A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

terça-feira, agosto 21, 2012

Contra uma existência sem dignidade ou futuro


OPINIÃO

Contra uma existência sem dignidade ou futuro

I
Sendo a história feita por homens e mulheres, com o concurso de interesses e de opiniões, de estadios de consciência muito diversos, de interesses de classe organizados, quando nós hoje estudamos o esclavagismo, o feudalismo,as sociedades pré-capitalistas, a revolução industrial, etc., somos tentados a considerar que tudo isso aconteceu por geração espontânea.
Mas, não! Foi fruto de lentos e quantitativos processos de mudança que, após séculos de maturação, resultaram em transformações qualitativas. Transformações que são processos colectivos e, mais tarde ou mais cedo, ocorrerão porque servem para regular contradições antagónicas que se produzem na sociedade e que terão de ser resolvidas para que o mundo e a humanidade avancem.
Como Marx referia no capítulo de “O Capital” sobre a acumulação primitiva, “nos fins do século XIV, a servidão tinha desaparecido praticamente de Inglaterra”, facto que ocorreu – com uma breve interrupção entre 1640 e 1660 – sem a substituição formal do regime monárquico. E tal transformação ocorreu, em Inglaterra, e mais tarde no resto da Europa, porque era inconcebível que o servo da gleba se continuasse preso aos grilhões do senhor feudal. As revoluções burguesas, que germinaram durante séculos impuseram, pela violência, a sociedade da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, limitando, no entanto, a aplicação desse lema às classes dominantes.
O processo de acumulação capitalista gerou uma contradição antagónica. A que opõe a natureza social do trabalho à apropriação privada da riqueza gerada por ele, contradição que o desenvolvimento da mesma para o seu estadio superior que é o imperialismo (a que muitos teóricos gostam de chamar globalização para escamotear a rapina e a guerra que aquele traz consigo) exponenciou. Tal como as contradições do passado, a contradição entre o Trabalho e o Capital será resolvida, não com "beijinhos e abraços", ou por um acordo de tias durante o seu chá das 5, mas por revoluções violentas.
Porque, tal como no passado a burguesia teve de depor a monarquia pela violência para libertar os servos da gleba para o emergente "mercado de trabalho", e de forma "livre" pudessem vender a única mercadoria que tinham para vender - a sua força de trabalho -, a classe operária, os camponeses e todos aqueles que só sobrevivem do rendimento do seu trabalho ou, pior do que isso, foram remetidos para o desemprego, a precariedade, a fome e a miséria que o capitalismo lhe tem para lhes "oferecer", só poderá contar com a violência revolucionária para arredar da cena da história uma classe que, tal como as outras classes exploradoras que antes da burguesia detiveram o poder, nunca abandonarão o mesmo de livre vontade.
Senhores de escravos morreram às mãos de monarcas liberais, monarquias foram decapitadas pelas burguesias vencedoras e, povos e nações foram destruídos. Milhares de vidas se perderam em nome da conquista de fronteiras, do domínio de territórios, do saque de matérias-primas de outrem e da necessidade de o imperialismo regular a economia de acordo com os seus interesses.

Para os eternos "românticos" das soluções "pacíficas" a eterna questão. Quantos milhões serão necessários morrerem, no altar do sacrossanto lucro capitalista, na defesa dos interesses imperialistas de rapina – pois o imperialismo significa guerra -, para que cheguem à conclusão que à exploração e à guerra burguesa, capitalista, colonial e imperialista só se pode responder com a guerra revolucionária que liberte os povos, os trabalhadores da exploração e de uma existência sem dignidade ou futuro?

II
Não sendo ainda o socialismo, pela sua vertente democrática patriótica, capaz de unir um largo consenso entre classes e extractos de classe, sobretudo porque contém medidas que se, por um lado, protegem a nossa unidade e independência nacionais, por outro, podem gerar riqueza de forma sustentada e plausível de criar emprego e riqueza, o programa que os comunistas, marxistas-leninistas, hoje defendem, baseados na premissa de Lenine da "análise concreta de uma situação concreta", de derrube deste governo de vende pátrias, ao serviço da tróica germano-imperialista, e da constituição de um governo democrático patriótico é o programa que melhor satisfaz os interesses da classe operária e dos trabalhadores nas presentes condições políticas e de mobilização.
Torna-se, assim, cada vez mais claro que é necessário dizer, sem hesitações, que só isolando do movimento sindical a corrente oportunista e capitulacionista que o tem dominado, só isolando as concepções oportunistas das propostas apresentadas por PCP e BE que consideram que os trabalhadores devem pagar, nem que seja uma parte, de uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício, só trabalhando para que uma frente comum - que nada tem a ver com acordos de bastidores de cúpulas - de várias camadas populares, com ou sem partido, na base de um programa mínimo que passe pelo:
- REPÚDIO DA DÍVIDA;
- Restauro do tecido produtivo destruído;
- Nacionalização da banca e de todos os sectores e empresas estratégicas para um desenvolvimento planeado da economia, de acordo com os interesses de quem trabalha e controlado pelos trabalhadores;
- Confisco das grandes fortunas para impedir fuga de capitais;
- Plano de investimentos criteriosos, considerando desde logo o aproveitamento da posição geoestratégica única de Portugal, que possui o maior porto de águas profundas da Europa Ocidental e a maior ZEE do continente europeu;

É que será possível derrubar o governo de traição PSD/CDS e, em alternativa, constituir um governo democrático patriótico que implemente aquele programa mínimo, ao serviço do povo e de quem trabalha.
Quando se diz que é absolutamente vital o isolamento das correntes oportunistas que dominam o movimento sindical, estamos a defender, não o isolamento ou destruição das estruturas sindicais, mas sim das direções oportunistas que as tomaram de assalto. Dois exemplos de como isso se consegue:
1. Reconhecendo que a luta dos trabalhadores do sector dos transportes é hoje a vanguarda da luta sindical e política, verificamos que existem sindicatos que advogam o recuo e outros que, não só mobilizam os trabalhadores para a luta contra o roubo dos salários, como articulam essa luta com o combate contra a privatização do sector - pelo que apelam à unidade com os outros trabalhadores e utentes dos diferentes tipos de transporte, assim como têm consciência de que só o derrube deste governo permitirá o REPÚDIO DA DÍVIDA, dívida que, para além de não ter sido contraída pelo povo, nem contraída para seu benefício, é ilegítima, ilegal e odiosa porque está a exaurir de recursos o nosso país e a desviar verbas que deveriam ser empregues na saúde, no ensino e nos transportes para quem trabalha e para o povo com o propósito de facilitar e aumentar o processo de acumulação capitalista da riqueza. É este, portanto, o exemplo a seguir. Um exemplo que está, inclusive, a levar algumas direcções sindicais no sector dos transportes a adoptar este programa de luta se não quiserem ficar definitivamente isoladas e desmascaradas junto dos trabalhadores que é suposto representarem;
2. Após as duas greves gerais nacionais – a de 24 de Novembro de 2011 e a de 22 de Março de 2012 - a "legitimidade eleitoral" do governo PSD/CDS ficou totalmente esfrangalhada. Para já não perder muito tempo sobre a miserável traição do Eng.º Proença, dirigente da UGT, que redundou no acordo que deu lugar à recente legislação laboral fascista, o que dizer da proposta do novel secretário-geral da CGTP à saída da última greve geral, "reclamando" um aumento de 30 €/mensais? Existe a possibilidade de, ao abrigo da lei sindical quanto à legitimidade do exercício do direito de tendência, de fazer trabalho dentro desses sindicatos e centrais completamente esclerosados por décadas de oportunismo e transformá-los naquilo que deviam de ser: instrumentos ao serviço da defesa dos interesses dos trabalhadores, do elevar da sua consciência política da necessidade de derrubar este governo e repudiar uma dívida que não contraíram. E, onde tal não seja possível, partir para a criação de novos sindicatos que cumpram o papel que a revolução e os interesses dos trabalhadores deles esperam.
Claro está que muito mais e de forma mais detalhada e complexa haveria a dizer. Mas estes são já 2 pontos práticos do que poderemos, sem nos estarmos sempre a lamentar, FAZER!
Nas actuais condições políticas, o REPÚDIO DA DÍVIDA não representa nenhum recuo táctico ao programa e à estratégia da classe operária e do seu partido comunista, marxista-leninista. Ao contrário das propostas de “reestruturação” ou “renegociação” da dívida, e da “exigência” de “mudanças de política”, defendidas por PCP e BE, que admitem, assim, que parte da dívida terá de ser assumida pelos trabalhadores e pelo povo, que não a contraíram, nem dela beneficiaram, proposta ainda mais recuada do que alguns sectores da burguesia a nível internacional defendem.
Haverá que dizer que alguns sectores da própria burguesia se revelam mais “avançados” do que os revisionistas do PCP e social-democratas do BE quanto às propostas que aquela “esquerda parlamentar” defende. Tome-se como exemplo o conceito de dívida Ilegal, Ilegítima e Odiosa surgido durante a Guerra pela Independência dos estados norte-americanos contra a potência colonial, e que visava anular as dívidas contraídas, quer à antiga potência dominante - a Grã-Bretanha -, quer aos aliados franceses que tinham prestado massivo “auxílio” financeiro e militar aos revoltosos independentistas.
Em que se baseia, então, este princípio, entretanto incorporado na lei internacional e invocado recentemente pelos EUA no Iraque? No princípio de que se um estado, para fazer face ao pagamento da dívida e do "serviço da dívida" (onde se incluem os juros faraónicos) tem de se exaurir de recursos e frustrar as expectativas dos seus povos ao direito à educação, à saúde, ao emprego, etc., a dívida, nestas circunstâncias, passa a ser ODIOSA!
Antes disso, porém, ela é considerada ILEGAL porque foi contraída na base de contratos não transparentes ou caucionados por entidades independentes, como o Tribunal de Contas ou o Banco de Portugal, entre outras, desconhecendo-se o benefício que adviria para o povo e o país, da contração de tal dívida ou, como no exemplo vertente, porque a potência “credora” pretendia obter vantagens ilícitas sobre um dos contendores.
E ILEGÍTIMA porque, quem "emprestou" sabia, de antemão, que o "devedor" não a poderia pagar ou, para assegurar esse pagamento, tivesse dado como garantia a venda, a preços de saldo, dos activos e empresas públicas, o que amputaria todo e qualquer programa de política económica independente, baseado no princípio da vantagem recíproca que deve haver nas relações entre as diferentes nações. Ou, ainda, em separado ou cumulativamente, dando como garantia os rendimentos do trabalho que, medida após medida terrorista e fascista, criaram as condições para um generalizado roubo dos salários e do trabalho.
Como se pode inferir do que acima ficou dito, a própria burguesia, quando está em causa a sua estratégia de rapina ou de acumulação capitalista de riqueza, defende pressupostos mais “avançados” e “esquerdistas” do que PCP e BE. É por isso que é cada vez mais claro que o BE prossegue uma política social-democrata e o PCP uma política revisionista, também quanto à questão da dívida e a forma de se lhe opôr.
A posição que os EUA adoptaram quando atacaram e invadiram o Iraque – ao abrigo, lembrar-se-ão todos certamente, da suspeita de que o regime de Sadam era detentor de um enorme arsenal de armas de destruição maciça (como se esse não fosse um atributo, até nuclear, da potência invasora) -, onde o imperialismo norte-americano invocou esse direito para não ter de dividir a presa e o saque com alemães e franceses que se preparavam para reclamar a dívida que o regime de Sadam com esses países havia contraído, é a todos os títulos paradigmática da hipocrisia da burguesia quanto às “dívidas soberanas”.
Repudiar a dívida não é, pois, uma palavra de ordem, é um programa político avançado. Quando em Março de 1850, Karl Marx endereçava em carta do Comité Central à Liga dos Comunistas a tese de que "Se os democratas reclamam a regularização da dívida pública, os operários reclamam a falência do estado", ele sabia perfeitamente que a dívida foi, e sempre será, um instrumento de domínio e chantagem das classes detentoras da riqueza e dos meios de produção sobre as classes trabalhadoras ou sobre os povos e nações colonizados, como foi, entre outros, o caso do Iraque aqui relatado. E essa afirmação, que tem o mesmo conteúdo das afirmações NÃO PAGAMOS ou REPÚDIO DA DÍVIDA, não era uma palavra de ordem, mas uma declaração de princípios e um objectivo estratégico de luta para os trabalhadores e para os povos, reclamado pelos comunistas.
Para escamotear a sua traição ao movimento operário e popular, estes oportunistas avançam, então, com dúvidas baseadas em premissas tão basistas como, e depois? Se sairmos do euro por repudiar a dívida, como compramos as batatas ou os equipamentos de que necessitamos? Dúvidas para as quais a classe operária e os trabalhadores de vanguarda, baseados no princípio de "contar com as próprias forças", sempre tiveram resposta.
O exemplo da China de Mao é paradigmático. Como foi o da Rússia de Lenine. Ambos os países, após as revoluções vitoriosas, foram votados ao mais profundo dos isolamentos e chantagem pelas potências imperialistas e capitalistas e tiveram de fazer face a toda a sorte de agressões militares e económicas por parte da contrarrevolução armada pelas potências capitalistas. E sobreviveram. Confiaram nas massas, confiaram na linha comunista de ter a agricultura como base da economia e a indústria como factor determinante de desenvolvimento da economia socialista.
Ora, a questão é que, quer o PCP, quer o BE, para além de prestarem um excelente serviço à burguesia e ao grande capital, tentam paralisar, assim, um sector importante da pequena-burguesia “bem pensante”, e, através dela, os trabalhadores e o povo, uma pequena burguesia que só confia nela própria, ou seja, nos seus medos e limitações. Nunca confiará na capacidade da classe operária, na capacidade colectiva dos trabalhadores para encontrarem soluções à medida dos seus interesses e do seu objectivo estratégico último: o de acabar com a sociedade que assenta na exploração do homem pelo homem.

Voltamos à questão inicial. É preferível morrerem milhões de trabalhadores e de elementos do povo no altar do sacrossanto lucro capitalista, é preferível continuarmos a servir de carne para canhão das guerras imperialistas, continuamente, ao longo dos séculos, ou morrermos para atingir a sociedade baseada no socialismo e no comunismo?

segunda-feira, agosto 20, 2012

A “dinastia” Louçã!


Num esforço que nunca imaginaríamos ser possível Louçã protagonizar, em apenas dois dias, o personagem “mimou-nos” com uma história a dois tempos:
Tempo 1 – Anuncia nas “redes sociais” que não se recandidatará à função de coordenador do seu movimento/bloco na próxima convenção e, tal patriarca monárquico, “propõe” que a “dinastia” prossiga de forma bicéfala – ou quereria dizer acéfala? -, repartida por um homem e uma mulher, indicando desde logo, os seus “delfins”.
Para Louçã, portanto, não é o que se defende, ou quais os interesses de classe pelos quais um partido de esquerda se deve bater, nem, muito menos, quais as qualidades de liderança que são necessárias para atingir tais objectivos, que interessam.
O que interessa, tal como já acontece com as “propostas fracturantes” que o BE vem apresentando para desviar os trabalhadores e o povo das questões essenciais pelas quais devem lutar, isto é, o derrube deste governo de traição e o não pagamento da dívida, que não foi contraída por eles, nem foi contraída para seu benefício, o que interessa mesmo para Louçã e seus seguidores não é o conteúdo das propostas, mas a forma que a direcção do seu movimento/bloco assume para as protagonizar.
Forma que, ainda segundo Louçã, se deve pautar pela implementação de uma visão do século XXI (??) que não se compagina com “práticas” do século XIX (????). E, pronto, ficámos todos mais tranquilos, não fora, agora, o BE, ter outra política que não seja a de se arvorar em gestor do sistema capitalista no sentido de lhe emprestar algum “glamour” de “esquerda” que permita ao sistema dominante exibir um “rosto humano”.
Tempo 2 – Aproveitando o espaço vazio deixado pelo PSD no “calçadão” da Quarteira quando este, temeroso da contestação popular às políticas terroristas e fascistas que prossegue, a mando da tróica germano-imperialista, no governo, decidiu transferir a sua “festa do pontal” para o recato de um recinto fechado, Louçã, o tal que verbera “práticas” do século XIX, mas as reproduz de forma “dinástica” no século XXI, vem “reclamar” num comício organizado pelo seu movimento/bloco, que o governo de Passos não deve continuar “…a facilitar a vida ao crime económico e à fuga de capitais”.
Ao mesmo tempo que, prolongando o crime que constitui fazer os trabalhadores e o povo pagarem uma dívida que não contraíram, nem dela beneficiaram, desde que “reestruturada” e “renegociada”, vem “exigir” que se proceda ao “cancelamento” da dívida imposta pelo directório europeu e pelo imperialismo germânico que o controla, nos próximos anos!
Ou seja, a alternativa, segundo Louçã, é “…fechar a porta à tróica e abrir a porta à Europa”, como se uma e outra, nas condições políticas actuais, em que o directório da UE está completamente submetido aos interesses do imperialismo germânico, não fossem uma e a mesma coisa.
Para dar credibilidade a tal tese, vem ainda Louçã relembrar que até Cavaco Silva já se pronunciou a favor daquilo que o BE defende, isto é, de que o BCE (que é uma entidade privada onde pontificam os grandes grupos financeiros e bancários alemães) deveria comprar “dívida pública” portuguesa a 1%, que é o juro que pratica com a banca nacional e internacional.
E vai mais longe. Numa lógica perfeitamente capitalista do “quem paga controla”, defende a nacionalização do BPI e do BCP, não no contexto de uma política de esquerda, a implementar por um governo democrático patriótico, que emergisse do derrube do actual governo de traição, baseado num novo paradigma de economia ao serviço de quem trabalha e do povo, e controlado pelos trabalhadores, mas na mesma senda do que aconteceu com o BPN, isto é, “nacionalizem-se” os prejuízos, pois os dividendos já encheram os bolsos dos capitalistas.
Teses que consubstancia a sua posição relativamente à dívida, bem como o que defende – ele e o seu movimento/bloco – quanto ao que deve ser feito relativamente a ela…pagá-la! Isto é, fazer o povo e os trabalhadores pagá-la, precisamente aqueles que não foram responsáveis por ela, nem dela beneficiaram.
Dois momentos, pois, que vieram comprovar que quanto a Louçã e ao movimento/bloco cuja direcção agora abandona, nada de novo no horizonte: o mesmo oportunismo de sempre, a social-democracia no seu pior!

quinta-feira, agosto 16, 2012

A crise do capitalismo moderno e a luta dos trabalhadores


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Marcus Kollbrunner - 12 de agosto de 2009
Faz quase um ano que a crise econômica mundial se tornou inegável, com a quebra do banco Lehman Brothers dia 15 de setembro de 2008. Até aquele momento os governos faziam de tudo para dar a impressão que não haveria crise. Agora vemos uma equivalente maré de propaganda declarando o “fim da crise”. Mesmo se o ritmo da queda da crise desacelerou, a crise – e os ataques aos trabalhadores – está longe de acabar.

É importante para socialistas fazer uma avaliação sóbria sobre a crise, para avaliar o terreno da luta de classes. Um ponto de importância específica é avaliar como a montanha russa econômica afeta a consciência dos trabalhadores.
Pior crise desde os anos 30
Mesmo que as perspectivas mais otimistas sobre um fim iminente da crise estejam corretas, essa crise já se qualifica como a mais longa e profunda desde a Grande Depressão de 1929-33.
Temos que ver com cautela os dados recentes, que foram interpretados de maneira bastante otimista. Dados que mostram uma queda menos aguda nos últimos meses, ou até com certa recuperação comparado com o mês ou trimestre anterior, ainda estão muito abaixo do nível de um ano atrás.
EUA, queda menos acelerada
Vemos isso nos dados recentes dos EUA. Os dados preliminares do segundo trimestre, apontam para uma queda do PIB de 1%, comparado com o primeiro trimestre. Essa é uma queda bem menos acentuada se comparado com o primeiro trimestre (-6,1%) e o quarto trimestre (-5,7%). Mas se comparamos o segundo trimestre com o mesmo trimestre do ano passado a queda é de 3,9%.
O jornal britânico Financial Times aponta para isso: “Localize a suposta melhora: 0, -1,9, -3,3, -3,9. Essa é a progressão no ritmo trimestral de crescimento da economia dos Estados Unidos nos quatro últimos trimestres, com relação aos períodos comparáveis um ano antes.”
O segundo trimestre foi o quinto trimestre negativo seguido do PIB dos EUA (comparando com o trimestre anterior), o período mais longo de contração da economia desde que os dados começaram a ser computados em 1947.
O que salvou a economia estadunidense de uma queda maior foram os gastos do governo federal, que aumentaram em 10,9%. O maior aumento foi com gastos militares em 13,3%. O consumo privado, que corresponde a 70% do PIB, caiu no segundo trimestre para -1,2%.
Um dado que ajudou a animar o espírito dos mercados financeiros foi que o desemprego nos EUA teve uma ligeira queda em julho (9,4%) comparado com junho (9,5%). Essa foi a primeira queda do desemprego desde abril 2008.
A razão pela qual o nível de desemprego caiu foi um grande aumento das pessoas que desistiram de procurar emprego em julho (422 mil), e que por isso não estão incluídos nas estatísticas. Em julho ainda foram perdidos mais postos de trabalho do que foram criados, mesmo se a queda foi bem menor que nos meses anteriores. Isso reflete o fato de que as pessoas estão sem trabalho por mais tempo do que antes, e por isso aumenta o número dos que desistem. A média de tempo em que as pessoas ficaram sem emprego aumentou para 25 semanas (6 meses), o período mais longo desde o início das estatísticas em 1948.
De dezembro 2007 e julho 2009 sumiram 6,7 milhões de empregos nos EUA e agora há 15 milhões de desempregados oficialmente (não incluindo quem desistiu de procurar emprego, quem é imigrante clandestino, etc.).
Longe de recuperação no setor imobiliário
A crise atual foi desencadeada com a queda dos preços de imóveis dos EUA. O aumento dos preços dos imóveis foi usado para sustentar o aumento de crédito e consumo. Até quem não tinha renda comprovada podia no em fim entrar na onda de consumo, com os bancos correndo atrás de novos clientes. O estouro da bolha imobiliária criou um efeito inverso, limitando o consumo.
No primeiro semestre desse ano, 1,5 milhões de famílias foram despejadas, por não conseguir pagar seus empréstimos. Porém, nos últimos meses começaram a vir dados apontando para uma queda menor. Em maio, o preço médio das casas (segundo o índice Case-Schiller) subiu 0,5% comparado com abril (a primeira alta desde 2006), mas ainda está 17,1% abaixo de 2008 e 32% abaixo do pico de 2006. As vendas de casas novas subiram 1% em junho comparado com maio, maior alta em 8 anos, mas ainda é 21,3% mais baixo que em junho 2008.
Recuperação temporária possível
Mesmo em um período de crise, momentos de recuperação são possíveis. Nos EUA, as empresas cortaram drasticamente os investimentos. O investimento das empresas continuaram a caíram em 40% no primeiro trimestre e 9% no segundo. Ao invés de produzir, venderam o que tinham no estoque. Mas as vendas não chegaram a cair para zero. Sempre se vende algo, e os estoques acabam esvaziando. Por isso as indústrias tem que começar a produzir de novo, e partindo de um nível mais baixo, pode retomar um certo crescimento.
A indústria automobilística dos EUA é um bom exemplo disso. A indústria automobilística cortou sua capacidade de produção em 46% nos últimos 7 trimestres. Mas no fim de julho houve uma recuperação nas vendas de carros, impulsionadas por um programa do governo, chamado “cash for clunkers” (“grana por ferro-velho”). Quem compra um carro novo mais eficiente pode receber US$ 4,5 mil do governo por seu carro antigo. Na última semana de julho foram comprados 250 mil carros sob este programa, gastando em uma semana tudo que estava previsto até 1° de novembro (US$ 1 bilhão). Os congresso dos EUA decidiu recentemente colocar mais US$ 2 bilhões no programa.
Esses são fatores que agora possibilitam previsões de uma expansão do PIB no terceiro trimestre nos EUA. Isso é bem possível, a questão é se será uma retomada sustentável do crescimento. Os efeitos dos programas do governo vão passar, ao mesmo tempo que o desemprego continua alto e a renda não cresce. Os bancos são mais relutantes em emprestar e os consumidores estão priorizando amortizar antigas dívidas. Tudo isso aponta para que o consumo privado continue devagar nos EUA. Dados do Fed (Banco Central dos EUA) mostra que o volume de crédito tomado pelas famílias voltou a cair em junho, a nona queda em 11 meses.
Europa
A Europa segue o mesmo padrão de dados contraditórios. A queda no PIB tem sido mais acentuada que nos EUA, com um ritmo menor de queda no segundo semestre.
A Grã Bretanha está entre os mais afetados dos países ricos. No segundo trimestre, o PIB caiu em 5,6% comparado com 2008, a maior queda desde o início deste levantamento em 1955. Foi o quinto trimestre negativo seguido.
A Alemanha festejou o aumento das exportações em junho, 7%, comparado com maio, mas o nível ainda está 22,3% abaixo de junho 2008. Ao mesmo tempo, a produção industrial caiu para 0,1% em junho.
A Itália foi levantada como mais um exemplo de sinais positivos. O PIB caiu “só” 0,5%, mas foi o quinto trimestre negativo seguido.
Alguns países, principalmente os países bálticos, estão em profunda crise. O pior caso no momento é a Lituânia, que teve uma queda de 22,4% do PIB no segundo semestre.
O desemprego continua a subir na Europa. Entre os 16 países da Zona do Euro, o desemprego oficial foi 9,4% em junho. Na União Européia inteira o desemprego atingiu 8,9%, o que corresponde a 21,5 milhões. 3,7 milhões perderam seus empregos durante a crise. A pior situação é na Espanha, com 18,1% de desempregados (33% entre os jovens).
Risco de crise deflacionária
Em junho e julho houve deflação na Zona do Euro (quedas de preços, o oposto de inflação). Um fator importante tem sido a queda no preço do petróleo (que atingiu o auge em maio do ano passado, com US$ 145 por barril). Mas se os preços continuam a cair, numa situação de aumento de desemprego, PIB em queda (o FMI prevê que o PIB da Zona do Euro continue a cair em 0,3% no ano que vem) e sem muita margem para reduzir os juros já rebaixados, o risco é que a economia atole em uma crise deflacionária.
Esse é um círculo vicioso de queda de preços, queda de consumo (fica mais vantajoso segurar o consumo, já que tudo fica mais barato amanhã), queda de renda (com aumento de desemprego e tentativa dos empresários em compensar a queda dos preços reduzindo os salários), que leva a mais queda de preços... Pode ser bastante difícil sair de uma crise dessa, como vimos no exemplo do Japão por mais de uma década desde os anos 90.
Retomada na China salva o dia?
O Banco mundial ajustou em junho sua previsão para o crescimento da China esse ano de 6,5% para 7,2%. No segundo trimestre o crescimento (comparado com o mesmo período em 2008, a China não faz comparação com o trimestre anterior) foi de 7,9%, depois de um crescimento de 6,1% no primeiro trimestre.
Boa parte desse crescimento é devido ao grande pacote de estímulo do governo e um enorme crescimento de crédito. No primeiro semestre os bancos dobraram a quantidade de novos empréstimos, para 7,37 trilhões de yuan (US$ 1,1 trilhões). Esse enorme crescimento de crédito levou vários economistas a fazer sérios alertas.
Um exemplo, é Derek Scissors, pesquisador da Heritage Foundation em Washington, que diz (segundo Folha de S. Paulo, 28 de julho):
“A recuperação econômica chinesa está sendo construída sobre um sistema bancário resgatado do naufrágio. Dezenas de bilhões, e talvez centenas de bilhões, de dólares em empréstimos não serão pagos... Nos últimos anos o crescimento de 15% anual de empréstimos sustentou um expansão do PIB de 10%. No primeiro semestre desse ano uma alta de 33% resultou num crescimento de 7%... As políticas chinesas deixaram de ser insustentáveis em longo prazo e agora são insustentáveis e por mais de um ano”.
Sem dúvida a China continua a estabelecer uma posição central na economia mundial. Esse ano a China deve ultrapassar os EUA como o maior mercado de carros do mundo, com expectativa de vendas de 11 milhões de unidades. A China também deve ultrapassar a Alemanha como o maior exportador do mundo.
Mas as contradições crescem no país e a China pode se tornar um foco de revoltas sociais. O aumento do desemprego aumentou as tensões sociais. O ministério do trabalho alertou que em junho havia 3 milhões de estudantes formados e 4 milhões de trabalhadores migrantes que não conseguiram emprego. O dado oficial de 4,3% de desempregados nas cidades não inclui esses dois grupos.
Além disso, duas revoltas regionais no último período contra opressão de grupos étnicos minoritários (tibetanos e uigures).
Queda no comércio mundial
Em julho a Organização Mundial de Comércio previu que o comércio mundial vai diminuir em 10% esse ano, a maior queda em 70 anos, mesmo se a queda no comércio está desacelerando.
O Economista chefe da International Energy Agency alerta que a recuperação da economia mundial está em risco se o petróleo continua a manter o preço acima de US$ 70 o barril. Falta de investimentos aumenta o problema. Um especialista em commodities do Bank of America diz que a queda nos preços de commodities no ano passado tiveram um efeito maior que os pacotes de estímulo do governo. A economia mundial hoje é muito mais frágil e não sustenta o mesmo aumento de preços das matérias primas como foi o caso até 2008.
Intervenção maciça evitou colapso
A crise só não foi pior pela intervenção maciça dos estados para amenizar os efeitos da crise. Somente a ajuda dos governos para salvar os bancos e o setor financeiro custou US$ 10,8 trilhões. Além disso os governos tem implementado pacotes de ajuda para sustentar o consumo e as indústrias.
Somado aos efeitos da crise em forma de queda na arrecadação de impostos e aumento dos gastos públicos (seguro desemprego, etc.) isso levou a um forte crescimento dos déficits orçamentários e das dívidas públicas. O FMI calcula que os países mais ricos do mudo vão ver suas dívidas públicas crescerem de 74,8% do PIB para 119,7% em 2014. A estimativa para que 2014 á dívida pública chegue a 239% do PIB, 132% na Itália, 112% nos EUA e 99,7% na Grã Bretanha. Em quanto os juros permanecem baixos, essas dívidas podem ser administradas, mas qualquer aumento dos juros pode ter grandes efeitos no futuro.
A experiência da crise do Japão dos anos 90 é que os pacotes de gastos do governo tinham um efeito temporário, com surtos de crescimento, para depois cair de novo. Por outro lado, um excesso de endividamento acaba colocando um limite na capacidade dos governos de enfrentar novas crises com novos pacotes gigantescos.
Qual cenário?
A questão colocada é exatamente qual cenário que está colocado para o futuro. Uma queda dramática foi evitada com a intervenção dos governos em escala inédita na história, fora das grandes guerras. Mas não se trata de uma crise de curto prazo. A crise é muito mais do que um “ajuste”, devido a “excessos” do mercado financeiro. Se trata de uma crise do modelo econômico neoliberal que dominou o mundo desde a crise mundial dos meados dos anos 70. Também se trata de uma crise da “globalização”, com o modelo de divisão mundial de trabalho com um pólo consumidor (principalmente os EUA), sustentando um consumo a base de crédito, e um pólo produtor (principalmente a China), com mão de obra super-barata.
Esses problemas fundamentais da crise não foram revolvidos. Houve uma grande queima de capital financeiro, mesmo se boa parte das dívidas podres privadas foram transformadas em dívidas públicas. Parte do capital especulativo, fictício, queimado pôde rapidamente retornar, já que os governos têm disponibilizado grandes quantidades de crédito barato. Na China o valor das bolsas de valores dobraram no primeiro semestre desse ano, levando a temores de novas bolhas especulativas.
O outro problema que a crise deveria “resolver” é o excesso de capacidade de produção. Mesmo com as grandes demissões e fechamentos de fábricas, existe ainda um excesso de capacidade de produção em vários setores. No exemplo da indústria siderúrgica, a China tem um excesso de capacidade de produção de aço de 160 milhões de toneladas por ano, o equivalente a produção total nos EUA e Rússia combinada!
A economia mundial continua com os mesmos desequilíbrios, e qualquer ajuste pode levar a novas crises, por exemplo, o colapso do dólar. Isso aponta para que possamos estar diante de uma série de crises, como foi nos anos 70, que vai terminar com o capitalismo achando um novo equilíbrio temporário ou com os trabalhadores conseguindo acabar com o sistema.
Efeitos políticos da crise e a resposta dos trabalhadores
A crise foi uma enorme derrota ideológica para o modelo neoliberal. No momento da queda do Lehman Brothers muitos colocaram que isso era a “queda do muro de Berlim” do neoliberalismo. Sem dúvida, o efeito político tem sido grande, mas a falta de alternativa clara coloca limites para o que poderia ser uma crise política de grande porte e um avanço para uma alternativa dos trabalhadores.
As eleições para o parlamento europeu foi um exemplo claro disso. Vários governos tiveram uma forte queda de votos, mas sem uma expressão clara de uma alternativa. Em vários países a direita conseguiu se fortalecer.
Na Grã Bretanha o Labour (Partido Trabalhista) teve sua pior votação desde 1910 (quando ainda não havia direito pleno de votos para os trabalhadores). Além disso estourou um grande escândalo no parlamento, envolvendo gastos irregulares dos parlamentares (com casos de parlamentares até construindo piscina privada com dinheiro do parlamento). Mesmo assim o governo não caiu e os protestos tem sido limitados. Isso se deve a falta de perspectiva de uma alternativa. Hoje, derrubar o governo seria antecipar uma volta ao poder de um governo dos conservadores (Tories), algo que não inspira a mobilização.
Em vários países, novas formações de esquerda tiveram resultados abaixo do esperado: na França (Novo Partido Anticapitalista), na Alemanha (Die Linke – A esquerda) e Grécia (Syriza). Em todos esses casos a tendência dos partidos tem sido de não colocar uma alternativa socialista clara e também não tem conseguido inserir o partido nas lutas do dia a dia dos trabalhadores.
Somente em dois países a esquerda teve a capacidade de capitalizar nas eleições: o Bloco de Esquerda em Portugal e o Partido Socialista na Irlanda (seção do CIT), que conseguiu eleger Joe Higgins ao parlamento europeu. O exemplo da Irlanda mostra como é possível construir uma figura pública que combina uma intervenção e apoio concreto nas lutas do trabalhadores, uma alternativa socialista clara e métodos que difere da casta corrupta de “políticos” (Joe Higgins como deputado sempre viveu com salário de trabalhador).
Mesmo nos EUA podemos ver que a crise tem um efeito político. Barack Obama hoje tem um nível de popularidade inferior ao que Bush tinha depois de sete meses no cargo.
Lutas e resistência ainda incipiente
No começo desse ano vimos exemplos importantes de lutas, como as duas greves gerais na França. A tendência geral tem sido lutas menores, muitas vezes desesperadas e com métodos radicalizados. Na própria França houve vários casos em que trabalhadores ameaçados de demissão sequestraram seus patrões.
Na ilhas britânicas houve vários casos de ocupações de fábricas, como também a ocupação da fábrica de janelas e portas em Chicago no final do ano passado. Na Itália, a fábrica de Lambretta de Milão foi ocupada recentemente. Na Índia 290 trabalhadores ocuparam uma fábrica da Hyundai (montadora coreana) no final de julho.
Os dois casos mais dramáticos no último período foram dois casos de luta que envolveu milhares de trabalhadores na Coréia do Sul e na China.
Na Coréia do Sul, trabalhadores da fábrica de motores de carros da Ssangyong resistiram as demissões em massa com uma ocupação da fábrica que durou 77 dias (22 de maio a 06 de agosto). Os 600-700 trabalhadores resistiram a várias tentativas de invasão por parte da polícia. Nos dia 22-24 de julho, a central sindical KCTU declarou uma greve geral em apoio a ocupação. Mas sem perspectiva política para luta, que deveria incluir a estatização da fábrica sob controle dos trabalhadores, o sindicato acabou assinando um acordo ruim.
Na China 30 mil trabalhadores (10 mil ativos e 20 mil aposentados) resistiram a privatização de uma siderúrgica na província de Jilin. No dia 24 de julho, 3 mil trabalhadores invadiram a fábrica e acabaram matando o chefe que presidia a privatização, após dele anunciar que 25 mil dos 30 mil iam perder seus empregos. Os trabalhadores ocuparam a fábrica e só saíram quando o governo provincial anunciou que a privatização seria cancelada.
Na África do Sul houve duas grandes greves vitoriosas recentemente. 70 mil trabalhadores da construção civil saíram em greve, paralisando a construção das arenas da Copa do Mundo de 2010. 150 mil trabalhadores municipais também saíram em greve. Nos dois casos os trabalhadores conseguiram aumento dos salários compensando a inflação em alta.
Esses exemplos mostram a capacidade de luta dos trabalhadores, mas mostram também a fragmentação atual das lutas. São lutas isoladas, e mesmo as lutas mais generalizadas, como as greves gerais, são realizadas sem uma perspectiva e alternativa clara, servindo mais como uma válvula de escape aplicada pelas direções sindicais.
As direções das organizações de massas não trabalham para unificar as lutas, já que isso requer colocar uma alternativa política que eles não tem. Ainda vai levar tempo para os trabalhadores conseguirem construir novas direções, aprendendo as lições das lutas, tirando conclusões políticas generalizadas. Dois fatores vão ser importantes para isso: o ritmo da crise e a atuação dos socialistas.
Os socialistas não desejam crises. Quem sofre mais com as crises são os trabalhadores. Sabemos também que o sistema capitalista não cai sozinho em uma “crise final”.
É errado achar que há uma ligação automática entre crise profunda e lutas. É comum que o início abrupto de uma crise leve a uma inércia inicial. Demissões em massa levam a um medo generalizado no trabalhador de ser o próximo a ser demitido.
Nessa crise os patrões trabalharam esse fator conscientemente, colocando que vale a pena fazer sacrifícios agora, para salvar os empregos, e que depois haverá uma retomada do crescimento como nos últimos anos.
Pode levar certo tempo para os trabalhadores superarem o medo inicial e desmascarar a propaganda patronal. Isso é reforçado se os trabalhadores não têm organizações sindicais e políticas fortes que podem contrariar essa propaganda. A tendência tem sido o contrário, das organizações de massas sendo dirigidas por direções que se adaptaram ao sistema e não querem arriscar suas boas relações com governos e patrões fazendo lutas que eles não vêem perspectiva.
Nos EUA só foi em 1934 que os trabalhadores conseguiram começar a ir para a ofensiva, após quatro anos de profunda crise. Uma nova geração de jovens trabalhadores saíram para a luta e surgiu uma nova central sindical que rapidamente organizou milhões de trabalhadores. O papel dos socialistas nessas primeiras lutas foi fundamental.
Por outro lado, a amenização da crise pode trazer de volta a confiança dos trabalhadores na possibilidade de lutar, especialmente se as empresas conseguem fazer novos lucros enquanto o desemprego continua alto. Os trabalhadores verão como que os sacrifícios só foram para eles, enquanto os lucros vão para os patrões.
Nos EUA os grandes bancos, que receberam centenas de bilhões de dólares de ajuda do governo, continuaram a dar bilhões de dólares de bônus para os altos executivos. Os maiores bancos voltarão a lucrar, mas pagando mais em bônus para os executivos que o lucro total. No Brasil vimos como a Embraer, após demitir 4,2 mil trabalhadores, conseguiu aumentar o lucro no segundo trimestre em 31%. Tudo isso vai ser material explosivo em uma retomada das lutas.
Brasil
Os fatores colocados na situação mundial também estão colocados para o Brasil. O país não está no epicentro da crise, mas foi fortemente afetado pela crise financeira e queda no comércio mundial.
A queda na produção mundial foi uma das mais acentuadas do mundo. Mesmo com uma certa recuperação nos últimos meses, a queda da produção industrial no primeiro semestre foi de -13,4%, o pior resultado desde o começo da série do IBGE em 1976.
No primeiro semestre o número de empregos na indústria caiu em 5,1%. Desde outubro 500 mil empregos foram perdidos na indústria. Em junho a queda continuava, mesmo sendo menor (-0,1%), pelo nono mês seguido.
O governo reagiu inicialmente implementando vários pacotes para sustentar o mercado financeiro. O Banco Central e o BNDES disponibilizou centenas de bilhões de reais ao mercado. O governo federal gastou R$50 bilhões do orçamento contra a crise, 3,2% do PIB.
Isso tem tido um efeito real em amenizar os efeitos da crise, como a redução do IPI. Mas esses efeitos podem acabar. As venda de carros caíram 5,6% em julho, comparado com junho. As vendas de carros foram recordes em junho, por causa de compras antecipadas por causa do IPI. A redução do IPI foi prorrogado, mas o nível de junho não foi sustentado.
Todas essas medidas tem tido um efeito nas contas públicas. A dívida pública subiu para 1,434 trilhões em junho. A dívida pública cresceu de 37,7% do PIB em novembro de 2008 para 43,1% em junho de 2009.
Em junho, pelo segundo mês seguido, as contas do governo fecharam no vermelho. A meta do superávit primário foi reduzida de 3,8% para 2,5% devido à crise. O resultado caiu de 4,33% em outubro de 2008 (o acumulado dos últimos 12 meses) para 2,04% em junho. O primeiro semestre foi o pior desde 2001.
A política do governo é de fazer tudo para sustentar o crescimento para não atrapalhar as eleições em 2010. Se o governo conseguir fazer isso, vai ser pelo preço do risco de uma crise mais profunda após as eleições.
Nos últimos meses houve um novo influxo de capital no país, que ajudou a elevar o real e a bolsa de valores. O índice de ações da Bovespa e o real ficou entre os que mais subiram em valor no mundo nesse primeiro semestre. O aumento no valor do real pode ter um efeito nocivo muito mais forte do que no ano passado, quando o comércio mundial ainda crescia, para a indústria. Um real fortalecido tornam as mercadorias brasileiras mais caras.
A Vale já sofreu com o aumento do real esse ano. O real e a crise ajudou a derrubar o lucro da Vale em 81% no segundo semestre (comparado com o primeiro). O preço mundial do ferro caiu, e os dólares que a empresa recebe vale menos, quando convertidos em real. Se essa situação não se reverte a Vale pode voltar a demitir (esse ano a Vale demitiu cerca de 2 mil trabalhadores).
A tendência é que o Brasil fique mais dependente ad exportação de matérias primas, e menos de manufaturados. Essa tendência segue o aumento do peso da China, que esse ano se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, comprando 15% das exportações do país. Em 2003, 32,5% das exportações do Brasil para China eram manufaturados. Em 2008, a proporção caiu para 10,6%. Por outro lado, a exportação de veículos caiu em 50% em julho, comparado com julho 2008, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)
A retomada de consumo é baseada em aumento do crédito. Mesmo com a crise o crédito para consumo continuou aumentando, de 34,2% do PIB em janeiro 2008 para 43,7% em julho. A renda do trabalhador caiu pelo quinto mês consecutivo em junho, com 0,3% em relação a maio. Comparado com junho 2008 cresceu com 3%, graças à inflação mais baixa e ao reajuste maior do salário mínimo.
Também aqui no Brasil foi celebrada uma queda no desemprego. Segundo a IBGE, o desemprego nas seis regiões metropolitanas caiu de 8,8% para 8,1% em junho. Mas como nos EUA, grande parte disso é devido ao aumento da desistência das pessoas em procurar emprego.
Construção de uma alternativa socialista
Desde o naufrágio político do PT como uma ferramenta de luta para os trabalhadores, estamos em um processo de reorganização da esquerda combativa. Essa tarefa se torna ainda mais urgente com a crise. Vemos como a falta de uma esquerda forte que consegue unificar as lutas e colocar uma alternativa socialista, é um fator que atrasa a retomada das lutas. Essa reorganização da esquerda passa por um projeto político, colocando a necessidade do PSOL tirar todas as lições do fracasso do PT. Passa também pelo processo importante de construção de uma Nova Central, sindical e popular. A capacidade da esquerda em superar o sectarismo e divergências, para construir uma verdadeira alternativa que pode construir a unidade nas lutas, não vai ser um fator secundário nos próximos anos.
Mesmo se as lutas ainda estão em um estágio incipiente, temos que nos preparar para um período tormentoso. É uma crise que ocorre contra uma situação em que não há uma alternativa de massas ao capitalismo. Com todos os problemas, nos anos 30, ou nos anos 70 ainda havia a referência da União Soviética e centenas de milhões que acreditavam que o socialismo era possível. A ausência desse fator pode atrasar o efeito da crise no âmbito político e das lutas. Mas a retomada das lutas vai colocar uma retomada da consciência socialista.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Franklin Falconí - Zona Euro: nueva expresión de la crisis cíclica del capitalismo




Después de la caida de Wall Street en el 2007, se profundiza la debilidad del sistema capitalista, ahora presente en los paises europeos con la caida de las bolsas bursátiles en Grecia .

Haití no es el único rincón del planeta en el que cunde el pánico con cada nue­vo temblor, también sucede en Europa y todo el mundo capitalista, cuando las bolsas de valores de algún país caen o cuando alguna institución financiera se derrumba, el pánico se apodera de los especuladores y jefes de Estado burgueses. Ahora el temblor financiero tiene su epicentro en la zona más vulnerable de la Comunidad Económica Europea: Grecia, Portugal y España, países que junto con Irlanda son conocidos peyorativamente como el bloque “PIGS”, que en ingles significa cerdos.

En la primera semana de febrero, los indicadores bursátiles de estos países cayeron bruscamente. El Atenas General lo hizo un 8,3%, alcanzando su mínimo en nueve meses; el español Ibex 35 en 7,7% con una disminución el día cuatro de 5,7%; y el portugués PSI 20 un 7,2%. Los dos países de la península ibérica anotaron sus niveles más bajos en siete me­ses. El impacto fue generalizado: el norteamericano Dow Jones descendió por debajo de los diez mil puntos, por primera vez en tres meses; el FT SE Eurofirst 300 también registró su mínimo en noventa días; las cotizaciones de commodities igualmente descendieron. En el caso del cobre en la semana analizada se contrajo un 8,9%.

La divisa más golpeada fue el euro, disminuyendo en 1,5% con relación al dólar y un 2,8% en comparación con el yen japonés. La libra inglesa experimentó un descenso de 2,3% frente al dólar. Como ha pasado a ser habitual cuando recrudece el riesgo los inversionistas se movieron hacia la divisa norteamericana y bonos soberanos, particularmente los estadounidenses.

Los movimientos especulativos alcanzaron a los títulos de deuda pública. En los tres países los seguros contra cesación de pagos (CDS, según su sigla en inglés) batieron récords. Los CDS constituyen un instrumento financiero al cual se asigna cada vez más importancia como indicador de riesgo en un país. Permiten protegerse ante moratorias de pagos, pero también se utilizan con fines especulativos para apostar contra bonos soberanos. En países como España, Portugal o Gresia la presión especulativa fue a su debilitamiento. Son más volátiles que los bonos soberanos, dado que tienen una mejor liquidez y, por tanto, cualquier hecho que influya en ellos conduce a una oscilación más acentuada. “Los problemas de los mercados de deuda pública – escribió Claudi Pérez, analista económico de El País – empiezan a parecerse peligrosamente a los ataques especulativos contra el sector financiero de hace un año y medio”. Es decir, su preocupación es que se repita el cuadro de pánico registrado después de la quiebra de Lehman Brothers, ahora teniendo como origen los títulos públicos.

El pánico ha llegado a plantearse escenarios catastróficos, como que sería el inicio del fin de la Comunidad Económica Europea, o por lo menos de su moneda común.

Como lo sostiene Carlos Alvarado Santana, en su ensayo “La crisis actual del capitalismo”, publicado por ediciones Ere, las soluciones que se vienen adoptando en el objetivo de frenar la crisis, y por supuesto remendar el sistema capitalista e imperialista, constituyen más combustible al fuego”. Y se refiere a que lo que ahora se vive en la eurozona es nada más que los efectos de una crisis que se presentó en Estados Unidos desde mediados del año 2007, y esa a su vez fue consecuencia de crisis anteriores. “Generalmente cada recuperación económica ha sido continuada de otras crisis, siempre más grave y violenta que la anterior”, sostiene Alvarado. Así, podemos observar la ruta que llevó a la llamada “crisis de la deuda” de 1982, la crisis de la bolsa de Wall Street en 1987, la crisis de la llamada “burbuja inmobiliaria” japonesa de 1990; la crisis del sistema monetario europeo de 1992; la crisis “tequila” de México de 1995, la crisis asiática de 1997, la crisis rusa de 1998, la crisis de las empresas “punto com”, la crisis “tango” de Argentina de 2001. Todas ellas se expresaron de forma violenta y fueron engendrando la crisis cíclica actual.

Las quiebras privadas ahora se volvieron quiebras públicas~

Luego de la caída de Lehman Brothers a fines de 2008 y el fin de la burbuja inmobiliaria que dio pie al inicio de la recesión económica mundial más profunda, según varios analistas, desde la crisis de los años ‘30, los principales Estados capitalistas evitaron una depresión al costo de convertir deuda privada en deuda pública. Tanto en Estados Unidos como en los países que integran la Unión Europea y Japón, las principales bancas de inversión, aseguradoras y bancos comerciales (aunque también empresas como General Motors) evitaron la quiebra a través del salvataje estatal.

Planes de estímulo fiscal y tasas de interés históricamente bajas constituyeron mecanismos claves para reanimar la demanda y el crédito. Evitando un saneamiento de capitales en la magnitud que la crisis lo exigía, lograron contener el curso depresivo de la economía, pero al mismo tiempo trasladaron el problema a otra parte, sin lograr resolverlo en su lugar de origen. Y efectivamente parte de la crisis se traspasó del sector privado al sector público, es decir, al Estado. Los déficits fiscales y las onerosas deudas públicas devienen ahora el sector más vulnerable de la economía. El mercado de deuda pública bajo la forma de títulos, bonos y otros instrumentos financieros funciona de manera similar a cualquier otro mercado de capitales y dado que los ataques especulativos se dirigen hacia puntos críticos del sistema, puede sos­te­ner­se que “(…) los problemas en los mercados de deuda pública empiezan a parecerse peligrosamente a los ataques especulativos contra el sector financiero de hace año y me­dio” (El País, 4/02)

La intervención de los Estados para contener el curso de la crisis arroja un resultado de dos caras: contiene la caída de los negocios privados a costa de absorber la crisis e incentivar la gestación de una nueva burbuja de deuda pública. El problema reside en que, por un lado, la deuda pública constituye, como decía Marx, el más ficticio de todos los capitales ficticios ya que carece de cualquier tipo de contraparte real. Por otro lado, en el primer acto el Estado actuó como garante de los negocios capitalistas; en un segundo acto, si efectivamente el blanco lo constituyen los Estados, ¿quién va a rescatarlos?

Como señaló el economista y editorialista del Financial Times, Nouriel Roubini, “Si Grecia es un problema para la eurozona, España podría ser un desastre porque se trata de la cuarta economía de la región” (La Nación, 5/02). La economía española cayó “(…) a una velocidad vertiginosa después de que el país entró en recesión en 2008. Sus déficits públicos pasaron de un excedente del 2,23% del PBI en 2007 a un déficit del 11,4% en 2009. La deuda pública española progresó del 36,2% en 2007 al 55,2% en 2009 y debería llegar al 74% en 2012”. (La Nación, 5/02). El desempleo en España roza el 20% y es por lejos el mayor de la eurozona. España junto con Grecia, Portugal e Italia y, por fuera de la zona del euro, Gran Bretaña, son los países de la Unión Europea cuyas economías estuvieron más comprometidas en el proceso de especulación inmobiliaria. Por ese motivo están entre los más directamente afectados por la crisis desatada en 2008 en el corazón de Estados Unidos. Además de España, Grecia tiene un déficit público que llega al 12,7% PBI, su deuda pública se encuentra en torno al 110% del PBI y en Portugal, el déficit fiscal llega al 8% del PBI y su deuda pública alcanza alrededor del 80%. Sin embargo la idea de que el problema del endeudamiento afecta solamente a los “PIGS” es como señala el economista marxista francés Isaac Joshua, una ilusión. Como acaba de reconocer el presidente del Banco Central Europeo, Jean Claude Trichet, los dieciséis países que integran la zona euro poseen en promedio un déficit fiscal de alrededor del 6% del PBI, un valor que se encuentra muy por encima del 3% que exige la Unión Europea. Además para tomar algunos ejemplos relevantes, en Estados Unidos el déficit fiscal ronda el 11% del PBI, el 8% en Francia, el 11,6% en Gran Bretaña y alrededor del 10% en Japón. La deuda pública representa aproximadamente el 85% del PBI de Estados Unidos, el 76% en Francia, el 60% en Gran Bretaña y más del 100% en Japón. El problema de los déficits fiscales y el endeudamiento público en sí mismo, no es entonces un problema exclusivo de los “PIGS”, ni siquiera es específicamente un problema de la eurozona.

La particularidad de la zona del euro es que la pertenencia a la moneda europea impide recurrir a mecanismos tales como la manipulación de las tasas de interés que son manejadas por el BCE (actualmente bajo dirección alemana) o implementar devaluaciones. Y el hilo se corta siempre por su parte más delgada… Es por ello que el ataque especulativo (que con particular saña estimularon los periódicos Financial Times y The Wall Street Journal, consejeros del capital especulativo internacional) se centró en los países más débiles que para permanecer en la zona del euro tendrán que implementar fuertes ajustes fiscales para reducir los déficits y la deuda y aumentar la competitividad externa de sus economías a través de reducciones salariales y recortes de conquistas obreras, tal como ya anunciaron el presidente de España, el “socialista” Rodríguez Zapatero y el aún más “socialista” primer ministro de Grecia, Giorgios Papandreu. Los límites de las políticas de salida de la crisis se expresan así con todo su potencial en los países más pobres de la zona euro, en los cuales el antídoto contra la depresión económica, el endeudamiento estatal, no puede continuar si quieren mantenerse en el marco de la moneda europea.

Un vampiro de la economía real

Si bien la crisis del capitalismo mundial presenta algunos elementos que de forma acentuada la agudizan, manifestándose en la circulación de las mercancías, del dinero, del crédito y las acciones, y por tanto revelándose ante nuestros ojos como crisis financiera, es en el fondo una crisis de sobreproducción.

Los empresarios organizan la producción conforme a sus intereses económicos, en busca de obtener la mayor ganancia en el menor tiempo y con los menores gastos, por ello sus inversiones se orientan a aquellos sectores de la economía que consideran rentables. Con esa misma lógica se mueven todos los empresarios, provocando que en determinado momento haya un exceso de producción de ese tipo de mercancía (al capitalista no le interesa lo que la gente necesita, sino lo que puede vender y darle mayores ganancias) y los trabajadores, muchos de los cuales han quedado desempleados por el cierre de otras empresas de donde migraron los capitalistas, porque sus inversionistas se dirigieron todos por el mismo (otro) rumbo, pierden la capacidad de comprar, y por ello se habla de un proceso de sobreproducción relativa de bienes frente a una demanda insolvente de las masas populares.

Las empresas, al no poder vender, y por tanto perder dinero, empiezan a reducir las capacidades instaladas de sus empresas y por tanto a despedir a sus trabajadores, produciéndose entonces un círculo de miseria para los pueblos. Como las empresas no pueden cancelar sus deudas con los bancos, éstos empiezan a sentir los estragos y a perder, sus acciones pierden valor en las bolsas, se presenta la iliquidez, se reduce el crédito y se elevan las tasas de interés. Es decir, se presenta la crisis en el terreno de la circulación del dinero y en las finanzas en general.

Esto entonces, es el resultado de que se profundiza la contradicción entre las fuerzas productivas de la sociedad, que se socializan cada vez más y las relaciones sociales de producción que tiene un carácter esencialmente privado. Es la crisis general del sistema capitalista que tiene su correlato en la lucha de las masas, en la generación de la conciencia política en los trabajadores y pueblos, por la acción de un partido de clase; y, finalmente, se produce un proceso revolucionario que termina con esas viejas estructuras e implanta una nueva, sobre la base de la socialización de la riqueza y del trabajo.

Franklin Falconí
Extraído de Red Voltaire.