A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, agosto 30, 2010

The U.S. and Iraq: what now?

IraqPeace
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Since President Obama took office, more than 90,000 U.S. troops have come home from Iraq. Last week, the Pentagon reported, the last U.S. combat brigade left. The number of U.S. combat troops there is now below 50,000, officials say. That fulfills Obama's pledge to pull out all but 50,000 troops by the end of this month, with the vow that the U.S. combat mission in Iraq is over. The question is: now what?
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Actually there are several big questions.
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To what extent are "combat troops" being replaced by Special Operations forces, other U.S. personnel, and private contractor mercenaries?
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Will all U.S. troops leave in December 2011, as the U.S.-Iraqi agreement specifies? Reports are that Special Operations forces will stay on. What about other U.S. forces and private contractors?
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What exactly is the U.S. role in Iraq between now and the end of 2011? And what will it be beyond that?
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What is the U.S. responsibility to the Iraqi people, and how should it be fulfilled?
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The president says the "transitional force" now remaining there will switch its focus from combat to "supporting and training Iraqi forces, partnering with Iraqis in counterterrorism missions, and protecting our civilian and military efforts."
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"Make no mistake: Our commitment in Iraq is changing - from a military effort led by our troops to a civilian effort led by our diplomats," he told a convention of Disabled American Veterans in Atlanta Aug. 2.
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He told the veterans he wants to bring the Iraq war to a "responsible end." We applaud that. Certainly, as we read of new rounds of vicious violence around Iraq, leaving dozens of innocent Iraqis dead and wounded, we ponder the U.S. responsibility for this violence. As we read about Iraq's ravaged economy, the sewage running in the streets, the lack of electricity, the joblessness, we remember that it didn't have to be this way.
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Some Iraqis, most notably the Iraqi Communist Party - with a heroic record of resistance to Saddam Hussein's bloody dictatorship - warned that a U.S. invasion was not the way to get rid of Saddam.
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After the shock and awe invasion, instead of handing over power to Iraqi democratic forces, the U.S. installed its own occupation viceroy, fanned sectarian discord, opened the floodgates of contractor boondoggles and corrupt cronyism - all focused on making Iraq and its vast oil a junior partner to U.S. oil interests.
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Seven years later, the thousands of dead and maimed, the shattered families - Iraqis first of all, but also Americans - present the U.S. with a profound responsibility.
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Yes we do have a responsibility to help Iraq train its armed forces and security personnel so they can protect their own people, and to provide them with the necessary resources, which the Bush administration failed miserably to do. But it's not our job to manipulate their economy or their politics, to pick and choose who should govern their country.
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We do have a responsibility to help rebuild their hospitals, water systems, schools, cultural facilities - wrecked in the invasion or later under our watch or by our own contractors. But the U.S. should not be directing the money or deciding the projects.
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Unfortunately, we're seeing some warning signs that point in the wrong direction. A massive State Department presence in Iraq is being developed. Vast numbers of private U.S. contractors are deployed there. And notions are being floated that the U.S. military presence may "need" to continue beyond next year.
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Let's make sure all of our occupation of Iraq ends - military, economic and political.
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It's time to shed the old foreign policy habit, that sees Iraq as nothing but a giant oil well to fuel America's oil-based economy, and a geopolitical pawn and military launch-pad to keep the rest of the region's oil flowing our way. We just can't afford it - not in taxpayer dollars, not in human lives, not in the survival of our planet.
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Photo: (CC)
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terça-feira, janeiro 19, 2010

Inicia-se a pilhagem do petróleo iraquiano



 

Economia

Vermelho - 9 de Dezembro de 2009 - 14h45

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Exxon Mobil e Shell tomaram um dos maiores campos de petróleo do mundo. Quando os primeiros soldados norte-americanos e britânicos chegaram aos subúrbios de Bagdá em 2003, denominaram seus primeiros acampamentos provisórios de "Camp Exxon" e "Camp Shell".

Por Falah El Shakir, no Monitor Mercantil

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Há alguns dias, a história os justificou, quando o governo-fantoche do Iraque cedeu oficialmente os direitos de exploração do gigantesco campo petrolífero de Kurna Ocidental - uma das maiores reservas de petróleo do mundo - exatamente àqueles dois gigantes petrolíferos.

A região de Kurna Ocidental esconde em seu subsolo um tesouro inestimável. Suas reservas, comprovadas por pesquisas sismológicas, superam todas as demais reservas petrolíferas iraquianas, que totalizam hoje 115 bilhões de barris.

Mas o valor da reserva específica de Kurna Ocidental aumenta por causa do fato de que trata-se de dois campos facilmente exploráveis sob o ponto de vista de extração e mais lucrativos por causa do baixo custo de refino no mundo.

Nos claramente colonizadores novos contratos de exploração, cuja duração é de 20 anos, as parcelas para cada um dos novos "donos" do petróleo iraquiano foram calculadas de acordo com a participação e contribuição à guerra dos EUA e da Grã-Bretanha.

Assim, a Exxon Mobil abocanhou a "fatia do leão" (80%) do total das reservas, enquanto, o desdentado Império Britânico deverá ficar satisfeito com a parcela-saldo das reservas destinada à Shell (20%).

Direito a subvenção

As duas felizardas petrolíferas serão, ainda, subvencionadas pelo governo-fantoche de Bagdá com US$ 1,90 por barril extraído, enquanto, de novo, o governo-fantoche de Bagdá agradecido assumirá todos os custos de modernização das instalações de extração e demais equipamentos dos dois campos, custos estes que, no decorrer dos 20 anos de vigência dos contratos, totalizarão US$ 50 bilhões! "Business is business" (na Mesopotâmia, principalmente).

Trata-se dos dois primeiros contratos formalizados entre o governo-fantoche iraquiano e multinacionais petrolíferas após a ocupação do país, porque as petrolíferas multinacionais esperaram, pacientemente, primeiro a "estabilização da situação de segurança", antes de ligarem outra vez suas bombas de sucção na sangrenta Mesopotâmia.
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O anterior "big deal" havia sido definido poucos dias antes e referia-se aos exclusivos direitos de exploração de um outro gigantesco campo iraquiano em Ramala, cujas reservas são avaliadas em mais de 17 bilhões de barris comprovados, os quais serão cedidos de mão beijada à empresa petrolífera britânica British Petroleum (BP) e à chinesa National Petroleum Corp. (CNPC), que dividirão o butim em 38% e 37%, respectivamente.
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De acordo com o "contrato leonino", a produção do imenso campo deverá ser triplicada nos próximos anos, sempre às custas do governo-fantoche iraquiano, enquanto as duas empresas petrolíferas que o explorarão, calcula-se, registrarão lucros superiores a US$ 2 bilhões anuais cada. 

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sábado, janeiro 16, 2010

Counterpunch: 'Ameaça iraniana'? Onde?


 

Mundo

Vermelho - 16 de Novembro de 2009 - 14h53

O real significado da atual histeria sobre as armas nucleares iranianas está quase completamente ocultado sob a propaganda oficial. O melhor primeiro passo no esforço para escapar das versões de propaganda é considerar os países que já têm armas nucleares; o segundo é analisar o mapa do Sudeste da Ásia.

Por Jeff Nygaard, para o Counterpunch.

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Oito nações no mundo conhecido possuem armas nucleares. Todas são próximas do Irã, seja literalmente próximas ou próximas em sentido imperial. Cinco delas – China, França, Rússia, Reino Unido e EUA – são signatárias, oficialmente, do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares [ing. Nuclear Nonproliferation Treaty, NPT], descrito como “principal marco do regime global de não-proliferação”. Três estados – Índia, Israel e Paquistão – também têm armas nucleares, mas não são signatárias do Tratado de Não-proliferação. E Israel “não admite nem nega ter armas nucleares”, segundo a Associação de Controle de Armas [ing. Arms Control Association], mas todo mundo sabe que Israel tem arm as nucleares; só não se sabe se são 200 ou 300 ou mais.
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Consideremos então nosso mapa do Irã. Imagine-se um cidadão iraniano que olha à volta, para saber de que lado precaver-se contra alguma ameaça – nuclear ou outra. O que veem os cidadãos iranianos?
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Imediatamente a oeste do Irã, está o Iraque, efetivamente sob controle dos EUA (“próximo”, em sentido imperial, é isso). As atividades secretas dos EUA orientadas para desestabilizar outros países muito frequentemente usam como base de operação as embaixadas norte-americanas; e os EUA construíram no Iraque “as maiores e mais caras instalações de todos os tempos para sua embaixada”, segundo o Christian Science Monitor. Segundo o New York Times de 9 de outubro, “Os norte-americanos esperam que, na próxima primavera já estarão operando no Iraque a partir de seis super bases e 13 bases menores.”
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Imediatamente a leste do Irã, estão Afeganistão e Paquistão. O Paquistão é dos principais aliados dos EUA, embora sempre errático; e tem seu próprio arsenal nuclear, sem qualquer regulação ou supervisão. Do mesmo modo que o Iraque a leste, o Afeganistão também é base das atividades imperiais dos EUA, mesmo que ainda não esteja sob total controle dos norte-americanos. Enquanto o governo Obama discute oficialmente o que fazer, “A CIA está deslocando para o Afeganistão equipes de agentes, espiões, analistas e pessoal paramilitar, parte de um amplo movimento de ‘avanço’ dos serviços de inteligência, que converterá a base instalada naquela região em uma das maiores de toda a história da agência”, segundo declarações de funcionários.” – Isso se leu no Los Angeles Times de 20/9 passado.
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Vê-se claramente que a embaixada que terá “as maiores e mais caras instalações de todos os tempos” está instalada exatamente a oeste do Irã; e que “uma das maiores bases de toda a história da CIA” também é vizinha do Irã, a leste. Evidentemente, aí estão todos os meios para executar as repetidas ameaças que os EUA têm feito ao Irã. Os EUA não se cansam de dizer “que todas as alternativas estão sendo analisadas”, palavreado que corresponde, no código da guerra, a bem clara ameaça de ataque militar. Não bastassem essas ameaças, o único Estado nuclear do Oriente Médio – Israel – também jamais se acanha de ameaçar o Irã. Manchete incansavelmente repetida, por exemplo nos programas noticiosos da CBS, dizia essa semana que “Israel provoc a os EUA para que ataquem o Irã.” Dia 5/7, a Associated Press noticiou que “o vice-presidente Joe Biden assinalou que o governo Obama não criará obstáculos se Israel decidir atacar as instalações nucleares do Irã.”
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Além dos países que mantêm sob ocupação, os EUA têm outras instalações de interesse militar, praticamente à volta do Irã. Não só no Iraque e no Afeganistão, mas também na Turquia, outro país que faz fronteiras com o Irã. Várias grandes bases militares dos EUA (cerca de meia dúzia, no mínimo) existem também na Arábia Saudita, na outra margem do Golfo Persa e nos Emirados Árabes Unidos – a cerca de 160-300km de distância do Irã. Outra vez, podem-se medir as distâncias no mapa.
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E não se pode esquecer de incluir nesse contexto a gigantesca base dos EUA no Oceano Índico, na ilha de Diego Garcia, base à qual John Pike, da GlobalSecurity.org, refere-se como “a mais importante unidade militar dos EUA”. Essa base, usada como campo secreto de prisão e tortura, e como base de lançamento de ações terroristas contra o Iraque e o Afeganistão, leva o estranho nome de “Campo Justiça” [ing. Camp Justice]. O território do Irã pode ser rapidamente alcançado pelos bombardeiros e mísseis dos EUA estacionados em “Campo Justiça”.
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O mundo às avessas
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No mundo imperial, detenções ilegais e tortura são consideradas ‘justiça’. E muitos outros valores são também completamente invertidos, quando se trata de ‘noticiar’ os movimentos pelos quais o ‘império’ norte-americano se mantém.
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Dia 28 de setembro, o Irã anunciou que testara alguns mísseis; e que “os mísseis iranianos podem alcançar qualquer alvo, em qualquer local de onde parta qualquer ameaça contra o Irã.” Matéria da Associated Press sobre esses testes levava a seguinte manchete: “Testes de mísseis iranianos fazem aumentar as preocupações.” As “preocupações” teriam aumentado, segundo a AP, porque “várias bases militares dos EUA no Oriente Médio” [passavam a ficar] “ao alcance dos mísseis iranianos”.
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Nesse mundo às avessas, defender-se passou a ser agressão, porque quem se defenda ‘cria preocupações’ para os agressores. Basta pensar um pouco:
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A principal superpotência mundial mantém bases militares em todo o planeta (são mais de 700!), inclusive nos dois países atualmente sob ocupação dos EUA. Essa Superpotência possui cerca de 10.000 ogivas nucleares; continua a ser o único país do planeta que, até hoje, detonou armas atômicas em cidades populosas, matando e mutilando milhões; e é ainda a mesma Superpotência que, em 1953, derrubou o governo democraticamente eleito no Irã.
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Localizado entre os dois países atualmente sob ocupação dos EUA, e cercado por todos os lados por bases militares norte-americanas, o Irã está, isso sim, lutando incansavelmente para conquistar capacidade técnica para defender-se contra os ataques da superpotência cujas instalações militares já praticamente cercaram seu território. E é o Irã que se defende – não a sangrenta história de ocupação e violência dos EUA em todo o mundo (e naquela região) – que “faz aumentar as preocupações” da Associated Press! O Irã não desencadeou nenhuma guerra na história moderna – como bem observou o professor Juan Cole. De fato, as preocupações “aumentam”, porque está crescendo a capacidade de defesa de um Estado que os EUA ainda não conseguiram subordinar.
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E aquele padrão ‘midiático’ repete-se incansavelmente. Por exemplo, em matéria divulgada pela agência UPI, dia 25 de julho. O lead dizia: “Irã bombardeará instalações nucleares de Israel, se Israel atacar o Irã, disse sábado o líder da Guarda Revolucionária Iraniana.” Lead normal e acurado. Mas lá estava, em letras garrafais, a manchete aterrorizante: “General iraniano ameaça instalações nucleares israelenses.”
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O Irã sabe bem que a mais recente vítima de ataques militares e ocupação pelos EUA é o Iraque, nação com baixa capacidade de defesa; ao mesmo tempo, a Coreia do Norte, que já testou vários mísseis nucleares e tem reconhecida capacidade nuclear, continua sem ser atacada militarmente.
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Irã irracional? Parece que não.
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Desde 1979, o Irã tem sido apresentado aos cidadãos norte-americano como inimigo dos EUA; em meses recentes, abundam notícias sobre “a ameaça iraniana”. Mas o Irã foi um dos principais aliados dos EUA, antes de 1979. Para R.K. Ramazani, professor emérito da Universidade de Virginia, “até a Revolução Iraniana, os EUA, de fato, confiaram cegamente que o Irã faria as vezes de 'guardião' da região do Golfo. Evidentemente, nada há de inerentemente ‘anti-EUA’ no Irã.”
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Se o Irã é hoje uma ameaça aos EUA – e tudo que o governo dos EUA diz e faz indica que, sim, os EUA veem o Irã como uma ameaça – qual, então, seria a natureza dessa ameaça? Serão, mesmo, as armas nucleares? Parece-me pouco provável, por várias razões, algumas das quais discuto adiante.
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O prof. Subhash Kapila, especialista do South Asia Analysis Group, publicou artigo, em 2006, no qual diz claramente que “com armas nucleares ou sem elas, o Irã jamais terá meios para oferecer resistência efetiva contra o poderio bélico dos EUA” – ideia que se confirma facilmente, se se consideram as informações acima, sobre bases militares dos EUA na Região.
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Kapila diz também que “O principal impulso estratégico que modela a percepção de que o Irã implicaria algum tipo de ameaça aos EUA é a emergência do Irã como potência regional na Região do Golfo – com vários efeitos sobre os interesses nacionais dos EUA na mesma região.”
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Gregory Aftandilian, assessor do Congresso para política exterior, acrescentou à discussão um aspecto que raramente se ouve considerado nos EUA: “o Irã não é estúpido a ponto de atacar Israel. (...) É Estado que tem milhares de anos, uma longa história. Teerã não pratica diplomacia de suicídio.”
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John Negroponte, em depoimento na Comissão de Inteligência do Senado, quando era diretor do Serviço Nacional de Inteligência, em 2006, foi mais diretamente ao ponto. Para ele, “o poder militar convencional do Irã é considerado uma ameaça aos interesses dos EUA. O Irã está ampliando sua habilidade para proteger o próprio poder militar; nessa medida, ameaça a eficácia das operações dos EUA na Região – potencialmente intimidando aliados regionais de cuja solidariedade depende a eficácia das políticas norte-americanas –, e fazendo aumentar os custos da presença dos EUA e de seus aliados na Região.
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“Teerã também continua a apoiar vários grupos terroristas, por considerar que esse apoio é crítico para a proteção do regime, porque aqueles grupos opõem-se a EUA e Israel, contribuem para conter ataques israelenses e norte-americanos, enfraquecem Israel e aumentam a influência do Irã na Região, por efeito da intimidação. O Hizbóllah libanês, principal aliado do Irã dentre os grupos terroristas – embora focado numa agenda nacional libanesa, e apoiando uma rede de terroristas palestinos –, mantém vasta rede mundial de contatos e é capaz de organizar ataques contra os interesses dos EUA, se sentir que seu parceiro iraniano esteja sob ameaça.
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Vale observar que, nesses discursos, “a ameaça iraniana” assume duas formas. Uma, a capacidade para contrariar “interesses dos EUA”. A outra, a competência para conter “ataques dos EUA e de Israel”, vale dizer, “competência [do Irã] para se autodefender”.
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Outro fato que torna ainda mais inverossímil que os estrategistas norte-americanos estejam realmente preocupados com bombas nucleares iranianas é a evidência de que os líderes religiosos já impuseram, há anos, proibição total de armas atômicas. Em declaração do governo iraniano à Agência Internacional de Energia Atômica, em 10 de agosto de 2005, lê-se: “O líder da República Islâmica do Irã, Aiatolá Ali Khamenei emitiu Fatwa que proíbe a produção, armazenamento e uso de armas nucleares; nos termos dessa Fatwa, o Irã jamais terá armas atômicas.” Não há como duvidar da eficácia dessa Fatwa, se se acredita no que dizem os jornais – que Khamenei é o líder supremo e real poder no Irã (embora o presidente Ahmedinejad ocupe todas as manchetes).
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Nada, de fato, faz muito sentido: os mais irados disseminadores do medo ante a ‘ameaça’ iraniana baseiam sua propaganda, em parte, num alegado fanatismo religioso das lideranças iranianas. Mas uma Fatwa de Khamenei, nesse caso, não seria prova suficiente de que não há qualquer ameaça das ‘armas nucleares iranianas’: para dois pesos, duas medidas?
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Resumidamente, se pode dizer que:
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1. Não há qualquer evidência de que o Irã esteja realmente produzindo armas nucleares;
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2. Se o Irã planejasse produzir armas nucleares, nada haveria de irracional ou ‘fanático’ nessa ideia, dada a gravidade das ameaças que realmente cercam o país e contra as quais é racional que o Irã procure defender-se. E ainda que a máxima irracionalidade esteja nas próprias armas nucleares, sempre haverá mais bombas atômicas irracionais em Israel e nos EUA, do que no Irã; e
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3. Se o Irã de fato estiver buscando construir armas nucleares e vier a ter sucesso, a probabilidade de que essas armas sejam usadas para fins ofensivos é praticamente igual a zero.
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Se se aceitam as premissas acima, é preciso buscar outra causa, diferente da chamada “ameaça nuclear iraniana”, para explicar a histeria anti-Irã que toma conta dos EUA.
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O “jogo” – como dizem os geoestrategistas do ‘império’ norte-americano – consiste em defender o espaço privilegiado de um único poder regional. Só há lugar para um país-‘líder’, que modele os eventos na Região e, pelo menos, tenha poder para vetar ações intentadas por outros Estados. Os EUA querem reservar para eles mesmos esse espaço e esse posto – em parceria com seu Estado-cliente, Israel. A verdadeira “ameaça iraniana”, portanto, advém de o Irã – aos olhos dos estrategistas dos EUA – ter ou parecer ter potencial para realmente ameaçar a hegemonia da dupla EUA-Israel na Região.
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O bizarro mundo que, para os norte-americanos ‘informados’ pela mídia, seria o Oriente Médio é mostrado como mundo às avessas, porque é indispensável manter ocultados os objetivos imperialistas dos EUA para toda aquela Região. Assim, é útil manter os cidadãos norte-americanos hipnotizados de medo ante uma “ameaça iraniana” que seria consequência de antiamericanismo fanático ou de fanatismo religioso. Ante tal inimigo, a única via razoável a considerar seria manter-se em guerra, sempre a postos para “atacar preventivamente” inimigo tão perigoso.
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O trabalho do sistema de propaganda dos EUA para o Oriente Médio opera para criar uma percepção de que o mundo é local perigoso, cheio de armadilhas e ameaças. Por isso há “a ameaça iraniana” e a “ameaça terrorista”, exatamente como, antes, houve a “ameaça comunista”. O custo para manter o império norte-americano é muito alto, e só cidadãos aterrorizados aceitariam desperdiçar quase 700 bilhões de dólares num único ano, para manter exércitos de ocupação, como aconteceu em 2009. Esse número, já muito alto, sobe à estratosfera se se incluem os gastos com veteranos, com os programas especiais, com ajudas a países-parceiros nas guerras, com juros de dívidas de guerras passadas, e a lista é longa. O império é empreitada caríssima – e o medo, por isso, tem de ser correspondentemente imenso.
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É importante que os norte-americanos aprendamos a ver o mundo como o mundo é, não às avessas; que aprendamos a identificar corretamente as ameaças que crescem à nossa volta. O Irã, os iranianos e suas armas nucleares com certeza não estão incluídos nessa lista de ameaças e ‘perigos’ reais.
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*Jeff Nygaard é jornalista e ativista em Minneapolis, Minnesota. Publica um e-jornal de livre distribuição, Nygaard Notes. Traduzido pelo coletivo Política para Todos. Fonte: Vi o Mundo.

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terça-feira, novembro 17, 2009

WSWS - News 2009.11.16


New Today -- 17 November 2009




Perspective

Once again: The New York Times and Obama’s attack on health care

The New York Times has stepped up its campaign in support of the Obama administration's drive to overhaul the US health care system, providing arguments in defense of rationing and a class-based system of medical care.



News & Analysis

A record 49 million Americans faced hunger in 2008

A yearly survey on hunger released Monday by the United States Department of Agriculture reported that a record 49.1 million Americans in 17 million households lacked dependable access to adequate food in 2008.

Washington's crisis over Afghanistan deepens

Wave of bombings hits Pakistan's north west

Sharp rise in birth defects in Iraqi city destroyed by US military

Credit ratings agency gives verdict on British economy

Courtroom murderer sentenced to lifelong imprisonment in Germany

Solomon Islands: parliamentary report rubberstamps Australian-led RAMSI intervention force




This Week in History: November 16-22

This Week in History: November 16-22




ISSE

For an independent working class movement to defend education




Socialist Equality Party

Sri Lankan SEP holds meeting on lessons of World War II




Science

Moon experiment shows presence of water




Workers Struggles

Illinois teaching and research assistants strike

Workers Struggles: The Americas




Correspondence

Letters on Robert Service's Trotsky

Read more at wsws.org

domingo, novembro 15, 2009

WSWS - News 2009.11.14


New Today -- 14 November 2009




Perspective

Opel, General Motors and German-American relations

Twenty years after the end of the Cold War, US-German relations are increasingly dominated by economic and political conflicts, as underscored by the disputes surrounding the auto maker Opel.



News & Analysis

After years of detention and torture
Ten Guantanamo prisoners to face US trial

US Attorney General Eric Holder announced Friday that ten of the prisoners now held in the Guantanamo Bay detention camp would be transferred to US locations and placed on trial on terrorism charges.

As vaccination shortage continues, US swine flu deaths mount

Foreclosures rise, consumer sentiment falls in US

Germany: Chancellor Merkel follows the lead of employers and the FDP

Iraqi election law passed after protracted delay

India: Union calls off militant Rico strike

Detroit job fair draws thousands

Video: Attendees complain of lack of real jobs at fair










Commentary

Britain: Socialist Workers Party colludes in postal strike sellout




Workers Struggles

Sri Lanka: "Independent" public sector unions kowtow to Rajapakse

Workers Struggles: Asia, Australia and the Pacific




Correspondence

Letters from our readers


quinta-feira, novembro 12, 2009

WSWS - News 2009.11.11

 
World Socialist Web Site

New Today -- 11 November 2009




Perspective

The plunder of Iraq's oil

The awarding of development rights over the huge West Qurna oilfield in southern Iraq to Exxon-Mobil and Royal Dutch Shell underscores the criminal character of the continuing US-led occupation.



News & Analysis

Obama exploits Fort Hood massacre to promote US wars

President Barack Obama used his speech at Tuesday's service for the 13 men and women killed last week at Fort Hood, Texas to promote the two ongoing US wars and his own plan to escalate the intervention in Afghanistan.

The execution of John Muhammad: another gruesome moment in America

Sri Lankan police forcibly drown a young Tamil man

France: Former president Jacques Chirac to stand trial for corruption

Australia’s "rock solid" banks: the financial crisis one year on

Lockerbie: Human rights lawyer states Megrahi was framed

California finances plummet less than three months after budget passage




Book Review

In The Service of Historical Falsification
A Review of Robert Service's Trotsky: A Biography




Socialist Equality Party

Mehring Verlag house presents its redesigned web site




Workers Struggles

London postal workers condemn strike sell-out by Communication Workers Union

Mt. Clemens, Michigan school bus drivers strike




Arts Review

Not enough information: The Informant! directed by Steven Soderbergh

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quarta-feira, julho 15, 2009

Communists march in Baghdad to mark 1958 revolution

Iraq’s Communist Party led a mass march through the center of Baghdad today, commemorating the July 14, 1958, national democratic revolution that ousted the British-installed monarchy.

sábado, julho 11, 2009

EUA 'em retirada' do Iraque? Que retirada?

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Nem bem os soldados dos EUA chegaram à periferia das grandes cidades iraquianas, dia 30/6, começaram as celebrações da 'retirada', cuidadosamente cenografadas. O governo iraquiano pró-EUA declarou "dia da independência" e carros blindados percorriam as ruas de cidades que a guerra destruiu, num arremedo patético de júbilo nacional. Todos os jornais da mídia favorável aos EUA acompanharam o coro, como se ali estivesse o final de uma era.

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Por Ramzy Baroud*


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Ao mesmo tempo, funcionários do governos dos EUA e oficiais do exército preveniam os iraquianos contra o risco de agitação social. "Biden alerta Iraque sobre o risco de o país ceder à violência sectária", lia-se numa manchete do New York Times. "O que estamos esperando para sair do Iraque?" perguntava um analista num Kansas City Star. Não se viu, nem nas manchetes nem nas análises, qualquer sinal de que os EUA estejam preparados para assumir responsabilidades pela tragédia que se abateu sobre o Iraque.

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Quem garante que as ambições dos EUA no Iraque mudaram, se o que os EUA fizeram no Iraque ainda é considerado mais como 'tropeço estratégico', do que como erro moral?

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O que absolutamente não muda é a arrogância que sempre marcou o modo como os EUA veem o Iraque. "O presidente e eu entendemos que o Iraque já avançou muito, no último ano, mas ainda há um longo caminho à frente, até que o Iraque construa condições de paz e estabilidade duradouras," disse o vice-presidente Biden em visita a Bagdá, dia 3/7. A fala de Biden veio saturada da mesma hubris que caracterizou o governo Bush, em relação ao Iraque.

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"Ainda não acabou" – disse Biden. Tem razão. Para que tudo possa acabar, é preciso que todos os soldados dos EUA saiam do Iraque; que tenha fim a interferência em assuntos iraquianos; que os EUA levem embora todos os políticos corruptos que minaram a democracia iraquiana e fortaleceram os grupos sectários dentro do governo.

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A maioria dos norte-americanos está hoje convencida de que a guerra do Iraque nasceu de uma falsidade. Rapidamente culpam o ex-presidende Bush por ter lançado os EUA numa guerra caríssima que jamais deveria ter acontecido. A eleição do presidente Obama parece ter inaugurado um novo discurso de honestidade e de autoexame de consciência nacional nos EUA.

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A verdade é que os EUA ainda não saíram do Iraque; que a retirada é apenas parcial. E pouco se escreve sobre as intenções dos EUA em relação ao Iraque.

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Os termos "retirada" e "saída estratégica" dominam todas as análises e discursos da mídia relacionados ao Iraque. Para alguns, essa mudança de linguagem seria feito do novo governo. Mas a recente redistribuição dos exércitos dos EUA não é obra do governo Obama, mas decisão que já estava tomada desde novembro de 2008, por acordo assinado entre o governo iraquiano de Nuri Al-Maliki e o governo Bush. Já se sabia que os EUA fariam uma espécie de 'retirada' do Iraque desde antes de Obama ter sido eleito. O governo Obama apenas cumpriu compromissos já firmados pelo governo Bush. Pelo mesmo acordo, os EUA deverão retirar mais 50 mil soldados do Iraque até agosto de 2010; e a maioria das tropas permanecerão no Iraque até o final de 2011.

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Então... em 2012, o Iraque será, afinal, independente? Nada disso! "Muitos especialistas creem que os EUA terminarão por conseguir estabelecer e manter no mínimo duas bases militares permanentes no Iraque", escreve Matt Schofield. "São bases consideradas essenciais para assegurar a estabilidade do governo iraquiano, onde haverá militares leais aos EUA e capazes de defender o governo democrático iraquiano."

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Linguagem tortuosa, que visa a esconder que continuará a haver presença militar permanente dos EUA no Iraque... sinônimo, de fato, de ocupação permanente. É claro que os EUA não precisam ser visíveis em cada esquina, para que o país esteja eficazmente ocupado. O exército e a polícia iraquianos sectários – e treinados e armados pelos EUA – cuidarão de fazer as coisas andarem como mais interessem aos EUA (sempre sob o pretexto de que seja necessário combater o terrorismo), ao mesmo tempo em que os EUA "manter-se-ão prontos a auxiliar no processo, se for necessário e se forem chamados" – como disse o vice-presidente Biden.

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O Iraque sairá das manchetes, deixará espaço para a escalada no Afeganistão, também em nome de combater terroristas, implantar a democracia e toda o resto. Os rostos das vítimas serão escondidos, para não ferir suscetibilidades. O número de baixas entre os civis será manipulado e, de tempos em tempos, divulgado como "dano colateral" explicável por que os terroristas escondem-se entre a população civil. Em outras palavras, os EUA levarão o espírito da guerra do Iraque para o Afeganistão; mas não sairão do Iraque – onde permanecerão o mais invisivelmente possível. Assim garantirão o sucesso de seus objetivos militares estratégicos e, sendo preciso, culparão o Iraque e o Afeganistão por todas as desgraças que desabem sobre as populações.

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Contudo, antes de que o mundo esqueça-se do Iraque e olhe em outra direção, os EUA devem saber que são responsáveis por tudo que aconteça no Iraque.

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A comunidade internacional, os ativistas anti-guerra e as pessoas de consciência, no Iraque e em todo o mundo, não podem esquecer que 130 mil soldados dos EUA permanecem e permanecerão no Iraque; que os EUA controlam completamente o espaço aéreo iraquiano e todas as fontes de água; que nada há para celebrar, na atual 'retirada'. Ainda que haja quem seja suficientemente crédulo para acreditar nas 'declarações' do governo e do exército dos EUA sobre seus próprios movimentos no Iraque, é necessário lembrar o que disse o Almirante Mike Mullen, em fevereiro passado: "O governo Obama planeja deixar no Iraque uma 'força residual' de dezenas de milhares de soldados encarregados de treinar as forças de segurança iraquianas, de caçar terroristas e de proteger instalações e instituições dos EUA no Iraque."

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Um Iraque soberano, democrático e estável não existirá enquanto a verdade e o bom-senso continuarem a ser ocultados e reprimidos.

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*Jornalista, editor de PalestineChronicle.com. Traduzido por Caia Fittipaldi.

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Da redação
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in Vermelho - 10 DE JULHO DE 2009 - 20h21
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segunda-feira, junho 15, 2009

Irão ou não Irão?



Os que viam (ou queriam ver) grandes diferenças entre Bush II e Barack Obama devem começar a deitar contas à vida e a assumir as realidades, que nem sempre coincidem com os desejos. Para Bush II era nítido que Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça (ADM) e por essa razão era necessário invadir o Iraque e salvar o mundo dessa ameaça. Blair e Aznar também não tinham dúvidas de nada. O mesmo sucedeu com outros governos europeus e Portugal teve o muito duvidoso privilégio de que tivesse partido dos Açores o acordo – realmente a decisão foi tomada muito antes – de invadir (outra vez) o Iraque.
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Os resultados são já sobejamente conhecidos. As tais ADM nunca apareceram – o Iraque era um país profundamente debilitado por vários anos de bloqueio orquestrado por Washington e estava muito longe de ser um perigo – e os delinquentes da política internacional justificaram as várias centenas de milhares de mortos iraquianos e a destruição quase total da infraestrutura do país com a desculpa, a nova desculpa, de que tudo fora com a sublime intenção de levar a democracia a esse país do Médio Oriente (na Arábia Saudita a democracia floresce até nas areias do deserto!).
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Do petróleo, a verdadeira razão da guerra, não falaram nunca até porque a verdade estava à vista de todos. Tudo se passou como se «os salvadores do mundo ocidental» fossem capazes de tomar a mesma decisão de terrorismo de Estado se o Iraque em vez de petróleo aos pontapés tivesse tulipas no meio das suas areias escaldantes!
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Agora é o Irão e as alegadas armas nucleares. E começam a subir de tom as declarações, com as aparentes contradições, estrategicamente controladas, de que há armas nucleares e de que não há armas nucleares. Curiosamente, elas aparecem poucos dias depois de russos e iranianos porem em funcionamento, de modo experimental, a primeira fábrica nuclear, localizada por certo numa cidade que se chama Bush...erhr! Contudo, não se pense que se trata de uma instalação nuclear que corresponda a um projecto recente. Os primeiros trabalhos datam de há 34 anos, quando o Irão não fazia parte do eixo do mal. Era, pelo contrário, um país bem comportado e quem iniciou a construção foi uma empresa alemã... em plena era do Xá!
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Mudam-se os tempos...
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O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior conjunto dos Estados Unidos, há menos de um ano – quando Bush II já tinha perdido todo o crédito internacional debitado pelos seus pares – mostrava-se partidário do diálogo com Teerão e defendia acções exclusivamente não-militares. Agora parece estar a mudar o tom da conversa. Em declarações recentes à CNN afirmou que « francamente sim, pensamos» que o Irão tem material suficiente para fabricar uma bomba atómica. E foi mais longe dizendo que há muito pensa «que o Irão tenha armas nucleares» e que tal é «um panorama mau, muito mau para a região e o mundo».
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Quem lançou a primeira (e única) agressão atómica da história – não uma mas duas vezes – acha que só ele e os seus Estados clientes – incluindo o Estado genocida e teocrático de Israel – têm direito a esse poder! Não há dúvida de que o imperialismo, sem importar a cor de quem manda, mantém sempre a sua natureza agressiva.
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Contudo, menos de 24 horas depois, aparece outra figura graúda do império a dizer o contrário. Robert Gate, secretário da Defesa do governo de Obama, diz que não. Que o Irão «não está perto de ter uma arma neste momento». A declaração é feita a uma televisão da concorrência, a NBC. Um puxa para um lado, o outro (aparentemente) para o outro, mas finalmente empurram ambos a mesma direcção. É o comportamento típico do império. Ali não há contradições reais e se as houver... o quê? Vejamos.
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Quando o Xá mandava e fazia as piores tropelias com o apoio de Washington, o secretário de Estado era Henry Kissinger. O autor intelectual do golpe de Estado contra Salvador Allende mantinha então que a «introdução de energia nuclear» era importante para cobrir «as crescentes necessidades da economia iraniana», e explicava que essa opção libertava «as restantes reservas de petróleo para a exportação ou transformação em produtos petroquímicos». Bem pensado, poderia dizer-se. Mas... mudam-se os tempos, mudam-se as verdades. Hoje «para um produtor petrolífero como o Irão, a energia nuclear constitui um desperdício de recursos». Quem o diz? Kissinger! Há nisto alguma contradição? O mesmo Kissinger responde. Antes o Irão «era um país aliado (...) de modo que, em consequência, tinha uma genuína necessidade de energia nuclear».
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Está tudo dito, não está?
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Artigo publicado na Edição do Avante Nº1841 - 2009.05.14
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