A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

quinta-feira, outubro 21, 2010

Chile - * Margarida Botelho Los 33 Há certos acontecimentos que vivemos, ou a que assistimos, em que temos a imediata noção de que nos vamos lembrar daquele momento para sempre. O resgate dos 33 mineiros chilenos, soterrados durante 69 dias, será para milhões de pessoas em todo o mundo uma dessas ocasiões. Já foi tudo dito sobre este caso: a espantosa capacidade de resistência humana de que esta história é prova, a solidariedade chegada de todo o mundo, a genuína alegria que inundou trabalhadores em tantos países, os extraordinários resultados alcançados quando se colocam os conhecimentos científicos e técnicos ao serviços da humanidade. No nosso país, hão-de ter sido muitos os olhos que se humedeceram quando viram o coro dos mineiros de Aljustrel entregar ao embaixador do Chile um CD gravado especialmente para os seus colegas, num sentido gesto de solidariedade de classe. Mas também ficará para a história o circo mediático montado à volta da mina, em jeito de reality-show mundial, que incluiu cabeleireiro e maquilhagem para as mulheres dos mineiros disfarçarem a pobreza ao menos por um dia - e que apesar do esforço continuou patente nos rostos marcados por uma vida dura de sofrimento, na falta de dentes, na miséria das casas mostradas na televisão. Como ficará a hipocrisia nos abraços repetitivos do presidente chileno, que não quis perder a oportunidade de se associar ao acontecimento, fingindo não saber que aqueles homens e os seus colegas continuam com salários em atraso. A verdade é que a empresa dona da mina, encerrada por falta de condições de segurança desde que se deu o acidente, não tem pago salários aos seus cerca de 300 trabalhadores, durante estes mais de 70 dias. «Não somos 30, somos 300», lia-se numa das faixas da manifestação que realizaram. Esta é a maior de todas as interrogações: quando as maiores cadeias de comunicação social do mundo desligarem os focos, quando este acontecimento não passar de uma memória, onde estarão as promessas de segurança? Só lutando com a mesma unidade e determinação de que deram provas, será possível transformar essas promessar em condições de trabalho dignas. No Chile como cá.

  • Margarida Botelho


Los 33
Há certos acontecimentos que vivemos, ou a que assistimos, em que temos a imediata noção de que nos vamos lembrar daquele momento para sempre. O resgate dos 33 mineiros chilenos, soterrados durante 69 dias, será para milhões de pessoas em todo o mundo uma dessas ocasiões.
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Já foi tudo dito sobre este caso: a espantosa capacidade de resistência humana de que esta história é prova, a solidariedade chegada de todo o mundo, a genuína alegria que inundou trabalhadores em tantos países, os extraordinários resultados alcançados quando se colocam os conhecimentos científicos e técnicos ao serviços da humanidade. No nosso país, hão-de ter sido muitos os olhos que se humedeceram quando viram o coro dos mineiros de Aljustrel entregar ao embaixador do Chile um CD gravado especialmente para os seus colegas, num sentido gesto de solidariedade de classe. 
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Mas também ficará para a história o circo mediático montado à volta da mina, em jeito de reality-show mundial, que incluiu cabeleireiro e maquilhagem para as mulheres dos mineiros disfarçarem a pobreza ao menos por um dia - e que apesar do esforço continuou patente nos rostos marcados por uma vida dura de sofrimento, na falta de dentes, na miséria das casas mostradas na televisão. Como ficará a hipocrisia nos abraços repetitivos do presidente chileno, que não quis perder a oportunidade de se associar ao acontecimento, fingindo não saber que aqueles homens e os seus colegas continuam com salários em atraso.
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A verdade é que a empresa dona da mina, encerrada por falta de condições de segurança desde que se deu o acidente, não tem pago salários aos seus cerca de 300 trabalhadores, durante estes mais de 70 dias. «Não somos 30, somos 300», lia-se numa das faixas da manifestação que realizaram. 
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Esta é a maior de todas as interrogações: quando as maiores cadeias de comunicação social do mundo desligarem os focos, quando este acontecimento não passar de uma memória, onde estarão as promessas de segurança? Só lutando com a mesma unidade e determinação de que deram provas, será possível transformar essas promessar em condições de trabalho dignas. No Chile como cá.

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Avante 2010.10.21
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