A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Comuna de Paris. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comuna de Paris. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Jorge Messias ~ O Passado, o presente e as funções transcendentes dos illuminati (6)

Avante!**

N.º 1993 
9.Fevereiro.2012 


  • Jorge Messias


O Passado, o presente e as funções transcendentes dos illuminati (6)
«Uma sociedade como esta será dominada por uma elite cuja ambição pelo poder político obedeça a um sentimento de superioridade científica. Esta elite recorrerá a todos os meios para atingir os seus fins políticos, nomeadamente às novas técnicas para influenciar o comportamento das massas e alcançar o controlo e a submissão da Sociedade» (Z. Brezinski, fundador da Trilateral, in «Between Two Ages»).

«Foi pelos Jesuítas que a maioria das faculdades da Baviera foram fundadas e controladas. Foi por eles, também, que as escolas secundárias do país foram instituídas...» (Padre Adam Weishaupt, fundador da Seita dos Illuminati).

«A maioria, a classe dominante no momento, tem as escolas e a imprensa e, em geral, tem também a Igreja, “sob o seu polegar”. Isto dá-lhe a possibilidade de organizar e influenciar as emoções das massas e de usá-las como seus instrumentos» (Albert Einstein, criador da “Teoria da Relatividade”).


Parece agora começar a romper alguma luz por entre as trevas que envolvem a tenebrosa teia dos illuminati. Os monges-soldados apenas surgem da noite da história de tempos a tempos, em vésperas das grandes convulsões sociais. Depois, regressam ao anonimato mas continuam a tecer a intriga política, a reforçar alianças e a alimentar novas estratégias de expansão. Atentos como estão ao progresso dos homens, fazem aproveitamentos ultra-fundamentalistas e unilaterais das conquistas das ciências e das técnicas modernas. Dividem para reinar. E são também executores ou supervisores do cumprimento das decisões ordenadas pela cadeia hierárquica. São elites confessionais estabelecidas nas áreas cimeiras das elites do poder. Organizam-se «em rede».
.
Pelos dados que se vão conhecendo e cada vez mais se avolumam, as bases desta presença constante do Vaticano nos planos do imperialismo são permanentemente garantidas quer pelo Opus Dei (ele próprio com origens na Companhia de Jesus), quer por organizações jesuítas ligadas a sociedades secretas, poderosas e milionárias. Por outro lado, os illuminati do século XXI são herdeiros e renovadores das ambições aparentemente ultrapassadas dos seus antecessores do século XX, o século em que assistimos à derrota militar do nazi-fascismo. Porque o fascismo real é um sistema que sobrevive mudando de nome.
.
Os novos iluminados da Baviera tinham desenvolvido e readaptado o projecto imperial de domínio do universo defendido, no século XVIII, pelos jesuítas «iluminados» da contra-reforma do século XVI. A sua aparente derrota não ditou o seu desaparecimento. Passaram à clandestinidade, infiltraram-se na Maçonaria e amoldaram-se à Revolução Francesa. No século XIX, mudaram de gramática mas continuaram a ser o que sempre tinham sido. Surgiram de novo à superfície com a nova contra-reforma de Leão XIII, no século XIX: «Deves aceitar com docilidade indiscutível qualquer instrução que nos der a Igreja», proclamava o Vaticano enquanto eram chacinados, com a bênção do Papa, cem mil operários da Comuna de Paris. Entretanto, os colégios, seminários e faculdades jesuítas «illuminati» formavam maciçamente os quadros de especialistas que iriam dirigir no futuro próximo a nova etapa de um capitalismo moderno – tecnocrático, belicista, imperialista e, consequentemente, ferozmente anti-comunista e amoral.
.
É, no entanto, ao longo do século XX que se define mais claramente o perfil dos «illuminati», da sua formação, da sua organização específica e do «papel histórico» que o Vaticano e os impérios capitalistas neoliberais esperam vê-los assumir.
.
Vai ficar aqui muito por dizer acerca dos illuminati. Mas um detalhe ainda deve ficar esclarecido. É o que, percorrendo a rota do passado, estabelece as metas imutáveis que os «illustrati» de todos os tempos se propõem atingir. E ainda: que fatalidade é essa que liga o Vaticano, através dos séculos, ao despotismo, ao fundamentalismo político e religioso e à noção de classe privilegiada?
.
É uma estrada de vergonha, é certo. Mas é, também, um caminho atapetado a oiro, para alguns; para a maioria esmagadora do povo, é miséria e sofrimento indescritível. Seria o fim das pátrias e o soçobrar dos valores civilizacionais. A consagração do pesadelo da exploração do homem pelo homem. A destruição de uma larga faixa da humanidade pela guerra, pela fome e pela tirania.
.
Esta situação de tragédia e queda a pique não se pode prolongar. Exige a vitória clara dos trabalhadores.

sábado, março 19, 2011

Comuna de Paris - Ousaram tomar o céu de assalto; serão lembrados eternamente

Cultura

Vermelho - 19 de Março de 2011 - 0h00 
.
.Sem medir riscos, em 18 de março de 1871 os operários de Paris decidiram “tomar o céu de assalto”, escreveu Karl Marx, saudando a revolução proletária vitoriosa naquele dia numa das principais capitais europeias. Foi um acontecimento histórico “sem precedentes” (como Lênin o classificou) que durou apenas 72 dias e foi afogado em sangue pelas tropas combinadas dos exércitos francês e prussiano que, tendo vencido a guerra iniciada em 1870, ocupava o território da França.

.
Por José Carlos Ruy

Foi um acontecimento sem precedentes porque, pela primeira vez na história, o proletariado tomou o poder e, alijando burgueses e latifundiários, organizou o governo e manteve-o em funcionamento para atender as necessidades de uma metró0pole com aquelas dimensões.
.
A repressão foi sangrenta. Aliado com as tropas estrangeiras que ocupavam a França, o governo de Adolphe Thiers promoveu um massacre: em torno de 25 mil communards foram sumariamente fuzilados, escolhidos ao léu no meio da massa pelos seus algozes; 44 mil foram presos, quatro mil foram deportados e inúmeros foram condenados a penas de prisão “No total, escreveu Lênin, Paris perdeu 100 mil filhos, entre os quais se encontravam os melhores operários de todos os ofícios. A burguesia estava satisfeita”.
.
Os operários de Paris não conseguiram manter o governo ante a força arrasadora dos defensores do capital. Mas indicaram para as gerações futuras o caminho da organização do poder proletário. E deixaram alguns dos símbolos mais notáveis da luta pelo socialismo, entre eles o hino “A Internacional”, adotado pelos comunistas de todos os países.
.
O engajamento das mulheres em defesa da revolução foi especialmente importante, como Louise Michel mostra no texto transcrito nesta edição.
.
Deixaram lições também para o desenvolvimento da consciência de classes do proletariado. Um dos registros mais notáveis desse ensinamento foi recolhido por Bertolt Brecht na peça Os dias da Comuna, escrita entre 1946-1947.
.
Ao ousar tomar o céu de assalto, aqueles heróis maravilhosos regaram com seu sangue o chão da história, e serão lembrados eternamente por isso.

Leia também
.

.
.

sexta-feira, março 18, 2011

Caio Toledo: A Comuna de Paris, uma fulguração na história

Movimentos

Vermelho - 18 de Março de 2011 - 6h02
.
Transcorre neste 18 de março o 140° aniversário do triunfo da insurreição que deu início em Paris à primeira revolução operária da história mundial. A Comuna de Paris durou 72 dias. Saudando os comunardos, Marx disse que ousaram "tomar o céu de assalto". O Portal Vermelho homenageia o heróico episódio revolucionário com artigo do historiador marxista Caio Navarro de Toledo*. 
.
A primeira revolução operária da história mundial limitou-se apenas a 72 dias de duração (18 de março a 28 de maio de 1871). Na linha de continuidade dos intentos revolucionários de 1830 e 1848 na França, a Comuna de Paris foi, de início, uma revolta popular espontânea contra as medidas sociais antipopulares, a proibição das liberdades políticas e a dura repressão militar impostas pelo Governo de Defesa Nacional, formalmente republicano, instituído em 4 de setembro de 1870, logo após a derrubada do regime imperial de Napoleão III.
.
Embora insuficientemente armados, com fome agravada pela falta de alimentos e sofrendo doenças e epidemias, os trabalhadores, juntamente com a Guarda Nacional, não hesitaram em defender Paris e a França contra o exército invasor da Prússia (governo de Bismarck) e combater ao mesmo tempo o governo de “traição nacional”, representado pela política do chefe do executivo (Adolphe Thiers), e da Assembleia Nacional (recentemente eleita e de maioria monarquista). A tomada do governo de Paris (Hôtel de Ville) pelos trabalhadores e soldados da Guarda Nacional – precedida por uma heróica insurreição popular nas ruas (18 de março de 1871) contra as tropas leais a Versalhes – representou o ato inaugural da Comuna de Paris; dez dias depois, ela será oficialmente proclamada (28 de março), com a eleição do Conselho da Comuna.
.
Uma experiência política sem precedentes
.
A Comuna de Paris de 1871 continuará sendo objeto de reflexões e inspiração não apenas pelo significado de suas realizações como também pelo que representam as generosas expectativas sociais e os ideais políticos que suscitou. A destemida atuação política de homens e mulheres em Paris, no curto período de 72 dias, não teve precedentes na história mundial; no calor da hora, Marx escreveu que os insurretos de Paris, pela ousadia e determinação de suas ações e objetivos, lançaram-se a um autêntico “assalto ao céu”. Ou, como disseram os próprios comunardos: ali “estavam pela humanidade”.
.
Em março de 1871, pela primeira vez na história social e política, trabalhadores e setores populares – para escândalo e ódio das classes dominantes e seus ideólogos –, ousaram lançar as bases de uma sociedade mais justa, igualitária e radicalmente democrática. A curta experiência da Comuna buscou concretizar inestimáveis valores, ideais e consignas das lutas dos trabalhadores de todos os tempos: a democracia política substantiva (não formal), a fraternidade, a solidariedade, a igualdade sexual, o internacionalismo.
.
Embora breve, o experimento democrático da Comuna de Paris enseja inúmeros ensinamentos. A Comuna ainda tem plena atualidade e é um marco político-ideológico relevante para a reflexão e prática de todos os socialistas.
.
A primeira proclamação da Comuna é decisiva para a definição e qualificação de um governo realmente democrático: para os comunardos, os membros da Assembleia Municipal deveriam estar sob permanente vigilância e controle dos eleitores e da população em geral. Neste sentido, os eleitos para a Comuna poderiam ter seus cargos revogáveis e deveriam ser obrigados a prestar contas de seus atos. A afirmação da soberania popular se filiava, pois, à Constituição de 1793, que havia proclamado o “direito à insurreição” como “o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres” dos cidadãos. Por sua vez, a condenação da delegação do poder e da autonomia da burocracia pública seguia na mesma direção. Os funcionários públicos também deveriam ser controlados pelos seus atos e responsabilidades administrativas.
.
O Exército permanente foi suprimido e uma Guarda Nacional passava a substituí-lo como um autêntico “povo em armas”, pois, segundo um decreto, “todos os cidadãos válidos faziam parte da Guarda Nacional”; a Guarda Nacional passava também a eleger seus próprios oficiais e suboficiais. Por sua vez, as novas forças policiais, de natureza republicana, deixaram de ter um papel repressivo contra os trabalhadores e a população pobre da cidade.
.
Uma constante pressão foi exercida sobre os dirigentes da Comuna: pelos sindicatos, pelas organizações de bairros, por distintos clubes criados, pelas comissões de mulheres, pelas seções da Internacional: em princípio, podia-se falar em um verdadeiro “ministério das massas”. Um episódio concreto ilustra bem o caráter dessa incipiente democracia popular. Os padeiros – que se dirigiram ao Conselho Geral da Comuna a fim de agradecer a abolição do trabalho noturno – foram advertidos pelo jornal O proletário: “O povo não tem de agradecer a seus mandatários por eles terem cumprido suas obrigações legais; os delegados do povo não prestam favores, cumprem deveres”.
.
De forma sintética, tratava-se, pois, de uma democracia no sentido forte do termo; uma “democracia direta” na qual a cidadania deveria ser exercida de forma plena, intensa e ativa. Seu limite, contudo, foi sua reduzida extensão geográfica (restrita ao plano de uma cidade) e sua extensão no tempo. Durante 72 dias a cidade de Paris talvez tenha conhecido o mais vigoroso experimento democrático que até hoje existiu na história social e política moderna.
.
As conquistas sociais e econômicas
.
As inovações da Comuna foram além do plano político; ela se concretizou no plano social e econômico, na medida em que alcançou a propriedade das empresas. Sob a influência dos sindicatos dos trabalhadores e dos comitês da “União das mulheres”, foram criadas oficinas cooperativas e se propunha que as empresas fossem autogeridas. Os trabalhadores associados, por meio de um decreto, passaram a gerir as empresas abandonadas pelos patrões que fugiram de Paris. Instituiu-se o salário mínimo; proibiu-se o trabalho dos menores; a cobrança das dívidas de aluguéis foi protelada; os móveis, utensílios domésticos e instrumentos de trabalho, antes penhorados, foram restituídos aos trabalhadores e pequena burguesia pobre. Esboçava-se, pois, uma viragem da democracia burguesa para a democracia popular e operária.
.
Negando o secular e arraigado machismo, as mulheres tiveram um papel decisivo na Comuna: na criação de cooperativas de trabalhadoras e de associações femininas que atuaram na reforma do ensino, no trabalho pedagógico e das creches, nos serviços de saúde, na edição de jornais e panfletos informativos; muitas delas foram além dos limites tradicionalmente impostos ao “sexo frágil” , pois, com armas na mão e atrás das barricadas, defenderam a experiência libertária da Comuna. Neste sentido, pode-se afirmar que este pioneiro movimento feminista compreendeu que a luta pela emancipação das mulheres não podia ser dissociada das reivindicações essenciais defendidas pelas demais categorias oprimidas e classes sociais secularmente exploradas.
.
A Comuna também inovou ao romper com os odiosos preconceitos chauvinistas, na medida em que permitiu que muitos estrangeiros desempenhassem relevantes papéis políticos e militares. Outra experiência decisiva ocorreu no campo da educação. O ensino público, gratuito e laico foi instituído; os ideais republicanos passaram a ser praticados no cotidiano da vida das cidadãs e dos cidadãos. As liberdades políticas e civis, finalmente – tornadas uma concreta realidade para o conjunto da população de Paris – mostraram que era possível a emergência de um “governo do povo pelo povo”. Com exceção da historiografia conservadora, poucos intérpretes questionam a afirmação de que, até o presente, poucos Estados modernos conseguiram se aproximar da proposta de democracia popular que estava sendo esboçada na Comuna de Paris de 1871.
.
Uma “Declaração de Princípios” de 20 distritos de Paris talvez sintetizasse o ideário da Comuna de Paris: “Não haverá mais opressores e oprimidos, fim da distinção de classes entre os cidadãos, fim das barreiras entre os povos. A família é a primeira forma de associação e todas as famílias se unirão em uma maior, a pátria (...) e esta numa personalidade coletiva superior, a humanidade”.
.
Considerações finais
.
Durante 72 dias tais ideais e expectativas foram intensamente vividos pela maioria da população de Paris, particularmente pelos trabalhadores. Por sua vez, em todo o continente europeu, os operários e os setores populares tinham seus corações e mentes voltados para a Comuna. Em Paris, parecia emergir uma sociedade radicalmente transformada, na qual os valores e os ideais socialistas poderiam, pela primeira vez na história, se concretizar.
.
Certamente, a Comuna não foi uma revolução socialista. No entanto, como ponderou o historiador E. Labrousse, “a Comuna (...) em uma grande medida foi um poder operário. A Comuna não trouxe o socialismo, não lançou esta proclamação solene que a história poderia ter acolhido. Mas, se não trazia o socialismo, o carregava em si mesma. Carregava-o por natureza: pelos homens que a compunham, pelas questões que levantou (...) Não foi mais do que uma fulguração na história”. (In: “Debate sobre a Comuna”, Revista Crítica Marxista, vol. 13, 2001).
.
A fim de derrotar a experiência social e política representada pela Comuna de Paris – que revelava a possibilidade histórica da emancipação política e econômica dos trabalhadores na ordem capitalista –, as classes dominantes da França, fortemente apoiadas pelo exército invasor prussiano de Bismarck, empregaram a mais brutal violência física na destruição da experiência comunarda. Os números são eloquentes: quatro mil homens, mulheres e crianças, durante a “semana sangrenta” (23 a 28 de maio), foram mortos nas ruas, atrás das barricadas, e nos abrigos em que se recolheram. Nos dias seguintes mais de 20 mil foram sumariamente executados. Dez mil conseguiram fugir para o exílio; quatro mil foram deportados para a Argélia, então colônia francesa na África. Entre os 38 mil presos julgados, em janeiro de 1875, 1.054 eram mulheres e 615 eram crianças com menos de 16 anos. Apenas 1.090 (do total de 38 mil) foram liberados depois de interrogatórios.
.
Durante a repressão sangrenta, nos EUA, um editorial de um jornal novaiorquino, de forma irretocável, sintetizava o ódio e a determinação política das classes dominantes de todo o mundo em relação à Comuna de Paris: impõe-se que Versalhes “transforme Paris num monte de ruínas, que as ruas se transformem em rios de sangue, que toda a sua população pereça; que o governo mantenha sua autoridade e demonstre seu poder, que Versalhes esmague totalmente – seja qual for o custo – qualquer sinal de oposição a fim de dar a Paris e a toda França uma lição que possa ser lembrada e aproveitada pelos séculos que virão”.
.
A “lição” que os ideólogos e os sicofantas das classes dominantes desejavam impor aos trabalhadores não seria “aproveitada pelos séculos” que viriam. A “lição” que os proletários e seus aliados, em décadas seguintes, tiraram sobre a Comuna foi outra. Em Outubro de 1917, uma Revolução proletária, em grande medida, mirava no caso exemplar da Comuna de Paris. Lênin, um de seus mais lúcidos dirigentes, assim interpretou a experiência comunarda: "a memória dos combatentes da Comuna é exaltada não só pelos operários franceses como também pelo proletariado de todo o mundo, pois a Comuna não lutou apenas por um objetivo local ou nacional estreito, mas pela emancipação de toda a humanidade trabalhadora, de todos os humilhados e ofendidos”.
.
Os generosos ideais e objetivos da Comuna de Paris não se concretizaram. Condições extremamente adversas e equívocos cometidos pelos dirigentes da Comuna podem explicar a derrota. Não é o caso de mencioná-los e de discuti-los neste breve texto. Sem mitificar o evento ou comemorá-lo sob a dimensão de uma confortadora nostalgia, é de reconhecer que a luta "em defesa da humanidade" ainda tem plena atualidade e segue seu curso na história.
.
Nas palavras do autor de Os miseráveis, "O cadáver está enterrado, mas a ideia está de pé" (“ Le cadavre est à terre, mais l´idée est debout”). Os valores, os ideais e os objetivos da Comuna continuarão de pé e vivos enquanto prevalecerem em todo o mundo as estruturas iníquas e opressivas da ordem capitalista e imperialista. A fulguração histórica representada pela Comuna de Paris de 1871 será sempre um motivo de reflexão, referência e inspiração para os socialistas e comunistas de todo o mundo.
.
* Fundador e membro do Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), Unicamp; fundador da revista Crítica Marxista.
.

quarta-feira, março 18, 2009

Aconteceu em
18 de março
Barricada dos comunardos
1871 - Dia da Comuna
Instala-se a Comuna de Paris. 1º ensaio de regime socialista, tenta, segundo Marx, "tomar os céus de assalto". Mesmo afogada em sangue 72 dias depois, torna-se um marco da luta pelo socialismo.

quinta-feira, maio 17, 2007


Para onde vai a França?
Uma interrogação que encerra uma enorme inquietação quanto à evolução


* Albano Nunes

Esta uma interrogação que percorre a Europa. Uma interrogação perturbadora, sobretudo após a eleição de Sarkozy para Presidente da República, função que no regime presidencialista francês dispõe de poderes muito amplos. Uma interrogação que encerra uma enorme inquietação quanto à evolução do quadro político do continente no momento em que o grande capital intensifica a ofensiva contra os trabalhadores, as suas conquistas, as suas organizações e os seus direitos, prepara um novo salto federalista e militarista da União Europeia, anima um perigoso ressurgimento do racismo, do fascismo e do anticomunismo.

Interrogação e inquietação que partilhamos e que são uma razão mais para expressar aos comunistas franceses activa solidariedade e desejar ao PCF, independentemente de conhecidas diferenças em questões como a da «mutação», os melhores sucessos na dificílima batalha das próximas eleições legislativas.

A França conta muito na Europa e no mundo. Trata-se de um país capitalista, onde o poder económico e político pertence aos monopólios. Onde a burguesia não hesitou em trair os interesses do povo frente a Bismark e frente a Hitler e fez correr rios de sangue com as guerras coloniais da Argélia, da Indochina e outras. Uma grande potência que, em disputa e concertação com outras grandes potências, participa activamente no desenho e execução da estratégia imperialista (nomeadamente em África) que está a conduzir o mundo para o abismo.

Mas a França é também, e sobretudo, a França das «Luzes» e da grande Revolução Francesa. O berço do movimento operário revolucionário que nasceu no início do século XIX na Lião dos «canut» e o palco da heróica Comuna de Paris que inspirou a Marx as geniais reflexões de «A guerra civil em França». A pátria de Thorez e Duclos, do histórico Congresso de Tours com a transformação leninista do velho PS francês, dos pioneiros avanços da Frente Popular, do «partido dos fuzilados», o grande PCF que durante muitos anos foi um dos maiores e mais prestigiados partidos comunistas.

É este honroso património de uma França progressista, com uma cultura de esquerda solidamente enraizada, que Sarkozy quer enterrar quando pretende no seu discurso da vitória que «o povo francês escolheu romper com as idéias, os hábitos e os comportamentos do passado» e quando se propõe «reabilitar o trabalho, a autoridade, a moral, o respeito, o mérito», sabendo nós o que tal significa no discurso revanchista da reacção. Trata-se de projectos de ruptura muito ambiciosos que convocam desde já a nossa vigilância em relação à evolução no imediato das políticas do Governo francês. Graças à grande expressão dos comunistas e às tradições patrióticas e progressistas do seu povo, a França, membro fundador da CEE/ projecto imperialista europeu, é simultâneamente o país que disse «não» à Comunidade Europeia de Defesa, que durante muitos anos recusou participar no dispositivo militar da NATO, que em momentos cruciais bateu o pé às ambições hegemónicas dos EUA e aos seus planos mais agressivos e, mais recentemente, chumbou com um estrondoso «não» a chamada «Constituição Europeia». É com esta tradição de independência que Sarkozy também pretende romper, afirmando o seu pró-americanismo e anunciando opor-se a um novo referendo sobre a alteração dos Tratados da UE.

Sim, há fortes motivos de inquietação com a eleição daquele que tratou como «canalhas» os jovens revoltados das «banlieu» e com a previsível vitória do seu partido nas eleições de 10 e 17 de Junho. O que se deseja é que a inquietação incite à afirmação coerente e corajosa de projectos realmente de esquerda (que a candidatura de Ségolène Royal manifestamente não corporizou), capazes de incutir confiança e suscitar o apoio do eleitorado popular, e não, como alguns pretendem, novas abdicações e adaptações ao sistema. Só por essa via será possível voltarmos a receber em breve boas notícias de França.

in AVANTE 2007.05.17

QUADRO - A Morte de Marat, de Jacques-Louis David (1748-1825).

 
Jean-Paul Marat
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Jean-Paul Marat (Boudry, Suíça, 24 de maio de 1743 — Paris, 13 de julho de 1793) foi um revolucionário francês e importante personagem da Revolução Francesa.

Filho do italiano Giovani Marra, estudou medicina em Paris e Bordéus, terminando o curso na Inglaterra e doutorando-se em 1775. De volta à França, é nomeado médico da guarda pessoal do conde d'Artois, irmão mais novo do rei Luís XVI. Em 1783 abandona a profissão para se dedicar à carreira de cientista – já havia publicado artigos sobre experiências com fogo, luz e eletricidade. Em 1780 lança seu Plan de Législation Criminelle (Plano de Legislação Criminal), que é considerado subversivo pelo governo. Um ano depois tem seu ingresso recusado na Academia de Ciências. Esses dois fatos dão início a seu desencanto com a aristocracia então no poder.

Em 1789, ano da eclosão da Revolução Francesa, funda o jornal L'Ami du Peuple (O Amigo do Povo), em que se revela defensor das causas populares. Condenado várias vezes, é visto como o porta-voz do partido jacobino, a ala mais radical da revolução. Considerado fora-da-lei, refugia-se na Inglaterra entre 1790 e 1791, retornando então a Paris. Quando os sans-cullote (massas populares), orientados pelos jacobinos, proclamam a república e instituem a Comuna de Paris como órgão executivo do governo, Marat é eleito um dos dirigentes. No ano seguinte, Charlotte Corday militante do partido moderado dos girondinos, fazendo-se passar por uma informante, entra em sua casa com uma faca trazida às escondidas para o encontro e o assassina na banheira, a punhaladas.

Perto de sua morte, Marat passava várias horas na banheira, por problemas de saúde que incluiam alergia.

in Wikipedia