Pasta Couto mantém-se na boca de muita gente
75 anos - Mudou de nome mas consumidores continuam fiéis
Helena Neves/Lusa
A Pasta Medicinal Couto, que revolucionou os hábitos de higiene oral dos portugueses, completa 75 anos em Junho e, apesar de já não andar “na boca de toda a gente”, continua a ter milhares de clientes por todo o País.
O dentífrico foi criado por Alberto Ferreira Couto e por um amigo dentista para reduzir os casos de infecção gengival e limitar o fenómeno crescente da retracção das gengivas.
Após várias experiências, nasceu a primeira fórmula, registada no Porto, a 13 de Junho de 1932. O “sucesso” foi quase imediato porque apenas havia no mercado uma pasta denominada Couraça, criada numa drogaria de Lisboa.
Mais tarde surgiu o anúncio que ficou gravado na memória dos portugueses, mostrando um homem a fazer andar à roda uma cadeira presa pelos dentes, “só possível graças à Pasta Medicinal Couto”. “Palavras para quê? É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto”, ouviu-se vezes sem conta.
Durante décadas, o dentífrico andou na “boca de toda a gente”, mas com as novas marcas, foi ficando menos visível, lamenta o administrador Alberto Gomes da Silva.
“Vamos vivendo, mas tem sido difícil”, desabafa, contando que a situação mais grave deu-se em 2001, quando uma directiva comunitária obrigou a “neutralizar” a palavra “medicinal”, passando a chamar-se Pasta Dentífrica Couto. Apesar dos reveses, a empresa tem conseguido marcar presença em supermercados, mercearias e drogarias do País.
Orgulhoso de ter a pasta Couto à venda na sua loja – a Drogaria Imperial, em Lisboa –, Fernando Figueiredo diz que o dentífrico ainda é procurado pelos clientes mais antigos, mas também por “gente nova” que compra por curiosidade. Por tradição familiar, Elsa Marques, 38 anos, habituou-se a usar a pasta Couto, apesar de alternar com outros produtos. “A pasta Couto deixa uma sensação de frescura na boca e lava muito bem os dentes.”
FIRMA FAMILIAR NASCEU EM 1918
A firma abriu em 1918 no Largo S. Domingos, no Porto, com o nome de Flôres e Couto, que perdurou até 1931. Só nessa altura passou a denominar-se Couto, Lda., passando a administração a ser da exclusiva responsabilidade de Alberto Ferreira do Couto. Com o falecimento de Ferreira do Couto continuou nas mãos da família, passando a gerência para o sobrinho Alberto Gomes da Silva, que manteve o mesmo nome.
Como as instalações estavam velhas e desactualizadas, a empresa mudou-se em 2004 para um complexo industrial, em Gaia, apostando num laboratório moderno, numa produção semi-automática e na qualidade e controle dos seus produtos, desenvolvendo novos produtos próprios e para terceiros. Hoje em dia, o maior desejo de Alberto Silva Gomes é que a pasta continue no mercado com “a mesma qualidade de sempre”.
“Vendemos milhares de produtos por mês e a Pasta Dentífrica Couto está em todo o País”, assegura. O trabalho é feito apenas por dez pessoas de forma semi-artesanal, sem recurso a ingredientes de origem animal.
in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.08
O dentífrico foi criado por Alberto Ferreira Couto e por um amigo dentista para reduzir os casos de infecção gengival e limitar o fenómeno crescente da retracção das gengivas.
Após várias experiências, nasceu a primeira fórmula, registada no Porto, a 13 de Junho de 1932. O “sucesso” foi quase imediato porque apenas havia no mercado uma pasta denominada Couraça, criada numa drogaria de Lisboa.
Mais tarde surgiu o anúncio que ficou gravado na memória dos portugueses, mostrando um homem a fazer andar à roda uma cadeira presa pelos dentes, “só possível graças à Pasta Medicinal Couto”. “Palavras para quê? É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto”, ouviu-se vezes sem conta.
Durante décadas, o dentífrico andou na “boca de toda a gente”, mas com as novas marcas, foi ficando menos visível, lamenta o administrador Alberto Gomes da Silva.
“Vamos vivendo, mas tem sido difícil”, desabafa, contando que a situação mais grave deu-se em 2001, quando uma directiva comunitária obrigou a “neutralizar” a palavra “medicinal”, passando a chamar-se Pasta Dentífrica Couto. Apesar dos reveses, a empresa tem conseguido marcar presença em supermercados, mercearias e drogarias do País.
Orgulhoso de ter a pasta Couto à venda na sua loja – a Drogaria Imperial, em Lisboa –, Fernando Figueiredo diz que o dentífrico ainda é procurado pelos clientes mais antigos, mas também por “gente nova” que compra por curiosidade. Por tradição familiar, Elsa Marques, 38 anos, habituou-se a usar a pasta Couto, apesar de alternar com outros produtos. “A pasta Couto deixa uma sensação de frescura na boca e lava muito bem os dentes.”
FIRMA FAMILIAR NASCEU EM 1918
A firma abriu em 1918 no Largo S. Domingos, no Porto, com o nome de Flôres e Couto, que perdurou até 1931. Só nessa altura passou a denominar-se Couto, Lda., passando a administração a ser da exclusiva responsabilidade de Alberto Ferreira do Couto. Com o falecimento de Ferreira do Couto continuou nas mãos da família, passando a gerência para o sobrinho Alberto Gomes da Silva, que manteve o mesmo nome.
Como as instalações estavam velhas e desactualizadas, a empresa mudou-se em 2004 para um complexo industrial, em Gaia, apostando num laboratório moderno, numa produção semi-automática e na qualidade e controle dos seus produtos, desenvolvendo novos produtos próprios e para terceiros. Hoje em dia, o maior desejo de Alberto Silva Gomes é que a pasta continue no mercado com “a mesma qualidade de sempre”.
“Vendemos milhares de produtos por mês e a Pasta Dentífrica Couto está em todo o País”, assegura. O trabalho é feito apenas por dez pessoas de forma semi-artesanal, sem recurso a ingredientes de origem animal.
in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.08
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