A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

quinta-feira, maio 10, 2007


Profissões em vias de extinção (11)
Tanoeiro
O Tanoeiro é um artífice que trabalha no fabrico de toneis, barris, tinas, celhas, pipas e outros objectos cujos elementos chave são as aduelas e os aros. A sua actividade foi bastante representativa na Lourinhã devido à sua extensão de vinhas. A venda destes produtos tinha, e tem, normalmente o seu auge durante a feira anual de 21 de Setembro, pelo S. Mateus, que precede as vindimas.
O Tanoeiro é um artífice bastante conhecedor das várias madeiras, matéria prima para o fabrico de aduelas. Estas eram manufacturadas pois a sua curvatura e espessura só poderia ser dada à mão. É ainda em recipientes feitos pelo tanoeiro que se fabricam dos melhores vinhos em Portugal. Porém, uma procura de recipientes noutros materiais em substituição das celhas, como plásticos, mais leves, baratos e facilmente laváveis, a necessidade de uma maior higienização de alguns materiais da produção vinícola, utilizando recipientes em inox, ou a utilização de grandes depósitos de cimento armado, mais fortes e de maior capacidade, para a produção de vinho, vieram a fazer com que esta arte se extinguisse por completo da zona da Lourinhã.
A exposição foi doada na totalidade pelo Sr. José Maria Gomes da Silva encontrando-se muito completa.
NOTA - Em Luanda os barris eram serrados ao meio e transformavam-se em duas celhas, que serviam para lavar a roupa ou pô-la de molho, com cinza, para tomar banho ou para fazer vasos para plantas de maior porte. A despropósito, havia também umas caixas forradas a zinco, que eram utilizadas para conservar os alimentos, com pedras de gelo, especialmente nos piqueniques. As pedras de gelo eram compradas em barras enormes, salvo erro no Baleizão (café e loja de sorvetes vendidos ao balcão ou em carrinhos empurrados por um negro, pela cidade) e depois partidas em casa com um masso ou picão. Por isso os sorvetes em Luanda se chamavam todos «baleizão», qualquer que fosse a marca ou fabricante.
Os aros dos barris ou celhas desmanchados eram utilizados como «aro» conduzido por uma haste de ferro, com a ponta recurvada para encaixá-lo e dirigi-lo, sem o deixar cair.
VN

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