A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, maio 16, 2007




PREGÕES  (4)


O IBES é o lugar por excelência dos pregões dos vendedores a domicílio. Madrugada ainda já os padeirinhos anunciam o dia que nasce e o sol que desponta entre nuvens róseas ou acobecadas, fazendo fundo a um quadro maravilhoso, realçando a imponência do convento de Nossa Senhora, branquinho e altaneiro no topo da montanha recoberta do verde escuro da floresta.

Os padeirinhos percorrem as ruas com os seus pregões:

Balança a roseira...

Ou este outro: Cheguei...

Um bando de garotos de 8 a 14 anos, cestinhas no braço, toalhas limpinhas cobrindo o pão que vendem para ganhar o pão que alimentará a si e a seus irmãos. Uns gritam bonito, outros em tom lúgubre parecem uns arutaus espantando as últimas sombras da noite:

Padei...ro Padei...ro.

Um velho num triciclo, com uma buzina estridente e irritante, contrapõe em fá menor:

Padeiro...

O sol já vai alto e surgem os vendedores de pirulitos, trazendo em "ombros armas" os seus pauzinhos sustentando as rodas empalitadas de pirulitos:

Ah é... o pirulito
Enfiado num palito
Chupa pobre, chupa rico
Chupa eu que também grito.

Mais tarde é o comprador de garrafas, com um cone de flandres na boca como porta-voz:

Este sim...

Comprando garrafa... cobre... chumbo... alumínio ou metal al...

Demora-se um pouco e se ninguém o chamou, avisa:

Então já vou...

Pára o cocadinha gritando:

É a cocadinha baiana...

Há o homem que solda panelas, anunciando-se às donas de casa:

Soldador... soldador...

E, de quando em vez visita o bairro o:

Amolador... vai passando o amolador...

O carrinho chia conduzindo o barrilzinho e o garoto apregoa: Querosene... querosene...

Passam os peixeiros (chamados de tubarões pelo elevado preço de seus peixes), passa o carangueijeiro e o vendedor de "cana caiana". De rua em rua, de porta em porta, todos os dias, ouvem-se os pregões dos vendedores do IBES.

Há pregões bonitos que encantam, que caracterizam um lugar e que deixam uma suave e doce melancolia a nos recordar da infância, a reviver lembranças e a provocar no peito uma saudade da terra da gente, como meninas de pés descalços na areia quente das ruas de Conceição da Barra, uma com a sacola, outra com uma caixinha com Nossa Senhora enfeitada de fitas e de flores, batendo de porta em porta:

Esmola para Nossa Senhora da Boa Morte.

Mas o pessoal de casa está lá no fundo do quintal ensaboando roupa, não ouviu. As meninas gritam mais alto quase cantando:

Esmola pra Nossa Senhora da Boa Morte...

– Ah, minha Nossa Senhora, me perdoe, não tenho nem um dinheirinho. Mas entrem minhas filhas, vou ver alguma coisa... umas florzinhas, um ovo. É o que posso dar. É de coração.

Na Bahia, recorda-se o amigo Seixas, as mulatas de saias rendadas, com o depósito na cabeça, anunciam pelas manhãs:

Olha a canjiquinha, tá quentinha, tá quentinha...

Em Maceió, é o mesmo informante que relembra os vendedores de sururu:

Olha o sururu fresco é sururu de capote...

E em Vitória, quem não se recorda aquele vendedor de sorvete que gritava a primeira sílaba: sor... e sustentando o agudo arrematava lá longe – vete... anunciando a seguir 56 qualidades: coco, manga, abacaxi, laranja e tantas outras frutas que não chegavam a 56, mas era mais de uma dezena.

Muitos citados e conhecidos são os pregões daqueles garotos preguiçosos e tão preguiçosos que um deles vendia pirulito na estação ferroviária para aproveitar o apito da locomotiva: p... i... e arrematar: rulito... E o outro, vendedor de amendoim, tão indolente que se, postava à porta da igreja e quando o sacerdote dizia Amém... ele concluia: "doim torradinho..."

(A Gazeta. Vitória, 8 de março de 1959)

Ano V - junho 2003 - nº 58 © 1998-2002


Pregões de Lisboa  (3)

Autor: Euclides Cavaco
Intérprete: Al Raposo

Mal rompeu a madrugada,
Já Lisboa era acordada,
Com seus pregões matinais,
Pela varina peixeira,
Lá pròs lados da Ribeira,
Ou o ardina dos jornais.

A Rita da fava rica,
Que vem do bairro da Bica,
Traz pregões à sua moda.
E o homem das cautelas,
Diz p’las ruas e vielas,
Amanhã, é que anda a roda…

Apregôa-se a castanha,
Desde o Rossio ao Saldanha,
Os pregões são sempre assim,
Flores na Praça da Figueira
E diz cada vendedeira
Ó freguês!.. compre-me a mim !…

E de canastra à cabeça,
Quase até que anoiteça,
Há em mil bocas pregões.
Mas não se vê já passar,
A figura popular,
Da Rosinha dos limões !…

Euclides Cavaco

PREGÕES (2)


* Mário Sette


Não mudaram muito os pregões do Recife. Ouvem-se ainda hoje alguns dos tempos antigos, embora muitos outros novos existam.

O pregão do homem dos cucuzes é o de outrora e o mais madrugador. Ainda meio escuro é ouvido nas ruas da cidade e nas dos arrabaldes. Insistentemente. Inconfundivelmente. Cedinho. Antes mesmo do "Manhã!… Comércio!…" dos gazeteiros. Brr… Cuscui!

Homens, de tabuleiros de flandres às cabeças, são esperados por todos os que não sabem como tomar o cafezinho cheiroso e quente, sem a saborosa guloseima de milho. O freguês chega afinal, tira a tampa do tabuleiro, e, com uma pazinha de metal arrasta logo o cuscuz amarelinho, úmido, redondo. E gostoso. O cuscuz vem de tempos remotíssimos. Foram os primeiros escravos que trouxeram a receita para nossos antepassados e desde então nunca mais se deixou de pilar o milho de madrugada, de se espremer o coco e de se pôr a massa a cozinhar dentro de um pano alvo à boca de uma chaleira…Com o correr do dia os outros vendedores ambulantes enchem as ruas do Recife. É o das verduras com seus cestos superpostos dentro dos quais se entremostram as talhadas de jerimuns, os gumes dos quiabos, as cabeças de cebolinhas, os molhos dos maxixes.
É o peixeiro com as cavalas e bicudas pendentes dos calões: um portador carrega a mercadoria e o peixeiro vai à frente, de faca em punho, apregoando. "Eh! Bicuda!" É o menino que vende cajus amarrados em grandes rodas vermelhas ou amarelas. É o freguês de bananas, gritando "Maçã madurinha!" É o homem do aipim: "Macaxeira… Bahia!

"Um dos modos de vendagem típicas da capital pernambucana será o de fressuras. Os vendedores carregam os tabuleiros cheios de mocotós, fígados, miolos, miúdos, tudo muito arrumadinho, e vão berrando: Lu! De tal modo que uma pessoa estranha à terra topando com um indivíduo assim, de roupas meio ensangüentadas, de vaca na mão, e dando semelhante berro, pode cair ou correr de susto.

Vendedor ambulante que fez época foi o das vassouras. Ficou mesmo conhecido pelo homem das vassouras. Andava carregando um verdadeiro mostruário da sua especialidade e ia gritando num tom mais de lamento que de oferta:

– Minha gente, olhe o homem da vassoura... O homem da vassoura já vai embora…Pregão também muito interessante, mas que só tem sabor na sua entonação musical é o do vendedor de "lã de barriguda para travesseiros". Também harmonioso e antigo o do mel de engenho: – Mé novo!!Com a vendagem de sorvetes em casquinhas, conduzidos em carrocinhas, o sorveteiro de outrora está desaparecendo. Ele, porém, teve o seu reinado. Nos tempos em que os gelados ainda eram uma novidade, quase uma coisa proibida. Contam os cronistas que o sorvete apareceu no Recife por volta de 1859. Era feito com gelo vindo da Europa… Nem por isso caro. 300 réis o copo. Havia uma casa que publicava um anúncio assim

Na esquina do Rosário
Quer de noite, quer de dia
Há sorvete de patente
Feito por engenharia

um competidor replicava:

Não é por máquina, não
Mas tão bom não há aí
de abacaxi…

Os sorveteiros ambulantes tinham também sua maneira de apregoar muito sonora. Ao escurecer já era ouvida de longe sua doce cantilena:– Sorveeeeeete… É de mangaba!…

O homem da carne de porco, em regra, grita:– … de porco! …de porco!Além da vendagem ambulante, que enche de seu pitoresco o Recife, há, igualmente, com uma cor não menos local, o dos vendedores de rua, mas fixos.

Temos o homem da gelada: um quiosquezinho, com grandes frascos cheios de refrescos, e uma coleção de copos em redor. O de cachorro-quente, nas festas de igreja. A mulher das tapiocas. Esta é uma das mais antigas e típicas. Senta-se sempre numa esquina de rua do bairro de São José ou de arrabalde. Quando não num pé de escada. Tem um fogareiro ao lado, com uma frigideira. Ali, ela espalha a massa de mandioca, salpica o sal, deita o coco e espera que a tapioca fique pronta. Muito alvas, por vezes levemente tostadas, dobradinhas, ela vai arrumando as tapiocas num tabuleiro. Ocasiões há em que a freguesia é tanta que fica esperando pelas tapiocas ainda em preparo.

Embora muito raras, ainda existem as mulheres do mugunzá. Também vendem na rua a sua saborosa mercadoria. À medida que chegam os fregueses, com pratos, tigelas ou terrinas, elas destampam o caldeirão e com uma colher de ágata vão enchendo as vasilhas do caldo grosso de milho, tão perfumado, tão provocador.Ainda passam pelas ruas o freguês das lagostas, o dos caranguejos, o comprador de garrafas e jornais velhos, o das galinhas, montado num cavalo e ladeado por dois caçuás cheios de aves:

– Galinha e capão gordo!
O de ovos não se cansa de gritar, imitando um cacarejo:
– Qué ovos? Qué ovos? Qué ovos? Há, no Recife, um vendedor ambulante que tem para mais de setenta anos de idade e não mudou.

Os quase velhos de hoje o viram assim mesmo em menino. É o homem das ostras. Alto, negro, seco, de calças arregaçadas e pernas sujas de lama, com um samburá na cabeça. O seu pregão é o nosso pregão-vovô:

Eu, tenho ostras
Tenho ostras
Chegada agora…
Chegada agora…

(SETTE, Mário. Maxambombas e maracatus. 3ª ed. Rio de Janeiro, Casa do Estudante Brasileiro, 1958)

in Jangada do Brasil nº 13

 Pregões (1)

O SABOR DOS DIAS

Pregões da Lisboa Antiga (e não só)

* Zecatelhado

Ia ontem Rua do Arco do Carvalhão acima, quando deparei com uma figura que não me era desconhecida de todo. Embora já muito marcada pela idade, reconheci logo aquela senhora que ainda jovem passava na minha rua com um enorme saco de sarapilheira à cabeça apregoando " PALHA BARATA"!

Era a Lisboa de há quase cinquenta anos atrás. Pelas ruas ouviam-se os célebres pregões da época que enchiam o ar ( ainda não poluído ) de sons cantados pelos pregoeiros:

" Ferro Velho!"... "Olha a Fava Rica!"... "Bolinhas de Berlim!"..." Olha a baunilha!"... " Quem tem trapos e garrafas para vender?!"... " Olha língua da Sogra!"..."Há carapau e sardinha linda!"... "Queijo saloio"..."Olha o funileiro" etc...

Os típicos carros do vendedor de castanhas e do vendedor de gelados ( que ainda hoje existem alguns. Mas haviam alguns pregões que eram autênticas maravilhas, senão reparem:

"...Ó meninas desta rua
venham todas à janela
venham cá ver o Germano
e comprar uma cautela
É o 28 mil novecentos e vinte e três
amanhã é que anda a roda!"

Era o "tio Germano" cauteleiro, que subia e descia a Morais Soares todo o santo dia.

Ou ainda:

" Há figuinhos de capa rôta
quem quer figos
quem quer almoçar!"

Recordo também alguns "sinais" que avisavam da presença do vendedor:

O "amolador"- geralmente um galego com uma geringonça feita em madeira com uma enorme roda que servia simultâneamente de peça de balanço para a maquineta e de roda de transporte da mesma. Ainda hoje, embora muito raramente, se encontram.

O "petrolino" - Era uma carroça em metal puxada por um cavalo, uma mula ou um macho, que vendia uma certa gama de produtos tais como: Petróleo para os fogões, álcool etílico, piassabas, vassouras, penicos, sabão, palha de aço, etc...

Era uma outra Lisboa, muito diferente desta de hoje, que, confesso, às vezes recordo com uma pontinha de nostalgia.

Comentários

(...)
2- os petrolinos no Porto, vendiam também azeite. as crianças chamavam as mães gritando:vem aí o azeiteiro!não sei se sabe que no norte azeiteiro tem uma conotação com homossexualidade; por isso o homem deixava a carroça e tentava apanhar-nos. não sou azeiteiro, sou o homem dos azeites!
um abraço
Posted by: grzl at abril 16, 2005 06:22 PM

Era a Lisboa dos pregões, que tanto atraía a curiosidade da garotada.
A voragem do progresso acabou por eliminar os pregões mais bonitos de toda a Europa
Os alfacinhas ainda hoje recordam com nostalgia, essa faceta da cidade.

“Quem merca o molho de alecrim a vintém o quarteirão”!

Posted by: jgonçalves at abril 16, 2005 08:39 PM


in Café Expresso - Tadechuva http://jachove.weblog.com.pt/

Outros pregões

Ierre, ierre, mexilhão!
Quentes e boas!...
A quinze réis quem acaba as uvas?
Quem quer violetas!
Petroline, azeite dô!...
Merca oh cabaz de morangos!
"Quer alguma coisinha, amor?"
"Há água fresquinha! Quem quer, quem quer?"
- Olha o Lisboa... Capital...República...Popular... ( que frase!!!)
Quem tem trapos ó garrafas, queira vender
Compro papeis, guardas chuvas, moveis velhos..
Há figuinhos de capa rota... quem quer figos, quem quer almoçar à tarde
Oh! viva da costa...Há sardinha linda ....
Oh! freguesa quem é que acaba o resto... é treze a dúzia



Pregões do Recife (Brasil)

Os pregões são outra manifestação folclórica de muita beleza. Cantados, falados, ou tocados, cada cidade tem os seus pregões. E o Recife, como não poderia deixar de ser, também tem os seus. Entre os pregões antigos temos o do vendedor de pitomba:

- "Ei, piripiripiripiripitomba! Menino chora prá comprar pitomba! Ei, pitomba! "

Outros pregões enchem de melodia a vida e a saudade de muita gente:

- Olhe o rolete ! Rolete é de cana caiana! Quem vai querer?"
- "Eu tenho lã de barriguda prá travesseiro ! "
- "Ostra chegada agora ! Chegada agora... Chegada agora..."
- Mé novo, de engenho ! "
- "Banana prata e maçã madurinha ! "
- "Verdureiro ! "
- "Macaxeira ! Macaxeira rosa"
- "Macaxeira! Macaxeira Bahia, cozinha n'água fria ! "

E o vassoureiro? Quem, com mais de trinta anos de idade não se lembra da figura folclórica do vassoureiro, com seus dois balaios pendentes de um pedaço de caibro sobre os ombros, balaios cheios das mercadorias constantes de seu pregão melodioso:

- "Vassoura, abano, espanador, bacia de lavar prato, regador, colher de pau, esteira d'Angola, rapa-coco, grelha ! Olha o vassoureiro ! Vai querer hoje?"

E estes outros, também bonitos e saudosos, como:

-"Doce gelado! "
- "Sorvete! É de coco e de maracujá!"

É bom explicar que doce gelado era como se denominava o picolé de hoje, logo quando apareceu, Era redondo e não tinha o formato dos picolés de agora.

Os pregões atuais, quase todos, com exceção de alguns, são tocados como a trombeta do vendedor de picolé, a sineta do pipoqueiro, a gaitinha do vendedor de cuscuz e do amolador de tesouras, a sineta do caminhão de gás, etc. Entre as exceções, lembro:

- "Olha o amendoim I Amendoim torradinho ! "
- "Caranguejo! Olha o carangueijo ! "
- "Pirulito ! Olhe o pirulito ! Quem vai querer?"
- "Cavala! Olha a cioba !"


in   http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cur_riq.htm

LUANDA

«Ola almoço, ola amoçoeé
Matona calapau
Jiferrera jiferreresé»

«Maboque m’boquinha boa
Dóce docinha»

« Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!»