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A França vive uma grande sublevação.Há duas semanas se sucedem as jornadas de protesto, manifestações e paralisações que culminaram com a greve geral de terça-feira (19), uma das mais fortes dos últimos tempo e acompanhada de manifestações em 266 cidades de todo o país.
Se afirmou que o país reviveu o espírito de maio de 1968, e a afirmação é correta na medida em que amplos contingentes de jovens, particularmente de estudantes, participaram decididamente nas manifestações e enfrentaram a repressão policial.
"Liceus em cólera", dizia um dos cartazes, expressando o que é hoje um estado de ânimo coletivo no país, ao extremo de que 71% dos franceses, segundo as pesquisas, apoiam a greve geral e seus motivos.
Se trata, em primeiro lugar, do projeto do governo de elevar de 60 para 62 anos a idade de aposentadoria e de 65 para 67 a idade para receber a aposentadoria completa, afetando em cheio uma das mais valorizadas conquistas dos trabalhadores, que vem de muito tempo atrás.
O Senado a debateu ontem, embora seja possível que o grande número de emendas proposta pelos legisladores de esquerda atrase a votação proposta para esta quinta-feira (21). Mas o que está em jogo é o conjunto da política do governo de Sarkozy, e em particular seu viés racista e xenófobo expresso na expulsão de milhares de ciganos.
Isso é o que acende a cólera e se expressa na magnitude e intensidade do protesto coletivo e da greve geral. O presidente abandonou Paris e seguiu para Deauville, na Normandía, para reunir-se com Angela Merkel e Dimitri Medvedev, deixando a situação nas mãos de um Comitê de Crise que está na órbita do Ministério do Interior e é integrado pelos ministérios da Economia, Energia e do Transporte.
Até agora, sua ação mais visível foi dar ordens de baixar o cacetete nos estudantes, como vimos, e prender centenas de pessoas que participam dos protestos, que foram particularmente intensos em Paris, Lille, Roubaix, Marselha e Lyon, entre outras cidades. Os professores do ensino fundamental aderiram ao movimento e cinco universidade estão paralisadas.
A greve colocou na pauta o tema do desabastecimento de combustível, já que se reportou que 1.488 postos de serviço estão inoperantes. Vimos grandes filas de automóveis diante dos postos que estavam funcionando. O principal problema surgiu no aeroporto internacional Roissy-Charles de Gaulle, o maior do país, onde o oleoduto que alimenta as reservas para os aviões está bloqueado.
O governo precisou apelar para suas reservas, para evitar o fechamento completo. No aeroporto, um grande número de voos foi atrasado ou cancelado e isso aconteceu também no aeroporto de Orly.
O tráfego ferroviário também foi afetado e horários dos trens de alta velocidade (TGV) foram reduzidos à metade. Os caminhoneiros aderiram ao movimento há varios dias, efetuando a chamada "operação tartaruga" em alguns pontos, onde grupos de manifestantes bloqueavam o acesso às fábricas, indústrias, depósitos de combustíveis ou aeroportos.
A greve era seguida também pelos trabalhadores dos setores das telecomunicações, educação e coleta de lixo de algumas cidades. Um índice interessante é que a Total, a principal empresa francesa do ramos de petróleo e uma das seis maiores do mundo, mantinha uma nota em sua página na Internet que dizia "o site está temporiariamente indisponível. A Total pede desculpas a seus clientes e usuários por este incidente".
As bancas amanheceram sem jornais. A greve afeta também a empresa pública de correio, La Poste, a France Télécom e a grande parte do setor público audiovisual.
Informações posteriores, quando a greve estava em pleno vigor, davam conta que o aeroporto de Orly, no sul de Paris, funcionava somente a 50% de sua capacidade e o de Roissy-Charles de Gaulle e outros menores a apenas 30%. O aeroporto de Bordeus tinha seus acessos bloqueados por piquetes, enquanto estradas de ferro e metrô contavam com sérios problemas de circulação.
A CGT da França, a maior das centrais de trabalhadores, que em conjunto com as demais organizou a grande jornada) elaborou um mapa da França em que estavam assinalados todos os pontos onde se desenvolveram ações de protesto, com grande precisão e nível de organização.
Não se trata apenas da França, mas sim de toda Europa, afetada pela mesma política que pretende fazer cair todo o peso da crise sobre as costas dos trabalhadores. As primeiras grandes greves e manifestações de protesto começaram na Grécia e, de forma sustentada, a Espanha também se mobilizou, e agora a CGTP, a confederação sindical dos portugueses, anuncia uma greve geral para 24 de novmebro, contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo de José Sócrates
Fonte: Jornal La República (Uruguai)
."Liceus em cólera", dizia um dos cartazes, expressando o que é hoje um estado de ânimo coletivo no país, ao extremo de que 71% dos franceses, segundo as pesquisas, apoiam a greve geral e seus motivos.
Se trata, em primeiro lugar, do projeto do governo de elevar de 60 para 62 anos a idade de aposentadoria e de 65 para 67 a idade para receber a aposentadoria completa, afetando em cheio uma das mais valorizadas conquistas dos trabalhadores, que vem de muito tempo atrás.
O Senado a debateu ontem, embora seja possível que o grande número de emendas proposta pelos legisladores de esquerda atrase a votação proposta para esta quinta-feira (21). Mas o que está em jogo é o conjunto da política do governo de Sarkozy, e em particular seu viés racista e xenófobo expresso na expulsão de milhares de ciganos.
Isso é o que acende a cólera e se expressa na magnitude e intensidade do protesto coletivo e da greve geral. O presidente abandonou Paris e seguiu para Deauville, na Normandía, para reunir-se com Angela Merkel e Dimitri Medvedev, deixando a situação nas mãos de um Comitê de Crise que está na órbita do Ministério do Interior e é integrado pelos ministérios da Economia, Energia e do Transporte.
Até agora, sua ação mais visível foi dar ordens de baixar o cacetete nos estudantes, como vimos, e prender centenas de pessoas que participam dos protestos, que foram particularmente intensos em Paris, Lille, Roubaix, Marselha e Lyon, entre outras cidades. Os professores do ensino fundamental aderiram ao movimento e cinco universidade estão paralisadas.
A greve colocou na pauta o tema do desabastecimento de combustível, já que se reportou que 1.488 postos de serviço estão inoperantes. Vimos grandes filas de automóveis diante dos postos que estavam funcionando. O principal problema surgiu no aeroporto internacional Roissy-Charles de Gaulle, o maior do país, onde o oleoduto que alimenta as reservas para os aviões está bloqueado.
O governo precisou apelar para suas reservas, para evitar o fechamento completo. No aeroporto, um grande número de voos foi atrasado ou cancelado e isso aconteceu também no aeroporto de Orly.
O tráfego ferroviário também foi afetado e horários dos trens de alta velocidade (TGV) foram reduzidos à metade. Os caminhoneiros aderiram ao movimento há varios dias, efetuando a chamada "operação tartaruga" em alguns pontos, onde grupos de manifestantes bloqueavam o acesso às fábricas, indústrias, depósitos de combustíveis ou aeroportos.
A greve era seguida também pelos trabalhadores dos setores das telecomunicações, educação e coleta de lixo de algumas cidades. Um índice interessante é que a Total, a principal empresa francesa do ramos de petróleo e uma das seis maiores do mundo, mantinha uma nota em sua página na Internet que dizia "o site está temporiariamente indisponível. A Total pede desculpas a seus clientes e usuários por este incidente".
As bancas amanheceram sem jornais. A greve afeta também a empresa pública de correio, La Poste, a France Télécom e a grande parte do setor público audiovisual.
Informações posteriores, quando a greve estava em pleno vigor, davam conta que o aeroporto de Orly, no sul de Paris, funcionava somente a 50% de sua capacidade e o de Roissy-Charles de Gaulle e outros menores a apenas 30%. O aeroporto de Bordeus tinha seus acessos bloqueados por piquetes, enquanto estradas de ferro e metrô contavam com sérios problemas de circulação.
A CGT da França, a maior das centrais de trabalhadores, que em conjunto com as demais organizou a grande jornada) elaborou um mapa da França em que estavam assinalados todos os pontos onde se desenvolveram ações de protesto, com grande precisão e nível de organização.
Não se trata apenas da França, mas sim de toda Europa, afetada pela mesma política que pretende fazer cair todo o peso da crise sobre as costas dos trabalhadores. As primeiras grandes greves e manifestações de protesto começaram na Grécia e, de forma sustentada, a Espanha também se mobilizou, e agora a CGTP, a confederação sindical dos portugueses, anuncia uma greve geral para 24 de novmebro, contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo de José Sócrates
Fonte: Jornal La República (Uruguai)
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