “As medidas [do plano de austeridade] são também apoiadas pelo PSD”, justificou Bernardino Soares, líder parlamentar comunista, à saída de um encontro com o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, em que o texto da moção foi entregue.
A proposta será discutida na sexta-feira 
A proposta será discutida na sexta-feira (Daniel Rocha)
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“O Governo PS e o PSD estão juntos numa ofensiva brutal contra os portugueses e contra o interesse nacional”, lê-se no texto da proposta que será discutida na sexta-feira.

Questionado sobre o provável fracasso da moção, Bernardino Soares contra argumenta. “As moções não resultam só quando são aprovadas. O PS já apresentou moções a maiorias de direita”, disse o líder parlamentar comunista.
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Texto vai ser debatido na sexta-feira

Sócrates considera moção de censura do PCP uma “irresponsabilidade total”

18.05.2010 - 13:05 Por Lusa, PÚBLICO
O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou hoje “lamentável e condenável” a posição de “irresponsabilidade total do PCP” por ter decido apresentar uma moção de censura ao Governo.
Sócrates acusa o PCP de trabalhar não para "construir” mas 
“para destruir”  
Sócrates acusa o PCP de trabalhar não para "construir” mas “para destruir” (João Henriques)
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“É lamentável e condenável a posição de irresponsabilidade total do PCP. Num momento destes propor deitar o Governo abaixo não me parece a melhor solução para resolver qualquer problema em Portugal”, afirmou em conferência de imprensa, em Madrid.

O primeiro-ministro afirmou-se “habituado” a posições como estas por parte do PCP, considerando que nos últimos 30 anos os comunistas “nunca trabalharam para construir, para o diálogo ou para o compromisso” mas sempre “para destruir”. “Esta acção política está na linha do que têm sido estes 30 anos do PCP. Sempre que o PS está no governo o PCP acha que sua missão histórica é que esse governo acabe. Fazer da acção política um exercício tão sectário contra o governo não ajuda nada” sublinhou.

Sócrates defendeu que “o país precisa de partidos com posições construtivas e responsáveis que respondam ao interesse do país e não apenas à sua agenda política e táctica”.

Para José Sócrates a decisão do PCP é “reveladora de grande irresponsabilidade”. “Ninguém entende em Portugal que possa representar um contributo que seja para resolver qualquer problema do país. É sectária”, afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre qual pensa que vai ser a posição do PSD, maior partido da oposição, Sócrates remeteu essa questão para os sociais-democratas. “Não me compete a mim pronunciar. Compete ao PSD”, disse.

O PCP vai apresentar esta tarde uma moção de censura ao Governo na Assembleia da República, seguindo uma decisão tomada ontem em reunião do Comité Central. A moção de censura - a primeira enfrentada pelo governo minoritário de José Sócrates – vai ser discutida na sexta-feira.
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Texto vai ser debatido na sexta-feira

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Comentário + votado

Lamentável e condenável

é a irresponsabilidade dos que alegremente endividaram o país de forma alucinante; dos ...
Sem Papas na Língua
18.05.2010 16:35

Comentários 1 a 10 de 70

  1. AlbinoCosta . 19.05.2010 00:44
    Via PÚBLICO

    É só asneira!

    Quando o Sócrates abre a boca, ou sai asneira, ou entra mosca. O pior, é que já estamos habituados, fartos e cansados de tanta asneira. Deixa lá entrar as moscas, homem.
  2. Karluz . 18.05.2010 20:38
    Via PÚBLICO

    quem vier atrás que feche a porta....

    Tem toda a razão o "socas", já não há muito para tirar. Dá pelo menos para rapar os tachos...
  3. Sem Papas na Língua . 18.05.2010 16:35
    Via PÚBLICO

    Lamentável e condenável

    é a irresponsabilidade dos que alegremente endividaram o país de forma alucinante; dos que promoveram a desindustrialização, com a destruição do tecido produtivo nacional e a liquidação de sectores inteiros da economia (construção naval, siderurgia, pescas, metalurgia pesada, etc.); dos que restabeleceram em Portugal o capitalismo monopolista e financeiro; dos que depauperaram os trabalhadores piorando drasticamente a repartição do rendimento nacional; dos que defenderam e defendem projectos ruinosos como a construção de estádios, um aeroporto inútil e auto-estradas sem movimento; dos que em coligação governativa tentam disfarçar o descalabro e agravar ainda mais a situação; dos que têm vindo a amanhar-se em proveito próprio e suas clientelas partidárias. E também aos mentirosos compulsivos que desde falsos cursos até manobras ocultas tudo têm feito para arruinar o país.
  4. Sem Papas na Língua . 18.05.2010 16:19
    Via PÚBLICO

    Condenável

    a censura que alguém no jornal Publico fez ao meu último comentário! Senhores jornalistas do Publico das duas uma: ou se sentem ofendidos por chamar mentiroso ao sr. Sócrates e denunciar o que de mal a governação do centrão tem feito ao nosso país ou então ou alguém perfeitamente conotado com o actual (des)governo está por aí atento ao que cada um de nós escreve.
  5. zesx . 18.05.2010 16:15
    Via PÚBLICO

    Apaguém lá todos os comentários...

    A PIDE do público continua a fazer vítimas nos comentários. Apaguem lá mais este amostras de jornalistas vendidos à mama do poder. Devem ter faltado às aulas sobre a imparcialidade e depois dão jornalistas assim...
  6. Serras , Portugal. 19.05.2010 00:37

    Irresponsabilidade total.

    A irresponsabilidade total é da responsabilidade do PS, quando permitiu recandidatar Sócrates para Primeiro Ministro. Ainda houve alguns simpatizantes do PS que votaram nas promessas so Sr. "Engenheiro" convencidos que desta vez eram para cumprir.Aí está, mais uma vez, a confirmação de que temos sido governados por um mentiroso compulsivo, demagógico, arrogante, enfim todos os defeitos de que um ministro não necessita. Critica a oposição não construtiva, na opinião dele, mas o PS tem-se limitado a seguir os apoios da "oposição" que segue as suas políticas de direita e que, em 30 anos, criaram dificuldades sempre aos mesmos; ao País, aos trabalhadores e aos pequenos empresáros. Esta moção de censura servirá certamente para clarificar algumas águas, embora não acredite que o Governo caia. Pedro Passos Coelho, quando era opositor de M.Ferreira Leite, dentro do seu próprio partido, pelas denúncias que ela fez sobre o estado da nossa eonomia, depois de eleito Presidente do PSD, deu imediatamente a mão ao seu "irmão" Sócrates, apoiando as suas políticas e predispondo-se a agravá-las, tudo em nome do sentido de Estado e salvaguarda da Pátria. Esqueceu depressa as promessas feitas aos ...
  7. Sousa da Ponte , UK. 18.05.2010 22:29

    Ó prémio do má governo

    Estes xuxas da treta governaram que nem uns cepos e agora como prémio por esse mau governo pretendem evitar os incomodos de uma moção de censura. Na mesma ordem de ideias também poderiamos, se a situação piorar o suficiente, dispensar o PS do incomodo das eleições. Afinal "Num momento destes substituir o partido no Governo não me parece a melhor solução para resolver qualquer problema em Portugal"
  8. atonito , porto. 18.05.2010 20:06

    Exame Previo

    Não se percebe como jornalistas que seria suposto serem garantes de liberdade de imprensa,pilar essencial da nossa Democracia estarem agora diariamente a copiar as piores práticas do antigo regime como o Exame Previo.Inacreditável.Comentar no Publico para quê ? Se não é livre o que se pode escrever,também obviamente não é livre o que se lê ou deixa de ler.Não vale a pena.
  9. PJMA , Pinhel. 18.05.2010 18:00

    Coitadinho !

    Coitadinho do Sr. Sócrates, ninguém lhe pode dizer nada que fica logo amuado !. Quando será que correm com este fascista do poleiro ?
  10. Luis , Almada. 18.05.2010 17:15

    A taxa reduzida do IVA incide

    ... sobre diversos produtos para alimentação humana, incluindo: cereais e preparados à base de cereais; carnes e miudezas comestíveis, frescas e congeladas; peixe fresco (vivo ou morto), refrigerado, congelado, seco, salgado ou em salmoura e conservas de peixes; leite e lacticínios, ovos de aves; azeite, banha e outras gorduras; frutas frescas, legumes e produtos hortícolas (frescos ou refrigerados, secos ou desidratados); Água, incluindo a de nascente e as águas minerais, bem como o aluguer de contadores; Jornais, revistas e outras publicações periódicas e não periódicas, consideradas de natureza cultural, educativa, recreativa ou desportiva; Diversos produtos farmacêuticos e similares e respectivas substâncias activas listadas na lei; Aparelhos ortopédicos, cintas médico-cirúrgicas e meias medicinais, cadeiras de rodas e veículos semelhantes para deficientes, aparelhos, artefactos e demais material de prótese, lentes para correcção da vista e calçado ortopédico, desde que prescrito por receita médica, etc., Quer a lista completa?