A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

domingo, março 04, 2007


Fados do Tempo da Outra Senhora (20)

ANDAR NA COSTURA

Cem vezes os afazeres do dedal que as agruras fardadas da criada de servir. Mil vezes o calo da tesoura que a manada de calos e dores das mondas e das ceifas.

Andar na costura era visto como uma notória ascensão social. Ainda que o salário fosse uma gota no mar das necessidades e as regalias sociais iguais a zero, mas tinha o usufruto de um horário com contornos mais ou menos definidos e uma forte dose de moderna urbanidade. Era igualmente um trabalho asseado que possibilitava a vaidade do andar sempre de ponto em branco. Tinha o magala que muito adoçar o estilo e o verbo para embeiçar a moça costureira, senão, a outros de maior patente calharia a sonhada e sonhadora conquista.

O fado, o teatro e o cinema, contribuíram abundantemente para relevar no imaginário popular a personagem da costureirinha.

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- Vizinha Adelaide, foi bonita a fita do cenório! Acaba na boda do Xico tipógrafo com a Rosa costureira.

Publicado por machede em maio 14, 2004 12:32 AM

FONTE do texto e da foto: blog «Alentejando»
(Photo de Eduardo Nogueira – 1935 / Arcada de Paris, Rua João de Deus, Évora)


Outra visão - a dos anos 59 do século XX

«Ó linda costureirinha/Teus sonhos e teus segredos/Entre os fusos dos teus dedos/São um novelo de linha. Entre os fusos dos teus dedos/E os teus olhos tão escravos/Do trabalho, sem igual/Tens um cordão de alinhavos/E por anel um dedal». Assim reza o refrão de ‘A Costureirinha da Sé’, um tema popularizado pelo filme com o mesmo nome, do cineasta Manuel Guimarães –

A Costurerinha da Sé
de Manuel Guimarães

com Maria de Fátima Bravo (Aurora), Alina Vaz (Leonor), Jacinto Ramos (Sebastião), Baptista Fernandes (Armando), Carlos José Teixeira (Filipe) e Augusto Costa (Costinha) (Vicente)

Sinopse:

Crónica bairrista do Porto, através de uma aguarela viva de costumes populares, em que se sublinha a faina ribeirinha e o formigueiro humano da laboriosa cidade. Paralelamente, desenvolve-se uma acção típica entre a gente humilde e, em particular, no mundo fresco e colorido dum "atellier" de alta costura, uma frágil e ingénua história de amor, de que é protagonista Aurora, uma das jovens tripeiras que participam no Concurso do Vestido de Chita.

Observações

Erroneamente considerado como o primeiro filme português filmado em cinemascope. De facto, "O Homem do Dia", de Henrique Campos, também produzido em 1958, foi o primeiro a utilizar esse formato.

Manuel Guimarães, com este filme, adaptado de uma popular opereta de Armando Leite e Heitor Campos Monteiro, tentou a via comercial para recuperar o mau acolhimento dos seus filmes anteriores e chamou, para o papel de protagonista, a cançonetista Maria de Fátima Bravo, então no top da popularidade. Estreado no Eden, em 27 de Fevereiro de 1959, o resultado foi um descalabro artístico com fraca adesão do público.


FONTE:

http://www.amordeperdicao.pt/

Manuel Guimarães (Porto, 1915 — Lisboa, 1975) foi um cineasta português que se destacou pela aplicação dos princípios ideológicos do neo-realismo na arte do cinema em Portugal. No entanto, a ditadura salazarista, mais atenta às manifestações da sétima arte que às “transgressões” no domínio da literatura, impediu-o com severidade de levar a bom termo os seus propósitos artísticos.

Biografia

Depois de ter concluído o Curso Geral dos Liceus, seguiu o de pintura, em 1931, na Escola de Belas Artes do Porto. Foi, a partir de 1936, decorador teatral, ilustrador e caricaturista. Desenhador de cartazes de cinema, interessou-se pela arte cinematográfica. Aderiu ao ofício como assistente de realizadores como Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte e Armando de Miranda.

Realizou em 1949 o documentário de curta-metragem O Desterrado, filme sobre a vida e a obra do escultor Soares dos Reis, que teve o Prémio Paz dos Reis, atribuído pelo o Secretariado Nacional da Informação (SNI) para as melhores curtas-metragens. Saltimbancos é a sua primeira longa-metragem, obra adaptada do romance homónimo do escritor Leão Penedo, cujo tema central era a vida dum pequeno circo ambulante.

Em 1952 Manuel Guimarães realizou o filme Nazaré, com argumento do escritor neo-realista Alves Redol, retratando a vida e hábitos dos pescadores da Nazaré, tal como Leitão de Barros já antes o fizera (Nazaré, Praia de Pescadores1929), mas desta vez numa perspectiva de crítica social. A obra foi amputada pela censura. Vidas Sem Rumo (1956), com argumento do próprio Manuel Guimarães e com diálogos de Alves Redol, sofreu amputações mais graves ainda: cerca de metade do filme foi censurado, várias cenas foram cortadas. O resultado final da intervenção dos censores tornou a obra quase ininteligível.

Acossado pelo regime e desejando não abandonar o ofício, Guimarães viu-se forçado a optar, a partir de 1956, pela realização de filmes de cariz comercial sobre eventos desportivos. A sua tentativa de retomar a ficção (A Costureirinha da Sé -1958) não compensou, visto Guimarães ter de aceitar a condição de integrar no filme publicidade explícita. Fez em seguida alguns documentários de divulgação sobre Barcelos, o Porto e os vinhos seculares.

António da Cunha Telles, que entretanto se envolvera como produtor dos primeiros filmes do Cinema Novo português, interessou-se por ele e aceitou fazer a produção executiva e co-produção de dois dos seus próximos filmes: Crime de Aldeia Velha (1964), adaptação da peça homónima de Bernardo Santareno, e O trigo e o Joio (1965), que, do seu próprio romance, Fernando Namora adaptou a cinema. Na época, o grande público interessava-se porém por filmes mais apelativos. pelo passa-tempo. Manuel Guimarães voltou ao documentário, aplicando-se em temas artísticos.

O 25 de Abril de 1974 trouxe-lhe a esperança, mas já era tarde. Doente, Manuel Guimarães não terminaria o seu novo filme, Cântico Final, adaptado do romance homónimo de Virgílio Ferreira. A obra, afectada pelo desaire, seria concluída pelo seu filho, Dórdio Guimarães. Manuel Guimarães seria considerado por vários comentadores como injustiçado, e não só pelo velho regime.

in Wikipedia

NOTA: António Lopes Ribeiro, Jorge Brun do Canto e Leitão de Barros integraram-se perfeitamente no espírito do chamado Estado Novo, de Salazar, o que a Wikipedia apenas refere quanto a este último - VN

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